Além da superfície.
79 Saudade de você.
Notas iniciais
Por Rachel
– Saudade de você. – Eu sorrio, fechando os olhos.
– Você me vê todos os dias, Quinn. – Ela abraça minha cintura.
– Saudade de ter você na minha cama. – Sussurra. – De te fazer minha.
– Para. – Viro em seus braços. – Eu também estou com saudades. – Faço um pequeno bico. – Prometo que hoje eu tento ir.
– Não me deixa com esperança. – Suspira. – Hiram irá inventar outra desculpa e...
– Shhhh...
Eu me aproximo, buscando sua boca. Quinn prende os dedos em meu cabelo e eu descanso os braços em seus ombros. Já se passaram duas semanas desde o baile. Papai levou aquele final de semana a sério e começou a me proibir de dormir na casa da loira. Não que isso que fosse algo que nos impedisse, mas combinamos de evitar brigar em nossas casas. Também andamos ocupadas. É final de ano e as provas do colégio começaram. Além disso, temos os ensaios para as Nacionais e eu preciso focar em minha audição para NYADA. Às vezes ensaio com Harmony, outras vezes passo da hora aqui no auditório mesmo. Isso faz com que eu não me sinta uma criança de 12 anos que tem que seguir regras estúpidas dos pais. Tem sido um pouco puxado, mas bastante compensador. Bem, quase tudo.
Lógico que eu sinto falta de estar o tempo todo com minha namorada, só que precisamos lembrar, que se nós queremos morar juntas mesmo ano que vem, teremos que passar por tudo isso. Ela já tem a aprovação dela. Eu, infelizmente, ainda não.
– Se desgrudem. O ensaio vai começar. – Ouço Santana resmungar. Nós nos afastamos.
Quinn segura minha mão, me puxando para a primeira fileira de cadeiras. Logo o resto do clube do coral entra no auditório, sendo seguidos pelo professor Schue. Mercedes e Sam sentam juntos agora. Eles conversam normalmente, mas nunca demonstraram nada além. Ao menos não em público. Brittany tem certeza que eles estão ficando escondidos de nós.
– Paradise By The Dashboard Light. – O professor cruza os braços. – Essa será nossa terceira música.
– E como ficará a divisão? – Tina pergunta, curiosa.
– Bom... Eu tive algumas ideias. – Pega um caderno. – Mas...
– Algum problema?
– Na verdade, sim, Artie. – Ele me encara. – Quero dizer, não sei se será um problema.
– É comigo? Quer mudar o meu solo?
– Não, Rachel, claro que não. – Ri. – É com você, mas não é isso.
– Pode falar, professor. – Peço.
– Eu pensei em fazer a performance com encenação. Sabemos que para ganharmos uma Nacional precisamos de criatividade. – Nós assentimos. – Finn fará a introdução. Puck entrará depois dele. Então, decidi pegar alguns casais. Kurt cantará com Blaine. – Eles comemoram, se abraçando. – Santana cantará com Brittany. – As duas sorriem com os dedos entrelaçados. – Lembrando que todos estarão no palco.
– Então...?
– Então, vem a maior parte da encenação. E, é lógico, eu preciso dos capitães do grupo. – Um silêncio se instala. Quinn se remexe ao meu lado. – Eu preciso que você cante com Finn.
– Eu... – Engulo seco, lembrando das Nacionais do ano passado.
O beijo. A lista. Desclassificados. Os gritos. As expressões decepcionadas. Sozinha no quarto. A culpa.
– Ainda não encontrei o problema. – A voz de Sam me traz de volta.
– Ela está com medo. – Mercedes explica em um tom sarcástico. – Ela pode colocar tudo a perder outra vez.
– Cala boca. – Quinn grunhe. – Amor, você pode fazer isso.
– Eu não quero. – Sussurro para ela. – Professor, se o senhor precisa de casais, por que não Tina e Mike?
– Rachel, não é questão de casal. Iremos competir as Nacionais. Precisamos das nossas melhores armas. E... Vocês são as nossas melhores vozes.
– Eu...
– Rach. – Finn se aproxima. Quinn me puxa mais para perto. – Nós conseguiremos. Essa música é animada. Não tem nada a ver com a do ano passado. Não tenha medo.
– Não importa a música, Finn. Rachel não precisa temer nada. Poderia ser a música mais romântica do mundo. Ela não faria outra vez. – Minha namorada diz, séria.
– É questão de clima, Quinn. Nós nos deixamos levar...
– Sim! Naquela época. Esse “clima” – Ela faz as aspas com os dedos. – Não existe mais. Fique tranquilo.
– E por que ela está com tanto medo? – Provoca. Quinn me olha.
– Eu não... – Franzo a testa. – Eu não estou com medo por causa disso. Só não quero estragar mais uma vez.
– Você não estragará. – Professor Schue garante.
– Olha, se ela está insegura, melhor não arriscarmos.
– Mercedes! – Sam bronqueia. – Rachel pode fazer sim.
– Ok, tudo bem, tudo bem. Eu faço.
– Ótimo. – Professor Schue levanta, arrastando a cadeira do palco. – Mike, Britt.
Os dançarinos sobem ao palco, ouvindo atentamente as instruções do professor. Quinn encara Finn, com uma expressão furiosa, mas o menino não devolve o olhar. Eu seguro seu queixo, fazendo-a virar para mim. Seus olhos suavizam e ela solta um suspiro arrastado. Enquanto os outros dois conversam, professor Schue passa os papeis com a letra da música e nossos nomes já marcados neles. Ele realmente pensou em tudo dessa vez. Se alguém discordasse dessa ideia, ele teria alguns problemas.
– Aí vocês dois saem para Puck se aproximar dançando com Britt. – Avisa. – Atrás estarão Sam e Santana, Tina e Mike e Joe e Quinn.
– O que? – Eu franzo a testa. – Não!
– Rachel. – Quinn sorri, divertida. – É só uma dança.
– Joe e Santana e Quinn e Sam. – O professor troca.
– Quinn e Mike. – Tento.
– Hey, não. Mike é meu par. Nós nunca dançamos juntos. – Tina protesta.
– Sam e Sugar. – Quinn diz. – Eu ainda estou me atrapalhando com Edge Of Glory.
– Tudo bem, você entra depois com os outros. – Risca o papel.
– Quer dizer que você pode dançar com o Finn, que é seu ex namorado, que é louco por você e eu não posso ter dez segundos de dança com Joe? – Brinca, me abraçando.
– Preciso lembrar que Joe também é louco por você e que, Deus, ele me odeia?
– Ele não te odeia, Rach.
– Ah, ele odeia sim. – Olho para o rapaz. – Mas, se ele te tomasse de mim, eu também o odiaria. – Ela ri.
– Você não me tomou dele.
– Não é o que ele pensa.
Quinn nega, rindo. Nós começamos a ensaiar as vozes e depois pegamos os primeiros passos. Brittany e Mike se empolgaram demais dessa vez. O ensaio já durava quase duas horas. Com as meninas dispensadas do treino das Cheerios e os meninos treinando mais cedo com o futebol americano, sobra mais tempo para nos dedicarmos quando não temos aula depois. Três anos de clube e Finn ainda nos dá trabalho para pegar a coreografia. Ele já melhorou um monte desde que entramos, mas... É complicado. Na verdade, eu até me divirto com a falta de habilidade dele. Certo que algumas vezes eu me estresso, mas não temos muito que fazer, então é melhor rir.
Estávamos todos mortos e suados, deitados no chão do auditório, quando o professor nos sorri orgulhoso e anuncia o fim do ensaio. Em questões de segundos, o lugar esvazia. Quinn avisa que tomará um banho no banheiro das lideres e Santana vai com ela. Eu gostaria de ir junto, mas com Becky agora na vigia do banheiro só torna tudo mais complicado. Sue a avisou que com a pouca quantidade de treinos, poderíamos aproveitar o banheiro vazio. Ela estava certa. Nós pensamos nisso. Nós tentamos isso. Mas... Lá estava Becky, gritando e batendo nas portas a todo minuto.
– Podemos conversar? – A dançarina pede, enquanto passa o pano em sua testa.
– Claro, Britt. – Tomo um pouco d’água. – Está tudo bem?
– Não muito. – Encolhe os ombros. – Rach, você sabe que...
– Você precisa de ajuda com alguma coisa? Alguma matéria? Eu posso te ajudar com...
– Rachel. – Me interrompe. Eu me assunto. – Eu realmente não sei se conseguirei passar. – Abro a boca, mas ela continua. – Eu vim te pedir ajuda para outra coisa, no entanto.
– Não estou entendendo.
– Santana está se esquecendo dela. – Suspira. – Ela só pensa em me ajudar e estudar comigo e... Eu não tenho visto ela ensaiar, Rachel. Apenas aqui no coral, mas não é suficiente, certo? Você tem visto? – Eu paro, pensando.
– Não. – Mordo o lábio. – Eu a chamei uns dias, mas ela não podia ficar. Eu até ensaiei com o Kurt e Blaine.
– Ela não podia por quê?
– Ahn... – Ela solta um riso baixo. – Você.
– Sim. Eu sinto que estou atrapalhando ela, sabe? – Senta no banco do piano. – Eu confio em San, mas ela precisa ensaiar. Ela não sabe nem a música que cantará, Rachel.
– Ela está preocupada.
– Eu sei, Rach. – Esconde o rosto nas mãos. – E eu estou por ela. Santana não pode se prender em mim. Ela não pode ficar presa nessa droga de cidade por minha culpa.
– Britt...
– As chances que eu tenho de passar no colégio são pouquíssimas. Quem dirá para universidade. Vamos ser realistas, Rachel. – Bate no chão, irritada.
– Calma, Brittany. – Seguro seus ombros.
– Eu... Eu ia pedir para Quinn ter uma daquelas conversas cabeça que só ela consegue ter com Santana, mas... É você quem precisa ajudá-la, entende? Vocês duas têm o mesmo sonho. As duas querem NYADA, as duas querem... Fazer esses musicais loucos que passam na TV. As duas querem...
– Nós queremos nossas namoradas com a gente. – Ela abaixa a cabeça.
– É. – Suspira. – Rachel. Você pode falar com ela?
– Claro que sim, Britt. Santana me ajudou com a inscrição, óbvio que eu vou ajudá-la com os ensaios.
– Obrigada. – Sussurra.
– O que vai acontecer? – Ele me encara, com os olhos cristalizados. – O que acontecerá com vocês duas?
– Nós... Eu não sei. Não diz para ela que nós conversamos, ok? Por favor.
– Eu não direi. – A abraço. A dançarina me aperta. – Vai dar tudo certo.
– É que o que sempre dizem.
Por Quinn
Estaciono o carro na frente no galpão de ensaios do grupo de Harmony. Está lotado hoje e eu suspiro aliviada por isso. Odeio quando Rachel vem para cá e a de olhos azuis está sozinha. Vejo minha namorada rir de alguma coisa que estão falando e me aproximo, devagar. Harmony me olha, fazendo Rachel virar em minha direção com um sorriso grande. A abraço.
– Boa noite, Quinn.
– Boa noite, Harmony. – Respondo, educada. – Oi, gente. – Aceno para o grupo, meio envergonhada. Eles devolvem o aceno. São simpáticos e sorridentes.
– O que veio fazer aqui?
– Quer que eu vá embora? – Levanto uma sobrancelha.
– Não, boba. – Rachel vira os olhos. – Você não me avisou.
– Deveria ter avisado?
– Quinn! – Bate em meu ombro. Eu rio, beijando sua bochecha. – Você entendeu.
– Queria tomar um ar.
– Está tudo bem? – Me olha, preocupada.
– Quero você.
– Ok, vamos embora. – Ela pega o casaco em cima da mesa, me puxando.
– Já terminou de ensaiar?
– Que se dane o ensaio. – Eu solto uma gargalhada sonora, atraindo a atenção dos outros. – Tchau, gente.
Nós entramos no carro, quase correndo.
– Para onde vamos?
– Eu não faço ideia. – Rio, virando a chave. Ela põe uma mão em minha perna. – Rachel!
– O que?
– Eu não vou conseguir dirigir assim.
– Assim como? – Sobe mais um pouco.
– Rachel...
– Dobra a direita. – Sussurra. Eu obedeço. – Segue reto. – Ela continua passando os dedos no interior da minha perna.
– Você vai me matar. – Solto um gemido baixo. – E eu vou bater o carro, você morre junto. – Ela ri.
– Hm, que tragédia. – Morde minha orelha. – Duas jovens morrem na tentativa de fazer sexo no carro em movimento. – Eu estremeço. – Entra nessa rua. – Eu giro o carro, entrando na rua escura. – Me dê um orgasmo antes disso.
– Aqui não é perigoso?
– Shhh... Pare o carro. – Ela tira o cinto.
– Rachel e se nos pegam? – A morena sobe em meu banco, atacando meu pescoço. – Gostosa. – Aperto sua perna contra mim.
– Baixa o banco. – Pede, com a voz cortada. Eu vou deitando. – Ai. Está bom assim.
Eu passo a ponta de dois dedos em Rachel, observando como os olhos da pequena se fecham, enquanto ela balança a cabeça, assentindo. Sorrindo, eu passo os dedos em todo o caminho, fazendo a morena gemer alto, a cabeça caindo para trás e expondo seu pescoço. Eu me inclino para frente e travo a boca nele. Rachel começa a balançar seus quadris em minha mão. Outro gemido escapa de sua boca e ela agarra meus ombros, começando a saltar para cima e para baixo em meus dedos.
– Merda. – Sussurra, seus quadris pegando ritmo.
Com a mão livre, eu solto o sutiã de Rachel, liberando os seios da menina para que eu possa envolvê-los em torno de minha boca. Um gemido alto escapa da boca da minha namorada e suas mãos sobem para puxarem meu cabelo, se movendo cada vez mais rápido.
– Oh, meu Deus. – Rachel fica enfurecida quando eu empurro outro dedo inesperadamente.
– Que saudade de você. – Murmuro, mordendo seu pescoço.
Empurro a saia de Rachel mais para baixo para poder assistir meus dedos desaparecendo dentro da morena, eu sempre amei essa vista. Percebo-a ficando cansada e avanço a mão livre, começando a esfregar seu clitóris, ajudando a menina atingir seu orgasmo mais rápido. Um barulho perfeito sai da boca de Rachel. Sim, melhor que todas as suas notas mais altas. Seu corpo treme e tudo vem sob minha mão. Ela respira pesadamente, a cabeça caindo em meu ombro.
– Isso foi sexy. Bem sexy. – Sussurro em seu ouvido. – Sexy pra caralho.
– Quinn!
Rachel agarra a frente da minha camisa e deita de vez o banco do carro. Ela remove meu jeans e minhas roupas íntimas em um movimento rápido, dando beijos arrastados para baixo de meu corpo. Eu inalo bruscamente quando a boca de Rachel fecha ao redor de minha intimidade. Meu quadril dança contra o rosto dela quando sua língua começa a me explorar.
– Foda-se, Rach. – Tento levantar para vê-la.
Calor corre para meu núcleo com a visão da cabeça de Rachel entre as minhas pernas. Eu arqueio as costas enquanto ela empurra língua em minha entrada. Minha cabeça cai de volta ao assento e eu prendo minhas pernas em volta da cabeça dela, segurando o rosto da menina contra meu centro, querendo que esse sentimento nunca acabe. Rachel empurra sua língua para dentro e para fora habilmente, atingindo todos os pontos que me leva a loucura.
– Puta merda.
Eu me dou conta da ausência da sua língua, quando sinto as mãos dela viajando até minhas pernas. Eu estendo sua mão e entrelaço nossos dedos. Rachel levanta a cabeça para me olhar, sem entender.
– Eu quero sua boca. – Sussurro com dificuldade.
Um sorriso se forma no rosto da morena quando ela baixa a cabeça, não desperdiçando mais um segundo e empurra a língua de volta, pegando de onde ela parou. Cravo as unhas em suas mãos, o prazer ondulando através de mim em um ritmo alarmante.
– Rachel!
A língua dela vai mais longe e ela eu perco. A boca da menina faz maravilhas em seu trabalho. Aperto suas mãos, levantando as costas do banco, o líquido quente correndo para fora de mim, na boca de Rachel. Minha namorada beija o caminho de volta até a minha boca, pressionando nossos lábios para que eu possa provar a mim mesma.
– Eu prefiro o seu gosto. – Sussurro. Ela sorri.
– Eu amo quando você fica falando palavrão quando está sentindo prazer.
– Ah, é? – Arqueio uma sobrancelha, abraçando-a.
– É sexy pra caralho. – Eu gargalho alto. – O que? Só você pode?
– Você é tão besta.
– Você é tão quente. Eu quero mais. E mais. E mais. – Seu quadril começa a balançar em cima do meu.
– Deus do céu. – Sussurro.
– Não... Xinga, Quinn. Fala palavrão. – Eu fecho os olhos.
– Porra. – Aperto-a com força.
– Isso. – Sorri, mas ele logo desaparece.
– O que?
– Ok, calma. – Ela sai de cima de mim e eu resmungo. Alguém bate na nossa janela.
– RACHEL. – Eu pulo. – NÃO ABRE, RACHEL, NÃO ABRE. – Mas, ela baixa o vidro até a metade.
– Hey... – Seu rosto está completamente vermelho.
– Rachel? – A voz soa. – Oh, eu não sabia que eram vocês, me perdoe.
– Tudo bem, Jane. – Sussurra. – Nós já estávamos... Hm, de saída.
– Certo. É perigoso ficar por aqui. – Eu tento me cobrir. – Bom, perdão outra vez. – Ri. – Tchau.
– Tchau, Jane. – Ela fecha a janela e explode em risadas.
– Você acha isso engraçado? – Coloco a roupa, nervosa.
– Amor, está tudo bem. – Ela arruma a saia. – Não é como se fosse a policia, nem nada.
– Quem é Jane?
– Ela ensaia lá no galpão também.
– Deus... – Suspiro. – E AGORA?
– E agora o que? – Se assusta.
– Agora você vai para minha casa, porque eu não admito que me provoquem e me deixem desse jeito. – Aponto para baixo. Ela ri outra vez. – Rachel Barbra Berry.
– Dirija, Quinn. Só dirija.
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