Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=to1s2EgFr_8

Três dias haviam se passado desde que as duplas foram formadas. Quinn foi atrás de Rachel em todos eles, mas a morena simplesmente sumia nos corredores. No terceiro dia, as duas tiveram aula juntas. Santana trocou um olhar com Brittany, sabendo que aquela era a hora certa. Rachel repetiu os seus mesmos gestos, quase mecanicamente. Quinn poderia prever todos os movimentos da pequena. Os olhares das três não a fizeram virar. Santana bufou. A latina percebeu que se importava bastante com Rachel, mas isso estava sendo mais difícil que o esperado. Às vezes, ela só queria encurralara, usar seu olhar ameaçador e fazer Rachel parar de agir assim.

Santana viu quando Quinn dobrou um pequeno papel e pediu para que passassem para a morena. Alguns rostos viraram chocados, mas elas mantiveram suas posturas de lideres de torcidas intocáveis, fazendo com que eles assentissem, passando o papel para frente. Rachel abriu o papel, inexpressiva.

Pare de fugir. Nós temos que ensaiar algo. Hoje passarei em sua casa depois do treino, estou avisando para que você não tenha nenhuma surpresa. Esteja pronta. – Q.F.

As meninas observaram como Rachel revirou os olhos e repetiram o gesto da morena, sem perceberem. Teimosa.

– Rachel, você poderia responder a questão para nós, por favor? – A professora mandou um olhar furioso para a morena.

– Eu... É... – Balbuciou, confusa. – A senhora pode repetir? – Rachel pede, corando.

– Está no quadro. – Avisa. Alguns alunos começaram a rir baixinho, deixando Rachel ainda mais nervosa.

– Oh, sim. – Olha para o quadro, sem entender nada. Quinn morde o lábio, se sentindo culpada. – É...

– Vamos lá, Manhands, não temos o dia todo. – As risadas aumentam. A pequena engole seco, parecendo suar.

– Eu... Eu sinto muito.

Sem dar tempo de reação para a professora, Rachel levantou-se de sua cadeira e correu da sala. Brittany escondeu o rosto nas mãos, enquanto Santana levantava para reclamar com a pessoa que tinha xingado Rachel. Quinn precisou segurar a amiga, mesmo querendo bater no idiota. Ela quis seguir a morena, mas a professora a impediu. Rachel foi em direção ao banheiro, se trancando em seu box de sempre. Ela tenta controlar a respiração, sem sucesso. Por que as pessoas a odeiam tanto? Mesmo calada, ela continua incomodando. Tão feia ela é para que eles a tratem desse jeito? Suas mãos começaram a tremer fortemente. Ela puxa um pedaço de papel para enxugar o rosto. A temperatura parecia ter subido ao máximo, estourando todos os termômetros. Rachel abre sua bolsa e segura seu, agora preferido, objeto.

O toque do término da aula soou pela escola. A menina respirou fundo, antes de sair dali. Quando abriu a porta, deu de cara com outra pessoa, sentada na pia.

– Merda, Santana. – Rachel leva uma mão ao coração. – Pare de me assustar.

– Só quando você resolver parar de se esconder no banheiro. O que diabos você fica fazendo aí?

– Eu não me escondi. Apenas passei mal. – Murmura.

– Claro, todos os dias você passa. – Diz, desconfiada. – Olha, eu tenho bons motivos para me trancar no banheiro e eu tenho certeza que não é por isso que você está fazendo. – Santana ri, maliciosa, tentando contagiar a morena.

– Eu só vou dizer mais uma vez, Santana: Me deixe em paz. – Avisa, séria. O sorriso da latina some.

– E eu digo quantas vezes for preciso, Berry: Eu não vou desistir. – Ela tenta segurar o braço da pequena, que se afasta rapidamente. – Sinto falta de suas saias, ao menos elas mostravam suas pernas. – O corpo de Rachel fica tenso. Santana engole seco com o olhar que recebe. Ela não conseguia lê-lo.

– Minhas saias? – Ri irônica. – As saias mais feias do colégio? Você sente falta delas, oh, por causa de minhas pernas? Dane-se, Santana. Dane-se.

Rachel vai embora com raiva, deixando a latina, mais uma vez, surpresa com seu comportamento. Quinn entrou logo em seguida, para saber o que tinha acontecido.

– Ela está fazendo tudo que nós censuramos, Q. – Santana segura a pia com força. – As roupas, a voz, seu corpo.

– Oh, meu Deus. – Quinn descansa a cabeça na parede. – Por que ela foi levar tão a sério, San?

– Acho que nós fomos longe demais. – Sussurra.

A prática dos Cheerios demorou mais que a capitã pretendia. Ela não conseguia se concentrar. Tudo o que queria fazer era correr para a casa da morena. Mas, ao mesmo tempo, estava com muito medo. E se ela a expulsasse de lá? Sue percebeu que o treino do dia não iria render bons resultados, então gritou com todas elas antes de liberá-las. A loira praticamente voou para o banho, se trocando depressa. Ela estacionou o carro na frente da residência dos Berrys e respirou fundo. Ela precisa fazer, ela tem que fazer. Toca a companhia, nervosa. Ninguém atendeu. Quinn ia tocar outra vez, quando a porta se abriu na frente dela, revelando um homem alto, bonito.

– Pois não? – Ele pergunta. Ela não consegue falar. – Quinn? Quinn Fabray?

– Oh, como vai, Sr Hiram? – Ela estende a mão para o homem, que aceita o aperto. – Rachel está?

– Ela está em seu quarto. – Fala desconfiado. – Você quer entrar? – Ele se afasta, dando passagem a loira.

– Sim, eu preciso fazer um trabalho com ela. Licença.

– Toda. Você precisa que te guie até lá?

– Não será preciso, obrigada. – Sorri educadamente.

Quinn já esteve ali antes, em um ensaio com todas as meninas do Glee. Rachel que tinha combinado tudo. Ela fez vários biscoitos e sobremesas, mostrou toda sua coleção de musicais e falou como só ela consegue falar. Ou conseguia. Quinn percebeu que sentia falta disso. Sentiu seu coração afundar em culpa. Nesse dia, ela e Santana não pararam de fazer piadas com a pequena, que parecia não se importar. Ela parou na frente do quarto de Rachel, estranhando a falta da estrela e bateu na porta.

– Estou ocupada, pai.

– Não é o seu pai. – Quinn avisa, rindo.

Mas, seu riso cessa quando Rachel abre a porta de seu quarto e Quinn ver suas paredes vazias. A loira caminha, em choque, para dentro, olhando tudo. Depois de alguns minutos de silêncio, ela finalmente olha para Rachel, que está a encarando, com uma sobrancelha levantada.

– Onde... Onde estão seus pôsteres? – Sussurra.

– No lixo. – Responde fria.

– Por que... Deus, Rachel, por que você fez isso?

– Porque eu não queria mais eles. – Fala como se fosse óbvio.

– Não queria o pôster da Barbra? Aquele que você falou durante meses? – Pergunta incrédula.

– Era só um pôster estúpido, Quinn. – Ela vira os olhos, sentando na cama. – O que você quer?

– Como o que eu quero? Você é minha dupla para a tarefa do Glee, esqueceu?

– Oh, sim, claro. – Bufou. – Por sua culpa.

– Sim, por minha culpa. – Quinn fala irritada. – Você não pensou em nada?

– Na verdade... – Ela suspira. – Eu tive uma ideia.

– Sério? – O rosto de Quinn se ilumina. – Qual?

– Nós poderíamos juntar duas músicas.

– Perfeito. – A loira senta na cama, ao lado da morena. – Que músicas usaremos?

– I Feel Pretty e Unpretty. – Ela dá os ombros. Quinn a olha, confusa. – Você não conhece, certo?

– Não. – Confessa. Rachel balança a cabeça. – O que? Você é quem entende dessas músicas. Eu posso escutá-las?

A morena não responde, mas levanta e liga o som. Quinn escuta as músicas, atenciosamente. Seu estômago embrulha com as escolhas de Rachel. O que isso significa? Ela olha para a morena, que está olhando para um ponto fixo na parede.

– Não sei se combinariam, Rachel. – A loira é sincera.

– Pegue isso. – Rachel dá um papel para Quinn, que fica surpresa ao ver seus nomes em partes rabiscadas da letra da música. – Você consegue pegar o ritmo vendo as notas?

– Acho que sim. – Responde, incerta.

– Tente me acompanhar.

A pequena pega um violão atrás dela e começa a dedilha-lo. Quinn a olha, hipnotizada, esquecendo-se da letra. Rachel bufa, parando de tocar e encara loira, que cora suavemente, pegando seu papel. O som do violão volta. Rachel assente e Quinn começa a cantar a parte que a morena marcou para ela. O ritmo era diferente da música original e Quinn estava gostando disso. De repente, a voz de Rachel entra. A loira paralisa. Há quanto tempo ela não a escutava? Ainda é linda, apesar de estar um pouco rouca, como se ela não tivesse praticando muito. Foi preciso Rachel acenar mais uma vez, para que Quinn lembrasse que ela precisava cantar também. Então, as duas vozes se juntaram. Duas vozes totalmente diferentes, se completando em uma harmonia perfeita. Rachel deu um pequeno sorriso, que não passou despercebido para Quinn. Ambas relaxaram, entrando no clima da canção. Quando terminaram, a loira levantou, batendo palma e vibrando. Rachel riu. Sim, ela riu.

– Isso foi incrível, Rachel! Incrível.

– Precisamos passar mais algumas vezes e... – A morena percebe o que está fazendo e para de repente. – Bom, você pode levar o papel para casa e nós apenas cantamos lá.

– Não! – Quinn repreende a atitude dela. – Nós iremos ensaiar mais, vamos lá.

A loira senta outra vez. Rachel balança a cabeça, com um sorriso tímido no rosto, aquecendo o coração de Quinn. As duas passaram a música cinco vezes e pararam um pouco. A loira notou o incomodo da pequena quando seus pais bateram na porta, avisando-a que iam sair, mas isso logo passou. Rachel pegou refrigerante e pipoca para a Quinn. Elas não perceberam que estavam conversando normalmente. Nenhuma das duas se deu conta do que estava acontecendo.

– Ninguém suporta as ideias de Mercedes, nem mesmo Kurt. Um dueto desses dois vai ser algo deprimente. – Quinn solta, rindo.

– Ela viaja um pouco, né? – Rachel ri junto.

– Um pouco, Rach? Ela viaja demais. – Gargalha. A pequena morde o lábio. Quinn acabou de chamá-la pelo apelido? – A verdade é que nós já ganhamos isso.

– Podemos perder para Sam e Artie. – Diz. Quinn a olha assustada, mas vê que a pequena está prendendo o riso e percebe que é brincadeira. A loira empurra fraco seu ombro, rindo. – Eu aposto que eles cantarão...

– Katy Perry. – Dizem juntas, compartilhando mais uma risada.

Rachel levanta a mão para bater com a de Quinn, fazendo seu blusão descer um pouco. A loira segura o braço dela, seu coração congela. Rachel o puxa rapidamente, se afastando dos olhos temorosos de Quinn.

– Rachel, o que é isso?

– Não sei do que você está falando. – Sua voz volta ao tom frio. Quinn lamenta.

– Você está... machucada. – A voz da loira falha.

– Eu... Eu cai e me arranhei, mas... Não foi nada demais.

– Deixa eu ver. – Pede.

– Não precisa.

– Deixa eu ver, Rachel. – Quinn é firme.

– Eu disse que não. Nós já terminamos de ensaiar, você já pode ir embora.

– EU PEDI PRA VER, BERRY. – Grita, assustando a menor. Quinn se arrepende no momento que vê o medo nos olhos de Rachel. – Eu sinto muito, eu não queria...

– Vai embora.

– Rachel, por favor...

– Só saia, Quinn.

A loira assente, sabendo que não tem mais jeito de ir contra Rachel. Ela tinha estragado tudo. Quinn pega sua bolsa, olha mais uma vez para a morena, que está de costas para ela, suspira e sai. Rachel tranca a porta do seu quarto de chave. Quando ela vê o carro de Quinn saindo de sua calçada, ela se vê livre. A pequena solta um grito angustiado. O que ela fez? Se deixou levar por Quinn Fabray? Logo pela pessoa que mais fez mal a ela? Quão estúpida e fraca ela é? Todo esse tempo, tentando ignorar todo mundo, para cair na primeira oportunidade que Quinn tem de humilhá-la. Rachel corre para o banheiro, abrindo sua gaveta e pega uma lâmina. Suas mãos tremem. Amanhã ela será piada, novamente, no colégio. A morena puxa sua camisa, revelando todas suas cicatrizes, que tanto luta para esconder, inclusive a que ela fez mais cedo, depois da cena patética na aula. Culpa de quem mesmo? Respirando fundo, Rachel passa a lamina em seu braço, deixando as lágrimas saírem. Uma explosão de alívio toma conta do corpo da pequena.

A imagem do braço marcado de Rachel não saiu da cabeça de Quinn, que dirigiu em um caminho que ela fazia sempre, perigosamente, porque assim que ela entrou no carro, caiu em um choro desesperador. Ela não quer pensar nisso, ela se recusa a pensar nisso. É demais, até mesmo para Rachel. É impossível. Essa possibilidade maltrata a loira e ela precisa ser descartada, urgente. Quinn para o carro, rezando para que não tenha ninguém em casa. Ela toca a companhia, engolindo os soluços. Quando a porta se abre, ela sente seu peso aumentar, mas braços a envolvem, não deixando que ela caísse.

– Deus, Q, o que aconteceu? – Santana leva a amiga para dentro de casa, sentando-a no sofá, mas sem afastá-la do abraço. Quinn segura a blusa da latina com força. – Shhhh... Calma. Eu estou aqui. Calma.

A latina passa horas esperando o choro da amiga terminar, tentando confortá-la. Seu coração estava na mão por vê-la assim, ainda mais sabendo que ela esteve com Rachel a tarde toda. Quando ela percebeu que a respiração de Quinn normalizou, estava pronta para pergunta-la o que houve, mas a loira tinha caído no sono...

Notas finais
Muito feliz pelos comentários de vocês, por estarem recebendo a fic tão bem. Espero que vocês gostem do novo capítulo. Quero que vocês conheçam mais o lado de Rachel agora. Vai ser um pouco difícil fazê-la confiar nas meninas, mas elas não irão desistir. Talvez eu comece a escrever do ponto de vista delas. Continuem comentando, porque eu adoro saber o que vocês estão achando. Assim eu tenho uma direção certa para escrever... Como eu não vou atualizar essa fic mais esse ano: Feliz Ano Novo para todos vocês. Espero vocês aqui ano que vem ;) hahahaha E pra quem acompanha Meu Melhor Remédio: acho que amanhã eu posto, então até lá. :*** http://ask.fm/FlorDeLins_