Além da superfície.
2 Se apoie em mim.
Notas iniciais
Uma semana havia se passado. Quinn, Santana e Brittany tentaram se aproximar de Rachel de todas as maneiras que conseguiram, mas tudo foi em vão. A pequena cantora não cedia, não respondia a perguntas ou simplesmente ignorava as líderes de torcida. No Glee Clube, sua voz era pouco ouvida, o que já estava causando estranheza no professor Schue. Ele tentou dar algumas músicas para ela, que gentilmente, disse que Mercedes faria melhor. A morena foi surpreendida pela atitude de Rachel, mas logo começou a discursar que, cedo ou tarde, todos perceberiam que ela é a verdadeira estrela no clube. Rachel assentiu, sorrindo falso. Santana virou os olhos e Quinn zombou. Brittany gastava seu tempo naquela sala apenas observando os gestos de Rachel, querendo uma pista do que estava acontecendo. No final, era sempre o mesmo: nada.
Santana estava no banheiro, ajeitando a maquiagem após o treino das Cheerios, quando Rachel entrou depressa, tentando tirar o líquido que escorria em seus olhos. Depois que ela passou água no rosto, percebeu que a latina estava ao seu lado.
– Te jogaram raspadinhas outra vez? — Santana pergunta, franzindo a testa.
– Você está surpresa? — Rachel devolve, sarcástica.
– Sim. Digo... Não, você sabe. Mas, quem comandava as raspadinhas era eu e eu não pedi essas.
– Oh, você quem comandava... — A pequena balança a cabeça, enquanto a latina fecha os olhos com força, arrependida. — Não fique irritada com eles, são bons alunos. Aprenderam bem.
– Rachel, eu não mando ninguém te jogar raspadinhas desde... Uh, acho que desde que voltamos das Nacionais. Eu não pude resistir, estava com muita raiva de você, mas...
– Para. — Santana se assusta com a interrupção. — Eu não ligo para o que você diz ou faz. Eu nunca deixei de levar raspadinhas, isso é o que vale pra mim. E desde quando você me chama pelo meu primeiro nome?
– Eu só...
– Você já terminou? Eu preciso me trocar. Você pode me deixar sozinha?
– Você pode se trocar, por que eu tenho que sair?
– Porque eu não gosto de ter alguém me olhando.
– Ah, Deus, nós fazemos isso sempre, antes e depois do treino...
– Vocês fazem sempre. — Rachel fala irritada. — Eu não sou uma cheerio e eu quero privacidade.
– Eu não vou sair. — Santana bate o pé. A pequena fuzila a latina com os olhos e respira fundo.
– Ótimo. Eu me viro no box. Muito obrigada.
Santana pula com a porta batendo forte atrás dela. Por que Rachel tem que ser tão difícil? Certo, eu fui uma vadia, joguei raspadinhas, coloquei nomes, mas agora é diferente. Depois de Glee, tudo mudou. Eu podia continuar xingando ou implicando com a menor, mas não significava que eu não gostava dela, ela é apenas um pouco irritante. Os pensamentos da latina foram interrompidos por um suspiro arrastado. Ela franziu a testa, se aproximando da porta em que a menina estava. Ela está chorando? Mas, nada mais aconteceu. Depois de alguns minutos, a porta se abre. Rachel vira os olhos quando vê que Santana sentada na pia.
– Está muito quente para você se vestir assim. — A pequena a ignora, lavando as mãos. — Por que você não usa roupas mais curtas?
– Alguém me disse uma vez que eu preciso cobrir todas as partes do meu corpo, para que eu poupe sua visão da minha terrível aberração. — Diz calma. Santana sente o coração afundar. Ela disse isso. Mas, ela se arrepende.
– Não precisava levar a sério, sabe? Eu não estava falando a verdade. — Rachel dá os ombros, saindo do banheiro. — Rachel! — Santana pede, mas a pequena já estava fora. — Droga, droga!!! Inferno.
Na hora do almoço as três cheerios viram Rachel sentar afastada de todos. E ninguém parecia se importar. Isso foi o bastante para Quinn. A loira caminhou até a mesa onde estava Kurt e puxou o garoto, sem se importar se ele estava comendo ou não. Ela é Quinn Fabray, ela pode tudo. Kurt olhou para ela, assustado.
– Você não era amigo de Rachel? — Pergunta com raiva.
– Somos apenas companheiros do glee clube. — Franze a testa.
– O que diabos vocês faziam juntos todo dia no auditório?
– Praticávamos. Oh, eu não preciso mais disso. — Ele fala orgulhoso. Quinn abre a boca.
– Quer dizer que Rachel não era sua amiga? Era só um degrau para você alcançar maiores notas?
– Não fale assim, parece que sou um aproveitador.
– Você é, Kurt. — Quinn segura a camisa do menino com força. — Você é uma merda de um aproveitador.
– Já deu, Q, pare. — Santana puxa os braços da amiga, fazendo com que ela o solte.
– Por que diabos você está irritada, Fabray? Você fez da vida de Rachel um inferno. — Kurt solta. Quinn sente suas forças indo embora. Brittany sustenta seu corpo, em um abraço.
– Vai embora, porcelana. Eu posso terminar o que ela começou. — Santana o empurra, se controlando. O menino sai. — Q, está tudo bem.
– Não, não está, Santana. Rachel está assim e a culpa é nossa. — Murmura angustiada.
– Podemos ser culpadas, mas não somos as únicas. — Brittany alisa o braço da amiga, olhando pra mesa onde Kurt voltou, conversando animadamente com Mercedes e outros.
– Britt está certa. — Santana suspira. — Mas, parece que somos as únicas que se importam.
No dia seguinte, professor Schue anunciou a vencedora do solo. Marcedes e Kurt resmungaram, indignados por perderem para latina. Mas, o fato é que ela já sabia que venceria. A única pessoa que ela temia, não competiu. E era nisso que ela estava concentrada. Então, ela levantou a mão e pediu para cantar uma música, em comemoração. As duas amigas levantaram, sorrindo. Santana começou a cantar Lean On Me, sendo seguida por Quinn e logo Brittany entrou. As três faziam uma coreografia, clássica das The Unholy Trinity, posicionadas na frente da menina que encarava o chão. Todos olhavam confusos e assustados por elas estarem cantando para Rachel. No meio da música, a pequena levantou a cabeça, encontrando os olhos das lideres. Quinn quase perde o ritmo ao ver os olhos cristalinos dela. Elas terminaram e os aplausos foram duvidosos. Alguns bateram palma, outros continuavam em choque. O silêncio dominou a sala, enquanto as três continuavam olhavam para Rachel. Ela abriu a boca, mas não disse nada, então ela levantou e saiu. Brittany tentou segui-la, mas Santana segurou seu braço e acenou para Quinn. A loira assentiu, indo atrás de Rachel. Claro que ela estava no banheiro, lá era o esconderijo dela. Quinn se espantou ao abrir todas as portas e não encontrá-la.
Andou por todo o colégio, já estava quase desistindo quando viu a pequena tremendo em um batente da arquibancada, segurando seu braço contra a barriga. A loira se aproximou devagar e sentou ao seu lado.
– Vai embora, Quinn. — Mandou, sem mesmo olhar para ela.
– Por que você está tentando se afastar de nós? — Pergunta triste.
– Porque eu nunca fui próxima de vocês para eu poder me afastar. — Quinn assentiu, chateada.
– Estamos tentando, Rachel.
– Sério? — Rachel vira, sorrindo estranho. — Oh, bem, eu vou esquecer tudo o que vocês me fizeram porque vocês, de um dia para o outro, passaram a me chamar de Rachel.
– Tudo bem, nós merecemos sua revolta. Agora entenda que nós queremos te ajudar.
– Eu não preciso de ajuda. — Diz dura.
– Dane-se, Rachel, quanto tempo você não canta? — A pequena balança a cabeça. — Isso já quer dizer muito.
– Achei que vocês me quisessem calada.
– E perder nossa melhor voz? Por favor... — Quinn segura o braço de Rachel, que choraminga e puxa para longe. — O que houve?
– Não toque em mim.
– Não é como se eu tivesse fogo ou vidro pra te machucar com um toque, Rachel.
– Você já me machucou fazendo bem mais que isso.
– Eu já sei, ok? Eu já sei de tudo isso. Merda! — Quinn segura a cabeça. — O que eu faço para você me perdoar? — Sussurra.
– Nada. — A máscara cai da voz de Rachel. — Por favor, não tente fazer mais isso. Apenas... Me deixem sozinha.
A loira levanta o olhar para a pequena e assente derrotada, deixando-a para trás. Ela volta para a sala, limpando as lágrimas que haviam caído e respirou fundo. Quinn sentou de volta com as amigas e negou para o olhar curioso delas. Santana suspirou, frustrada. Brittany descansou a cabeça no ombro da latina. Ninguém esperava a volta de Rachel, quando ela entrou, como se nada tivesse acontecido e sentou no seu lugar.
– Bom, agora que já estão todos aqui outra vez, vou passar a tarefa para próxima semana. Começarei fazendo diferente, falando sobre o prêmio.
– Poderemos tentar o solo novamente? — Kurt pergunta esperançoso.
– Não, Kurt. O solo é de Santana. Será um novo desafio.
– Acho melhor alguém sentar e chorar, porcelana. — A latina zomba.
– Quem ganhar vai poder escolher uma música para as Seccionais.
– Uou, isso é bom. — Puck bate a mão na de Finn.
– E uma entrada para um jantar no Breadstix. — Os alunos vibraram. — Como vocês não irão comer sozinhos, a competição será em dupla. Vence o melhor dueto.
Kurt correu para os braços de Mercedes, rindo. Mike e Tina deram as mãos, como Santana e Brittany. Finn olhou para Rachel, mordendo o lábio, mas a pequena não devolveu o olhar, então ele se juntou a Puck.
– Você quer se juntar comigo? — Sam pergunta a Quinn. A loira dirige o olhar para a cantora, que ainda não se moveu.
– Desculpe, Sam, eu vou fazer dupla com Rachel. — Diz firme. Todos se calam. Quinn ver o corpo dela ficar tenso.
– Eu não quero fazer um dueto com você. — Fala baixo.
– Você vai ter que fazer. Todas as duplas já estão formadas. — O loiro abre a boca para protestar. — Sam está com o Artie. — Decreta. Eles assentem. — Sobro eu e você.
– É verdade, Rachel. Você precisa ficar com ela. — Professor Schue concorda.
– Não estou interessada no prêmio. — Diz sarcástica. — Não vou participar.
– Mas, eu vou participar e preciso de uma dupla.
– Problema seu, Quinnie. — Santana ri de como Rachel usou o apelido de Quinn, a loira repreende a risada da amiga.
– É uma tarefa obrigatória. Nós fazemos isso para treinarmos, o prêmio é só um incentivo. — O professor avisa.
– Grande prêmio. — Rachel resmunga, deixando todos chocados, menos as três lideres.
– Berry. — Quinn chama. A morena se assusta com o tom. — Você não tem escolha.
– Ok. — Suspira. — Eu faço dupla com você... Fabray. — Um sorriso surge no rosto de Quinn e Brittany. Santana vibra, silenciosamente.
– Ótimo. — Continua firme. Ela se aproxima de Rachel e sussurra no ouvido dela. — Eu não vou te deixar sozinha, Rachel. Não mais.
O que ninguém viu foi o sorriso fraco que Rachel deu quando virou as costas, fingindo não se importar com as palavras de Quinn. Talvez isso seja um início...
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