Almas Afins
27 Capítulo 27 - Algumas coisas nunca mudam (Parte I)...
Notas iniciais
Quinn parou o carro no estacionamento do colégio McKinley e suspirou após tirar a chave da ignição. Já havia recebido convites de William para outras reuniões no ano anterior, mas nunca compareceu, porque não queria receber os olhares penosos que seus antigos amigos direcionavam na sua direção. Eles estiveram presentes quando Audrey teve de passar pela cirurgia para retirar os tumores surgidos através do retinoblastoma, e ela era grata por isso, porém não suportava o brilho de pesar que eles carregavam sempre que a olhavam. Era o mesmo olhar que tinha recebido na época da sua gravidez inesperada e era demais para aguentar. Quinn não se permitia aguentar, porque não queria que sentissem pena dela. Era extremamente humilhante.
— Está tudo bem? — Ela sentiu a mão de Rachel na sua coxa e assentiu.
— Vamos entrar.
Elas saíram do veículo após a detetive constatar que a base passada no seu nariz havia ocultado a leve mancha que ia perdendo a tonalidade púrpura e adotando um tom vermelho mais suave. Cinco dias tinham se passado desde o golpe que levara de Rachel, e Quinn suportou não só os as piadas de Santana e David quando ambos souberam o que aconteceu, como também a dor totalmente incômoda que sentia ao tentar dormir de bruços. Detestava machucar o nariz, mas ele já estava quase recuperado.
Era sábado, então todo o colégio estava vazio. Quinn parou quando viu a parede de troféus esportivos, passando pelos campeonatos de futebol conquistados até parar nos das líderes de torcida. Reconhecia a maioria deles, porque estivera presente quando conquistaram. Os porta-retratos de todos os anos do ensino médio exibiam-na no topo da pirâmide humana. A postura perfeitamente ereta e as mãos na cintura. Aquelas não eram as únicas fotos com o seu rosto. Havia uma em especial, onde estava ao lado de Sue Sylvester no campo de futebol. Ela sorriu ao ver que a treinadora não havia substituído aquela foto, ainda que fosse uma imagem de quase dez anos atrás. Nas fotos remanescentes, novas Cheerios sorriam orgulhosas enquanto seguravam alguns troféus. Quinn adorava distribuir aquele sorriso. O sorriso de alguém que fazia parte do topo da popularidade.
— Você sempre foi uma capitã incrível. — Rachel disse, olhando todas as imagens minuciosamente.
— Eu era horrível. No primeiro ano, sempre distribuía comentários maldosos nas suas redes sociais.
— Eu sei. Eu me sentia extremamente mal, mas não entendia o motivo pelo qual você focou justamente em mim.
— Talvez eu só quisesse chamar a sua atenção. — Quinn abriu um sorriso pequeno. — Do jeito errado, é claro. Eu não sabia exatamente o que sentia.
— Eu ainda me orgulho em ver o quanto você mudou. — Rachel segurou a mão da esposa. — Eu sei que sempre falo isso, mas enquanto estamos aqui, olhando esses troféus, quem imaginaria que a capitã das Cheerios teria uma filha com Rachel Berry?
— Quem imaginaria que Quinn Fabray se casaria com a garota mais forte e destemida que já pisou no McKinley?
Rachel riu. Era normal trocarem esse tipo de indagação esporadicamente.
— Você é mais forte do que eu, Quinn. Eu não aguentaria metade do que você aguentou. Principalmente sobre o meu erro estúpido.
Quinn não respondeu. Ela abriu um sorriso suave e permaneceu olhando os troféus ao lado de Rachel.
— Quinn, o que... — Quinn separou rapidamente a sua mão de Rachel ao ouvir a voz de Santana e se virou, fitando a amiga, que a olhava com uma expressão inquisidora. — Todos estão esperando o Casal Realpara começarmos a reunião. — Foi sarcástica ao mencioná-las. Aquele era o modo como a latina as chamava no ensino médio, porque todos naquele colégio não paravam de falar sobre Quinn Fabray e Rachel Berry em um relacionamento no terceiro ano. Foram semanas com o assunto percorrendo os corredores.
— Tudo bem. — Quinn foi lacônica e seguiu a amiga quando ela deu meia-volta ainda desconfiada.
Rachel se manteve calada enquanto andava do outro lado de Quinn e conseguiu ouvir o burburinho de conversas à medida em que se aproximava da sala do coral.
O ambiente se tornou silencioso de repente quando as três passaram pela porta, e a judia vagou os seus olhos por todos os rostos conhecidos e alguns desconhecidos que preenchiam o local, parando na figura masculina que sentia falta desde que havia retornado para Lima.
Kurt correu até Rachel ao mesmo tempo em que ela fazia o mesmo, e os dois se abraçaram com força.
— Oh, meu Deus! Quando você chegou? Por que não me ligou? Eu teria ido buscá-lo na estação de trem. — A morena segurou o rosto dele quando quebraram o afeto.
— Eu quis fazer uma surpresa, embora tenha sido muito difícil. Eu senti a sua falta. — Kurt voltou a abraçá-la.
Diferente de Rachel, Kurt havia tentado entrar em NYADA novamente depois de também ter sido rejeitado, e conseguiu. E quando ela voltou para Ohio, ambos não mantiveram muito contato em razão da situação complicada que estava passando. Mas agora ele estava ali, e colocariam todo o assunto em dia.
Quinn ficou parada na porta da sala. Todos estavam ali e a fitavam com surpresa e não pesar, o que era algo bom. Deveriam estar se perguntando se ainda mantinha um relacionamento com Rachel. Sabia o quanto eram curiosos. Isso nunca mudaria.
O único que a encarava com curiosidade era Noah, que estava sentado na última fila de cadeiras, exatamente onde sentava quando estudavam juntos. Trajava o uniforme da Força Aérea e era nítido o seu interesse sobre o que estava acontecendo entre ela e a judia.
— Quinn! — William se aproximou e a puxou para um abraço, sendo retribuído. — Eu estou feliz por tê-la conosco esse ano. — Sorriu gentil.
— Me desculpe por não ter vindo ano passado. Tudo estava complicado. — Ela disse quando se separaram.
— Está tudo bem, Quinn. Eu sei como deve ter sido difícil. Eu achei que ninguém viria por causa dos recentes acontecimentos, mas estamos todos aqui. E a propósito, como anda o caso dos assassinatos? Ninguém fala em outra coisa nessa cidade. — Ele perguntou preocupado.
— Tudo anda lento demais. — Ela suspirou. — O assassino sabe como esconder as provas e sabe exatamente o que está fazendo. Não temos testemunha alguma, mas não estamos parados. Há policiais em cada quarteirão de Lima.
— Eu soube disso também. Espero que tudo se resolva.
Quinn assentiu.
— Eu também espero, senhor Schuester.
O professor pediu licença e foi até Rachel, abraçando-a efusivamente também. Quinn então caminhou até que pudesse se sentar ao lado de Santana e David na segunda fila de cadeiras.
Mercedes conversava com Tina e Artie, Mike trocava alguns passos de dança com Brittany, Blaine parecia entretido no seu diálogo com Sam, e Sugar dividia a sua atenção com Joe. Todos pareciam mergulhados em suas próprias bolhas, exatamente como acontecia quando dividiam aquela sala. Os traços do rosto estavam diferentes, mas ainda eram os mesmos sorrisos e as mesmas personalidades distintas.
— Eu achei que Rory viria. — Quinn disse.
— Ainda deve estar na Irlanda. Eu fico feliz. Nunca gostei dele. — Santana respondeu.
— Isso é porque ele tinha um afeto especial pela Britt. — David sorriu.
Havia rostos novos também, que trocavam palavras de modo eufórico. Os únicos em silêncio eram David, Santana, Noah e Finn. O último, no entanto, se levantou e foi até Rachel, cumprimentando-a com um abraço.
Quinn virou o rosto, se recusando a sentir a barriga contrair com aquela sensação conhecida e completamente indesejada que sempre a assolava quando Finn tentava se reconciliar com a judia quando ambas já estavam em um relacionamento.
— Parece que algumas coisas nunca mudam. — Santana comentou, vendo Finn sorrir de lado para Rachel.
— Vocês acham que Kurt e Blaine terminaram? — David indagou, fazendo a loira se concentrar em algo que não fosse a sua força interna em não olhar para Rachel próxima de Finn e nem em pensar no que o amigo dissera dias atrás na delegacia sobre ele tentar algo com a judia novamente.
— Sim, eles terminaram. — Uma voz desconhecida respondeu, e uma das garotas sentadas na fila da frente se virou na sua cadeira, fitando os três amigos. — Parece que Blaine traiu Kurt, mas está tentando tê-lo de volta.
— E como você sabe disso? — Quinn arqueou a sobrancelha.
— Quando você ouve mais do que fala, consegue saber de coisas interessantes. — A garota abriu um sorriso convencido.
— Eu gostei dela. — Santana disse. — Qual é o seu nome?
— Kitty Wilde, e vocês são Santana Lopez e Quinn Fabray.
— Como você sabe disso?
— Todas as Cheerios precisam saber disso. Vocês conquistaram várias Nacionais. Eu idolatro vocês. — Os olhos verde-escuros de Kitty lembravam os de Quinn, assim como o cabelo loiro firmemente preso no rabo de cavalo, contudo, o sorriso curvado era semelhante ao de Santana.
— É assustador o quanto ela parece ser uma mistura de vocês duas. — David pontuou. — Você também é uma HBIC?
— Ela é. — Outra garota virou para encará-los. — Ela diminuiu o tamanho das minhas roupas ano passado para que eu achasse que estava acima do peso e forçasse o vômito.
— Minha nossa! Isso é cruel até para mim. — Santana arregalou os olhos.
— Eu já me desculpei. — Kitty fitou a garota morena de olhos azuis. — E também a acompanhei em todas as consultas médicas para garantir que você não ficasse com sequelas.
— Eu sei, mas ainda é bom relembrá-la do seu erro.
— Deixa eu adivinhar, você é uma perdedora no McKinley? — Santana indagou, e a jovem fez uma careta, mas assentiu constrangida.
— Meu nome é Marley Rose.
— Vocês são como uma Quinn Fabray e uma Rachel Berry sem os suéteres horrendos, mas que ainda continua com um péssimo gosto para roupas. — Santana estava começando a se animar.
— Ei! Eu gosto das minhas roupas. — Marley ajustou a boina na cabeça enquanto Kitty ria.
— Vocês namoram? — David estava curioso.
— Claro que não! Eu sou fiel ao clube de celibato e muito religiosa. — Kitty respondeu.
— Ela é mesmo você. — Santana fitou Quinn com uma expressão perplexa, que também estava surpresa.
— Não se preocupe. A Q também era, mas se apaixonou pela Rachel e viu que o amor é mais forte do que qualquer religião. — David sorriu, e Marley encolheu os ombros enquanto sentia o rosto corar furiosamente.
Quinn franziu o cenho diante do quanto a garota parecia envergonhada e percebeu quando ela fitou Kitty antes de desviar o olhar.
— Eu... posso pedir um favor? — Marley perguntou timidamente.
— Quer ver as nossas armas? — Santana se atreveu a predizer. Muitos adolescentes já tinham pedido isso.
— Não, não é isso...
— Eu quero. — Kitty se empolgou. — Eu posso aprender a atirar? Quero dar uma lição no idiota do Puckerman.
— Puckerman? — Quinn ficou confusa.
— Aquele ali. — Kitty apontou com a cabeça para um rapaz escorado em uma das paredes na lateral da sala. Ele mantinha uma pose muito parecida com a de Noah no ensino médio. — Jake Puckerman. Ele namorava a Marls, mas queria apenas sexo e quando não conseguiu ter o pote de ouro, quase transou com uma das Cheerios na frente dela. Eu o quero matar por isso.
— Eu já o superei. Está tudo bem agora. De qualquer forma, eu nunca gostei dele como deveria. — Marley tentou tranquilizar a amiga.
— Mas o que ele fez foi baixo, e merecia uma lição para parar de ser tão idiota. Ninguém gosta disso. — Kitty rebateu.
— Você gostava dele.
— Eu não gosto mais.
— Drama lésbico adolescente. Eu adoro isso. — Santana cruzou as pernas enquanto sorria.
— Eu não sou lésbica! — Kitty quase gritou, atraindo alguns olhares e sorrindo constrangida, fazendo todos voltarem às suas conversas.
— Já vimos esse filme antes, GayWilde, e ele está bem aqui do meu lado. — A latina apontou para Quinn e David. — Você está agindo como uma namorada com ciúme.
— Eu... só quero mostrar que não se pode brincar com alguém desse jeito. — Kitty tentou se justificar, sem saber ao certo o porquê.
— O que você queria pedir? — Quinn mudou o rumo do diálogo quando o rosto de Kitty pareceu queimar como um tomate fresco. Era sempre impressionante o quão rápido Santana conseguia deixar alguém envergonhado.
— Eu gostaria de falar com Rachel Berry, mas não tenho coragem, e você é a esposa dela, então... — Marley encolheu os ombros outra vez.
— Ela é completamente fã da Rachel e não falou em outra coisa desde que soube da reunião do senhor Schuester. — Kitty complementou.
Quinn sorriu, achando Marley adorável e sobretudo, como ela parecia Rachel quando estava embaraçada, exceto pelo fato de que a garota não falava muito, ao contrário da judia.
— Vamos lá. — Quinn se levantou, caminhando com a jovem até a esposa, que estava perto do piano com Kurt e Finn. Ele sorria abertamente para ela, e a detetive ignorou a nova pontada no estômago.
Todos pararam de conversar para encará-las, e Marley abaixou a cabeça.
— Rachel, essa é a Marley. Ela é a sua fã e adoraria conversar com você, mas não conseguiu vir até aqui antes. — A loira apoiou a mão no ombro da garota.
Rachel sorriu e contornou o piano até parar na frente de Marley, envolvendo-a em um abraço afetuoso e iniciando um diálogo sobre a Broadway logo depois.
A jovem ganhou mais confiança gradativamente, e ambas trocavam ideias e gostos por musicais enquanto caminhavam até se sentarem em duas cadeiras da primeira fila.
— Olá, Quinn. — Finn a saudou, sorrindo forçadamente para ela, o que foi correspondido.
— Oi, Finn. — Quinn maneou a cabeça em um cumprimento.
Houve um tempo em que considerava Finn um grande amigo após ele ter perdoado-a sobre a gravidez, porém depois de começar a enxergar Rachel com outros olhos, aquela amistosidade foi por água abaixo. Quando a morena terminou com ele e ambas engataram em um namoro, o rapaz passou a vê-la como alguém que roubou a sua namorada e ao tentar resgatar o que foi perdido com a judia, Quinn começou a nutrir raiva por ele não respeitar o seu relacionamento.
Ela tentou reparar isso convidando-o para o seu casamento a pedido de Rachel, mas ele não compareceu e também não fez questão de sequer telefonar quando Audrey passou pela cirurgia e recuperação. Aparentemente, Finn ainda guardava mágoas, embora não houvesse motivos para isso. Oito anos tinham se passado. Contudo, ele ainda parecia ressentido.
— É bom revê-la, Quinn. — Kurt se pronunciou ao sentir a tensão se formar entre Finn e ela.
— Eu digo o mesmo, Kurt. — Quinn sorriu para o melhor amigo de Rachel.
Kurt pediu licença para Finn e se pôs ao lado da detetive, andando com ela até estarem longe de todos.
— Eu sinto muito por tudo, Quinn. Eu quero que saiba que a Rachel se arrependeu imensamente por ter cometido aquele erro estúpido, mas a Broadway não é tão amigável quanto parece ao assinar um contrato. Ela não podia quebrá-lo e teve de permanecer atuando até o fim do prazo.
— Obrigada, Kurt, mas isso não ameniza as coisas. Rachel se arrependeu ao chegar em Nova York, mas o fator principal foi a sua iniciativa em partir. Eu nunca teria coragem. Meu maior sonho é ser contratada por um departamento maior e com mais recursos ao lado de Santana e David, mas eu não aceitaria qualquer proposta se isso me levasse para longe dela e da minha filha. A Rachel conseguiu fazer as malas e sair sem olhar para trás.
— Eu entendo, Quinn, eu realmente entendo. Eu conversei muito com a Rachel durante os dois anos em que passamos dividindo aquele apartamento em Bushwick e eu tenho certeza de que ela pagou parte dos seus pecados sentindo aquele arrependimento corroê-la e sem poder voltar quando quisesse. Ela ama você e ama a Audrey.
— Eu sei que ama, Kurt. Eu realmente não duvido disso, mas alguns erros nunca podem ser apagados, não é? — Quinn abriu um sorriso triste.
Kurt assentiu, sem conseguir responder algo dessa vez, porque os seus olhos focaram em Blaine no fundo da sala ainda conversando com Sam. Seu peito doeu ao lembrar da traição.
Diante do silêncio dele, a detetive continuou.
— Você o perdoaria? — Questionou, deixando claro que já sabia de tudo.
— Talvez. Eu penso em perdoá-lo quando o meu coração começa a bater forte, mas penso que você e a Rachel continuaram se desejando mutuamente mesmo distantes e com o erro dela ferindo profundamente. Ela não ficou com ninguém, e eu soube por ela que você também não. Mas então Blaine e eu nos afastamos por um breve tempo e ele me traiu. É cômico como o amor pode ser visto até mesmo nos erros, não é?
Quinn ficou calada dessa vez, não sabendo o que dizer. Hayden tinha mostrado interesse inúmeras vezes, mas ela nunca conseguiu ir adiante, tampouco beijá-la, porque nunca conseguiu tirar os lábios de Rachel da sua cabeça, e a judia também não teve a mínima vontade de se entregar para outra pessoa, ainda que soubesse que o casamento delas estava liquidado assim que partiu para Nova York. Ambas ficaram sozinhas. Isso era amor da parte de Rachel? Talvez. Era amor da parte de Quinn? Ela se negava a pensar nisso.
A voz de William trouxe-a de volta para a realidade.
— Eu acho que vocês já tiveram tempo suficiente para matarem as saudades. — Ele começou, e Quinn voltou para o seu lugar, sendo espelhada pelos demais. — Aos antigos membros, esses são: Ryder Lynn, Jake Puckerman, Marley Rose, Unique Adams e Kitty Wilde. — Fez todas as apresentações, gesticulando na direção de cada aluno para identificá-los. — Espero que tenham se conhecido. Eu pensei em selecionar algumas músicas para cantarmos, mas ao conversar com Emma, ela sugeriu que eu os deixassem à vontade para escolherem e decidirem se farão performances em grupos, individuais ou em duplas.
— Devemos agradecer à Emma, ou então cantaríamos músicas dos anos oitenta. — Santana disse, e todos riram, o que incluiu William.
— Vamos para o auditório. A banda logo irá também. Lá é maior e podem decidir com mais espaço. — William demandou, e todos começaram a levantar para seguir o professor.
Quinn deixou que Santana fosse com Brittany e David e fingiu estar procurando algo nos bolsos da sua jaqueta na intenção de ganhar tempo, porque Rachel ainda estava conversando com Marley, e Finn não parava de olhá-la.
Quando a garota se foi com Kitty, ela se ergueu, porém Finn foi mais rápido em se aproximar da judia.
— Ei, Rach. Eu posso chamá-la assim, certo? — Ele sorriu.
— Eu acho que sim. — Rachel sorriu educada.
— Eu não pude falar antes porque estávamos com pessoas ao nosso redor, mas agora quero dizer que sinto muito pelo seu casamento.
— Meu casamento? — Ela contorceu o rosto em confusão.
— Você e a Quinn não estão mais juntas, e eu...
— Mas nós estamos juntas. — Rachel o interrompeu.
— Estão? Mas você a deixou e...
— Eu a deixei porque fui estúpida, Finn. — Ela continuou cortando-o. — Eu errei. Foi o pior erro da minha vida, e eu me arrependo, mas agora eu estou de volta e vou recuperar a minha família.
Finn engoliu em seco com a sentença da judia. Ele esperava veemente que Rachel tivesse largado Quinn por estar cansada do casamento, mas estava redondamente enganado e se sentiu mal por vê-la ainda tão apaixonada. Ele nunca foi bom com palavras, tampouco em decifrar sentimentos, mas nunca conseguiu esquecer Rachel, ainda que já houvesse namorado algumas mulheres durante os anos que passaram. Na época do breve namoro, ele mal conseguia acreditar que teria a morena ao seu lado para sempre, mas nunca foi para sempre. Quinn mentiu sobre a gravidez e tinha conquistado a única pessoa com quem ele imaginava um futuro duradouro. Sabia que precisaria superar aquilo um dia, mas na sua cabeça tudo parecia injusto.
— Ei. — Quinn andou até parar perto dos dois. — Vamos? — Encarou a esposa, que assentiu.
— Nos vemos lá, Finn. — Rachel acenou e saiu com Quinn ao seu lado. — Será que você pode sentar do meu lado da próxima vez? Se eu não estivesse conversando com Marley, eu tenho certeza de que Finn ocuparia o lugar vazio.
— Eu achei que você quisesse rever os antigos amigos.
— E eu quero, mas Finn sempre volta com as lembranças do nosso namoro, e eu me sinto mal por ele. Então ocupe um lugar ao meu lado ou guarde um para mim.
— É uma necessidade?
— É mais do que uma necessidade.
Quinn sorriu e aquiesceu, sem evitar controlar o coração bater descompassado diante daquela resposta convicta.
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