Alem Da Vida
1 Boas noticias? PÉSSIMAS noticias!
Eu era feliz. eu realmente era, lembro-me muito bem das risadas, das brincadeiras, do amor, pena que naquela época eu não sabia dar valor as coisas que eu tinha, muito menos a minha família, eu com apenas 7 anos pensava que família era perda de tempo. A unica coisa que me agradava fazer juntos era ir a praia, o resto, pouco me importava.
Eramos em quatro, eu, minha irmã mais velha, meu pai e minha mãe. Todo mundo dizia que era um xerox da minha irmã, cabelos caramelos e crespos, olhos verdes escuros, altas, a unica diferença é que ela era bonita, eu era meio desengonçada, pelo menos ate meus 13 anos. Minha irmã, Clarisse, era a pessoa que eu mais amava na minha vida, largava tudo, festas, idas ao shopping com as amigas, tudo, só pra ficar comigo, ela era apenas 4 anos mais velha do que eu, e ela cuidava de mim como se fosse de ouro. Ela dizia que eu era.
Meu pai, Elio, era um cara alto, tinha cabelos loiros e crespos, olhos verdes. Minha mãe costumava dizer que quando eles se conheceram ele era modelo, ele ria, ria muito, dizia que era a coisa que mais abominava no mundo. Ele era um cara sempre sorridente, vivia por minha irmã e por mim, aos meus olhos ele não tinha algum defeito. era perfeito, pena que hoje eu sei que ninguém e perfeito.
Minha, Vitória, mãe era baixinha, nunca perguntei, até porque nunca me interessei, mas acho que ela deveria ter uns 1,63m no minimo, tinha cabelos pretos, com alguns fios grisalhos, lisos, olhos castanhos escuros, tão escuros quanto a noite. Ela era linda assim como Clarisse. Depois de minha irmã ela era a pessoa que eu mais amava na mundo. Ela era incrível, sempre me contava historias antes de dormir, brincava comigo e com minha irmã, ele fazia de tudo para ser a melhor mãe do mundo. Eu pensava que ela era.
Minha vida era perfeita, todos nós viviamos juntos, eu não gostava muito disso, mas mesmo assim agradecia por ter uma família que me amava, quando eu tinha 9 anos, nossos pais nos chamaram até a sala disseram que tinham algo importante para contar. Eu e Clarisse ficamos imaginando o que poderia ser, um irmãozinho novo talvez, quem sabe iriamos viajar. Quando chegamos cozinha lá estavam eles sentados um do lado do outro na mesa de jantar, assim como faziam todas as noites, como de costume eu e Clarisse nos sentamos na frente deles. Mas eles não aparentavam estar muito felizes.
''Meninas, talvez seja difícil'' Meu pai começou a dizer '' Sempre é, na vida nem tudo é como queremos e as vezes algumas coisas tem que mudar''.
Minha mãe permanecia calada, olhando para a janela em sua frente, provavelmente nem estava escutando a conversa, como de costume tinha deixado tudo nas mãos de meu pai.
''Eu e mamãe conversamos, e decidimos que seria melhor para todos nós, se eu fosse morar em outra casa'' Ele continuou '' Nada vai mudar eu vou continuar vendo vocês, apenas irei me mudar''
''Vocês vão se separar?'' Clarisse perguntou.
''Sim meu amor, mas nada vai mudar! Eu já disse isso?'' Meu pai deu um pequeno sorriso
''Onde você vai ficar?'' A essa altura eu não sabia como Clarisse conseguia falar.
''Na casa da vovó, vou ficar lá ate conseguir um novo apartamento, e quando eu compra-lo as primeiras pessoas a irem visita-lo serão vocês duas!'' Ele disse ainda sorrindo.
Meu pai e Clarisse ficaram conversando sobre como iria ser nossa vida daqui pra frente, a semana passaríamos na casa da mamãe e os fins de semana na casa da vovó com o nosso pai. Eu fiquei olhando para a minha mãe, ela nem sequer olhava para mim, simplesmente me ignorava e continuava olhando para a janela, como se nada tivesse acontecendo. Meia hora depois minha mãe finalmente disse.
''Bom, acho que está na hora de vocês duas irem pra cama! Já são 22:30, está ficando tarde!''
''Mas e o papai?'' Acho que fui eu que disse
''Amanha ele ainda vi estar aqui e levar vocês para o colégio, agora subam, Boa noite! Eu amo vocês!''.
Uns dois meses depois, minha mãe finalmente criou coragem e nos apresentou seu novo namorado, Otávio, ele parecia o pai do Willly Wonka, se você não sabe quem é, pesquise no Google. Na época eu não sabia que esse homem tinha sido a razão pela qual meus pais se separaram. No inicio ele parecia legal, um homem gentil, sábio, as vezes estranho, mas eu e Clarisse tínhamos aprovado ele. Burrice nossa.
No meu aniversario de 14 anos, minha mãe chamou algumas pessoas da família e fez uma pequena ''reunião''. Enquanto todos discutiam como iria ser a minha festa de 15 anos (o que eu achava desnecessária, porque isso tudo não passava de uma futilidade inútil). Foi quando Otávio me chamou para que focemos ate a cozinha pegar o meu bolo, o que eu achei estranho pois não sabia que tínhamos comprado um bolo. No entanto ele me levou para o lado oposto, ele me levou até meu quarto, lé ele fechou a porta e disse:
''Não sabe quanto tempo eu esperei por isso''
Eu queria gritar, eu ia gritar, mas ele tapou minha boca com uma especie de fita, me amarrou na cama, e começou a tirar a calça, meu coração estava batendo forte, eu estava gritando mas o som não saia, eu estava desesperada, comecei a rezar, foi quando ele disse:
''Eu gozo rápido, então ninguém vai desconfiar da demora, e enquanto ao bolo, eu arranjo uma desculpa na hora. E você não irá contar para ninguém sobre isso, ou terei que tomar umas medidas . Nada demais eu diria.Preparada?''
Eu queria encher ele de pancada, mas não ia dar certo porque eu estava amarrada e também porque nunca tinha batido em ninguém, quando ele ia enfiar, minha irmã entrou no quarto, não sei se foi sorte ele não ter trancado a porta, mas que foi uma benção, ah isso foi!
''Que porra é essa aqui?'' Ela falou baixo pra ninguém ouvir
''Que porra é essa? Que modos são esses?'' Ele disse
''Larga a minha irmã agora e se veste agora, antes que eu chame a policia!''
''Calma, calma, eu não ia fazer nada de mais!'' Ele botou a roupa e saiu do quarto me deixando amarrada junto a minha irmã
Clarisse me soltou, enxugou as minhas lagrimas, me abraçou e disse que tudo iria ficar bem, que iriamos contar para a nossa mãe e que tudo ia se resolver.
''Agente não pode! Esse cara é um psicopata, ele... ele...'' Eu não consegui terminar a frase. Depois disso só lembro que ela me pôs pra dormir como se tivesse 2 anos.
Agora aqui estou eu, sendo obrigada a conviver na mesma casa com o mesmo cara que tentou me molestar a dois anos atrás, sendo obrigada a comer na mesma mesa que ele e tendo que carregar um fardo preso nas minhas costas. Cada vez que olho para ele e me manda um sorriso malicioso o que me faz ter muita vontade de socar a cara dele, ou vomitar, e me lembro daquele dia, um dos meus piores aniversários eu diria.
''Mari?'' Minha irmã me chamou, eu não queria responder eu estava vendo as fotos da minha viagem pra a Europa (eu consegui negociar a viagem pela festa, deixei minha mãe muito decepcionada, mas era o que eu queria), e ouvindo Come away to the water, uma das minhas musicas favoritas. ''MARI?'' Ela gritou, dessa vez não tinha como não ouvir
''Oi!?'' Eu disse o mais meigamente que consegui
''Lembra do tombo que você caiu no Parthenon?'' Ela me perguntou olhando para a nossa foto em frente ao monumento
''Como poderia esquecer? Você ralou o joelho aquele dia tentando naquele morro''
''Aquele dia foi o melhor de toda a viagem, as vezes eu quero voltar pra lá'' Ela disse olhando novamente para a foto
''Eu também!'' eu disse '' Mas o que te trouxe ao meu lindo santuário?''
''Provavelmente, minhas pernas'' Nos rimos um pouco ''Hora da janta''
Eu costumava a gostar da hora da janta, mas depois que o Otávio começou a sentar todos os dias no lugar do meu pai, passou a ser uma tortura, e acho que para Clarisse também. Descemos a escada o mais devagar possível, não sei muito bem o porque mas agente foi bem devagar. Ao chegarmos na sala de jantar lá estava ele, na cadeira do meu pai, comendo estrogonofe como se fosse um porco.
''Temos uma coisa importante para falarmos pra vocês, meninas!'' Minha mãe disse, e naquela hore eu desejei profundamente que ela fosse dizer que eles iam se separar , mas não foi isso que ela disse, foi algo muito pior, algo que eu nunca desejaria ouvir ''Eu e Otávio vamos nos casar!''
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