Além da superfície.
39 Banho frio.
Notas iniciais
Por Rachel
O despertador me tira do sono. Esfrego os olhos, tentando me adaptar a claridade do meu quarto. Meu quarto. Merda. Estou em Lima. Ouço meu pai bater na porta, pedindo pra eu levantar. Eu choramingo uma resposta e saio praticamente rastejando da cama. Ok, Rachel, respire fundo. É só mais um dia normal naquele colégio idiota, com gente idiota, tirando brincadeira idiota. Você pode enfrenta-los. Além do mais, Santana não deixará que te façam mal. Nem Brittany. Nem Quinn. Um sorriso toma conta do meu rosto. De repente, eu sinto vontade de correr para lá o mais rápido possível. Devo estar pirando. E dessa vez de verdade.
Eu jurei para mim mesma que nunca mais confiaria em alguém como eu confiei em Finn e Quinn me aparece quebrando todas as minhas barreiras. Que diabos, Fabray? Queria sentir raiva por isso. Mas, não. Como eu posso sentir raiva depois de tudo? Como sentir raiva depois da noite que tivemos em NY? Balanço a cabeça, tentando livrar meus pensamentos. Depois de pronta, tomo algo no café da manhã e dirijo para o colégio.
Bato os dedos no volante, nervosamente. Fecho os olhos, puxando as mangas da minha blusa até a metade de minhas mãos. Eu não posso arriscar. Quando abro os olhos, encontro o sorriso que parece sempre acalmar meu coração. Suspiro, saindo do carro. Brittany me abraça, enquanto Santana vira os olhos e segura a mão da namorada. Timidamente, eu sorrio para Quinn.
– Senti sua falta. – Sussurra, beijando minha bochecha.
– Eu também. – Devolvo no mesmo tom.
A loira vira, colocando sua expressão de capitã das Cheerios. Eu estremeço, acompanhando seus passos. Ninguém nos olha. Todos estão conversando em seus mundos, nem mesmo percebem a nossa presença. Eu vejo Quinn soltar o ar, aliviada. É lógico que ela também estava nervosa. Abro o meu armário, tirando alguns livros.
– Nós podemos fugir das aulas hoje? – Pergunta preguiçosa. – Eu só quero dormir.
– Não dormiu de noite? – Levanto uma sobrancelha.
– Não. – Resmunga, se aproximando. – Você me deixou mal acostumada. – Abro a boca, corando. Ela ri. – Exceto pelos chutes.
– O que? – Franzo a testa. A loira começa a andar. – Eu não chuto. – Digo, incrédula.
– Oh, você faz. – Cantarola. – E baba também.
– Ah, cale a boca. – Empurro seu ombro. A loira solta uma gargalhada sonora, chamando mais atenção do que deveria.
– Você ficou com medo de me chutar, Berry? – Sussurra.
– Claro que não. – Cruzo os braços. – E se eu chutei alguma vez, você mereceu.
– Se você diz. – Ri. – Tem certeza que não quer matar aula?
– Tenho, Q. – Eu nego, rindo. – Apenas sente e finja que é algo interessante.
– Hm... – A loira senta atrás de mim e abaixa a cabeça. – Me acorde quando terminar.
Mordo o lábio, resistindo ao impulso de mexer em seu cabelo. Ela não reclamaria, certo? Não seria errado. Levanto a mão, mas para no meio do caminho quando vejo uma Cheerio ruiva se aproximar. Fico tensa na cadeira.
– QUINN! – Grita, assustando-a.
– O que é, Lena? – A loira bufa, irritada.
– A treinadora Sue falou que nós teremos um treino extra hoje, porque ela vai acrescentar algo na coreografia. – Diz, animada.
– E ela pediu para que você me dissesse isso?
– É... Sim... Digo, ela não... – Eu posso sentir o nervosismo da menina, mesmo sem olha-la. – Você é a capitã, achei que era o certo te avisar. – Murmura.
– Tudo bem. Obrigada. – Seu tom superior continua. A ruiva passa por mim, saindo da sala. – Droga de treino extra. – Eu engulo seco. – Rachel?
– Sim? – Pego um lápis, rabiscando a mesa.
– O que houve?
– Nada. – Sorrio falso. Ela toca meu ombro. – Eu só... Me lembrei onde nós estamos.
– Como assim? – Eu viro para encará-la.
– Quando você fala... Daquele jeito... – Sussurro. Ela fecha os olhos. – Eu não... Eu não gosto.
– Sinto muito. Eu estou com sono e...
– Pare. – Seguro sua mão. – Você não me deve explicação. – Sorrio de lado, mostrando-a que está tudo bem. – Eu só me assusto, às vezes.
– Não que te assustar.
– Eu sei. – Olho para sua boca, prendendo minha respiração.
– Rach... – Se aproxima.
Os alunos começam a entrar na sala, nos afastando. Eu viro para frente, tentando esconder meu rosto atrás do cabelo para que ninguém veja o quão vermelha eu devo estar. Escuto Quinn resmungando atrás e prendo o riso. Foi difícil me concentrar na aula com ela perto. A loira fazia piada ou soltava ironia com qualquer coisa que falavam. Algumas pessoas viravam, desconfiadas, quando nos ouviam rir. Mas, Quinn apenas levantava a sobrancelha e fingia que não era ela. Eu conseguia ignora-los também, escrevendo aleatoriamente no meu caderno para que eles pensassem que eu estava concentrada.
As aulas acabaram passando rápido. No horário de almoço, nós nos juntamos com Santana e Brittany. Parece que todos já se acostumaram com nossa aproximação, porque não olharam torto dessa vez. Eu quase posso respirar aliviada. Na reunião de Glee, professor Schue conversa sobre as possíveis músicas para as Regionais. Cada um sugere algo diferente. Bom, eu fico calada, apenas pretendo atenção. Não me sinto segura para dar uma opinião agora.
Sinto a falta da voz de Mercedes dando ordens. Olho para a morena, que também está quieta. Sua expressão é estranha. Não é de tristeza, e sim de chateação, como se estivesse incomodada. Assim que o toque soa, os integrantes se despendem, saindo da sala. Quinn, Santana e Brittany correm para a quadra, com medo de receberam reclamações de Sue. Dizem que ela não está nos seus melhores dias. Uma mão me segura na sala. Olho para trás, confusa.
– Kurt. – Franzo a testa.
– Eu posso falar com você um minuto? – O menino pede.
– Claro. – Eu sento novamente. – Aconteceu alguma coisa?
– Não. – Sorri de lado. – Eu só queria conversar. – Levanto uma sobrancelha, sem entender. – Nós costumávamos conversar, lembra? – Fico calada, encarando o chão. – Ok. – Suspira. – Eu não tive a oportunidade de falar com você, depois de tudo, a sós. – Levanto o olhar. – Eu gosto de você, Rachel.
– Kurt, não precisa fazer isso.
– Mas, eu quero. – Diz, firme. – Eu fui um egoísta cego. Você me ensinou muita coisa, mas na hora de te apontar, eu só conseguia enxergar os seus defeitos. – Eu engulo seco, assentindo. – Quando eu soube o que estava acontecendo, eu... – Ele para, levantando. – Eu sinto muito por não ter estado pra você. – Sussurra. – Eu era seu amigo. – Meus olhos começam a arder. – Eu sou seu amigo.
– Está tudo bem, Kurt.
– Não está. – Ele dá uma tapa na mesa, me assustando. – Eu sinto uma culpa enorme dentro de mim e não me sinto nada bem com isso. – Sua voz fica embargada. – Eu poderia ter te ajudado.
– Aconteceu. – Murmuro. – Não adianta mais ficarmos lamentando isso.
– Para, Rachel. – Ele parece furioso. – Isso não é você. Eu quero que você levante a voz para mim e me xingue. Vamos! Brigue comigo.
– Eu não quero brigar. – Arqueio as sobrancelhas.
– Nós não conseguiremos resolver isso assim. – Esfrega o rosto. – Por que você não me procurou?
– Eu te procurei.
– Fala sério, Rach.
– Eu estou falando sério. – Cuspo. – Eu fui atrás de você, mas você sempre falava que estava ocupado, ensaiando.
– Me interrompesse!
– Ah, Kurt. – Levanto, chateada. – Você nunca se importou, por que iria se importar quando eu fosse falar com você?
– Eu me importava.
– IMPORTAVA O INFERNO. – Grito. – ERA ISSO QUE VOCÊ QUERIA? QUE EU GRITASSE COM VOCÊ? – O empurro. – VOCÊ FOI UMA DROGA DE AMIGO, KURT. VOCÊ ME QUERIA POR PERTO PARA ACALÇAR SUAS NOTAS SONHADAS, PARA CONSEGUIR SEUS SOLOS. VOCÊ CONSEGUIU. PARABÉNS! – Sinto minhas mãos tremerem. – Você me deixou sozinha. – Sussurro. – Como todo mundo.
Seus braços me rodeiam depressa. Eu viro, ficando de frente para ele e devolvo o abraço. Como eu senti falta disso. Ele soluça várias desculpas no meu ouvido, me apertando. Descanso a cabeça em seu ombro, deixando as lágrimas fluírem facilmente. O menino se afasta, segurando meus braços. Suspiro, vendo seu rosto vermelho. Kurt sorri triste, limpando minha bochecha.
– Eu sinto muito, Rachel. – Eu vejo a sinceridade em sua voz, assim como nos seus olhos. – Eu sinto muito. Mesmo. Nada justifica o que eu fiz, eu não tenho nem como me defender. Eu só posso... Admitir, me arrepender.
– Eu acredito em você. – Respiro fundo. – Senti sua falta. – Ele me abraça outra vez, passando as mãos em minhas costas.
– Eu vou me esforçar, tudo bem? – Segura meu rosto. – Eu vou ser um amigo que você merece. Por favor, me dê essa chance.
– Não vou te impedir, Kurt. – Sorrio fraco.
– Obrigada. – Sussurra. – Olha, você está ocupada? Digo, tem alguma coisa para fazer agora?
– Não. – Encolho os ombros, lembrando que as meninas irão demorar no treino. – Estava indo para casa.
– Nós temos tanto pra conversar. Eu posso ir com você? Se não tiver problema, claro. Eu...
– Você quer falar sobre Blaine. – Sorrio. Ele cora.
– Também. – Suspira. – Sim, eu quero.
Seguro sua mão, caminhando até meu carro. Ele entra, me dando um olhar agradecido. Eu sempre consegui falar com Kurt facilmente. Nós somos muito parecidos, então nossas conversas fluem de um jeito incrível. O menino deita na minha cama, como antigamente. Ele conta como conheceu o namorado e suspira apaixonado. É bom vê-lo assim. Depois de tudo que ele passou para se assumir naquele colégio, ele merece ser feliz com alguém que goste de verdade.
– Blaine tira o melhor de mim. – Sorri. – Você já sentiu isso, Rachel? Quando uma pessoa chega perto de você e o ar simplesmente muda? Tudo fica mais leve, mais tranquilo...
– Sim. – Sussurro sem perceber. Ele levanta uma sobrancelha. – Digo..
– É o Finn?
– O... O que? Não! – Balanço a cabeça.
– Quem é? – Pergunta, curioso. – Vamos, Rachel, eu não contarei a ninguém, você sabe.
– Não. – Sorrio. – Ainda não.
– Certo. – Bufa, abraçando um travesseiro. – Você fez a inscrição para NYADA? – Volta a animação.
Eu rio, sabendo que esse assunto irá durar.
Por Quinn
Coloco as mãos no joelho, respirando pesado. Eu não sei quem foi o idiota que deu um fora em Sue dessa vez, mas eu juro que quero mata-lo. Ela descontou toda a sua raiva na gente. Em todos os treinos de minha vida, eu nunca corri tanto. Santana se joga no chão, cansada, enquanto Brittany vira uma garrafa d’agua na própria cabeça. As outras Cheerios choramingam, indo para o banheiro.
– Santo Deus. – Consigo dizer, finalmente. – Sue quer nos matar.
– Não duvido. Acho que eu vou ter um infarto.
– Sente aqui comigo, amor. – Santana chama. A dançarina senta ao seu lado. – Infarto não, mas eu ficarei sem andar por alguns dias.
– Alguém me dá banho, por favor.
– Chama Rachel, Q. – Britt sorri. Sinto meu rosto queimar.
– Ela já foi para casa. – Resmungo. – E eu vou para lá. – Aviso, pegando minha bolsa. – Só preciso de coragem para um banho. – Sorrio. – Tchau, meninas. – Elas se despedem.
– Você vai me dá banho? – Escuto Santana sussurrando e viro os olhos, rindo. Tão Santana...
Ligo a água quente do banheiro das lideres, sentindo meu corpo relaxar. Bem melhor. Eu posso dormir aqui, fácil. Enxugo meu cabelo, trocando de roupa. Quando saio do banheiro, vejo as meninas ainda na quadra, se beijando. Balanço a cabeça. Essas meninas não têm jeito. Toco a campainha da casa de Rachel e Leroy atende, simpático. Eu não sinto mais o nervosismo de antigamente. Ele me trata bem. E também porque não corro o risco de cruzar com Hiram.
Subo a escada, indo para o quarto de Rachel e escuto um som vindo de lá. Sorrio. Ela está tocando. Abro a porta, devagar para não assustá-la. A morena levanta a cabeça e devolve o sorriso quando me vê.
– Hey. – Beijo sua testa. – Ensaiando?
– Sim. – Dá os ombros. – Você saiu agora do treino?
– Dá para acreditar? – Me jogo na cama. – Estou morta.
– Imagino. – Ri.
– Meninas. – Leroy entra no quarto. – Estou indo ao Breadstix comprar o nosso jantar. Vocês querem algo?
– Não quero incomodar. – Sussurro, sem graça.
– Queremos um pedaço de torta de chocolate. – A morena levanta, deixando o violão de lado. – Grande. – Abraça o pai. Eu rio.
– Sério, Rachel? – Pergunta desconfiado.
– Sério. É uma delicia, papai.
– Ok, então. – Ri. – Volto logo. Comportem-se. – Ele troca um olhar com Rachel, antes de sair.
– Bom, pelo menos você vai me deixar comer dessa vez. – Estira a língua.
– Eu deixei você comer, faladeira. – Rio, segurando o violão. – Você que não queria deixar para mim. – Toco algumas notas.
– Falou quem saiu correndo com a torta na mão. – Bufa. Eu sorrio, presa no instrumento. – Toque algo.
– Eu... – Olho para ela, nervosa. – Eu não sei tocar, Rach.
– Sabe sim. – Se aproxima. – Frannie disse que você sabia.
– Frannie é exagerada, Rachel. – Suspiro.
– Te traz lembranças ruins? – Sussurra.
– Não. – Franzo a testa. – Algumas, sim. Mas... Costumo lembrar mais das horas que eu tocava em casa, com minha família. – Engulo seco.
– Seu pai gostava de te ouvir tocar. – Não é uma pergunta. Eu assinto, timidamente.
– Era uma das poucas coisas que ele me elogiava. – Sorrio, amargurada. – Eu me esforçava.
– Entendo. – Segura meu ombro. Eu brinco com as cordas novamente, tentando dar uma nota. Em vão. Suspiro, frustrada. – Aqui. – Ela segura meus dedos em uma posição. – Toque. – Pede. Eu obedeço e sorrio, quando escuto o som certo. – Você só precisa treinar.
– Sim, mas essa é a parte ruim. – Mordo o lábio. – Eu treinava a força.
– Não precisa treinar a força mais. Você quer tocar? – Assinto. – Então, toque porque tem vontade. – Sorri. – Você quer que eu te ajude?
– Você quer me ensinar? – Meus olhos se iluminam.
– Não vou te ensinar, Q. Você já sabe tocar. – Balança a cabeça. – Vou te ajudar a melhorar.
Eu puxo seu rosto para o meu, beijando seus lábios. Que vontade eu estava de fazer isso, desde que coloquei os pés no colégio hoje cedo. Ela suspira, aprofundando. Nossas línguas se encontram, tranquilas. Eu estremeço, sentindo seus dedos em minha nuca.
– Então... – Se afasta um pouco. – O que quer tocar?
Sorrio, dando as primeiras notas de Here Comes The Sun dos Beatles. Rachel sorri, inclinando a cabeça. Eu canto o inicio e aceno para que ela continue. A morena o faz, acelerando meu coração. Eu volto a cantar, unindo nossas vozes. Ela levanta uma sobrancelha, cantando suavemente. É incrível cantar com Rachel. Parece que nós ensaiamos diversas vezes. Sai tudo tão encaixado e certo. Ela gesticula, fazendo graça. Terminamos a música, rindo. Eu nunca me senti tão bem tocando.
– Você não precisa de treino, Q. – Diz incrédula. – Você toca muito bem. Ok, só alguns pequenos ajustes, mas pra quem não toca há tempos, você está ótima. Nós poderíamos ensaiar juntas depois de algumas aulas. Oh, Deus! Isso vai ser incrível. Você pode tocar, eu canto com Santana e Brittany ensaia a dança. Eu sei que nós precisamos estudar, mas...
Eu não aguento mais. Empurro o violão e ataco sua boca novamente. A morena geme com o contato inesperado, mas relaxa aproveitando o beijo. Ela me puxa mais para perto, unindo nossos corpos.
– Você fala demais. – Sussurro.
– Cale a boca. – Me deita na cama, ficando por cima.
Eu respiro fundo, tentando me controlar. Sua língua explora minha boca, nervosa. Prendo as mãos em sua cintura, enquanto as suas bagunçam o meu cabelo. Uma corrente elétrica passa pelo meu corpo quando eu sinto suas unhas em minha cabeça. Levanto uma perna, pressionando-a. Rachel interrompe o beijo e suspira pesado. Seguro sua nuca, puxando-a de volta. A morena morde meu lábio toda vez que eu empurro minha perna. Pego a barra de sua blusa, levantando.
Então, eu escuto alguns passos se aproximarem. Rachel pula rapidamente, ficando em pé. Leroy abre a porta sorrindo.
– Vamos comer, garotas. – Chama. Nós assentimos, tensas. – O que houve?
– Nada, papai. – Responde em um tom um pouco alterado. Ele arqueia as sobrancelhas. – Nós já vamos.
– Certo. – O homem sai, encostando a porta.
Rachel me olha e explode em uma gargalhada gostosa, me contagiando.
– Essa foi por pouco. – Limpa uma lágrima do riso.
– Você me paga, Berry!
– Vamos comer. – Segura minha mão.
– Acho que eu preciso de um chuveiro e não de comida. – Bufo.
– Vamos, Quinnie. – Ri. – É torta de chocolate.
– Ok. – Viro os olhos, rindo. – Só porque é a do Breadstix.
– Sim, só por isso...
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