Notas iniciais
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E isso se repetiu por uma semana. Quando Quinn não conseguia fugir para a casa de Rachel, a morena dava seu jeito de ir para a de Quinn. As duas se seguravam durante toda a noite. As coisas estavam ficando mais fáceis, as conversas fluíam e a confiança aumentava. Durante esses momentos, elas confidenciavam seus segredos. Mas, o beijo que elas deram era um assunto proibido. Nenhuma pediu isso, ambas tinham medo de falar, então deixavam como uma lembrança de um dia confuso.

Para Quinn, isso machucava. Achar que Rachel havia esquecido, ou mesmo se arrependido, era doloroso. Mas, ela estava feliz com a aproximação que tiveram nos últimos dias, assim como Rachel. Quinn e Santana demostravam constantemente o carinho pelas meninas, deixando-as ainda mais apegadas. Hoje, Artie brigou com Brittany e a dançarina saiu correndo pelos corredores, fazendo a latina ficar furiosa e querer bater no cadeirante. Rachel conseguiu segurá-la e convence-la a ir atrás de Britt, ao invés de brigar.

– O que você acha que aconteceu? – Quinn senta ao lado da morena, vendo a amiga ir em direção da outra.

– Não sei, pareceu sério. – Rach dá os ombros, preocupada. – Ver Brittany chorar é muito estranho. – Franze a testa.

– É terrível, deveria ser proibido. – A loira ri. – Uma vez, o gato dela estava doente e ela chegou aqui com o rosto inchado. Meu coração quebrou em mil e Santana ficou louca, foi com ela no veterinário e tudo.

– Ela é completamente apaixonada por Britt. – A morena balança a cabeça, enquanto Quinn morde o lábio, olhando para o chão. – Será que agora se resolvem?

– Espero que sim. – Sussurra.

– O que foi? – Rachel se abaixa, para conseguir os olhos dela. Quinn sorri fraco.

– Estava pensando. – Se encolhe, sendo abraçada pela morena.

– Posso saber em que?

– Na verdade... Não. – Suspira. Rachel a solta. – Ei, espera.

– Se você não quer falar, tudo bem. – Finge indiferença. Quinn gargalha alto, quebrando a expressão séria da morena. – O que é? – Faz bico.

– Você é tão boba, Rach. – Envolve outra vez os braços na pequena, apertando-a.

– Você que me deixa curiosa. – Reclama.

– Quer saber o que eu estou pensando, é? – Esconde o rosto no pescoço de Rachel, fazendo-a estremecer. – Hm? – Provoca.

– Para, Q. – Sussurra, fechando os olhos, mas sem empurrá-la.

– Não posso mais te abraçar? – Fala contra a pele da morena, que vira mais o rosto contra o de Quinn.

– Pode. – Diz, fraca. – Sempre. – Completa. O coração da loira dispara e ela afasta um pouco, ficando de frente para Rachel.

– Rachel, eu...

– Hey, meninas, chegaram cedo para o ensaio. – Professor Schue interrompe. As duas meninas se soltam, envergonhadas. – Desculpem, eu atrapalhei algo?

– Não, claro que não. – Rachel fala apressada.

Por Quinn

Eu suspiro frustrada, sentando em uma cadeira. Rachel senta ao meu lado, com o cabelo cobrindo o rosto. Tão terna quando está com vergonha. Por que o professor Schue tinha que chegar justo agora?

– Rachel, foi bom eu te encontrar antes. – Ele encosta-se ao piano. – As seccionais serão no próximo fim de semana e você não me deu resposta nenhuma sobre aquele assunto.

– Hmm... – A morena se move desconfortável. Eu encaro-a, confusa, mas ela não devolve o olhar. – Eu sinto muito, mas eu não acho uma boa ideia.

– De verdade? – Ele parece decepcionado. – Você pensou direito?

– Não tive que pensar muito, professor. Deixemos só as que já foram escolhidas, por favor.

– Tudo bem. – Soa derrotado. – Quem sabe na próxima?

– Sim. – Murmura pra si mesmo, prendendo as mãos entre as pernas.

Eu fico calada, encarando a porta, agora desejando que todos entrem e quebrem esse clima estúpido. Sinto os olhos dela em mim, mas quando olho-a, ela desvia. Encosto a cabeça na parede, esperando. Logo, os outros chegam, fazendo barulho. Artie entra, olhando para os lados, como se procurasse por Britt. Quando ele percebe que ela não está, cruza os braços contra o peito e ignora os amigos. Schue dá alguns conselhos sobre a apresentação. Estou cansada de ouvir. Todos devem estar cansados de ouvir. Kurt levanta e canta um solo, emocionado. Ele está diferente, mais calmo e centrado. Diferente de Mercedes. Quando ele termina a música, a porta abre. Santana entra, segurando Britt pela mão. As duas se aproximam e sentam perto de nós. A latina me dá um olhar significativo, que eu não consigo ler direito. Ela vira, puxando a dançarina mais para o lado. Brittany encosta a cabeça em seu ombro, evitando Artie. O ensaio termina e, como sempre, nós esperamos todos saírem.

– Que resposta? – Solto, direta. Rachel franze a testa.

– Nada. – Dá os ombros. Eu mordo o lábio, assentindo. – Só você tem direito de permanecer calada? – Brinca.

– Não. – Sussurro, chateada.

– Vocês estão brigando? – A voz chorosa de Britt derrete meu coração.

– Não estamos, B. – Levanto, segurando sua mão. – Você está melhor?

– Estou. – Sorri de lado. – San cuidou de mim. – A latina enche o peito, orgulhosa. Eu rio.

– Melhor nem saber como...

– Mas, ela...

– Britt-Britt, ela não quer saber. – Santana alisa a bochecha da dançarina, doce. Eu troco um olhar com Rachel, que está sorrindo também.

– Bom, eu já vou indo. – Aviso, pegando minhas coisas. – Depois nos falamos. – Pisco um olho para San, que assente.

– Você pode me dá uma carona? – Rach me pergunta.

– Claro. – Murmuro, sem encará-la.

– Se você ficar assim, eu vou a pé. – Eu sorrio, de costas para ela.

– Você que sabe.

– Quinnie. – Meu sorriso aumenta.

– San, elas estão namorando? – Britt nos surpreende. Eu congelo. – Vocês parecem namoradas.

– O que estão escondendo? – Santana se junta a dançarina. Eu fuzilo as duas.

– Rachel que esconde coisas, não eu. – Me defendo.

– Ah, falou a senhorita “estava pensando”. – Zomba.

– Sim, eu estava pensando, não escondendo. Diferente de você. – Não estamos brigando, na verdade estamos quase rindo.

– Definitivamente, elas estão namorando. – A latina abraça Britt.

– Falando em namorar... Vamos deixa-las, Rachel. – A morena me dá a mão e nós saímos.

Por Rachel

Carro silencioso. Só a música baixinha soava no fundo. Eu sei que Quinn quer saber do que professor Schue estava falando, mas ela nunca vai dar o braço a torcer. Eu mordo a boca e suspiro alto. Ela me olha rapidamente, voltando a atenção para o transito.

– Ele queria que minha música entrasse para as Seccionais. – Digo, olhando pela janela.

– Por que você não me contou? – Eu não respondo. Não sei o porque. – Quando ele pediu?

– Um dia depois que colocaram o vídeo na internet. – Sussurro. Eu viro para ela, quando sua voz não vem. – Eu só achei uma proposta inútil, não precisava falar. – Justifico. Ela assente. – Quinn...

– Você pensou sobre isso? – Me interrompe.

– Então, eu não tinha o que pensar. – Abaixo a cabeça. – Todos odiaram. Nós perderíamos e a culpa seria minha mais uma vez, sem nem passarmos das Seccionais.

– Sua música é linda. – Fala calma. – Sua voz também.

– Certo, Q. Eu fico feliz por você achar isso, mas... – Eu paro, engolindo seco. Sei que ela fica chateada quando eu falo isso. – Você está com raiva?

– Por que eu estaria com raiva?

– Porque eu não te contei. – Brinco com meus dedos.

– Eu não consigo ficar com raiva de você. – Ri.

– Bom saber. – Sorrio. – Agora que eu contei o meu, você conta o seu.

– O meu o que?

– Para de ser idiota. – Empurro seu ombro devagar, sem atrapalhá-la.

– Estava pensando sobre Santana e Brittany. – Começa. – Desde que eu as conheço, elas se gostam. San demorou um tempão para perceber isso, quando percebeu, não teve coragem para assumir. Quando a coragem chegou, Britt já estava com Artie.

– Você pensou em tudo isso em frações de segundos? – Levanto uma sobrancelha. Ela gargalha.

– Queria que elas se resolvessem, só isso. – Encosta a cabeça no banco. – Elas merecem.

– Qual o mal de me falar?

– Nenhum, Rach. – Suspira fraco. – A vida é tão louca, sabe? Eu nunca imaginei Brittany namorando o Artie.

– Eu nunca imaginei Santana apaixonada. – Admito, franzindo a testa. – Eu achava que ela não tinha coração. Nem você.

– Que eu não tinha coração? – Ela me olha, eu assinto, sem graça. – Mas, você não acha mais?

– Você é uma boa pessoa, Quinn. – Sorrio de lado. – Ele vai notar isso.

– Ele quem? – Pergunta confusa.

– O carinha que você disse que estava gostando. – Encolho os ombros.

– Oh... – A loira solta um riso baixo. – Talvez.

– Você duvida? – Pergunto divertida. – Quinn Fabray insegura?

– Como você pode ver, eu também tenho um coração. – Ri. – Essa pessoa me deixa muito insegura.

– Quando você vai me contar quem é?

– Quando você parar de ser curiosa. – Dá a língua, estacionando o carro. Eu não quero descer. Afundo no banco, adiando. – Quer que eu vá com você?

– Não precisa. – Sussurro. – Vamos ficar aqui só mais alguns minutos?

– Não. – Eu abro a boca surpresa. – Vamos caminhar.

Eu sorrio, descendo do carro. Nós andamos pelo quarteirão, jogando conversa fora. Quinn é, definitivamente, a pessoa que mais me arranca sorrisos. Eu me sinto tão leve perto dela. No fundo, eu sinto um pouco de ciúmes desse cara que ela está afim. Digo, ele tem muita sorte. Um vento sopra e eu encolho, tremendo. A loira sorri, passando um braço no meu ombro. Eu encosto nela, andando junta.

– Você parece uma criança. – Ela brinca.

– Por quê? – Seguro sua mão pendurada.

– Porque você é pequena e toda frágil. – Fala doce, me apertando. Eu derreto com o gesto. – Viu só?

– Você que está me acostumando mal. – Nossos rostos estão bem pertos agora. Meu coração acelera. Eu preciso. Eu quero. Eu estou enlouquecendo. – Sinto muito. – Sussurro.

– Pelo que?

– Por isso. – Eu digo, virando e beijando-a novamente.

Seus lábios movem com os meus, mas eu não abro a boca. Ela o faz, me pegando de surpresa. O beijo é doce e eu estremeço ao sentir sua língua correr ao redor do meu lábio inferior, antes de deslizar para dentro. Sinto uma enorme vontade de aprofundar, mas eu não posso fazer isso. Então, eu me afasto, assumindo a posição anterior. Ela geme baixinho, colocando o braço de volta.

– Você está brincando comigo? – Eu escuto.

Separo-me dela, para fazer contato visual. Percebo sua respiração irregular, como a minha. Eu fui ingênua ao pensar que ela não me chutaria outra vez? Merda.

– Quinn, eu...

– Diga que foi um erro e eu saio daqui e não volto. – Sua voz firme me fez tremer. Eu fecho a boca com força. – Está na hora. Vamos, antes que seus pais fiquem preocupados.

– Você acha isso possível? – Zombo. Ela ri, me abraçando outra vez. Eu suspiro aliviada.

– Tudo é possível, Rach. – Alisa minha bochecha. – Tudo.

Por Quinn

Deito na cama, sorrindo. Ela me beijar outra vez é um bom sinal, certo? E ela não ficou choramingando depois. Fico tentando sentir seu gosto ainda. Como eu queria mais... Suspiro.

– Dai que eu estou falando aqui a meia hora. Sozinha. Tchau, Fabray. – Me tiram do transe.

– Desculpa, San. Eu estou distraída.

– Eu já percebi. – Bufa, levantando. – Amanhã conversamos.

– Não! – Seguro seu braço. – Fique, por favor.

– Estou chateada, Q. E você deve estar com a cabeça em Berry. – Eu mordo o lábio, culpada.

– Por que você está chateada?

– De novo? Puta que pariu. – Esfrega o rosto. – Brittany não disse que ia terminar com Artie, mesmo eu garantindo que ia assumi-la.

– Como é? Por que ela faria isso?

– Vai ver ela está gostando mesmo dele.

– Impossível. – Nego com a cabeça. – Ela deve estar com medo.

– Claro. – Murmura embargada. – Pra que merda ela confiaria em mim?

– Ei, não fale assim. – Bronqueio. – Você é Santana Lopez. Prometeu que não ia desistir e que ia conquista-la de vez.

– Eu não vou desistir. – Suspira, deitando comigo. – E você prometeu conquistar Rachel. – Lembra. Eu sorrio grande. – Epa, existe algo que eu não saiba?

– Ela me beijou. – Sussurro.

– Sim, eu sei. – Vira os olhos.

– Ela me beijou. Hoje.

– SÉRIO? – Grita. – Ah, idiota. Por isso você não estava prestando atenção em mim. Como foi?

– De repente. Perfeito. – Sorrio de lado. – Ela é demais. – Viro para a latina. – San, você não deve ficar assim. Vamos pensar positivo? Eu também estou com um frio na barriga, não sei o que Rachel quer, mas não quero pensar coisas ruins. Você ficou com Britt hoje, ela brigou com Artie. Vamos comemorar.

– Sabe o que, Fabray? – Levanta. – Você está certa. Vamos comemorar!

– Comemorar o que? – Frannie entra no meu quarto. Santana a abraça.

– Berry agarrou sua irmã outra vez. – Eu fuzilo a latina.

– Mentira?

– Estávamos andando e ela me beijou de surpresa. – Dou os ombros, escondendo o sorriso. – Agora Santana levou Britt para o banheiro. – Tento dar o troco, mas não funciona, porque ela levanta a sobrancelha, com o olhar de líder de torcida.

– Você precisa aprender, Quinn. Rachel é mais esperta que você. Que decepção. – Eu entrecerro os olhos, enquanto minha irmã gargalha.

– É, eu realmente achava que o próximo seria atitude de Quinn.

– Dá para vocês pararem com isso? – Cruzo os braços. – Diferente de você, Santana, eu não posso jogar os pés pelas mãos.

– Nós sabemos, Q. Estamos brincando. – Me abraça. – Mas, o próximo tem que vim de você, ok?

– Vocês estão me fervendo. – Aviso. – Não vou aguentar dormir com ela hoje.

– Uh, alguém precisa de um banho gelado. – Nós rimos.

– O pior é que eu já tomei, Fran. – Suspiro. – Estou com vontade de dizer o que eu sinto.

– Tem certeza?

– Tenho medo, Santana. Muita vontade, mas não posso ainda.

– Certo, segure mais um pouco. Quero nossa comemoração. Agora.

Santana queria beber, mas eu não posso beber, eu tenho que ir para casa de Rachel mais tarde. Então, fomos para cozinha fazer várias besteiras para comer. Não demorou muito e eu tive que me arrumar. A latina me deu uma carona até a casa de Rach. Sorri, vendo a morena de pijama abrir a porta para mim. Seus pais... Bom, seus pais dificilmente estão em casa quando eu apareço, ou quando ela vai para a minha. Talvez eles nem saibam disso.

– Pensei que você não viria. – Sussurra, deitando.

– Por quê? – Deito ao lado dela.

– Ah, porque... – Limpa a garganta, sem me olhar. – Não sei, você demorou.

– Santana estava lá em casa. – Explico, puxando seu rosto. – Se eu não viesse, eu avisaria antes.

– Não sou acostumada com pessoas me dando satisfações. Você não precisa, sabe?

– Preciso. – Digo firme. – Olhe para mim. – Ela me encara. – Rachel, nós somos amigas. Eu sempre vou avisar.

– Estou com medo. – Murmura, escondendo a cabeça em meu peito.

– Medo de que? – Franzo a testa, mexendo em seu cabelo.

– De você me deixar.

Sua voz é tão pequena que eu quase não escuto. Um misto de emoções toma conta de mim. Eu aperto seu corpo no meu, segurando-a o mais forte que eu posso. Escuto um soluço abafado.

– Você não... – Tenta falar. – Você não pode... Eu...

– Shhh, tenha calma.

– Você não pode me deixar agora. – Consegue dizer, em um tom mais sério que o normal. – Você não...

– Eu não vou te deixar, Rachel. – Garanto. – Nunca.

Sinto seu corpo relaxar. Rach dá um suspiro aliviado. Dou um pequeno sorriso, beijando sua cabeça. Eu te amo tanto, Rachel... Tanto.

Notas finais
Hey, vocês! Semana corrida. Final de período, está tudo uma loucura. Queria atualizar mais vezes, mas não estou conseguindo. Espero que vocês gostem! E comentem. Eu sumi, mas senti falta de um monte de gente nos comentários. :( Voltem também. hahahaha ;** http://ask.fm/FlorDeLins_