Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=hcwJ-UpEE6E

Por Quinn

– Você já contou a Rachel? – Santana se desfaz do décimo abraço que ela me deu nos últimos cinco minutos. Eu respiro fundo, encostando no armário.

– Ainda não. Não queria contá-la por telefone e... – Encolho os ombros. – Não nos encontramos hoje.

– Você precisa contar...

– Eu vou. – Suspiro. – Só preciso de mais alguns minutos.

– Ok. – A latina sorri. – Não acredito que você foi a primeira aprovada.

– Hey! Obrigada pela confiança que você tinha em mim. – Coloco a mão no peito.

– Não disse que não acreditava que você passaria. Disse que não acredito que foi a primeira de nós. – Vira os olhos.

– Nem eu estou acreditando direito. – Rio.

Ontem minha mãe e Frannie exigiram uma comemoração. Nós saímos juntas, comemos uma pizza grande e até bebemos um pouco. Mas, ainda custa a cair a ficha que eu finalmente vou poder sair de Lima. Custa acreditar que não é um desses sonhos que eu tive tantas vezes durante o sono. Chega a ser assustador a ideia dessa nova etapa. Por mais que eu queira ir embora, deixar algo para trás é sempre difícil.

Olho para o relógio, sentindo a aula demorar mais que o normal. Não se passaram mais que cinco minutos desde a ultima vez que eu olhei. Eu preciso falar com Rachel.

A aula está sendo muito importante aí? – Quinn.

Apenas revisão. Por quê? Você veio para o colégio? – Rachel.

Me encontra no banheiro do primeiro andar. Beijo. – Quinn.

Peço licença à professora de cabelos brancos de física e vou em direção ao banheiro mais próximo. Dou uma olhada por baixo dos boxs e suspiro aliviada quando percebo que não tem ninguém aqui dentro. Encosto na pia, esperando a morena, que não demora muito a aparecer. Rachel entra ofegante e eu tenho certeza que ela correu para vir para cá. Ela sorri se aproximando. Prendo meus braços em sua cintura, puxando-a para um beijo calmo. Quando seus batimentos voltam ao normal, me afasto um pouco.

– Pensei que você não tivesse vindo. Estava ficando preocupada.

– Eu sei. Desculpa por não avisar. – Passo a mão na nuca. – Eu perdi a hora.

– Foi dormir tarde?

– Na verdade, sim. – Inclino a cabeça. – Eu sai com mamãe e Fran e nós voltamos tarde.

– Hmmm... – Estranha. – Tudo bem?

– Sim, sim! – Digo, depressa, tirando a carta do meu bolso.

– O que é isso? – Ela franze a testa.

– Minha passagem para fora daqui. – Rio, nervosa, enquanto entrego o envelope pra ela. – Entrei para Columbia. Admissão adiantada. Parece que meu ensaio sobre superação de adversidades e manter média 10 durante a gravidez na adolescência realmente animaram o conselho de admissão. – A morena continua encarando o papel. – Rach...

– Quinn, isso é maravilhoso. – Me abraça de repente. – Isso é... Demais. Ótimo. – Se afasta, dobrando a carta.

– A sua...

– O correio de Nova York é uma loucura. – Ri. – Digo, chegou a de Kurt e agora a sua, então...

– A sua chegará em breve. – Garanto. Ela desvia o olhar. – Só mandaram a minha agora por causa de todas essas coisas que eu falei, mas não era o tempo.

– Você merece. – Diz, sincera. – Amor, você merece muito. Eu estou tão, mas tão orgulhosa de você.

Ela volta a me abraçar, deixando o queixo sob meu ombro. Aperto sua cintura, sentindo sua respiração ficar irregular outra vez. Puxo seu rosto, mas Rachel não deixa que eu a veja e junta nossos lábios rapidamente. Eu deixo que ela faça o que quer.

– Quando chegou? – Sussurra de olhos fechados.

– Ontem mesmo. – Aliso sua bochecha. – Olha pra mim. – Ela obedece, revelando os olhos cristalinos. Solto um suspiro arrastado. – Por favor, me diz o que você está pensando.

– Eu estou feliz por você. – Fala baixinho.

– Eu sei. – Entrelaço nossas mãos. – E no que mais?

– Eu não quero ser egoísta pensando em minha carta quando você já tem sua aprovação em mãos. – Balança a cabeça. – Nós precisamos comemorar. Nós...

– Shhh... – Beijo sua testa, tentando acalmá-la. – Você não é egoísta. Eu quero sua carta tanto quanto você. Eu preciso de você comigo. Vamos pensar que uma etapa foi concluída. Agora só faltam mais duas. Sua carta e sua admissão.

– Se eu não...

– Você vai.

– Certo. Eu vou. – Murmura. – Mas, se eu não recebesse, você iria para lá de qualquer jeito. É sua vida, sua profissão.

– E esperaria por você. Aliás, isso nem quer dizer que você tem que ficar aqui. — Sussurro. – Existem lugares ótimos para ensaiar por lá. Você pode tentar sempre outra vez. Vestibular acontece todo...

– Eu te amo. – Me corta. – E eu amo o jeito que você consegue ver as coisas, como sempre tem um segundo plano. Eu amo quando você me encaixa neles. – Ela segura minhas mãos. – Você é tudo que eu preciso, Quinn. Tudo.

Eu queria poder dizer o mesmo, mas as palavras travaram em minha garganta, enquanto seus olhos brilhavam, fixos nos meus. Minha mão direita vai a sua nuca, apertando levemente o cabelo preto da menor, que solta um suspiro baixo. Minha mão esquerda puxa sua cintura para mim, fazendo nossos corpos se chocarem. Rachel morde meu lábio inferior, antes de tomá-lo em sua boca. Viro-a, fazendo com que ela sente na pia e me posiciono entre suas pernas, sem rompermos o beijo.

– Vocês vão parar ou eu devo chamar a treinadora outra vez? – Nós saltamos.

– Sai daqui, Lena. – Rosno.

– E se eu não quiser? – Provoca, cruzando os braços.

– Você...

– Nós já vamos. – Rachel desce da pia, segurando minha mão. – Deixa ela, Q.

Dou um olhar irritado a ela, antes de sair. O resto do período da manhã correu tranquilamente. Dei a notícia para o clube do coral, que festejou cantando várias músicas. Eu sou grata por eles. O clube tem seus pesares e defeitos, mas eles me seguraram durante a minha gravidez. E talvez eu não tivesse conseguido se não fosse por isso. Sou grata a todas as tentativas bobas que Rachel fazia para segurar ali. No final das contas, de bobas elas não tinham nada, levando em conta que eu continuo até hoje.

Depois do almoço, nós fomos passar nosso tempo vago no auditório. Rachel e Santana ensaiaram e Brittany seguiu acrescentando novos e complicados passos em sua dança. Na quinta música elas resolveram parar para aproveitarmos e namorar.

– Amor, eu vou precisar sair hoje depois da aula. – Ela quebra o silêncio tranquilo.

– Vai sair com seus pais?

– Não... – Morde o lábio. – Harmony ficou de me entregar algumas reportagens e... Bom, hoje a aula terminará cedo, pensei que não seria um problema encontrá-la. – Eu assinto, encarando os lugares vazios na nossa frente. – Quinn?

– Hm?

– Tudo bem por você se eu for?

–Unhum...

– Amor. – Ri. – Não faz isso. Não fica com ciúmes. Eu mal a conheço. Nós temos apenas um interesse em comum. Só isso.

– Hmmm...

– Você vai ficar com raiva? – Não respondo. – Ok, então eu não vou. – Se afasta, sentando no banco do piano.

Eu não gosto da menina de olhos azuis. O que eu posso fazer se ela te olha como se quisesse te despir na frente de todos? Continuo calada, sem saber como reagir ao ciúme. Eu não costumava sentir isso. Namorei o Noah, o cara mais safado de todo o colégio e nunca me importei tanto. Digo, eu me importava com meu status. Não queria ser vista como a traída. Com Rachel é totalmente diferente, em tudo. Não me bastava ter que aguentar os olhares de Finn para ela, agora tenho que aturar essa menina que surgiu do nada.

Meus pensamentos são interrompidos pela melodia do piano. Desvio o olhar para onde ela está. Rachel toca maravilhosamente bem. Sorrio ao reconhecer a música. Eu sei que ela consegue cantar tudo que quiser, mas eu sempre vou à loucura quando ela resolve ir de Celine Dion. E, como se ela soubesse disso, Rachel começa a cantar To Love You More, fazendo meu coração bater acelerado. Eu levanto e me aproximo dela. Minha namorada levanta os olhos do piano e me encara, subindo o tom da música quando necessário. Sorrio maior quando ela deixa claro que está cantando pra mim. Eu vivi pra isso. Rachel toma fôlego e alcança a nota mais alta, sem esforço. Fico paralisada, encantada, louca por ela.

Assim que a menina para de tocar, eu sento ao seu lado, abraçando-a forte. Rachel ri baixo, fazendo minha pele se arrepiar com sua respiração em meu pescoço.

– Eu acho que sou apaixonada por você desde a primeira vez que te vi cantar. – Sussurro. Ela gargalha, se afastando.

– Impossível, Quinn! – Beija minha bochecha. – Se isso aconteceu, você tem uma maneira bem estranha de demonstrar. – Brinca.

– Certo, certo, pode ser. – Viro os olhos. – Mas, eu sempre te admirei. Isso não se pode negar. – Ela sorri. – Você cantará essa música na sua audição?

– Não. – Suspira. – Eu nem sei se... – Se interrompe, colando os lábios. – Enfim!

– Mas, você já tem algo em mente? – Ponho uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.

– Barbra.

– Claro. – Rio. – Como eu não pensei nisso an... Auuuush. – Aliso meu ombro recém mordido. – Sério, pequena... Você está cada dia melhor. Essa música foi... Surreal.

– Obrigada. – Sussurra, envergonhada.

– Hey, eu... – Desvio o olhar. – Você pode... Você sabe!

– O que?

– Sair. Digo, com Harmony. – Encolho os ombros. Ela ergue as sobrancelhas. – Eu... Só... Ciúmes... Então...

– Quinn? Eu sei que você consegue dizer uma frase certa. Você passou pra Columbia sem terminar o colégio! Isso significa algo. Tente outra vez. – Provoca. Eu solto ar.

– Estou com ciúmes, ok? – Esfrego o olho. – E não sei lidar com isso ainda.

– Meu amor, não tem motivo pra você ter ciúmes. – Segura meu rosto. – Ela é apenas uma amiga. Quer dizer, eu nem sei se ela chega a ser tanto. Eu nunca tive alguém assim, entende? Não antes de vocês aparecerem. Gosto de saber que alguém se aproximou de mim pelo que eu sou e não me julgou em nenhum momento.

– E se ela quiser? – Mordo o lábio. – E se ela estiver afim de você?

– Você está mesmo me perguntando isso? – Franze a testa. – Acha que eu te trairia?

– Lógico que não. Eu confio em você. Sei que o que você sente é de verdade. – Sua expressão suaviza. – Você é maravilhosa, Rach. Ela pode se encantar também e...

– E não chegaria a lugar nenhum. Ela sabe que eu tenho namorada. Já deixei isso claro. Você deixou claro.

– Tudo bem. – Suspiro. – Mas, você vai me prometer que se ela demonstrar algo, por menor que seja, eu vou ficar sabendo disso!

– É? – Assinto. – E você vai fazer o que? – Se aproxima, olhando pra minha boca. – Vai bater nela, capitã Quinn?

– Se for preciso...

– Amor!

– Estou brincando. – Resmungo. Ela entrecerra os olhos. – O que? Eu não bateria nela.

– Acho bom.

– Mas, eu tenho pessoas que podem fazer isso por mim.

– Lucy Quinn Fabray.

– Rachel Barbra Berry.

– Por que eu iria querer Harmony se eu tenho você?

– Hunf. – Escondo a cabeça em seu peito. – Você não faria isso. Mas, se ela te quiser, eu vou...

– Para. – Me aperta. – Ciumenta linda. Agora você sabe o que eu passo com Lena. E olha que Lena não tem vergonha na cara.

– Eu sei.

– Bom! – O sinal toca e eu choramingo. – Vamos, temos que entrar. Tudo bem mesmo se eu for depois da aula?

– Tudo.

– Quinn?

– Tudo. Sério. – Sorrio, sincera. – Se divirta.

– Eu te amo.

– Eu também te amo.

Nos despedimos e vamos em direção as nossas salas. Quando chego em frente a sala de espanhol, Finn bloqueia minha entrada. Eu levanto uma sobrancelha, tentando passar, mas ele não deixa.

– Podemos conversar?

– Eu preciso entrar.

– Você já foi aprovada. Não vai te matar faltar essa aula.

– Se eu reprovar o colégio, não adiantará.

– Quais as chances disso acontecer? – Dou os ombros. – Por favor?

Eu viro corpo e vou para a sala do coral, sentindo seus passos atrás dos meus. Sento em uma das cadeiras vazias do fundo e cruzo os braços. Finn fecha a porta e se senta na minha frente.

– Eu fiquei muito feliz por sua aprovação.

– Obrigada.

– Você merece. Depois de tudo... Você conseguiu. Está provando para ele que sabe crescer sem sua ajuda. – Sinto meu coração agitar. Por um tempo, eu havia esquecido que Finn me conhecia tão bem. Tantas vezes ele me ouviu quando eu brigava com Russel em casa.

– A primeira coisa que me veio à cabeça quando eu li, foi querer esfregar isso na cara dele. – Confesso.

– Esfregue quando estiver com seu diploma.

– É uma vontade.

– Eu sei. – Sorri de lado. – Quinn, eu... Sei que nós não estamos em uma fase muito boa. – Inclina a cabeça. – Sei que tivemos nossos desentendimentos, mas eu preciso que você saiba que eu gosto muito de você.

– Não pareceu quando eu ouvi o que você falou sobre mim pra Rachel. Afinal, eu sou uma egoísta manipuladora. – Lembro suas palavras, magoada.

– Ok, não foi bonito. Mas, você tem que me entender. Eu estava transtornado. Ainda estou, na verdade.

– Isso não te dá o direito de me machucar, Finn.

– Qual é, Quinn? Você odiava a Rachel. Você vivia colocando defeitos nela pra mim. Não foi a coisa mais comum do mundo ver vocês duas assumindo um namoro!

– Eu era uma idiota. E você era alguém que eu considerava. Doeu ouvir aquilo.

– Eu sinto muito. – Segura minha mão. – Eu sinto muito, de verdade.

– Rachel pode ter perdoar com um sinto muito, Finn. Eu não.

– Eu não achei que você perdoaria tão fácil. – Ele ri, sem graça. – Mas, eu estou sendo sincero. Eu me arrependo de ter dito aquelas coisas.

– Não foi só isso. Você não nos respeitou. Depois de tudo, continuou tentando e tentando.

– Você não media esforços quando queria me separar dela.

– Aí você vai cometer os mesmos erros? Inteligente de sua parte.

– Eu estava cometendo. Parei quando nós conversamos. Eu respeito as duas. Mas, eu sou apaixonado por ela, Quinn. Você sabe disso. Rachel mudou minha vida quando eu entrei para o glee clube.

– Rachel mudou a vida de todos que entraram.

– Sim, verdade. Só que a minha foi de um jeito diferente. Eu me encantei com o jeito dela, com a voz...

– Finn! – Corto. – Eu não quero ouvir isso.

– Bem, você sabe como é. – Eu assinto. – Isso não saiu de mim. Então, por mais que eu respeite esse namoro, eu nunca vou desistir.

– Espero que esteja preparado para cansar. – Rosno.

– Eu estou. Sei que é difícil competir com você. – Sorri. – Você é linda, é uma grande pessoa. Tenho certeza que Rachel está em ótimas mãos, mesmo que algo aqui dentro grite que ela deveria estar comigo.

– Você poderia, se não tivesse cuidado tão mal dela.

– Uh, eu mereci isso. – Faz uma careta. – É errando que se aprende, certo? – Eu sorrio.

– Você também é uma grande pessoa, Finn. – Suspiro.

– Sinto falta de nossas conversas.

– Eu também. – Admito. – Parece que mudamos muito nesse ultimo ano.

– Precisávamos crescer. É uma pena que aprendemos isso de um jeito doloroso. E irônico que tenha sido com a mesma pessoa.

– Ou era isso, ou nós estaríamos gritando e empurrando todos nos corredores até hoje.

– Sim. – Ri. – Estúpidos.

– Yeah. – Dou um murro fraco em seu ombro. – Tínhamos que ser o casal mais popular do colégio.

– Lembra quando viemos de óculos escuros? – Nós gargalhamos. – Isso não faz tanto tempo assim. Foi quase ontem.

– Para de lembrar, Finn. Me sinto uma idiota. – Balanço a cabeça.

– Boba. – Ele limpa a garganta. – Falando sobre casal... Eu... O baile está chegando e... Nós sempre competíamos juntos, então...

– Deus! Foi ela que te mandou falar comigo, não foi?

– O que? Ela quem? – Eu entrecerro os olhos. – Ok, talvez. Mas, só sobre o baile.

– Esqueça isso, Finn.

– Por favor, Quinn! Será nosso ultimo ano. – Faz cara de pidão. – Considere como uma trégua. Eu prometo que deixo vocês dançarem algumas músicas.

– Idiota...

– Brincadeira. Vamos?

– Para perdermos de novo?

– Para não perdermos o costume. – Eu rio, negando. – Temos que dificultar um pouco, se não perde a graça.

– Só para não perdermos o costume.

Finn sorri, me levantando. Ele me aperta em um abraço que eu realmente senti falta. Antes de sermos namorados, nós éramos amigos. Ele acompanhou muito da minha vida. Quando ele explodiu lá em casa dizendo que eu estava grávida de um filho dele, passou a noite inteira me pedindo desculpas porque o estúpido de Russel me colocou para fora. Eu não podia culpá-lo. Não quando eu estava mentindo sobre um assunto tão sério quanto à paternidade de uma criança. Se Beth fosse filha de Finn, talvez tudo tivesse corrido de forma diferente. E, talvez, nem eu e nem ele estivéssemos com Rachel.

Por Rachel

– Delicia de frapê. – Fecho os olhos. – Como você encontrou isso?

– Eu tenho meus contatos. – Harmony ri. – Na verdade, uma pessoa que eu conheço trabalha aqui.

– Genial. – Tomo mais um gole. – Acho que eu posso beber isso pelo resto da vida.

– Você é uma exagerada.

– Não sou. Eu falo sério! – Ela vira os olhos. – Então... Faz tempo que você trabalha no bar?

– Dois meses. Lá eles me dão permissão para cantar. E me pagam bem. Não que eu precise, mas é um jeito de manter a independência.

– Você mora sozinha?

– Com uma prima. – Suspira. – Minha mãe não deixou que eu ficasse sozinha. Você sabe, recaídas...

– Eu sei. – Brinco com o canudo. – Eu tive uma esses dias.

– Por isso sumiu? – Assinto. – Sinto muito. É normal, infelizmente.

– Você já teve muita?

– Já perdi as contas. – Joga os braços pro ar. – Não me sinto no controle. É algo que sempre fala mais alto que eu.

– Entendo.

– Você sim, mas algumas pessoas simplesmente acham que é para chamar atenção. – Morde a boca. – Eu tenho sorte por minha prima não ser uma dessas, mas...

– Mas... – Incentivo-a.

– Não é a pessoa que sempre consegue me acalmar, entende? Ela tenta. Mas, eu ainda prefiro tomar os comprimidos.

– Existe essa pessoa que te acalma? – Sorrio, compreensiva.

– Sim. – Seu olhar fica um pouco perdido. – Costumava existir. Nós... Quer dizer, eu estraguei tudo.

– Por que?

– Porque me apaixonei. – Ri, sem graça. – E eu não deveria ter me apaixonado. Nós ficamos algumas vezes, mas... Essa pessoa... Ela só me vê como uma amiga. Nada mais.

– Sinto muito.

– Uma dessas vezes, nós estávamos aqui. Então, essa pessoa teve que servir uma das clientes e ela perguntou sobre nós, porque sempre me via por perto. Ela apenas negou tudo.

– Oh, eu realmente sinto muito. – Ela balança a cabeça. – É a pessoa que você disse que trabalha aqui, então.

– Isso.

– Está aqui?

– Na ponta da direita, olhando para nós, atrás de você.

Eu levanto as sobrancelhas, curiosa. Tento disfarçar um pouco e viro lentamente na direção apontada.

– Oh, meu Deus. – Sussurro só pra mim. – É uma...

– Seu nome é Lexy.

Notas finais
Ok, em primeiro lugar: Nããão, eu não vou abandonar a história! Só estou um pouco ocupada e fiquei meio travada. Então, perdoem a demora. Eu tenho duas notícias pra dar. Uma boa e uma ruim! A boa é que eu adiantei um monte de coisas. Estão fora de ordem ainda, então eu preciso encaixá-las direito. A ruim é que eu vou ter um "final de período" antecipado, começando de agora. Não estranhem se eu sumir novamente, vou ficar na correria até o início de dezembro. Mas, sempre tentando postar quando puder, tudo bem? Espero que gostem do capítulo, comentem e tudo mais. E sim, o baile está bem perto. http://ask.fm/FlorDeLins_ Até o próximo ;***