Almas Afins

28 Capítulo 28 - Algumas coisas nunca mudam (Parte II)...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Eu gostaria de agradecer à ApologyFaberry pela recomendação. Eu adorei as suas palavras de carinho com a fanfic e me deixa muito feliz saber que estou agradando com o enredo. Obrigada. De verdade. Espero que gostem do capítulo e desculpem-me se houver algum erro. Boa leitura. =D

Todos chegaram no auditório, e Rachel foi literalmente puxada por Kurt até o palco, deixando Quinn sozinha.

Ela suspirou e se acomodou em uma das poltronas confortáveis, aproveitando o momento para passar os olhos em todo o espaço amplo.

A maioria dos seus ex-colegas de coral já estava formando duplas ou trios, com exceção dela mesma e Noah. Ele se encontrava mais à frente. Também estava sentado, e Quinn cravou a sua atenção nele. Não conseguia esquecer a proposta que recebeu na casa de Shelby. Foi um total disparate. Noah sempre foi o tipo de pessoa que investia em qualquer garota sem um mínimo de pudor, mas nunca a tratou mal, tampouco a direcionou palavras duras como as que jogou ao se reencontrarem dias atrás. Nove anos atrás, depois de toda a confusão sobre a sua gravidez, ele se mostrou alguém interessado com o bebê. Quinn achou veemente que ele tinha mudado, mas Noah voltou a ser quem era logo após Beth ser entregue para Shelby, porque teve as suas esperanças quebradas como cacos de vidro. Quinn nunca se interessou, de fato, em tentar se reaproximar, porque nunca foi apaixonada por ele. Nunca o amou, assim como nunca amou Finn. Em algum momento, ela começou a achar com convicção que nunca amaria alguém. Até se apaixonar por Rachel.

Estava tão imersa nos próprios pensamentos que não notou alguém ocupar o lugar ao seu lado.

— Perdida em algum universo paralelo? — Sam indagou divertido.

Quinn balançou a cabeça rapidamente, voltando à realidade.

— Alguns universos paralelos são bons. — Ela sorriu gentil. — Como você está?

— Eu é quem deveria perguntar isso. Eu soube da volta da Rachel e queria ir visitá-la, mas fiquei receoso. — Ele se apoiou no respaldo da poltrona.

— Você é sempre bem-vindo na minha casa, Sam. É um dos meus melhores amigos, e a Aud adora você.

— E eu adoro aquela baixinha. Sinto falta dela. — Sam abriu um sorriso afetuoso.

— Então prometa que irá ao aniversário dela.

— Eu prometo. — Ele assentiu. — E como o seu coração está?

Quinn suspirou e encarou Rachel no mesmo instante em que ela a fitava também. Os lábios cheios se curvaram em um sorriso antes da atenção dela voltar para Kurt outra vez.

— Ele está doendo, mas não tanto quanto antes, eu acho. — Quinn fixou os seus olhos em Sam.

— A dor está mais amena por que a Rachel voltou para a sua vida?

— Eu esperei ela por tanto tempo, pedindo para que retornasse logo...

— E agora você a tem.

— Mas talvez não seja como antes, entende? Ela pede sempre por uma chance. E se não for como antes? Se eu não conseguir mais confiar nela como confiava? Eu sinto diariamente o gosto amargo da falta de confiança que nutro por ela e sempre acho que vou ser deixada para trás novamente. — Ela comprimiu os lábios.

— Parece clichê, mas você só vai saber se tentar, Quinn. Você tentou com Finn, com Puck e comigo. Você passou boa parte da sua adolescência tentando encontrar o seu caminho. Então você o achou, mas o perdeu. Quer parar de tentar justo agora?

— Talvez eu esteja cansada de tentar. E há a Hayden. Ela sempre mostrou estar interessada.

— E é isso o que você quer? A Hayden também pode magoar você. Todos podem nos magoar. Não estamos imunes a isso.

— Eu sei, mas eu confio nela. Eu confio muito nela.

— E você a ama?

— Amor não é o suficiente, Sam.

— E apenas confiança também não. — Ele rebateu.

Quinn se calou depois disso. Ele tinha razão e sabia disso. Sua vida estava tão repleta de incertezas. Tinha a incerteza do Homem Sem Coração, tinha a incerteza de Rachel e a incerteza de Hayden. Estava exausta disso. Era esmorecedor.

— Desde quando você ficou tão especialista em sentimentos?

— Desde que eu senti a dor de não ser correspondido por não apresentar confiança necessária, assim como a Rachel. — Os olhos de Sam caíram sobre Mercedes, que dialogava com Artie.

— Você ainda gosta dela? — Quinn seguiu o olhar do amigo.

— Talvez eu nunca deixe de gostar. — Foi a vez dele de suspirar.

Quinn passou alguns minutos em silêncio, apenas observando a movimentação no auditório, e por fim o encarou.

— Então você agora é assistente da trinadora Beiste? — Ela mudou de assunto.

— Sim, eu sou. Preciso desse dinheiro.

— Seus pais ainda estão em Dayton?

— Estão, e eu preciso sobreviver aqui com o salário de assistente e o de garçom do Breadstix. Eu só lamento não ter muito tempo para visitá-los e nem para fazer nada.

— Eu percebi isso ao ver o seu cabelo. Há quanto tempo você não o corta, Sam? — Quinn brincou, bagunçando os fios loiros com a raiz escura do amigo.

— Muitas garotas gostam dele assim, tudo bem? — Sam passou a mão nas madeixas medianas.

— Qual delas?

— Muitas delas. — Ele empurrou o ombro da detetive de forma suave.

Os dois se encararam mutuamente e começaram a gargalhar, chamando a atenção de algumas pessoas, e quando Quinn cessou o riso, sentiu uma mão delicada no seu ombro.

— Oi, Sam. Quanto tempo. — Rachel saudou.

— Oi, Rachel. — Sam sorriu de forma sincera. Ele não tinha um motivo aparente para desgostar de Rachel, além do fato do erro que ela cometeu. No entanto, se Quinn estava convivendo com ela, ele não iria ser menos do que amigável.

A detetive não sabia como a esposa havia chegado ali tão rapidamente, mas a fitou.

— Quinn, eu achei que podíamos cantar um dueto, o que acha? — Rachel sugeriu.

— Nada disso, Hobbit. A Fabray vai cantar conosco. — Santana se aproximou com Brittany. — Vamos reviver A Trindade Profana.

— Na verdade, eu vou ficar aqui. Eu não canto há muito tempo e prefiro olhar vocês. — Quinn respondeu.

— Vamos cantar, Q. Eu sinto falta das nossas performances. — Brittany insistiu. — A Rachel também pode cantar com a gente.

— Britt! — Santana abriu a boca surpresa. — A performance tem de ser feita por nós três. Não com o Elfo Cantante.

— Será que você pode me chamar pelo meu nome? — Rachel estava começando a se irritar.

— E qual é o seu nome? Mulher-Que-Abandona-A-Sua-Família? — Santana foi completamente sarcástica.

— Santana! — Quinn bronqueou a amiga e se levantou.

— Que tal Mulher-Que-Sabe-Cuidar-Da-Própria-Vida? — A judia segurou o peso do olhar que recebia.

— Eu prefiro chamar de Mulher-Que-Troca-A-Família-Pela-Broadway.

O ambiente se tornou tácito com a última frase de Santana, e todos podiam jurar ver a névoa de tensão que as sobrevoava.

A respiração de Rachel estava errática, e ela utilizou toda a sua força interna para não avançar sobre a latina, ou então causaria uma enorme situação desagradável. Diferente do que queria, ela apenas deu as costas e saiu do auditório em passos largos.

David, que estava conversando com William, pediu licença e caminhou até parar ao lado das amigas.

— Você não devia ter feito isso. — Quinn estava visivelmente irritada.

— Eu não consigo, tudo bem? Eu não consigo vê-la aqui novamente depois daquele erro grotesco sem jogar tudo sobre ela. — Santana tentou se defender.

— Esse não é um assunto nosso, Santana. Se a Q não faz isso, não somos nós quem vamos fazer. Vá falar com ela. — Brittany demandou.

— O quê? — A latina arregalou os olhos. — Eu não vou falar com ela.

— Vá, ou então eu dormirei no quarto de hóspedes durante essa semana.

— Eu não acredito que você vai ficar do lado dela.

— Eu não estou do lado de ninguém, mas o que você fez foi extremamente infantil, então decida se vai agir como uma adulta e conversar com ela ou vai dormir sozinha durante esses dias. — Brittany foi firme.

Santana passou alguns segundos pensando e no final bufou, xingando algo em espanhol antes de sair do auditório.

— Acha que isso é uma boa ideia? Elas podem acabar se batendo novamente. — Quinn questionou insegura.

— Eu espero que isso não aconteça, Q. — Brittany sorriu na direção da amiga.

...

Santana esperava ver Rachel ao pisar no corredor, mas não a encontrou no térreo, então subiu, finalmente achando-a no banheiro do segundo andar.

A atriz estava encostada na pia. A cabeça baixa e os soluços entregavam que estava chorando, mas enxugou as lágrimas ao ver a latina adentrar o local.

— O que você quer? — Ela indagou com a voz rouca.

— Eu vim em paz. — Santana disse. — A Britt ordenou que eu viesse até aqui para me desculpar, ou então dormiria em outro quarto. Eu não quero isso.

— Certo, então vamos voltar até lá. Eu digo que você se desculpou. Problema resolvido.

— Você faria isso?

— Eu não sou uma má pessoa, Santana, e você sabe disso. Só não quer admitir. Eu não prejudicaria outro casamento. Já fiz isso com o meu. — Rachel se virou, olhando a si mesma no espelho. — Todos me odeiam.

— Nem todos odeiam você.

— Você me odeia.

— Odeio. Eu odeio muito. Eu sei que a Britt não odeia, porque ela acredita em segundas chances e sabe que você não é ruim, e a Quinn ainda ama você, mas eu odeio. Eu achei que você seria a melhor pessoa para a Quinn e você não foi. Eu a vi se destruir cada vez mais até a Audrey perder a visão. Você não estava lá.

— Eu não tinha a menor ideia de que a Audrey iria perder a visão. Ninguém me comunicou.

— E precisávamos? Você deveria estar lá porque queria e não porque foi comunicada, Rachel.

— Eu voltaria, Santana, mas o meu contrato não permitiu. Eu poderia perder a nossa casa. Ela também está no meu nome.

— Você não deveria nem ter cogitado ir embora, Rachel.

— Eu sei, Santana, eu sei. O meu erro também me feriu. Você não sabe como o arrependimento pesa. Ele pesa tanto que eu não comia direito, não dormia direito e vivia sempre tomando café. Foi horrível. Eu não sabia como agir e nem se deveria ligar. Eu estava tão envergonhada. Eu sempre amei a Quinn e sempre vou amá-la, mas eu propus ter um bebê porque me sentia perdida depois de ter sido rejeitada por NYADA. Então eu tive a Audrey e todo o meu desconexo retornou após alguns meses, e por mais que tenha sido doloroso, esse erro me ensinou que eu não consigo viver sem elas. Eu não estava perdida. Eu nunca estive. Eu estava no lugar certo e sinto isso agora. Eu só preciso ter outra chance. Só mais uma chance. — Rachel explodiu em um choro copioso.

Santana permaneceu em silêncio depois disso. Uma parte dela acreditava na judia. A outra, entretanto, gritava que tudo isso era culpa dela. Era uma dualidade que não tinha experimentado desde então, porque tudo o que fizera desde volta dela foi maldizê-la em pensamentos e atingi-la com palavras quando se encontravam raramente, mas agora estavam conversando pela primeira vez depois de muito tempo. A latina sentia a sinceridade com a qual Rachel afirmava o seu arrependimento, mas não podia ajudá-la. A protagonista naquela ferida não era ela, embora tivesse suas próprias mágoas. Ver Quinn definhando dia após dia abriu uma lacuna dolorosa no seu peito, porque Rachel foi a causadora disso. O nome dela ficou na sua cabeça como um mantra de ódio, enraizando aos poucos.

Rachel chorou por alguns minutos, e Santana pegou um pouco de papel-toalha, entregando-o para ela.

— Obrigada. — Não passou de um sussurro, e a judia passou a secar as lágrimas lentamente.

— Eu não sou perfeita, Rachel. Ninguém é. Eu tenho os meus próprios erros, mas o seu erro foi gigantesco. Ele atingiu uma série de pessoas, e você sabia que seria assim. Eu sei que você pensou nisso antes de ir. Você era uma mulher adulta e decidiu partir. Se você teve coragem e força para ir mesmo sabendo que seria alvo de ódio, então precisa ter para alcançar o seu objetivo, seja ele qual for.

— Eu só quero a minha família de volta.

— Isso não depende mim. Eu realmente acredito em segundas chances também. Eu perdoei a minha abuela quando ela me expulsou da sua casa anos atrás. Kurt perdoou David quando ele fez da sua vida um inferno. Finn perdoou a Quinn pela falsa paternidade. Eu acredito no perdão, mas às vezes as feridas são feias demais para serem fechadas.

— Você acha que a Quinn nunca vai me perdoar?

— Eu tenho certeza de que ela já perdoou, porque ela ama você, mas a falta de ódio pode ser pior do que o ódio. Eu odeio você, mas eu sei que vai passar. Esse sentimento desagradável é passageiro, mas a Quinn sente todos os resultados da sua ferida. De todas as formas. Isso passou de ódio para uma mágoa encravada. Tão funda que talvez não possa sanar.

A judia não verbalizou algo. Ela permaneceu fitando o chão. Seus olhos marejando novamente indicando que poderia voltar a chorar a qualquer momento, e Santana continuou.

— Só... não desista, certo? Você ainda pode ser a Rachel irritante, então seja. Talvez resolva tudo no final. Talvez.

— Você está dizendo que quer nós duas juntas outra vez? — Rachel levantou a cabeça para fitar a latina.

— Eu estou dizendo que eu vejo, mesmo ainda sentindo raiva, a sua sinceridade e quero que a GayBray seja feliz. Se isso acontecer com você, então que seja. — Santana deu de ombros.

Rachel se permitiu abrir um sorriso ao ouvir aquelas palavras.

— Eu vou tê-la de volta.

— Só não faça nada de estúpido, Berry. Eu tenho uma arma e acesso à ficha criminal de qualquer pessoa. Um passo errado pode ocasionar algumas infrações no seu nome.

— Eu não vou errar outra vez, Santana.

— Acho bom, e... eu lamento por ter dito aquilo. Não foi certo da minha parte.

— Está tudo bem.

...

Quinn estava andando de um lado para o outro no auditório, enquanto os demais retornavam aos diálogos que trocavam gradativamente.

— Eu vou até lá. Elas estão demorando demais.

— A Santana saiu do auditório há apenas quinze minutos. — David revirou os olhos.

— Ela pode ter jogado a cabeça da Rachel no vaso sanitário. Ou algo pior, quem sabe. — Quinn estava pronta para sair quando viu a amiga e a esposa passarem pelas portas duplas.

Ambas tinham os semblantes calmos, e Quinn arqueou a sobrancelha.

— O que aconteceu?

— Eu me desculpei.

— Só isso?

— Desde quando você é curiosa, Fabray? Nós conversamos um pouco, e eu não vou mais xingar a Berry. Pelo menos, não em público.

Brittany sorriu com a atitude da esposa e foi até ela, segurando seu rosto e colando ambas as bocas em um selinho demorado. Sabia que Santana estava se esforçando para manter um clima de paz.

— Eu amo você.

— Eu também amo você, Britt. Agora vamos cantar essa música.

— Nós quatro? — Quinn continuava receosa. Sabia o quanto Santana odiava Rachel e agora ela parecia mais complacente com tudo.

— Sim, nós quatro.

— Meninas, está tudo bem? — William quis saber, e ganhou uma resposta afirmativa. — Então vamos começar. Quem quer ser o primeiro?

— Mike e eu. Nós pensamos em um número de dança, e eu quero muito fazer isso. — Brittany respondeu.

— Então podem vir.

A professora de dança deu outro selinho na esposa antes de subir no palco com o asiático, e quando todos se acomodaram na plateia, ambos iniciaram a performance.

Santana sorriu. Ela sempre se sentiria orgulhosa e feliz ao ver Brittany dançar. Aquilo sempre foi a sua paixão, e ela não se incomodou em permanecer em Lima quando a latina foi contratada pelo departamento. Agora, ensinava crianças a arte de dançar e era grata pelo seu estúdio particular.

Quando eles finalizaram, todos bateram palmas, e Sam assoviou.

— Guarde os seus assovios, Boca de Truta. — Santana censurou, mas sem utilizar, de fato, um tom raivoso.

As performances passaram rapidamente, e Quinn se sentia bem vendo os seus antigos colegas cantarem. Havia sentindo falta da voz forte de Mercedes, dos agudos de Kurt, da suavidade de Tina e das danças que Artie fazia mesmo com a sua deficiência. Também se surpreendeu com os alcances vocais de Marley e Unique, da leveza de Kitty e Ryder e Jake.

Quando chegou a vez de Finn, ele chamou Noah e Sam para acompanharem-no com o violão. Quinn, no entanto, se limitou em bater poucas palmas, sendo espelhada por Rachel, que estava ao seu lado. Só o fez por Sam estar com eles.

A última performance foi deixada para as quatro, que iniciaram uma balada que todas conheciam. O ritmo de Love Song logo impregnou a todos e se moldava perfeitamente aos tipos diferentes de vozes. O refrão ficava por conta de Quinn e Rachel, e a judia não evitou segurar a mão da esposa, não sendo repelida por ela.

O olhar de Finn queimou sobre o contato delas e ele não ovacionou no momento em que a música terminou, porque se sentiu tão mal quanto a sentença de Rachel na sala do coral. Noah também não se moveu. Ainda se recordava da humilhação que Quinn o fez sofrer na casa de Shelby, mas ambos se levantaram quando o William os chamou para a performance em grupo.

Quinn ainda trocou algumas palavras com os seus ex-colegas, convidando-os para o aniversário de Audrey e recebendo a confirmação deles. Por fim, abraçou William, sendo seguida por Rachel, e deixou o McKinley ao lado dela.

— Olhem só! Um corvo! — Tina se pronunciou ao chegarem no estacionamento.

Eles olharam para o animal parado no teto do carro de Quinn. Era Schatten, e ela sentiu o peito apertar quando o viu, sabendo exatamente o que ele queria.

Uma troca de olhares com Santana e David foi o suficiente para saber que os dois também estavam incomodados, e Rachel e Brittany não estavam diferentes, porque sabiam de tudo.

— Eu... preciso ir ao banheiro. Vocês podem me esperar? — David inquiriu.

— Claro. Vamos ficar aqui. — Brittany respondeu.

David assentiu e praticamente correu até entrar novamente no colégio.

Os outros ex-alunos foram embora após mais despedidas e alguns comentários sobre a ave escura, e Quinn sabia que o amigo tinha criado a desculpa de ir ao banheiro justamente para que pudessem ficar sozinhos.

Quando ele voltou, o estacionamento abrigava apenas os cinco.

— Nós precisamos segui-lo. — Quinn disse.

— Nós vamos com vocês. — Brittany respondeu.

— Não. Vocês vão pegar Audrey, Blanca e Thomas na casa de Hiram e Leroy e depois vão para a nossa casa. — Santana retrucou.

— Não. Nós vamos com vocês. — Rachel insistiu.

— Rachel...

— Vai ser melhor assim. — David interrompeu Quinn. — Vocês não podem ir porque é um assunto do nosso trabalho. Eu sei que é preocupante, mas fiquem com as crianças. Elas precisam disso.

— Prometam que vão telefonar se algo acontecer. — Rachel pediu.

— Prometemos. — Quinn fitou a esposa.

Brittany se despediu de Santana com um selinho e murmurou que a amava antes de entrar no carro de ambas e ocupar o lugar do motorista.

Rachel não sabia o que fazer. Não sabia se podia beijar Quinn naquele momento, mas ficou frustrada quando ela apenas acenou na sua direção e foi para o próprio veículo com Santana e David.

— Você queria que ela tivesse beijado-a, não é? — Brittany perguntou ao ver a judia se acomodar no banco do carona ao seu lado.

— Eu queria, mas no fundo sabia que ela não ia fazer isso. — Rachel abriu um sorriso triste.

— Não é como se fosse fácil para ela, Rachel. — A professora de dança ligou o carro.

— Eu sei, mas eu sinto falta dela.

— Vocês ainda não...? — Brittany deixou a indagação no ar, e a morena negou com a cabeça. — Eu achei que não demoraria. Vocês passaram dois anos sem isso. Eu não aguentaria tanto tempo longe da Sant.

— Eu sinto como se fosse explodir perto dela, mas não quero ir rápido demais.

— Às vezes é necessário ir rápido demais. — Brittany piscou o olho e pisou no acelerador.

Rachel não respondeu. Ela encostou a cabeça no banco do carona e pensou no que tinha acabado de ouvir. Talvez pudesse tentar algo mais enérgico.

...

Quinn se sentou no banco do motorista e esperou que os amigos se acomodassem.

Santana suspirou.

— Aonde será que ele vai nos levar agora? — David pensou alto.

— Seja qual for o lugar, haverá algum morto. — A latina apertou os dedos nas suas têmporas.

Quinn odiou concordar com Santana naquele instante, mas sabia que estavam indo na direção de outro assassinato.

Notas finais
Schatten voltou, e parece que Santana estará mais amena em relação à Rachel depois dessa conversa... O que acharam? Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron