All You Need Is Love
24 Capítulo 24
Notas iniciais
– Você faz isso, Quinn?
– Isso o quê?
– Agarrar as oportunidades. Você seguiu seus sonhos?
– Não... – respondeu cabisbaixa.
– Por que não? – questionou Ashley, adentrando o quarto. – Desculpe, mas não pude deixar de ouvir.
– Acho que por medo...
– Medo da vida?
– Sim.
– Querida, você já enfrentou tanta coisa... Passou por tudo e mais um pouco. Medo de realizar um sonho? Tem algo errado aí!
– Eu sei disso, Ash. Eu sei disso...
– Como experiente na vida, não que tenham o direito de me chamar de velha, okay, mocinhas? A gente só vive uma vez e se formos esperar os sonhos chegarem aos nossos pés, perderemos uma grande parte do nosso tempo. Temos de correr atrás de nossos desejos e agarrar as oportunidades que vierem. Não há um momento certo para ser feliz. Esse sentimento vem aos poucos, quando a gente menos espera.
Quinn mantinha o olhar fixo no chão. Algumas lágrimas escorriam e não pôde deixar de notar que as duas loiras a sua frente faziam sinal para que a irmã de Sam deixasse o cômodo.
E assim a loirinha fez. Inventou que iria ajudar a mãe a arrumar algumas coisas e deixou a tia e a cunhada a sós.
– Pronto. Quer contar o que está acontecendo?
– Sim. – suspirou. – Recebi uma proposta para ser sócia de um amigo em um atelier, ou seja, realizar minha meta dourada...
– E qual a parte difícil em dizer “Sim”?
– E o Sam, Ash? O atelier seria em Nova York, não posso deixar isso arruinar o meu namoro...
– Querida, hoje em dia há tantos meios de nos comunicarmos que um namoro à distância nem fica tão complicado.
– Mas o tempo é muito curto... Se aqui em Los Angeles, devido aos nossos respectivos empregos, a vida já é complicada. Imagina em cidades diferentes!
- O que vou te dizer agora é pra levar por toda a vida, está bem?
Quinn assentiu com a cabeça.
– Não é em qualquer lugar que encontramos um casal que realmente se ama e, quando o amor é verdadeiro, ele será eternamente mantido. Portanto, se você e o Sam fizerem parte dessa categoria, serão felizes juntos. E eu, você, o Sam e o resto do mundo sabemos que vocês se amam verdadeiramente, portanto, não é um emprego em Nova York que irá destruir esse laço.
– De onde você tira tanta sabedoria?
– Da vida, querida.
– Sabe, Ash, eu me pergunto onde está o homem da sua vida! Sério, você é uma mulher sensacional, cadê o rapaz que terá a honra de te amar e ser amado por você?
– Ele já apareceu… Mas também já se foi. – a mulher disse com uma voz triste.
– Mas... – hesitou. – você não disse que quando o amor é verdadeiro, é eterno?
– Sim.
– Desculpa, mas estou confusa.
– Quando eu era pequena, devia ter uns oito anos, um garoto, Paul, se mudou com o pai para a casa ao lado e nos conhecemos quando ofereci ajuda com as caixas de mudança. E, com o tempo, nos aproximamos e ele se tornou o meu melhor amigo. Passávamos a maior parte do tempo juntos. Como o pai do Sam é mais velho, não tinha paciência pra brincar com a irmã pirralha. Eu e ele éramos exatamente como a Stacey e o Stevie, porém eu sou bem mais nova que o Dwight. Enfim, o Paul e eu crescemos juntos e vivíamos na casa um do outro. Eu confiava nele mais do que nos meus próprios pais, sabe? Ele sabia todos os meus segredos e eu os dele. Uma vez, o pai dele viajou e o deixou sozinho em casa. Ele me pediu que fosse fazer companhia de noite e eu fui. Tínhamos uns dezesseis anos, na época. E, mesmo que estivéssemos no auge da adolescência, agíamos como bons amigos. Naquela noite, por algum motivo, ele decidiu me contar sobre a mãe dele. Paul nunca havia mencionado a palavra “mãe” em todos os anos que estivemos juntos. A mãe dele havia falecido no parto e tudo o que ele sabia sobre ela era que a mesma tocava violino de forma que nunca ninguém tocara. Ela tinha um talento especial e demonstrava seus sentimentos na maneira como tocava. Se estava brava, segurava o arco com tamanha força que suas mãos ficavam amarelas ao largar a peça. Se estava contente, tocava delicadamente e procurava exibir músicas mais tranquilas. Isso era tudo o que ele sabia sobre a mãe. Então, ele jurou a si mesmo que tocaria tão bem quanto ela. E, naquela noite, ele tocou pra mim. Lembro-me de ele ter dito “Nunca toquei para uma garota antes. Fico feliz que seja você a menina que está ouvindo”. Depois nos deitamos na cama dele, sem nenhuma segunda intenção. – Ashley contava a história como se estivesse lendo um livro. – Ele puxou meu corpo para perto do dele e olhou profundamente nos meus olhos. Eu podia sentir sua respiração quente no meu rosto. – sorriu. – E, então, me beijou. Meu rosto estava entre suas mãos macias como algodão... E, só então, naquele momento, percebi que todos os “Eu te amo” não eram aqueles do tipo que os amigos dizem, e sim de amor verdadeiro. “Ele me ama”, não conseguia pensar em outra coisa enquanto nos beijávamos. Naquela noite, fizemos amor.
Vivemos um romance incrível durante dois anos. Em seu aniversário de dezoito anos, ficamos namorando no sótão de uma casa abandonada a alguns quilômetros de nossas respectivas casas. Eu estava aninhada a ele, quando me disse “Eu tenho um sonho”. Eu perguntei se seria tocar como a mãe e ele sorriu para o além. “Quero estudar música. Quero poder compreender o poder das melodias e entender a teoria musical”. Passamos um bom tempo conversando sobre sonhos, até que ele disse que precisaria ir para casa, pois o pai lhe dissera que minha família não gostaria de saber que eu poderia estar transando com o meu namorado. – riu. – Então, ele me deixou em casa. Despedimos-nos com um típico beijo apaixonado e aquele abraço que só ele sabia dar... Foi a última vez que o vi. – baixou a cabeça. – O último abraço. O último beijo. Ele sofreu um terrível acidente de carro e faleceu. No dia de seu aniversário. – Ashley tinha os olhos marejados. – O meu amor verdadeiro chegou ao fim, mas, ficamos juntos até o último momento. E, seja lá onde ele está, ainda me ama e o sentimento continua recíproco. – sua camiseta tinha várias marcas das lágrimas que ali caíram. – Bem, te contei essa história para lhe provar: (1) Amor verdadeiro é eterno e (2) não deixe seus sonhos para depois. Pode ser tarde demais. Como foi para o Paul...
– Ash, eu sinto muito por essa perda e desculpa por ter te feito tocar no assunto.
– Não há do que se desculpar, querida. Acho que foi bom ter colocado para fora esse sentimento que me corroeu por tanto tempo. E é por essa história que hoje sou tão ativa e corro atrás dos meus sonhos. Sou feliz, posso dizer.
– Obrigada.
– Por?
– Por essa aula da vida.
Ashley beijou-lhe a testa e deixou o quarto de Stacey. Sam chamou Quinn e disse que estava ficando tarde e que precisavam ir embora. Não estava tarde. Sam apenas queria ter um tempo a sós com a namorada. Despediram-se de todos e seguiram para a casa de Quinn.
A loira olhava pela janela do carro, pensativa.
– Aconteceu alguma coisa? – questionou Sam.
– Não. – mentiu. – Só estou... Cansada.
– Eu te conheço, Quinn. Sei que está me escondendo alguma coisa.
– Agora vai ficar duvidando de mim?! – estava apreensiva e não queria tocar no assunto, muito menos com Sam.
– Não é isso, meu amor. Só quero que você confie em mim para contar de seus problemas. Eu sou seu namorado eu vou te apoiar sempre.
Quinn fechou os olhos lentamente ao ouvir aquelas últimas palavras. “Vou te apoiar sempre”, repetiu mentalmente. Será que apoiaria?
Sam estacionou em frente ao prédio da loira, que deu-lhe um rápido beijo e saiu, sem dizer nada.
– Mulheres... – revirou os olhos.
___ o ___
Terça-feira. Sam detestava esse determinado dia da semana. Por quê? Porque vinha logo depois da segunda. E, normalmente, terça-feira não era um bom dia para ele. Apenas por estar entediado pelo dia anterior.
– Bom dia, senhor Evans. – desejavam os seguranças do local em que o estúdio de Artie se encontrava.
– Terça-feira. – disse o loiro.
Os “homens de preto”, como o loiro gostava de chamá-los, devido ao terno que utilizavam, riram do comentário que Sam fizera.
O loiro dirigiu-se para o escritório de Abrams e bateu cautelosamente na porta.
Assim que a entrada fora permitida, Sam entrou e cumprimentou o amigo.
– Que cara é essa? Eu sei que hoje é terça, mas você não costuma ficar tão pálido...
– Deve ser porque não dormi praticamente nada essa noite.
– Não sabia que tinha insônia.
– E não tenho. O nome dessa doença é Quinn Fabray.
Artie franziu o cenho.
– Ela estava tão fria ontem... Primeiro: quando eu fui buscá-la para almoçarmos, ela me pareceu nervosa por estar ao meu lado. Segundo: quando a deixei em casa, ela me deu um beijo rápido e saiu do carro sem dizer nada...
– Vai ver é só uma TPM básica.
– Não. É diferente... Ela não está irritada, apenas apreensiva.
– Deve ser algum problema.
– E por que ela não me conta nada?
– Às vezes, não quer te preocupar.
– Mas é dessa forma, não querendo me preocupar, que eu fico mais preocupado. E se eu fiz alguma merda, Artie? Preciso descobrir.
– Ok, detetive, mas pode fazer isso quando sair do trabalho, certo?
– Esqueço que é meu chefe... – revirou os olhos, saindo do escritório.
O dia passou incrivelmente devagar para Sam. Por esse e outros motivos que detestava terça-feira. Era sempre a mesma coisa. Nenhuma emoção...
Tentou ligar para Quinn quando saiu do expediente, mas caía sempre na caixa postal.
“Ela está me evitando”, pensou.
Estava anoitecendo e pensou em ir ao apartamento dela. Ela já deveria estar em casa. Porém, o porteiro lhe dissera que a mesma não se encontrava. Se ela estivesse com raiva, era melhor esperar a poeira abaixar para conversarem.
Assim que chegou a seu apartamento, despiu-se da roupa social que vestira para trabalhar e entrou debaixo do chuveiro. A água caía sobre o corpo branco e molhava os fios dourados. Vestiu uma cueca samba-canção já que estava apenas ele em sua própria companhia e deitou-se na cama. Pensava nas mil e uma possibilidades do porquê de Quinn estar evitando-o. Rolou na cama diversas vezes.
Só se acalmou quando recebeu uma mensagem da namorada:
Troquei de bolsa hoje de manhã e acabei esquecendo meu celular em casa, por isso não te atendi mais cedo. Imagino que deva estar dormindo, então amanhã a gente se fala. Durma bem e sonhe comigo, mas não daqueles sonhos do tipo em que não uso roupas, okay? Apesar de eu estar deitada completamente nua na minha cama. Está quente, né?! Boa noite, amor. ♥
Sam sorriu aliviado ao ver quem havia sido o responsável pelo alarme de notificação. Mordeu o cantinho direito do lábio inferior quando leu aquela mensagem safada subentendida.
Discou o número de seu celular e esperou que Quinn atendesse ao telefone.
– Achei que já estivesse dormindo. – ouvir aquela voz doce e meiga após pensar que ela estivesse o evitando era maravilhoso.
– Não estava conseguindo pegar no sono. Hum, é verdade o que você escreveu?
– Que eu deixei o celular em casa? Sim, é verdade.
– Não, sua bobinha! Sobre você estar deitada nua.
– Sim. Tecnicamente, há uma fina camada de tecido sobre mim. O lençol. Acredita que é o mesmo que você viu naquele dia em que quase transamos no meu apartamento.
– Eu não me preparei psicologicamente para um tele-sexo...
– E quem disse que faríamos um? Mas, a propósito, ficou excitado com isso?
– Só de ouvir seu nome já fico excitado.
– Bom saber. Quinn Fabray. – brincou.
– Eu estou falando sério, amor. Você me deixa louco!
– Adoraria que você estivesse aqui, preferencialmente, nu, na minha cama. Provavelmente estaríamos dizendo o quanto nos amamos, para em seguida, transformar o silêncio em uma série de gemidos e urros de prazer. Estou errada?
– N-Não. Certíssima. – sussurrou, os pensamentos eróticos invadiam sua mente.
– Mas, você não está aqui. Então, o que nos resta é dormir. Boa noite, Sammy. – e desligou.
Sam sorriu para o teto. Quinn era incrível. Certo, disso ele sempre soube. Ao direcionar o olhar para o corpo, notou uma ereção.
– Olha só o que você me fez, Quinn Fabray. – disse em voz alta. – Acho que só tem um jeito de abaixar você, amigão. – sorriu maliciosamente e despiu-se.
___ o ___
Passaram-se duas semanas desde o telefonema e o casal pouco se falou durante esse período, pois Quinn estava incrivelmente atarefada no trabalho. Megan não havia conseguido ninguém para ficar no caixa, sendo assim, Margareth ocupava esse cargo, enquanto Quinn atendia diversas clientes ao mesmo tempo. Estava mais sufocante do que o normal. Nunca fora um emprego sensacional, mas durante aqueles dias estava insuportavelmente cansativo.
Era uma sexta-feira de manhã e Quinn dava graças a Deus por ter o final de semana para descansar. Comeu uma salada de frutas rapidamente e seguiu para o trabalho. Margareth já estava lá quando a loira chegou. A colega de trabalho cumprimentou-a com aquela “simpatia” de sempre.
– Soube que a Megan tem alguém para nos apresentar hoje.
– Rezemos para que seja alguém para ficar no caixa.
– Bom dia, meninas! – disse a chefa animadamente. – Quero que conheçam minha sobrinha, Jennifer.
Quinn congelou ao ouvir aquele nome. Virou-se receosamente e deparou-se com ninguém menos que a ex-namorada de Sam.
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