Akai Ito

12 Pequenos passos


Notas iniciais
Enfim, estou de volta! Desculpem a demora! Betado pela Shinoda Yuuka.

Preguiçosamente desligou o despertador, arrastando-se na cama até a ponta, levantou-se. Um longo bocejo saiu de seus lábios. Não havia dormido bem naquela noite. Estranhamente estava acostumado com outro corpo a lhe aquecer durante seu sono, envolvendo-o em braços fortes. Bufou, bravo consigo mesmo por ter estes pensamentos.

Espreguiçou-se, rumando ao banheiro. Olhou-se no espelho, os cabelos neve completamente bagunçados, com fios indo para todas as direções. Tinha uma expressão cansada, quase como se não tivesse dormido bem durante a noite. Bom, tinha que confessar que não foi lá uma noite tão bem aproveitada.

Jogou uma água no rosto antes de partir para a cozinha. O café já estava posto na mesa, e Mana tranquilamente lia um jornal enquanto comia uma saborosa maçã.

— Bom dia – falou preguiçosamente, enquanto se arrastava até a cadeira.

— Bom dia, filho. Conseguiu dormir bem?

— Ah... não muito. – E para não dar mais detalhes, enfiou um dos pães na boca. Mana riu de seu jeito, e voltou a ler.

Após comer, voltou para o quarto, trocou-se e pegou sua mochila, retornando à cozinha apenas para pegar seu lanche e despedir-se de Mana. Abriu a porta de entrada, deparando-se com Kanda, que parecia que ia tocar a campainha. Se olharam surpresos até que desviaram o olhar, sem jeito.

— Er.. Oi...

— Oi – respondeu o moreno em um murmúrio.

— Ahn... bem... vamos?

Kanda não deu uma resposta, apenas seguiu andando até a calçada. Trancando a porta, o albino logo o seguiu. Caminhavam lado a lado, num completo silêncio que, diga-se de passagem, era tenso. Evitavam se olhar ao máximo, mas não conseguiam se distanciar. As mãos se roçavam, quase como se quisessem manter um contato. Os dedos se seguravam para logo soltar. Até que Allen, num ato de coragem, agarrou a mão do moreno. Yuu olhou para o garoto, surpreso e notou que este tinha as bochechas completamente rosadas. Sorriu de canto, correspondendo ao agarre, segurando a mão deste com firmeza.

Permaneceram quietos até chegarem na escola. Enquanto avançavam para a sala, não ligaram para os olhares dirigidos de forma preconceituosa. E só soltaram as mãos abruptamente quando Lavi e Lenalee apareceram, com o ruivo pulando sobre os dois pelas costas.

— E ai!

Uma veia saltou sob a testa de ambos. E uma dupla cotovelada no estomago do ruivo fora o responsável por fazê-lo se soltar e cair no chão gemendo de dor.

— Vocês são tão brutos!

— Você mereceu, Lavi – disse Lenalee.

— Até você, Lena! – lamentou o ruivo. – Mas eu só os cumprimentei!

— Ai, Lavi... – A garota pôs a mão na testa.

Allen e Kanda reviraram os olhos e voltaram a seguir rumo as suas salas, despediram-se em um aceno e entraram. Lenalee e Lavi logo os seguiram.

Quando a garota sentou ao lado do albino, já lhe sorriu de canto, com cara de quem queria saber todos os detalhes. Walker corou, desviando o olhar.

— Depois eu conto...

— Certo — cantarolou Lee.

Então as aulas seguiram normalmente, mas não para Allen. Ah não, para ele as horas pareciam se arrastar. Os segundos eram minutos, minutos eram horas, e cada hora parecia um dia. Deuses, ele estava dramatizando, porém não via o momento em que o intervalo chegasse. Por alguma razão, ansiava estar perto de Kanda. Queria vê-lo.

Todavia, sabia que Lenalee ficaria em cima de si o resto do dia para saber o que fora aquele dar de mãos no começo da manhã. E certamente tudo o que aconteceu no feriado. Ahh, mas ele não sofreria sozinho! É claro que não! Lavi estava ali para isso. Com certeza falaria da situação do ruivo com seu primo, e faria a morena parar de prestar a atenção somente em si.

Mal notara quando o sinal bateu anunciando seu tão esperado momento. Fora acordado de seus devaneios por sua amiga. As pressas, pegara o obento feito por seu pai e a seguiu porta a fora. Encontraram Yuu e Lavi os esperando no corredor. O moreno tinha a expressão fechada e o ruivo tentava de todas as formas conversar com o outro. Estava claro que Bookman estava apenas o irritando.

— Lavi! Não encha o saco do Kanda! Depois reclama quando ele te bate! – brigou a morena, beliscando o braço do ruivo.

— Ah! Mas Lena! Olha essa carinha de bravo dele! Não é uma fofura? – Fez menção de apertar as bochechas do moreno, porém antes que o fizesse, teve os pulsos segurados pelo japonês. Seu olhar prometia uma morte dolorosa e lenta. – Hehe, é brincadeirinha, Yuu...

Allen apenas riu e balançou a cabeça. O Bookman não tomaria jeito.

Kanda estalou a língua, largando o pulso do ruivo e liderando em passos duros o caminho a qual seguiriam para o pátio, os outros três o seguindo um pouco atrás, com Lenalee ainda dando bronca em Lavi.

Sentaram-se numa das mesas espalhadas pelo local, com a morena puxando o Bookman para que se sentasse do seu lado deixando Allen e Yuu juntos, o albino olhou feio na direção da morena, que sorriu inocentemente. Revirou os olhos, abrindo o obento, lambendo os lábios com a comida feita por seu pai. Cantarolava enquanto comia as iguarias deliciosas, não se incomodando de prestar atenção na conversa entre Lavi e Lenalee. Kanda estava quieto, como sempre, na sua, apenas observando o menor comer, que quando levantou o olhar e virou o rosto, notou a atenção sobre si. Apenas piscou algumas vezes e depois levantou o hashi.

— Quer? – Ofereceu a omelete que segurava. Kanda apenas abriu a boca, e Allen não negou em lhe dar o alimento

— Gostoso.

— Não é? – Sorriu. – Meu pai cozinha muito bem! Quer mais? – Estendeu o hashi mais uma vez, com Kanda mordiscando a comida.

— Ahh, esses passarinhos no amor... – disse Lavi.

— São tão bonitinhos esses dois! – Lenalee focou a câmera do celular na direção do casal.

— Allen~ se continuar a dar atenção só para o seu namorado eu vou ficar com ciúmes! – O albino ficou com as bochechas levemente coradas e olhou irritadiço para o ruivo.

— Pode deixar, eu chamo o Tyki para você ter atenção. – Sorriu vitorioso quando viu que o ruivo corara forte.

— A-Allen! – Ouviu-se uma risada soprada por Kanda, e uma Lenalee que olhou para os três extremamente curiosa.

— Te conto depois. – Allen sussurrou a ela. O assunto fora cortado quando Yuu colocou um braço sobre o ombro de Walker.

— Oe, me dê mais.

— Folgado. – Fez bico. – Pegue você! – Mas apesar do que disse, estendeu o hashi novamente para o maior.

.:.:.:.:.

A saída para a escola fora tranquila, depois de despedirem-se de Lavi e Lenalee, Kanda e Allen partiram para suas casas, mas ao contrário do episódio da manhã, eles não hesitaram em dar as mãos e seguir assim o resto do caminho. Chegaram primeiramente na casa dos Kanda, com Allen sendo convidado a entrar por Yukiko.

Sem jeito, o garoto aceitou. Sorrindo quando Yuko o viu, gritou e correu em sua direção, abraçando-o pelas pernas.

— Aren!

— Olá, princesa. – Sorri para a menina, a pegando no colo.

— Ficará para o almoço, Allen-kun? – Yukiko ofereceu.

— Ah, não. – Corou. – Obrigado, mas hoje meu pai e eu decidimos almoçar fora. Vim somente dar um oi.

— Tudo bem. Cuide-se, querido.

— Tchau, Aren!

Acenou para as duas, seguindo para a porta de entrada, notou então que Yuu o seguia, quieto. Sorriu levemente para ele.

A porta foi fechada atrás do moreno, que o olhou sério.

— Até amanhã, Kanda.

Ousadamente, aproximou-se dele, ficando na ponta dos pés e beijando seus lábios em um selar. Sorriu novamente, não esperando qualquer reação dele, correndo até sua casa a frente.

— Pai? – Entrou dentro de casa, sua voz soando pelo ressinto, ouvindo a resposta vindo do quarto. Foi então a caminho desta.

— Oi, filho! Já estou descendo. Prefere trocar de roupa antes de irmos? – Mana virou-se em sua direção, sorrindo e passando a mão em seus cabelos.

— Farei isso. – Beijou o rosto do mais velho, partindo para seu próprio quarto.

Deixou a mochila largada perto da cama, abrindo o guarda-roupa e escolhendo uma veste simples. Encontrou Mana parado na porta quando terminou de se trocar.

— E o tio Neah?

— Vamos nos encontrar com ele no restaurante.

— OK.

Foi através de uma mensagem que Mana mandou a Allen que soubera desse almoço, ainda sem entender o motivo disso, mas quem era ele para negar comida, não é?

Saíram de casa a pé mesmo, afinal, era um restaurante familiar próximo dali e conhecido deles. O caminho fora feito numa conversa descontraída sobre o livro que Mana estava escrevendo, o mesmo dizia não ter fim, causando risos no filho.

Pararam em frente a porta do restaurante, com Allen logo avistando o tio e seu primo sentados em uma das mesas.

— Tyki! Não te vi hoje na escola! – O português apenas sorriu de lado.

— Oi, shounen. Tive que resolver umas coisas hoje, com meu pai. É o motivo de estarmos aqui. – Allen olhou para os dois, desconfiado, mas sentou-se ao lado de Mana.

— O que vão pedir? – Não tardou de um garçom aparecer, após ser chamado.

Com os pedidos feitos desataram a conversar, apenas esperando. Allen falou sobre o dia da escola, e os demais ainda mantendo segredo sobre o ocorrido do dia deles, emburrando o albino e o fazendo pensar em mil hipóteses com sua mente fértil.

Contudo não foi nada do que imaginara.

Quando já estavam degustando da comida, em silêncio, Neah soltou a bomba.

— Conseguimos um apartamento. – Allen olhou a princípio sem entender, mas então arregalou os olhos quando a ficha lhe caiu. – E enfim consegui o término da minha transferência para cá.

— Ah! Isso é ótimo, tio Neah! – Sorriu largamente. – Mas... Era isso? Vocês estavam fazendo todo esse suspense por isso?

— É! – O albino acabou por gargalhar.

— Não acredito. Por que tudo isso?!

— Bom, achei que ficaria feliz em ter seu quarto de volta... Afinal, é sempre bom ter privacidade quando se está namorando – falou Neah, e Allen sentiu seu rosto todo esquentar. Não, ferver mesmo.

— T-tio!

— O que? Eu disse algo errado? – Neah realmente não parecia entender. O mais jovem Walker escondeu o rosto em suas mãos, gemendo vergonhosamente.

— Acho que ele e o japonês turrão não se assumiram ainda. – Tyki soltou o comentário, sorrindo sádico com o desconforto do primo.

— Parem com isso! – choramingou, seu rosto ainda totalmente vermelho.

— Ora, filho, é extremamente normal querer intimidade quando você gosta de alg- — Sua fala fora cortada por Allen enfiando a comida em sua boca.

— Chega! – Os três ficaram um minuto em silêncio antes de rir alto. Allen afundou-se na cadeira, desejando sumir.

No fim ao almoço ainda se seguiu com Allen sendo alvo da maioria das falas deles, não deixando o menino em paz em nenhum momento sequer.

Quando enfim foram para casa, o albino se trancou no quarto, mandando Tyki pastar e dormir na sala aquela noite. Jogou-se na cama, afundando o rosto no travesseiro. Ele e Kanda namorando... Quem dera fosse isso. Eles estavam apenas nesse chove e não molha que o irritava. Uma hora o moreno parecia o querer, para logo afasta-lo com palavras rudes e cara feia.

Suspirou, virando o rosto e pegando o celular. Nas notificações mostrava uma nova mensagem, seu coração bateu acelerado, pôs a mão no peito e desbloqueou a tela... era Lenalee. No mesmo instante murchou. Quando se tocou do que aconteceu, quis se bater. Não podia ser assim com sua amiga!

Lenalee

Allen-kun! Fale já tuuudo o que aconteceu!

Você tá me deixando louca com essa curiosidade!

O albino gargalhou, imaginando o desespero da chinesa. Ainda mais pela sua demora a responder.

Lenalee

Desculpa a demora para responder!

Fui almoçar com meu pai, num restaurante. Cheguei agora.

Vou te ligar, ok?

Melhor do que por mensagem.

Mas é claro!

Respirou fundo, clicando no número da morena. Nem bem tocou uma vez e a mesma já atendeu, parecendo desesperada.

Solta agora as fofocas!

Ai, Lena – gargalhou, deitando-se de costas na cama, olhando para o teto. – É tanta coisa que nem sei por onde começar. Ou melhor. É tudo muito confuso.

Vai falando o que der na telha. – Ela respondeu, dessa vez mais calma.

— Ah... Você sabe, Kanda e eu meio que brigamos na festa da Yuko-chan... Ele disse que também... sonhava comigo. – Sua voz abaixou o volume. – A gente se beijou, mas logo ele foi muito rude comigo. Disse que fez isso para provar aos sonhos que eles não o controlavam. – Suspirou, a chateação por aquele momento voltando.

Oh, Allen...

— Eu fiquei bem chateado. De verdade.

Ah! Foi por isso vocês não se trombavam na escola... Faz sentido.

— Sim. – Abraçou o travesseiro. – Aí um dia eu estava na casa do Lavi, a gente conversava sobre o encontro dele com o Tyki e-

Pera ai!! Lavi está saindo com Tyki-sensei?! E ele não me disse nada! – Ela soava indignada, bufando e causando risadas no menor.

— Sim... Bom, acho que ele não falou nada por medo, sabe. Mas depois entro nesse assunto.

OK. – Ela parecia contrariada, mas ainda curiosa. – Continua.

— Então, ele falava do encontro e depois disse que gostaria que Kanda e eu nos resolvêssemos. E para me animar, Lavi começou a em fazer cócegas... e piorando ainda mais a situação o Kanda entra no quarto. O clima ficou bem tenso. E.. – Mordeu o lábio, mesmo que Lenalee não pudesse lhe ver, corou e virou o rosto. – Eu fiz merda. A gente discutiu e eu... beijei o Lavi.

Você o que?!

— Eu beijei o Lavi! Para irritar o Kanda.

Ai, Allen! Você realmente sabe piorar as coisas!

— Eu estava irritado, Lena! – Ela bufou, desdenhando. – É sério. Brigamos feio. Comecei a chorar e disse que não queria olhar na cara dele. Mas isso não durou, né. Os pais de Yuu dera a ideia de viajar, convidaram meu pai, meu tio, Tyki e eu. Para não sofrer sozinho arrastei o Lavi. – Lenalee riu. – Mas no fim acabei no mesmo carro que Kanda.

E aí?

— A gente não se falou.. – Fez bico. – Assim que chegamos fomos limpar a casa... E bem, Kanda e eu ficamos em cargo de arrumar os quartos e... – Corou novamente. – A-a gente se beijou, sabe. Hm... Eu caí, ele me ajudou e quando vi... estávamos nos beijando

Ai, meus deuses!— A garota surtou. – Continua!!

— Não aconteceu muita coisa porque a Yuko-chan apareceu. Ela bateu na porta e nos separamos. – Ouviu Lenalee praguejar. – Lavi e eu passamos o dia provocando o Tyki e Lavi, fazendo ciúmes mesmo sabe. – Riu. – A noite Kanda me arrastou para o mesmo quarto sem dar escolha de trocar... daí quando fomos dormir, Kanda veio tirar satisfação. Ele...

Ele?

— Ele me beijou e... depois eu falei que era difícil lidar com ele assim, difícil gostar dele. Bom, ele me pediu desculpas. Yukiko-san apareceu e fomos dormir em seguida. – Pôs a mão no rosto, sentindo-o esquentar de novo. – Ai, Lena... Pra piorar eu tive aqueles sonhos de novo... mas dessa vez foi diferente.

Diferente como?

— Er.. bom... no sonho eu... no sonho... kanda e eu fazíamos... sexo.

— Ohh!!

— Acordamos e.. eu acho que ele teve o mesmo sonho que eu. – Mordeu o lábio, respirando fundo e se lembrando daquele dia nitidamente. – Porque, bem, a gente não chegou até o final...

— Como assim não chegou até o final?— Ela logo ofegou. — Não me diga que vocês...

— Sim... – respondeu amuado.

Não acredito!! — A garota gritou. – Isso faz sentido! Essas marcas no seu pescoço e-

Elas estão visíveis?! – Allen levantou desesperado da cama, indo para o banheiro e vendo o pescoço ainda cheio de pontos vermelhos. Gemeu. – Por isso todo mundo estava me zoando no almoço. Não acredito. – Lenalee apenas riu.

Algo mais aconteceu na viagem?

— Não. Kanda e eu nos beijamos mais algumas vezes, mas mais nada aconteceu. Ah! Mentira! Na verdade, paramos num restaurando quando voltávamos para casa, duas meninas chegaram em mim e Lavi. Kanda e Tyki tiveram a cara de pau de falar que éramos namorados deles!

Não acredito!

— Juro! — Jogou-se na cama novamente, suspirando. – Eu acho... que vou contar dos sonhos para ele. Para Kanda.

Acha que isso é o melhor? Ou certo?

Sim, eu... eu acredito que não deveria fugir disso, desses sonhos. Eu tenho que aceitá-los. Realmente acredito que é como mostrou-me naquele site, Lena. Eu sonho com uma vida passada em que Kanda fazia parte. E algo me diz que eu devo sentar e conversar com ele.

Eu vou te apoiar em tudo, sabe disso, né?

Eu sei, obrigado. – Sorriu.

Ele realmente tinha uma amiga incrível.

Mas era como de fato pensava. Aqueles sonhos queriam dizer algo. E provavelmente era referente a promessa que aconteceu no primeiro sonho que teve. Talvez Kanda e ele estivessem destinados a ficarem juntos e fugir disso seria somente pior.

Allen não acreditava que aquilo ditava o que sentia pelo japonês. Não. Sabia que o aquecer em seu peito, o coração acelerado, as bochechas rosadas eram legitimamente seus. Contudo não poderia negar que era complexo, tudo aquilo.

Todos aqueles sentimentos e memórias de uma vida passada.

Kanda e ele eram alma gêmeas. Um clichê, ao mesmo tempo que era algo incrível.

E, convenhamos, Allen não queria fugir daquilo. Ah, não mesmo. Gostava do moreno, gostava de ficar perto dele, e quando o mesmo agia de forma decente para consigo, amava. Queria abraça-lo todo dia, beija-lo, dizer que gostava dele sem o menor medo...

Finalizou a conversa com Lenalee, deixando o celular de lado.

Mas não negaria que tinha um pé atrás com isso... E se Kanda decidisse que não quer isso para si? Quer recusar os sonhos, o destino, recusar o que talvez possa sentir por ele...

Mordeu o lábio inferior, franzindo o cenho numa feição dolorosa. Abraçou o travesseiro, fechando os olhos. Não queria isso. Queria Kanda sempre consigo. Mas se este o rejeitasse... Allen não saberia como reagir.

Sem notar, seu corpo foi relaxando na cama e então... adormeceu.

— Nee... Yuu... – chamou-o em um sussurro, para não quebrar a paz silenciosa do quarto, olhando o moreno de costas para si.

— Que é? – respondeu ainda sem se virar para olhar o menor.

— Em nossa próxima vida, você iria querer que fossemos amantes?

— Tsc, se eu já me arrependo de ser seu amante nesta vida, para que eu iria querer na próxima? – Por estar de costas, ele não viu a expressão de choque no rosto de Allen.

— Ah, é né.. Eu sou bem chato. – Riu nervosamente, um sorriso triste se desenhou em seu rosto. – Mesmo que você não quisesse... – Kanda abriu os olhos, atento ao notar o tom chateado na voz do albino. – Eu gostaria muito que fossemos amantes numa próxima vida. – Encostou suas mãos hesitantes nas costas do moreno, com medo de sua reação. – Bem, vou para meu quarto, não interromperei seu sono mais.

Allen se levantou da cama, pegando suas roupas, se trocando apressadamente no intuito de sair logo dali, nem notando que Kanda havia se virado e o olhava.

Pelo fato de a luz do corredor sempre estar acesa, antes de Allen sair, fechando a porta em suas costas, o moreno notou as lágrimas escorrendo pela face branca. (...)”

.:.:.:.:.:.

“ (...) Irritado ao ver aquela expressão no rosto do menor, Kanda suspirou em desagrado, se virando para a parede novamente, tentando dormir. Não adiantaria nada se preocupar por aquilo.

Algum tempo se passou, encucado, ele não conseguia de forma alguma adormecer. A feição sôfrega de Allen atormentava sua mente impossibilitando qualquer forma de dormir.

Ainda mais irritado, o moreno apenas colocou sua calça, saindo de seu quarto ele foi para o de Allen, notando que a porta não estava trancada. Entrou, logo avistando Allen deitado em sua cama, seu rosto marcado pelas lágrimas.

— Tsc, moyashi idiota. Você deveria parar de acreditar em tudo o que digo. – Se sentou na cama, acariciando o rosto ainda úmido.

Kanda segurou as cobertas, se deitando ao lado de Allen, puxando-o para seus braços, dando-lhe um singelo beijo na testa.

— Não tem coisa que me deixaria mais feliz do que ser a causa de seus sorrisos em nossa próxima vida. – Sussurrou, fechando seus olhos, se entrando ao mundo dos sonhos tranquilamente.

Ainda dormindo, um sorriso se desenhou nos lábios do menor, suavizando sua expressão, ele abraçou o moreno, se aconchegando em seu peitoral. Enfim num sono calmo. ”

Os orbes negros abriram-se lentamente notando o brilho no quarto de um céu crepuscular. Sentou-se na cama, passando a mão pelos cabelos soltos, suspirando. Havia adormecido em algum momento. Fitou a janela, contemplativo. Este sonho fora... inusual. Mas por que será que não se surpreendia? Afinal... parecia que só fazia Allen sofrer com sua negação.

Fosse em sonho, fosse na vida real.

Olhou para suas mãos, apertando-as. Estes sonhos... Diziam-lhe algo. Sabia disso, mas não conseguia entender o que.

Já era hora de parar. Parar de fazer o menor chorar por sua culpa. Parar de negar seus sentimentos... Eles tinham que conversar. E não era algo que deveria continuar adiando. Não sabia como o albino reagiria. Ele já havia falando levianamente dos sonhos, mas será que Allen havia prestado atenção? Yuu não sabia.

Deveria conversar com sua mãe.

Porque... Ele queria segurar Allen todo dia como naquele feriado. Abraça-lo e beija-lo quando quisesse. E também o fazer sorrir.

Realmente era hora de parar de fugir.

Notas finais
Oi, xuxus. E aí, o que acharam? Eu super agradeço às mensagens de apoio que o pessoal do social me deu. Foi graças a eles que eu to aqui hoje. O fandom no Nyah só tá me deixando pra baixo. Só estou postando aqui porque sei que tem gente que lê por aqui e eu quero tê-lá também finalizada. Mas a vontade é bem zero. E com isso eu dou uma mensagem... Akai está perto do seu fim! Talvez mais três ou quatro capítulos e ela será concluída! Esse capítulo eu já terminei hoje e foi betado hoje! E ainda por cima já comecei o capítulo seguinte e pode ser que eu o termine amanhã. Mas ainda não o postarei. Comentários são amor! Ah, DPF ainda vai ficar num pequeno hiatus, porque como eu já estou com akai na reta final, vou focar nela primeiro e depois darei minha atenção para DPF e MFV! Obrigada a todos por lerem e não esqueçam de comentar! Tschüss!