Akai Ito
10 Viagem em família - Parte 2
Notas iniciais
Numa velocidade digna de ninjas, Yuu e Allen pegaram suas camisas, ajeitaram a roupa amarrotada e passaram a mão nos cabelos desgrenhados. Bem, as únicas coisas que não tinham como arrumar eram os lábios vermelhos e a face corada... E era o que eles mais queriam esconder.
– Abre logo!! – Ouviram Yuko gritar e bater na porta.
– Já vou, droga! – Yuu não queria ter sido grosso com a irmã, mas... Ela tinha que ter aparecido nessa hora?
– Yuko! Seu irmão e Allen-kun estão ocupados, não os atrapalhe e..- -Yusuke apareceu na porta, segurando a mão da filha, porém, parou quando olhou o estado de seu filho mais velho e do albino, que não se olhavam de forma alguma. – Ahn... Desculpe pela Yuko ter interrompido o que quer que vocês estivessem fazendo. – Pegou a moreninha no colo. – Fiquem a vontade. – E a porta fora fechada novamente.
O silêncio reinou o recinto.
Permaneceram onde estavam, cada um olhando para um canto. O primeiro a se mover fora Allen, que queria terminar de ajeitar o quarto e sumir dali. Não conseguia encarar Kanda. Não conseguia acreditar no que quase havia acontecido ali.
“Como pude pensar em me entregar tão rápido?! Ele nem ao menos veio me pedir desculpas!”
E ao lembrar-se do episódio da casa de Lavi, sentiu-se irritado. Então, com certa revolta, terminou de ajeitar a casa, pegou os lençóis jogados no chão e saiu do quarto, batendo a porta com força.
– Yukiko-san? Onde deixo os lençóis sujos? – Perguntou à matriarca dos Kanda.
– Hm? – A mulher virou-se em sua direção. – Ah sim! Pode deixar ao lado da máquina, lá fora. – Ela lhe sorriu, apontando pra a porta onde dava em direção à lavanderia.
Colocou-os onde lhe fora dito, indo para a sala em seguida. Yuko, ao vê-lo, correu em sua direção, jogando-se nos braços do albino quando este se agachou. Sorriu para Yusuke, dizendo-lhe que ficaria tomando conta da caçula dos Kanda.
A garotinha se animou. Pegou seus brinquedos, espalhando-os pelo chão da sala. E, quando a brincadeira iniciou-se, Allen pensou: ”Vou me distrair... Não quero mais pensar nas babaquices do Kanda.”
– — -
Naquela altura já haviam terminado de limpar a piscina – o que foi muito trabalhoso ao ver de Lavi, afinal, Tyki simplesmente não parava de assedia-lo a todo instante -, e agora estava a varrer chão enquanto o moreno limpava a churrasqueira.
O ruivo sentia-se um pouco... Irritado. Por quê? Ora, para provoca-lo, Tyki tirou a camiseta, mostrando seu tronco definido, tirou o cinto da calça, deixando-a frouxa em sua cintura, ou seja: ele estava lhe seduzindo, sem mais. Porém, o que o estava irritando não era isso, e sim o fato de que estava caindo no papinho do mais velho.
As palavras de Allen quando este estava em sua casa ficaram martelando em sua mente. Tyki não estava com ele porque se interessou... Tyki só estava na vontade de brincar e ficar com quem quisesse. E isso o chateava!
Então, decidiu que não daria o braço a torcer, seria forte e não cairia nas garras daquele... Português gostoso. Ou ele não se chamava Lavi Bookman!
Seus pensamentos foram interrompidos quando deixou seu celular cair debaixo da bancada. Abaixou-se, tateando cegamente em busca do aparelho... Entretanto, sua mão tocou em algo peludo. Um arrepio alastrou-se por sua coluna, e recuando o braço temerosamente, olhou o que, agora, estava sobre sua palma.
Uma aranha.
O grito que saiu por seus lábios foi automático. Agitou a mão – coisa que não era aconselhável, porém, Lavi tinha pavor de aranhas -, tirando o inseto dali, afastou-se depressa, arrastando-se no chão segurando com força a mão contra seu peito.
Ao ver o escândalo do menor Tyki começou a rir, ou melhor, gargalhar. Dobrou-se no chão, não se aguentando em pé. Para si a cena havia sido hilária. Todavia, em meio a sua risada, ouviu um fungar. Levantou o rosto deparando-se com o ruivo a chorar baixinho.
É. O Mikk estava completamente surpreso.
Permaneceu estático onde estava, e logo viu Allen e Mana correr na direção do pobre garoto no chão.
– Lavi! O que foi? – Perguntou o albino, sendo agarrado pelo ruivo.
– U-uma aranha... – Falou com desespero. Allen suspirou, correspondendo ao abraço, acariciando os fios rubros, demonstrando preocupação.
– Pra que tanto estardalhaço? Foi só uma aranha. – Diante de seu comentário, Mana e seu filho lhe encararam bravos.
– O Lavi tem trauma de aranhas, idiota. – Disse Allen.
– Quando mais novo, Lavi foi picado por uma aranha... Se não fosse por Allen ter visto a tempo, Lavi poderia ter morrido. – Explicou Mana, que também abaixou-se ao lado de seu filho, olhando para o ruivo que estava com o rosto escondido no pescoço do mais novo. – Venha Lavi... Farei um calmante para você.
Com a ajuda de Mana, Lavi levantou-se. Seu choro havia cessado, porém ainda soluçava. Era possível até ver que o garoto tremia.
Ficou a sós com Allen. Não sabia por quê... Mas estava temendo aquilo.
Silêncio...
Por pouco tempo.
– Você é um idiota. – Olhou o primo. – É sério. Idiota. – Continuou sem dizer nada, ouvindo o albino suspirar. – Olha Tyki... Você é meu primo, eu amo você demais, sério. Estarei com você sempre que precisar e blá blá blá, mas, acima disso, eu tenho um carinho imenso por Lavi. Se você não está verdadeiramente interessado nele, sai dessa. Eu ficarei do lado dele. Então, se é só uma diversão, nem comece, mas se quer mesmo algo com ele, eu até ajudo. Porém, eu falarei quantas vezes forem necessárias: magoe o Lavi, e a surra que te darei não vai ser brincadeira.
Apontou para o moreno, olhando em seus olhos seriamente. Tyki acreditava com toda a certeza nas palavras de Allen. Sabia que seu pequeno primo seria capaz mesmo de lhe dar uma boa surra. “Esse garoto sabe ser o demônio quando quer” pensou, suando frio.
Sem dizer mais nada, o jovem Walker lhe deu as costas, e voltou para dentro da casa. E, enquanto ia, não notou o dono de seus problemas no canto da parede. Mas Tyki percebeu.
E quando viu, o japonês estava com uma expressão engraçada, seus olhos negros brilhavam em diversão, sua mão estava sobre seus lábios. Ele, provavelmente, segurava o riso. “Droga, isso foi hilário.”, mas logo corrigia seus pensamentos ao lembrar-se do rosto bravo de Allen, enquanto brigava com Tyki. “Mas o moyashi me mataria se eu risse.... E desde quando eu tenho medo desse garoto?!”.
– Se eu fosse você, — Tyki se pronunciou. – eu engolia o riso. Sério, o shounen sabe dar uns socos bem doloridos. Não queira provar.
– — -
Yuu nem precisava dizer como estava morrendo de ciúmes. Estava quase inventando alguma fobia ridícula – ele que não se ouça pensando nisso – para ficar daquela forma com Allen.
Após tomar um calmante feito por Mana, Lavi ainda estava um pouco em choque, então, Allen, como é um garoto que não pode ignorar a dor do amigo, deitou-se no sofá, trouxe o ruivo para cima de si, deixando-o com a cabeça sobre seu peito e iniciou uma caricia nos fios vermelhos.
O calmante, somado ao carinho, fizera com que o ruivo dormisse ali, mas isso não incomodou Allen nem um pouco. Até mesmo Yuko decidiu participar do momento, ficou sentada ao lado dos dois, com o rosto deitado nas costas do Bookman, passando as mãozinhas naquele local.
– Ele costuma ficar assim sempre? – Perguntou Yukiko.
– Não... – Respondeu Allen. — Só quando entra em contato com elas. Quando só as vê, ele corre ou chama alguém.
– Pobrezinho... Bem, farei algo delicioso para ele comer quando acordar! – Exclamou a mulher, que logo foi para a cozinha.
A contra gosto, Yuu se sentou no outro sofá disponível. Estava tedioso. Escorregou no estofado, ficando de mau jeito, porém, não se importou. Suspirou após alguns minutos daquela forma. Não aguentando, se levantou e foi à cozinha. Ajudaria sua mãe ali.
– — -
O almoço aconteceu entre conversas e elogios pela comida.
Lavi já estava melhor, e agradeceu Mana e Allen por ajuda-lo, recebendo um sorriso carinhoso de pai e filho. Yukiko mostrou sua preocupação em todo o momento, prometendo que olharia bem o quarto em que o ruivo ficasse, para que, se tiver alguma aranha, tira-la de lá. O ruivo se sentiu um pouco envergonhado, mas sentiu-se grato pela gentileza.
Os únicos em silêncio ali eram Tyki e Yuu, até mesmo Neah, que era o mais quieto dentre eles, conversou e mostrou-se atencioso para com o Bookman.
Yuko, mostrando toda sua graciosidade, fazendo jus ao seu nome, começou a tagarelar, e para animar o ruivo, passou a listar todas as coisas das quais tinha medo, para que assim o outro não se sentisse envergonhado.
“Agora sei por que o Allen não resiste a essa menina!”
E, agora caindo de amores pela Kanda mais nova, após o almoço, aceitou brincar com esta, que lhe puxava junto de Allen.
– Eu disse... Não tem como opor-se a Yuko, é impossível. – Falou o albino, o que o fez rir.
Passaram um tempo com a garotinha, até que esta começou a dizer que queria entrar na piscina. Trocaram-se, colocando roupas de banho, entupiram-se de protetor solar – principalmente Allen, sendo caçoado por Lavi, que dizia que o fator de seu protetor era infinito – e logo partiram para a água.
Allen segurava Yuko, mas mesmo assim a moreninha tinha duas boias em seus braços. Apenas os três estavam na piscina. Tyki e Yuu estavam sentados sob a área coberta, apenas os observando, e notando isso, Lavi não deixou de provocar.
– Sabe Allen... – Atraiu a atenção do menor. – Brincando assim, com a Yuko-chan, até parece que somos uma família. – Entendendo o que o ruivo fazia, Allen sorriu, entrando na brincadeira.
– Verdade né... Você gostaria de ser minha filha, Yuko? – Perguntou à menina em seus braços.
– Sim!! Mas eu também queria ser a esposa do Aren. – Sua resposta fizeram os dois ali rir.
– Não... O Lavi é que seria casado comigo...
– Isso mesmo! – O ruivo então abraçou o Walker pelos ombros, dando um longo beijo em sua bochecha.
Continuaram com essa brincadeira até saírem da piscina. Levando para a mesa que havia na área coberta, onde ficava a churrasqueira, Yukiko deixou os petiscos e lanches. O que atraiu Allen e Yuko. A menina estava sobre uma das cadeiras, e o albino lhe servia, até que Lavi o abraçou por trás, dando um beijo estalado em seu pescoço, o que fez o menor rir.
Ouviram o barulho de uma cadeira a cair, e ao olhar para o lado, viram Tyki no chão. Piscaram, fingindo-se de desentendidos, mas logo deram de ombros.
– Amooor – Lavi fez uma voz manhosa, em um tom brincalhão, sem desgrudar de Allen – Faz pra mim um lanchinho?
– Para com isso Lavi. – O albino riu novamente. – Mas faço sim, sente-se.
– Até parece que estamos brincando de casinha! – Exclamou Yuko em animação.
O olhar compartilhado por Lavi e Allen foi de arrepiar a coluna dos dois morenos que permaneciam quietos. Os garotos sorriram, e continuaram como se nada tivesse acontecido.
E então o dia passou-se em meio a provocações por parte do ruivo e do albino. Tyki e Yuu continuaram quietos, até que, quando estavam decidindo com quem e em que quarto ficariam, o japonês, sem pensar duas vezes, agarrou a mão de Allen e disse: “Ele vai ficar comigo”, e sem esperar uma resposta, arrastou o garoto até um dos quartos, onde se trancou com ele.
As malas de ambos já estavam ali, o que mostrava que Yuu já havia planejado aquilo. Jogando o albino sem qualquer delicadeza sobre a cama, o moreno encarou-o, finalmente mostrando sua insatisfação quanto aos ocorridos daquele dia.
– OK, moyashi. Tem como me explicar que putaria foi aquela? – Cruzou os braços, encarando fixamente o menor, que se sentou direito na cama.
– E desde quando te devo satisfações? – Sua resposta soou fria, olhando o mais velho sem qualquer emoção além de raiva.
Kanda estalou a língua e fechou os olhos, respirando fundo. Quando voltou a abri-los, suas orbes negras se cravaram no albino furiosamente. Seus passos soaram pesados até a cama, subiu sobre esta, vendo o outro recuar até suas costas ficarem rentes a cabeceira. Rudemente segurou o rosto de Allen.
– Você é meu, logo me deve satisfações. – Falou entredentes.
– E desde quando? – Allen o olhou de forma desafiadora.
– Desde agora.
O menor não teve como responder, afinal, sua boca estava muito ocupada sendo beijada.
Ele podia muito bem como empurrar Kanda... Mas como fazer isso quando aqueles lábios estavam tão tentadores sobre os seus? Então, sem qualquer resistência, suas pálpebras se fecharam, e o albino entregou-se ao moreno.
O beijo não foi nem um pouco suave. Ali, Yuu expressava todo seu desagrado e sua possessão quanto ao albino; sua mão saiu do rosto para o pescoço, massageando certa parte da nuca, o que fez Allen suspirar, e, aproveitando-se disso, introduziu sua língua na cavidade úmida, iniciando um contato mais profundo.
Walker agarrou-se na camiseta do outro sobre si. Sua mente começava a se esvair, ficando em branco. Ou melhor, apenas pensava naquele moreno, que, além de acariciar sua nuca, passava a ponta de seus dedos em suas costas, lhe causando uma série de arrepios.
O ósculo findou-se com uma mordida em seus lábios, e ao abrir os olhos pratas, quase que deixara um gemido lânguido sair de sua boca ao ver as esferas negras brilharem em luxuria e sensualidade.
Foi então que, mais uma vez naquele dia, Allen recebeu um choque da realidade. Abaixou a cabeça, fazendo com que sua franja cobrisse seus olhos, não permitindo que Yuu lhe visse.
– Por favor, Kanda... – Sua voz saiu fraca. – Pare de brincar comigo... Por favor.
– Não estou brincando com você.
– Mas então o que diabos você quer?! – Exaltou-se, levantando o rosto. – Eu não aguento mais isso! Decida-se! Uma hora você está assim, me beijando e na outra me ignora e ainda por cima é grosso! Eu não sou de ferro, seu imbecil! – E quando notou, seus olhos estavam marejados. – Droga... – Fungou, passando a mão com força sobre suas vistas. – É difícil, poxa...
– O que é difícil?
– Gostar de você. – Franziu o cenho, voltando a fitar o japonês. – Gostar de você é difícil...
Yuu ficou surpreso com a revelação do outro, e por isso não conseguiu dizer nada. Abaixou os olhos, e depois encostou a testa no ombro do menor, aspirando seu perfume natural. Sentou-se entre suas pernas, puxando-o para seu colo, e assim, o abraçando apertado.
O silêncio predominou naquele momento. Não demorou em Allen começar a acariciar os cabelos negros – que milagrosamente estavam soltos — e cada um ficou perdido em seus pensamentos.
Brincado com uma mecha branca, Yuu pensava em como responder àquela declaração... Ele não sabia o que sentia, não sabia dar nome para aquele sentimento. Quando estava ao lado do menor, sentia-se bem, seguro, e acima disso, uma vontade incontrolável de toma-lo para si o tempo todo lhe possuía de forma avassaladora. Ainda mais quando o via sorrir.
Aah... O sorriso... A forma graciosa com que seus olhos diminuíam de tamanho quando seus lábios se esticavam; as orbes pratas que pareciam brilhar nesses momentos... Era tudo muito bem observado pelo maior, que não conseguia desgrudar os olhos dele.
Mas o que ele poderia fazer? Mesmo que já tivesse conversado com seu pai, ainda se sentia perdido. Nunca gostou de ninguém daquela forma, e, acima de tudo, ainda tinha os sonhos. O que eles significavam? Porque aquela sensação de nostalgia lhe apossava sempre que estava com Allen? O que era aquela vontade enorme de abraça-lo apertado e pedir desculpas? As frases “Eu não pude te proteger”, “Eu deveria ter te amado mais”, “Eu deveria ter sido mais carinhoso” e...
– “Me desculpe”.– Nem percebera quando verbalizou seus pensamentos, mas Allen não disse nada, apenas lhe apertou mais contra seu corpo.
Em meio a um suspiro fechou os olhos. Imagens de sonhos que tivera passaram por sua cabeça. A maioria deles eram momentos em que chateava Allen... E... Bem, quando eles estavam... Fazendo certas coisas. Corou com as lembranças. As doces lembranças de um Allen completamente decomposto, corado, suado, lhe abraçando e gemendo em sua orelha.
“Pare de pensar essas coisas!”, martirizou-se. Se continuasse assim, com certeza uma certa parte sua ficaria... “animada”. Sem perceber estava passando seu nariz suavemente no pescoço do garoto em seu colo, até que este suspirou audivelmente, em deleite.
Afastou seu rosto o suficiente para olhar a face rubra do menor. Não resistindo, roubou-lhe os lábios novamente, dessa vez com mais calma. Ao receber um caricia na nuca, um gemido de contento não pode ser segurado; as unhas curtas do albino passavam sutilmente em sua pele.
Beijou-lhe a face quente e foi descendo até seu pescoço, onde deixou uma mordida. Aquele pescoço que outrora estava completamente branco, agora tinha várias marcas vermelhas que tinha deixado naquela manhã, e de certa forma orgulhava-se ao saber que tinha sido ele quem o marcara. Não pode conter o sorriso.
Sua atenção foi atraída por Allen, que passou a mão em seu rosto, levantando-o, para olha-lo. Quando estavam para beijarem-se novamente, ouviram bater na porta.
– Meninos, estamos indo dormir. Não façam muito barulho, tá? – Era Yukiko, que, com sua fala, riu baixinho. – Boa noite.
Fitaram-se.
As faces coraram novamente.
– É melhor irmos dormir. – Falou Allen nervosamente.
– Sim.
Mesmo que não quisessem, separaram-se, ajeitaram a cama para que pudessem dormir, e, assim que Allen se deitou, Yuu apagou a luz, caminhando às cegas até a cama. Entrou debaixo do cobertor e, sem quaisquer reservas, abraçou o albino por trás.
Seus corpos relaxaram. E não tardaram a dormir.
– — -
“Uma neblina cobria parte da visão de quem estava ali. Neblina esta que foi feita pela quentura da água.
Naquele cômodo imenso, eram ouvidos suspiros e gemidos, além do barulho de liquido, como se algo estivesse se movendo sobre tal. Bem, e era o que acontecia.
Depois de terem completado a missão e chegado ao hotel que estavam hospedados, Allen e Kanda, cansados, foram tomar um banho. E já era notável que não terminaria num simples banho. Não se tratando daqueles dois.
Tudo começou em provocações. Sentado na banheira, o japonês tinha o albino entre suas pernas, com as costas deitadas em seu peitoral. Sua mão alisava sutilmente a coxa branca, até que foi subindo, subindo... E, propositalmente, agarrou o membro semi-ereto do menor, ouvindo seu suspiro.
E desde quando Kanda Yuu tenta se controlar?
Então começaram a se beijar, as mãos passeavam pelos corpos alheios, tocando principalmente nos pontos erógenos, até estarem ali.
Allen subia e descia sobre o corpo do moreno, a ereção deste estava dentro de si, enlouquecendo-o sempre que acertava seu ponto doce. Repetia como um mantra o nome do outro, a pedido do mesmo.
– Yuu... Ah! – Seus braços estavam ao redor do pescoço de Kanda, abraçando-o apertado. Em determinado momento, ele segurou em sua cintura, ajudando-o a se mover com mais rapidez.
Mordeu mais uma vez naquela noite o pescoço do garoto sobre seu colo, lambendo sua extensão até chegar à orelha, onde começou a sussurrar coisas para o albino. Sabia muito bem como aquilo era provocante para ele.
E com mais este estimulo, os gemidos de Allen começaram a ecoar no recinto. Normalmente ele era muito mais controlado, mas sempre acontecia de Yuu provoca-lo demais. “Japonês maldito.” pensou.
Entretanto seus pensamentos não demoraram a se perder, quando Kanda colocou uma das mãos em meio aos seus corpos, alcançando sua ereção, masturbando-o no ritmo das estocadas.
– Hm... Yuu~ — Gemeu languidamente o nome do moreno em sua orelha, sabendo muito bem como ele gostava daquilo.
– Tsc, não me provoque.
– Por que não Yuu~? — Mais um gemido, e, ainda mais atentado, começou a rebolar. – Ah! Isso é..Tão bom.. Yuu~!
Kanda soltou um rosnado, mudando bruscamente de posição. A água dentro da grande banheira já não estava muita, e naquele momento diminuiu ainda mais. Allen segurava-se nas bordas, enquanto Yuu lhe penetrava sem rodeios, forte e rápido.
O albino arqueava suas costas, os gemidos e suspiros saiam sem qualquer controle, sua próstata sendo acertada a todo instante. O líquido de dentro da banheira saia pelos movimentos bruscos, mas isso não incomodava nenhum dos dois, que estavam perdidos demais um no outro para se importarem.
E então o prazer foi demais para ambos, que logo alcançaram o ápice, chamando o nome um do outro em meio a um gemido arrastado.”
Seus olhos abriram de rompante. A respiração desregulada. A face corada... E acima de tudo... A ereção entre suas pernas.
Allen estava encolhido, com Yuu lhe abraçando fortemente, suas pernas entrelaçadas e o pior: A pressão da ereção do maior em seus quadris.
Ambos travaram, e Allen logo se virou para encarar o moreno, que suspirou de leve e tomou os lábios do albino, que se entregou sem demoras.
Não sabiam direito o que os havia movido. Apenas sabiam que necessitavam um do outro.
Seus corpos se esfregavam, fazendo as ereções se encostarem com o atrito, o que lhes causava uma série de suspiros e gemidos baixos.
As camisetas logo estavam no chão.
As mãos avidas exploravam os corpos que, estranhamente, lhes parecia tão conhecido. Suspiros e ofegos saiam de seus lábios quando separados, mas estes voltavam a se beijar, afoitos.
Yuu desceu as mãos pelas costas brancas até as nádegas, apertando com força, fazendo Allen gemer abafado em sua boca. O menor agarrou as madeixas negras, puxando sem força. Voltaram a se fitarem, se olhando nos olhos.
O negro no prata.
Mesmo com a luz apagada, a janela estava aberta, permitindo que pudessem se ver graças a lua que brilhava no céu.
Como se acalmassem toda aquela agitação, seus rostos se aproximaram lentamente, os olhos se fecharam devagar, e o beijo iniciou-se demorado. Suas línguas se encontraram, roçando-se, provocando-se. Allen acariciava a nuca do mais velho, suspirando em agrado com as mãos que passavam em suas coxas por debaixo dos shorts.
Mordeu o lábio inferior do japonês, puxando levemente. Ao ver a reação surpresa do maior, um sorriso malicioso surgiu em seu rosto. Beijou sua face, e depois o pescoço, dando um chupão em seguida.
Voltou a olhar o rosto de Yuu, e logo teve seus lábios capturados pelo maior.
Ofegou em surpresa quando o moreno acariciou sua ereção sobre o short, e sem perceber movia o quadril em sua direção, querendo mais contado. E, atendendo seu pedido, Yuu adentrou a mão sob sua cueca, , tocando-lhe sem restrições.
Engasgou um gemido, arranhando o ombro do maior. Este lhe masturbava em um ritmo moderado, nem muito lendo, nem muito rápido, o que deixava Allen aflito, desejoso por mais.
Pensando em como não queria ser apenas ele a sentir prazer, audaciosamente sua mão tocou a ereção de Yuu, ouvindo-o suspirar. Abaixaram os shorts, o suficiente para que pudessem se tocar sem problemas.
Beijaram-se mais uma vez. Suas mãos passaram a se mover mais rapidamente, causando-lhes gemidos e ofegos. Ainda lembrando que não estavam sozinhos, moderavam no tom de voz. Era engraçado ver como não pensavam em nada, deixando apenas o instinto lhes guiarem em meio aqueles toques que pareciam queimar suas peles.
Fitaram-se, sentindo que não demorariam a vir.
Para cada um, a visão que tinham era suficiente para fazê-los gozar sem mais qualquer coisa. Allen tinha a face vermelha, os olhos pratas semicerrados, a boca entreaberta, ofegante. Yuu continha cenho franzido, mordia o lábio inferior, sua face estava levemente avermelhada, as orbes negras brilhavam em desejo pelo pequeno em seu colo.
Aproximando-se, o moreno beijou os lábios do menor estaladamente, indo até sua orelha, sussurrando:
– Allen...
Isso havia sido demais para o albino.
– Yuu~!!
Seu líquido perolado sujou ambos os abdomens, e a mão do japonês, que, ao ver aquela cena diante de si, não conseguiu segurar. Seu ápice colaborou para que ficassem ainda mais melados.
As respirações estavam descompassadas, mas mesmo assim, um novo ósculo teve inicio, dessa vez mais calmo.
– Precisamos nos limpar... – Falou Allen, deitando a cabeça no ombro do moreno.
– É...
Mas ambos não saíram daquela posição.
Quando voltaram a se olhar, sorriram. Selando os lábios mais uma vez.
É.. Ficarem juntos daquela forma não parecia ruim.
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