Além das Quadras

32 Arco III – 32. Tudo por ele


Notas iniciais
Hola amadis, como estão? Espero que bem e respeitando a quarentena rs Mais um capítulozinho pra vcs! Estamos próximos da reta final da história e eu to muito feliz! Espero que goste ♥ Ghost Kisses ~Marceline

Capítulo 32: Tudo por ele

Quando Henry soube que Danilo pretendia ficar mais de 15 dias em São Paulo, por pura insistência de Erick, seu mundo parecia que tinha sido tirado dele.

Estava evitando ao máximo contato com o hóspede e a tarefa estava sendo até bem fácil, uma vez que Erick estava sempre arrastando-o para fora de casa para visitarem os lugares de São Paulo. E Henry, trouxa do jeito que era, achava que Erick iria conhecer a cidade com ele e não com aquele cara sem graça.

Mesmo que tivessem tido um começo estranho que veio de um pedido de desculpas, Henry ainda não se sentia confortável com Danilo em sua casa. As palavras agressivas proferidas pelo outro vinham a sua mente vez ou outra, o que o deixava ainda mais receoso.

Os primeiros dias foram difíceis. Erick sempre o chamava para ir junto com eles, mas, daquela vez, Henry não cedeu. E por incrível que pareça, Erick também não insistia. Aquilo o deixou chateado, pois dava a impressão de que seu melhor amigo não queria tanto sua presença e estava convidando apenas por educação. Mesmo que Henry não soubesse se era exatamente isso, aquilo ficou em sua mente como se fosse uma verdade absoluta, deixando-o ainda mais pra baixo.

No quarto dia um anjo apareceu em sua vida.

Marge não havia avisado que iria para lá e, como estavam ocupados com os próprios treinos e competições, eles estavam acompanhando menos o campeonato feminino, não sabendo que ela viria para São Paulo.

Para sua infelicidade, ela ficaria no hotel que seria pago pelo time, mas pelo menos ela estava lá e seria uma ótima oportunidade para Henry desanuviar seus pensamentos. Além de tudo, sentia muita falta da melhor amiga.

Naquele dia, ela o tinha chamado para que fossem almoçar juntos e quando Henry comentou aquilo com Erick, o outro fez uma careta, mas não falou nada e disse que sairia com Danilo. Com um bufar discreto, Henry saiu do apartamento, fazendo um carinho em Pudim e Cheshire antes de fechar a porta.

Foi ótimo ter encontrado Marge e, durante aproximadamente 1 hora e meia, ele esqueceu completamente de seus problemas. Colocaram as fofocas em dias, já que não conversavam muito por WhatsApp. Deixou Marge no hotel e voltou para casa, dando graças a Deus que as coisas eram perto e podia caminhar calmamente para respirar.

Quando estava virando a esquina do quarteirão onde morava, foi surpreendido ao ser abraçado por trás. Seu coração acelerou pelo susto, mas a risada de Erick preencheu seus ouvidos fazendo-o relaxar.

– Você quer me matar do coração? – Henry virou o pescoço para Erick, que ainda tinha os braços sobre seus ombros. Ele sorriu.

— Jamais. – deu de ombros. Ainda estavam andando, o corpo de Erick cobrindo uma grande parte do seu.. – Mas é legal te assustar. Além do mais, eu te chamei, mas você não ouviu.

A única resposta de Henry foi indicar os fones de ouvidos, que agora pendiam na gola de sua camisa. Danilo, que estava ao lado dos dois, não disse nada, ficou apenas observando a interação dos dois com certeza curiosidade. Por um segundo, Henry tinha se esquecido completamente de sua existência.

As coisas desandaram completamente quando os três chegaram a alguns passos do portão do prédio e encontram uma figura alta encarando-os com descrença. Henry rapidamente se desvencilhou de Erick, caminhando na frente e se encontrando com Chris.

— Você não disse que vinha – foi o que Henry conseguiu dizer. Chris lhe olhava transtornado.

— Quis fazer uma visita surpresa – conseguiu dizer e quando Erick e Danilo chegaram perto, Chris pareceu se conter. – O que tá acontecendo aqui?

— A gente tá morando junto – Erick disse antes que Henry pudesse sequer pensar em uma resposta. – Achei que Henry tivesse te contado.

Chris encarou Henry com aquele olhar acusador, fazendo-o sentir um frio na espinha. Deveria ter contado sobre isso, mas preferiu deixar de lado, achando que era a melhor opção, afinal, Chris não ia lidar muito bem com a notícia, como esperava.

— Vamos subir e conversar.

O silêncio entre os quatro era ensurdecedor e enlouquecedor, mas acabaram por subir para o apartamento deles. No elevador, o clima era completamente tenso, o que deixava Henry cada vez mais nervoso e culpado pela decisão de não ter contado a Chris uma coisa daquelas.

Entraram no apartamento e Henry puxou Chris para o seu quarto rapidamente, ignorando a animação de Pudim. Ele fechou a porta, encostando nela e encarando o cara alto no meio de seu quarto com o semblante irritado.

— Olha, eu sei que errei – começou Henry, nervoso, mexendo em seu anel. – Mas achei que foi melhor…

— Tu tá morando com esse cara há meses, Henry! Meses— ele claramente estava tentando conter a raiva. – Achou que seria uma boa ideia esconder do seu namorado que você tá morando com o cara que eu mais detesto nesse mundo? Eu nem sei o que é pior, sério.

— Chris, fica calmo… Eu só…

— Você me traiu? – Chris cortou, olhando intensamente para Henry.

Ele perdeu o fôlego ao ouvir aquilo. Estava mesmo sendo perguntado sobre algo assim?

— Você só pode estar brincando…

Chris cruzou os braços sobre o peito.

— Não. Não estou – disse firme, os olhos escuros parecendo que sugariam a alma de Henry – Você me traiu com ele, Henrique.

Ao ouvir seu nome completo, que Chris nunca usava, ele percebeu que as coisas estavam piores do que ele imaginava. Ele achava que faria um pedido de desculpas e a vida seguiria, mas estava muito enganado. Aquele tipo de pergunta tinha dilacerado seu coração de um jeito inexplicável.

— Responde! – ele disse mais alto, fazendo Henry se encolher um pouco.

Respirou fundo e encarou Chris nos olhos.

— Eu posso ser a puta que for, mas eu jamais… JAMAIS trairia alguém em toda a minha vida.

— Eu não acredito em você.

O ar parecia ter sido tirado dos pulmões de Henry. Uma faca parecia ter sido fincada em seu coração ao ouvir aquilo. Não podia acreditar em algo assim.

— Não sei o que dói mais – sua voz era quase um sussurro – Você não acreditar em mim ou duvidar da minha fidelidade.

— Lógico! Você faz tudo por esse cara! E tava agora pouco agarrado com ele.

— Ele é meu melhor amigo, Christian!

— Henry. – Chris colocou as mãos em seus ombros o chacoalhando de leve. – Entenda de uma vez por todas. Erick nunca foi o seu melhor amigo. Qualquer relação dessas deixa de ser amizade quando uma das partes se apaixona. E você se apaixonou.

— Isso não é verdade.

Chris apenas balançou a cabeça, incrédulo.

— Eu achei que poderia te fazer esquecer aquele cara… Tenho que tentar mais? É isso que você quer de mim? – perguntou Chris sério. Os olhos dele estavam vermelhos, como se segurasse o choro.

— Chris, por favor…

— Eu preciso de ar – respondeu simplesmente, passando o dorso da mão nos olhos. – Só preciso respirar.

Então ele saiu do quarto, deixando Henry sozinho. Ele ouviu o som da porta da frente batendo e o mundo caiu em um silêncio que esmagava Henry como se ele tivesse carregando o mundo nas costas. Deixou-se cair na cama, com os pensamentos e sentimentos atormentando-o.

Estava completamente errado em não ter contado para Chris, mas ser acusado de infiel? Aquilo era muito para ele. Sua respiração foi ficando cada vez mais acelerada. O coração batia tão rápido contra o peito que parecia que ia rasgar. Sua garganta era um nó tão grande que não conseguia nem soltar um gemido de dor.

As coisas ficaram confusas. As lágrimas embaçaram sua visão. Ele sentiu seu corpo sendo erguido e braços o rodeando.

— Chris? – conseguiu dizer num sussurro. Sua cabeça doía.

— Não – a voz suave de Erick entrou em seus ouvidos. – Ele foi embora. Vai ficar tudo bem.

Apertando-se contra o corpo de Erick, Henry permitiu-se chorar. Permitiu-se gritar contra o peito do outro. Permitiu-se sentir aquela dor.

Após alguns minutos ali, ele conseguiu se recuperar. Seu coração ainda estava acelerado, mas o choro havia parado, sobrando apenas rastros de lágrimas secas em seu rosto. Ele se desvencilhou do corpo de Erick, encostando as costas na parede, abraçando seus joelhos junto ao peito.

— O que aconteceu? – Erick perguntou com cautela.

Em poucas palavras, ele resumiu o ocorrido. Erick franziu o cenho.

— Porque você ainda tá com ele? – Erick perguntou. – Você não o ama, Henry…

— Ele me faz bem, Erick… Ele…

— Eu posso fazer muito melhor, você sabe disso – Erick o cortou, encarando-o intensamente.

— Sei? – Henry estava um pouco incrédulo – Depois de tudo o que a gente passou… Quer mesmo que eu acredite nisso?

Um silêncio horrível pairou sobre eles por alguns segundos.

— Me dê uma chance então, Henry… Por favor.

Henry balançou a cabeça.

— Eu não vou trocar o certo pelo duvidoso, Erick.

Foi a vez de Erick encará-lo incredulamente, mas a expressão logo deixou seu rosto, dando lugar a outra, determinada. Ele respirou fundo e encarou Henry.

— Beleza, mas não pensei que eu vou desistir. Vou arrumar um jeito de te ter de volta. Nem que eu precise esperar por décadas.

Então Erick levantou, deixando Henry confuso e sozinho para trás.

Por que as coisas tinham que ser tão complicadas?

[...]

Erick tinha ficado muito feliz com a visita de Danilo, mas não sabia que iria afetar tanto Henry.

Era bem claro que o outro estava muito incomodado na sua própria casa por causa de Danilo, então Erick fazia questão de ficarem longe para que Henry se sentisse à vontade. Ele chamava o amigo sempre, mas era um não atrás do outro. Queria muito que Henry os acompanhasse, mas sabia que não seria uma boa insistir. Não queria vê-lo mal de forma nenhuma.

Os dias foram bem proveitosos e divertidos com Danilo. Deu para matar a saudade e colocar a conversa em dia. Mas as coisas mudaram um pouco com a chegada de Christian à São Paulo. Após confortar Henry e ter dito mais do que deveria, Dan o arrastou para sair, para que Erick esfriasse a cabeça daquela situação.

– Tem um show ao ar livre que tá rolando – Dan disse quando estavam na rua, prontos para pegar um ônibus.

Erick apenas maneou a cabeça, mergulhado em seus pensamentos a respeito de Henry. Era idiotice achar que ele conseguiria conquistar o outro depois de tudo o que tinha acontecido entre eles.

Entraram no ônibus e sentaram-se, por incrível que pareça, tinha lugar para os dois sentarem-se lado a lado. Dan colocou uma música, oferecendo um dos fones de ouvidos para Erick, que aceitou sem hesitar. Aquilo era comum entre eles quando estavam no Rio de Janeiro.

Não demorou muito para estarem no local. A música alta era ensurdecedora e não tinha como caminhar pelo local sem trombar em alguém. Erick logo se sentiu como em uma vez que o arrastaram para um carnaval.

Eles compraram cerveja e tentaram abrir passagem para mais perto do palco. Era uma banda amadora, a acústica era péssima, mas, quando se tratava de farra, o brasileiro não perdia uma. Depois de algum tempo naquele lugar insuportável de cheio, Erick conseguiu convencer Danilo a ir para um local com menos gente, ou seja, na “periferia” do show.

Caminharam até o número de pessoas diminuir, mas numa distância que eles ainda conseguiam ouvir a música. Eles sentaram em um banco que tinha acabado de ser liberado por duas meninas meio bêbadas.

Quando o silêncio entre eles tornou-se incômodo, Danilo o quebrou.

— A Karine me traiu – ele disse com uma calma que surpreendeu Erick.

Desde que Danilo havia chegado, Erick estava tentado a contar ou perguntar se Karine tivera a decência de ter contado. Mas qualquer coisa que falasse a respeito, daria a entender que Erick sabia e não queria que o outro ficasse sabendo por ele.

— Então ela te contou – Erick falou aliviado, tomando um gole da cerveja quente enquanto Danilo virava para ele com os olhos arregalados.

— Você sabia? – perguntou incrédulo.

— Eu vi – confessou Erick e quando a carranca de Danilo começou a se formar, ele tratou de se explicar. – Olha. Eu conversei com ela. Incentivei ela a contar pra você. Eu acho que ela devia isso a você. Não queria que você soubesse por mim. Não acho que isso seja assunto meu por mais que você seja meu melhor amigo. Eu sinto muito, mas fiz o que achei que deveria.

Ao escutar aquilo, a expressão de Danilo foi se suavizando até tornar-se cansada. Erick suspirou aliviado, pois achou que Danilo não entenderia e aquilo seria o fim da amizade deles.

– Eu não sei o que pensar a respeito – Danilo olhava fixamente para a latinha enquanto a girava. – Dá próxima vez, você pode me contar.

Erick fez uma careta de desgosto.

— Espero que não haja uma próxima vez. Já basta ser corno uma vez só na vida

Danilo riu e deu um soco no braço de Erick. Mas sua expressão voltou a ser meio triste.

— Você conhecia o indivíduo?

Aquilo fez com que Erick fizesse outra careta. Ele não queria responder aquela pergunta. Na verdade, preferia que ela nem tivesse sido feita.

— Henry.

— O que tem ele? – perguntou Danilo franzindo o cenho.

Erick o olhou com os olhos franzidos e, depois de alguns segundos, Danilo se deu conta do que ele tinha acabado de dizer. Seus olhos azuis se arregalaram em total descrença.

— Eu não acredito que a Karine ficou com ele! – exclamou. Estava indignado, dava pra ver na cara de Danilo. – Ok, esse dia chega pra mim.

Danilo levantou-se, jogando a cerveja quente numa lata de lixo próxima. Realmente o clima não estava propício para eles ficarem naquele lugar.

Voltaram para casa da mesma forma que foram, mas dessa vez conversavam amenidades enquanto a música rolava e também tiveram que ficar em pé, já que não tinha mais lugar.

Já estava escurecendo quando finalmente chegaram em casa. O trânsito de São Paulo era absurdo de caótico. Parecia sempre horário de pico, não importa que horas eram. Erick estava procurando as chaves e seus bolsos quando Danilo o interrompeu.

— Desculpa, cara.

— Pelo o que? – perguntou, franzindo o cenho.

— Por isso. – então Danilo selou seus lábios nos dele.

Erick se espantou com a súbita ação, empurrando Dan de leve, mas eles não se separaram. Ainda meio atordoado e confuso, Erick acabou por se deixar levar pelo momento. Os lábios de Danilo tinham o gosto da cerveja que eles tomaram mais cedo e o cheiro do outro era de colônia masculina forte. Erick percebeu que aquele cheiro era muito característico do amigo, mas só tinha reparado naquilo por estarem absurdamente perto um do outro.

Danilo aprofundou o beijo, segurando o rosto de Erick e usando a língua para buscar a língua do outro, que correspondeu hesitante. No momento, pensou em corresponder para ver o que sentia, mesmo que nunca tivesse olhado para Danilo daquela forma. Havia beijado duas pessoas, bom, agora três, a sua vida inteira e Erick se espantou com o fato de como dois desses beijos não lhe causava efeito nenhum.

Foi Danilo quem separou o contato entre eles, olhando para Erick com divertimento, que esboçava uma cara confusa.

— O que foi isso? – ele perguntou, ainda sem entender.

— Um beijo? – disse Dan ironicamente. Erick o encarou com um olhar de “ah, jura?”.

— Motivo, por favor. – Erick franziu o cenho, ainda meio confuso – Quero dizer, você não era hétero?

Dan deu de ombros.

— Por Henry ter ficado com Karine. Agora estamos quites. – Dan abriu um sorriso sem graça. – E bom… Desde o término eu meio que surtei? Talvez… Tenho um crush na faculdade e é estranho, porque minha vida inteira eu tive a Karine e não sei… Talvez eu seja bi? É… Fiquei com uns caras numa festinha da UERJ e bem… Foi bom. Não sei direito o que pensar sobre isso.

Erick piscou, um pouco perplexo pela quantidade de informações que tinha sido despejada nele. Levando em conta que ele passou a vida praticamente toda namorando uma garota, não era de se surpreender o fato de Danilo se achar hétero.

— E você tá feliz com isso? – perguntou Erick após uns segundos de silêncio.

Dan coçou a nuca.

— Não sei – respondeu sem encará-lo. – Me sinto livre, mas também confuso.

Erick assentiu com a cabeça, não sabia direito o que dizer a seguir.

— Bom, se quiser conversar sobre, to a disposição – conseguiu dizer depois de um tempo – Mas, por favor, não faz mais isso.

— Você não gostou? – perguntou Dan com as sobrancelhas arqueadas.

— Só é estranho… Você não…

— Eu não sou o Henry né? – Dan o cortou, com um sorriso singelo nos lábios.

Erick apenas concordou com a cabeça, olhando seu chaveiro como se fosse a coisa mais interessante do mundo.

— Não se preocupe – disse Dan – Não vou fazer de novo, até porque foi estranho mesmo. Só queria saber como seria.

— Uai! – soltou Erick franzindo as sobrancelhas. Dan sorriu e apertou sua bochecha.

— Que fofo com sotaque mineiro.

Aquilo fez as bochechas de Erick se avermelharem, mais por vergonha do que qualquer outra coisa.

— Deixa de ser chato, exxxxtamos – Erick puxou o “s” com som de “x” tão característico dos cariocas, zuando Danilo.

Sempre teve essa zoação por conta do sotaque, mas era algo que não incomodava Erick apesar de não gostar do sotaque carioca de jeito nenhum.

— Cala a boca, pão de queijo!

— Ta bom, funkeiro.

Eles se acotovelaram de brincadeira, como se aquele beijo nunca tivesse existido e finalmente entraram no apartamento.

[...]

Depois de um dia inteiro sendo ignorado, Henry conseguiu conversar com Chris. Ficou sabendo que ele estava ficando na casa dos primos dele, então Henry perguntou se poderia ir até lá para que pudessem conversar.

Quando o “não” veio, ele ficou muito pra baixo, mas logo se animou quando Chris disse para eles se encontrarem em um café perto da casa de Henry. Ele claramente não queria correr o risco de se encontrar com Erick e também não queria que seus primos suspeitassem de nada a respeito do relacionamento deles.

Aquilo deixou Henry pensativo. Estava namorando, mas não podia ser um namoro normal. Tinha que ser sempre escondido, não podia fazer nada em público que os casais normais faziam. E nem era por serem um casal de dois homens, mas sim pelo medo de Chris do julgamento, principalmente da família.

Era ruim estar em um relacionamento em que você precisava esconder a outra pessoa.

Na cafeteria eles conversaram. Chris ainda estava um pouco triste a respeito daquilo tudo, assim como Henry. Mas ele fez questão de deixar frisado que não tinha traído-o e que aquilo nunca iria acontecer de forma alguma. Ele tinha mesmo errado em não ter contado sobre estar morando com Erick, mas aquele erro não seria cometido de novo.

Com o tempo, o ar pareceu ficar mais leve entre eles e Erick deixou de ser um assunto. Conversaram sobre vôlei, os pais deles, faculdade e tudo que não puderam conversar por WhatsApp no final de semestre de Chris, que estava lotado de coisas pra fazer e Henry que estava muito ocupado com os treinos diários.

Depois de ficarem horas conversando, Henry o convidou para irem até a casa dele, garantindo que Erick não estava lá.

— Eu to com saudades – Henry fez um biquinho e depois esboçou um sorrisinho malicioso. – Vamos, faz tempo que não temos um momento nosso.

Chris passou alguns segundos pensando quando finalmente aceitou. Eles saíram da cafeteria lado a lado. Até então não tinham tido nenhum contato físico e Henry estava ansioso por isso.

— Posso segurar sua mão? – ele perguntou um tanto tímido. Não deveria ser uma pergunta a ser feita para alguém que era seu namorado.

Chris olhou ao redor, como se procurasse alguém e depois voltou seus olhos para Henry, assentindo. Então ele o fez, pegou a mão grande de Chris, que praticamente cobria a sua. Foram andando e conversando até o apartamento de Henry, que não esperou nem um minutos para apertar a bunda de Chris assim que estavam dentro de casa.

— Ei! – exclamou Chris, com um sorrisinho no rosto.

— Se eu não posso te agarrar, vou fazer o que tá ao meu alcance.

Não precisou de muito para Chris entender o recado. Ele pegou Henry pela cintura, elevando-o até que ficasse da sua altura e pudesse beijá-lo a vontade. Henry odiava aquilo, mas não se importou quando a língua de Chris invadiu sua boca.

Estava a tanto tempo sem beijar ou transar que sentia que estava formando teias de aranhas. Com certeza tinha voltado a ser BV depois de tanto tempo. Essa era uma das coisas que Henry odiava no relacionamento à distância.

Não demorou muito para ser jogado em cima da cama e ser beijado com vigor por Chris. Só assim percebeu que sentia falta do beijo do outro, da pele quente sob seus dedos, dos beijos molhados percorrendo seu pescoço, o peso do corpo de Chris sobre o seu… Tudo aquilo era prazeroso e Henry nunca pensou que fosse explodir de tanta vontade.

– Não seja bonzinho – sussurrou contra a boca de Chris, que abriu um sorriso malicioso.

— Você quem manda…

[...]

Henry nunca pensou em sexo como algo extremamente cansativo.

Mas naquela situação, parecia que tinha corrido três vezes o campo de futebol do Colégio. Sem parar.

A coisa foi tão exaustiva que ambos caíram no sono, aconchegados um no outro com apenas o lençol fino cobrindo as partes íntimas.

Henry acordou no susto com a porta da frente batendo com força. Chris tinha se afastado dele, então conseguiu sair da cama com facilidade, buscando seu short no meio da escuridão e vestindo-o rapidamente.

As luzes da sala estavam apagadas, o que deixava tudo em um breu enorme. Ele andava com receio, pois não sabia onde Erick tinha ido, muito menos que horas voltaria. Sua mente já estava dizendo que ele ia encontrar um psicopata que enfiaria uma faca em sua garganta.

— Erick? – ele tomou coragem para chamar, ainda perto da porta de seu quarto.

Um resmungo foi ouvido do sofá.

Percebendo que estava a salvo, pois aquele resmungo era claramente de Erick, Henry foi até o interruptor, ligando a luz e vendo um garoto loiro desmaiado no sofá, com uma garrafa de cerveja na mão.

“De novo não…”, pensou.

— Erick – Henry aproximou-se e cutucou o outro, que resmungou mais uma vez. – Você tem que levantar.

Nenhum músculo foi movido. Henry revirou os olhos.

— Onde está Danilo? – perguntou, mas foi respondido com mais um resmungo.

Sem mais o que fazer, Henry tentou fazer com que Erick sentasse, o que foi uma tarefa bem difícil. Assim, ele acordou, mas sua expressão estava claramente bêbada. Quase que Henry não consegue tirar a garrafa da mão de Erick antes que este tomasse o restante do conteúdo.

— Eu to bem – disse arrastado e soltou uma risada. – Você tá pelado…

Henry sentiu as bochechas vermelhas, mas não podia se dar ao luxo de sentir vergonha numa hora daquelas.

— Você precisa tomar banho – ele se agachou na frente de Erick, podendo olhar em seus olhos. – Onde está Danilo?

— Com algum carinha ai… – respondeu depois de alguns segundos pensando – Acho que ele não volta pra casa.

Henry assentiu, mesmo se questionando por alguns segundos a respeito da resposta. Mesmo assim, iria brigar muito com Danilo por deixar que Erick chegasse àquele estado. Já passara por uma situação semelhante e ele tinha que dizer que as lembranças daquele dia eram tanto prazerosas quanto confusas. Só não queria que aquilo se repetisse, ainda mais que Chris estava dormindo a alguns metros dali.

O silêncio dominou o local, com Erick encarando Henry de uma forma tão intensa que o deixou sem fôlego por alguns segundos.

— Banho, Erick.

Sem dizer nada, Erick se aproximou, inclinando o corpo para frente ao que pareceu ser em câmera lenta, pois a única coisa que Henry conseguia ver era os olhos castanhos se aproximando cada vez mais.

— Henry? – a voz de Chris o assustou, o que fez com que desviasse de Erick, que caiu pra frente, mas Henry conseguiu segurá-lo antes que desse de cara no chão.. – O que tá acontecendo?

— Ele tá bêbado – respondeu, tentando firmar o corpo de Erick sentado. – Eu não sei o que aconteceu, mas preciso cuidar dele.

O olhar de Chris era aquele que Henry odiava. Aquele olhar irritado e acusador. Ele estava esperando uma enxurrada de reclamações e xingamentos, mas ela não veio.

— Tudo bem. – disse Chris e desapareceu para seu quarto.

Meio confuso, Henry levantou-se, conseguindo deixar Erick de uma forma que não corresse perigo. Então caminhou a passos rápidos até seu quarto, vendo o outro vestindo sua camisa e pegando suas coisas.

— Onde você vai?

— Pra casa dos meus primos. – Chris saiu do quarto com Henry ao seu encalço

— Achei que você fosse dormir comigo – a voz de Henry era decepcionada.

O outro deu uma olhada no sofá, vendo Erick adormecido de bêbado e depois olhou para Henry.

— Você tá ocupado.

E simplesmente abriu a porta, saindo do apartamento logo em seguida. O silêncio veio quando a porta foi fechada.

Henry se surpreendeu completamente com a atitude de Chris. Não sabia o que pensar a respeito.

— Aaaah, eu me odeio tanto – a voz de Erick cortou seus pensamentos.

Sem nem pensar duas vezes, ele foi até onde o amigo estava desmaiado, meio acordado e meio dormindo. Sabia do que ele precisava, então o ajudaria com tudo, obviamente. Ele sentia as coisas diferentes. O modo como Chris agiu, Erick aparecendo bêbado pela primeira vez desde que moravam juntos… O clima estava diferente e Henry não sabia o motivo.

“Você faz tudo por esse cara” a voz de Chris soou em sua mente de forma acusadora.

Com um suspiro, ele apenas balançou a cabeça em concordância.

Sabia que sempre faria tudo por Erick.

Notas finais
Então? O que acharam? Bom, eu tenho mais dois capítulos prontos e já vou programá-los para serem postados. A programação ficará assim: 27/07 - Cap 33 10/08 - Cap 34 Ambos por volta das 16h Aguardo vocês nessas datas e nos comentários! Ghost Kisses ~Marceline