Aliados do Passado.
3 Capítulo 3 - Encontro Inesperado
Notas iniciais
Antonio estava indo para a faculdade. Fazia tempo que não aparecia lá. Precisava se atualizar. Antes, porém, passou num fast food. Estava morrendo de fome. Pegou um hambúrguer e um refrigerante. Depois, foi correndo para tentar pegar o ônibus, caso contrário, se atrasaria.
O ônibus demorou um pouco. Antonio nem notou, porque sua mente estava um turbilhão de pensamentos. Sobre a conversa que teve com Juh. O que aconteceu na segunda feira. Havia parado a bala e quase matou a garota no processo. Aquilo o perturbou. O que deixava Antonio mais revoltado, era não conseguir lembrar o rosto da garota. Tentou relembrar como ela era. Fechando os olhos, Antonio murmurou:
– Bom, ela... ela... – Ele não conseguia. Era como se o rosto dela não existisse. Algo oculto.
No momento seguinte, abriu os olhos e viu que seu ônibus estava chegando. Estava vago, o que era uma sorte. Antônio detestava ônibus lotados. Embarcou no ônibus e tomou um assento na parte de trás, sem passar pela catraca. Como o ônibus estava vago e aquela linha, naquele horário, não costumava pegar muitos passageiros, viu que poderia ficar tranquilo e que poderia deixar para passar depois pela catraca. Chegar na faculdade, pois, não deveria ser uma tarefa difícil.
Confortável em seu assento no ônibus, Antônio pôs-se a pensar novamente. Pensou em sua amizade com Juh, como ela havia começado.
Como Juh era uma vampira, ela teve de fazer um pacto com Antônio para que os dois fossem amigos. Um pacto de sangue. Tradição existente desde tempos imemoriais para os homnis nocturna. Tradição que restringe uma relação entre um vampiro e um humano a uma mera amizade. O vampiro sob este pacto obriga-se a conviver com esse humano sem tentar beber seu sangue. E também não poderia matá-lo.
Quando se deu conta de onde estava, viu que faltavam apenas dois pontos de paragem do ônibus para que chegasse à faculdade. E, como havia chegado lá com antecedência de meia hora, não teria problemas para assistir a aula.
Desceu do ônibus. Atravessou a avenida e chegou à entrada do campus da Universidade. Uma beleza, aquele lugar. Infestado de felinos que ali viviam sob os cuidados dos graduandos da Medicina veterinária, o lugar aqui e acolá cheirava a urina e fezes de gato, mas era espaçoso, então esses odores podiam ser evitados sem muito esforço. Caminhar ali para os lugares vitais, porém, era um pouco complicado, pois eram distantes uns dos outros, pois o campus realmente era muito grande e espaçoso.
Chegou ao bloco do seu curso faltando 15 minutos para a aula, mas o professor Xavier ali já estava. Antônio adentrou a sala e colocou seu chapéu e bengala numa das cadeiras, mas não escondeu a surpresa ao ver que seu professor já estava no recinto.
– Que surpresa vê-lo por aqui tão cedo, meu caro professor — diz Antônio com sinceridade.
– Pois é, Pádua. Aproveitei que estava de bobeira nessa tarde e vim para cá esperar pelos alunos mais cedo, para que possamos começar a aula no horário previsto. — diz o prof. Xavier.
– Entendo. — diz Pádua.
Os dois começaram a conversar sobre todo o conteúdo visto até aquele momento no semestre e nisso, os 15 minutos restantes até o começo da aula passaram voando. Às 17h em ponto, o professor chamou todos os alunos para a sala. A aula duraria 1h30min.
Decorridos 1h20min de uma discussão bem acalorada sobre a arte renascentista no século XVI — da qual Antonio participou ativamente, para desopilar a mente — o professor começou a passar pela sala a lista de frequência. Todos assinaram.
Dez minutos depois, Charles Xavier liberou a turma e Antônio foi o primeiro a sair. Não sem antes, porém, cumprimentar o professor com um aperto de mãos e sair. Alguns dos outros alunos tinham assuntos acadêmicos a tratar com o professor e ficaram.
Fora da sala, Antônio não pensou duas vezes antes de tomar um caminho pouco utilizado na universidade para chegar mais rápido ao corredor principal, que levava à saída. Nisso, nem percebeu que vinha alguém na sua direção e que essa outra pessoa estava perdida em seus pensamentos. Era uma menina. Não deu outra: Os dois se esbarraram.
Chocada pelo desencontro, a menina falou:
– Aiii, desculpa! Eu te machuquei??? — perguntou a menina, num misto de preocupação e culpa.
– A-Ah, não... Fique tranquila, estou sussa. — disse Antônio.
O jovem Antônio olhou melhor para o rosto dessa menina. Era a face mais bela que ele jamais havia visto antes. Cabelos cacheados, pele morena e um óculos que lhe realçava a expressão do olhar de forma magistral.
– Deixa eu pegar suas coisas que caíram no chão. — disse um prestativo Antônio. Nisso, a menina percebeu que ele estava empunhando uma bengala e disse:
– Não, pode deixar que eu pego. — disse a menina.
– Ah, você está preocupada comigo por causa da bengala, não é? Fique tranquila, uso somente porque gosto. — disse Antonio.
– Mesmo assim, deixa eu te ajudar. Também contribuí pra ocorrência desse infortúnio — nisso, a menina ajudou a pegar suas coisas no chão.
– A propósito... Qual é seu nome? — perguntou Antônio, curioso.
– Ah, sou Camille, muito prazer. — respondeu Camille, agora calmamente — e o seu, qual é?
– Ah, meu nome é Antônio — nisso, o rapaz pegou a mão direita de Camille e deu-lhe um beijo — encantado.
Camille ruborizou um pouco, mas não perdeu a compostura.
– Hum... Vejo que é galanteador — disse Camille, deixando Antonio com um pequeno rubor.
– A-ah, obrigado, hehehe — agradeceu Antônio, meio que sem jeito.
– Bom, agora eu vou para a minha aula. A gente se vê por aí, Antônio. — disse Camille.
Nesse ato, Camille fez parecer que iria beijar a bochecha de Antônio, mas procurou sua boca. E beijou-a, sem muita cerimônia. O rapaz paralisou de nervosismo.
– Como assim? — pensou.
Ficaram assim por 5 segundos. Camille, então, tentou se desmembrar da boca do rapaz, mas não conseguiu. Os dois estavam presos um ao outro.
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