Alleen Botsing
6 Capitulo 6
Notas iniciais

Não paro de pensar em Eric deitado lá em baixo, uma hora ele vai gritar por mim ou tentar subir as escadas. E o que eu irei dizer para Lion? Quando percebi, não havia escutado uma palavra do que ele dizia.
Depois de alguns minutos tentando me ensinar sobre a matéria de química, ele para subitamente e me fita por um longo instante.
–O que foi?- digo já rubra.
–É que não parece que você está prestando muita atenção no que eu estou te dizendo... –desvio meu olhar do seu, graças ao meu nervosismo.
Ele se aproxima de mim, deixando apenas um palmo de distancia entre nós. De repente meu coração começa a bater muito rápido, tenho até medo que ele possa ouvi-lo.
–No que estava pensando?
–Desculpe, eu estava preocupada com uma coisa.
–Mesmo?
–É... –respondo timidamente.
–Embora eu não queira passar o resto do meu fim de semana nisso, nós podemos continuar amanhã se você não estiver muito afim hoje.
–Não, não. Vamos fazer isso, sem problemas.
–Mesmo? –deu uma curta pausa. –Vai prestar atenção agora? –fiz um gesto afirmativo e o indiquei o livro, para podermos continuar.
Ficamos ali durante horas, com Lion sempre explicando cada mínimo detalhe do que não tinha entendido, ele era um bom professor, melhor até que Eric ouso dizer. Mais paciente e compreensivo, era fácil aprender com ele. Apesar de vez em quando eu me perder em seus brilhantes olhos castanhos.
–Só falta agora o relatório e estamos livres. –exclamou Lion.
–Verdade, mas será que podemos fazer isso ainda hoje? –perguntei receosa.
Ele se inclinou até sua mochila e retirou o celular de antes, me olhou apreensivo e o pôs de volta.
–Já é uma da manhã, Niea.
–Serio? O tempo passou tão rápido.
–Verdade, é melhor eu ir, antes que seus pais fiquem irritados por ter um garoto a essa hora aqui, e me expulsem, então não teremos como terminar o trabalho amanhã! –disse preocupado.
–Não, tudo bem, não precisa se preocupar. É que na verdade, eu moro sozinha.
–Sozinha? Tipo, completamente sozinha?
–Sim, sim, é uma longa historia. –dei uma curta risada com seu olhar de espanto.
–Mas e os seus pais?
–Bom, é que a minha mãe é aeromoça e praticamente nunca está em casa, só vem me visitar algumas vezes por ano. E o meu pai... –dei uma longa pausa- Ele faleceu há um tempo atrás.
–Eu sinto muito mesmo, não queria... –o interrompi.
–Tudo bem, eu nunca o conheci, ele se foi antes do meu nascimento. Então não é tãão doloroso. –dei um sorriso de canto, na esperança de amenizar sua preocupação.
–Acho melhor continuarmos — disse.
Passo meus olhos pela a porta e a vejo entre aberta, logo um desespero toma conta de mim. Ela começa a se abrir mais e de repente a casa sofre um apagão. Agarro a primeira coisa que consigo.
–Caramba – digo alto, meio aliviada, enquanto seguro fortemente o braço de Lion. Ele começa a gargalhar de minha reação.
–Deve ter sido uma queda de energia por causa da chuva, aqui por acaso teria um gerador?
–Não, mas eu posso pegar umas velas na cozinha.
–Quer ajuda?
–Não, não, obrigada.
Levanto em seguida, mas sem perceber que ainda estou segurando seu braço. O tento enxergar pelo escuro, mas não consigo o ver o suficiente para decifrar sua expressão. Vou apressadamente em direção a porta, mas não tem mais ninguém por trás dela. Eric deve ter escutado nossa conversa.
Desço as escadas cuidadosamente, mas acabo escorregando pelos degraus que faltam, caio de joelhos no duro chão de mármore. Bruscamente um grito meu corta o silencio da casa. Meus pensamentos tombam direto para Lion, se ele me ouviu gritar, quer dizer, é claro que ele me ouviu, mas se ele vier e acabar encontrando Eric? Está um completo breu e ele já não consegue nem andar direito, os dois vão acabar se esbarrando uma hora.
Mãos fortes agarram minha cintura vigorosamente, um medo se alastra por todo meu corpo, me petrificando no mesmo instante. Junto todas as minhas forças para formar um grito, mas apenas sai um grunhido de dor e medo.
–Niea calma, sou eu, é que quase escorreguei então me segurei em você. Desculpe se eu te machuquei. Mas eu escutei um grito, fiquei preocupado- droga, ele desceu, mas é só mantê-lo ao meu lado e afastado de Eric, que estará tudo bem.
Ouço outro barulho vindo do andar de cima, deve ser ele tentando subir as escadas para o sótão. Lion percebe o barulho também e começa a se virar para ir em direção ao som.
Viro-me e o abraço automaticamente. Sinto seu coração se acelerar, mas não por meu abraço e sim pelo susto que cujo qual deu nele. Foi a única reação que tive, ou melhor, que pude pensar em fazer para impedi-lo.
Ficamos em silencio, abraçados, por longos e desconfortáveis minutos. Coloco mais força em meu aperto, por causa da tensão que se alastrou por nós.
–Você está me machucando. – disse calmamente em meu ouvido direito.
–Desculpa, desculpa. –eu disse ao perceber o que fiz- É que eu fiquei com... — dei uma curta pausa, tentando inventar uma desculpa plausível– com medo, eu acho. -disse ao solta-lo de meus braços.
–É que andam tento muitos assaltos ultimamente.
–Ah, sim. Tudo bem então. Já pegou as velas?
–Não ainda não, mas vou pega-las agora.
–Pode esperar lá em cima se quiser.
Ele me fita por longos segundos até que diz:
–Ta, claro. Vou ficar no seu quarto.
–Tome cuidado ao subir as escadas! –exclamou.
–É eu sei, pode deixar. – dei uma curta risada.
Esperei Lion subir para o segundo andar, então fui em direção a cozinha para pegar as velas que havia prometido a ele. Estava muito escuro para vê-las, mas tateei as gavetas da cozinha até encontrar a que eu queria. Perto do fogão. Só tinham velas decorativas ou perfumadas, mas por hora serviriam, espero que elas consigam nos iluminar bem. Depois peguei um isqueiro, que era da minha mãe, que também se encontrava na mesma gaveta.
Subi novamente as escadas, cuidadosamente, abrindo caminho ao passar minhas mãos pela parede ao lado. Encontrei a porta com certa dificuldade, mas Lion a abriu no mesmo instante em que pus minhas mãos na maçaneta. O fitei assustada por algum tempo, até que ele me puxa repentinamente para dentro.
Segura meus braços firmemente e me lança um olhar demorado, mas inidentificável graças ao breu que se estapelece ao nosso redor.
–O que foi? –perguntei já assustada.
–Ouvi outro barulho vindo do quarto no fim do corredor. Acho que tem alguém além de nós na casa. –ele estava muito tenso.
–Desculpe, é que eu escorreguei nas escadas, e fui pegar um curativo no banheiro, mas haviam acabado. Não sabia que tinha feito tanto barulho, me desculpe.
–Você se machucou? –diz ao liberar meus braços.
–Não foi nada demais, é só um arranhão. –sorri de lado, tentando não preocupá-lo.
–Está certo, então. Pegou as velas? –perguntou ao se sentar em minha cama.
–Peguei sim. Só um minuto.
Coloquei uma na prateleira sob a cabeça de Lion e a acendi, pus outra na escrivaninha perto da porta, e espalhei o restante na cômoda ao lado da cama. Acendendo todas uma a uma. A cada vela acesa, podia ver mais claramente a tão indecifrável expressão que se formava em seu rosto, era uma mistura de preocupação e nervosismo.
–O que foi? –perguntei ao me sentar a seu lado.
–Seu joelho, está sangrando muito para um simples arranhão.
Inclino-me para verificar a situação de meu machucado, mas Lion é mais rápido e já o está limpando com a beirada de sua camisa branca.
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