All You Need Is Love

35 Capítulo 35


Notas iniciais
Olá! Não vou ficar dando muitas explicações porque vocês já devem estar de saco cheio delas. Darei só uma resumidinha: o capítulo ficou pronto no final do carnaval, mas o meu computador deu problema e desligou sozinho antes que eu pudesse salvar. Perdi duas cenas imensas e mais três que tinha rescrito. Só que eu já não aguentava mais essa demora (não pensem que eu também não sofro) e não tinha tempo de rescrever tudo para postar logo. Então, o maravilhoso Vitor Matheus me deu a ideia incrível de dividir o capítulo. Logo, ainda teremos mais dois capítulos (36 e 37) e o epílogo. Aliás, quero agradecer ao Vitor, à Nanda e ao Vini por todo o carinho e paciência comigo durante meus atrasos! Se possível, ouçam as músicas a seguir durante as cenas a que forem referidas: Wherever You Will Go - https://www.youtube.com/watch?v=s_BU8YCjV1M Photograph - https://www.youtube.com/watch?v=YYc9NPiVw7c Open Arms - https://www.youtube.com/watch?v=2lLmYLw0WRI

– Socorro! – gritou a mulher mais uma vez. – Alguém me ajuda por fa... – calou-se.

Em seguida, um homem deu um berro com a moça e a mesma permaneceu em silêncio.

Quinn pôs a mão na boca, assustada e recebeu um olhar apreensivo dos outros rapazes à sua frente.

– Eu vou chamar a polícia. – desesperou-se a loira.

Quinn encolheu-se no canto do corredor e telefonou para as autoridades.

– Têm duas viaturas rondando há uns três quilômetros daqui, estão vindo. – sussurrou.

A mulher continuava a gritar, porém, parecia que sua boca era tampada por algo, já que sua fala era incompreensível. Por um instante, os três conseguiram escutar mais um pedido de socorro. O casal de loiros notou certa palidez em Puck, que os fitou de olhos arregalados.

– É a Jennifer. – hesitou.

– Então ela só quer atenção... Deve estar aprontando mais alguma. – comentou Sam.

– Amor, não me parece armação. Sei que não deveríamos acreditar em nada vindo dela depois de tudo o que aconteceu, mas tem algo errado ocorrendo.

Mais um grito.

– Eu vou entrar lá! – afirmou Noah, começando a se desesperar.

– Ficou maluco, irmão? – repreendeu Sam. – Se realmente acontecendo alguma coisa, o melhor a fazer é esperar a polícia.

– Eu não vou ficar sentado aqui enquanto ela pode estar sendo agredida!

A veia da testa de Puck começava a saltar e seu rosto pálido ganhava coloração avermelhada devido à raiva que o moreno sentia. Sam encarou a noiva, preocupado com a atitude do amigo. Quinn balançou a cabeça positivamente.

– Sei que é arriscado, mas vai em frente! – Puck recebeu o incentivo de Q.

O moreno se aproximou do apartamento de Jennifer e, sem fazer barulho, girou a maçaneta. Como imaginara, a porta estava trancada.

– Vamos ter que arrombar! As fechaduras desse prédio são antigas, não é tão difícil de abrir. Sam, no três a gente empurra. E, Quinn, melhor se afastar. – explicou em tom de voz baixo.

Fizeram a contagem e jogaram todo o peso contra a porta. Ao se colidir no chão, fez um estrondo. Os três se impressionaram com a cena que viram. Jennifer se encontrava sentada no canto da sala de estar, chorando, enquanto Brian rasgava a roupa da morena e tampava a boca dela.

Em movimentos mecânicos, Puck correu até Brian e empurrou o rapaz no chão, tentando imobilizá-lo. Sam ajudou o amigo a manter o mau caráter imóvel.

Quinn tentou levantar Jennifer, mas a garota de cabelos cor de mel estava em estado de choque.

– Usa todas as suas forças pra vir comigo! – pediu Quinn, apreensiva.

Fabray conseguiu arrastá-la para trás da bancada da cozinha. Brian tentava socar os dois rapazes. Alguns golpes foram certeiros, porém, antes que a situação se agravasse, os policias adentraram o apartamento, tomando conta da ocasião.

Sam e Puck saíram de cima de Brian e deixaram que a autoridade agisse. Os policiais algemaram o rapaz e pediram que todos fossem à delegacia.

Noah correu até Jennifer e viu que a mesma não teria condições de contar-lhes nada. Quinn buscou um copo d’água e entregou à morena.

– Não se preocupe. Todos nós iremos à delegacia com você e prestaremos depoimentos. Você precisa fazer a denúncia e o boletim de ocorrência. – disse a loira.

Os rapazes ajudaram Jennifer a se levantar e a apoiaram em seus ombros para que pudessem levá-la sem que ela fizesse esforço.

___ o ___

Era por volta de duas da manhã quando Puck e Sam aguardavam Quinn terminar de prestar depoimento. Sentados em um banquinho na parte externa da delegacia, os dois conversavam sobre o ocorrido.

– Que loucura... Foi com esse marginal que ela me traiu quando namorávamos. – contou.

Puck manteve-se em silêncio, porém, suas pernas balançavam como nunca.

– O que acontecendo, cara? Você parece tenso...

– Lógico, né, Sam?! – esbravejou. – A expressão de medo da Jennifer não sai da minha mente. Não consigo parar de pensar que se a gente não tivesse invadido... Você sabe muito bem o que teria acontecido. – enxugou o suor da testa.

– Eu quis dizer que você parece mais tenso do que deveria estar. Você nem conhece a Jennifer direito, mas agindo como se fosse uma pessoa superimportante.

– E você muito tranquilo. Por algum acaso ficou feliz em vê-la sofrendo?

– Óbvio que não, Puck! Confesso que, no começo, pensei ser mais uma das armações dela, mas depois caiu a ficha de que era real. Só que já passou, o cara preso e ela vai ficar bem. Sinto muito por ela ter tido que passar por isso, mas uma hora a casa cai. Sabe aquela frase “o mundo dá voltas”? Então, ela aprontou até não poder mais, agora as consequências vêm à tona.

– Ela não é essa pessoa ruim que você pensa, Sam. A Jennifer só tem esse jeito pra esconder o que realmente se passa com ela.

– Como pode ter tanta certeza disso?

– Porque eu era exatamente assim! Meu jeito badboy era só uma barreira em que eu me apoiava para não mostrar minha fragilidade. Queria muito ajudá-la!

– Ela não é nenhuma coitadinha não, cara. Você nem imagina o quanto de besteira ela já fez.

– Deixa de ser cabeça dura, Sam. Eu tenho certeza de que a Jennifer é uma boa pessoa.

– Puck, – oscilou – você a fim dela?

O moreno fitou o chão.

– Não paro de pensar nela...

– Você só pode estar brincando, cara!

falando sério, Sam. Eu nunca gostei de alguém dessa forma. Acho que pela primeira vez estou amando.

– A Jennifer é uma mimada, capaz de passar por cima de todos pra conseguir o que deseja. É por ela que você se apaixonou?

– Isto é só um detalhe. Eu sei que a Jennifer é uma pessoa do bem e que vale a pena correr atrás dela.

– Não é possível, não pode ser! – Sam levantou-se e começou a andar de um lado a outro. – Essa “pessoa do bem” quase destruiu a minha vida! Bem que dizem que o amor cega...

– Cegos são todos vocês que a apedrejam sem ao menos procurar saber o que ela esconde por baixo da armadura! Não quero ser grosso, Sam, mas acho que já sou bem grandinho pra tomar minhas próprias decisões. Minha vida. Minhas escolhas.

Puck encarou o amigo e entrou na delegacia com o intuito de ter notícias sobre Jennifer. Sam sentou-se novamente e permaneceu pensativo.

– Tudo bem, amor? O Puck entrou com cara de bravo. – comentou Quinn, sentando-se ao lado do noivo.

tudo bem sim. Melhor irmos, né? – desviou o assunto.

A loira assentiu e seguiu abraçada com o amado para o carro.

___ o ___

Noah encaminhou-se para a enfermaria, onde Jennifer recebia assistência médica. A morena estava deitada em uma maca, quase adormecendo devido ao calmante que tomara. Sentiu a mão direita do rapaz tocar o topo de sua cabeça suavemente.

mais calma? – perguntou baixinho.

Jennifer fez que sim.

– Vai pra casa, rapaz. – uma das enfermeiras o orientou.

– Eu vou, mas... E ela?

– Fará alguns exames no hospital e depois poderá ir pra casa. Parece que o advogado da família já foi contatado.

Puck assentiu e virou-se para ir embora. Ao passar pela porta da enfermaria, ouviu seu nome ser chamado pela morena. Fez sinal para que ele se aproximasse. O rapaz agachou-se ao lado da maca, ficando bem próximo à Jennifer.

– Obrigada. – disse, suspirando.

O moreno sorriu de canto e, finalmente, deixou a delegacia.

___ o ___

Sam abriu a porta de casa cuidadosamente para não acordar a família, porém ele e Quinn deram de cara com os pais no sofá.

– Meu filho, graças a Deus! – correu para abraçá-lo.

Dwight suspirou e cumprimentou o casal.

– Onde vocês estavam? – Mary continuava nervosa. – Estávamos preocupadíssimos com vocês! Não custava avisar, Samuel?

– Mãe, se acalma, por favor. Estávamos prestando depoimento na delegacia.

– Como é que é? – gritou.

O pai de Sam pediu que a esposa se acalmasse para não acordar Stevie e nem Stacy.

– Sabe a Jennifer lá de Tennessee? Ela mora no mesmo prédio que o Puck e, quando chegamos lá, ouvimos uns gritos do apartamento dela. Um cara entrou sem a permissão dela e assediou-a.

– Que horror, meu filho! Como ela está?

– Só sei que ela estava tendo assistência médica, mas não tenho outras informações. Nem quero.

– Apesar de tudo, eu fiquei tensa com toda essa situação. – comentou Quinn. – Mas, agora tudo bem, né?!

Sam assentiu e beijou a bochecha da noiva.

– Desculpa não ter avisado onde estávamos, mãe. Todo mundo estava tão envolvido...

– Tudo bem, Sam. O importante é que estão todos bem dentro do possível. Estão com fome?

– Podemos pedir uma pizza se quiserem.

– São quase três da manhã, Dwight! – esbravejou. – Vou fazer uns sanduíches, pode ser?

Quinn acompanhou-a até a cozinha para ajudá-la no preparo.

– Sua mãe quando fica estressada... Dê-me paciência, Senhor! – reclamou o marido de Mary, fazendo o filho mais velho rir. – Mas, e você, filhão? Como vai a vida em NY?

– Muita correria. – disse, juntando-se ao pai no sofá. – Eu e Quinn nos doamos de corpo e alma ao trabalho no mês passado. Estava louco para virmos pra cá, dar uma descansada, sabe?

– Faz parte, filho. Você vai colher tudo o que está plantando, pode ter certeza. – incentivou-o. – Tenho muito orgulho de você, rapaz. – segurou o rosto de Sam entre as pesadas mãos.

– Te amo, paizão. – abraçou-o.

– Também. – sorriu. – Amor de jovens é incrível mesmo... Apesar de toda essa correria, vocês dois continuam exatamente da mesma forma.

– Nem tanto... na seca faz um tempão.

Dwight gargalhou.

– Qual a piada? – perguntou Mary saindo da cozinha com os sanduíches em mãos.

Quinn a acompanhava com copos de suco. Entregou um para o noivo e juntou-se aos dois no sofá. A mãe de Sam colocou os pratos sobre a mesa de centro e acomodou-se na poltrona que ela tanto gostava.

– Do que estavam rindo? – insistiu

– Nada de mais, querida. – disfarçou.

Sam e Quinn aproveitaram o momento para acertar os detalhes do almoço do dia seguinte. Judy chegaria por volta de meio dia e serviriam a refeição às duas da tarde.

– Tem certeza de que não quer ajuda na cozinha? – questionou Mary.

– Tenho sim. Obrigada de qualquer forma. – sorriu.

Sam deixou os pratos na pia e, após desejar uma boa noite aos pais, subiu com Quinn para o quarto. Trancou a porta e deu um beijo ligeiro na amada, acariciando as costas dela, resultando em um abraço. Sem soltá-la, comentou em baixo tom próximo a seus ouvidos:

– Parabéns pela atitude de hoje, amor. – beijou-lhe a nuca. – Muito bonito você ajudar a Jennifer, apesar dos perrengues que ela nos fez passar. Acho que, se você não estivesse lá, eu não teria feito o mesmo.

– Teria sim, Sam. Eu conheço esse seu coração e sei que ajudaria. – seus olhares se encontraram. – Eu te amo. – beijou-o.

Vestiram roupas mais confortáveis e, depois de escovarem os dentes, deitaram-se na cama de Sam, apertando-se para espantar o friozinho da madrugada.

___ o ___

Sam acordou Quinn com carícias no rosto da amada, que levantou assustada, perguntando as horas.

– Quase onze, por quê?

– Sam, o almoço de noivado! – disse nervosa. – Minha mãe deve chegar daqui a pouco e eu nem sequer tomei banho.

– Calma, meu amor, não precisa se desesperar. É a nossa família, sem cerimônias.

– “Nossa”? – sorriu, acalmando-se.

O loiro puxou-a para si e beijou-a.

– Somos uma única alma pertencente a dois corpos diferentes, portanto, sim, “nossa”.

– Você sabe que esse é meu ponto fraco. Seu jeito carinhoso e amável.

– E seus olhos são o meu. Foi o que me chamou mais atenção em você. Lor Menari.

Quinn soltou uma gargalhada abafada.

– Você é a única pessoa no mundo que consegue me fazer passar do estado “louca” para o de calmaria. – riu.

A loira fez sua higiene pessoal e, após trocar de roupa, deixou o quarto do noivo. Assustou-se com Stevie e Stacey que escutavam tudo por trás da porta.

– Quinn! – gritou a loirinha, abraçando-a. – Você e meu irmão são tão fofos juntos!

– Eu só estava aqui porque achei que estivessem fazendo outra coisa e, sabe como é, né. – justificou-se Stevie.

– Como é que é, moleque? – Sam o repreendeu. – Primeiro que nenhum dos dois deveria estar ouvindo por trás da porta e, segundo, olha o respeito com a minha namorada!

– Foi mal, irmão, só tava brincando...

– Uhum.

Sam desceu as escadas, apanhando um copo de água gelada.

– Desculpa, Quinn. – pediu o irmão mais novo de Sam.

– Não se preocupe, Stevie. – Fabray achou graça. — Stacey, vou fazer aquele bolo de chocolate que você gostou, lembra?

A pequena Evans assentiu, sorrindo para a cunhada. Pediu que Quinn lhe desse a receita para experimentar fazê-lo em outra ocasião.

Os homens da casa reuniram-se no quarto de Stevie para uma partida de vídeo game, enquanto Mary e Stacey arrumavam a mesa, deixando Quinn no preparo do almoço.

Ao ouvir o som da campainha ecoar pela sala de estar e cozinha, Quinn desesperou-se.

– Deve ser minha mãe. Droga, estou super atrasada. – bufou.

Judy ficou imensamente feliz em poder visitar a família de Sam e rever sua filha.

– Meu anjo, que saudade! – recebeu um abraço caloroso da loira. – Obrigada pelo convite, Mary.

– Querida, tudo isso é ideia dos dois. – sorriu. – Acredita que a Quinn não me deixou ajudar em nada?

– Minha filha, você cozinhando tudo sozinha? Estou com um pouco de medo do resultado... – brincou.

– Mãe, se esqueceu de que eu moro e trabalho com Kurt Hummel? Pode confiar, vai dar tudo certo! Agora, se me derem licença, preciso voltar pra cozinha.

Mary pediu que Judy a acompanhasse até a sala de estar. Stacey deu um abraço em Quinn e pediu que ela ficasse tranquila, pois daria tudo certo. A loirinha puxou um banquinho e sentou-se, observando a cunhada.

Em torno de meia hora, o almoço estava pronto. Fabray subiu para tomar um rápido banho e trocar de roupa. Escolheu um vestido preto com pequenas margaridas estampadas sobre o busto. Assim que terminou de pentear os fios dourados, pediu que Stacey chamasse a família para comer. Após todos se sentarem, Quinn trouxe a entrada, colocando no centro da mesa. Sam levantou-se para buscar o suco de framboesa feito pela noiva.

– O que é isso, Q? – os irmãos Evans perguntaram em uníssono.

– Camarões a Newsburg. Coloquei em torradinhas porque ficam mais apresentáveis como entrada. – explicou, satisfeita com as expressões feitas por todos que provaram.

– Está uma delícia, amor. – piscou para a amada.

Esbaldaram-se nos camarões e, quando o último terminou de comer, Fabray e Sam buscaram os pratos principais.

– Preparei o famoso “Mac & Cheese” temperado com um pouco de pimenta do reino. Coloquei pouquinho por causa de vocês, Stacey e Stevie. Sam me contou que não são muito fãs de comida picante. – comentou, enquanto arrumava as travessas no centro da mesa.

– Valeu, cunhadinha. Você é demais! Minha comida favorita. – sorriu.

– Que bom, Stevie! E, para os mais lights, assim como eu – riu -, fiz wraps de rosbife.

– Filhão, você é um homem muito sortudo! Além de linda e simpática, sua namorada ainda cozinha extremamente bem. – elogiou Dwight, servindo-se.

Quinn sentou-se ao lado do noivo e recebeu um beijo na bochecha corada. Sam sussurrou um “maravilhosa” no ouvido da amada, deixando-a um pouco tímida diante da família dele.

Mary e Judy elogiavam a cada garfada, estavam verdadeiramente encantadas.

– Não achei que fosse ficar tão incrível, minha filha. Está divino!

– Eu ficando sem graça, pessoal. Não fiz nenhum prato sofisticado não. – riu.

– E é por isso que está tão gostoso! Sempre ensinei a meus filhos que tudo feito com coração, por mais simples que seja, é melhor do que algo bem elaborado e feito com desgosto.

– Não é só o Sam que tem sorte... Eu sou muito, muito sortuda por ter, não somente ele, mas como todos vocês na minha vida! – sentiu a mão direita do noivo acariciar sua nuca.

– Vamos contar logo. – sussurrou para Quinn. — Estou ansioso para ver a reação deles.

Uma pessoa deu três toques na porta e, logo em seguida, tocou a campainha.

– Estão esperando mais alguém? – questionou Mary ao filho e nora.

Não foi preciso que ninguém explicasse, a porta se abriu aos poucos e Ashley deu um gritinho ao ver todos reunidos.

– Que susto, Ash! – disse Mary.

– Olha quem está aqui! – a loira alta ficara empolgadíssima com a presença de Sam e Quinn. – Melhor casal ever!

– Doidinha, quanto tempo! – o sobrinho abraçou-a. – Que ideia é essa de aparecer do nada, tia Ash?

– Eu estava num tédio que só, então peguei estrada e aqui estou eu. – sorriu, cumprimentando os outros presentes no local – Impressionante a capacidade dessa mulher de ser linda e gostosa o tempo inteiro... – brincou com Quinn.

– Ash, você também não muda, hein. – riu, abraçando-a. — Ainda tem comida aqui, pode se servir.

A dona do salão de beleza fez seu prato e acomodou-se ao lado de Judy e Mary.

– Como que o Tennessee, tia?

– Maravilhoso, Stevie. – comentou de boca cheia. – Stacey, aquela sua amiga Sophie foi ao salão semana passada.

Os olhinhos da irmã mais nova de Sam brilharam e ela contou sobre a saudade da amiga.

– Acho que vou ligar pra ela mais tarde...

Sam e Quinn se entreolharam com imensa vontade de rir da falação à frente deles.

– Família... – o loiro tentou chamar a atenção dos parentes. – Eu e a Quinn temos um propósito com o almoço. Queríamos que todos estivessem reunidos para que pudéssemos dar uma notícia muito especial.

Quinn mordeu o ombro de Sam, sorrindo e deixando a cabeça ali encostada.

– Gravidez? Ai meu Deus, vão criar um filho num loft, junto com um monte de gente barulhenta? – desesperou-se Judy.

– Mãe...

– Minha filha, conversamos tanto sobre planejar a gravidez depois da Beth... É impressionante como os filhos não nos escutam!

– Mãe! – aumentou o tom de voz. – Eu não grávida. – riu. – Acalme-se, por favor.

Judy deu um gole direto no suco, sentindo um alívio percorrer seu corpo.

– Eu e a Quinn vamos nos casar. – anunciou o loiro.

Mary e Judy se entreolharam, começando a chorar simultaneamente.

– Isso é um pouco esquisito... – sussurrou Ashley para o sobrinho e sua noiva. – As duas, não o casamento.

Quinn gargalhou.

– Parabéns, casal! – os irmãos de Sam desejaram.

– Eu sei que nós ainda somos novos, mas eu não tenho dúvidas de que a Quinn é a mulher da minha vida.

– Faça minha filha feliz e te darei todas as bênçãos. – disse Judy emocionada.

– Ele já me faz muito feliz, mãe. – olhou no fundo das íris esverdeadas de Sam, observando as pupilas dilatar.

O loiro teve um sorriso esboçado nos enormes lábios rosados e beijou a testa da noiva. Fabray levantou-se para buscar as sobremesas.

– Stacey, sente só o cheirinho maravilhoso desse bolo de chocolate! – provocou, mordendo o lábio inferior. – Fiz uma sobremesa mais light também: abacaxi grelhado com sorvete da fruta.

– Amor, que banquete, hein!

Ainda em pé, Quinn apoiou-se sobre o noivo, sussurrando no ouvido dele:

vendo o que eu sou capaz de fazer por você? Se me contassem que eu ira preparam um almoço pra uma família há uns cinco anos, iria rir muito. – brincou.

Após todos finalizarem a refeição, as mães e Ashley resolveram ficar por conta da lavagem da louça, deixando o casal com os irmãos mais novos do loiro. Os quatro jogaram-se no sofá, rindo. Sam puxou Quinn para si, abraçando-a.

– E o vestido de noiva, Q? – perguntou Stacey com os olhinhos brilhando.

– Andei pesquisando um pouco em alguns dos vestidos que eu desenhei, mas ainda não encontrei o que eu quero... Não consegui bolar nenhum que me agradasse, sabe? Queria algo delicado, mas não tão sem graça.

Sam observava Quinn atentamente.

– Ainda nem decidimos data, né, amor? – completou o rapaz. – Temos que ver logo.

A loira assentiu e, olhando para os cunhados, anunciou:

– Queremos uma participação ilustre no nosso casamento. Vocês topam entrar com as alianças? Stevie carregaria e, você, Stacey, o acompanharia.

Os dois vibraram e abraçaram o casal de noivos.

– Que bom que vocês toparam, falei pra Quinn que achava que vocês ficariam com vergonha por terem quase quinze anos. – confessou, rindo.

– Você merece, irmão! A gente de ama! Também te amamos, Quinn, não precisa ficar com ciúmes. – brincou Stevie.

Sam deu início a uma guerra de almofadas, fazendo com que a noiva e os irmãos entrassem na brincadeira. Em meio a risadas e trombadas, os quatro se divertiam. Aproveitaram a tarde para assistirem a um filme, juntamente aos demais familiares.

– Vamos dar uma escapadinha? – sussurrou Sam, sorrindo maliciosamente.

Quinn mordiscou o lóbulo da orelha do noivo, que entendeu como uma afirmação. Deram a desculpa de que estavam cansados e subiram para o quarto de Sam, que, assim que a porta se fechou atrás de si, agarrou a noiva.

A loira suspirou com os beijos que em seu pescoço recebera e gemeu baixinho quando a mão direita do rapaz apalpou suas nádegas.

– A gente não deveria fazer isso... – hesitou Quinn.

Sam estava entretido demais em encaminhá-la para a cama, ignorando o que a amada dissera.

– Para, amor. Seus irmãos podem aparecer a qualquer momento...

– É pra isso que existe chave nas portas. – rebateu, procurando o desfecho do sutiã da loira por baixo do vestido.

– Não sei não, Sam. – afastou-se do noivo.

– Quinn, eu não aguento mais essa seca... Acha que é fácil passar dia e noite com uma mulher linda e gostosa como você e não poder fazer nada? E, seria um desperdício desprezar isto – apontou para a excitação visível na calça -, né?!

Quinn cruzou os braços.

– Vai me chantagear emocional e psicologicamente, senhor Evans?

– Se funcionar...

– Engano seu. Vou dormir, está bem? – virou-se, arrumando a cama para se deitar.

O rapaz suspirou e, carinhosamente, abraçou a amada.

– Posso, pelo menos, dormir agarradinho com você?

A loira fez que sim com a cabeça e beijou-o calmamente. Vestiram seus trajes de dormir e, após escovarem os dentes, aconchegaram-se de conchinha.

___ o ___

Puck afinava seu violão e preparava um chá para deixar sua voz mais limpa, já que faria um show no barzinho que sua “banda” arrumara. O moreno havia feito um panfleto para fazer divulgação e colocado no elevador na noite anterior. Ele sabia que a chance de algum vizinho aparecer era quase nula, mas não custava tentar. Grudou o folheto com fita dupla face ao lado do painel, assim ficaria mais visível.

Voltou para seu apartamento e passou os próximos dois minutos encarando a geladeira, sem saber o que comer. Abocanhou uma pera e apoiou-se na bancada da cozinha. A reação de Sam ao saber de sua paixão por Jennifer não saía da mente.

– Será que ele está mesmo certo? Será que o amor realmente me cegou? – questionou-se.

Puck se arrependeu por ter brigado com o amigo, estava nervoso diante da situação que haviam presenciado e descontou em Sam.

___ o ___

Quinn e Stacey estavam deitadas na cama da loirinha, conversando sobre o casamento que em breve aconteceria.

– Já pensou na decoração? – animou-se. – E a lista de convidados? Os convites!

– Meu estômago embrulha só de lembrar que tenho tanto a planejar... Eu estou muito nervosa!

– Vai dar tudo certo, Quinny. Será o casamento do ano! Sairá até em revistas: “Casamento Fabrevans supera o de príncipe William e Kate Middleton!” – riram.

Ouviram três batidas na porta, que fora aberta por Sam.

– Oi, meninas. – sorriu. – Tudo bem por aqui?

– Claro! Estamos conversando sobre o casamento de vocês.

– É mesmo, amor? – encheu a noiva de beijos.

– Já comprou as alianças, Sam? – Stacey interrompeu o momento do casal.

– É... Então, e-eu... Ainda não. – respondeu cabisbaixo.

– Não tem problema, a gente pode visitar algumas joalherias de NY e escolhermos juntos.

Quinn sorriu.

– Minha cabeça girando... – gemeu Fabray.

passando mal, amor?

– É o nervosismo... Agora que a ficha está caindo, sabe? Até então não parecia ser real. – explicou-se.

– Vai dar tudo certo, minha linda. Sabe por quê?

Quinn balançou a cabeça negativamente, levantando-se para ficar frente a frente ao noivo.

– Porque nós nos amamos! – sorriu de canto, beijando-a calmamente.

– Já entendi que eu sobrando. – bufou Stacey. – Ia dizer que sairia pra deixá-los a sós, mas o quarto é meu, então, por favor, namorem no cômodo ao lado, vulgo quarto do Sam.

O casal riu do comentário da loirinha e saiu de lá. O loiro a puxou para si, adentrando seu quarto. Pressionou-a contra a parede, beijando seu pescoço e dando leves sucções ali. Quinn cravou suas unhas no ombro do rapaz, relaxando seu corpo para que o noivo a guiasse. O celular de Sam vibrou com a chegada de uma mensagem.

– Amor. – chamou-o entre o beijo. – Vê aí quem é.

– Depois. Não deve ser nada demais...

– Mas pra ter certeza é melhor checar. – distanciou-se.

– Se for a operadora, eu...

– Você o quê? – riu.

Sam não a respondeu. Estava concentrado lendo o que Puck o enviara:

Fala, irmão! Foi mal por ter brigado contigo... Eu tava fora de mim diante da confusão, sinto muito pelas grosserias que te disse. Sei que só queria me ajudar.

Vai rolar um showzinho no bar do David (o endereço na foto que eu enviei) com a minha banda. Dá um jeito de aparecer com a Quinn por lá.

Abraços.

– É o Puck. Convidou-nos pra assistirmos ao show que ele vai fazer num bar. Vamos?

– Claro! Vai ser ótimo vê-lo tocar. Só preciso tomar um banho antes de irmos.

– Espera, amor. Podíamos terminar o que estávamos fazendo, não acha? Puck não vai se importar se chegarmos um pouco atrasados.

– Mas eu me importo. Poxa, Sam, nossa relação não é baseada em sexo, mas parece que você só pensa nisso. – bufou.

– É só que já tem tanto tempo que não temos um momento só nosso... subindo pelas paredes, Quinn! Em Nova York não podemos fazer nada porque moramos com mais dois casais, aqui na minha casa não pode, pois “meus irmãos podem ouvir”...

– Está agindo como um adolescente! Vai fazer o quê? Sair atrás de outra mulher? – se exaltou.

– Ficou maluca? – segurou-a pelos braços. – Eu te amo, Quinn! Jamais seria capaz de fazer isso.

– Só que essa sua insistência já está me tirando a paciência. Se você realmente me ama, para de colocar o sexo em primeiro lugar. – suspirou. — Agora, com licença, vou me arrumar para assistir ao show do meu amigo.

Fabray bateu a porta do banheiro com força, deixando Sam pensativo, sentado na beira da cama. Ouviu sua tia lhe chamar por detrás da porta do quarto.

– DR? – questionou Ashley.

– Pois é, tia.

– Vamos lá ao meu quarto para conversarmos.

Ashley se sentou na cama, fazendo sinal para que o sobrinho se juntasse a ela.

– O que aconteceu, meu bem?

– Ah, tia Ash, acho que a Quinn não vai gostar muito de saber que eu te contei sobre o ocorrido.

– Ela não vai saber. Desembucha.

– Estamos na seca faz um tempão e eu acabo sendo insistente... O problema é que não é o sexo em si que eu sinto falta, é um momento de amor. Só nós dois, mais ninguém. O sexo é uma consequência, sabe? Mas ela entendeu errado e ficou com raiva por achar que eu coloco nossa relação sexual em primeiro lugar. — disse rapidamente, tímido pelo assunto.

– Certo. Então prova pra sua noiva que você ainda é romântico e que a compreende.

– Como?

– Sam, você é do tipo que faz a mulher se sentir amada e que não tem vergonha de demonstrar isso. Por esse motivo que a Quinn te ama tanto. Mostra pra ela que você ainda tem suas táticas. – piscou.

O loiro encarou o vaso de flores que havia na escrivaninha do quarto de hóspedes e sorriu.

– Obrigado pela ajuda, tia Ash.

– Imagina, querido!

Sam pediu à tia que lhe desse uma das rosas do vaso. Voltou ao seu quarto e aguardou a noiva sair do banheiro sentado com a flor na mão. Quinn abriu a porta e, enrolada à toalha, sorriu de canto com a atitude do rapaz. Sam aproximou-se lentamente da loira, encostando a rosa na pontinha do nariz dela.

– Desculpa por ter agido de forma irritante nesses últimos tempos... Não queria te chatear. Só estou com saudade de te amar de maneira intensa. Mas entendo o seu lado. Prometo que não vou mais te pressionar.

– Obrigada. – depositou seus braços envoltos do pescoço de Sam, o que fez com que a toalha caísse.

A musculatura de Sam enrijeceu e ele permaneceu com os olhares distantes do corpo da amada.

– Quinn, isso dificulta um pouquinho. – disse, tenso.

Só então que Fabray percebeu que estava descoberta, iniciando uma crise de risos.

– Não tem graça, Q. – virou-se de costas para a loira.

– Desculpa, amor. – pediu, ainda rindo. – Sua reação foi hilária.

– Respira, Sam. – disse a si mesmo. – Muita calma, amigão.

– Bobo. – deu um tapa no ombro dele. – Te amo.

O casal se arrumou e seguiu para o bar de David.

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Puck ajudava aos demais integrantes do grupo a arrumar os instrumentos no pequeno palco montado especialmente para os shows que lá ocorriam. O moreno assobiava, distraído.

– Já aqueceu a voz, Puckerman? – o baterista questionou.

– Não preciso disso, já nasci pronto. – tirou sarro, rindo sozinho.

– Tem um casal encarando a gente. – apontou para Sam e Quinn. – Conhece?

O moreno foi ao encontro dos dois, abraçando-os.

– Que bom que vieram!

– Aqui está bem cheio. – comentou Quinn.

– Meus fãs. – fez com que os amigos gargalhassem.

– Temos uma notícia pra você, ô famosinho.

– Manda aê.

Quinn levantou a mão, mostrando o anel de noivado.

– Vocês tão noivos?

– Não, amiga, ela só quer saber o que você achou dessa joia. Um a-r-r-a-s-o, né?! – caçoou Sam, forçando uma voz afeminada.

Puck fez um gesto com as mãos abertas, gritando:

– Fabulosa!

– Vocês dois são muito bobos. – riu Quinn, puxando-os para um abraço.

O moreno os parabenizou e desejou felicidades ao casal.

– Fabulosa – brincou -, ainda não terminamos. Você aceita ser meu padrinho de casamento?

– Sério?!

Quinn assentiu, sorrindo. Puck aceitou o pedido e deu um beijo carinhoso na testa da amiga. Ao se virar, observou Jennifer se aproximar do estabelecimento. Ela tinha os cabelos, naturalmente lisos, modelados em cachos nas pontas. Seu vestido preto com decote nas costas realçava sua pele bronzeada.

– Tão linda... ­ – pensou.

Fingiu que não a vira e voltou-se para os loiros.

– Casal, eu tenho que me reunir com a banda. Depois nos falamos. Espero que curtam.

Puck apressou-se para alcançar a morena.

– Oi, Noah.

O rapaz sorriu.

– Como soube do show?

– Vi o panfleto no elevador. Achei que seria uma boa para espairecer.

– Pensei que ninguém do prédio viesse... – comentou, sem graça.

– Só espero que o ingresso tenha valido a pena. – sorriu. – Vou sentar em alguma mesinha, com licença.

Sam e Quinn se abraçavam, em pé, longe dos demais. A loira tinha o rosto próximo ou pescoço do noivo, sentindo seu perfume.

– Será que eu posso falar com vocês um instantinho? – questionou Jennifer, assustando o casal.

– Eu não acredito... Olha só, Jennifer, eu vim assistir ao show do meu amigo, juntamente ao meu noivo e não preciso de alguém nos infernizando com histórias.

– Quinn, é importante... Prometo não demorar.

– Ela já disse que não, né, Jennifer?! – Sam se pronunciou.

A morena se afastou, desapontada. Sentou-se na mesa próxima à pilastra.

– Agradeço a todos que vieram, em nome da banda. Bom proveito! – o baterista desejou, ajustando o microfone na altura de Puck.

– Gostaria de dedicar essa música – dedilhou os primeiros acordes em seu violão. – a uma pessoa muito especial. Ela saberá que estou falando dela.

O grupo se juntou ao som de “Wherever You Will Go”.

So lately, been wondering
Who will be there to take my place
When I'm gone, you'll need love
To light the shadows on your face
If a great wave shall fall
And fall upon us all
Then between the sand and stone
Could you make it on your own

Noah tinha os olhos vidrados nos de Jennifer, transmitindo toda a sua paixão.

If I could, then I would
I'll go wherever you will go
Way up high or down low
I'll go wherever you will go

And maybe, I'll find out
A way to make it back someday
To watch you, to guide you
Through the darkest of your days
If a great wave shall fall
And fall upon us all
Then I hope there's someone out there
Who can bring me back to you

If I could, then I would
I'll go wherever you will go
Way up high or down low
I'll go wherever you will go

Run away with my heart
Run away with my hope
Run away with my love

Sam seguiu o olhar do amigo até sua ex-namorada. Percebeu que ela sorria de canto e que os olhos de ambos exalavam certa conexão. Entendeu que ali havia clima.

I know now, just quite how
My life and love might still go on
In your heart, in your mind
I'll stay with you for all of time

If I could, then I would
I'll go wherever you will go
Way up high or down low
I'll go wherever you will go

If I could turn back time
I'll go wherever you will go
If I could make you mine
I'll go wherever you will go
I'll go wherever you will go

A plateia aplaudiu vibrantemente e começou a cada um gritar um pedido de música. Quinn perguntou o que tanto Sam observava – da posição que ela estava, não era possível ver Jennifer. O loiro a distraiu, chamando-a para assistir ao show de pé, agarradinhos.

De mãos dadas, os dois se enfiaram em meio aos clientes para chegarem próximo à entrada do bar. Sam a envolveu por trás, beijando suas bochechas. Quinn sentiu cócegas e gargalhou, virando-se para o noivo.

– Você me faz tão bem...

– Te fazer bem é a minha maior felicidade. – beijou-a.

O loiro sentiu seu nome ecoar por trás de si. Aquela voz parecia familiar.

– Vanessa?! – surpreendeu-se ao reconhecê-la.

A morena sorriu e o abraçou fortemente.

– Sam, você sumiu!

– Pois é. Estou morando em Nova York agora e dificilmente venho para LA.

Quinn cutucou o noivo, um pouco emburrada.

– Van, essa é a Quinn.

– Espera! – pousou a mão direita na boca aberta. – A Quinn?

– Desculpa, eu te conheço? – a loira questionou um pouco fria. – Não tenho memória muito boa...

– Não, é que ouvi o Sam falar de você durante umas duas horas. – riu.

Quinn sorriu, sem graça.

– Sam, você muito diferente... mais bonito! – brincou. — Depois a gente conversa mais, minha amiga me chamando. – apontou para uma ruiva que acenava em sua direção.

Vanessa deu um sorriso singelo e se afastou do casal. Sam percebeu que Quinn havia se incomodado com a cena.

– É só uma amiga, amor.

– Amiguinha abusada, né?! “Tá mais bonito”! – imitou-a com sarcasmo.

– Ciumenta! – abraçou-a, fazendo cosquinha.

– Para, Sam. Vocês se conhecem de onde?

– Qual a importância?

– Perguntei primeiro. – fez bico.

– Certo. – bufou. – Ela é amiga do Puck e fomos apresentados por ele em algum bar.

– Vocês tiveram alguma coisa? – perguntou com certo receio.

– Quinn, vai mesmo ficar me interrogando sobre a Van?

– Só quero saber se você e a “Van” foram mais do que amigos.

Sam passou a mão pelos cabelos loiros e suspirou.

– Nós nos beijamos. Só isso. Juro que não aconteceu nada além. Justamente porque me lembrei de você e a Van me deu o maior apoio com a fossa. Eu tinha acabado de voltar de NY, após dar de cara com você e o Josh... Estava muito mal e, por impulso, ficamos. Mas, a única coisa que fizemos foi conversar. – explicou-se.

Quinn encarou o chão e cruzou os braços.

– Amor. – chamou-a. – vai ficar emburrada por causa de uma besteira?

A loira permaneceu calada.

– Minha linda, eu te amo tanto. Vai mesmo ficar com ciúmes da Vanessa? Ela é só minha amiga, entendeu? – firmou as mãos na cintura da amada, puxando-a para si.

Fabray ainda não havia cedido totalmente. Permanecia quieta. Vanessa se aproximou e chamou por Quinn.

– Percebi que a minha presença de incomodou... – disse, sem graça. – Só queria deixar claro que eu e o Sam somos somente amigos e a chance de ficarmos juntos é nula. Eu jamais teria coragem de causar qualquer problema para um casal tão lindo como vocês. Quinn, você é linda demais e o Sam é louco por você. – sorriu, para, em seguida, ser puxada pela amiga ruiva.

A loira desarmou-se, assim que Vanessa os deixou a sós.

– Exagerei, né?!

– O que você acha? – brincou, beijando seu pescoço.

– Desculpa...

Sam afirmou com a cabeça e beijou-a com ternura. Puck desceu do palco e procurou pelos amigos. Enquanto não os encontrava, a banda improvisava uma música qualquer.

– Finalmente encontrei vocês! – o moreno parecia aflito. – O que vocês acham de fazerem uma participação especialíssima no meu show?

Os loiros se entreolharam, estranhando a empolgação do amigo.

– Mas assim, do nada?

– Claro! Suas vozes têm uma sincronia e harmonia imensa. Por favor!

Quinn sorriu e fez que sim com a cabeça, seguindo para o palco de mãos dadas a Sam. Seguraram os microfones a eles oferecidos e receberam o carinho do público. A loira sussurrou no ouvido de Sam o nome da música que cantariam. “Photograph”, Ed Sheeran.

Sam entrelaçou sua mão na de Quinn e cantarolou os primeiros versos:

Loving can hurt

Loving can hurt sometimes

But it’s the only thing that I know

And when it gets hard

You know it can get hard sometimes

And is the only thing that makes us feel alive

Quinn entrou, fazendo a segunda voz:

We keep this love in a photograph
We made this memories for ourselves

Where our eyes are never closing

Hearts were never broken

And time’s forever frozen still

A loira se aconchegou nos braços do namorado, para, então, cantarem juntos:

So you can keep me inside the pocket

Of your ripped jeans

Holding me closer until our eyes meet

You won’t ever be alone

Wait for me to come home

Loving can heal

Loving can mend your soul

And that’s the only thing that I know

I swear it will get easier

Remember that with every piece of you

And it’s the only thing we take with us when we die

We keep this love in a photograph

We made these memories for ourselves

Where our eyes are never closing

Our hearts were never broken

And time’s forever frozen still

So you can keep me inside the pocket

Of your ripped jeans

Holding me closer until our eyes meet

You won’t ever be alone

Wait for me to come home

Sam passou seus dedos delicadamente pelo rosto de Quinn, apreciando a pele fina e macia.

Oh you can fit me

Inside the necklace you got

When you were sixteen

Next to your heartbeat where I should be

Keep it deep within your soul

Quinn afagou os fios loiros do noivo, sorrindo.

And if you hurt me

Well that’s okay baby

Only words bleed

Inside these pages you just hold me

And I won’t ever let you go

Finalizaram a apresentação, com os corpos colados, transmitindo à plateia todo o amor e admiração que sentiam um pelo outro.

When I’m away

I will remember how you kissed me

Under the lamppost back on the 6th street

Hearing you whisper through the phone

Wait for me to come home

Os clientes do bar aplaudiram de pé, surpresos com o maravilhoso desempenho do casal. Devido ao sucesso, Puck sugeriu que os amigos atendessem aos pedidos feitos pela clientela. Porém, a real intenção do moreno com todo o “show” improvisado dos loiros era poder conversar com Jennifer sem que ninguém os visse.

Puckerman se aproximou da morena e puxou-a para os fundos do bar, próximo à entrada dos banheiros.

– Noah – disse em tom quase inaudível. -, até que você é bonzinho no que faz.

– Gostou mesmo? – provocou, prensando-a contra a parede.

– Você tem mania de fazer isso, né?! – brincou, referindo-se ao gesto do rapaz.

– Não é mania, só uma tentativa de colar meu corpo ao seu. – sussurrou, mordendo o lóbulo da orelha de Jennifer, que arfou.

– Noah...

O moreno não hesitou ao roçar seus lábios nos dela. A garota de cabelos cor de mel parecia gostar, pois começava a ceder-se. Assim que Puck invadiu com a língua a boca à sua frente, a morena o afastou com as mãos e, sem nada dizer, o deixou.

Puckerman manteve-se na mesma posição por praticamente dois minutos. Tentava achar alguma explicação para o ocorrido. Logo agora que pensou estar conquistando o coração da morena, recebia um fora desses.

Socou a parede com força, reclamando, em seguida, da dor que sentira. Avisou a um dos integrantes da banda que não se sentia bem e precisava ir para casa. Não se despediu dos amigos, apenas deixou o local, cabisbaixo.

___ o ____

Puck destrancou a porta e deixou o molho de chaves sobre a bancada da cozinha. Ao virar-se, deu de cara com Jennifer, sentada no sofá.

– Que susto! – passou a mão pelo rosto. — Como você conseguiu entrar aqui?

– Você é o único idiota que ainda deixa a chave reserva escondida na plantinha. – riu.

– É que eu sou um pouco avoado, pelo menos eu não fico sem entrar em casa.

– Mas combinemos que não é a ideia mais inteligente, né?! – sorriu de canto.

– Eu achei que você estivesse com raiva de mim por causa do beijo. – comentou, observando-a andar em sua direção.

– Não estou. Desculpa por ter ser saído correndo... Fiquei apavorada.

– Eu não deveria ter te beijado, você ainda está frágil devido a todos os acontecimentos.

Jennifer encarou o chão.

– Droga. Eu sou um imbecil mesmo. – reclamou o rapaz. – Foi mal por tocar no assunto.

– Sem problemas. Ele no devido lugar agora. E, Noah, você não fez mal por ter me beijado. Quanto menos eu me lembrar daquele dia horrível, melhor.

– Então você gostou do beijo? – aproximou-se. – Nem me bateu...

A garota dos cabelos cor de mel esboçou um sorriso.

– Eu demorei a perceber que devemos prestar mais atenção naqueles que realmente se preocupam conosco. Deve ser porque ninguém nunca se importou comigo tanto quanto você. – sorriu singelamente.

Puck tinha a boca semiaberta, sem saber o que dizer. A morena encarou os lábios à frente e, sem hesitar, beijou-o com desejo. Sentiu seus cabelos serem invadidos pela mão do rapaz, depositada na nuca dela. Sem parar o beijo, Jennifer retirou a jaqueta de couro que o moreno trajava.

– Tem certeza de que é isso que você quer? – questionou, separando-se.

A sobrinha de Megan voltou a beijá-lo, dessa vez, com mais vontade. Puck entendeu o recado e guiou-a para o quarto. No caminho, retiravam peça por peça de seus trajes.

Com a respiração falha, Puckerman a carregou, prendendo-a a seu quadril. Encostou seus lábios no pescoço fino de Jennifer, fazendo os pelos dela eriçarem. Prensou-a na parede, ouvindo curtos e finos gemidos. Suspirou ao sentir as mãos delicadas de Jennifer desabotoar sua calça. Beijaram-se ferozmente, deixando suas línguas guerrearem mais uma vez. Não haveria vencedor nesta batalha. O amor, quando mútuo, permite que ambos saiam como vitoriosos.

Puck beijou a testa e a pontinha do nariz de Jennifer.

– Gosto das suas sardinhas. – comentou enquanto passava o polegar pelas maçãs do rosto dela.

– Ficam mais aparentes quando pego sol. – disse um pouco constrangida. – Não acredito que você tem discos de vinil! – observou a pilha ao lado da vitrola, localizada sobre uma mesinha no canto do quarto.

– São da Quinn. Você acha brega?

– De maneira alguma. – começou a verificar um por um. – Meu Deus, eu amo Journey! – sorriu. – Podemos ouvir?

O moreno assentiu e pôs o disco na vitrola, deixando a música tomar conta do ambiente.

– Onde estávamos mesmo? – brincou Jennifer, enlaçando o pescoço de Puck com suas mãos.

Ao som de Open Arms, os dois se entregaram como nunca haviam feito antes. Era a primeira vez que Noah se apaixonava e doar sua alma a alguém era uma experiência nova para ele. Não havia muitas mudanças no caso de Jennifer.

A energia que os corpos entrelaçados transmitiam era incrivelmente intensa. A garota fechou os olhos e permitiu que o prazer lhe tomasse conta, mordendo o lábio inferior ao sentir seu corpo ser invadido por Puckerman. A boca do moreno sedenta pela de Jennifer. Moviam-se calmamente e, vez por outra, seus olhares se encontravam veementemente. Jenn cravou suas unhas nas costas do rapaz e seu corpo se desfez ao atingir o orgasmo, sendo acompanhada por Puck.

O rapaz deitou-se, satisfeito, ao lado da sobrinha de Megan e sorriu ao vê-la se aconchegar em seu peitoral. Ambos tinham a respiração ofegante e um tremendo silêncio pairava no local. Jennifer fitava os músculos de Puckerman, alisando com a ponta dos dedos as veias saltadas.

– É uma cicatriz? – observou o ombro direito do moreno.

Puck fez que sim com a cabeça.

– Você tem cara de quem foi uma criança bem bagunceira. – riu. – Como foi que você conseguiu isso aí?

– Tem certeza de que quer saber?

– Se eu perguntei é porque sim, né?! – sorriu.

O rapaz suspirou.

– Eu era pequeno e meu pai ainda não havia abandonado a mim e minha mãe. Como de costume, ele chegava bêbado da rua e brigava conosco. Meus pais começaram a discutir por causa das traições do meu pai e ele ameaçou acertar um vaso de vidro na minha mãe. Eu observava tudo de longe e, quando percebi que ele realmente faria aquilo, corri para protegê-la. O objeto pegou bem no meu ombro... – arfou.

Puck percebeu como Jennifer ficara pensativa. A morena se cobriu com o lençol enquanto sentava de pernas cruzadas. Afastou as madeixas cor de mel que cobriam parte do pescoço, alisando o local com os dedos. Com ar de tristeza, mostrou a Noah que também possuía uma cicatriz. Ia da metade do pescoço ao comecinho do couro cabeludo. Puck buscou os olhos de Jennifer, mas estes se encontravam fitando as pequenas mãos, entrelaçadas num gesto de nervosismo.

– Foi no dia do meu aniversário de dez anos. Lembro-me de cada segundo. – começou vagarosamente. — Assim que acordei, permaneci deitada com esperança de que meus pais viessem me dar os parabéns. Como não o fizeram, resolvi descer para comer alguma coisa. Todos os funcionários se encontravam em volta da mesa de jantar, em que havia um bolo e alguns docinhos. Pensei ser algum tipo de surpresa dos meus pais, mas, quando eles desceram, ao invés de me parabenizarem, passaram direto por mim, sem ao menos olharem nos meus olhos. Eu senti uma tristeza imensa tomar conta de mim. Lembro bem da minha mãe ordenando que limpassem a bagunça, que, no caso, era a minha “festa”. Uma das empregadas comentou que era meu aniversário, mas eles não ouviram. Estavam ocupados demais com telefonemas de negócios. Saí correndo antes que me vissem chorar. O terceiro andar da casa era constituído por um sótão e eu decidi que lá seria o melhor refúgio. Jamais imaginei que sofreria um acidente diante desta situação.

– O que aconteceu? – preocupou-se.

– Minha visão estava completamente embaçada por causa das lágrimas... Escorreguei do penúltimo degrau da escada que levava à porta do sótão. Bati a cabeça algumas vezes e fiquei desfalecida. Acordei no hospital e descobri que havia levado muitos pontos na nuca. Tive de ficar internada por seis dias, já que uma série de exames deveria ser feita. Contudo, pra mim, a maior ferida foi a despreocupação dos meus pais. Não me visitaram, não ligaram para saber do meu estado de saúde... Eles não se importam comigo, Noah. E isto é, sem a menor dúvida, o que mais dói. – revelou, limpando as lágrimas com a pontinha do lençol. – Ai que besteira, eu aqui feito uma coitadinha...

– Não é besteira.

– É sim. Detesto falar sobre meus sentimentos. Essa pobrezinha não sou eu.

– Negativo. Essa é a Jennifer que desde o início eu soube que era. Por muito tempo fingi ser alguém que não era. Escondia todos os meus problemas numa fantasia de badboy, quando, na verdade, eu não passava de um adolescente medroso e infeliz. No Glee Club, passaram a confiar em mim e acreditar que eu poderia ser uma boa pessoa. Depois de tantos anos me escondendo, vi que minha armadura poderia descansar. Comecei a crer no que meus amigos me diziam e desarmei-me. – sorriu.

Puck aproximou-se da morena e encarou os olhos à frente profundamente.

– Eu acredito em você, Jennifer. Não precisa se esconder. Chega de máscaras. Chega de mentir pra si mesma. Só seja você. Apenas a Jennifer. E verás como o mundo é muito mais bonito assim.

A garota sorriu e deu um beijo no moreno.

– Sabe que foi um tanto quanto brega, não sabe? – riu.

– Talvez. Mas foi verdadeiro.

Jennifer se aconchegou nos braços musculosos de Puckerman.

– Preciso da sua ajuda...

– Com o quê?

– Eu tenho que conversar com o Sam e, principalmente, com a Quinn. Há muito que esclarecer. Desta vez, sem armadura. – sorriu. – Devo isso a eles.

O moreno assentiu.

– Quando saí do show, eles ainda estavam lá. Vou ligar pro Sam, está bem?

Jennifer agradeceu e entrou no banheiro com sua roupa em mãos.

___ o ___

Sam e Quinn se divertiam no final do show. Dançavam loucamente, sorrindo de orelha a orelha. Estavam felizes. Felicidade a qual transbordava de tamanha imensidão.

O loiro parou de se movimentar de maneira desengonçada ao ouvir o toque do celular. Era Puck. Afastou-se do bar para que pudesse ouvir o amigo. Quinn aproveitou para se desculpar com Vanessa pela cena de ciúmes e, com seu jeito alegre e bem humorado de sempre, Van puxou a namorada do amigo para dançar. Por incrível que pareça, Quinn aprovou a atitude da morena e entregou-se à dança.

Sam pediu licença às meninas que dançavam com sua noiva para falar com ela a sós.

– O Puck foi pra casa e nem falou com a gente, acredita?

– Maluco. – riu. – Mas e aí?

– Parece que ele teve dor de barriga ou algo assim. Pediu que fôssemos à casa dele para contar o que queríamos na noite da delegacia...

Quinn demonstrou não ter entendido do que se tratava.

– Nosso noivado. – sorriu. – Vamos?

– Claro! Tinha me esquecido de que, com toda a confusão, nem contamos sobre.

Sam assentiu e guiou a noiva até Vanessa para se despedirem. A amiga de Sam desejou felicidades ao casal e voltou a dançar.

– Parece que vocês duas se deram bem. – o loiro comentou, passando seu braço por trás de Quinn, depositando-o em seus ombros.

– Ela é gente fina! Supersimpática, né?!

– Fico feliz que tenham se entendido. – beijou-lhe a bochecha rosada.

___ o ___

Jennifer balançava as pernas inquietamente, sentada no sofá. Puck a observava roer as unhas.

– Tenta se acalmar.

– Será que desistiram?

Ouviram o toque da campainha.

– São eles! – desesperou-se a morena. – O incompetente do porteiro nem nos avisou...

Puckerman destrancou a porta, recebendo os amigos, sorrindo de canto. Quinn, ao abraçar o moreno, percebeu a presença de Jennifer e seu sorriso desmanchou-se.

– Que palhaçada é essa?!

Notas finais
Obrigada a você, que teve paciência de ler até o final. Como eu demoro muito para postar, quem quiser ter notícias de previsões ou até mesmo spoilers (vcs merecem, né?), é só me perguntar no http://ask.fm/Naylalala00 Beijos e até o próximo!