Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=uvrae89lEzk

Por Quinn

Que inferno de amiga eu sou? Tenho que fazer tudo errado? Abro os olhos com um pequeno barulho no quarto. Sim, eu dormi no quarto dela outra vez. Talvez as noites sejam mais sentimentais para Rachel. É a hora que ela consegue falar comigo sem nenhuma piada, ou sarcasmo. Bem, é quando ela deixa que eu a abrace. Espreguiço-me sonolenta. Vejo a morena com um vestido mais solto. Sorrio. Ela parece com a antiga Rachel Berry. Se não fosse pelas dezenas de cicatrizes em cada braço. Suspiro, virando na cama.

– Oh, merda. — Levanto rápido. Hoje é segunda. A pequena me olha, levantando uma sobrancelha. — Você deveria ter me acordado.

– Sua mãe te acorda todos os dias, Quinn? — Pergunta seca. E aí está ela... A Rachel completamente diferente da noite anterior. — Você precisa ir para casa.

– O que? — Franzo a testa. — Por que eu não posso ir depois do colégio? Tão rápido você quer me jogar para longe? — Tento brincar.

– Não vai ser bom para sua reputação, capitã. — Murmura. — Ou você quer que todos saibam que você dormiu aqui? — Eu mordo o lábio com força.

– Eu não me importo. — Sussurro, pegando minha roupa.

Antes que ela fale algo, eu tranco a porta de seu banheiro. Deus, o banheiro de Rachel. Tomo um banho rápido, por estar atrasada, e visto meu uniforme. Posiciono-me na frente do espelho, para que eu possa prender meu cabelo em um rabo de cabelo. Eu já ia abrindo a porta quando percebo um objeto brilhante na pia. Meu estômago embrulha. Sinto vontade de pegar a lâmina, jogar no sanitário e dá descarga. Mas, eu não posso fazer isso. Respiro fundo. Será que ela fez de novo? Será que ela... Oh, não... Será que ela entrou no Facebook?

Saio do banheiro, nervosa. Rachel está colocando várias roupas na bolsa. Franzo a testa.

– Você vai para onde?

– Para o colégio?

– Precisa levar o guarda roupa inteiro? — Rio.

– Ninguém sabe quantas raspadinhas eu levarei hoje, Quinn. — Diz cansada.

– Rachel, nós não deixaremos mais isso acontecer. — Agradeço por minha voz ter saído firme.

Continuo olhando-a, procurando uma marca recente em seu braço.

– O que você está fazendo? — Pergunta, incrédula. Eu coro violentamente por ter sido pega.

– Desculpe, eu só... Eu... — Ela balança a cabeça e mostra os punhos. Eu engulo seco. — Não precisava...

– Você queria saber se eu tinha um corte novo. Satisfeita?

– Sim. — Sussurro. Não tinha. Rachel coloca uma jaqueta por cima do vestido, cobrindo os braços. — Sinto muito.

Eu não posso evitar a mágoa. Sei que tudo isso difícil, mas custa ser ao menos simpática com pessoa que a segurou por três noites seguidas? Suspiro frustrada e saio do quarto. Vou para o quarto de hóspedes, pegar o resto das minhas coisas. Volto para a sala e sento no sofá. Eu sei que ela está comendo na cozinha. Mas, ela não se importa em oferecer, eu não vou atrás. Depois de alguns minutos, ela aparece com o rosto franzido.

– Você não vai comer? — Oh, antes tarde que nunca. Olho o relógio.

– Eu como por lá. Obrigada, mesmo assim. — Sarcasmo grita em minha fala.

Rachel dá os ombros, pega a chave do carro e sai. Eu a sigo. Hoje vai ser um longo dia... Escuto um suspiro da morena, quando ela estaciona o carro. Minha raiva vai embora. Dou um sorriso encorajador para ela, que assente, tirando o cinto. Vejo Santana e Brittany na porta do colégio, como combinamos. A dançarina está visivelmente nervosa, enquanto a latina aperta as mãos. Rachel dá um pequeno aceno e quase um sorriso para as duas. Santana fica na frente dela, Brittany atrás e eu ao lado. Quando entramos no colégio, um silêncio toma conta dos corredores. Eu estremeço, mas não posso abaixar a cabeça.

– O que diabos está acontecendo? — Rachel murmura, olhando para o chão.

Nós não respondemos. Dou um olhar furioso para as pessoas. De repente, todos explodem em risadas. Vejo o corpo da morena começar a tremer.

– Cansou de ser perdedora em NY? — Um jogador ri.

– Estão pagando para você ser desafinada? — Outra cuspe. Rachel fica tensa.

– Barbra teria pena. — Um loiro zomba.

Santana grita e o rapaz recua três passos. Nós andamos mais depressa. A morena entra na sala sem olhar para trás e senta na cadeira, olhando para as mãos.

– Alguém vai ter aula com ela?

– Eu tenho essa, San. — Britt avisa.

– Nós não vamos conseguir evitar isso. — Murmuro, angustiada. — Como fui tão burra?

– Não é sua culpa, Fabray. Nós, melhor que todos, sabemos que isso poderia acontecer. Foi apenas uma falta de atenção.

– E o que essa falta de atenção pode causar?

– Q, vamos nos concentrar, ok? — A dançarina pede. Eu assinto, incerta.

Por Rachel

Que merda está acontecendo agora? Por que estão todos rindo olhando para mim? Eles costumam me xingar e fazer cara de nojo, mas as risadas são só depois das raspadinhas. Vejo Brittany amassar um papel com raiva. Já é o quarto que ela impede que chegue a mim. Estremeço. O sinal toca e eu não quero levantar. Meu corpo sabe que eu não devo. O resto das aulas foram todas assim. Almocei no auditório, escondida de todos. Minhas mãos já começavam a suar.

– A votação do melhor dueto será amanhã. Quero que pensem direito. — Prof Schue avisa. Eu encolho na cadeira.

Kurt levanta para cantar um solo, mas é interrompido pelo toque dos celulares. Eles ficam tensos, olhando os aparelhos. Alguns prendem o riso. Escuto uma música conhecida soar baixinho. Levanto para pegar o meu na bolsa e sinto uma mão me segurar.

– Eu quero saber o que está acontecendo. — Me solto de Quinn.

Eu tiro meu celular e, como o previsto, tem uma mensagem nele. O link de um vídeo está anexado. Respiro fundo e abro. Meu coração dispara loucamente. Sou eu cantando na loja ontem. Eu e mais um monte de efeitos estúpidos. Colocaram o uniforme dos empregados da loja em mim, como se eu estivesse trabalhando lá. Tinham carinhas rindo ao redor do piano. Controlo minha respiração e baixo para ver os comentários.

Ela conseguiu ficar pior.

Ainda bem que vocês mostraram, não passarei por perto.

Maior perdedora de Lima. Hahahaha

Além de feia e perdedora, é desafinada e depressiva. Que música é essa?

Minhas mãos tremem e eu deixo meu celular cair no chão.

– Rach... — Quinn se aproxima outra vez.

– Não toque em mim. — Sussurro.

– Rachel, não se feche. — Brittany fala, tentando segurar meu ombro.

– EU DISSE QUE NÃO ERA PRA TOCAR EM MIM. — Grito. Todos me olham assustados. Eu inspiro. — Era isso, certo? Esse tempo inteiro, vocês só queriam que eu desse um escorregão para me jogarem na internet e ser zoada por todo mundo.

– Não fomos nós. — Santana diz. Eu bufo. — Não fomos nós, Rachel.

– Vocês estavam comigo.

– Você viu uma de nós filmando, Rach? — Britt pergunta.

– Eu não estava prestando atenção nisso, sinceramente. — Pego minha bolsa para ir embora.

– Rachel, nós não faríamos isso.

– Sério, Quinn? — Rio, sarcástica, virando.

– Aonde você vai? — Pede.

– Não te importa. — Ando. As três vêm atrás de mim. — ME DEIXEM SOZINHA.

Assim que eu coloco o pé fora da sala, um líquido gelado acerta meu corpo. Eu fecho os olhos com força, tremendo descontroladamente. Eu preciso... Eu preciso... Corro para o banheiro o mais depressa possível.

x-

O ensaio foi cancelado por motivos óbvios. Todos estavam saindo da sala.

– Tina. — Santana chama. A asiática volta. — Você se preocupa mesmo por Rachel?

– Claro, San. O que eu posso fazer?

– Ela não vai deixar a gente se aproximar agora. Você pode ficar de olho nela? — Pede.

– Posso. Mas, onde ela foi?

– No banheiro. — Quinn sussurra quase inaudível. Tina assente.

Brittany senta no banco do piano e coloca as mãos sobre o rosto. Santana se aproxima da dançarina, afagando suas costas. A porta se abre outra vez, conseguindo a atenção das três lideres de torcida. A latina bufa ao perceber quem era.

– Brittany, será que podemos conversar?

– Agora, Artie? — A dançarina geme. — Estou preocupada por Rachel.

– Ela sabe se cuidar, Britt. — Santana vira os olhos, indo em direção a Quinn. — Nós temos que conversar.

– Tudo bem. — Solta depois de alguns segundos.

Brittany tenta um olhar de Santana, mas a latina não levanta a cabeça. Suspirando, Britt sai, seguindo o cadeirante.

– Por que ela não acredita em mim? — Quinn murmura.

– Ela não acredita em todas nós.

= Não. Mas, ela me odeia mais. Quando ela percebe o que está fazendo, me joga para o longe possível.

– É difícil confiar de uma hora pra outra, Q. — A latina suspira. — Principalmente tendo um passado conturbado feito o nosso.

– POR QUE ELA NÃO QUER ME DÁ UMA CHANCE? — Santana se assusta. — POR QUE ELA CONSEGUE COM VOCÊ, COM BRITTANY E COMIGO NÃO?

– Quinn, você dormiu na casa dela. Isso é muito.

– NÃO É. ELA ME ODEIA.

– Acalma-se. — A latina pede. — Por que você está furiosa?

– Porque tem alguém se cortando no banheiro, se recusando minha ajuda. É pouco para você?

– Eu também estou chateada, Quinn. Mas, precisamos entendê-la. — Santana limpa a garganta. — O que você sente por Rachel, Q? De verdade?

– O que? Ah, por favor, não comece com isso...

– Você gosta dela, certo? Mais que uma amiga.

– Santana, eu não sou você. — Cospe.

– ESTOU TENTANDO TE ENTENDER. — Respira fundo. — Eu sei que é difícil admitir, mas...

– EU NÃO SOU COVARDE. EU ADMITIRIA, OK? EU NÃO DEIXARIA ELA IR COM O PRIMEIRO QUE APARECESSE.

Santana sente o golpe no estômago. Quinn fecha os olhos, arrependida.

– Eu estou confusa. — Quinn baixa o tom. — E irritada com o que fizeram. Eu sinto muito. — A latina assente. — San...

– Está tudo bem. — Levanta.

– Santana, me perdoe, eu não quis dizer isso.

– É a verdade, Quinn. Eu sou uma covarde. — Vai em direção à porta. — Eu espero que você não demore tanto quanto eu.

Meninas, ela não quis conversa. Tem algo muito estranho acontecendo. Ela correu para a quadra. Tina.

– Vamos atrás dela. — Quinn assente.

As duas correm para a quadra. Os jogadores estão rindo, enquanto algumas lideres brincam com a morena, que está de cabeça baixa, com as mãos no ouvido. A asiática gritava para eles, mas ela não tem posição para fazer alguém parar.

– Obrigada, Tina, eu assumo daqui. — San agradece.

– Rachel... — Quinn tenta. A pequena se encolhe ainda mais.

– Vai embora. — Sussurra. — Vão embora. Eu não quero ver vocês.

– Ei, Quinn, você é amiga do Hobbit agora? — Gritam.

– Cuida da sua vida, Karofsky. — A loira fala, sem tirar os olhos de Rachel. — Não fomos nós, acredite, por favor.

– Eu não posso. — A pequena diz, agoniada.

– Rachel, nós... — Quinn não pôde continuar. A raspadinha escorre em seu rosto. Rachel levanta a cabeça, incrédula. — Você acredita agora? Pergunta, magoada.

– Quinn, eu...

– SAIAM DAQUI. AGORA. VOCÊS PERDERAM A PORRA DO JUIZO? — Santana grita com raiva. — EU VOU TRANSFORMAR A VIDA DE VOCÊS EM UM INFERNO. PRINCIPALMENTE A SUA KAROFSKY.

– Mas, ela estava defendendo a perdedora...

– E QUEM PEDIU SUA OPINIÃO? DÊ O FORA. TODOS.

Em um minuto, a quadra estava vazia. Santana agradece por ainda colocar medo neles. Quinn enxuga os olhos, com as mãos e levanta.

– Eu sinto muito. — Rachel sussurra para a loira.

– Eu sei. — Suspira, indo embora.

– Você está chateada? — A morena pergunta temorosa.

– Estou, Rach. — Quinn segura uma das mãos da pequena. Um corte novo é revelado no braço dela. — Eu preciso ficar sozinha. E eu sei que vai ser melhor você ficar com Santana.

– Quinn, você não precisa sair.

– Preciso, San. — Suspira, dando um beijo na bochecha da latina. — Cuide dela. E, mais uma vez, me perdoe.

Por Rachel

Santana me leva para seu carro e dirige em silêncio. Eu achei que ela fosse me levar em algum parque de novo, para me fazer correr. Se bem que não adiantava mais, eu já tinha feito. Mas, estamos rodando a meia hora.

– É agora que você vai me matar e jogar meu corpo fora? — Tento quebrar o silêncio. A latina vira os olhos, mas não responde.

Mais dez minutos e ela estaciona em uma casa antiga, isolada. Descemos do carro. Santana abre a porta. É imensa. Uau! É linda. Não damos nada por fora. Por dentro, é quase uma mansão. Ela me puxa para o terraço. Tem um lago lindo, alguns patos na água.

– Eu costumo vir aqui para pensar. — A latina finalmente fala.

– É incrível. — Admito. Sento ao seu lado, no chão.

– Brittany ama ver os patos daqui. — Ri sem graça. — Foi aqui que nós tivemos nossa primeira vez. — Digo, no quarto.

– Onde ela está? — Sussurro.

– Provavelmente beijando o Artie. — San faz uma careta dolorosa. — O que você sente quando se corta? — Pergunta de repente.

– Alívio, eu acho. — Encolho os ombros. Ela assente, acendendo um cigarro. — Desde quando você fuma?

– Eu preciso de um alívio também. — Brinca.

– Posso pegar um?

– Claro que não, Berry. Estou tentando te tirar de um vício, não posso te enfiar em outro. — Eu mordo minha boca por dentro.

– O que você está sentindo? — Pergunto, curiosa.

– Você já amou alguém?

– Eu amo o Finn. — Murmuro. Ela balança a cabeça, rindo.

– Alguém impossível. — Eu nego. — Eu quero ter Brittany em todas as horas do meu dia. Eu durmo pensando nela e acordo pensando nela. — Sorri. — Eu a amo tanto que todo o meu corpo dói. Quando ela está comigo, ele apenas adormece. Quando ela me toca... É a única hora que eu me sinto viva.

– Por que você não diz isso para ela?

– Eu já disse. — Sopra a fumaça. — Artie ofereceu um plano de vida melhor que o meu. Para o bem dela, talvez seja melhor que ela fique com ele.

– Óbvio que não, Santana. Você a ama. Ela te ama. Isso está totalmente errado.

– Está, não é mesmo? — Ri. — E na visão dos outros? Estaria certo ela ficar com outra mulher, enquanto um homem promete amá-la?

– São apenas preconceituosos.

– É o mundo, Rach. — Suspira, limpando uma lágrima. Eu engulo seco.

– Ela não liga para isso.

– Então ela vai me esperar. — Sussurra, duvidosa. — Não fomos nós que armamos para você. Você sabe, não é?

– Sim. Eu sinto muito. — Sinto minha garganta fechar ao lembrar da raspadinha que Quinn levou por minha culpa. — Vocês não devem andar comigo. Eu sou apenas um lixo... Contagioso.

– Você não é um lixo. — Diz calma.

– Eu sou, Santana. Todos me odeiam. Você viu aqueles comentários? Minha voz é horrível e minha música... Pior. — As lágrimas começam a cair contra minha vontade. Seguro firme minhas mãos. — Oh, meu Deus...

– O que foi, Rachel? — Santana vira, preocupada.

– Eu quero... Eu preciso...

– Não! Você já fez isso hoje. — Ela me abraça e eu quebro em seus braços, soluçando como uma criança. — Shhhh... Estou aqui com você.

– Eu preciso...

– Shhhhh... Você não precisa.

Não sei quanto tempo ficamos abraçadas. Mas, o pôr sol visto daqui é lindo. Suspiro trêmula, sentindo o carinho de Santana em meu cabelo.

– Por que você luta tanto contra Quinn?

Notas finais
Vamos lá... Eu preciso que vocês confiem em mim, ok? Rachel tem um problema sério, que não pode ser parado de uma hora para outra. Precisamos acompanhar um ritmo certo. Eu sei que tem muita gente querendo Faberry!! Hahahaha Eu também quero escrever pra vocês. Vai acontecer, eu prometo. Na hora certa... Então, o que acharam do capítulo? Não deixem de comentar!! ;) ;*** http://ask.fm/FlorDeLins_