Alleen Botsing
8 Capitulo 8
Notas iniciais

Acordei com o barulho do despertador do meu celular, mas não era o mesmo toque, estranho, não me lembro de ter o mudado. Estendi minha mão para alcançá-lo na escrivaninha, eram nove horas da manhã quando o peguei, pude ver que não era só o toque, aquele não era realmente o meu celular, nem o de Eric, pelo visto. Demorei alguns segundos para perceber que deveria ser de Lion. “Mas ele não foi pra casa ontem?” pensei.
Levantei da cama rapidamente, e acabei pisando em algo duro, quando abaixo meu olhar para ver no que havia pisado, vejo que era justamente ele. Lion levantou quase que instantaneamente, ao sentir a pressão em suas costas, me derrubando em direção à cama. Eu consegui ficar mais assustada que o próprio ao ser acordado, em ver que ele tinha dormido no chão do meu quarto.
–Minha nossa! Eu te machuquei? –perguntei desesperada.
–Não, não foi nada, eu só me assustei. –disse se recompondo.
–Me desculpe, eu acabei apagando logo depois de você.
–Porque dormiu no chão?
–Na verdade... Eu não estava no chão quando dormi. Eu estava do seu lado, quando o filme tinha acabado de terminar e eu apaguei. -Não sei por que, mas isso me fez lembrar Eric de imediato.
–Desculpe, eu devo ter te empurrado- digo ainda sentada na cama- acho que Eric tinha razão, sobre eu ter um sono pesado- murmuro.
–Quem? Seu irmão? –arregalo meus olhos instantaneamente, ao perceber o que havia dito “acho que falei isso alto demais” penso.
–Espera! Que horas são?! –perguntou Lion aflito.
–Não sei, acho que são nove e alguma coisa. Por que, você tinha alguma coisa marcada?- insinuo preocupada.
–Não, é que eu não avisei ao meu pai que passaria a noite fora. Ele deve estar preocupado — disse já alcançando o celular.
Digitou alguns números rapidamente e pôs o aparelho no ouvido, aguardou por um tempo e começou:
–Alo coronel? –assim que terminou de falar, estranhei seu comprimento incomum com o próprio pai.
–Sim eu sei coronel, eu deveria ter avisado o senhor, mas acabei pegando no sono enquanto fazia o trabalho junto com uma colega minha. –Assim que terminou de falar seu rosto ficou extremamente ruborizado, pude ouvir uma risada muito alta na outra linha, provavelmente vinda de seu pai.
–Não senhor, eu não... Nós não... –Lion começa a pigarrear e depois quando os risos seção do outro lado da linha ele alivia sua boca que há poucos segundos atrás formavam uma linha reta em seu rosto.
–Sim, sim, me desculpe mais uma vez coronel, estarei em casa imediatamente, peça desculpas para minha mãe por mim.
Ele desligou o telefone e em seguida olhou para mim, com um meio sorriso, subentendendo como um “desculpe- me” tímido. Não pude conter o canto da minha boca que se erguia levemente, o olhei e afirmei com a cabeça, e disse:
–Até amanhã, eu acho.
–Qualquer coisa, fazemos cada um uma parte, e juntamos na segunda, tudo bem?
–Pode ser. Combinado então.
–Até mais Niea!- disse enquanto descia apressado pelas escadas.
Corri até a janela mais próxima e pude vê-lo fechando a porta da frente e correndo pelo jardim.
–Até Lion!- Gritei, o surpreendendo e vendo um enorme sorriso se formar ao longe, em seus lábios assim que se virou em direção à janela procurando pelo dono da voz que lhe chamava.
Sai de perto da sacada e fechei as cortinas, me virei e pude ver Eric encostado na porta, ele me olhava com um ar de divertimento.
–Então o nome dele é Leo? Interessante... –sorriu friamente.
–É Lion. E você quase me deu um susto, está parecendo um psicopata encostado ai. –reparei em sua camisa, ou melhor, na falta dela, e pude ver que o sangue de ontem estava seco, dando um ar repulsivo ao seu curativo.
–É melhor trocar isso dai, vai acabar infeccionando. – ele concordou- Achei que era pra você cuidar de mim dessa vez- o empurrei suavemente o fazendo se virar para o corredor, em seguida mancou em direção ao banheiro ao lado. O segui até lá.
Após terminar de limpar seu machucado o ajudei a tirar suas calças, ele estranhou e segurou minhas mãos repentinamente, me olhando com os olhos arregalados.
–O que foi? Você esta fedendo, precisa de um banho. E não vai conseguir tomar um sozinho.
–Nem que eu apodreça você vai tirar minha cueca fora. – me espantei por um momento e comecei a rir. O deixando mais confuso ainda.
–Quem disse que vou tira-la? Só quero te ajudar a entrar na banheira, o resto você pode fazer sozinho, se precisar de alguma ajuda eu vou estar do lado de fora do banheiro, sentada no corredor, é só chamar. –Eric ficou mais aliviado, me fazendo rir ainda mais dele.
Terminei de tirar sua calça e o pus dentro do chuveiro, ele se sentou na banheira em seguida com a minha ajuda. Ponderei a ideia de ficar e ajuda-lo com o banho, mas ele parecia desconfortável demais com essa situação. Não sei por que a timidez, quando éramos pequenos sempre tomávamos banho juntos, e ele nem precisaria se despir completamente. Ri comigo mesma com o caminho que meus devaneios estavam tomando.
Decidi procurar algum livro para me distrair enquanto ele terminava seu banho. Entrei no meu quarto e abri a pequena estante que ficava em cima do armário da coleção particular de filmes. Avistei um livro que havia parado na metade dele, O Cão dos Baskervilles, um dos muitos livros de Holmes, de Arthur Conan Doyle. Não lembrava muito a respeito do começo dele. Mas decidi pega-lo assim mesmo. Quem sabe ele conseguisse me distrair ainda mais do que Lion conseguiu ontem.
Voltei para o corredor e escolhi meu lugar perto da porta do banheiro, sentei-me e procurei a pagina em que havia parado, por sorte tinha posto um pequeno pedaço de papel para marcar o livro. Havia parado na pagina 104, o que não era muita coisa para um livro de 700 e poucas.
Assim que comecei a ler a parte em que Sherlock Holmes vai procurar pelo misterioso cão que dizem ser supostamente um “fantasma”, Eric sai do banheiro apenas enrolado por uma toalha que cobria sua cintura.
–Nossa! quanto tempo não a vejo lendo. Geralmente só assiste a aqueles filmes que o papai deixou para trás.
–O que eu posso dizer? Nós temos um gosto muito parecido quanto a gênero. –levantei o canto da boca, simulando meio o que deveria ser chamado de um sorriso amigável.
–Bom, agora me ajude a ir até o meu quarto. –peguei seu braço e o passei por meus ombros, encostei sua cintura a minha enquanto o sustentava durante a trajetória. Ele ameaçou cair algumas vezes, mas já estava conseguido se manter em pé enquanto abria a porta e estava lhe escolhendo uma roupa para usar durante o resto do dia.
Peguei uma calça de moletom cinza e uma blusa azul marinho, azul era sua cor favorita, ainda lembrava. Desde que éramos pequenos ele dizia a mesma cor.
–Quer que eu faça o café? –perguntei enquanto passava a gola de sua camisa por seu pescoço.
–Não, não estou com muita fome agora. –respondeu cabisbaixo.
–Algum problema? – estranhei seu comportamento repentino.
–Nada, só estou cansado, o machucado continua doendo.
–Claro que continua! só se foram alguns dias. Vai demorar pelo menos uma semana para você conseguir andar sem se curvar todo.
Ele fez uma cara de desgosto e se ajeitou em sua cama, tateou o lado esquerdo e apanhou o controle da tv, a ligando.
–Agora saia, está quase começando aquele novo filme do Tobey Maguire. E eu não quero que você me atrapalhe. –disse já me fuzilando com o olhar. Ri de sua reação, Eric era um grande fã do Tobey, desde que ele fez Homem Aranha e não se conformava terem feito uma nova versão do filme e sem o Tobey Maguire.
–Tudo bem, tudo bem, só não me mate. –fechei a porta ainda rindo dele e de seu precioso ator.
Vou em direção à cozinha e preparo alguns ovos mexidos, estava com fome e me contendo para não comer a primeira porcaria que visse pela frente quando Eric estava no banho. Os preparei assim como à senhora Luccas havia me ensinado, colocando sempre uma pitada de alcachofra no final, como uma marca pessoal. Fazia isso somente nos meus ovos, já que Eric era alérgico a alcachofra, tirando toda a graça das minhas tentativas de ser uma verdadeira chefe de cozinha.
Lavo a louça e decido ir para a sala de estar, tentar ver alguma coisa na tv enquanto passo o resto da minha manhã de sábado livre. Ou o que resta dela, já que é quase meio dia. Procuro algum filme interessante que esteja passando, mas nada me atraia muito a atenção, então acabo colocando-a no mudo e me deito no sofá-cama, tentando dormir um pouco. Mas o sono não vem.
De repente sinto meu bolso de trás da calça vibrar, vejo que recebi uma nova mensagem. Quando olho para a tela do celular, vejo um pequeno nome em destaque: Lion.
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