All You Need Is Love
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Ouviram o toque da campainha.
– São eles! – desesperou-se a morena. – O incompetente do porteiro nem nos avisou...
Puckerman destrancou a porta, recebendo os amigos, sorrindo de canto. Quinn, ao abraçar o moreno, percebeu a presença de Jennifer e seu sorriso desmanchou-se.
– Que palhaçada é essa?!
Quinn deu um passo para trás.
– É algum tipo de pegadinha, Puckerman?
O moreno pediu que os amigos se sentassem com eles.
– Na boa, cara, deixa a gente fora disso... – solicitou Sam.
– Eu sei que vocês têm diversos motivos para não quererem me ver – pronunciou-se Jennifer -, mas nós precisamos ter essa conversa.
O silêncio tomou conta do apartamento por praticamente um minuto.
– Chega, Jennifer! Chega de ceninha! Chega de infantilidade! Eu te ajudei naquela noite sim, mas isso não significa que você vá conseguir me enganar e colocar suas garras em mim novamente. Eu estou farta de tanto teatro! Chega! – exaltou-se.
– Por favor. – a morena pediu de olhos fechados. – Escuta o que eu tenho pra te dizer. Se mesmo depois do que eu disser você não quiser olhar mais na minha cara, não irei insistir.
Quinn tinha o cenho franzido, assim como Sam, que a fitava discretamente.
– Você tem quinze minutos. Se nesses quinze minutos você não me convencer de que está falando a verdade, eu vou embora.
Jennifer assentiu com a cabeça e se sentou de frente para o casal. Puck preferiu assistir à conversa da bancada da cozinha.
– Eu devo muitas explicações a vocês dois. – suspirou. — Começando por você, Sam, o loirinho bonito de Tennessee. – sorriu. – Costumava te observar pela janela do meu quarto. Você estava sempre rodeado de amigos, brincando, sorrindo... Enquanto eu... Eu tinha aulas de etiqueta e de administração. Bela infância!
– Você não tem muito tempo, então acho melhor parar de enrolar. – Quinn declarou, ríspida.
– Eu não sabia o que era ser feliz e pensei que talvez você pudesse me ensinar. Precisava me aproximar de você de alguma forma, então me tornei “melhor amiga” da sua vizinha de frente. Foi no aniversário dela que nos encontramos pela primeira vez... O problema é que eu não senti o que esperava sentir quando te beijasse. Criei uma teoria de que só sentiria a sua felicidade, quando tivesse o seu amor. Por isso comecei a te perseguir. Queria que você me notasse e me amasse. – suspirou. – Era uma obsessão doentia.
– O que só me afastou de você. – interrompeu Sam. – Por sua causa passei dois anos estudando na droga de um colégio interno.
– Quando você voltou de Ohio, nos encontramos no Mike’s Ice Cream, lembra-se?
– Difícil de esquecer, Jennifer.
– Eu estava disposta a te conquistar pra conseguir umas aulas do “Senhor Felicidade”. – riu, porém ninguém a acompanhou. – Consegui sua amizade e não demorou muito para que começássemos a namorar. Nada mudou. Eu não era tão feliz quanto você. Meus pais continuavam a me ignorar. E eu continuava sem amigos. Então jurei que se eu não poderia ter essa felicidade, você também não teria. Tornei-me a namorada possessiva e controladora, inventei diversas mentiras...
– Você fingiu uma gravidez, Jennifer! – Sam pôs as mãos na cabeça. – Minha vida se tornou um caos... Tudo por conta de um capricho seu. Você sabia que a minha família estava passando por dificuldades e mesmo assim ficou com o dinheiro que eu, inocentemente, pensava dar para o meu suposto filho.
– Falando nisso... – começou a revirar sua bolsa. – Aqui. – tirou um envelope branco de dentro dela. – Eu nunca usei esse dinheiro, só fiquei com ele por prazer de te ver mal. Pega! – entregou-lhe a quantia. – Sei que precisava dele naquela época muito mais do que agora. Sinto muito. Sinto muito por ter feito sua vida um inferno e por todo o mal que lhe causei.
Apesar de tudo, Sam sentia sinceridade nas palavras da ex-namorada.
– Quinn. – virou-se para a loira, sorrindo de canto. – Sempre tive muita inveja de você... Tão linda, tão inteligente, repleta de amigos e de um namorado tão feliz quanto você... Acho que isso me afetava mais do que o Sam. Por isso te incluí no pacote. Pensava que, se atingisse o Casal Alegria, me sentiria melhor.
– Se sentiu? – a loira permanecia na defensiva.
– Sim, mas era momentâneo. Além do mais, isso só me fez mal, fiquei alimentando uma obsessão ridícula. Percebi que tinha ido longe demais no momento em que soube do seu acidente. Foi culpa minha. – suspirou, cabisbaixa. – Se eu não tivesse feito o que fiz, você não teria se embebedado e acabado numa cama de hospital. E, depois de tudo, você ainda me salvou das mãos daquele monstro. Realmente, você é muito mais do que eu pensava. Você é incrível, Quinn, e eu não tenho outras palavras a não ser: desculpa, por favor. Estou tão arrependida... Você não merecia ter passado por nada do que te fiz passar. Sinto muito, de verdade.
Puckerman admirava a amada com um sorriso singelo, enquanto bebericava o refrigerante. Quinn pareceu se desarmar.
– Gostei da atitude. Muito maduro da sua parte. – arfou. – Mas não pense que viraremos melhores amigas e que serei sua eterna confidente.
– Eu sei que não. Respeitarei o seu tempo e, quando estiver pronta, poderemos conviver melhor uma com a outra.
Um silêncio profundo pairava. Sam e Quinn estavam mais confortáveis do que quando iniciaram a conversa. Fabray dera à morena quinze minutos, os quais não foram suficientes para o pedido de desculpas. Já estavam sentados há quase uma hora e, por mais estranho que fosse, o casal de loiros sabia que Jennifer dissera a verdade.
– O pessoal da delegacia me indicou uma psicóloga. Tive uma consulta com ela e comecei a tomar alguns medicamentos. Passei por muitos traumas na infância e finalmente consegui ajuda. – sorriu. – Ela sugeriu que eu passasse um tempo fora do país, pois preciso de um descanso para que eu possa me conhecer. Vou pra Europa em duas semanas. Dizem que lá há muitas oportunidades para músicos e ótimos cursos.
– Desde quando você é música?
– Eu? Nunca fui, mas o Noah é. Um ótimo músico, aliás. Além do mais, seria uma boa companhia... – mordiscou o lábio inferior, sorrindo para o moreno.
– Vocês estão juntos, por acaso? – intrigou-se Quinn.
– Estamos nos conhecendo, não é, Noah?
O rapaz fez que sim e apoiou-se na poltrona em que Jennifer estava sentada. Beijou o topo de sua cabeça e sorriu para os amigos.
– Mas e o seu tratamento com a psicóloga?
– Tive apenas uma consulta com ela, então não vai ser grande coisa mudar de profissional. A irmã dela é uma psicóloga muito renomada na Itália. Farei o tratamento com ela.
– Espero, sinceramente, que seja benéfico para sua saúde mental. – desejou Quinn, sem esboçar muitas expressões. — Melhor irmos, não é, Sam?
Puck abriu a porta e se despediu da loira, dizendo vê-la em breve. Sam se levantou calmamente, com os olhos fixos em Jennifer.
– Boa sorte. Cuida dele. – disse, apontando para o amigo.
Após se despedir de Puckerman, o loiro guiou a namorada até o elevador. O moreno trancou a porta e fitou Jennifer, que sorria aliviada.
– Me sinto tão mais leve! – comemorou, jogando-se nos braços do moreno.
– Esse papo da Europa é sério? Vai mesmo pra lá?
– Vou. E gostaria muito que você me acompanhasse. – sorriu, dando um selinho no rapaz.
– Infelizmente não vou poder... Não tenho grana pra isso.
– O convite é meu, então eu vou arcar com as despesas.
– De jeito nenhum! Não gosto de ser bancado por ninguém, sempre me virei sozinho...
– Como é orgulhoso esse moreno, hein! – brincou, dando um tapinha no seu braço musculoso. – Vamos fazer o seguinte então: você vai comigo, ficamos em um hotel mais modesto e você procura um emprego. Quando estiver com seu próprio dinheiro, dividimos as contas.
– Soa melhor. – permaneceu pensativo. – Mas como a gente vai morar em outro país ilegalmente? Não vai ser fácil conseguir um trabalho nessas condições.
– Eu tenho um atestado médico que nos dá um visto legal. Nele está escrito que eu preciso de um acompanhante e você é a única pessoa que realmente se importa comigo. – esboçou um sorriso. – Vamos, por favor! Eu quero recomeçar minha vida e acho que é uma ótima oportunidade profissional pra você.
Puck tinha as mãos firmes na cintura de Jennifer e puxou-a ainda mais para si.
– Certo, morena. Embarcamos em duas semanas. – sussurrou no ouvido da amada, que pulou em seu colo com a notícia.
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A caminho de volta para a casa de Sam, ele e a namorada conversavam sobre o que acabara de acontecer.
– Por incrível que pareça, acho que ela disse a verdade – comentou Quinn. –, o que é muito estranho vindo dela.
O loiro fez que sim, ainda pensativo.
– Nem acredito que o Puck e ela estão juntos...
– Também não acreditei quando ele me contou.
– Espera aí. – fitou-o, desconfiada. – Você já sabia disso?!
O rapaz afirmou e contou à Quinn sobre a conversa que tivera com Puck na delegacia. A loira alegou que queria a felicidade do amigo, por mais que ela estivesse nas mãos de sua antiga rival.
O casal teve que correr para arrumar as malas, já que não pretendiam demorar tanto como demoraram no apartamento de Puckerman.
– Com toda a confusão, esqueci completamente de falar com o Puck sobre ele ser meu padrinho de casamento. – lamentou Quinn, enquanto terminava de dobrar suas roupas para guarda-las na pequena mala que levara.
– É mesmo, amor! Que pena... Mas não teremos mais tempo de ir lá.
Quinn comentou que o único jeito seria convidá-lo por telefone mesmo. Stacey adentrou o quarto do irmão e o ajudou a guardar seus pertences na mochila.
– Sempre enrolado! – brincou a loirinha. – Vou sentir sua falta, Sammy.
O rapaz pegou a menina no colo e deu um forte abraço, afagando seus fios dourados.
– Nos veremos em breve, ok?
Stacey fez que sim e deixou o cômodo. Quinn pediu que Sam levasse as malas para baixo enquanto terminava de checar o quarto.
Assim que tudo ficou em ordem, o casal se despediu dos familiares, agradecendo-os pela companhia e estadia. Acenaram para todos de dentro do táxi que os levaria ao aeroporto.
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Santana e Brittany conversavam sobre o programa de televisão que assistiam aos domingos. Porém, a verdade é que precisavam de uma distração que não fosse a discussão que permanecia desde cedo no quarto de Kurt e Blaine.
– Olá, meninas!
– Quinn! Como foi lá em LA?
– Muitas emoções. – respondeu, rindo. – Depois eu conto detalhes, pode ser? Estou exausta. – comentou, dando um beijo estalado na bochecha das amigas.
– Então vê se dorme ao invés de transar. – a latina provocou.
Fabray apenas a encarou com seu olhar fuzilante e retirou-se da sala. Sam foi logo atrás, levando as malas consigo.
– Estranho, está muito silêncio no quarto das Bichinhas Coloridas. – observou Santana.
– Devem ter feito as pazes. Não é lindo, Sant?
– Mais fácil terem se matado... Acho que esses dois estão com os dias contados juntos.
– Não fala assim, Santana! Temos que torcer por eles, são nossos amigos. Vou dormir, está bem? – deu um beijo carinhoso na namorada. – Que dia é a primeira audiência em Toronto?
– Quarta-feira, mas viajo na terça. Não sei quando volto, mas, provavelmente, ficarei um tempinho lá.
Brittany tornou a se sentar ao lado da namorada e, com receio, pediu para acompanhá-la.
– Claro que pode, amor! Só não te convidei antes porque pensei que teria que trabalhar.
– Essa semana a academia de dança vai ficar fechada e não queria ficar sozinha aqui... – sorriu.
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Quinn acordou mais cedo do que pretendia e tomou bastante cuidado para não despertar Sam. Vestiu seu roupão para aquecer-se naquela fria manhã de segunda feira e caminhou cuidadosamente até a sala.
– Kurt?! – assustou-se com sua presença.
– Oi, Quinn. – respondeu sem nenhuma animação.
A loira se aproximou do sócio, notando sua palidez e as olheiras profundas.
– O que aconteceu, Kurt? Você não me parece nada bem...
– Deve ser só uma gripe. – fungou. – Não vou conseguir ir trabalhar, desculpa.
– De jeito nenhum que você vai! Precisa repousar. Cadê o Blaine?
O rapaz demorou a responder e Quinn refez a pergunta.
– Viajou a trabalho. – suspirou. – Tem um envelope em cima da minha cômoda que é pro F&H. Esperei você voltar para abrirmos.
A loira correu para buscá-lo e sentou-se ao lado do sócio para lerem o que ali continha. Os olhos de Quinn corriam pelas palavras sem acreditar no que lia.
– Ai meu Deus, Kurt! É da Vanity Fair, uma das mais famosas revistas de NY! – seus olhos marejados fitavam os de seu sócio, sem crer no que estava acontecendo. – Querem que façamos uma apresentação sobre a fundação da nossa loja/ateliê e com algumas de nossas criações. Se gostarem, farão uma entrevista conosco e – pausou, relendo três vezes para certificar-se de que estava lendo certo. – um desfile com a nossa marca! – pulou no colo do amigo, chorando de felicidade.
– Isso é incrível, Quinn! F&H é só sucesso. — sorriu amarelo.
– Você não me parece muito animado...
– É a gripe, já disse. – pronunciou ríspido, levantando-se e indo para o quarto.
Sam saiu detrás da porta trajando apenas uma cueca samba-canção. Os cabelos ainda bagunçados e os olhos vermelhos.
– Bom dia, amor.
– Sam! Você não vai acreditar!
Quinn leu a carta para o noivo, que a parabenizou diversas vezes. Sentou-se no sofá e puxou-a para seu colo.
– Você merece todo o sucesso do mundo, minha loira gostosa. – beijou-lhe o pescoço. – E quando é essa reunião?
Fabray levantou em um único suspiro.
– Sexta-feira! – pôs a mão na boca, desesperada. – Temos apenas uma semana para prepararmos a apresentação de nossas vidas e eu não tenho ideia de como começar.
– Quinn. – chamou-a, rindo.
– Para de rir, Sam! Isso é muito sério. O Kurt não demonstrou nem um pingo de entusiasmo. – lamentou.
– Olha pra mim. – ficou frente a frente com a amada e segurou o queixo dela. – Vai dar tudo certo, confia em mim.
– Eu espero... – suspirou, sendo confortada nos braços musculosos de Sam.
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Quinta-feira, 8:50 pm.
Quinn terminava de verificar os slides que havia preparado com a ajuda de Kurt. Estava orgulhosa do que haviam feito. Sentiu seu celular vibrar sobre a mesa do escritório. Era Santana.
Loira Azeda, a audiência foi remarcada para amanhã de manhã, portanto não terei como comparecer à reunião com a Vanity Fair. Mas, não se preocupe, uma funcionária minha, ótima advogada, por sinal, irá no meu lugar. Já encaminhei tudo para ela. Vai sair tudo bem! Te amo, beijos.
Fabray sentiu o nervosismo tomar conta de seu corpo e pôs as mãos na cabeça, apreensiva. Respirou fundo e guardou a papelada na pasta que consigo levaria. Kurt não havia ido durante toda a semana, a ajuda que fornecera fora dada em casa. Precisava repassar tudo com o sócio para diminuir os riscos de erros.
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– Tem certeza de que não quer comer nada? – questionou Rachel a Kurt.
– Não sinto fome, sede ou qualquer outra coisa. Só queria poder dormir e nunca mais acordar. Acho que só assim para a dor passar.
– Dor? – Quinn entrara no meio da conversa. – Oi, Rach, tudo bom?
– É, dor. Muita dor de garganta.
– Kurt, é melhor dizer a verdade. Ela vai entender. – incentivou a baixinha.
Quinn o encarou com curiosidade e desconfiança.
– Não estou doente. E Blaine não está viajando... Ele saiu de casa, Quinn. – confessou, olhando para as próprias mãos. – Nosso casamento acabou.
A loira se aproximou para abraçar o amigo e limpou algumas de suas lágrimas que escorriam pela pele de “porcelana”.
– Eu sinto muito, Kurt, poxa vida...
– Não é definitivo, mas todos nós sabemos que não dá pra viver em meio a discussões sem fim. Então, decidimos dar um tempo longe um do outro. Quando pedi que ele arrumasse outro lugar para morar, Blaine disse que preferia pedir logo o divórcio. Não estou nada bem, Q, por isso fiquei afastado durante essa semana. E, sinceramente, não vou conseguir fingir estar extremamente feliz amanhã.
Quinn o abraçou mais uma vez e disse que talvez fosse bom ele ir para se distrair.
– Eu não consigo, Q. Minha cabeça dói e não tenho vontade de nada. Se eu for, posso acabar atrapalhando. Tenho certeza de que você vai fazer um ótimo trabalho.
A loira assentiu e deu um beijo carinhoso na bochecha do sócio. Pediu licença e entrou no quarto para tomar banho.
Enquanto esperava a banheira encher, enrolou-se em uma toalha e observou peça por peça dentro de seu guarda roupa para decidir o que usaria no dia seguinte. Sentiu o perfume de Sam tomar conta do ambiente e sorriu ao ver que o noivo havia chegado. As mãos do rapaz percorreram sua cintura e apertaram seu quadril, juntando os corpos.
– Posso tomar banho com você?
Quinn se virou para o noivo e arqueou a sobrancelha direita, desconfiada.
– Sem gracinhas, prometo. – riu. – Tive um dia cheio, só quero tomar um banho relaxante e dormir.
– Então somos dois. – caminhou até a banheira para desligar a torneira. – Santana não vai ser minha advogada amanhã e o Kurt não vai mais. A substituta da Sant eu consegui, mas ainda não tenho ideia de quem possa ser a testemunha no lugar do Kurt.
– Pensei que ele fosse como sócio e não testemunha. – tirou o cinto da calça social.
– É que, na verdade, só exigiram que um de nós apresentasse. O outro poderia apresentar ou apenas ser a testemunha caso o contrato seja assinado.
Sam terminou de se despir e entrou na banheira, chamando Quinn para se juntar a ele. A loira se sentou entre as pernas do noivo e se escorou no peitoral dele.
– Eu posso ser essa testemunha?
– Espera. Você faria isso?
– Claro, amor. Se não for obrigatório que a testemunha trabalhe com você, irei com certeza.
– Não precisa ser alguém que trabalhe comigo. Não sei nem como te agradecer! – esticou o pescoço para alcançar os lábios do noivo.
Sam ensaboava o corpo de Quinn com delicadeza, massageando suas costas levemente. Ao se aproximar dos seios da noiva, parou e se afastou.
– O que houve?
– Prometi que não faria nada. – sorriu, constrangido. – É melhor eu sair antes que me anime mais do que deveria.
Sam pegou uma toalha dentro do armário do banheiro e se enxugou. Deixou a noiva terminar o banho sozinha e foi se trocar no quarto. Jogou-se na cama e tentou pensar em algo que tirasse de sua mente os pensamentos pervertidos.
– Se der tudo certo amanhã, te compenso de todas as maneiras que quiser. – prometeu Q, saindo do banheiro já vestida.
– Assim você dificulta todo o raciocínio que eu fiz aqui pra diminuir minha... Ansiedade.
Quinn gargalhou e deitou-se ao lado do noivo.
– Te amo tanto, bobão. – beijou-o.
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Quinn terminava de almoçar com Rachel, quando foram surpreendidas por Kurt.
– Só levantei da cama para te desejar boa sorte. Obrigado por ser minha parceira nessa jornada e por entender o meu lado nesses dias mais conturbados. – abraçou-a.
– Tenho certeza de que vou conseguir colocar um sorrisinho nesse rostinho quando voltar com o contrato assinado. – sorriu.
– O Sam vai te buscar? – questionou Rachel, enquanto retirava a mesa do almoço.
– Vai. Combinamos de sair daqui às 15 horas. Prefiro chegar com bastante antecedência.
Rachel pediu que Quinn não se preocupasse com a louça, pois ela mesma lavaria. A loira, então, correu para se arrumar. Secou os cabelos, deixando as pontas levemente onduladas. Escolheu uma saia preta de cintura alta e uma blusa social branca com alguns detalhes de couro preto. Caminhou até a sala com o scarpin preto e a pasta em que guardara os arquivos de F&H em mãos. Sentou-se no sofá para calçar o sapato e pediu que Rachel verificasse sua maquiagem.
– Tem certeza que esse delineador não está borrado?
– Absoluta, Quinn. Agora, pode, por favor, ficar calma. Já me perguntou cinco vezes a mesma coisa.
– Desculpe-me. Sam já deveria ter chegado...
Fabray resolveu ligar para o noivo e apressá-lo, já que, pelo horário, deveriam estar saindo de casa. Caixa postal. Como se não bastasse, Sam não atendera nenhuma das quinze ligações de Quinn, que já estava andando desesperada de um lado para o outro.
– Não posso esperar mais. Rachel, fica tentando falar com o Sam, por favor. Pede pra ele me encontrar no saguão do prédio. Vou pegar um táxi. – despediu-se dos amigos e saiu apressada pelas ruas de NY.
___ o ___
O prédio em que ocorreria a reunião era chique demais aos olhos de Quinn.
– Meu salário não compra nem essa flor artificial... – comentou a si mesma, observando a decoração do local.
O atrito do salto alto no chão dava uma ótima sensação à Fabray. Sentia-se poderosa, como diz sua mãe. Avisou na recepção que estava apenas aguardando seus acompanhantes chegarem e sentou-se no imenso sofá do saguão.
Quinn começava a ficar apreensiva com a demora de Sam. Até mesmo a advogada já havia chegado e nada do noivo.
– É melhor subirmos, senhorita Fabray.
– Ele já deve estar chegando...
– A testemunha é opcional. Seria bom, mas, caso não tenhamos uma, não há problemas.
– Quinn Fabray. – chamou o recepcionista. – Estão te chamando. Quarto andar.
A loira sentiu um calafrio percorrer a espinha. Já estava nervosa o suficiente para Sam aprontar uma dessas.
Felizmente, tudo ocorrera da melhor forma possível. A apresentação de Quinn encantou aos publicitários da Vanity Fair e o contrato fora assinado. Em algumas semanas, F&H seria a próxima capa da revista, com direito à entrevista e desfile.
Quinn estava radiante. Agradeceu a advoga que a acompanhara e chamou o elevador. Checou o celular na esperança de alguma ligação de Sam ou Rachel, mas nada. Ao chegar ao saguão, avistou o loiro sentado no sofá, de costas para ela. Fez questão de passar por ele sem olhá-lo, indo em direção à saída do edifício.
– Quinn!
A loira continuou caminhando, sem olhar para o rapaz que corria em sua direção. Sam conseguiu alcançá-la e a segurou pelo braço.
– Deu alguma coisa errada na reunião?
Fabray finalmente o fitou, com raiva.
– Você saberia se tivesse comparecido. – disse rispidamente.
– Foi mal, me atrasei. Fiquei resolvendo umas coisas e perdi a hora.
– Foi mal?! Sam, eu te pedi tanto pra chegar no horário combinado! Poxa, foi você que se ofereceu pra vir comigo. Se não podia, por que marcou?
– Não é isso, Quinn, me distraí com o que estava fazendo e não vi a hora passar.
A loira revirou os olhos e continuou a andar.
– Dá pra parar? – entrou na frente dela, bloqueando sua passagem.
– Preciso pegar um táxi.
– Mas eu vim te buscar.
– Você não entende mesmo, né? Eu não queria carona, Sam. Só gostaria do seu apoio. Você sabia da importância que essa reunião tinha. Não custava ter me ligado ou mandado uma mensagem dizendo que tinha se atrasado? Nem as minhas ligações você atendeu.
– Desculpa. Eu... – fora interrompido.
– Eu sempre te apoiei na sua profissão, fui a eventos que eu não precisava ter ido, mas fui pra te ver feliz. Vamos nos casar, Sam, e ,como meu futuro marido, você precisa me apoiar nesses momentos. Felizmente, não era obrigatório ter testemunha, mas e se fosse? Eu não teria assinado o contrato simplesmente porque você “se distraiu”.
– Eu já pedi desculpas, meu amor. Agora, volta comigo? Não faz sentido você ficar aí gritando por um táxi, sendo que eu estou de carro.
Quinn ficou pensativa e, ao perceber que não passaria um táxi ali tão cedo, cedeu-se. Permaneceu calada durante todo o percurso. Sam tentara puxar assunto, mas ela não lhe dera muito papo. A loira estranhou ao ver que Sam entrara em outra rua.
– Eu quero ir pra casa, Sam.
– Mas é pra lá que estamos indo.
O loiro fez o contorno e entrou em um condomínio que há muito tempo havia sido construído. Cumprimentou o porteiro e estacionou em frente à fachada de uma casa ampla e distante das demais. Sam saiu do carro e abriu a porta do banco de carona. Estendeu a mão direita para que Quinn se apoiasse ao sair.
– O que estamos fazendo aqui? – questionou ao ser puxada para a entrada da casa.
– Você disse que queria ir pra casa. Bem, chegamos. – sorriu, tirando as chaves do bolso.
A expressão emburrada de Quinn logo se transformou em uma de surpresa.
– Eu sei que não é uma casa tão nova e moderna, mas ela é bem espaçosa e com algumas pequenas reformas, ficará novinha. – sorriu. – Não quer conhecer nossa casa?
– Nossa? – seus olhos marejaram.
O loiro a puxou para si e deu um beijo carinhoso nos lábios cobertos de batom de Quinn.
– Nossa.
Fabray pegou as chaves que eram entregues por Sam e destrancou a porta. O rapaz acendeu as velas na sala e Quinn pôs as mãos na boca ao notar as pétalas de rosas brancas e vermelhas no chão, juntamente a algumas almofadas.
– Que lindo, amor! – abraçou-o, emocionada.
– Foi por isso que me atrasei. Queria deixar tudo perfeito... Achei que as almofadas criariam um ambiente mais romântico, mas, se preferir, tem um colchão no andar de cima.
– Está incrível! Eu amei, Sam! – caminhou pelo andar de baixo. – E eu brigando com você... Desculpa, fiquei estressada.
Sam riu e se aproximou da noiva, abraçando-a por trás. Quinn sentiu seus pelos eriçarem com o toque dos lábios do loiro em seu pescoço.
– Agora seremos só nós dois nesse casarão lindo.
– Você acha que eu comprei essa casa só pra a gente? – deu um sorriso malandro. – Quero ver um monte de pirralhinhos loiros correndo por aqui.
– Um monte? – arregalou os olhos.
– Podemos parar no terceiro. – riu. – Está com fome? Preparei foundue.
Sentaram-se nas almofadas vermelhas e aveludadas e colocaram o que comeriam entre eles. Sam começou pelo de queijo e Quinn foi direto no de chocolate.
– Está divino! – elogiou Q, ainda de boca cheia.
Conversaram sobre as diversas mudanças pelas quais estavam passando. Sam se levantou e voltou da “futura cozinha” com uma garrafa de vinho.
– Meu preferido. – sorriu. – Você me conhece mesmo.
– Conheço tanto que só trouxe uma garrafa pra evitar que você beba demais. – riu, recebendo um tapa no peitoral.
– Eu nem sou de beber tanto. – defendeu-se, mas acabou se juntando à gargalhada de Sam.
Brindaram o sucesso de ambos e ao futuro que teriam juntos. Sam perguntou se a noiva gostaria de conhecer a casa.
– Sabe o que eu quero? – aproximou-se do rapaz e sussurrou em seu ouvido. – Você.
Sam passou a língua nos próprios lábios e puxou a loira para si, avançando no zíper de sua saia. Quinn se livrou da camisa de Evans e se sentou no colo dele, beijando seu peitoral despido. Arfou ao sentir as mãos pesadas do noivo apertarem suas coxas nuas. Sam ajeitou as almofadas de forma que ficasse mais confortável para o que fariam a seguir. O loiro pegou o preservativo no bolso e voltou a beijar os pequenos seios a sua frente. Quinn suspirava de prazer, enquanto afagava os fios loiros do noivo.
Seus olhares se encontraram e assim permaneceram por um bom tempo.
– Adoro quando você olha no fundo dos meus olhos enquanto me preenche de amor. – declarou Quinn, tomada pelo deleite.
Sam inverteu as posições e, sem mais tempo a perder, deu início ao que tanto gostavam de fazer a sós.
___ o ___
Evans acordou de madrugada com a janela batendo por causa do vento. O fino lençol que havia pegado não fora suficiente para a temperatura que fazia. Notou a ausência de Quinn e subiu para procurá-la. Encontrou-a escorada na varanda da suíte principal, observando as estrelas.
– Amor. – disse baixinho para não assustá-la. – O que você está fazendo aqui nesse frio? – abraçou a noiva para aquecê-la.
– Vim agradecer ao universo por ter cruzado nossos caminhos.
Sorriram, apertando o abraço.
– O céu está lindo mesmo. Olha a lua! – apontou para cima.
– Sabe, Sam, às vezes eu me pergunto se você é mesmo desse planeta. Eu tenho muita sorte de ter você por perto. – deu um selinho no noivo.
– Lembra quando fomos ensaiar o nosso dueto e te levei naquela sala em que tinha umas maquetes do sistema solar penduradas no teto? Apontei para uma e disse que estava em Vênus, o planeta do amor. Vai ver é de lá que eu vim. – brincou, sorridente.
– E eu te corrigi, dizendo que a maquete era de Marte. – riu sem graça.
– Você sempre foi a mais inteligente da nossa relação.
Quinn envolveu o pescoço de Sam com seus braços e fitou seus olhos verdes.
– E você o mais romântico.
O rapaz passou o dedo indicador pelo lábio inferior de Quinn e a beijou com ternura, pousando as mãos firmes na cintura da amada.
– Você ainda provoca borboletas no meu estômago.
– E você não tem ideia de como o meu coração acelera com a sua presença... Queria gritar para o mundo inteiro que você é a responsável por minha felicidade e o quanto eu te amo
– Então grita. – riu.
Sam aproximou sua boca do ouvido de Quinn e sussurrou:
– Eu te amo!
– Por que sussurrou?
Selaram seus lábios quentes.
– Porque você é o meu mundo.
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