Alem Da Vida
2 Recebo um convite para sair
Minha vontade era de gritar! Como assim? Minha mãe não podia se casar com aquele nojento, francamente, eu preferiria ver ela casada com Hitler. Eu não conseguia expressar a minha raiva naquele momento. Minha mãe ia casar com um cara que tentou me molestar! Era serio isso? Tá certo que eu nunca tinha contado isso pra ela, mas poxa se ela fosse realmente minha mãe ela leria meus pensamentos, porque cá entre nós, as mães tem a capacidade de ler nossos pensamentos.
Minha irmã, Clarisse, e eu nós olhamos, eu acho que ela compartilhou o que eu estava sentindo, raiva, ódio, nojo, desgosto. Tudo ao mesmo tempo. Depois ela dirigiu o olhar para minha mãe, e depois para Otávio. Não sei como ela conseguiu ser tão hipócrita mas ela disse:
''Meus parabéns! Quando vai ser a cerimonia?'' Ainda por cima ela estava sorrindo, minha raiva não era só da minha mãe e de Otávio era também da minha irmã! Minha vontade era de gritar pra ela calar a boca porque eu sabia que ela estava mentindo.
''Daqui a 5 meses'' Otávio respondeu olhando para mim com um sorriso malicioso, será que ele ainda se lembrava do que ele me fizera? Pelo menos ele agia como não!
''E ai? Clarisse, Mariana, qual de vocês duas vai me ajudar a escolher o vestido?'' Minha mãe disse com o mesmo sorriso nojento no rosto.
''Eu aposto que a Mariana iria adorar'' Otávio disse olhando para mim '' Não ia Mari?''
Mari? Ele acabara de me chamar de Mari? Cacete! Ele NUNCA tinha me chamado de Mari antes, olha Deus me segurou para mim não dar um soco bem naquele nariz esnobe.
''Aham'' Acho que foi o que saiu, não foi bem um aham, foi mais um amah, e não isso não tem significado. Eu encarei o meu prato, ainda não tinha me servido, e nem ia me servir porque estava a dois passos de sair da mesa quando minha mãe disse:
''Mari!'' Agora ela também ia me chamar de mari, quer dizer a maioria das Marianas tem esse apelido, mas eu odeio apelidos então eu era só Mariana. ''Eu sei que você ama desenhar, então o que acha de desenhar meu vestido?''
''Não'' Fui o mais grossa que pude
''Como assim não?'' Minha mãe perguntou dando uma leve risada para disfarçar o sei lá o que, que ela sentiu '' Você sempre dizia que queria ser desenhista''
''Mãe, eu desenho paisagem, e não vestidos de noivas idiotas'' Tirei o olho de minha mãe e comecei a encarar o macarrão do meu prato que eu ainda nem havia tocado.
''Mari...'' Minha mãe tentou dizer.
''Porra, não me chama de Mari, cacete, meu nome é Mariana '' Eu gritei, Clarisse e minha mãe me olhavam pasmas, Otávio parecia que estava se divertindo.
''Que palavreado é esse Mariana?'' Minha mãe falou no mesmo tom de voz que o meu. Nessas horas aquelas menininhas de livros e filmes, aquelas sem sal, quelas que não se opõe a nada, aceitam tudo quietas, teriam dito ''Óh! mamãe me desculpe! Juro que não irei mais falar assim'' Eu costumava dizer que elas eram burras.
''Da minha boca sai a merda que eu quiser!'' Eu realmente não estava me dando conta do que eu estava falando.
''Já chega! O que esta acontecendo com você Mariana?'' Ela falou manso, o que meu deu mais raiva ainda
''Sabe o que ta acontecendo, caralho? Minha mãe vai se casar com um inútil, que nem sabe meu nome! Que só se importa com ele mesmo, e alias ele não é tão diferente assim de você porque se você fosse uma boa mãe você iria falar comigo e com a Clarisse antes de aceitar o pedido desse otário! E alias Clarisse, que hipocrisia foi aquela de 'Parabéns, felicidades pra vocês', Porra eu sei muito bem que você não quer que isso aconteça tanto quanto eu!'' Minha mãe tava com lagrima nos olhos, bem feito também, Clarisse estava de boca aberta e Otávio tentando não rir. Como eu senti ódio dele.
''Marian... Eu não... Como você...'' Minha mãe não conseguia formular palavras.
''Eu vou pro meu quarto'' Eu disse ainda grossa ''E alias a massa tava um nojo'' eu cuspi no prato e sai, normalmente eu não faria isso, mas depois dessa de ''Ei filha, eu e seu padrasto aquele que tentou te estuprar, se lembra dele? Então, nós vamos nos casar!'' Eu não aguentei.
''E aproveita e fica lá'' Minha mãe tentou gritar em meio aos soluços.
Eu entrei no quarto chorando, bati a porta com tanta força que a maçaneta caiu, mas eu poco me importei eu queria mais é que o mundo se fode-se. Deitei na cama e comecei a chorar, soluçar, foi horrível. Meia hora depois me olhei no espelho, eu estava terrível, meu rímel estava todo borrado, por um lado eu gostei, eu encaixe a maçaneta e sai do quarto fui ate o banheiro, provavelmente todos já estavam em seus quartos. Tomei um banho e escovei meus dentes, já estava quase botando o pijama quando meu celular tocou.
''Alô?'' Eu disse quase sem voz
''Oi Marylin'' Marylin era assim que minha melhor amiga Bianca me chamava ''Escuta, eu e o meu boyfriend vamos numa festa lá na casa da Júlia, e ele ta com um amigo muito gato!''
''E eu com isso?'' Tentei não parecer grossa, mas não consegui
''Eita, grosseria!'' Eu ri um pouco, e acho que ela também '' Eu to passando ai daqui a pouco para te pegar''
''Mas eu não disse que iria''
''Mas agora você vai, ah e o nome do amigo é Leo, ele é lindo você vai amar, bota um vestido bem lindo um salto bem lindo que daqui a meia hora tamo ai na frente''
Eu realmente não queria ir, eu tava cansada, arrasada, acabada, mas o que eu queria fazer. Ficar no meu quarto parada sem fazer nada a noite inteira, como minha mãe queria ou desobedece-la e ir à uma festa? Então eu disse:
''To te esperando, beijos''
Botei meu melhor vestido social, ele era preto bem curto e justo, um salto dourado e uma maquiagem bem escura, levei 15 minutos pra ficar pronta, e agora você deve estar pensando ''Nossa, uma menina que leva só 15 minutos pra se arrumar, nossa deve ter ficado horrível!'' Mas francamente eu não levo horas pra escolher só a cor da roupa que vou usar.
Bianca sempre foi muito pontual, então exatamente meia hora depois eu vi pela janela um carro preto estacionado na frente do portão do edificil, eu tirei os sapatos pulei a janela (que era no primeiro andar do prédio então não fez muito estrago, alias não fez estrago nenhum), passei pela portaria e o Snr. Antonio, que é o porteiro falou
''Olha, mas nem parece aquela garotinha que me pedia doses a uns 4 anos atrás!''
''O tempo passa!'' Eu sorri para ele, e ele retribuiu enquanto abria o portão para eu sair. Eu entrei no banco de trás do carro aonde Bianca estava, no banco do motorista estava seu namorado, Nicolas, ele tinha 19 anos então ele podia dirigir. e no banco do passageiro estava o tal de Leo, ele olhou para mim e sorriu, ele era realmente bonito, tinha cabelos pretos e olhos azuis. Bianca estava certa eu o amei!
''E ai gatinha'' Nicolas me olhou pelo retrovisor ''Pronta pra animar a festa hoje a noite?''
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