Notas iniciais
Hey, povo! Em primeiro lugar, quero agradecer todo o carinho que vocês tem tido comigo e com a fic. Já faz um mês que "All I Ever Wanted" está sendo postada e esta já ultrapassou os 3 mil acessos. Nunca pensei que teria tanta repercussão. Muito, muito obrigada! E aos meus queridos leitores fantasmas - pelo que contei são onze - apareçam! Nem que seja pra criticar e jogar tomates, eu sobrevivo às críticas e são elas que fazem a história crescer. Como prometido, cá estou com o capítulo. Preparadas? Fiz com muito carinho e espero que curtam. Vamos ter um pouquinho de alegria para GuCília, já que na novela tá osso #MadreSuaMá. E só eu quase morri quando o Gustavo admitiu pra Tia Perucas que pensa na Cecília? *-* Antes que eu me esqueça, uma pequena correção: os olhos da Bia Arantes são azuis e não verdes. Sempre me confundo kkk. Portanto, onde eu mencionei que os olhos eram verdes, leia-se azuis. Outra coisa: sou a maníaca das vírgulas. É uma mania irritante que eu tenho e desde já, peço desculpas por isso. Tento me policiar o máximo que posso, mas a minha vontade é de ir colocando vírgulas a todo instante hahaha. Chega de papo, vamos ao que interessa! o/ Boa leitura!

Gustavo chegou a cidade vizinha no final do dia, quando o sol se punha no horizonte. Por ter alguns empreendimentos em Catarina, o Rei do Café conhecia os principais pontos do município. Por isso, chegar em um hotel na região central não foi uma tarefa difícil. Após fazer o check-in, Gustavo ativou um aplicativo de localização do celular e se pôs a caminho do apartamento de Clarissa. Em poucos minutos, o homem estava na portaria do edifício. Ao descer do veículo, sentiu o ar faltar. A ansiedade o tomava. O que iria dizer?

Ao adentrar no condomínio, Gustavo foi recebido pelo porteiro, que o cumprimentou cordialmente.

— Boa tarde. Estou indo até o 304. Sabe me dizer se a Clarissa está em casa?

— Boa tarde. Como o senhor se chama?

— Claro, me desculpe. Me chamo Gustavo Lários — disse o empresário apertando a mão do funcionário do prédio.

— Então Senhor Gustavo, deve haver algum engano.

— Engano? — o olhar do pai de Dulce Maria se encheu de tristeza.

— Sim, pois o 304 está à venda há pelo menos quatro meses. Talvez a antiga moradora se chamasse Clarissa, mas eu não a conheci. Sou novo por aqui.

— Entendo. Mas será que ninguém conhece a Clarissa? Eu realmente precisava falar com ela... — implorou o empresário.

— Me perdoe, senhor Lários, mas não posso deixá-lo subir. São questões de segurança e ordens dos moradores aprovadas em assembleia do condomínio — respondeu o porteiro, com pesar.

— Tudo bem. Eu lhe agradeço pela atenção. Tenha uma boa noite — finalizou Gustavo, saindo do local cabisbaixo e desanimado. Atônito, o empresário adentrou no carro e saiu sem direção pelas ruas de Catarina.

Enquanto isso, André estava ansioso pelo fim de seu plantão. Apesar de ter trabalhado por quase trinta horas seguidas, o pediatra estava radiante e sem se deixar levar pelo cansaço. Cecília, por outro lado, estava exausta. O expediente na Supreme havia sido mais uma vez cansativo e desgastante. A jovem chegara ao apartamento da irmã decidida a desmarcar o encontro com o médico, mas foi interrompida por essa, que arremessara o celular da mais nova no sofá.

— Você ficou maluca? Eu nem paguei a primeira parcela desse celular! — ralhou Cecília.

— Você é quem deve estar mal da cabeça, sister. Algo me diz que você precisa ir nesse encontro. Vai que o bonitão te pede em namoro? — sugeriu Clarissa, empolgada.

No entanto, a morena sequer esboçara reação com a ideia da irmã. Na realidade, a solidão não era mais uma boa companhia para a ex-noviça. No entanto, o pretendente ideal estava a quilômetros dali, prestes a ser pai novamente. Antes que a tristeza invadisse seu ser, Cecília decidiu ir ao pub.

— Está bem, eu vou. Só porque o André tem sido um amor comigo e eu não quero magoá-lo. E nem venha com esse papo de namoro, porque eu não quero nada disso. Pelo menos, não agora — explicou.

— Você é quem manda, Ceci. Vai logo se arrumar, mulher! Se o gato te encontrar com essa cara de cansaço, vai sair correndo — debochou Clarissa.

A mais nova revirou os olhos e jogou uma almofada na loira.

— Vou tomar banho. E nada de mexer no meu celular, hein?

— Ok, sem problemas sister — disse Clarissa, levantando as mãos.

[...]

Horas mais tarde, André estava se dirigindo ao The Crown para se encontrar com Cecília, momento em que seu celular tocou.

Que droga. Não vou atender.

O telefone tocou novamente.

Só que me faltava.

— Alô?

— Dr. Vieira, onde está? — indagou o Dr. Alex Stevens, um norte-americano naturalizado brasileiro, chefe da pediatria do hospital de Catarina.

— Estou no bairro Paraíso, indo a um compromisso — adiantou o médico.

— Preciso de você em meia-hora.

— Mas como assim? — André estava inconformado.

— Acidente de trânsito, cinco vítimas, três delas são crianças. Os residentes plantonistas não vão dar conta, você sabe.

— Mas Dr. Stevens, eu... — André tentou argumentar.

— A vida destas crianças está em suas mãos. E o mestrado em Harvard, se você abortar, já era. Você é quem sabe — vociferou o homem, encerrando a chamada.

— Mas que inferno! Será que eu não posso ter um pouco de paz? — gritou André, batendo as mãos no volante.

André tentou ligar para Cecília, porém o celular da morena estava fora da área de cobertura.

Odeio ter que te deixar esperando Ceci, mas o dever me chama. Vou continuar tentando até você me atender, pensou o pediatra, ligando a chave do carro e se dirigindo rapidamente ao hospital.

Após alguns minutos de atraso, Cecília encontrara o endereço do pub. Esses aplicativos só deixam a gente na mão. Nem queria vir, bufou a garçonete, travando as portas do carro e adentrando no estabelecimento. Desanimada, a jovem havia vestido as primeiras peças que encontrou pela frente: uma blusa branca e preta, estilo "Peter Pan" e uma saia godê preta, um pouco acima dos joelhos, acompanhados de uma discreta sandália de salto, enquanto o cabelo estava solto e natural.

O local era agradável e tranquilo, como ela gostava. A música ambiente era atual, porém sem maiores agitações. Era o local perfeito para estar com quem se ama, pensou. Antes que a morena se perdesse em devaneios com Gustavo, resolveu sentar-se em uma mesa para duas pessoas que ainda se encontrava vaga. Enquanto aguardava o amigo, Cecília resolveu mexer no celular.

— Vamos ver o conteúdo dessas páginas que a Clarissa me indicou nas redes sociais.

Após alguns minutos acessando o feed de notícias de sua conta, Cecília se deparou com a seguinte matéria:

Menina faz apelo para encontrar antiga professora e viraliza na Web.

A morena sentiu um arrepio percorrer a espinha. Pensou em não acessar o conteúdo, afinal, a ex-noviça lembraria ainda mais de sua amada carinha de anjo, o que a faria chorar novamente. Vencida pela curiosidade, Cecília deu um clique. O link abriu diretamente no vídeo. Segundos depois, a imagem de Juju apareceu na tela do aparelho.

Hello galera, Juju Almeida na área! Tudo bem com vocês? Então, o vídeo de hoje é bastante especial. Vou deixar que a minha amiga Dulce Maria explique melhor pra vocês. Assistam até o final e repassem aos seus contatos, ok?

Cecília começou a suar frio. As lágrimas já brotavam dos olhos azuis.

Oi gente, tudo bem? Meu nome é Dulce Maria e eu sou amiga da Juju. Queria fazer um pedido pra vocês. É que eu estou procurando uma pessoa muuuuuuuuuuuito especial pra mim, que foi embora sem se despedir. O nome dela é Cecília e ela era minha professora favorita do Colégio que eu estudo. Ela me faz muita falta. *Dulce Maria começa a chorar* Ceci, porque você foi embora sem me dar tchau? Eu recebi sua cartinha, mas eu queria um abraço de urso! Por favorzinho, volta! Prometo que juro nunca mais aprontar, nem arrumar confusão! Eu te amo muuuuuuuuuuuitão e eu tô tão sozinha! Volta logo, tá? Um beijo! *Juju reaparece na tela, enxugando as lágrimas* Então gente, recado tá dado. Se vocês tiverem alguma informação da Cecília, deixem um recado aqui embaixo passando o e-mail ou redes sociais pra que a gente converse no privado, ok? Contamos com vocês, né Dulce?*Dulce Maria reaparece no vídeo, balançando a cabeça *Um grande beijo e até a próxima! *Dulce Maria e Juju se despedem e em seguida se abraçam*.

Naquele momento, chorar era inevitável. Discreta, Cecília se dirigiu ao banheiro para se recompor daquela crise. No momento em que virava as costas, um belo homem adentrava nas dependências do bar.

Gustavo não frequentava pubs e barzinhos desde que voltou de viagem, já que Nicole odiava tais lugares, sempre preferindo jantares em restaurantes de luxo das capitais europeias. O pai de Dulce Maria sabia que estar ali sozinho poderia ouvir cantadas baratas e sem sentido de mulheres ansiosas para terem uma nova história para causar inveja nas amigas. Mas precisava relaxar. Por isso, pediu que lhe servissem um drink leve, enquanto ele se acomodava em uma mesa ao fundo do bar.

Depois de vários minutos, Cecília estava aparentemente recomposta. Precisava voltar à mesa, afinal André não merecia ficar esperando tanto tempo ou pensar que ela havia "lhe dado um bolo", como diria Clarissa. Para sua surpresa, sua mesa continuava vazia, apenas com um blazer que ela havia deixado ali para sinalizar que era seu quando André chegasse.

Que estranho.

Cecília conferiu o horário e percebeu que André estava há mais de uma hora atrasado, o que era bastante anormal, já que o pediatra era metodicamente pontual.

Deve ter ocorrido um imprevisto no hospital e ele não conseguiu me ligar. É melhor ir pra casa, Cecília.

Ao reunir suas coisas e se direcionar a saída do pub, Cecília constatou que havia um homem sozinho e triste em uma mesa ao fundo. Ao observar com mais cautela, percebeu que era ninguém menos do que Gustavo Lários. As pernas fraquejaram e subitamente o ar parecia ter sumido de seus pulmões.

Preciso ir embora e agora. O que ele está fazendo aqui?

Diante do nítido nervosismo, ao se apoiar na mesa, Cecília acabou fazendo mais barulho que o habitual, despertando a atenção de Gustavo, que estava mexendo no celular por puro tédio. Instintivamente, os olhares se encontraram. Em fração de segundos, o Rei do Café rumou a mesa de Cecília, que fingiu não reconhecê-lo e continuou seu caminho. Quando a morena ia saindo do estabelecimento, Gustavo a alcançou e a segurou levemente pelo braço. O movimento fez com que eles se encarassem.

— Fique — pediu ele, olhando fixamente naquele par de olhos azuis.

— Preciso ir, Gustavo — gaguejou ela, incapaz de desviar o olhar.

— Por favor — o tom de Gustavo se assemelhava a uma prece.

Cecília suspirou e retornou a mesa em que estava sentada, sendo acompanhada por Gustavo.

— Como está a Dulce Maria? Porque deixou ela se expor tanto? — indagou ela com a voz embargada.

— Expor? Seja mais clara, Cecília — respondeu ele, confuso.

Cecília abriu a bolsa, pegou o celular, abriu o link do vídeo de Dulce Maria e entregou o aparelho ao empresário. Sua reação foi o espanto.

— Eu juro que não sabia disso, Cecília. Tanto é que a Dulce Maria nem faz ideia de que estou aqui em Catarina. Isso só pode ter dedo da Estefânia — deduziu, visivelmente aborrecido.

— Mas por quê ela não sabe?

— Porque eu vim atrás de você — o tom de voz abrandou e ele segurou a mão dela — e eu não quis criar maiores expectativas. Ela está muito triste.

— Eu não queria que isso acontecesse — Cecília retirou a mão sutilmente e continuou a conversar — mas eu precisava ir embora.

— E você achou que indo embora sem se despedir e deixar rastros faria com que a minha filha e as demais pessoas que amam você te esqueceriam?

A jovem abaixou a cabeça, incapaz de responder.

— Fugir não resolve os problemas. Sou prova viva disso — disse Gustavo, tocando o queixo de Cecília gentilmente a fim de que ela o encarasse.

— Estava confusa com os rumos da minha vida. Por isso, vim para cá.

— E você está feliz?

Cecília levou alguns segundos para responder.

Não voltarei para Doce Horizonte. Não posso fraquejar.

— Estou.

O sorriso de Gustavo se iluminou. Ela vai abandonar o hábito.— O que significa que...

— Significa que eu preciso ir — Cecília levantou bruscamente e pegou suas coisas — Diga a Dulce Maria que na primeira oportunidade de folga, eu irei visitá-la no colégio.

— Espere — o braço de Gustavo novamente a segurou, desta vez os deixando ainda mais próximos.

Ante a conversa, Gustavo e Cecília não haviam percebido que o show ao vivo já tinha iniciado. Boa parte dos casais estavam na pista do pub, dançando ao som de melodias populares e românticas.

[Henrique e Juliano — A flor e o beija-flor]

— Dance comigo — pediu docemente.

— Não danço desde os quinze anos. Não lembro — gaguejou ela.

— Você teve uma festa de quinze anos? — questionou Gustavo, surpreso.

— Não. Eu dançava com a minha irmã e fingíamos que era a valsa — confessou envergonhada.

— Volte no tempo, então. Finja que sou seu príncipe.

Novamente, Cecília ficou sem reação. Gustavo lhe estendeu a mão. Rendida, ela estendeu a sua e ambos se dirigiram a pista de dança. A cada estrofe, o casal se aproximava ainda mais. Enquanto isso, os olhos declaravam o amor que um nutria pelo outro, mas que as palavras eram incapazes de descrever.

— Você não faz ideia do quanto é linda — sussurrou Gustavo em seu ouvido.

Um arrepio percorreu o corpo de Cecília.

— Gustavo, eu...

— Não diga nada. Só me promete que nunca mais vai me deixar. Não vou suportar.

Naquele momento, Gustavo e Cecília estavam tão próximos que podiam ouvir o som descompassado de suas respirações. Tomado por um impulso, Gustavo eliminou os centímetros que os separavam e delicadamente pousou seus lábios sobre os da jovem.

Cecília sentiu as forças se esvaírem. O beijo era doce e tenro. A ex-noviça pensou em se afastar, mas instintivamente Gustavo a trouxe para mais perto. Percebendo que era inútil fugir, Cecília se entregou ao momento correspondendo a carícia, que ficou ainda mais intensa. Ao buscarem por ar, ambos voltaram a se encarar com as testas unidas. O sorriso foi inevitável.

— Quanto tempo nós perdemos — ele disse, acarinhando o rosto da amada — Cecília, queria dizer que eu ...

A morena pôs o indicador sobre os lábios do empresário.

Se ele completar a frase, nunca mais vou conseguir me separar dele. E eu preciso.

— Apenas me abrace.

Gustavo a trouxe para perto. E a sensação de seus braços envolvendo-a lhe trouxe uma paz que há tempos não sentia. Recomeço, era a palavra que ecoava em sua mente.

Cecília se sentia plena e segura, apesar de uma ponta de culpa em sua mente. Lembrou do quanto amava a história da Cinderela quando criança. Ciente de que não era uma princesa, apesar de se sentir em um conto de fadas moderno naquele momento, decidira aproveitar cada instante e guardar as lembranças como um tesouro de valor incalculável. Porque ela sabia que em poucas horas, a doçura e o encanto daquela noite acabariam e a vida lhe assombraria com a cruel e dura realidade.

Notas finais
Não sou fã de sertanejo. Tanto que a música que embalaria o primeiro beijo deles seria One, do Ed Sheeran. Maaaaas, quando ouvi a música na novela, tive um estalo e percebi o quanto ela combina com eles. Marília Mendonça, que timbre é esse, mulher? *-* Espero que eu tenha no mínimo, atingido as expectativas de vocês. Mereço tomates? Me digam, estou ansiosa. Um grande beijo!