Aliados do Passado.
4 Capítulo 4 - Vínculos ferrosos
Notas iniciais
Era uma noite fria.
Mas as coisas tinham esquentado em velocidade recorde para Antônio naquele momento.
Camille, uma colega da faculdade que ele achava ter acabado de conhecer, tinha procurado sua boca para um beijo caloroso. A atitude o deixou paralisado, sem saber o que fazer. Suas bocas grudaram por 5 segundos, surpreendendo a ambos. Depois, com Antônio mais calmo, conseguiram se separar.
– O que foi isso?! — Perguntou Camille, num misto entre susto e excitação.
– M-mas que diabos você está... — mal terminara Antônio de falar "está" e Camille, já recomposta do susto e dessa vez mais ousada ainda, o agarrou com força e lhe deu outro beijo, mais apaixonado e firme, dessa vez com língua e tudo, aproveitando a boca aberta do rapaz.
Antônio mal conseguia acreditar no que lhe estava acontecendo ali. Suas bocas novamente ficaram grudadas Aos poucos, o susto foi dando lugar à excitação e ao prazer do momento. Começou a se esforçar para ter alguma compostura e responder à altura, proporcionando a Camille certo prazer. Ao redor deles, as luzes piscavam pelo fato de Antônio estar com as emoções à flor da pele.
Quando se deu conta de toda a situação em torno do beijo, sua bermuda já não conseguia mais esconder um certo volume que ali se formara. E, para piorar, Camille, agarrada a ele, também percebeu. Quando finalmente sentiram necessidade de respirar, os dois se separaram, e Antônio cambaleou para trás.
O beijo havia sido muito excitante, mas sentiu-se envergonhado pelo volume em sua bermuda, o que o deixou nervoso. No nervosismo, o óculos de Camille voou em direção à testa de Antônio, dando a Camille outro susto, mas ao mesmo tempo lhe levando a dar um pequeno risinho.
– Por que você fez isso?! — perguntou um admirado mas ainda incrédulo Antônio.
– Ué, você não gostou? — perguntou Camille, maliciosamente.
– Claro que eu gostei, mas... Por que você fez isso?! — repetiu Antônio.
– É meu agradecimento. Uma recompensa.
– Agradecimento? Pelo que?
– Você salvou minha vida, Pádua. Não lembra?
– Salvei? Mas espera... Não pode ser! Você é a... — logo, Antônio se lembrou da menina que estava sendo ameaçada pelo ladrão.
– Sim. Sou eu. Eu era a garota a quem você salvou das mãos daquele ladrão. Assim que te vi, te reconheci imediatamente. Você, com essas coisas estranhas acontecendo ao seu redor, não é o tipo de cara que eu esqueceria tão facilmente, ainda mais você tendo me salvado, não é? — explicou Camille, calmamente.
– Entendo... — disse Antônio, agora mais calmo e ciente do porque daquela situação.
– Bom, acho que, depois dessa situação toda, acho melhor irmos tomar um café. Me acompanha? — convidou Camille.
– Hum... É, claro. Vamos! — aceitou Antônio com bastante gentileza.
Os dois, então, foram andando juntos até uma lanchonete da faculdade. Como os corredores eram longos, tiveram tempo para conversar, mas pouco falaram.
Ali chegando, sentaram-se confortavelmente à uma das mesas disponíveis, um de frente para o outro. Chamaram o garçom, e Camille pediu duas xícaras de um café bem encorpado.
Camille aproveitou para verificar seu material de estudo, a fim de saber se estava tudo ali. Antônio aproveitou para novamente admirá-la e também se vangloriar pela sorte que tivera. Aquela era realmente uma garota lindíssima e, se ele não a conhecesse de forma alguma, certamente acharia que era mais uma patricinha, daquelas que só se interessam por caras saradões e bombados.
Nisso, sentiu uma mão agitando-se na sua frente. Era a mão de Camille.
– Terra chamando! — disse Camille.
– Ah, o que? — Indagou Antônio, indicando que estava perdido em seus pensamentos. Camille riu gostosamente.
– O café chegou, cara.
– Ah! Que vacilo! — Os dois riram, e começaram a tomar o café e, entre um gole e outro, começaram a conversar.
– No que estava pensando, gatinho? — perguntou Camille, deixando Antonio ruborizado. Afinal, "gatinho" não era o tipo de alcunha ao qual o rapaz estava familiarizado, definitivamente.
– A-ah, nada — mentiu Antônio. — Na verdade, estava pensando... Em como as coisas aconteceram desde que nos conhecemos. Foi tão esquisito... — Mentiu novamente, mas de fato, antes disso tudo, o rapaz estava bastante concentrado em seus próprios pensamentos sobre tudo o que tinha acontecido depois de Chernobyl.
– Pois é... Concordo, foi tudo muito esquisito, ainda mais considerando as circunstâncias em que nós nos conhecemos. Como você conseguiu esse... Esse "poder"? — perguntou Camille, e Antonio rapidamente mudou sua expressão em razão da pergunta. Agora estava sério.
– Pra te dizer a verdade, eu não faço ideia... Também não entendi como eu consegui parar aquela bala. Eu não conseguia me controlar, só sei que no começo eu queria muito tirar a arma da mão dele, queria saber se havia uma forma de nos tirar daquela enrascada... É um assunto que não me escapa ao pensamento... — explicou calmamente o rapaz.
– Entendo. Eu fiquei com muito, muito medo, achei que fosse morrer, com aquele ladrão me apontando a arma o tempo todo. Depois, você apareceu e tentou me proteger. E aí aconteceu toda aquela coisa maluca, você parando uma bala, depois as luzes piscando e depois pifando... Depois que tudo aconteceu, eu só conseguia chorar... Um medo gigantesco e toda aquela tensão me roubaram as lágrimas antes... Mas quando você me abraçou, me senti bem mais segura. — disse Camille, deixando Pádua novamente ruborizado.
– Bom, eu... Não sei bem o que dizer. Só posso dizer que fico satisfeito que tudo tenha ficado bem e nós, sãos e salvos — disse Antônio.
– É verdade — concordou Camille. — Bom... Já está ficando tarde. Que tal pagarmos o café e irmos juntos até a parada de ônibus?
– Ah, sim! Vamos. — concordou Antônio. Os dois foram até a atendente no caixa da lanchonete e pagaram pelas xícaras de café.
Quando iam saindo, Camille disse:
– Você quer jantar na semana que vem?
– Que? Você tá me chamando pra sair?
– É, estou. — disse Camille. Pádua corou, mas não perdeu a compostura.
– Ah... Sim, sim, podemos sair. — responde Pádua.
– Mas você escolhe o restaurante, sim? — disse Camille.
– O.K. — disse Pádua, meio sem jeito.
E saíram dali rumo à saída da faculdade. Camille entrelaçou seu braço esquerdo no braço direito de Pádua e, pela enésima vez naquela noite, deixou-o ruborizado. Mas diferente das outras vezes, em que se sentira confuso e cambaleante, agora ele se sentia mais tranquilo e, principalmente, satisfeito por tê-la ao seu lado.
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