CAPITULO 02

Ciel entrou em seu quarto rapidamente. Não estava mais aguentando, aquilo parecia a ponto de mata-lo!

- Maylene tranque a porta, Sebastian entre de uma vez! – ordenou aos dois criados.

Maylene correu em direção a porta e a trancou, garantindo que ninguém mais entraria no quarto de seu mestre. Sebastian entrou no quarto usando a pequena e estreita janela circular do navio, algo que apenas ele poderia fazer.

- Rápido Sebastian! Eu não aquento mais. Mais um segundo e eu vou morrer! – falou de forma desesperada, se virando para o mordomo.

Sebastian sorriu de forma um pouco maliciosa e se aproximou por trás de Ciel, envolvendo a cintura do menor e aproximando seus lábios de sua orelha, sussurrando roucamente.

- Achei que você fosse mais difícil, bocchan. Se oferecendo desse jeito… — provocou, recebendo um olhar irritado quase que instantaneamente.

- Pare de brincadeira e tire logo essa porcaria – rosnou Ciel, que estava achando que logo seus ossos quebrariam.

Sebastian sorriu maldosamente e se afastou um pouco, erguendo a mão e começando a desabotoar os botões do vestido, para então empurrá-lo pelos ombros de Ciel, fazendo com que o vestido escorresse e caísse no chão. No momento em que o vestido caiu, revelou a crinolina de metal. Sebastian precisou conter uma risada, ao imaginar o quanto seu bocchan havia se contido durante a noite para não gritar de desconforto.

Soltou as cordas que prendiam a crinolina, deixando que a saia de metal caísse no chão, fazendo um som de impacto um pouco alto. Por fim desamarrou o espartilho, recebendo um gemido de alivio de Ciel, que finalmente parecia ter conseguido respirar normalmente.

- Sinceramente, como as mulheres suportam essas coisas? – indagou, olhando de lado para o mordomo.

- Creio que isso apenas se tornou um habito para elas, no entanto, para o bocchan deve ser realmente desconfortável – riu Sebastian, deixando que Ciel ficasse apenas com corset.

- Estou exausto… — murmurou Ciel indo em direção à cama que havia no quarto e se deitando sobre ela. – Você conseguiu alguma informação Maylene?

- Iie, não havia ninguém com aparência suspeita na festa – respondeu a empregada, que estava juntando a roupa que Ciel havia deixado jogada no chão.

- No entanto, seria muito entediante descobrimos logo no inicio quem seria o culpado, não é mesmo bocchan? – indagou Sebastian com um sorriso diabólico, enquanto retirava a camisola de dormir de Ciel de dentro do roupeiro.

- Claro, espero que esse jogo seja mais divertido do que os outros, apesar de que só por eu ter de me vestir assim, já está me irritando – respondeu o menor, sentando-se e encarando os dois criados. – Maylene, amanhã quero que você se misture com as outras damas de companhia. Faça com que a conversa seja direcionada para os noivos das moças.

- Hai! – concordou Maylene em um tom firme, afinal, estava realmente animada com o fato de ter sido designada para acompanhar seu mestre naquela importante missão.

- Sebastian, você deve aproveitar hoje à noite para vasculhar os quartos de cada um dos homens que estão nesse navio – ordenou Ciel, olhando para o mordomo. – Vasculhe até mesmo o quarto do capitão. Temos que diminuir o número de suspeitos o máximo possível.

- Entendido bocchan – concordou Sebastian, caminhando até a cama e estendendo a mão para o menor. – Por hora, você deve tomar seu banho e descansar. Maylene, você pode se retirar agora, que eu cuidarei das coisas por aqui.

- Hai – concordou a empregada, se retirando do quarto e indo para o que ficava ao lado.

Sebastian guiou Ciel até o banheiro que estava acoplado ao quarto. A banheira já estava cheia d’água na temperatura certa. Virou-se para Ciel e começou a ajuda-la a se despir do restante das roupas: Petticoat, chemise, bloomers, corsert e corsert cover. Quando finalmente se viu livre da última peça de roupa íntima, Ciel soltou um suspiro de alívio. Sebastian removeu o plique de cabelo falso, e ajudou o pequeno conde a entrar na banheira.

Ciel fundou-se na água quente, sentindo todos seus músculos relaxarem. Ele não sabia quem havia decidido que ele nasceria homem, mas naquele momento ele agradecia fielmente a esse ser.

- Sebastian, você não pode me deixar ficar sem algumas daquelas peças? – indagou, olhando de canto para o mordomo.

- Você não pode bocchan – afirmou Sebastian, em um tom firme que não deixaria brechas para discussões. – Uma fina dama da alta sociedade deve vestir sete tipos diferentes de roupas sob o vestido.

- Ahh… estou feliz de ter nascido homem… quando esse caso terminar, nunca mais quero ver uma crinolina na minha frente – gemeu, fechando os olhos, enquanto sentia a esponja machia passar por sua pele.

- Isso será uma pena, pois você ficou adorável usando uma crinolina, bocchan – sussurrou Sebastian, descendo a esponja pelo peito do menor, tocando ‘acidentalmente’ um dos mamilos rosados.

Ciel se assustou com o toque, se desvencilhando rapidamente do demônio e o olhando com certo medo. O que diabos Sebastian estava fazendo?

- Não faça essa expressão bocchan, pois ela aumenta ainda mais o meu desejo – declarou o mordomo, se erguendo e avançando um pouco mais para cima do jovem conde, deixando-o preso na banheira sem ter um lugar para fugir.

- Sebastian, o que pensa que está fazendo? – indagou Ciel, olhando de forma irritada para o mordomo. – Pare de brincadeiras Sebastian!

O mordomo riu e se afastou. Iria esperar pela ordem que mais desejava, mas ainda não havia recebido. Mas algo lhe dizia que naquele cruzeiro, ele receberia sua ordem e quando acontecesse, faria de tal modo que seu bocchan jamais seria o mesmo.

Sem mais comentários, ou ações ‘indevidas’ Ciel terminou se banho. Sebastian o secou, voltou a recolocar o aquilo de cabelo, deixando-o solto dessa vez, e o ajudou a vestir a camisola de seda negra com bordados brancos. Ciel olhou para aquilo, vendo como a seda se ajustava perfeitamente em seu corpo, agindo mais como uma segunda pele do que como uma roupa.

- Mulheres não deveriam usar algo mais… recatado? – indagou Ciel olhando com desconfiança para a roupa de dormir.

- Certamente, a tradicional camisola feminina é feita de lã e mão longa, deixando muito pouco da pele de uma dama exposta – respondeu Sebastian, sem conter um sorriso maldoso.

- Então por que estou usando algo assim? – indagou, olhando irritado para o mordomo.

- Porque a senhorita Hopkins foi a alfaiate de suas roupas, bocchan – respondeu, como se aquilo fosse a resposta completa para qualquer outra pergunta.

- Tsk… se existe algum outro alfaiate em Londres que pudesse fazer as roupas que peço, sem criar um alvoroço, deixaria de contratar Nina – bufou o menor, indo em direção a cama.

- Deixe essas preocupações para depois, bocchan, apenas durma – falou Sebastian, em um tom baixo, cobrindo o corpo do conde. – Voltarei assim que terminar de inspecionar os quarto.

Ciel não respondeu nada, apenas fechou os olhos e se deixar levar para o mundo dos sonhos. Aquela já havia sido uma noite realmente conturbada.

oOo

Sebastian já havia investigado todos os quartos da segunda classe, incluindo os dos trabalhadores, agora investigava os quartos da primeira classe. Não havia encontrado nada demais dos cinco primeiros, mas no sexto e sétimo encontrou alguns itens um pouco estranhos para serem levados para um cruzeiros, mas mesmo assim não era algo de suspeito. Quando entrou no oitavo quarto, Sebastian mal havia dado um passo, quando foi atacado por alguém. Se não fosse um demônio com sentidos muito mais amplos que os dos humanos, certamente teria sido atingido, por esse motivo, conseguiu bloquear o golpe.

Quase de forma brusca, a luz do quarto foi acesa, revelando a pessoa que o havia atacado. Sebastian arregalou os olhos sem acreditar em quem via a sua frente. Só podia ser alguma piada da deusa do destino. Só podia.

oOo

O quarto estava em um profundo silêncio. As luzes apagadas e a única coisa que se podia ouvir era o suave ressonar da jovem dama deitada em sua cama. Sem produzir qualquer com acima de um ruído mudo, uma sombra se espreitou pela porta, adentrando o quarto e se esgueirando pelas sombras em direção a cama.

Do lado de fora do quarto, sentado na janela uma figura vestida de vermelho rabiscava em um livro.

- Alexandra Stonking. Morta no dia 12 de julho, às 00h32min – declarou ele, para então sorrir de forma diabólica. – Acho que cheguei alguns minutos adiantado.