Sebastian não acreditava quem estava a sua frente. Eles deveriam estar em Londres, cuidando da mansão secundaria da família Phantomhive!

- Sebastian-dono – exclamou Agni, completamente surpreso ao ver que havia atacado o mordomo de Ciel e seu grande amigo.

- Creio que deveria ser eu a expressar minha surpresa por vê-lo aqui, Agni – comentou Sebastian, saindo da posição defensiva, no mesmo momento em que Agni saiu da posição ofensiva. – Você não deveria estar em Londres com o príncipe Soma?

- Soma-sama quis vir a esse cruzeiro, pois ele desejava fazer uma rápida visita a sua terra natal – explicou o mordomo indiano, ainda um pouco chocado em ter encontrado Sebastian. – Mas por que você estava entrando em meu quarto tão tarde, Sebastian-dono?

- Estou em uma missão junto com meu bocchan. Ele me ordenou que vasculhasse os quartos de todos as pessoas deste navio – explicou Sebastian, cruzando os braços um pouco pensativo. – Isso é ruim. Bocchan e eu estamos disfarçados, se o príncipe Soma o vir, certamente seremos desmascarados e nosso alvo poderá fugir.

- É uma missão importante? – indagou Agni, que já compreendia que se seu mestre visse o jovem conde, certamente iria acabar com todos os esforços deles na missão.

- Sim, é sobre alguns assassinatos que tem acontecido em Londres – explicou Sebastian, sabendo que poderia confiar no outro mordomo. – Achamos que o responsável pode estar neste navio.

- Isso quer dizer que o príncipe corre perigo? – indagou Agni rapidamente, temendo pela vida daquele que servia com devoção.

- Não, esse assassino mata apenas belas e jovens mulheres – explicou Sebastian, não contendo um sorriso maldoso ao lembrar-se de seu jovem bocchan. – Para tentar atraí-lo, bocchan está se usando como isca, se disfarçando de lady.

- Se for assim, não é perigoso para Ciel-sama ficar sozinho? – indagou Agni, que se preocupava com o único amigo que seu mestre possuía.

- Não se preocupe, se qualquer coisa acontecer, Maylene estará com ele. Ela pode ser uma empregada desastrada, mas cumpre muito bem sua principal função – garantiu Sebastian, dando um sorriso um tanto que diabólico. – E se as coisas ficarem muito ruins, eu mesmo me manifestarei protegerei meu bocchan.

Agni sentiu novamente. Era aquele mesmo laço fabuloso que havia sentido durante a competição de curry, quando enfrentou Sebastian. Ele era fiel a Soma e reconhecia um laço forte quando o via. Um laço que só poderia existir entre mestre e servo. O mesmo laço que ele tinha com Soma, mas aquele laço que havia entre Sebastian e Ciel era de um nível complemente diferente. Agni podia afirmar que faria qualquer coisa para proteger Soma, ele poderia afirmar que Sebastian se colocaria entre uma espada e Ciel.

- Existe alguma coisa que possa fazer para ajuda-los, Sebastian-dono? – indagou Agni, querendo se ver útil para quem considerava seu amigo.

- Se você conseguir controlar o príncipe Soma, já estará ajudando muito Agni – declarou Sebastian, sorrindo para o mordomo indiano. – Agora eu…

Sebastian interrompeu sua própria frase ao sentir aquele cheiro. O cheiro de sangue. Seus olhos se arregalaram levemente e ele se virou para sair do quarto o mais rápido que poderia.

- Sebastian-dono? – indagou Agni, tratando de seguir o mordomo negro.

Sebastian correu pelos corredores, até chegar à frente de um quarto que não estava muito longe do que seu bocchan usava. Abriu a porta, para então encontrar a cena que já havia suposto. Mesmo na escuridão do quarto, ele conseguiu ver a mulher sobre a cama, com as roupas rasgadas e o corpo banhado pelo sangue.

- Sebastian-dono o quê…? – Agni se calou ao ver, mesmo que com dificuldade, a cena nefasta que se revelava naquele quarto. – Por Kalli…

- Entre e feche a porta. E não faça barulho – ordenou Sebastian, adentrando o quarto e torcendo o nariz ao mesmo tempo.

O lugar inteiro fedia demais para seus conceitos. O cheiro óbvio de sexo, misturado ao sangue e ao cheiro de morte o enojava. Ele era um demônio mas aquilo era demais para seus poucos princípios.

- Sebastian-dono… isso… — murmurou Agni, que não sabia o que dizer. Jamais havia presenciado uma cena tão grotesca, nem mesmo nos tempos em que era apenas um animal sem alma.

- Parece que o assassino se manifestou antes do que imaginamos – comentou Sebastian, tentando esquecer do cheiro que o lugar exalava, para se concentrar em encontrar alguma pisca.

- Sebastian-dono, temos de avisar alguém…

- E como explicaríamos o fato de estarmos aqui? – indagou Sebastian, olhando de relance para Agni. – Neste momento, eu sou o Duque Sebastian Preuilly, noivo de Lady Cecilie Anjou. Caso eu seja encontrado em tal circunstancia, me tornaria o principal suspeito e meu disfarce comprometido. A única coisa que devemos fazer é analisar o local e tentar encontrar alguma coisa que possa nos dar uma pista sobre o culpado. Pela manhã a dama de companhia desta senhorita vai encontra-la e alertará a todos do navio.

Agni se surpreendeu com aquela frieza. Não imaginava que Sebastian pudesse ser tão frio e calmo em uma situação como aquela, acima de tudo, a única coisa que o mordomo negro parecia pensar era em cumprir as ordens de seu mestre.

Sebastian retirou um lenço de dentro de seu bolso e cobriu o nariz. Aquele cheiro estava insuportável. Mal podia esperar para sair dali, tomar um banho e poder desfrutar do doce aroma que desprendia do corpo de seu bocchan, enquanto terminava a vigília de seu sono.

Aproximou-se da cama e olhou com atenção para a mulher morta. Aproveitou que Agni estava vasculhando outro canto do quarto, fazendo com que seus olhos assumissem o brilho vermelho fosco que tinha na realidade. Graças aquilo, sua visão ficou muito melhor, lhe permitindo olhar para o quarto com muito mais detalhes. Foi assim que viu um três fios negros envolvidos nos dedos da mulher.

Ergueu a mão e retirou os três fios, analisando os milimetricamente. Um humano comum jamais poderia ver a diferença, ou algo mais do que a cor naqueles fios, mas ele conseguia ver muito além. Isso porque aqueles fios tinham algo de muito diferente do normal.

- Agni, vamos sair daqui – falou Sebastian, se virando para sair do quarto.

- Mas não encontramos nada ainda, Sebastian-dono – lembrou Agni, surpreso ao escutar o que outro havia dito.

- Eu encontrei algo – garantiu, sorrindo de lado. – Agora temos que sair daqui. Lembre-se de manter o príncipe Soma sobre controle e não mencione nada sobre isso.

- Entendo – concordou Agni, saindo do quarto junto com Sebastian.

oOo

Ciel estava naquele momento entre o sono e a consciência. Soltou um gemido preguiçoso, se virando no meio dos lençóis, encolhendo-se um pouco mais em meios aos lençóis. Foi quando percebeu que havia uma pequena onda de calor que vinha do seu lado. Abriu os olhos, se deparando com o rosto de Sebastian, que lhe o dava um sorriso maldoso.

- Sebastian! – exclamou Ciel, dando um pulo e se sentando na cama, puxando as cobertas automaticamente, cobrindo seu corpo, exatamente como uma donzela faria.

- Bom dia my lady – falou, se erguendo e se aproximando de Ciel, fazendo com que sue corpo ficasse sobre o do menor, prendendo-o na cama.

- Sebastian… o que está fazendo? – indagou Ciel, um pouco assustado com a atitude do seu mordomo.

- Deixe-me apreciar um pouco mais bocchan – pediu Sebastian, aproximando sua face ainda mais do menor, enterrando seu nariz no pescoço do menor. – Ah… esse maravilhoso aroma que desprende de seu corpo… hmm… essa pele suave e quente… — gemeu o demônio, enquanto escorria as mãos pelas pernas do menor.

Ciel corou com aquilo, soltando um leve gemido. Sentia todo o seu corpo estremecer com o toque luxurioso que sentia e seu corpo. Aquele demônio sempre o provocava, mas nunca lhe tocava tão diretamente. Sentir aquelas mãos grandes e fortes em sua pele, fazia com que todo o seu corpo esquentasse e um desejo que ele ainda não conhecia se acendesse dentro de seu corpo.

- Ah… definitivamente isso é o melhor depois de ter suportado aquele cheiro fétido no quarto daquela mulher – suspirou o demônio, lambendo o pescoço de seu bocchan e arrancando mais um gemido do menor.

- Do que você está falando, Sebastian? Você entrou no quarto de alguma mulher? – indagou Ciel, erguendo as mãos e tentando empurrar o demônio para longe de si, aquilo já estava passando dos limites.

- Sim, parece que o assassino atacou essa noite – declarou Sebastian, pouco se importando com aquilo no momento.

- O quê?! – exclamou Ciel, empurrando o demônio com mais força, conseguindo fazer com que ele se afastasse. – E você não o pegou?

- Sinto em informar, mas ele foi mais rápido do que eu – respondeu Sebastian, sabendo que aquilo era um falha sua, mesmo que não houvesse recebido uma ordem mais direta, ele deveria ter capturado o culpado.

- Mais rápido do que você? Um demônio? – indagou Ciel descrente. Era impossível uma pessoa ser mais rápida do que Sebastian.

- Sim, alguém tão rápido quanto eu, bocchan – afirmou Sebastian, dando um sorriso demoníaco e revelando seus finos caninos.

Os olhos de Ciel se arregalaram ao perceber o que o demônio insinuava. Não poderia ser. Será que era realmente isso? Se fosse verdade, aquele jogo estava ficando ainda mais perigoso e interessando do que antes.