Aliados do Passado.
2 Capítulo 2 - Muitas perguntas, poucas respostas
Notas iniciais
– Legal, preciso falar com a Juh. Mas não tem como – Frustrado, ele se joga na cama. – Mas como vou fazer isso? – Diz Antonio mordendo o lábio inferior.
Ele fica se revirando na cama. Precisa urgentemente falar com ela, mas aonde Juh podia estar? Ela sempre anda por aí, sem rumo. Raramente esta em algum lugar fixo.
O que aconteceu ontem. Fica indo e voltando da sua mente. Ele não sabe se aquilo foi um sonho, ou real. Como ele, Antonio de Padua, pode ter parado uma bala? Como? Aquilo o incomodava. Tentava raciocinar o que aconteceu. Mas não conseguia. Era algo surreal. Quando voltou pra casa, chorou. Não por ser fraco, mas de medo. Poderia ter matado aquela garota. Ele não entendia. Aquilo o chamou. Deixou em transe. Antonio nunca andou por lá, como sabera andar tão bem? Como ele pode ir de encontra a garota, sem ao menos conhecer o lugar? Aquilo o deixava mais e mais confuso.
– Pensando no que vai comer? – Antonio se assusta. Estava tão concentrado nos seus pensamentos, que nem percebeu que a Juh entrou pela sua janela.
– O que faz aqui? – Pergunta Antonio assustado.
– O que eu faço aqui? – Revirando os olhos, Juh coloca a mão na cintura. – Você pediu pra eu vim. – Juh senta no parapeito. — Não se lembra?
Antonio a encara desconfortável. Juh percebendo, pergunta:
– Que foi Padua? – Raramente Juh o chama de ‘‘Padua’’
– Nada. – Antonio tenta disfarçar o nervosismo. – Por que você acha isso?
– Bom, porque o conheço bem? – Juh levanta a sobrancelha. – Anda, desembucha logo.
Antonio hesita no começo. Mas no fim fala. Tudo veio á tona. A sensação em Chernobyl. Como sentiu uma necessidade em ir naquele beco. Como parou a bala. Contou tudo, deixou a pedra de lado. E sobre abraçar a garota. Não achou necessário.
– Então, você simplesmente para uma bala? – Juh cruza os braços. – É meio impossível, não?
– O que você pode falar de impossível? – Pergunta Antonio um pouco irritado. – Você é um vampiro. – Falar essa palavra ainda o deixa com calafrios.
Antonio ainda sente calafrios, porque ainda lembra como conhecera Juh.
Era uma noite fria. Um parque de diversão chega a sua cidade. Ele decide ir, só pra esfriar a cabeça. Naquela época tinha 14 anos. Sofreu seu primeiro fora. Como queria ficar sozinho, optou em ir à roda gigante. Lá encima era calmo e quieto. Até que foi divertido pra ele. Ficou olhando o movimento, os outros brinquedos. Lá de cima, era capaz de ver sua casa. Estava indo tudo bem, até ele olhar para um canto escuro do parque. Tinha algo brilhando, como... Como uma pequena lanterna, e tinha algo se mexendo. Parecia ser um animal. Quando a roda gigante parou, não pensou duas vezes. Foi até esse beco escuro. Chegando lá, escuta uns gemidos baixos. Não dava pra saber direito, estava escuro. Curioso, foi chegando cada vez mais perto. Quando chegou perto suficiente, solta um pigarro. O animal era uma coisa parecida com um ser humano, comendo um pássaro. Segurou pra não gritar, mas já era tarde demais. A coisa, que se parecia com um humano, já estava encima dele. Os dentes a mostra.
– O que você esta fazendo aqui? – Rosna a coisa. – Eu podia mata-lo.
– O... O que... É você? – Pergunta Antonio gaguejando.
– Você não sabe? – Sorri a coisa. – É tão fácil. Sou um vampiro.
A ficha não caiu no começo. Um vampiro. Era possível isso? Antonio não queria esperar pra obter a resposta. Só pensava em correr. Só que a coisa, não o deixava.
– Espera garoto. Quem disse que eu deixo você ir? – Pergunta a coisa sorrindo.
– Você... Vai-me... Matar? – Pergunta Antonio com a voz tremula. Odiava ficar assi
– Te matar? – A coisa solta uma gargalhada. – Não, vou poupar sua vida. – Antonio suspiro de alivio. – Só que com uma condição. — Se torne meu amigo. – A coisa sorri de novo. Desde daquele dia, eles são amigos.
– Olha, descobriu America. – Juh solta um sorriso malicioso. – Mas pense bem. Como assim você para uma bala? Como assim você anda por um lugar que você mal conhece?
– Não sei explicar. – Responde irritado. – É como... Como eu conhecesse tudo. Como se sempre fui lá. – Ele respira fundo. – E parar a bala... Foi algo fora do normal. Aquilo me deixou hipnotizado. E...
– Como você faz isso? – Pergunta Juh. Antonio olha confuso. – Como você faz pra controlar isso?
– Isso o que? – Pergunta Antonio confuso.
– Isso. – Juh tenta imita-lo parando a bala. – Parar a bala.
– Não sei.
– Como não sabe? – Pergunta Juh irritada. – Você devia saber.
– É, eu devia saber. Mas não sei. – Responde Antonio no mesmo tom
– O.K, nada de discussão. – Juh sai do parapeito e senta numa cadeira em frente a Antonio. – Mas enfim. Você já sentiu algo estranho?
– Sim. – Antonio olha fixo pra Juh.
– Quando? – Pergunta Juh. Antonio se sentia desconfortável. Aquilo o amedrontava muito.
– Desde Chernobyl. – Antonio olha fixo para a parede.
– Bom isso pode ter uma explicação razoável, não? – Perguntou Juh. Antonio só concorda com a cabeça.
Antonio estava concentrado nos seus pensamentos. Ele só conseguia pensar na pedra... O brilho chamativo. Queria trazê-la pra casa. Antonio não sabia o porquê, mas simplesmente precisava da pedra. A vontade só piorara, quando pegara a pedra na mão. Nada existia. Só ele e a pedra. Aquilo o hipnotizou, o chamou para...
– Entendeu? – Juh pergunta séria. Tirando-o do devaneio.
– Ah, sim. – Mente Antonio.
– Bom, por que você foi pra Chernobyl?
– Sei lá. Deu-me vontade. – Responde Antonio desinteressado.
– Vontade? – Juh levanta uma sobrancelha. Sempre faz isso, quando desconfia de algo. — Você é o maior pão duro, que eu conheci. Você não compra um chiclete do Dragon Ball, porque custam dez centavos. – Se espreguiçando, solta um sorriso irônico. – Anda, fala logo, que motivo você foi pra lá.
– Realmente, teve um motivo. – Responde Antonio irritado. – Meu professor, organizou um sorteio, e o premio era ir para Chernobyl. E eu ganhei.
– Quem organizou? Foi o tio Charles? – Pergunta Juh, com um pouco de curiosidade.
– Sim, foi... – Antonio a olha surpreso. – Tio Charles?
– Sim, tio Charles. – Responde, Juh como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
– Você conhece o professor Charles Xavier? – Antonio não conseguia acreditar.
– Claro. Ele é mutante, faz parte do submundo. – Juh sorri maliciosamente.
– Por que você não me contou? – Pergunta Antonio, com raiva e curiosidade, ao mesmo tempo. Juh revira os olhos.
– Pelo simples fato de você não participar do submundo?
– Mas, me contasse quem era. – Argumenta Antonio irritado.
– Quantas vezes vou ter que dizer? – Pergunta Juh irritada. – Eu sou a líder do principal clã vampiresco do Brasil. Mando quase em todos os vampiros. Sou importante no submundo. – Juh fica ríspida. – Lá tem várias regras. As quais, até eu devo respeita-las. E uma dessas regras. É não revelar sobre os integrantes. Que me inclui. – Antonio escuta tudo quieto. Com um pouco de raiva. Conhecia esse discurso de cor. Cansado, ele responde com deboche:
– ‘‘Eu me arrisquei quando contei sobre mim. ’’ – Antonio imita Juh falando. – Mas, já que não pode contar sobre os integrantes do submundo. Por que você contou sobre o ‘‘Tio Charlie’’? – Antonio enfatiza essa palavra de propósito.
– Bom, pelo jeito. Agora você faz parte do submundo. – Juh sorri mostrando as presas. Deixando Antonio um pouco constrangido. – Mas voltando ao foco. Você ganhou uma viagem pra lá? – Antonio assentiu. – Você foi lá, andou pela linda cidade abandonada. E cabum. – Juh levanta os braços para cima, em sinal de uma grande explosão. – Ganhou esses poderes? – Antonio concorda com a cabeça. – Só isso mesmo? – Antonio hesita, mas depois assenti. Juh não acredita. – Só isso mesmo Antonio de Padua?
– Sim Juliana. Só isso. – Responde Antonio irritado. Ele odiava quando ela fazia isso. Repetir várias vezes a mesma pergunta. – Não tem mais nada. – Juh levanta a sobrancelha, de novo.
– Esta bem. Você agora esta estranho. E possivelmente, pode ser um mutante. – Juh o encara sério. – Mas voltando à questão da garota. Você se lembra de algo? Tipo, sobre a garota? – Antonio olha confuso. – Se ela era alta, baixa. Magra, gorda etc.
– Cara, eu quase a matei. – Diz Antonio irritado. – E você se preocupa com a aparência dela?! – Grita Antonio. – Qual é o seu problema?
– Nenhum! – Responde Juh no mesmo tom. – É só que. – De repente, Juh parecia esgotada. – Deixa pra lá.
– Juliana. Aconteceu alguma coisa? – Pergunta Antonio preocupado.
– Já mandei você parar de me chamar de Juliana. – Responde Juh irritada. – Eu não tomo sangue faz uns quatro dias.
– Ah. – Antonio parece realmente preocupado. – Se você quiser... Pode beber meu sangue. – Antonio deixa exposto o pescoço.
– Você sabe que não tomo sangue humano. – Juh estava ríspida. – Você sabe da maldita promessa que eu fiz pra você.
– Nunca beber sangue humano. – Murmura Antonio.
– Parece que você não precisa mais de mim. – Juh vai em direção à janela. – Vou indo. Tchau. – Nisso, ela some.
Antonio estava se sentindo péssimo. Ofendeu a Juh quando mostrou o pescoço. Ela tentava ao máximo não beber sangue humano. E ele faz isso? A cabeça de Antonio estava a mil. Se jogou na cama. E mais uma vez. Tenta dormir.
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