All You Need Is Love
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Nunca imaginou que a loira fosse superar o término tão rapidamente, ao ponto de já se envolver com outro. Segundos antes, seu coração batia tão rápido que chegou a pensar que fosse sair pela boca e, agora, nem sentia mais os batimentos cardíacos. Era como se uma parte dele tivesse morrido, afinal, Quinn era dona de seu coração e este acabara de ser despedaçado em mil pedacinhos.
A cabeça de Sam latejava e um vazio enorme percorria seu peito. Pensou que enfim tudo se resolveria e poderia chamá-la de “minha” novamente. Infelizmente, não foi isso que acontecera.
Afastava-se aos poucos, ainda com lágrimas nos olhos, chegando até a calçada, onde se sentou e pôs-se a chorar. As pessoas o olhavam como se fosse um louco.
– Sou louco por ela! – gritou. – E, no momento, essa é a pior das loucuras! – completou em sussurro.
Com as mãos sobre a cabeça, puxou-a para dentre as pernas. Um rapaz subiu ao palco e perguntou se havia algum interessado em cantar. Sam viu ali uma oportunidade de mostrar a ela que ele se importava e que não era o babaca que ela provavelmente pensava ser.
Passou a manga da camisa no rosto, de forma que o enxugasse e seguiu até o palco, onde se sentou no piano e respirou fundo. O rapaz que minutos antes convidou os clientes a cantar, questionou a Sam seu nome, mas fora ignorado.
O loiro pensou em uma música que soubesse as notas de cor e lembrou-se de uma que, além de se encaixar no momento, era linda.
Àquela altura, Quinn não estava mais no andar de baixo.
– Provavelmente se agarrando com o babaquinha bonito em algum canto. – murmurou Sam.
Evans olhou para as pessoas na pista, que o encaravam, aguardando o início da música. Enfim, começou a dedilhar as notas de “When I Was Your Man”.
Same bed, but it feels just a little bit bigger now
Our song on the radio, but it don’t sound the same
When our friends talk about you
All that it does is just tear me down
Cause my heart breaks a little
When I hear your name
And all just sounds like ooh, ooh, ooh, ooh, ooh
O rapaz iniciou, atraindo olhares encantados da “plateia”.
Too young, too dumb to realize
That I should've bought you flowers and held your hand
Should've give you all my hours when I had the chance
Take you to every party
Cause all you wanted to do was dance
Now my baby is dancing, but she's dancing
With another man…
Tentava achar Quinn no meio da multidão, mas não conseguia, pois além de a luz que nele focava atrapalhar, o local estava lotado.
A verdade era que a loira havia subido com Josh e os dois dançavam juntos na varanda. O ombro do moreno servia de apoio para a cabeça de Quinn, que apreciava a dança de olhos fechados.
De repente, a loira paralisou.
– O que aconteceu, Quinn?
– Essa voz... – sussurrou.
– É, o cara canta bem.
– Não é isso! Eu conheço essa voz! – alterou seu tom. – É o meu loiro... – sussurrou, espantada.
– Quem?
– Meu ex! – gritou. – Eu preciso descer, desculpe-me, Josh. – correu até a grade que havia no segundo andar, tentando, de alguma forma, vê-lo.
Muita gente estava ali, o que dificultou sua visão. A escada, também lotada, não era mais acesso ao andar de baixo.
Seria ele? Ou era apenas uma confusão de sua cabeça?
– Quinn! – segurou-a pelo pulso, sem intenção de machucá-la, apesar da força depositada.
– O que ele estaria fazendo em NY? Você mesma disse que ele morava em LA.
– Eu sei, mas a voz dele é inconfundível. E ele adora o Bruno Mars, só pode ser ele! – gritou para que o moreno a escutasse no meio da multidão.
Although it hurts
I'll be the first to say that I was wrong
Oh, I know I'm probably much too late
To try and apologize for my mistakes
But I just want you to know
I hope he buys you flowers, I hope he holds your hand
Give you all his hours when he has the chance
Take you to every party cause I remember
How much you loved to dance
Lágrimas começavam a escorrer pelo rosto de Quinn, que olhou de forma “hey, me ajuda” para as meninas sentadas na mesa. A mais alta levantou-se, dizendo:
– Vou tentar ver se é ele, está bem? Já o vi em uma foto e posso identificá-lo.
A garota esticou-se toda, em tentativa de ver quem era o rapaz de linda voz que cantava. Ele levantou o rosto naquele exato momento, mostrando as lágrimas que escorriam.
– Sinto muito, mas não é ele. É um homem barbudo... Não se parece nem um pouco com o da foto.
– Nem um pouquinho? – abaixou o olhar, fitando o chão.
Quinn nunca vira o ex com a barba grande, no máximo, por fazer, pois ela sempre elogiara o rosto lisinho dele. De tanto que pensou nele nos últimos dias, devia estar se confundindo. Voltou para a varanda, onde Josh a esperava.
Do all the things I should've done
When I was your man
Do all the things I should've done
When I was your man
Sam encerrou, agradecendo aos aplausos. Desceu do palco e correu para fora do bar. Ficou a andar pelas ruas de NY, pensando se Quinn o havia visto e nem se quer ido falar com ele.
A loira, que ainda estava em “estado de choque”, encarava o chão, com uma vontade imensa de chorar. Só queria sair dali e hibernar durante uns cem anos...
– Quinn. – chamou-a carinhosamente. – Eu preciso conversar com você. Sei que é um momento não muito bom.
– Péssimo. – pensou.
– Mas é importante, caso contrário, eu não insistiria tanto...
– Claro... Pode falar. – suspirou.
___ o ___
Sam passou no hotel apenas para pegar sua mochila e fechar a conta, a qual o gerente cobrou apenas por uma hora, o que saiu muito barato.
O loiro não aguentaria ficar nem mais um dia em New York. Não podendo esbarrar com Quinn e seu namoradinho a qualquer instante.
Pegou um táxi até o aeroporto, onde tentou comprar a primeira passagem que tivesse para Los Angeles. O primeiro vôo seria apenas às 3h da manhã, sendo assim, deitou-se nas cadeiras, adormecendo em alguns minutos.
___ o ___
Josh e Quinn saíram um pouco antes das meninas, que resolveram aproveitar a pista de dança.
Acomodaram-se em seus devidos lugares e o moreno deu partida no carro.
– Obrigada por ter me contado aquilo. – sorriu.
– Eu precisava, entende? Antes que alguma confusão acontecesse.
A loira sorriu de canto e concentrou-se na paisagem nova-iorquina. Milhares de luzes acesas na cidade que não dorme.
Antes de descer do carro, Quinn abraçou o amigo e deu um beijo carinhoso em sua bochecha.
– Obrigada pela noite, me diverti muito! E boa sorte com tudo! Vou torcer muito, mas muito mesmo por você! – abraçou-o mais uma vez, mas, agora, por mais tempo.
Sorriram. Por fim, a loira deixou o veículo e entrou cautelosamente no apartamento, tomando bastante cuidado para não acordar os amigos, que àquela hora já dormiam.
___ o ___
– Cara, você tá assim desde que eu cheguei... – disse Puck, referindo-se à posição de Sam: deitado no sofá com o rosto enterrado na almofada.
– Me deixe morrer nas mágoas.
– Ih, credo, Evans.
– Eu sou um imbecil.
– Concordo.
O loiro tirou o rosto da almofada e deu um olhar tenebroso para o amigo.
Sam ligara para ele assim que chegou ao apartamento de LA – por volta das 9 horas da manhã — com o intuito de contá-lo sobre o ocorrido. O moreno insistiu em visitá-lo após o almoço e, como prometido, ficou consolando-o desde que chegara.
– Você tinha que ver como ela sorria pra ele... E o babaquinha ainda foi lá e deu uma bela encoxada na minha loira.
– Ah, às vezes, pode ter sido só do seu ponto de vista. Em outro ângulo, ele pode ter dado só um abraço de lado.
– Eu sou imbecil no amor, não na vida, ok?
– Isso não faz sentido...
– Você pode me deixar chorar em paz?
– Não. Levanta! Toma um banho pra melhorar a aparência de defunto e “bora”pra um bar. Lá é cheio de gatinha!
– Eu tô me lixando para as “gatinhas” do bar, Puck! Vou ficar aqui curtindo uma fossa.
– Ah, vai à merda, Sam! Quero te ajudar, cara!
– Eu vou estragar sua noite, vai lá pegar as “gatinhas”.
– Tô de olho só em uma... – sussurrou. – E você vem comigo. Acabou a palhaçada! Como diria nossa querida amiga Santana Lopez, “pode parar com o cu doce!”
Sam não resistiu e soltou uma gargalhada, sendo acompanhado pelo amigo.
O loiro tomou banho e se arrumou rapidamente. Quanto mais cedo fosse, mais cedo voltaria. A blusa azul marinho justa destacava a musculosidade do rapaz, que aproveitou para fazer a barba, causando-lhe um alívio imenso. Detestava ficar com a barba grande por muito tempo.
Os amigos seguiram andando até o bar.
– Por que não me falou que era tão longe? – questionou o loiro esbaforido.
– Deixa de ser fresco, Sam, nem andamos muito. – o moreno retrucou, adentrando o local e sendo seguido por Evans.
Sentaram-se nos banquinhos do balcão do bar, pedindo cada um uma bebida leve.
– Esse lugar é irado! Já toquei aqui algumas vezes.
– Acho que não foi uma boa ideia vir aqui, sabe? Eu reencontrei a Quinn em um bar, a vi com outro também em um bar... O que me espera nesse daqui?
Puck revirou os olhos e deu uma golada no drink. Sam fez o mesmo.
– Olha só quem está aqui. — disse Jennifer se aproximando.
As pupilas de Puckerman dilataram e sorriu abobalhado. A garota dos cabelos cor de mel estava com os fios ondulados e jogados de lado, deixando uma mecha espessa cair nos olhos vez por outra. O batom vermelho sangue ganhava destaque no vestido preto e justo. Os seios turbinados eram expostos no decote generoso.
A garota sentou-se ao lado de Sam e comentou:
– Você não me parece muito bem...
O loiro permaneceu calado.
– Não achei que você fosse de vir a bares. – disse Puck, tentando quebrar o silêncio.
– E quem é você para dizer o que sou ou não? Nem te conheço! Eu hein!
Puck mordeu o cantinho interno da boca, sem graça com o fora levado.
– Jennifer, você pode nos dar licença, por favor? – pediu o loiro, impaciente.
– Ai, Sammy, deixa eu te animar! Você tá muito tristinho. O que aconteceu?
– Foi atrás da ex e quebrou a cara. – disse Puck impulsivamente, esquecendo-se de que a garota era rival de Quinn.
– Então a Quinn te deu um pé na bunda? – riu, sarcástica. – Sabia que isso ia acontecer. Já que ela não dá conta, eu dou. – aproximou-se, fungando no pescoço do rapaz.
Puck mordia-se de ciúmes e bebia o drink rapidamente.
– Vamos esquecer o passado e focar no presente, Sam? A gente podia sair daqui e ir para um lugar mais reservado, o que acha?
– Ótima ideia. Um lugar reservado... O banheiro, lógico. Vou lá. Sozinho.
O loiro deixou o amigo a sós com Jennifer.
– Por que fingiu não me conhecer?
A garota bufou antes de responder:
– Pois de você quero distância.
– Você finge que me odeia, mas eu sei que gosta.
– Ridículo. – revirou os olhos.
O loiro voltou do banheiro e murmurou algo antes de se sentar de volta no banquinho.
– Então, Sammyzinho... Vamos pedir um drink especial para brindarmos?
– Pelo amor de Deus, Jennifer, desgruda!
– Ai, grosso. Só estou tentando te agradar... Que tal um ombro amigo? – abraçou-o.
– Puck irritou-se com a cara de pau de Jennifer e saiu, bufando.
Alguns minutos depois, voltou com Vanessa, uma amiga.
– Deixa eu te apresentar à Van. Sam, essa é a minha amiga Vanessa.
O loiro sorriu, cumprimentando-a com dois beijinhos. A garota tinha cabelos em estilo californiana, lisos. Era magra e alta, o que lhe dava uma bela silhueta. Sam não sabia ao certo se era o salto alto enorme que ela usava que lhe dava a impressão de ser alta ou se ela realmente era. Os olhos claros prevaleciam na pele bronzeada. Ele tinha de admitir, era muito bonita.
Jennifer olhou irritada para Puck, que levantou as sobrancelhas, “desafiando-a”.
Vanessa puxou Sam pela mão e o guiou até uma mesa, onde se sentaram.
– Puck me disse que você precisava de ajuda pra sair das garras daquela garota ali. – disse com uma voz rouca e sexy.
– Valeu.
– Por que o Puck não me disse antes que tinha um amigo tão gato? – brincou. – Eu tive uma leve impressão de que você não está muito contente de estar aqui, acertei?
– Sim. Estou louco para ir embora!
– Então vai, ué! Não adianta ficar com essa cara emburrada num lugar que as pessoas vêm para se divertir. Você tem duas opções: (1) ir embora e ficar deprimido em casa e (2) me permitir te ajudar.
– Que tipo de ajuda?
– Aí depende do seu grau de tristeza.
– E se eu disser que ele é bem alto? – brincou, entretendo-se com o mini guarda-sol fincado em um palito, que estava enfiado no morango do seu drink.
– Já vi que teremos uma longa noite pela frente. – mordiscou o cantinho direito interno da boca, sorrindo.
___ o ___
Puck havia levado Jennifer até um canto do bar, onde Sam não poderia vê-los.
– Por que você apresentou aquela piriguete pro Sam?
– Ei, não fala dela assim, ok? Ela é minha amiga.
– Esse é um dos motivos de eu te detestar... Olha as pessoas com quem você anda!
O rapaz riu sarcasticamente. Com as mãos na cintura dela, puxou-a para si. Colocou a mecha de cabelo cor de mel para trás da orelha esquerda dela e aproximou-se.
– Noah... – suspirou antes de receber uma leve mordida no lábio inferior, embalando-a em um beijo selvagem.
Os dedos da mão direita de Puck puxavam os fios claros de Jennifer, enquanto a esquerda ocupava-se em apalpar o bumbum da garota. Encostou-a na parede e, com certa força, tentava agarrá-la a sua cintura. Tentativa em vão, já que ela conseguiu passar uma das pernas entre as de Puck, acertando-lhe a virilha.
– Ai Pra quê isso? – contorceu-se de dor.
– Imbecil!
– Vai dizer que não gostou? – sorriu maliciosamente, recuperando-se da pancada.
– É óbvio que não! Você me beijou a força!
– “Quando um não quer, dois não beijam!”
– Isso é totalmente ridículo, pois se um for muito mais forte que o outro, o que é o seu caso, e forçar a barra, obviamente os dois se beijarão.
– Para de me enrolar, Jennifer, você não me engana.
– Ai, larga do meu pé! Eu não quero saber de você, escutou? Vai procurar quem te queira! – deu-lhe um tapa no rosto do rapaz. – Babaca!
___ o ___
Sam já havia tomado cinco bebidas distintas, todas alcoólicas e, àquele ponto, estava bem alegrinho.
Ele dançava sozinho ao som de “Pompeii”. Vanessa aproximou-se e sorriu com o jeito desengonçado que ele se movimentava.
– Acho que por hoje chega de beber, Sam. – brincou.
– Você é uma ótima companhia, sabia? O merda do Puck me largou aqui e sumiu.
Riram.
– Eu estou indo embora... Você quer carona? – ofereceu.
– Não é uma má ideia. Acho que não conseguiria ir andando para casa.
– Você acha?! – riu. – Vem. – puxou-o pela mão.
Antes de saírem, Sam jogou uma água gelada no rosto para parecer sóbrio. Caminharam até o outro lado da rua, onde o carro de Vanessa estava estacionado. Foram conversando até o prédio de Sam.
O loiro se surpreendeu com o bom humor da garota, que estava sempre exibindo um lindo sorriso. Tinha de admitir, a ida ao bar nem fora tão ruim.
No meio do caminho, o carro começou a morrer aos poucos.
– Merda! – Vanessa bateu o punho no volante, revoltada.
– O que foi?
– A gasolina... Eu achei que fosse dar, mas pelo visto não.
– Eu vou te ajudar a encostar o carro. Vou empurrar e, quando eu gritar “Vai!”, você pisa no acelerador.
O rapaz saiu do carro e começou a forçar o corpo contra o pequeno carro de Vanessa. Alguns jovens se juntaram para ajudá-los, assim, a garota pôde encostar o carro e ligar para o reboque.
Ela e Sam agradeceram aos rapazes e sentaram-se no gramado de um prédio, aguardando a ajuda chegar, o que não demorou tanto como imaginaram.
O loiro já não estava mais tão bêbado quando o reboque chegou e levou o carro da morena.
Saíram andando pela rua como se não houvesse rumo.
– Eu nem conheço onde estamos... – confessou Sam.
– Acho que se a gente virar aquela esquina – apontou. -, posso me localizar melhor.
A esquina não parecia ser tão longe quando Sam a vira pela primeira vez. Assim que chegaram a outra rua, tudo o que viram foi um local sem saída. Ah, e um motel.
– É... Acho que estamos oficialmente perdidos. – brincou Sam.
– Ai, que vergonha! Desculpa, Sam! A carona foi uma furada... – colocou as mãos no rosto, rindo.
– Talvez não. – aproximou-se, agora de frente para ela, tirando as mãos que cobriam o belo rosto dali e respirando fundo.
O rapaz encarava os lábios rosados da morena, que permanecia parada. Enfim, puxou-a pela nuca, beijando-a.
Não demorou muito para que Vanessa permitisse a passagem de língua e cedesse ao clima.
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