Almas Afins

32 Capítulo 32 - Confissões silenciosas...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me se houver algum erro. Boa leitura. =D

Quando Quinn decidiu liderar o Clube de Celibato durante o primeiro ano do ensino médio, ela não havia tomado tal decisão simplesmente por desejar levar a sua virgindade até o dia em que estivesse em lua de mel. Ela tinha decidido aquilo porque não sabia como se livrar das investidas de Finn. Ele era o seu namorado, e sabia que a normalidade de um namoro juvenil seria elevar os níveis de intimidade, mas Quinn não desejava o mesmo que ele. Ela não conseguia cogitar a ideia de ser tocada e nem tocar Finn, então tomou a frente, fazendo com que outras Cheerios também entrassem e o clube se tornasse conhecido no McKinley.

Seu plano era bastante simples. Iria namorar Finn para subir a sua popularidade, eventualmente se tornando a rainha do baile no segundo ano, e permaneceria na castidade até se formar ou então até encontrar alguém com quem sentisse desejo de compartilhar mais do que beijos e toques sutis.

Quinn só não achou que esse alguém seria Noah Puckerman.

Ela não sabia discernir o motivo pelo qual deixou ele entrar no seu quarto carregando uma caixa com alguns coolers de vinho. Talvez ter ouvido algumas líderes comentando sobre como ela parecia fria demais com o namorado tivesse contribuído para aquilo. Quinn não chamou Noah para a sua casa. Ele apenas apareceu no instante em que se questionava sobre o porquê de nunca se sentir atraída por Finn. Era uma garota de dezesseis anos. Tinha hormônios. Já havia se tocado durante o banho. Então por que não se sentia excitada com o próprio namorado? Talvez ela só não se sentisse atraída especificamente por Finn, então deixou que Noah a tocasse enquanto bebia o líquido alcoólico.

No dia seguinte, tudo o que restou foram os lampejos de memória em fragmentos inúteis e um desconforto no meio das suas pernas. Foi o pior jeito de perder a sua virgindade. E nem sequer tinha ficado excitada.

Quinn chorou enquanto tomava banho, tentando se livrar do cheiro de vinho e do cheiro interno de sujeira. Se sentia suja, e prometeu a si mesma que não faria isso até encontrar a pessoa certa definitivamente.

E foi o que aconteceu.

Ao iniciar o seu namoro com Rachel dois anos depois, Quinn sentia amor, felicidade e uma explosão de sentimentos quando a olhava, quando era tocada e quando tocava a sua pele macia. Ela não sabia se a judia era a pessoa certa. Com quem se casaria. Entretanto, isso não foi um fator relevante quando ambas entraram em um período de beijos ardentes e mãos inquietas. A loira descobriu como o seu corpo era tão suscetível à Rachel. Como ele se arrepiava e a fazia ficar molhada apenas com beijos no seu pescoço. Toda a falta de excitação que sentiu durante muito tempo foi substituída por calcinhas encharcadas depois de inúmeras sessões de amassos. Contudo, Quinn sabia que Rachel era virgem, então preparou uma noite especial na sua casa quando os seus pais viajaram em comemoração de aniversário de casamento.

Quinn nunca achou que sentiria tantos fogos de artifício atrás dos seus olhos como quando se desmanchou em um orgasmo sobre os dedos de Rachel. E no momento em que a tocou de maneira amorosa e cuidadosa, fazendo-a explodir em um clímax ansiado, foi como realizar um sonho há muito tempo esperado.

O sonho de ser amada de corpo e alma.

E agora, sentia o nervosismo voltar, acompanhado do frio na barriga e das mãos suando ao se deitar na cama com a esposa logo acima do seu corpo. Era como se fosse virgem novamente. Não tinha contato com outra pessoa há dois anos. Não eram dois meses. Eram vinte e quatro meses longe de Rachel. Longe das curvas que tanto conhecia. Tinha medo de não conhecê-la mais como antes. Tinha medo de não sentir o que sentia antes.

Parte dos seus devaneios foram jogados para o fundo da sua cabeça quando a morena sugou o lóbulo da sua orelha, trilhando chupões fortes e obscenos até o seu pescoço, onde passou a dar atenção para a sua pele.

Quinn segurou o rosto de Rachel, fazendo com que ela a fitasse. Os seus dedos passearam pela sobrancelha até a bochecha esquerda, contornando o pequeno sinal de nascença, e a mais baixa sorriu, apoiando as mãos no seu quadril e brincando com a barra da sua calça moletom. Rachel queria despi-la e sabia que era recíproco. Os olhos dela estavam tão dilatados quanto os seus, evidenciando o desejo latente que tinham guardado por um longo tempo.

O momento singelo foi substituído por um gemido abafado de Rachel quando as bocas se chocaram em um beijo urgente, faminto e sem o mínimo de cuidado. Quinn introduziu a sua língua na boca da esposa ao receber espaço necessário e dessa vez o gemido escapou por entre os seus lábios ao sentir os seus cabelos sendo puxados com força. Não havia muita delicadeza no que faziam, porque estavam sendo movidas por um desejo aprisionado. Ele precisava ser liberto, precisava exteriorizar.

As roupas foram arrancadas com uma maestria impressionante. Quinn retirou a camiseta de Rachel, e ela o seu suéter, porém os trajes inferiores foram descartados por elas mesmas. Tinham bastante pressa. Era carnal, tão carnal que era quase automático. Seus corpos dançavam uma dança bem articulada como se já soubessem fazer isso e, de fato, sabiam. O medo de Quinn em não sentir novamente as reações que Rachel proporcionava foram por água abaixo quando o joelho dela encostou no seu sexo exposto ao jogá-la na cama, arrancando outro gemido prazeroso do fundo da sua garganta. Estava tão molhada, capaz de sentir o incômodo por não ter nada invadindo-a, e Rachel, com certeza, estava da mesma forma.

A ex-capitã do clube Glee trocou as posições, sentando com precisão no colo da esposa. Ela sentia a própria umidade se misturando com a dela por estarem em contato e pegou as mãos alvas, colocando-as nos seus seios enquanto suspirava em contentamento ao sentir o aperto firme naquela região.

— Eu senti falta disso. — Rachel murmurou, respirando mais profundamente quando começou a rebolar sobre a detetive. Seu clitóris inchado atritando com o dela.

Quinn gemeu. Estava tão sensível, tão quente e tão extasiada por sentir novamente o calor e o peso do corpo da outra mulher sobre o seu, juntamente com o aroma de sexo que preenchia o quarto. Ela tentou inverter as posições, porém Rachel foi ágil em segurar os seus braços e prendê-la abaixo de si, se inclinando e soltando um gemido baixo e agudo quando os seios pressionaram. Os mamilos intumescidos roçando lentamente.

— Você pode ser a melhor detetive de Ohio, mas aqui, agora, sou eu quem vai ficar por cima. — A atriz sussurrou, mordendo e puxando o lábio inferior de Quinn entre os dentes para que pudesse chupá-lo até deixá-lo em uma matiz escarlate.

Quinn resfolegou com isso, seu corpo se arrepiando instintivamente e sua vagina ficando mais encharcada.

Rachel percebeu os efeitos ocasionados na esposa e sorriu. Internamente e externamente. Seu ego elevando até alcançar o apogeu. Ela então beijou a detetive, degustando da sua língua enroscando na dela de modo tão erótico e desleixado.

O beijo durou minutos sem perder a intensidade e a fome que possuía, e elas se separaram quando tiveram de respirar. A mão da judia, que segurava um dos bíceps da esposa, fez um caminho torturante dos seios até a virilha dela, sentindo o calor desejado antes mesmo de chegar ao destino que ansiava.

Quinn arqueou levemente as costas ao sentir o seu clitóris sendo tocado e instigado quando a judia afundou a mão entre os seus corpos. E gemeu. Sem pudores ou constrangimento. Achava que seria estranho retornar a intimidade com Rachel depois de dois anos, mas não estava sendo. Ainda era o seu toque delicado e provocativo, ainda era a sua pele bronzeada e deliciosa, ainda era o seu aroma suave. A pessoa que a tirava de órbita com o seu jeito libidinoso na cama. O jeito nu, literalmente, de Rachel Berry.

Rachel rodeou o órgão duro e inchado com os seus dedos, notando o quão escorregadio ele estava devido à excitação latente da loira. Seus olhos castanhos, que adotaram uma coloração mais escura pelo tesão puro e cru, encararam a mulher deitada e entregue sob si. Quinn mordia o lábio com força, deixando-o mais vermelho, fazendo par com as maçãs do seu rosto. Seus cabelos dourados estavam espalhados pelo travesseiro e seu peito subia e descia rapidamente. Todo esse conjunto formava uma imagem tão excitante que Rachel teve de reprimir um gemido que queria escapar e moveu a outra mão para o seu próprio sexo na tentativa de se aliviar enquanto provocava um orgasmo na esposa.

Sua ação, no entanto, foi impedida por Quinn. Ela foi rápida em tocá-la também, do mesmo modo voluptuoso. Isso fez Rachel deixar o gemido escapar, principalmente quando a mais alta apertou o seu clitóris entre os dedos.

Elas continuaram se olhando, e embora houvesse uma necessidade alarmante em atingirem o ápice, também queriam permanecer assim. Olhos castanhos dilatados presos nos verde-escuros. Ambos recheados de desejo. Tudo isso em uma conversa muda sobre como se sentiam naquele instante. Rachel sentia amor e desejo. O amor sempre a acompanharia quando estivesse com Quinn, e o desejo seria o seu fiel companheiro. A esposa aflorava o seu lado mais sexual. O sentimental já era conhecido por todos, mas o sexo foi descoberto quando se entregou para ela pela primeira vez anos atrás. Rachel não sabia que poderia sentir tanto prazer em tão poucas horas, mas sentiu. Se sentiu amada e desejada. Se sentiu sensual. Quando estava com Quinn, a judia se tornava a mulher mais confiante do mundo, exatamente como se sentia agora, tendo as orbes penetrantes olhando-a outra vez. Elas eram um reflexo dos seus. Havia desejo e amor em uma confissão silenciosa, ainda que Rachel não fosse verbalizar isso. Não estragaria esse momento.

Ambas começaram com movimentos lentos nos seus órgãos gritando por atenção, e Quinn usou a sua outra mão para deslizá-la na coxa quente da atriz, subindo pelas costas dela e puxando-a para que se deitasse novamente sobre o seu corpo.

Os seios novamente foram colados um no outro, e o casal gemia enquanto mantinham os dedos habilidosos trabalhando, demonstrando o prazer que partilhavam. Rachel foi a primeira a levar o toque para baixo, introduzindo lentamente na entrada de Quinn.

A detetive ergueu as costas pela segunda vez, porém com mais entusiasmo. Tinha sido pega de surpresa, mas não evitou gemer alto com a penetração inesperada. Era como ser agraciada com um banho morno no fim de um dia exaustivo, todavia, mais do que isso, a temperatura alta estava em todo o seu interior, se concentrando, principalmente, na sua vagina preenchida pelos dedos de Rachel. Ela parou as ministrações ao ser invadida, voltando logo em seguida para fazê-la sentir prazer também. Queria retribuir tudo o que recebesse. Queria fazê-la acompanhá-la no orgasmo como sempre faziam antes de tudo acontecer.

Rachel abriu a boca antes que o som do seu gemido manhoso e aprazível saísse quando Quinn espelhou o seu gesto e grudou os lábios nos dela em um beijo urgente. Nunca se cansaria de beijá-la e o faria o quanto pudesse. Ainda estavam uma sobre a outra. Tão coladas quanto podiam estar. O calor de uma emanava na outra. Tão confortante e tão esperado.

O beijo abrupto fazia com que os seus rostos se movimentassem, assim como os seus troncos, e aumentava o prazer sempre que os mamilos rijos se massageavam sincronizadamente. Os dedos de Rachel se mexiam enquanto a esposa chupava a sua língua, entrando e saindo da cavidade convidativa e apertada. Ela adorava tudo isso. O calor, a textura e a sensação de sentir as paredes vaginais acomodarem toda aquela intromissão.

Rachel proporcionava deleite para Quinn ao penetrá-la profundamente, aumentando a velocidade gradativamente. Queria aproveitar cada gemido dela, ao mesmo tempo em que se permitia receber suas mesmas ações. A detetive tentava manter o mesmo ritmo da judia, embora sentisse dificuldade por estar tão embriagada de prazer.

Nenhuma delas queria parar para apenas sentir o toque unilateral. Queriam chegar ao ápice simultaneamente. Quinn levantou o quadril, empurrando-o contra Rachel, que iniciava subidas e descidas lentas apenas com a parte inferior do seu tronco, aprofundando a penetração. Em segundos, as duas estavam em uma dança libidinosa e gemendo em um tom que não chegasse até o quarto de Audrey. A garotinha não podia acordar.

Rachel afundou o rosto no pescoço suado da esposa, afastando alguns fios claros que estavam no local para plantar beijos e chupões como uma distração para não acabar emitindo um som mais alto do que deveria. Estava chegando no clímax e sentia Quinn em igual situação, porque ela se contorcia com mais empenho em busca de um contato maior.

— Me beija. — A loira pediu em um sussurro sôfrego.

O pedido foi prontamente acatado, e ambas se beijaram, emitindo ruídos vulgares, propícios para darem em lugares como aquele, onde somente elas podiam ouvir.

Quinn apertou os olhos quando o seu estômago se contraiu, denunciando o que viria. Ela moveu a outra mão para agarrar com força a bunda de Rachel, cravando as suas unhas curtas na carne firme. Era uma tentativa de não gritar com o orgasmo intenso. Depois do abandono, não tinha mais se tocado com afinco. Sempre ocupada com o trabalho. Contudo, sentia como se pudesse explodir agora. O alívio apareceu segundos mais tarde, e os tremores no corpo acompanharam-no.

Rachel continuou com os lábios presos aos da esposa. Ela tinha acabado de chegar ao orgasmo também. As duas sentiam os espasmos violentos, e seus dedos estavam extremamente molhados quando os retiraram das suas vaginas.

A judia lambeu o próprio dedo, gemendo ao provar do gosto delicioso de Quinn, e a detetive sentiu uma pontada no seu sexo ao presenciar aquilo, mas espelhou a ação erótica, admitindo para si mesma que aquele sabor era o melhor que já tivera na sua língua.

Rachel, no entanto, contrariando o que a loira esperava, não deitou ao seu lado. Ela esperou que o efeito do orgasmo passasse para beijar o queixo fino demoradamente, descendo para o vale entre os seios e tomando o direito na sua boca.

Aquele ato suscitou em uma nova de tesão se alastrando entre as pernas de Quinn. Talvez porque o desejo sufocado ainda não houvesse sido colocado para fora de modo geral, ou talvez porque era Rachel, a mulher que a deixava com a respiração errática apenas com simples palavras. Talvez os dois. Ela não pensaria nisso. Não quando estava sentindo os seus seios serem chupados e lambidos com ganância.

Ela segurou os cabelos longos e castanhos que caíam nas laterais do rosto de Rachel para que não ocultassem a visão repleta de luxúria enquanto suspirava pesadamente e fechava as pernas na tentativa vã de sanar o latejar que já começava na sua vagina.

Rachel percebeu isso e cessou a sua degustação, subindo o rosto para plantar um selinho demorado nos lábios finos.

— Você é incrivelmente gostosa, Quinn Berry-Fabray.

Quinn sabia que a inserção do sobrenome foi proposital. A morena sempre gostou de chamá-la assim após o casamento. A união de duas palavras era importante para ela. Quinn não sabia se sentia a mesma coisa, mas gostou de ouvi-la falando.

Por fim, ela soltou uma risada enquanto a fitava.

— Você disse a mesma coisa quando me chupou pela primeira vez.

— Eu disse isso depois de chupar você. Agora, eu estou dizendo antes.

Com isso, Rachel a beijou brevemente outra vez antes de iniciar o seu caminho de beijos molhados pelo corpo esguio, parando apenas no abdômen em forma para demarcar um pouco logo acima do umbigo.

Quinn riu novamente. Ela tinha um pouco de cócegas naquela área, e Rachel sabia disso, sorrindo contra a sua pele. Entretanto, o riso da detetive morreu quando a morena abriu as suas pernas, pondo uma delas sobre o próprio ombro sem dificuldade alguma. Ambas queriam aquilo mais do que qualquer outra coisa.

Rachel encostou o nariz na vagina molhada e aspirou o aroma inebriante. Deus! Como havia sentido falta disso. Ela não sabia como tinha sido possível passar incontáveis meses longe daquele contato. Era completamente descabido. Seus olhos fitaram todo o sexo avermelhado por ter sofrido a penetração recente, e a sua língua passeou por toda a extensão, sentindo Quinn tremer com isso. O clitóris inchado foi exposto ao abrir os grandes lábios.

Aquele era o seu alvo.

Rachel o circulou lentamente, sabendo o efeito que causaria. E foi imediato. O gemido arrastado preencheu os seus ouvidos em um som que a excitou completamente, fazendo-a apertar as pernas e se concentrar apenas no prazer da esposa.

— Rachel... oh, merda... — Quinn se agitou na cama quando a judia abandonou o seu órgão túrgido para chupar vagarosamente os seus lábios vaginais em uma velocidade torturante. Ela brincava com eles, puxando-os delicadamente e logo após voltando até o clitóris, afundando o rosto naquela região enquanto o estimulava sem parar. Quinn mal sabia o que falar a não ser gemer com o prazer adquirido.

Rachel explorava toda a vagina da esposa, indo da entrada até a virilha, onde espalhava beijos longos, não deixando o interior das coxas torneadas de fora. Seu rosto estava úmido pelo líquido viscoso, e como se fosse possível, aquilo a excitou ainda mais. Ela levou uma das mãos para segurar o seio esquerdo da detetive, brincando com o mamilo rosado ao mesmo tempo em que os seus cabelos eram segurados com uma força que a fez gemer e fitá-la com um sorriso sagaz.

Elas se encararam intensamente. Quinn mantinha a boca entreaberta e respirava com dificuldade. Seu rosto estava rubro, e as suas madeixas bagunçadas. Rachel quase gemeu com aquela visão. Seu ego no céu quando chupou os próprios dedos e os levou até a entrada apertada, vendo-a estremecer.

Quinn se controlou para não gritar quando a judia enterrou a boca no seu sexo embebido com substância natural, saboreando-a com ímpeto e fazendo-a caminhar para a borda pela segunda vez. A sensação só aumentou quando a sentiu introduzir os dois dedos no lugar de onde nunca deveriam ter saído. Ela abriu ainda mais as pernas, se expondo ao limite. O desejo que Rachel emanava sendo distribuído desde o seu corpo até o seu coração. Se sentia inteiramente desejada, exatamente como anos atrás. Parecia que nada havia mudado. Rachel a chupava com tanto fervor. Quinn só conseguia gemer ininterruptamente.

Toda aquela dança sensual continuou por vários minutos. A detetive aproveitava, totalmente inebriada, e bastou mais alguns movimentos da língua de Rachel no seu clitóris e dos dedos frenéticos no seu canal vaginal para ela ver estrelas, tendo de morder a própria mão para impedir a si mesma de gritar.

Rachel gemeu ao lamber toda a vagina da esposa. Gemeu por vê-la tão entregue, por ter dado prazer para ela e por ter gozado apenas por provar do corpo curvilíneo e ouvir os sons extasiantes enquanto o seu nome era chamado de forma tão atraente.

Ela escalou o corpo de Quinn até estar deitada em cima dela, compartilhando mais uma vez de um ápice mútuo.

Quinn estava de olhos fechados, mas os abriu ao sentir a respiração da esposa no seu rosto.

— Você...?

Rachel assentiu.

— Ver você gozar me fez gozar. — Ela confessou, e ambas riram.

— Eu odeio você. — Quinn disse. Sua voz saindo completamente relaxada.

— Não, você não odeia. — Rachel apoiou a cabeça no ombro dela. Sua perna curvada praticamente enlaçando-a pela cintura.

— Hoje foi como anos atrás.

— Eu queria que hoje fosse anos atrás. Eu jamais teria deixado a nossa família. — A judia pincelou o nariz na mandíbula marcada de Quinn.

— Eu sei, Rachel. O mais louco nisso tudo é que eu preferia que você estivesse em Nova York. Longe de Lima. Longe desse assassino. — A detetive passeava os dedos pelas costas de Rachel.

— Eu prefiro estar aqui. Onde eu tenho você e Audrey. Se algo tiver de acontecer, pelo menos eu tive tempo de fazer amor com você mais uma vez.

— Nada vai acontecer com você. Nada. — Quinn disse com uma certeza que parecia ter. — Eu não vou deixar.

— Eu sei que não vai. Você é a melhor detetive de Ohio. — Rachel bocejou. — Mas eu ainda não gosto de saber que você se arrisca diariamente.

— Eu nunca vou largar a minha profissão. Eu ainda quero ser contratada por um departamento maior.

— E você vai. E eu vou estar do seu lado. Mesmo se você não quiser.

Quinn não respondeu e apenas sorriu com a constatação de Rachel. Elas passaram alguns minutos em silêncio até a loira sentir o seu ombro molhado.

Ela franziu o cenho.

— Rach?

Um soluço foi ouvido, seguido de outro. E só então o corpo da atriz começou a tremer pelo choro.

— Rach, o que houve? — Quinn segurou delicadamente o rosto dela para que pudesse fitá-la.

Lágrimas vertiam das íris castanhas, escorrendo pelas bochechas até caírem no tórax de Quinn, fazendo-a sentir o peito apertar com a cena.

— É que... — Rachel fungou. — A minha ficha acabou de cair completamente. Nós acabamos de fazer amor depois de dois anos, e... eu achei que nunca mais fosse tocá-la como toquei hoje. Eu sonhei com isso desde que me arrependi de ter ido embora. E agora você está aqui, comigo, no quarto que costumava ser nosso.

Os olhos verdes marejaram com isso. Rachel estava tão frágil naquele instante, e a sua sinceridade aqueceu o coração de Quinn.

Ela abraçou a esposa, fazendo-a voltar para a posição anterior. A cabeça dela apoiada perto dos seus seios.

— Eu estou aqui. — A detetive afagava os cabelos escuros. — Estou aqui, e hoje vamos dormir juntas.

— E amanhã? — A voz da atriz estava rouca.

— Amanhã nós vamos passar o dia com Audrey. Nada de trabalho ou preocupações. Vamos ficar com ela.

— Como uma família?

Quinn demorou alguns segundos para responder, mas quando o fez, abriu um sorriso nos lábios grossos.

— Como uma família.

Rachel se acomodou nos braços da esposa depois disso e fitou o porta-retrato sobre a mesa de cabeceira. A foto que costumava estar ali exibia as três, tirada no dia em que Audrey completou um mês de vida. Ela trajava um vestido solto de bolinhas. Estava tão linda. Rachel mal podia imaginar que a sua filha deixaria de enxergar após alguns meses e ainda não conseguia suportar a ideia de não ter estado presente quando isso aconteceu. Era doloroso demais e inadmissível demais. Agora, a imagem que ocupava o objeto era apenas Quinn e a garotinha. Ambas sorriam abertamente enquanto a mãe estava sentada no sofá da sala de estar com ela no colo. Uma fotografia caseira e bonita.

Rachel pensou em quantas outras fotos não estava incluída. Inúmeras, podia imaginar. Perdera muitas comemorações, mas o aniversário da filha estava chegando, e a judia mudaria isso. Teriam um álbum de fotos em família. A família de três e não de duas. Como sempre deveria ter sido.

Gradativamente, ela começou a sentir os olhos pesarem. As carícias de Quinn nos seus cabelos contribuíam com isso. No entanto, antes de dormir, a frase forte e intensa saiu outra vez.

— Eu amo você, Quinn.

Quinn ainda estava acordada quando ouviu a declaração dita em um tom muito baixo, mas audível.

Ela não disse nada durante alguns minutos. Sentia a veracidade com a qual Rachel afirmava isso e sabia que estava mesmo buscando uma reconciliação definitiva. Mas por que tinha de ser tão difícil? Sempre que pensava em responder, a mágoa retornava, lembrando-a do que a judia fez. Ela estava provando dia após dia que merecia uma segunda chance, contudo, tinha retornado há pouco tempo. Quinn não tinha tanta certeza se a permanência dela era mesmo verdadeira. Tinha medo. Medo de ser abandonada novamente e ter o seu coração quebrado em pedaços minúsculos. E, sobretudo, tinha medo de ver Audrey machucada. A filha não merecia isso.

O futuro era uma incerteza, mas sabia que o sentimento de Rachel era recíproco.

— Talvez eu nunca tenha deixado de amar você, Rachel. Eu a amava até mesmo quando rasguei as suas fotos. Quando eu gritei e chorei, eu ainda a amava. Quando eu desabei ao saber que Audrey ficaria cega, eu ainda a amava. Talvez sejamos mesmo almas afins, não é? Não importa o que aconteça, sempre vamos nos encontrar. Eu só não sei se mesmo com todos esses sentimentos e com toda a intensidade na qual vivemos essa noite hoje, nós possamos reatar nosso casamento. Enquanto você dorme no outro quarto, eu sei que os meus muros ainda estão de pé, mas no momento em que eu aceitá-la de novo, tudo pode não ser como antes, porque ainda não confio em você. Mas... eu ainda a amo. Isso é tudo o que sei.

Não. Não era tudo. Ela também sabia que Rachel estava dormindo e não tinha ouvido a sua confissão.

Quinn era grata por isso. Talvez fosse melhor assim.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. Bom final de semana para todos vocês. =D twitter.com/yasagron