Akai Ito
15 Voltando aos trilhos
Notas iniciais
Yuu estava deitado em sua cama, lendo, quando recebeu aquela mensagem de Allen. Não era nem necessário dizer como ele estava ansioso, não é? Ao mesmo passo que sabia que conversaria tudo o que tinha guardado para si durante aquelas semanas.
Respirou profundamente, guardando o celular no bolso da calça e saindo do quarto. Nem se dera o trabalho de prender os cabelos. Passou por sua mãe, avisando que estaria na casa dos Walker, e com um sorriso, como se visse sua tensão, ela lhe desejou sorte.
Os passos entre as duas casas nunca pareceram tão longos.
Fechou os olhos quando parou em frente a porta de entrada, respirando algumas vezes antes abrir, e como Allen havia dito, esta estava destrancada.
— Desculpe a intromissão... – falou, para não receber qualquer resposta.
Tanto a sala quanto a cozinha estavam vazias e silenciosas. Parecia que Mana não estava. Seguiu para o quarto de Allen, abrindo a porta e o encontrando sentado na cama, parecendo divagar enquanto abraçava um travesseiro. Notou que ele não o percebeu ali.
Sorriu de canto, aproximando-se em passos felinos, curvou-se até que estava com a boca rente à sua orelha.
— Se ficar perdido assim eu vou fazer muitas coisas com você. – Foi com vitória que viu-o corar e levar a mão a orelha.
— Kanda! Idiota! – Jogou o travesseiro com força no peito do outro, que riu soprado. – Não teve graça!
— Claro que teve. – Sentou-se ao lado do albino, abraçando-o pela cintura e deitando em seu ombro. Não tardou para Allen corresponder ao abraço, suspirando e acariciando seus cabelos.
Por longos minutos eles permaneceram assim, num silêncio cúmplice, apenas apreciando aquela proximidade e o contato entre si. Cada um organizando seus pensamentos, mesmo que soubesse que na hora não seria como o que estavam pensando.
E ficar nesse silêncio em nada ajudaria. Allen por fim soltou-se de Kanda, sentando-se de frente para ele, sério.
— Eu... lembro do aniversário da Yuko. Que você disse que me beijou apenas para mostrar que esses sonhos não te controlavam... – Yuu pareceu ferido com essa lembrança, mas manteve-se quieto, ouvindo. – Esses sonhos... como são?
— Parece... que sonho com uma vida passada – respondeu, pensativo. – Começou uma semana antes do início das aulas. Uma vida passada na qual você era meu amante. No começo achei que podia ser um sonho erótico – Corou levemente. – Mas estranhei quando continuou sendo a mesma pessoa. Quando a gente se viu na escola, teve... aquela situação do intervalo, uma “lembrança” diferente veio. A partir de então nunca mais era a mesma coisa... mas era sempre com você. – Seus olhos mantinham-se focados nos orbes prata.
— Eu tive esses sonhos também – falou baixo, como se contasse um segredo. – Mas eu via minha morte. Eu morria em seus braços. – Franziu o cenho. – Eu achava estranho. Sempre me perguntava quem era aquele homem... quando te vi foi um choque. – Riu levemente. – Mas o resto é a mesma coisa que você, foram sonhos diferentes depois disso. Eu até conversei com a Lenalee sobre isso, precisava desabafar com alguém que não fosse somente meu pai. Nós achamos sobre isso na internet. Parece que não somos os únicos no qual aconteceu esses sonhos.
— O que seria isso?
— Isso... isso diz que somos alma gêmeas. Que estamos destinados a nos encontrar sempre. – Ambos ficaram quietos novamente, como se absorvesse o que foi dito. – Não acho que isso influencia nossos sentimentos. Eu comecei a gostar de você aos poucos. Pelo irmão maravilhoso que você é com Yuko, pelo seu lado carinhoso quando quer mostrar... foram pequenos detalhes que foram chamando minha atenção.
— Não acha mesmo que isso te manipulou de alguma forma?
— Não... Não acho. Talvez ele só tenha aberto minha mente para outras coisas, mas... eu acho que teria gostado de você de qualquer forma. – Kanda o olhou fixamente por alguns instantes, e uma insegurança instalou-se em seu peito. – Você... acha que te influencia?
— No começo eu achei. Eu estava fixo com essa ideia... depois de ter conversado com meus pais, eu vi que não. – Allen pareceu aliviado, colocando a mão no peito. – E também... eu queria pedir desculpas.
— Pelo que? – Yuu o olhou com o cenho franzido. Allen realmente perdoava as pessoas sem que merecessem.
— Pela forma como te tratei. Como falei com você... Eu até mesmo te fiz chorar. – Riu em deboche. – Nem sei como consegue continuar gostando de mim depois de tudo isso. – Passou a mão no rosto, suspirando. O albino apenas o abraçou novamente, apertado.
— Está tudo bem... eu sei como é difícil lidar com isso.
— Mas eu não deveria ter te tratado assim. – Passou os braços ao redor da cintura do outro, puxando-o para seu colo.
— Não, não deveria, só que nós lidamos com essa situação de forma diferente. Você é super enrustido com seus sentimentos. – Yuu revirou os olhos e o menor riu. – Você sabe que é verdade.
— Eu usaria palavras diferentes.
— Não importa. – Apertou a bochecha do outro, mirando nos olhos. – O importante agora é que eu perdôo você. Não tem como mudar o passado, apenas... continue me tratando como tem feito depois da viagem. — Segurou-lhe o rosto, sorrindo. – A gente tá muito bem depois disso. – Se olharam por um tempo, depois Allen voltou a abraçá-lo pelos ombros. – Eu gosto muito de você. E... esses sonhos... eu acredito mesmo que seja de uma vida passada. Mesmo que tenhamos passado por muitos problemas nela.
— Coloque problemas nisso – Kanda murmurou, causando risos no menor.
— Sim... mas... a vida deu para nós uma nova chance. Porque não honramos nossos eu’s passados, hein? – O moreno apenas suspirou, fechando os olhos e escondendo seu rosto no pescoço do outro.
— Você tem razão. – Depositou um leve beijo na pele exposta sob seus lábios. – Eu gosto de você também. – Sussurrou na orelha do albino, sorrindo quando viu-o arrepiar-se.
Allen apenas apertou-o mais firme, com certeza estava corado, era o que Yuu pensava. Eles voltaram à quietude, mas naquele momento, ambos sentiam que o clima entre eles estava melhor. Sendo assim, apenas aproveitaram o abraço, trocando um singelo beijo.
Finalmente eles deram esse primeiro passo.
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Yuu por fim passou o restante daquela tarde com Allen. Em um dado momento Mana chegou, cumprimentando-o com um sorriso e o convidando para o jantar. Ao final do dia se despediu de Allen com um beijo e partiu para casa. Sentia os ombros relaxados, como se enfim tivesse tirado o peso deles.
Yuko quando descobriu que estava com Allen emburrou-se e disse que não falaria com ele nunca mais. Normalmente esses chiliques de sua irmã o irritavam, mas estava de bom humor naquele momento, então apenas deu de ombros e disse que comeria todo o chocolate que tinha guardado sozinho.
Era mais do que óbvio que a pequenina o perdoou sem pensar duas vezes. Sua irmã era tão facilmente chantageada.
Tomou banho com Yuko, colocou-a na cama e preparou-se para deitar. Estava apenas trocando mensagens com Allen quando Yukiko apareceu na porta do quarto, sorrindo para si.
— E como foi?
— Ah, foi bem... – Deu de ombros. – Nos acertamos.
— Contou a ele sobre os sonhos? – A mulher sentou-se do seu lado na cama.
— Ele tinha os mesmos sonhos. – Yukiko pareceu surpreendida. – Ele disse que pesquisou sobre isso com Lenalee... Parece que somos “alma gêmeas” – Acabou revirando os olhos, ele dizer isso parecia tão piegas. Yukiko apenas riu.
— Bom, fico feliz que tudo esteja bem agora. – Ela se levantou, curvou-se sobre o garoto, beijando sua testa. – Boa noite, filho.
— Boa noite, mãe.
Por fim a matriarca desligou a luz e saiu. Yuu apenas suspirou, fechando os olhos.
Por alguma razão, sentia que a noite seria bem dormida.
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Yuu sabia que estava sonhando desde o começo. Ele se encontrava em seu quarto, e com isso apenas aprecia que ele havia despertado. Mas o que realmente mostrou que era um sonho foi ver Allen ao seu lado. Os dois se olharam longamente, depois focando no quarto, observando ao redor. Algo em Yuu tinha noção que aquele Allen que estava consigo era seu namorado, não uma projeção feita por sonhos.
Alguma coisa chamava a atenção dos dois, contudo não sabiam o que era. Permaneceram mais alguns instantes na cama antes de se olharem mais uma vez e sair de lá. Juntos eles atravessaram a porta e caminharam para a sala. Era dali que vinha aquele chamado, notaram. E se surpreenderam quando viram duas pessoas sentadas no sofá.
Ou melhor, quando se viram sentados no sofá.
Esses seus eu’s pareciam mais velhos, maduros e vívidos, como se tivessem presenciado as piores coisas no mundo. E eles não duvidavam. Eram seus eu’s dos sonhos. Daquela vida de ferimentos, morte e dor.
Os dois viraram em suas direções, parados na entrada. Aquele Allen sorriu docemente e Yuu estalou a língua.
— Vocês demoraram – disse Allen do passado. Sua fala os despertou daquele torpor surpreso, e assim caminharam em passos hesitantes até o sofá livre. Era estranho se ver de frente com seu passado.
— A mulher daquela pesquisa nunca disse que se encontrou com sua outra vida... – Allen de seu tempo falou, pensativo.
— Ah! Acredito que é possível por causa das nossas innocences. – Allen do passado riu baixinho. – Acho que “Deus” ao menos quis nos presentear com esse encontro.
— Parece idiota. – Os dois Yuu’s disseram e estalaram a língua quando se olharam. Os Allen gargalharam por fim.
— Não acredito! Realmente não mudou nada em nenhuma vida! – O Allen exorcista bateu no braço de seu parceiro, jocoso, recebendo um olhar irritado em troca.
— Eu acho que nosso tempo aqui é curto, porque não fala logo – respondeu entredentes, apertando forte e bochecha do amaldiçoado.
— Você é tão chato. – Revirou os olhos. Os adolescentes olharam aquela cena boquiabertos.
— É como olhar no espelho – disse Allen. Por alguns instantes eles apenas se olharam, como se absorvesse cada detalhe do outro a frente. – Quantos... anos vocês tinham quando, bem, tudo acabou? – Seu outro eu sorriu tristemente.
— Eu tinha 18 e Yuu 21. – Os mais jovens piscaram, inacreditados. – Sim, éramos jovens. – Riu sem jeito.
— Jovens demais. – O Allen mais novo franziu o cenho.
— Bom, a guerra faz isso com as pessoas. – O outro deu de ombros. – E como vocês tem acesso a partes de nossa vida, se não tudo, sabem que não tivemos um bom começo... E é incrível como sempre é você que faz merda, Yuu! Na nossa vida você era assim por causa do Alma e na nova é porque achava que os sonhos mexiam com sua mente. Francamente, vocês deviam se envergonhar! – Os morenos apenas cruzaram os braços e nada disseram. Para os dois Allen aquilo era sinal de que sim, estavam envergonhados. – Mas eu fico feliz que tenham nos dado mais uma chance. Aproveitem.
— Faremos isso. – Os Allen se aproximaram e deram as mãos. – Temos muito tempo pela frente.
— Sim... – Ele olhou para o Yuu mais jovem, caminhando até ele e o abraçando. – Aah, você é tão alto mesmo mais novo! – Os dois japoneses riram.
— Isso é óbvio, moyashi.
— Céus, até se burla comigo assim, é um absurdo. – Ele deitou a cabeça no peito do outro. – Me valorize! Ou eu dou um jeito de voltar e te bato! Mesmo que seja em sonho!
— Eu prometo. – Bagunçou os cabelos brancos, cumpridos. Falaria para Allen deixar crescer, este corte lhe caiu muito bem, pensou.
Os outros dois apenas se olharam e trocaram um leve sorriso. Uma promessa sem palavras de que eles fariam certo.
Cada respectivo casal deu as mãos e com uma última troca de olhares o cenário começou a desvanecer, o casal mais jovem apenas conseguiu ouvir uma única frase.
— Parece que a gente vai continuar se amando em mais vidas – disse Allen, sorrindo para o moreno que lhe fitava ternamente.
— É, estou feliz por isso.
E então tudo se tornou negro.
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Yuu precisou piscar longas vezes até perceber que estava acordado. Passou a mão no rosto notando lágrimas que nem soube quando derramou. Respirando ofegante, pôs a mão no peito o sentindo apertado. Não pensou duas vezes antes de arrancar as cobertas e sair do quarto em passos apressados.
Não percebeu quando seu pai o chamou, perguntando se estava bem, apenas saiu de casa, atravessando a rua bem no momento em que Allen abria a porta de casa. Ambos se encontraram na calçada, em um longo e apertado abraço.
Allen, no instante que estava nos braços de Yuu, se desatou a chorar. Intenso. Apertou a camiseta que o outro usava, como uma âncora para tudo aquilo que sentia. Não chorava por pelo seu eu de agora, e sim pelo seu passado que não pode viver como queria com seu amado. Inalava o maravilhoso cheiro de lótus de seu namorado, o rosto pressionado contra seu peito.
Não pensou muito quando Yuu lhe içou pelas coxas, somente passando as pernas ao redor de sua cintura. O moreno lhe carregou para dentro, levando-o direto para o quarto, deitando-se na cama.
Eles ficaram desse jeito por um bom tempo, apenas absorvendo e apreciando a presença um do outro. Aliviando aquela corrente de sentimentos que antes estavam presos. Em algum momento Allen adormeceu, contudo Yuu permaneceu acordado. Seus olhos então pararam no despertador. 6h. Não era a toa que seu pai estava acordado, sua mãe provavelmente estava na cozinha começando o café.
Seu rosto se afundou nos fios sem cor, fechando os olhos, respirando profundamente. Sentia-se desgastado. Alguns minutos depois ouviu uma batida na porta e tão logo Mana entrando. O mais velho lhe olhou, confuso.
— Você dormiu aqui? – Yuu apenas negou com a cabeça. – Certo... vão para escola hoje? – E olhou para a figura adormecida em seus braços.
— Não... – Acariciou os cabelos nevados. – Allen te explica melhor depois.
— Tudo bem. – Sorriu levemente, saindo e fechando a porta atrás de si.
Yuu apenas se aconchegou melhor na cama, ajeitando o cobertor sobre eles antes de acabar adormecendo.
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Durante todo aquele dia os dois permaneceram juntos. Allen, no meio da tarde, explicou a Mana o que aconteceu. E surpreendendo o casal, ele sorriu e disse: “Eu te falei que era um sinal”. Allen apenas bufou, empurrando uma almoçada no rosto do pai, que sorria vitorioso.
Yuu foi chamado para passar a noite ali. Ambos ainda não se sentiam preparados para se separar, como se precisassem do máximo contato possível. Seus pertences para a escola no dia seguinte foram pegos e ajeitados juntos ao do albino. Eles jantaram com Mana, tomaram seus respectivos banhos e logo estavam deitados, mantendo-se firmemente num abraço sobre a cama de solteiro.
No dia seguinte foi Yuu que acordou com o som do despertador. Allen apenas gemeu desagradado, o rosto colado em seu peito. O moreno desligou o som irritante, bufando. Depois de um minuto para sua mente funcionar direito, beijou a testa do menor.
— Vamos, Allen.
— Não quero... vamos faltar de novo. – Apertou os braços ao redor do outro.
— Tsc, não. Agora levanta ou eu te jogo da cama.
— Olha... meu eu passado disse para você me valorizar.
— E eu estou fazendo isso... ajudando você a não perder seu ilustre futuro ao faltar muitas vezes na escola. – Allen tirou o rosto de seu peito, olhando-o boquiaberto.
— Você é tão espertinho.
— Eu sei. – Sorriu de canto, beijando-o rapidamente antes de levantar.
— Nee, eu prometo levantar sem problemas se deixar seu cabelo solto hoje... – Arrastou-se na cama, voltando a abraça-lo. Sorrindo vitorioso quando Yuu apenas acenou positivamente.
Saiu da cama, cantarolando ao ir para o banheiro. Mana apareceu na porta do quarto, olhando Yuu como se ele fosse um ser de outro mundo.
— Como conseguiu isso?
— O que?
— Fazê-lo sair da cama sem se atrasar.
— Eu disse que ia deixar meu cabelo solto hoje. – Deu de ombros. – Ele é facilmente comprável. – Mana apenas gargalhou.
— Estou fazendo o café, chame Allen.
Yuu arrumou o quarto, se trocou e depois entrou no banheiro quando Allen saiu. Quando olhou-se no espelho para ajeitar o cabelo, questionou-se porque Allen gostava tanto de seu cabelo solto. Na cozinha encontrou pai e filho já sentados, se servindo, e como sempre uma pilha de comida em frente ao menor.
Enquanto comiam conversavam sobre faculdades, já que Yuu estava em seu último ano. Allen até mesmo ficou empolgado quando descobriu que tentariam entrar para a mesma universidade.
Estavam tão dentro do tempo que até mesmo puderam ajudar Mana a retirar a mesa, guardar as coisas para então pegar as mochilas e sair. Eles nem pensaram duas vezes ao dar as mãos e caminharem assim.
— Ah, se não sou eu... estaríamos atrasados por sua culpa.
— Mas... – Fez beicinho. – Eu sou horrível em acordar cedo!
— É notável. – Com a mão livre apertou uma de suas bochechas.
— Você é horrível. – Massageou o local vermelho e dolorido, olhando feio para o namorado.
— Obrigado.
Eles chegaram na escola trocando farpas carinhosas. Logo na entrada viram Lenalee, que sorriu largamente para os dois, ainda mais ao ver suas mãos entrelaçadas. Ficaram no pátio esperando Lavi, que mandou uma mensagem dizendo que havia acordado atrasado.
Enquanto esperavam, Lenalee perguntou como estavam e se enfim se acertaram. Com uma resposta positiva por ambos a garota faltava brilhar de felicidade e alivio.
Lavi chegou correndo, ofegante e apertando um cachecol vermelho ao redor do pescoço. Ele parou em frente aos amigos, as mãos nos joelhos, recuperando o fôlego. Como ele se curvou Allen pôde notar marcas avermelhadas no pescoço do outro. Um sorriso maldoso nasceu em seu rosto. Aah a vingança.
— Belas marcas, Lavi. – No mesmo instante o ruivo levantou o rosto, os olhos arregalados. Ajeitou novamente o cachecol.
— Calado, Al!
— Hhm... a noite foi boa hein. – Cutucou-o com o cotovelo, jocoso, lançando olhares maliciosos.
— Aaal! Shiiu! – Tampou a boca do albino, fitando-o suplicante. – O desgraçado do seu primo parece que não sabe o que significa ser um relacionamento secreto, ugh!
Eles adentraram o prédio entre risadas e provocações. O ruivo gemeu, questionando em voz alta que tipo de amigos eram eles. E então jurou que quando visse novamente chupões em Allen o torturaria por dias! Ou ele não se chamava Lavi Bookman!
Mal ele sabia que esse dia estava perto.
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