Além da superfície.
73 Passado.
Notas iniciais
Por Rachel
– Então ela assumiu que é gay?
Quinn pergunta, com a sobrancelha levantada. Eu abro a boca algumas vezes, lembrando o dia anterior. Harmony havia me contado sobre seu relacionamento com Lexy. É uma história conturbada, cheia de preconceito interior e mágoa. Pelo tempo que a garota ficou nos encarando enquanto conversávamos, era óbvio que ela sentia ciúmes da menina de olhos azuis. Mas, segundo Harmony, Lexy não se aceita. Isso acabou afastando as duas.
– Rachel!
– Sim, ela assumiu. – Lembro de responder minha namorada.
– Eu sabia. – Espalma a cadeira. – Eu falei que ela estava de olho em você.
– Quinn, Harmony não está de olho em mim. – Suspiro. – Ela gosta de outra pessoa.
– Pode gostar de mil, mas ela tem interesse em você. – Resmunga. – Eu não me engano.
– Ok, senhorita sabe tudo. – Viro os olhos. – Já pensou na sua fantasia? O baile será na próxima semana.
– Preciso combinar isso com o Finn. Afinal, ele é o meu par.
– O que...
– Se ele for de Demolidor, eu terei que ir de Viúva Negra. – Dá os ombros. Eu a encaro. – Estou brincando, Rachel.
– Imbecil. – Bato em sua perna. – Já ia mandar você tirar os cartazes do corredor.
– Você teve tempo de desistir com essa ideia, agora é tarde.
– Eu vou sobreviver a isso.
Ela sorri, segurando meu rosto e depositando um beijo demorado em meus lábios. Não temos tempo de aprofundarmos, os outros integrantes do coral começam a chegar. Todos nos cumprimentam, menos Mercedes, que entra e segue em direção a sua cadeira de sempre. Eu estremeço com a cena. Conheço bem esse modo mecânico de agir. Ela levanta uma sobrancelha quando percebe o meu olhar.
– Pessoal, como estão os preparativos para o baile? – Professor Schue pergunta, empolgado.
– Maravilhosos. – Brittany sorri.
– Iremos ganhar. – Santana entrelaça suas mãos.
– Não teria tanta certeza assim.
– Você acha que é uma ameaça para nós, Finútil?
– Você esqueceu quem somos nós, Santana? Somos...
– Você é o ex de Quinn e também é o ex de Rachel. Está solteiro no momento, porque, oh, as duas estão namorando elas mesmas. Isso é realmente confuso. – Faz uma careta. – Mas, é isso que vocês são. Nada.
– Santana, para. – Minha namorada pede. – Não vão brigar por isso.
– Estamos em uma disputa, Fabray.
– Mas, continuam sendo amigos. – Professor Schue volta a falar. – Quinn está certa. Não precisam brigar. Mantenha o espírito esportivo.
Santana cruza os braços e Quinn vira os olhos. Nós ensaiamos as músicas que cantaremos do baile. Bem, quase todas. Eu ainda pretendo cantar uma mais, mas deixarei para improvisar isso por lá. Depois do coral, nós fomos para salas diferentes. É um inferno ter aula longe das meninas, parece que eu sempre estou com algo na cabeça, porque todos ficam me encarando de forma descarada. São nessas horas que eu percebo que sou a mesma pessoa de sempre.
Eu ouço uma menina comentar sobre a possível volta de Quinn com Finn, por estarem concorrendo juntos no baile e outra argumentando que sempre soube que nosso namoro tinha sido uma brincadeira por parte da loira. Peço licença para ir ao banheiro, incomodada com os sussurros atrás de mim. Tomo um pouco d’agua e fico vagando pelos corredores. Meu coração acelera e fecho os olhos com força quando vejo Karofsky aparecer com um copo de raspadinha nas mãos.
– O que está fazendo? – Eu abro os olhos, desconfiada.
– Me preparando para ganhar um banho? – Ele ri, balançando a cabeça e senta no banco.
– Não tem ninguém aqui, Rachel. – Aponta para o corredor vazio.
– E daí?
– E daí que não tem motivo pra eu fazer isso. – Encolhe os ombros. – Não gastaria uma raspadinha pra nada.
– O que você ganha fazendo isso na frente dos outros, Karofsky?
– Popularidade? Que eles tenham medo de mim? Respeito?
– Você tem um jeito distorcido de ver as coisas. Não precisa disso para...
– O que você sabe, Rachel? Diga. Como eu consigo isso? Entrando no clube do coral? Fazendo apresentações idiotas?
– Nossa apresentação foi pra você. – Digo, magoada.
– Agradeço, mas eu poderia ter ficado sem mais essa. – Eu encosto no armário, sem encará-lo. – A vida não é assim.
– Não posso te entender. Eu achei que... Depois de tudo que fizeram com você, finalmente você iria conseguir enxergar o meu lado.
– Eu enxerguei. Eu senti. – Abaixa a cabeça. – Rachel, eu... Eu admiro sua coragem e sua força por continuar seguindo.
– Você também pode.
– Não, eu não posso. Minha mãe passou a fingir que eu não existia. Quando voltamos do hospital, ela não me dirigiu uma palavra ou um olhar. Eu ouvi as noites que ela falava para o meu pai que era só uma fase, que passaria. Ouvi porque ela gritava. – Ri, baixo. – Meu filho não é gay. Ele não é uma daquelas aberrações.
– Karofsky...
– Meu filho é um pegador. – Continua. – Ele pega qualquer mulher que ver pela frente. – Me encara. – Ela prefere que eu seja um cara assim, sem sentimentos, que machuca, que falta com educação as mulheres. E eu sei ser esse cara, Rachel.
– Mas, você não é ele. – Me aproximo. – Não há nada de errado em gostar de outro homem. É a sua vida, Karofsky.
– Sim, é a minha vida. Quem paga as minhas contas? Quem me dá um teto? Quem me sustenta?
– Ela não fará isso sempre.
– Eu sei. – Respira fundo. – Talvez um dia... Talvez eu...
– Não é só a sua mãe que te prende. – Sorrio triste. – Você te medo.
– Não é pra ter? Olha o que fizeram...
– Você percebe que está entrando em contradição? Não se pode exigir respeito quando não se respeita.
– Eu preciso disso, Rachel. Eu preciso ser esse homem.
– Agir assim não te faz mais homem, Karofsky. – Digo, firme. – Do mesmo jeito que ser gay não te faz menos.
– Rachel? – Viro para trás. – O que está acontecendo aqui?
– Nada, Santana. Não se preocupe. – Vou em direção a ela. – Talvez precise pensar um pouco mais em você, David, ao invés de ficar tomando conta da vida dos outros.
– Uh... – A latina sorri, entrelaçando nossos braços. – Isso foi bom.
– Yeah. – Rio baixo. – San, por favor, não inventa de brigar por causa da competição.
– Brigas são comuns, Rach. Não liga pra isso. – Me empurra. – Eu e Quinn nos entendemos. Mas, Finn que não ouse me provocar.
O resto do dia passou rapidamente. Avisei aos meus pais que iria para casa de Quinn para revisarmos alguns assuntos. O que não era mentira. A loira me ajudou em matérias que eu estava tendo dificuldade. Eu posso jurar que ela é melhor professora do mundo e que qualquer assunto fica interessante na voz dela, mesmo que às vezes isso me distraia. Depois de estudarmos, jantamos e ficamos vendo televisão no quarto dela.
– Rach? Está tudo bem?
– Tudo. – Dou meio sorriso.
– Você está calada.
– Isso é ruim? – Franzo a testa.
– Levando em conta que você fala cem palavras por segundos? – Finge pensar. – Sim, é bem ruim.
– Idiota. – Viro os olhos, empurrando-a.
– Sério, no que está pensando?
Eu viro para ela, apoiando meu cotovelo na cama. Quinn sorri, se aproximando. Ponho um braço em sua cintura, correndo os dedos nas suas costas levemente. A loira estremece.
– Posso te fazer uma pergunta? – Sussurro.
– Claro. – Levanta uma sobrancelha.
– O que teria acontecido se o Finn não tivesse dito nada naquela noite? – Sinto seu corpo tencionar.
– Naquela noite...?
– Que ele falou que você estava grávida. – Esclareço. Ela assente, se movendo. – Você não precisa responder.
– Eu acho que... – Coça a nuca. – A mesma coisa. Eu não conseguiria esconder por muito tempo. Minha barriga estava crescendo rápido. De algum modo, ele saberia. E me expulsaria.
– Nem se você tivesse se preparado antes para a conversa? Digo, Finn pegou todos de surpresa.
– Amor, eu imaginava essa conversa desde o dia que fiz o teste de gravidez. Eu poderia ter treinado mil vezes, seria igual.
– Mesmo com...
– Você não conhece o Russel, Rachel.
– Desculpe. – Encolho os ombros. – Vamos mudar de assunto.
– Não. Está tudo bem. Eu disse que não queria evitar falar sobre isso com você. – Beija minha testa. – Mas, por que a pergunta?
– Eu meio que tive uma conversa com Karofsky hoje. – Suspiro.
– Ele te disse alguma coisa? – Me olha, preocupada. – Se...
– Lembra aquele menino do hospital? Que nós fomos visitar? – Ela assente, incerta. – Ele estava ali. Na verdade, ele sempre está.
– Como assim?
– Ele se esconde atrás do cara mau da escola. – Entrelaço nossos dedos. – Ele tem medo.
– Hmm... E o que isso tem a ver com Russel?
– Karofsky disse que a mãe dele não o aceita. Fiquei pensando que talvez seja com era com você. – Mordo o lábio. – Ele veste uma armadura que você costumava vestir.
– Cada um tem um jeito de reagir. – Fecha os olhos. – O dele passou dos limites, por saber exatamente o que isso causa nas pessoas e ainda assim, continuar fazendo.
– É, eu sei. – Abraço-a, descansando a cabeça em seu peito. – Mas, ele não sabe como agir.
– Eu acho engraçado como você consegue ver o lado bom das pessoas, às vezes, e outras, você não consegue nem chegar perto disso. Tem gente que merece bem mais essa chance.
– Como quem?
– Como o pessoal do coral.
– Q, o coral era tudo o que tinha. A confiança e expectativa que eu colocava nisso, era muito grande. É mais difícil quando existe uma decepção, entende? Eu não estou defendendo o Karofsky. De maneira alguma. Eu só... Eu realmente o liguei a você.
A loira trinca os dentes e tenciona a mandíbula. Eu queria pedir desculpas por ter entrado nesse assunto, mas ela segura minha cabeça, impedindo qualquer movimento meu. Escuto seu coração bater mais acelerado que o normal e a aperto, demonstrando que eu estou com ela. Quinn beija minha testa e suspira alto.
Por Quinn
Eu não gosto de comparações. Muito menos comparações com um cara que só pensa em si. Eu entendo o que Rachel quis dizer. Sei que eu agia assim também, mas ter essas lembranças de volta é realmente doloroso. Não é o que podemos chamar de orgulho. Pelo contrário, eu sinto muita vergonha por tudo o que fiz para ter atenção aqui de casa.
– Agora você está calada. – Rachel sussurra, me arrancando um sorriso fraco.
– Você lembra aquele dia que você foi atrás de mim antes do coral e eu te mandei pra longe?
– Quinn, isso aconteceram várias vezes. – Ri. Eu fecho os olhos. – Okay. Hey, eu estou brincando.
Flash Back
Chego ao colégio, furiosa. Havia encontrado com Russel perto de casa. Ele estava bêbado, gritando com todo mundo. Minha mãe se retraiu, como sempre e o abraçou, tentando acalmá-lo. Eu só queria empurrá-lo e ter o poder de colocar o estúpido para fora, dizer que era pra ele estar no meu lugar, mas eu não podia fazer nada. Não podia me meter. Eu nunca posso. Eles nem mesmo me viram.
– Quinn! Quinn... – Escuto uma voz irritante se aproximar. – Quinn.
– O que é, Berry?
– Eu preciso...
– Ahr, pare de falar. – Faço uma careta.
– Mas...
– Pare.
– Quinn! – Bate o pé. Eu levanto uma sobrancelha. – Eu quero que você veja algo.
– Você pode me deixar sozinha?
– Por favor...
– Ok, Frodo, eu estou tentando ser educada. – Rosno. – Saia daqui.
– O colégio não é seu, Quinn, eu posso ficar onde eu quiser.
– Não me desafie. – Levanto.
– O que você tem?
– O que?
– Você está estranha. Seu rosto está vermelho. Você chorou?
– Óbvio que não. — Balanço a cabeça. – É só alergia a ficar perto de você.
– Eu posso te ajudar. – Me ignora.
– NÃO SE META. – Ela dá alguns passos para trás e eu me assusto com o quão parecida com Russel eu soei. – Me deixe sozinha. – Minha voz sai trêmula. – Por favor.
Ela assente, sem me olhar, temendo que eu grite de novo. E eu me encolho na cadeira, temendo ser o monstro que ele é.
Fim do Flash Back
– Eu lembro desse dia. Você cantou Papa Don't Preach.
– Sim, eu cantei. – Passo a mão em seu cabelo. – Eu estava irritada. E com medo.
– Você nunca será com ele, amor. Nunca.
– Nem como Karofsky? – De repente, eu me sinto com uma criança indefesa. Rachel levanta e me puxa, trocando nossas posições.
– Eu não deveria ter dito isso. Foi um comentário infeliz. Você...
– Mas, o que você falou é verdade.
– Sabemos, mas não era preciso verbalizar. – Escondo o rosto em seu pescoço. – Você a pessoa mais linda que eu já conheci. Isso inclui, principalmente, o seu interior. Eu sempre soube disso. Você passou por muita coisa que, qualquer um no seu lugar, assim como eu, teria pirado.
– Eu pirei algumas vezes, eu acho. – Rio fraco.
– Sua versão punk foi uma piração bem sexy, devo dizer.
– Rachel!
– O que? É verdade. – Brinca.
– Boba. – Beijo seu pescoço. – Você lembra o que queria me mostrar?
– Lembro. – Suspira. – Era a primeira parte de Pretending. Eu achei que depois de Get It Right você iria querer me ajudar.
– Eu gostaria de ter visto. – Digo, sincera. – Você não precisava de ajuda, no entanto.
– Se você tivesse visto e gostado, poderíamos ter feito algo diferente. Se você não tivesse gostado, eu teria jogado fora. De todo jeito, poderíamos ter mudado a música e não teria acontecido o que aconteceu. Nós ganharíamos as Nacionais.
– Como você pode ter certeza disso?
– Eu odeio essa música. Prefiro acreditar que tudo teve a ver com ela.
– Tudo bem. – Aperto-a, alinhando nossos corpos. – Você compôs algo depois de Battlefield? – Silêncio. – Rach?
– Sim. – Eu sei que ela está sorrindo, sem precisar olhá-la.
– E por que eu ainda não vi?
– Depois eu te mostro.
– Depois quando? – Franzo a testa.
– Depois. – Ela se afasta, levantando. Eu resmungo pela falta de contato. — Preciso de uma blusa folgada.
– Vai dormir aqui? – Sorrio.
– Olha a hora, Q. É claro que eu vou. – Vira os olhos. Eu me espreguiço. – Tem algo meu aqui?
– Hmm, acho que não. Você levou tudo da ultima vez. – Faço bico. – Procura na gaveta.
– Eu estava quase sem roupa em casa, Quinn. – Ri, indo em direção ao armário.
– Hey, hey... Nessa não. – Levanto rápido. Rachel arqueia uma sobrancelha.
– O que tem aí?
– Nada. – Ela entrecerra os olhos. – Ok, algumas besteiras.
– Quinn...
– Sério. – Rachel cruza os braços na frente do peito. – São desenhos. – Suspiro.
– Por que eu não posso ver?
– Porque são antigos.
– Oh... – Seus ombros caem. – Os desenhos antigos.
– O que? Não, Rach. Não são esses desenhos. – Esfrego o rosto. – Abre.
– Se você não quer que eu veja, tudo bem.
– Eu quero. Abre.
Ela assente, meio em dúvida, mas não sai do lugar. Eu abro a gaveta e tiro a pasta de dentro. Seguro a mão da pequena e a guio até a cama outra vez, entregando-a. Rachel olha para a pasta fechada, respira fundo e abre. Vejo um sorriso sincero surgir em seu rosto. É um desenho da sala do coral. Eu me lembro de ter feito no primeiro dia que pisei ali. Estava entediada com o professor Schue falando. Ela passa a página. Ao lado esquerdo, um desenho do uniforme das Cheerios. Rachel levanta os olhos e eu dou os ombros. Ao lado direito, a estante de prêmios das lideres de torcida. A morena balança a cabeça, rindo. Próxima página, um desenho de Puck e Finn conversando, com seus uniformes de jogadores. Um desenho de Santana e Brittany com os dedos entrelaçados.
Minha namorada vai passando e sorrindo para os desenhos aleatórios. Eu explico alguns, arrancando risadas bobas. Então, o corpo de Rachel tenciona e eu engulo seco.
– Você me desenhou? – Sussurra.
– Eu desenhei o coral inteiro. – Aponto para o desenho do grupo. Ela assente.
Kurt e Mercedes juntos. Mike e Tina sorrindo. Artie fazendo alguma perfomance. Alguns desenhos eram apenas rabiscos. Outros eu me dediquei em continuá-los. Rachel e Finn. Ela passa os dedos no papel, como se quisesse sentir o momento do desenho. Eu me remexo, incomodada. A morena percebe e vira a página. Fecho os olhos.
– Isso... Isso foi nas seccionais do primeiro ano?
– Unhum.
– É... O meu... – Limpa a garganta. – É o meu solo.
– Unhum.
– Você me desenhou sozinha. – Abro os olhos. – Por que você fez isso?
– Porque você foi a nossa salvação nesse dia.
– Eu que quase coloquei tudo a perder. – Retruca.
– Foi seu espírito de equipe que...
– O espírito do Finn! – Ela parece irritada.
– Foi um solo maravilhoso, Rachel. Eu só senti vontade de expressá-lo. – Encolho os ombros. – Não precisa ficar assim.
– Desculpa. – Ela vira outras páginas. – É...
– Beth. – Completo, sentindo a garganta arranhar.
– Lindo desenho.
– Obrigada. – Ela suspira, fechando. – Não vai ver o resto?
– Agora não. – Me devolve a pasta. – Vou me trocar.
Dou um leve aceno, vendo minha namorada ir para o banheiro. Guardo a pasta no canto dela e deito na cama, cobrindo a cabeça com o travesseiro. Eu não desenho por nada. Aliás, são raras às vezes que eu faço isso a sério. Passaram-se alguns longos minutos e eu estava quase indo buscá-la, quando ouvi a porta destrancar. A cama baixa com seu peso e seus braços me envolvem.
– Eu passei muito tempo achando que você me via do jeito que você me desenhava nas caricaturas.
E aí está. O peso na consciência outra vez nessa noite. Eu poderia rebater, dizer que eu nunca a vi desse jeito, que eu fazia para atormentá-la, que eram apenas desenhos estúpidos. Mas, ela já sabe de tudo isso.
– Quinn?
– Hm...
– Você está bem?
– Você disse que me achava linda, mesmo quando eu queria arruinar seus dias.
– Sim, eu disse. – Franze a testa.
– Eu te achava linda, mesmo quando desenhava coisas estúpidas sobre você.
Rachel abre um sorriso enorme, juntando nossos lábios. Eu suspiro, abraçando sua cintura com força. Ela aprofunda o beijo, entrelaçando nossas pernas.
– Sabe qual a melhor coisa de tudo isso? – Sussurro.
– O que?
– Saber que você acredita em mim. – Encosto nossas testas. – Quando eu te desenhei na sua casa, você disse que não acreditava.
– Não tenho motivo algum pra duvidar de você.
– Meu amor. – Sorrio, acariciando seu rosto.
– SIM! Esqueci de dizer. – Se afasta. – Um primo de Leroy está viajando faz quase um mês.
– E daí?
– E daí que a casa dele está completamente vazia. – Sorri, maliciosa. – Você sabe, eu chorei um pouco, fiz cena e papai acabou falando com ele.
– Nós...
– Iremos para lá depois do baile. – Diz, empolgada. – O que acha?
– Perfeito. Se não tiver problema, tudo ótimo. – Rio. – Como seus pais deixaram isso? Mesmo com todas aquelas regras.
– Quinn, eles sabem que nós não ficamos jogando palavras cruzadas no quarto.
– Eu gosto de jogar palavras cruzadas.
– Ah, é? Então, vamos jogar. – Meu corpo paralisa ao vê-la tirando a blusa. – Está quente aqui.
– Está...
– Cadê o tabuleiro?
– Eu meio que... Hm... Eu meio que perdi a vontade de jogar.
– Já?
– Dane-se, Rachel. – Avanço em seu pescoço, mordendo-a.
– Eu te amo. – Ri, segurando minha cabeça.
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