Além da superfície.
50 Paradoxo.
Notas iniciais
Por Rachel
Estava deitada na arquibancada, segurando minha vontade de colocar a cabeça no colo de Quinn, enquanto esperávamos o treino dos jogadores acabar para que elas entrassem na quadra. Santana e Brittany conversam animadamente com minha namorada sobre a nova “super ultra secreta” coreografia das Cheerios. Sim, eu estou barrada desses ensaios e não entendo uma palavra das coisas que elas falam.
Vejo Finn correr com a bola de futebol americano embaixo dos braços e ser jogado no chão por vários outros jogadores. Eu me pergunto como eles conseguem sair vivos desses treinos. O rapaz ri, empurrando os amigos, quando a treinadora anuncia o final do tempo. Puck estende a mão para Finn, que aceita, levantando e dando um soco rápido no moicano. Viro os olhos. O mais alto olha para mim, flagrando o meu olhar nele e dá um pequeno sorriso, antes de cravar os olhos em Quinn e soltar um suspiro cansado.
– Você me espera?
– Ahn... Eu preciso... Preciso fazer algo.
– O que vai fazer? – Pergunta, desconfiada. A loira segue o meu olhar. – Rachel?
– Nada. – Balanço a cabeça, encarando-a. – Só vou procurar alguns livros na biblioteca.
– E o que o Finn tem a ver com isso?
– Finn? – Franzo a testa.
– FABRAY, NÃO TEMOS TEMPO A PERDER. CORRA, ANTES QUE EU COLOQUE SANTANA EM SEU LUGAR. DE VEZ. – Sue grita.
– Já estou indo. – Avisa. – Estou esperando, Rach...
– Ok. – Suspiro. – Eu preciso conversar com ele, nós...
– Por que? Você viu o que ele fez mais cedo? Ele não nos repeita, Rachel. Não quero você sozinha com esse garoto. – Cruza os braços.
– É o Finn...
– Pode ser o papa. – Eu rio fraco. – Não tem graça. Eu não confio nele. Ponto.
– Só acho que nós precisamos conversar. – Encolho os ombros. – Não fizemos isso desde que assumimos o namoro. Pedirei para que não faça mais isso, vou explicar...
– Explicar o que? Que gosta de mim? O que precisa ser explicado?
– CONTANDO ATÉ 30, FABRAY.
– EU JÁ VOU. – Grita. – Inferno.
– Eu não queria esse clima. – Abaixo a cabeça. – Finn foi importante para mim. Se você acha ruim, tudo bem. – Sorrio de lado. – Você precisa ir.
– Não. – Suspira, sentando. – Não tem problema. Converse com ele. Só estou chateada por causa da música. Você não tem nada a ver com isso.
– Tem certeza?
– Claro. – Sorri. – Promete se cuidar?
– Prometo. – Me aproximo, querendo beijá-la agora mesmo, mas nos assustamos com mais um grito de Sue. – Nos vemos mais tarde?
– Se o treino acabar logo, sim. – Levanta. – Te amo. – Sussurra.
– Eu também te amo. – Sorrio, vendo-a se afastar.
Pego minhas coisas e corro para fora da quadra. Os jogadores ainda estão no banho, então fico sentada no banco do corredor, esperando que eles apareçam. Quantas vezes eu sentei aqui para esperar por Finn? Eu nunca ia assistir aos jogos, porque sempre tinha alguém para tirar brincadeiras estúpidas comigo e desconcentrá-lo em suas jogadas. Ele chegou a me defender algumas vezes, mas isso acabava com sua moral de capitão da equipe.
Meus pensamentos são interrompidos pelas risadas dos meninos surgindo no corredor, todos com os cabelos molhados e toalhas penduradas nos ombros. Levanto ao ver Finn aparecer. Ele arqueia as sobrancelhas, enquanto eu seguro seu punho.
– Precisamos conversar. – Digo baixo.
– Claro. – Sorri grande. – Você quer ir para algum lugar?
– Podemos... Podemos conversar no auditório.
– Ah. – Ele parece um pouco frustrado. – Tudo bem.
Nós caminhamos até o local, que já está sem toda a arrumação que ele tinha feito mais cedo. Finn senta no palco, com as pernas para fora. Eu sento em sua frente, em uma das cadeiras da primeira fileira. Ficamos em silêncio algum tempo, sem saber por onde começarmos.
– Então... – Ele cantarola.
– Não gosto de ficar assim com você. – Confesso. – É ruim. De todas as pessoas do coral, você deveria ser o único a não me virar as costas.
– Eu não te virei as costas, Rachel. Eu só não apoio esse... – Limpa a garganta. – Isso, com Quinn.
– Esse namoro. – Enfatizo. – Estou namorando a Quinn.
– Eu te amo! – Me assusta. – Você não pode me cobrar algo que eu não tenho condições de te dar. Ela... Ela é minha ex namorada. – Faz uma careta. – Foi quem nos separou, várias vezes. Você esqueceu disso?
– Claro que não, Finn. Mas, já faz tempo.
– Que se dane. – Bate a mão no chão. — Eu tenho motivos o suficiente para não aceitar isso.
– Certo. – Suspiro. – Veja, isso não mudará nada. Se você não aceita, ok, mas, por favor, nos respeite. Estamos namorando e é sério. Eu sou apaixonada por ela.
– Você me chamou pra isso? – Fica em pé.
– Não, eu te chamei para ficarmos bem.
– Você quer voltar comigo?
– Finn! – Repreendo.
– Então, não podemos ficar bem. – Ele desce os degraus, se aproximando. – Eu posso lutar por você.
– Não pode. – Resmungo, irritada.
– Ela armou todas para nos atrapalhar, por nada. E eu não posso cantar músicas para você, por querer você de volta? É injusto.
– Eu queria que você fosse meu amigo, mas estou vendo que será impossível.
– Dói, Rachel. – Senta ao meu lado, enterrando-se na cadeira. – Dói ser só seu amigo.
– Bom, agora você pode me entender. – Sussurro.
– Eu te machuquei, não foi? – Me encara. – Eu queria ter te ajudado. – Segura minha mão.- Me perdoe.
– Está tudo bem, Finn.
– Eu sei que está. – Sorri triste. – Sei que a Quinn te ajuda, mas eu queria te ajudar também.
– Se você quer me ajudar, por favor, seja meu amigo. Apenas isso.
– Eu... – Engole seco. – Eu serei. Mas, posso pedir uma condição? – Assinto, incerta. – Não peça pra eu desistir de você.
– Você irá provoca-la outra vez?
– Eu me segurarei. – Ri fraco. – Mas, ficarei te esperando. Eu tenho certeza que a nossa história não acabou ainda.
– O que eu posso dizer pra você não fazer isso?
– Nada. — Me empurra levemente.
– Tudo bem. – Viro os olhos, rindo. – Sinto sua falta.
– Eu também. – Coloca um braço por cima dos meus e eu encosto a cabeça em seu ombro. – Como você está? Digo, tirando sua vida amorosa.
– Me recuperando, eu acho.
– Não quero essa resposta. – Prende nossas mãos. – Quero a resposta completa. Uma resposta que só a Rachel Berry que eu conheço me daria. – Eu rio baixo e respiro fundo.
– Sou alguém que vive andando na corda bamba. – Começo. Ele aperta minha mão, incentivando. — Alguém que vive olhando pra baixo e medindo o tamanho da altura que está. Alguém que pensa no quanto vai doer quando pisar em falso. Sim, sou alguém pessimista. Alguém que inveja o que eu já fui. Que não sabe onde perdeu toda aquela força e coragem. – Franzo a testa. – Na verdade, sou alguém que tem resposta para todas as perguntas que eu mesma faço, mas tenho medo de pensar. – Explico. – Tenho medo de pensar no quanto eu lutei e morri no meio do caminho. Tenho medo de ver quantas pessoas, que pensei que levaria por muitos e muitos anos comigo, ficaram para trás. Tenho medo de ver quantas pessoas ficarão. Sou alguém que odeia correr atrás, e esse alguém odeia o que eu já fui. Paradoxal, não? – Bufo. – Eu sou assim. Sempre vivo nesse paradoxo.
– Se pararmos para pensar, você sempre foi um paradoxo. – Eu viro, sem entender. – Em um bom sentido. Você sempre teve dois lados, a Rachel sensível e a Rachel egoísta. A frágil e a que dá a cara a tapa. A que morre de medo de perder o solo e a que levanta a cabeça e dá um show de segurança. Essas coisas não se anulam, sabe? Pelo contrário, elas somam sua personalidade. Por isso é tão complicado te entender.
– Não é complicado me entender. – Resmungo, enquanto ele gargalha. – Hey...
– Mas, pessimista não. – Continua. – Rachel Berry sempre faz dar certo. Lembra-se da nossa primeira Seccional? Don't Rain On My Parade sem aviso prévio. Eu nunca tinha visto aquilo na vida.
– Eu não teria conseguido se não fosse sua confiança. – Admito.
– Teria sim. – Sorri. – Fui apenas uma desculpa. – Nós rimos. – Formamos um ótimo casal.
– De amigos.
– De namorados também.
– Talvez tenhamos formado sim. Antes. – Me afasto um pouco. – Finn, eu...
– Você gosta da Quinn.
– Eu amo a Quinn. – Ele arregala os olhos. – Eu sou completamente louca por ela. É um sentimento maravilhoso, que eu nunca tinha sentido antes.
– Nem por mim? – Pergunta, decepcionado.
– Hmmm, são amores diferentes. Eu te amo como um irmão, como um companheiro de equipe, parceiro de ideias. – Tento explicar. – Quinn... – Suspiro. – Eu a amo como mulher, com paixão, com desejo, com vontade. Amo-a de querer passar o resto dos meus dias com ela.
– Quando eu te perdi, Rach? – Eu enxugo uma lágrima de seus olhos.
– Estou aqui. – Afirmo. – Apenas... De outro jeito.
– É muito, certo? – Levanta a cabeça. – Depois de ter te deixado passar por isso sozinha, é mais do que eu mereço.
– Vamos esquecer isso, por favor.
– Tudo bem. – Sorri. – Posso te dar um abraço?
Eu não respondo, só levanto e o abraço, sentindo seus braços longos rodearem minha cintura fortemente. Fecho os olhos, aproveitando o carinho. Eu realmente senti falta dele. Kurt era meu ‘amigo’, mas eu sempre sentia que ele me usava para algumas coisas. Finn pode ter não aguentado toda a pressão, só que ele foi a única pessoa que ficou ao meu lado por algum tempo e que eu sabia que estava por gostar mesmo de mim.
O toque soa, nos assustando. Não acredito que passou tanto tempo assim. Será que Quinn já sairá do treino? Ele me olha, parecendo compreender meus pensamentos e assente para a porta. Beijo sua bochecha, coloco a bolsa nas costas e corro para fora.
Por Quinn
Deito na quadra, cansada. Nunca mais atraso um treino das Cheerios. Sue ficou furiosa e nos fez treinar em uma hora o que nós treinaríamos em três. Santana me xingou em vários nomes em espanhol. Achei melhor todas irem na frente. Não seria muito seguro tomar banho agora com essas meninas com raiva de mim.
Acabou o treino? – R
Eu sento, sorrindo.
Acabou. Quer que eu passe ai? – Q
Na verdade, ainda estou no colégio. Você pode vim aqui no banheiro de baixo? – R
Meu coração dispara. Banheiro? Eu jogo as coisas em minha bolsa e saio correndo na direção marcada. Abro a porta rapidamente, Rachel está encostada na parede. Meus olhos procuram seus punhos, preocupados. A morena estende os braços para cima, como se estivesse se rendendo. Suspiro, me acalmando, ao ver que não há nada novo ali.
– O que houve? Ele te fez algum mal? Eu vou mata-lo. Eu sabia que...
– Shhhhhhhhh... – Me empurra para dentro do box. – Cale a boca, Q.
– Rachel! – Bronqueio. – Eu quero saber o...
Sou interrompida outra vez. Sua boca me toma com vontade. Sinto meu corpo relaxar instantaneamente. Solto um gemido audível, prendendo-a contra a parede. Rachel abre os olhos, sorrindo e volta para o meu pescoço, deixando algumas mordidas leves.
– Amor, vamos para casa. – Sussurro.
– Ninguém vai aparecer, Quinn. Está tarde. – Fala contra minha pele, fazendo-a se arrepiar.
– Não tomei banho ainda. – Digo com dificuldade.
– Quer que eu pare por isso? – Provoca.
Eu rio, me deixando levar. A morena levanta a minha saia em questões de segundos e explora minhas pernas. Me apoio no local pequeno, tentando não fazer barulho. Fecho os olhos, sentindo sua língua encontrar minha intimidade.
– Rápido... Rach... Rápido...
Seguro seu cabelo, querendo uma forma de equilíbrio. Ela ri, fazendo minha excitação crescer incrivelmente. A pequena coloca um braço por trás de mim, enquanto obedece ao meu pedido, aumentando a velocidade. Em pouco tempo, meu corpo explode em um orgasmo perfeito. Rachel sobe o rosto, beijando minha barriga. Sorrio ao vê-la brincar em meu abdômen. Ela levanta uma sobrancelha e sorri de volta. A morena senta no sanitário, me puxando junto e encosta a cabeça em meu peito, enquanto eu tento regularizar minha respiração.
– Santana tem razão. – Diz, suavemente. – O clima desse banheiro é pavoroso. – Eu gargalho alto. – Gosto de seu coração batendo assim.
– Assim como? – Pergunto, rouca.
– Forte. – Me encara.
– Vai ser clichê se eu disser que a culpa é, literalmente, sua? – Ela ri.
– Vai, mas eu gosto de ouvir.
– A culpa é sua.
– Eu sei. – Beija meu queixo. – Linda...
– O que deu em você? – Falo, recuperando a consciência. – Como foi a conversa?
– Foi boa. – Morde o lábio. – Nós resolvemos ser amigos.
– Assim fácil? – Franzo a testa.
– Não foi muito fácil. Ele não quer desistir de mim. – Abro a boca para protestar, ela continua. – Mas, irá respeitar, certo? Eu pedi para que ele não te chateasse mais.
– Acho bom mesmo. – Cruzo os braços.
– Acha bom, é? Ciumenta.
– Quem ele pensa que é pra subir naquele palco e cantar assim para a minha mulher?
– Sua mulher? – Sorri.
– Minha sim. – Resmungo. – Aquele inútil. E o que merda foi aquela no palco?
– Foi... Ahn... – Abaixa a cabeça. – Foi uma besteira que eu fiz uma vez.
– O que? – Pergunto, curiosa.
– Um dia nós estávamos ensaiando e eu... Armei um piquenique idiota. – Ri, envergonhada.
– E o que aconteceu nesse “piquenique idiota”?
– Nosso primeiro beijo. – Suspira.
– Idiota! – Levanta. – Ainda por cima joga baixo.
– Calma, Q. – Me abraça. – Não funcionou.
– Claro que não funcionou. Você é minha. – Ela ri sonoro. – E ele é um idiota.
– É um idiota. – Concordo. – E eu te amo.
– Hum. – Faço bico. – Ai de você se não amasse. – Ela me belisca. – Holly me procurou. Conversaremos com ela amanhã, tudo bem por você?
– É necessário? – Choraminga.
– É sim, Rachel. – Aliso sua bochecha.
– Só se... – Se aproxima. – Você me levar agora pra casa e me compensar, porque eu estou quase enlouquecendo...
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