Akai Ito

7 Um novo casal surge


– E aí, você acha que está bom? – Perguntou Tyki, fazendo pose para o menor sentado na cama, opinando sobre sua roupa.

– Até nu você fica lindo, Tyki. – Allen revirou os olhos, sua voz saiu tediosa.

– Você não me parece estar dizendo a verdade... Mas não tem importância. Eu sou lindo mesmo. – O maior deu risada. Voltando a ajeitar os cabelos na frente do espelho.

Era o tão esperado sábado, dia do seu encontro com Lavi. Por sempre ter sido muito vaidoso, Tyki estava a algum tempo enchendo o saco de Allen sobre sua roupa, queria estar o mais sexy possível para infernizar a vida do pobre jovem Bookman. Quando o albino já não suportava mais, expulsou seu primo do quarto, mandando sair logo dali para ir encontrar seu amigo. Bufou ao ouvir o mais velho rir, despedindo-se.

O moreno saiu de casa com um sorriso enorme no rosto, a causa disso era óbvia afinal, aquele ruivinho encantador estaria o esperando na praça para irem ao cinema... Essa ideia agradava totalmente o homem de olhos dourados. Desde a primeira vez que botou seus olhos nele, pensou convictamente que ele tinha que ser seu, e tudo se facilitou ao descobrir que ele era amigo de seu primo.

Passou a mão pelo cabelo, o deixando ainda mais bagunçado e que, convenhamos, o deixava ainda mais charmoso. O sorriso em seu rosto alargou ao ver seu coelhinho de costas; aproximou-se felinamente, sussurrando em sua orelha.

– Te fiz esperar muito? – E com uma imensa satisfação, viu os pelos da nunca do menor se eriçarem.

– N-não. – Ele passou a mão no pescoço, suas bochechas estavam rosadas.

– Vamos. – Deu seu braço para que Lavi o segurasse, vendo este timidamente segurar a manga de sua blusa.

Havia um shopping não muito longe dali, então foram caminhando. O clima estava agradável, o sol não incomodava e ventava um pouco, isso incentivou algumas pessoas a saírem de casa, então se via algumas garotas passando por ele, soltando risadinhas e cochichos. De esgueira Tyki fitou Lavi, que ainda tinha as bochechas rosadas e evitava a todo custo olhar em sua direção, sendo assim seu rosto estava virado para o lado oposto; o mais velho teve que conter a risada. “Ahh, esse garoto é realmente uma perdição.”, era o que pensava.

Ao chegarem ao cinema, foram direto para a bilheteria, comprando os ingressos para um filme de ação qualquer, e seguiram para a praça de alimentação.

– Se o Allen estivesse aqui, iria querer comer de tudo. – Lavi comentou aos risos, colocando a mão sobre os lábios, cena que Tyki achou completamente graciosa.

– Verdade... – Olhou ao redor e então parou. – O que quer comer?

– Hm... – Observou as lojas, parando seu único olho esmeralda numa em especifico. — Quero comer yakissoba!

Era um self-service, então cada um pegou o que queria e pesaram, tendo Tyki pagado a conta, coisa que Lavi não aprovou, dizendo a todo instante que poderia pagar para si mesmo. Sentaram-se numa mesa vazia e começaram a comer, enquanto conversavam sobre si mesmos a pedido do Mikk.

– Estava pensando aqui... Seu sobrenome não deveria ser Walker?

– Sim... Entretanto Mikk é sobrenome da minha mãe e decidi ficar com ele. Meus pais eram amigos, só amigos mesmo, daí numa festa beberam demais e... Bem, já deu pra entender o que aconteceu. Minha mãe ficou grávida e meu pai assumiu sem problemas, mas ela queria que eu vivesse em Portugal, local onde nasci. Meu pai aceitou, mas teve que ficar em Londres, não podendo me ver nascer, eu o conheci no meu aniversário de um ano, foi quando ele pôde nos visitar. Então, sempre que dava, ele ia nos ver, isso até que minha mãe ficou doente, e meu pai decidiu morar em Portugal conosco para poder cuidar dela. Eles realmente eram bons amigos, não fui um abalo nisso, era algo que eu realmente gostava de saber. – Tyki sorveu um gole de seu suco, olhando vagamente para a mesa.

–... E sua mãe? – A pergunta de Lavi saiu receosa.

– Ela faleceu. Faz um ano.

– Oh... Desculpe perguntar. – Encabulado, o ruivo olhou para seu prato, brincando com os hashis em sua mão.

– Não se preocupe. – Tyki sorriu, bagunçando os cabelos ruivos. – E você? Sua mãe e seu pai...

– Meu pai... Ele abandonou minha mãe quando eu ainda era um bebê, me dando de presente esse tapa-olho. – Sua risada saiu triste. – Minha mãe está na Suíça, por isso moro com meu avô.

– Como assim, ele te deu esse tapa-olho de presente? – O moreno estava realmente curioso. O Bookman desamarrou a peça negra, revelando seu olho direito, que continha uma cicatriz, que começava da sobrancelha e ia um pouco mais abaixo do olho, Tyki observou aquilo realmente surpreso.

– Por pouco fiquei cego, mas se notar, esse olho é quase sem brilho, ele é estranho. Não tenho problemas em enxergar com ele, mas prefiro mantê-lo escondido. – Colocou novamente o tapa-olho. – Estranho né? E feio também.

– Eu ainda acho que você continua muito lindo. – O comentário saiu sem pensar, e viu com satisfação quando as bochechas do garoto ficaram mais vermelhas como seu cabelo.

Para disfarçar a vergonha, Lavi voltou a comer, enquanto Tyki apoiou o rosto na mão, olhando o menor. Um sorriso nem um pouco discreto estava em seu rosto. Seus pensamentos não estavam enganados ao pensar que Lavi de fato era uma joia rara e totalmente interessante. Gostaria mesmo de aprofundar um relacionamento com o ruivinho, e com toda a certeza faria isso.

A conversa mudou o rumo para coisas completamente aleatórias, e enquanto não dava o horário do filme, após comer, foram passear. Estava um ambiente agradável entre os dois, o que fez com que aos poucos o Bookman se soltasse, mostrando como ele era quando estava perto dos amigos. O moreno passava mais tempo observando o menor do que falando, deixando com que ele falasse animadamente sobre uma das brigas que Allen e Kanda tiveram no caminho de volta para casa.

O pouco tempo que faltava até o inicio do filme foi passado em segundos para os dois, e tão logo já foram para a sala indicada. E quando já estavam bem acomodados nas poltronas, as cenas clichês dominaram a mente de Tyki. Ele abraçaria Lavi pelos ombros e ficaria uma parte do filme assim, até ele se cansar e beijar o ruivinho quando este estivesse distraído. Plano perfeito a seu ver... Pena que não foi como ele queria.

A parte de abraça-lo pelos ombros foi um sucesso, entretanto o beijo não aconteceu ali. Lavi estava bem concentrado no filme, ele aconchegou-se no abraço, mas não prestou atenção quando Tyki lhe chamou. O moreno desistiu na terceira tentativa, e suspirou quando viu que o menor não lhe ouvia, achando melhor fazer como ele e ver o filme.

Ao final, quando as luzes se acenderam, o ruivo se espreguiçou, sorrindo.

– Não esperava que esse filme fosse tão bom.

– É... – Apesar de sua resposta não ter soado nem um pouco convincente, Lavi não deu importância, puxando Tyki pela mão para que esse deixasse a preguiça de lado e levantasse de uma vez.

– Vamos Tyki! Ainda quero passar na lojinha de videogame, tem um jogo novo que eu quero comprar! – Aquela voz manhosa e o bico nos lábios rechonchudos quase fez a sanidade do Mikk ir pelos ares, mas o moreno respirou fundo, aceitando a ajuda para levantar.

No caminho para a loja, o mais velho avisou que iria ao banheiro, nesse momento o celular de Lavi tocou, e o toque personalizado mais o nome que piscava na tela indicava que era o avô do ruivo. O menor sorriu e disse que o esperaria ali enquanto atendia a ligação. Quando voltou, parou ao observar a cena a sua frente. Havia duas garotas conversando com Lavi, e uma delas fazia questão de agarrar o braço do garoto, e coloca-lo entre seus seios fartos, enquanto falava alguma coisa sem importância, a outra brincava com as pontas do cabelo dele, concordando com o que a amiga dizia, e o jovem Bookman apenas ria.

Elas estão mexendo com a pessoa errada, era o que Tyki pensava enquanto se aproximava dos três.

– Oh, vejo que estão cuidando do meu coelhinho enquanto eu não estava... – O moreno puxou Lavi, abraçando-o pela cintura. – Não posso mesmo te deixar um minuto sozinho né. – Fingiu-se aborrecido. Olhou para as meninas que tinham o rosto vermelho, enquanto os encaravam fixamente.

– T-Tyki... – O ruivinho tentou alertar o maior de que uma de suas mãos estava atrevidamente em seu traseiro, deixando-o desconfortável, mas Tyki ignorou seu chamado.

– Bem, vamos, Darling? Você me disse que queria passar na loja de videogames antes de irmos para casa. – O moreno selou seus lábios delicadamente, apenas um encostar, mas isso foi o suficiente para Lavi arregalar os olhos e sentir seu rosto todo vermelho, seu pescoço e até suas orelhas.

– D-desculpe! Não sabíamos que ele era comprometido. – As meninas ainda tinham as maçãs do rosto coradas, mas seus olhos tinham um estranho brilho ao ver a cena dos dois ao se beijarem.

– Hm? Não tem problema. – Tyki sorriu, mantendo o abraço, sentindo Lavi enterrar o rosto em seu peito. O ruivo desejava um buraco para se enfiar e nunca mais sair de lá. As meninas não demoraram em ir embora, cochichando e soltando gritinhos.

– P-por que você fez isso?! – Perguntou ainda envergonhado, olhando bravo para o rosto do maior.

– Porque você é adorável! – O Mikk sorriu, segurando a mão de Lavi e começando a andar até a loja desejada.

– I-isso não é uma resposta! – O ruivo sentia vontade de socar Tyki até ele desmaiar, tamanha sua vergonha. A vermelhidão não abandonaria sua face tão cedo, mas ele não conseguiu segurar o pequeno sorriso que desenhou em seus lábios.

Tyki era realmente uma figura.

– — -

– Ele me beijou na frente das duas meninas, Allen!! – Lavi afundou o rosto no seu travesseiro, gritando.

– Você está parecendo uma garotinha apaixonada. – Allen revirou os olhos, degustando os dangos que tinha no prato. – E ai?

– Compramos o jogo que eu queria e viemos para casa... Ele ficou segurando minha mão o caminho todo. – O ruivo suspirou, deitando a cabeça nas pernas de Allen, que estava sentado na cama.

– Cuidado para não se apaixonar... – Falou em aviso, acariciando os cabelos vermelhos do amigo. – Tyki ele pode ser um cara legal e tudo, mas ele é um cachorro. Não sei se ele está sério quanto a você, vou conversar com ele para esclarecer as ideias, mas não quero que você se machuque Lavi. Você é meu melhor amigo, eu não aguentaria vê-lo mal por causa do inconsequente do meu primo. – Lavi, que a principio estava surpreso com a frase de Allen, sorriu, abraçando-o pela cintura, encostando a cabeça na barriga do menor.

– Obrigado Allen.

– Que nada, amigos estão aqui para isso. – Continuou o carinho, sorrindo ternamente para o ruivo que lhe abraçava.

– Eu espero que você se resolva com o Kanda... – A voz do ruivo saiu abafada, ele não saiu da posição que estava.

– Eu já desisti de me resolver com o Kanda... – Allen suspirou – Ele não vai me ouvir, e eu nem quero mais falar com ele. – Inflou as bochechas, aborrecido. Lavi levantou o rosto, rindo da expressão infantil do albino.

– Você parece uma criança! – O ruivo jogou-o na cama, ficando por cima dele, fazendo-lhe cócegas. Allen não conseguia segurar a risada, se contorcendo na cama. – Ah! Me lembrei de um lugar que te faz rir mais ainda! – Lavi sorriu sacana, levantando a blusa de Allen, expondo a pele branca da barriga.

– Não! – Quando tentou esquivar, o ruivo se abaixou, encostando os lábios na barriga do menor, assoprando. O Walker ria alto, tentando a todo custo sair das garras do ruivo, mas a brincadeira foi interrompida quando a porta do quarto de Lavi foi aberta brutamente, revelando um Kanda incrédulo.

Na visão de Yuu, Allen estava totalmente decomposto, com o rosto corado, os cabelos brancos bagunçados sobre o travesseiro, camisa levantada, com Lavi entre suas pernas e com os lábios sobre a cútis da barriga, com o albino segurando os cabelos vermelhos e roupas amarrotadas... Ohh, com toda a certeza Kanda não estava pensando que eles estavam numa brincadeira infantil como cocegas, ainda mais com os sons estranhos que ouviu Allen soltar enquanto ele subia a escada.

– O que está acontecendo aqui?

Notas finais
PODEM DANÇAR, FINALMENTE CHEGOU O 7° CAPITULO! Demorei né... Quanto tempo? Oito meses, nossa... e Akai fez um ano em Abril ♥ Obrigada a todos que me acompanham desde o inicio e não me largaram ainda! Bem, eu disse que não abandonaria né? Pois bem, não vou mesmo! Demorei tudo isso porque passei por um enorme bloqueio criativo, não conseguia escrever uma linha! E ainda mais pelo fato de que eu estava trabalhando e estudando, não tinha tempo para nada! Mas agora vou tentar adiantar o começo do cap 8 e tentar escrever DPF, é torcer para eu não demorar dessa vez né... Enfim, até o próximo~ E reviews me fariam muito feliz sabe~~