Akai Ito
6 Reprimindo o invevitável
Notas iniciais
Seus lábios pareciam que foram feitos sob medidas ao se encaixarem perfeitamente, as línguas batalhava, se entrelaçando e acariciando; as mãos de Kanda apertavam sem muita força a cintura de Allen, que ofegou, puxando suavemente os fios negros enroscados em seus dedos, fazendo o moreno morder seu lábio.
Agora podia afirmar que Allen tinha um gosto muito bom, mas não admitiria isso, ainda mais ao ver que os lábios do albino em seu colo eram viciantes. Apartou o beijo quando o ar começou a faltar nos pulmões, as testas se encostaram, mas permaneceram de olhos fechados, normalizando a respiração.
Deixou Allen continuar sobre suas pernas, sem pronunciar nada, perdidos em pensamentos. Kanda pensava se aquilo era mesmo certo, não entendia porque rejeitava tanto esses sentimentos … Talvez seja pelo fato que de se sente manipulado, como se uma força maior estivesse controlando tudo o que sentia. E os sonhos? Estava pensando em falar com Lavi, afinal a família dele tem uma biblioteca particular cheio de registos e histórias antigas, o ruivo poderia ajuda-lo a descobrir algo sobre isso.
Suspirou, abrindo os olhos, se deparando com um par de lindos olhos prateados, que lembrava constelações de tão brilhantes… Que mais parecia estar lendo sua alma, e isso o irritou. Tirou o menor de seu colo sem nenhum pingo de delicadeza, levantou-se, abrindo uma gaveta no criado-mudo, pegou uma chave dali, indo para a porta, destrancando-a.
– Kanda…? – Allen continuava no chão, encarando o moreno, confuso.
– Olha, não pense que só porque te beijei, eu sinto algo por você. Não. Isso foi só para provar que esses malditos sonhos não estão controlando minha mente. – Continuou de costas para Allen, por alguma razão, tinha medo de encara-lo.
– Sonhos? – Allen arregalou os olhos, seu coração falhou uma batida.
– É. Uma semana antes de eu te conhecer, venho sonhando contigo. É um saco, pode apostar. – Abriu a porta do quarto. – Você é tão irritante lá quanto aqui, e isso faz com que seja impossível eu me apaixonar por você. – Saiu do recinto, ignorando o aperto que lhe deu ao pronunciar isso.
Lágrimas começaram a brotar nos olhos prateados. Então, tudo aquilo foi um capricho de Kanda? Mordeu o lábio inferior, não podia fraquejar agora, era aniversário de Yuko, tinha que se mostrar animado. Passou a manga da blusa pelos olhos, sentido-os doloridos pela agressividade na qual usou para secar as lágrimas que quiseram sair. Respirou fundo, levantando-se.
Enquanto isso, Kanda saia a passos apressados para longe de seu quarto, sua cabeça a milhão com as coisas que havia dito. Respirou fundo, passando a mão no rosto, por hora ignoraria toda aquela situação, procurou sua mãe, encontrando-a falando com alguns amigos, bem, depois falaria com ela.
– Como saiu do quarto? – Virou-se, deparando-se com Lavi.
– A Yuko tem mania de trancar meu quarto quando brinca, sempre tenho uma chave reserva pra isso. – Respondeu friamente. – Olha usagi, eu realmente não estou para brincadeiras hoje. É melhor você e o descabelado nem tentarem nada, minha paciência está escassa hoje.
Deu as costas para o ruivo que lhe encarava apreensivo. Lavi olhou ao redor procurando Tyki, ou Allen… Talvez Kanda tivesse feito algo ruim a ele. Foi até o quarto, encontrando-o vazio.
– Lavi-kun? – Yukiko o chamou. – Vamos cantar parabéns agora, chame os meninos pra mim?
– Claro. – Sorriu para a mulher, saindo dali a procura de Allen e Tyki, tão logo os encontrou indo para a cozinha. – Ta tudo bem, Allen?
– Hã? – Virou-se para o ruivo.- Claro que sim! – Deu uma risadinha, Lavi não acreditou muito, mas preferiu ficar quieto.
As pessoas começaram a reunir-se ao redor da mesa com o chamado de Yukiko, onde estava depositado o bolo, atrás da mesa, estava Yuko nos braços do irmão; a garotinha não conseguia esconder sua animação, encarando o doce a frente. Yusuke acendeu a vela que continha o formato do número cinco, indicando a idade feita pela sua filha caçula; tão logo começaram a cantar, ao término, Yuu debruçou-se apenas para Yuko assoprar, apagando a pequena chama da vela.
– Faça um pedido Yuko. – Disse Yukiko, ajudando-a a cortar o primeiro pedaço do bolo.
– A Yuko quer se casar com o Aren quando crescer! – Exclamou animada.
Yukiko deu uma risadinha antes de responder: — Tinha que ser em pensamentos filha… — Colocou a fatia em um dos pratos descartáveis. – Para quem vai ser?
– Você vai ficar chateada se a Yuko dividir entre o Yuu-nii-san e o Aren? – Olhou para a mãe, receosa, sorrindo assim que ela negou. – Vem aqui Aren! – Estendeu os braços na direção do albino, que sorriu indo até ela, pegando-a no colo.
– Parabéns pequena. – Beijou a bochecha da moreninha, que sorriu, abraçando-lhe.
– Tive uma ideia! Yuko, segura o bolo – Entregou o pratinho nas mãos da filha.- Essa foto vai ficar linda. – Sorriu.- Yuu, Allen-kun, beijem a bochecha da Yuko para a foto. – Ambos olharam a mulher que, para ter uma melhor visualização, estava do lado oposto da mesa, com a câmera em mãos. Suspiraram e fizeram o que ela havia pedido, fecharam os olhos, beijando a bochecha da pequena nos braços de Allen, que tinha um lindo sorriso em seu rosto. – Pronto! – Entregou a câmera para o marido, indo cortar o bolo para os outros convidados.
– Pode ficar com o bolo, moyashi.
– Não! Você tem que dividir com o Aren! – Yuko, que agora estava no chão, olhou emburrada para seu irmão mais velho.
– Você sabe que não gosto de doces, Yuko. – Revirou os olhos.
– Mas… — A expressão emburrada deu lugar a uma chorosa, seus grandes olhos negros começaram a ficar marejados, coisa que fez Yuu ficar sem reação, suspirando em seguida.
– Ok, ok… Só vou comer um pedacinho e pronto. – Yuko sorriu.
– Tá!
Yuu voltou-se para Allen, que ainda segurava o pratinho, pegou o garfo que estava ali, cortando um pequeno pedaço levando-o à boca; nesse tempo olhou para o albino, não encontrando seus olhos, que estavam escondidos pelos fios brancos ao estar de cabeça baixa. Deixou o talher de plástico sobre o bolo, vendo que Yuko já havia saído de cima deles. Surpreendeu-se ao ver Allen virar de costas rapidamente, saindo de perto de si.
Deu de ombros, não se importando – ou achando que não se importava.
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Yuu estava sentado no sofá, de olhos fechados apreciando o silêncio que finalmente fazia em sua casa. Mana e Neah ficaram para ajudar a limpar as coisas, mesmo que Yukiko negasse; depois do episódio do bolo, não viu mais Allen ali, talvez tivesse fugido e na primeira oportunidade correu para casa. Desligou as luzes da cozinha e sala, indo para seu quarto, tirou suas roupas, deixando-as jogadas no chão, abriu seu armário, pegando apenas a calça de um pijama qualquer, deitou-se na cama, sobre os cobertores enquanto olhava para o teto branco.
Em sua mente não permanecia nada em específico, bem, queria dizer isso mas seria mentira, se sentia levemente incomodado com a atitude de Allen na festa, porém ele tinha que admitir, a culpa era dele afinal. Todavia, estava completamente curioso para saber o porquê do albino ter aquela reação quando contou sobre os sonhos, ele parecia realmente surpreso pelo seu tom de voz.
Franziu o cenho ao perceber o quão ridículo estaca ao se preocupar com aquilo. Deu de ombros, puxando as cobertas para cima de seu corpo, aconchegou-se melhor em sua cama, não demorando a dormir.
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Na manha seguinte arrumou-se no ritmo de sempre, tomou seu café, brincou um pouco com Yuko e saiu de casa indo à frontal a sua; Tocou a campainha e não demorou para Mana atender, olhando-o interrogativo.
– Ué, o Allen não te chamou?
– Hã?
– Ele saiu mais cedo com o Tyki, pensei que tinha-lhe chamado para ir junto. – Explicou, encostando-se no batente da porta cruzando os braços.
– Ah… Ok então. – Deu as costas, ouvindo Mana se despedir e logo depois fechar a porta.
“Moyashi fresquinho, nem para me avisar que saiu mais cedo, maldito. Perdi meu tempo aqui.”. Xingava Allen mentalmente, chutando qualquer coisa que estivesse em seu caminho.
Chegou na escola indo direto para sua sala, encontrou Lavi falando com algumas garotas, mas o ignorou rumando para sua mesa, jogou sua bolsa sobre esta e se sentou de qualquer forma na cadeira.
Quase cinco minutos depois o sinal bateu e o professor entrou, reconheceu como sendo o primo idiota de Allen. Ele se apresentou como o novo professor de física, a todos sorrisos e simpatia, fazendo as garotas da sala suspirarem. Revirou os olhos, bufando.
Ele não entendia como poderia ter acordado de mau humor depois da primeira noite que teve sem sonhar com o maldito do moyashi. Talvez porque… poderia ser um mau presságio. Tsc, tolice., pensou. Para sua surpresa as três primeiras aulas passaram rápido, seu mau humor estava mais ameno, Lavi não encheu seu saco durante esse tempo, ele estava incrivelmente concentrado na aula de física, depois disso, alheio a qualquer coisa. E isso era bom. Muito bom.
Tranquilamente saiu da sala indo para o pátio, foi para a parte gramada que era a mais vazia, se sentando debaixo de uma árvore qualquer. Dali podia se ver as pessoas na parte coberta, procurando inconscientemente um certo garoto de cabelos incolores. Depois de perceber o que fazia, irritou-se, decidindo começar a se policiar, porém não podia deixar de estranhar o fato de Allen não estar ali, ele costumava ser o primeiro a descer.
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– Você não vai poder fugir dele para sempre. – Tyki disse olhando para Allen que estava encostado no parapeito da janela.
– Eu sei, mas quero enquanto posso. – Daquele lugar ele podia muito bem ver onde Yuu estava sentado. – Acabei de descobrir que ele também sonha comigo, e que ele simplesmente me detesta. – Suspirou.
– Eu ainda estou surpreso. Quase não acreditei quando você me contou sobre esses sonhos.
– Bem irreal né? – Riu.
– Ah não, irreal mesmo é saber que o cara que você ama te deu um fora e você não chorou. – Aproximou-se, colocando uma mão no ombro do menor.
– Eu não sou mais aquele garotinho que chora por qualquer coisa. – Respondeu emburrado, fazendo Tyki rir.
– Estou percebendo isso. – Bagunçou os fios brancos, afastou-se em seguida, pegando três pacotes e entregando-os para Allen. – Como eu previ que fugiria do japinha, comprei para você. – O albino encarou os pacotes de salgadinho com os olhos brilhantes, pulando em cima do moreno em um abraço.
– Obrigado Tyki!! – Largou-o, sentando em uma cadeira abrindo um dos pacotes.
– Maas… Em troca de eu te ajudar a fugir do carinha, você irá-me ajudar a chegar no seu amigo ruivinho. – Um sorriso presunçoso dançava em seus lábios.
– Hein? O Lavi? – Tyki afirmou. – Bem, ele é um idiota e não disfarça que está interessado em você, então não vai ser nenhuma tarefa impossível.
– Sério? – O sorriso aumentou.
– Uhum. – Abriu o segundo pacote.
– Tente faze-lo sair comigo no sábado.
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Assim que o sinal da última aula bateu arrumou suas coisas e saiu correndo da sala, despedindo-se de Lenalee as pressas. Agradeceu mentalmente quando não viu Yuu pelos corredores. Esquivou-se e pediu licença aos alunos que também já saiam, com passos acelerados chegou na sala dos professores, onde Tyki o esperava, esse não deu a última aula então ficou ali o aguardando sair.
– Espera, espera. O Kanda está aí! – Tyki suspirou segurando o riso.
– Então vamos ter que demorar para ir… Que tal irmos para uma sorveteria?
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