Notas iniciais
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Uma semana havia se passado. Quinn, Santana e Brittany tentaram se aproximar de Rachel de todas as maneiras que conseguiram, mas tudo foi em vão. A pequena cantora não cedia, não respondia a perguntas ou simplesmente ignorava as líderes de torcida. No Glee Clube, sua voz era pouco ouvida, o que já estava causando estranheza no professor Schue. Ele tentou dar algumas músicas para ela, que gentilmente, disse que Mercedes faria melhor. A morena foi surpreendida pela atitude de Rachel, mas logo começou a discursar que, cedo ou tarde, todos perceberiam que ela é a verdadeira estrela no clube. Rachel assentiu, sorrindo falso. Santana virou os olhos e Quinn zombou. Brittany gastava seu tempo naquela sala apenas observando os gestos de Rachel, querendo uma pista do que estava acontecendo. No final, era sempre o mesmo: nada.

Santana estava no banheiro, ajeitando a maquiagem após o treino das Cheerios, quando Rachel entrou depressa, tentando tirar o líquido que escorria em seus olhos. Depois que ela passou água no rosto, percebeu que a latina estava ao seu lado.

– Te jogaram raspadinhas outra vez? — Santana pergunta, franzindo a testa.

– Você está surpresa? — Rachel devolve, sarcástica.

– Sim. Digo... Não, você sabe. Mas, quem comandava as raspadinhas era eu e eu não pedi essas.

– Oh, você quem comandava... — A pequena balança a cabeça, enquanto a latina fecha os olhos com força, arrependida. — Não fique irritada com eles, são bons alunos. Aprenderam bem.

– Rachel, eu não mando ninguém te jogar raspadinhas desde... Uh, acho que desde que voltamos das Nacionais. Eu não pude resistir, estava com muita raiva de você, mas...

– Para. — Santana se assusta com a interrupção. — Eu não ligo para o que você diz ou faz. Eu nunca deixei de levar raspadinhas, isso é o que vale pra mim. E desde quando você me chama pelo meu primeiro nome?

– Eu só...

– Você já terminou? Eu preciso me trocar. Você pode me deixar sozinha?

– Você pode se trocar, por que eu tenho que sair?

– Porque eu não gosto de ter alguém me olhando.

– Ah, Deus, nós fazemos isso sempre, antes e depois do treino...

Vocês fazem sempre. — Rachel fala irritada. — Eu não sou uma cheerio e eu quero privacidade.

– Eu não vou sair. — Santana bate o pé. A pequena fuzila a latina com os olhos e respira fundo.

– Ótimo. Eu me viro no box. Muito obrigada.

Santana pula com a porta batendo forte atrás dela. Por que Rachel tem que ser tão difícil? Certo, eu fui uma vadia, joguei raspadinhas, coloquei nomes, mas agora é diferente. Depois de Glee, tudo mudou. Eu podia continuar xingando ou implicando com a menor, mas não significava que eu não gostava dela, ela é apenas um pouco irritante. Os pensamentos da latina foram interrompidos por um suspiro arrastado. Ela franziu a testa, se aproximando da porta em que a menina estava. Ela está chorando? Mas, nada mais aconteceu. Depois de alguns minutos, a porta se abre. Rachel vira os olhos quando vê que Santana sentada na pia.

– Está muito quente para você se vestir assim. — A pequena a ignora, lavando as mãos. — Por que você não usa roupas mais curtas?

– Alguém me disse uma vez que eu preciso cobrir todas as partes do meu corpo, para que eu poupe sua visão da minha terrível aberração. — Diz calma. Santana sente o coração afundar. Ela disse isso. Mas, ela se arrepende.

– Não precisava levar a sério, sabe? Eu não estava falando a verdade. — Rachel dá os ombros, saindo do banheiro. — Rachel! — Santana pede, mas a pequena já estava fora. — Droga, droga!!! Inferno.

Na hora do almoço as três cheerios viram Rachel sentar afastada de todos. E ninguém parecia se importar. Isso foi o bastante para Quinn. A loira caminhou até a mesa onde estava Kurt e puxou o garoto, sem se importar se ele estava comendo ou não. Ela é Quinn Fabray, ela pode tudo. Kurt olhou para ela, assustado.

– Você não era amigo de Rachel? — Pergunta com raiva.

– Somos apenas companheiros do glee clube. — Franze a testa.

– O que diabos vocês faziam juntos todo dia no auditório?

– Praticávamos. Oh, eu não preciso mais disso. — Ele fala orgulhoso. Quinn abre a boca.

– Quer dizer que Rachel não era sua amiga? Era só um degrau para você alcançar maiores notas?

– Não fale assim, parece que sou um aproveitador.

– Você é, Kurt. — Quinn segura a camisa do menino com força. — Você é uma merda de um aproveitador.

– Já deu, Q, pare. — Santana puxa os braços da amiga, fazendo com que ela o solte.

– Por que diabos você está irritada, Fabray? Você fez da vida de Rachel um inferno. — Kurt solta. Quinn sente suas forças indo embora. Brittany sustenta seu corpo, em um abraço.

– Vai embora, porcelana. Eu posso terminar o que ela começou. — Santana o empurra, se controlando. O menino sai. — Q, está tudo bem.

– Não, não está, Santana. Rachel está assim e a culpa é nossa. — Murmura angustiada.

– Podemos ser culpadas, mas não somos as únicas. — Brittany alisa o braço da amiga, olhando pra mesa onde Kurt voltou, conversando animadamente com Mercedes e outros.

– Britt está certa. — Santana suspira. — Mas, parece que somos as únicas que se importam.

No dia seguinte, professor Schue anunciou a vencedora do solo. Marcedes e Kurt resmungaram, indignados por perderem para latina. Mas, o fato é que ela já sabia que venceria. A única pessoa que ela temia, não competiu. E era nisso que ela estava concentrada. Então, ela levantou a mão e pediu para cantar uma música, em comemoração. As duas amigas levantaram, sorrindo. Santana começou a cantar Lean On Me, sendo seguida por Quinn e logo Brittany entrou. As três faziam uma coreografia, clássica das The Unholy Trinity, posicionadas na frente da menina que encarava o chão. Todos olhavam confusos e assustados por elas estarem cantando para Rachel. No meio da música, a pequena levantou a cabeça, encontrando os olhos das lideres. Quinn quase perde o ritmo ao ver os olhos cristalinos dela. Elas terminaram e os aplausos foram duvidosos. Alguns bateram palma, outros continuavam em choque. O silêncio dominou a sala, enquanto as três continuavam olhavam para Rachel. Ela abriu a boca, mas não disse nada, então ela levantou e saiu. Brittany tentou segui-la, mas Santana segurou seu braço e acenou para Quinn. A loira assentiu, indo atrás de Rachel. Claro que ela estava no banheiro, lá era o esconderijo dela. Quinn se espantou ao abrir todas as portas e não encontrá-la.

Andou por todo o colégio, já estava quase desistindo quando viu a pequena tremendo em um batente da arquibancada, segurando seu braço contra a barriga. A loira se aproximou devagar e sentou ao seu lado.

– Vai embora, Quinn. — Mandou, sem mesmo olhar para ela.

– Por que você está tentando se afastar de nós? — Pergunta triste.

– Porque eu nunca fui próxima de vocês para eu poder me afastar. — Quinn assentiu, chateada.

– Estamos tentando, Rachel.

– Sério? — Rachel vira, sorrindo estranho. — Oh, bem, eu vou esquecer tudo o que vocês me fizeram porque vocês, de um dia para o outro, passaram a me chamar de Rachel.

– Tudo bem, nós merecemos sua revolta. Agora entenda que nós queremos te ajudar.

– Eu não preciso de ajuda. — Diz dura.

– Dane-se, Rachel, quanto tempo você não canta? — A pequena balança a cabeça. — Isso já quer dizer muito.

– Achei que vocês me quisessem calada.

– E perder nossa melhor voz? Por favor... — Quinn segura o braço de Rachel, que choraminga e puxa para longe. — O que houve?

– Não toque em mim.

– Não é como se eu tivesse fogo ou vidro pra te machucar com um toque, Rachel.

– Você já me machucou fazendo bem mais que isso.

– Eu já sei, ok? Eu já sei de tudo isso. Merda! — Quinn segura a cabeça. — O que eu faço para você me perdoar? — Sussurra.

– Nada. — A máscara cai da voz de Rachel. — Por favor, não tente fazer mais isso. Apenas... Me deixem sozinha.

A loira levanta o olhar para a pequena e assente derrotada, deixando-a para trás. Ela volta para a sala, limpando as lágrimas que haviam caído e respirou fundo. Quinn sentou de volta com as amigas e negou para o olhar curioso delas. Santana suspirou, frustrada. Brittany descansou a cabeça no ombro da latina. Ninguém esperava a volta de Rachel, quando ela entrou, como se nada tivesse acontecido e sentou no seu lugar.

– Bom, agora que já estão todos aqui outra vez, vou passar a tarefa para próxima semana. Começarei fazendo diferente, falando sobre o prêmio.

– Poderemos tentar o solo novamente? — Kurt pergunta esperançoso.

– Não, Kurt. O solo é de Santana. Será um novo desafio.

– Acho melhor alguém sentar e chorar, porcelana. — A latina zomba.

– Quem ganhar vai poder escolher uma música para as Seccionais.

– Uou, isso é bom. — Puck bate a mão na de Finn.

– E uma entrada para um jantar no Breadstix. — Os alunos vibraram. — Como vocês não irão comer sozinhos, a competição será em dupla. Vence o melhor dueto.

Kurt correu para os braços de Mercedes, rindo. Mike e Tina deram as mãos, como Santana e Brittany. Finn olhou para Rachel, mordendo o lábio, mas a pequena não devolveu o olhar, então ele se juntou a Puck.

– Você quer se juntar comigo? — Sam pergunta a Quinn. A loira dirige o olhar para a cantora, que ainda não se moveu.

– Desculpe, Sam, eu vou fazer dupla com Rachel. — Diz firme. Todos se calam. Quinn ver o corpo dela ficar tenso.

– Eu não quero fazer um dueto com você. — Fala baixo.

– Você vai ter que fazer. Todas as duplas já estão formadas. — O loiro abre a boca para protestar. — Sam está com o Artie. — Decreta. Eles assentem. — Sobro eu e você.

– É verdade, Rachel. Você precisa ficar com ela. — Professor Schue concorda.

– Não estou interessada no prêmio. — Diz sarcástica. — Não vou participar.

– Mas, eu vou participar e preciso de uma dupla.

– Problema seu, Quinnie. — Santana ri de como Rachel usou o apelido de Quinn, a loira repreende a risada da amiga.

– É uma tarefa obrigatória. Nós fazemos isso para treinarmos, o prêmio é só um incentivo. — O professor avisa.

– Grande prêmio. — Rachel resmunga, deixando todos chocados, menos as três lideres.

– Berry. — Quinn chama. A morena se assusta com o tom. — Você não tem escolha.

– Ok. — Suspira. — Eu faço dupla com você... Fabray. — Um sorriso surge no rosto de Quinn e Brittany. Santana vibra, silenciosamente.

– Ótimo. — Continua firme. Ela se aproxima de Rachel e sussurra no ouvido dela. — Eu não vou te deixar sozinha, Rachel. Não mais.

O que ninguém viu foi o sorriso fraco que Rachel deu quando virou as costas, fingindo não se importar com as palavras de Quinn. Talvez isso seja um início...

Notas finais
Eu fiquei muito feliz quando vi os comentários de vocês. Não tinha ideia de que vocês iriam gostar. Então, como prometido, vou tentar continuar, ok? Espero que vocês gostem, acompanhem e, claro, comentem, porque é isso que me dá vontade para escrever mais e mais. Obrigada a todos que comentaram no anterior e já favoritaram. Vocês são demais. Beeeijos. http://ask.fm/FlorDeLins_