Akai Ito
13 Decisões
No fim duas semanas haviam se passado. Nem Kanda e nem Allen tiveram coragem para tomar o primeiro passo. Mesmo que a conversa com Lenalee tenha ajudado o jovem Walker a esclarecer e decidir-se, toda vez que via o moreno sua mente mudava o foco. Eram os beijos leves que trocaram mais algumas vezes, as mãos dadas no caminho de ida e volta da escola, os abraços esporádicos sempre que estavam a sós...
Tudo isso alterava os seus pensamentos de uma forma que brigava consigo sempre que estava sozinho. Como podia ser tão fraco e suscetível ao maior?! Mas... como resistir àquele sorriso? Aquele olhar carinhoso? Aquelas mãos que lhe tocavam com tanto zelar?
— Kanda realmente quer acabar comigo... – sussurrou para si mesmo, olhando para o teto de seu quarto, a mão apertando a camisa no peito esquerdo. Seu coração batia acelerado na lembrança de todos aqueles momentos.
Eles pareciam estar num relacionamento sério, mas com toda aquela hesitação por parte dos dois... Allen não conseguia sentir que realmente estavam. Todos, até mesmo na escola, acreditavam que sim, eles namoravam. Certo, não é como se os dois tentassem esconder algo.
Kanda lhe roubava beijos sempre que queria. Allen deixava que o maior o abraçasse ou deitasse em suas pernas. Allen era o único no qual Kanda realmente não gritava ou lançava olhares de ódio – Lavi ultimamente parecia ter vontade de morrer, provocando o moreno toda vez que o via. Allen também levava mais comida em seu obento, dividindo tudo com o moreno... De fato parecia um namoro.
Mas eles não estavam na mesma página. Eles não sentaram e conversaram apropriadamente sobre seus sentimentos e os sonhos, e Allen sentia e via que isso estava sendo um empecilho.
Espalmou as mãos em suas bochechas, o cenho franzido.
— Não posso acovardar! – falou para si mesmo
Restava somente ver o dia que conversaria com ele. Allen tinha até que confessar, temia um pouco, tudo isso. A conversa ao mesmo passo que o aliviaria, assustava-o sem saber como Kanda reagiria. Será que seria ruim? Ou bom? Eles entrariam num consenso sobre os sentimentos de ambos e realmente engatariam num relacionamento? Ou Kanda ficaria irritado e terminaria qualquer coisa?
Eram tantas suposições – a maioria pessimista – que Walker realmente acabava por ficar com um pé atrás.
Mal ele sabia que Yuu passava pelo mesmo martírio que ele, encarando furiosamente a tela do celular, na qual estava aberta com uma imagem de Allen tirada no dia do feriado, por sua mãe. A mesma fizera questão de passar todas, todas mesmo, para o moreno.
Se ele tivera coragem para apagar? Negativo. Nem sequer tentou, sabendo muito bem que fracassaria. Allen estava lindo em cada foto tirada, quem era ele para apagar se estava gostando?
Encarou a imagem que o albino sorria largamente para a câmera com Yuko no colo... Esse sorriso... Estava vendo com frequência. Apesar de notar que muitas vezes Allen se tornava pensativo, ele lhe sorria assim, todas as vezes. Na escola, em sua casa...
Suspirou.
Sabia que isso se devia ao fato de não ser mais um completo idiota com ele. Até mesmo sua mãe estava menos chata com isso, não pegando no pé dele. Ela via quando Allen ia até a casa deles, e quando estavam no sofá, com Yuko ou não, Yuu ficava tranquilo, o abraçava e não falava nada de forma ríspida.
Claro, com dos dois sendo eles mesmo, eles brigavam direto, mas não era nada que os ferisse sentimentalmente. Eram brigas como “ eu que queria comer isso! ” quando Kanda pegava algo que restava do obento de Allen. Ou “ Não, esse filme é melhor! “ quando decidiam ver algum filme no dvd e Allen escolhia algo com lição de vida e Yuu sobre lutas... Eram coisas tolas, que ainda os faziam se encarar com raiva e tão logo estarem se agarrando sobre o sofá.
Era... divertido, Yuu não podia negar. Esse dia-a-dia com o albino o fazia até mesmo dormir melhor. Fazia até mesmo seu humor algo mais tolerável. E isso as vezes o fazia se sentir um idiota.
Sorria para algumas mensagens de Allen, mesmo sendo “vizinhos”, ainda se ligavam quando não estavam juntos, com ele ou o menor ligando principalmente na hora de dormir. E não querendo admitir, mas já o fazendo, ouvir a voz macia de Allen, baixinha pelo sono, quando já estava deitado fazia maravilhas em seu sono, principalmente que isso ajudava na questão dos sonhos.
Talvez fosse porque estavam se dando bem, mas não sonhava mais com tanta frequência. Isso não o assombrava mais todas as noites. E quando tinha, eram sempre dias tranquilos.
Não era mais todo aquele teor sexual de antes... Ou até mesmo os dias em que feria Allen. Não. Eram coisas tolas como os dois andando numa rua que não conhecia, de mãos dadas e conversando. Ou no que parecia num refeitório, conversando com Lavi e Lenalee – ele se surpreendeu quando viu os dois a primeira vez.
Talvez fosse um sinal... que dias melhores viriam. A calmaria depois da tempestade.
Apenas... restava tentar falar com Allen tudo o que sentia. Mas era tudo tão complexo.
A tela do celular bloqueou-se sozinha, apagando-se lentamente até o fazer. Suspirou, passando a mão no rosto.
— Yuu. Está tudo bem? – Virou-se na direção da porta, encontrando Yukiko encostada no batente.
— Sim, por quê?
— Está tão sério... – Ela se aproximou, sentando-se cuidadosamente sobre a cama. – Quer conversar?
O garoto ficou quieto por alguns instantes, mas Yukiko não forçou, ela sabia que Yuu apenas estava organizando seus pensamentos. Quando o moreno deitou em suas pernas, com o rosto sutilmente corado, a mulher sorriu.
— Lembra... daqueles sonhos que eu te falei?
— Sim.
— Você disse que talvez eles poderiam ser um sinal de algo... Eu... acho que concordo com isso... – Yukiko começou a mexer nos cabelos longos de seu filho, esperando paciente o que ele queria dizer. – Allen e eu tivemos algumas desavenças até meio que nos resolvermos naquele dia da viagem... Mas eu sinceramente não sei o que fazer.
— Você já pensou em conversar com ele sobre os sonhos?
— Já. Bom, eu meio que já falei sobre isso para ele. Mas como brigamos, não sei se ele entendeu ou não. – Suspirou. – A gente está se dando bem esses últimos dias, então... eu não sei como abordar isso.
— O que você sente pelo Allen-kun, Yuu?
— Eu... gosto dele.
— E você acha que esses sonhos de alguma forma te controlam?
— Não. No começo eu achei, mas agora... eu sei que é genuinamente meu. – Ele se sentou, mordendo o lábio.
— Acha que é reciproco?
— Eu tenho certeza... Allen meio que se confessou para mim. Na viagem também.
— E o que te faz hesitar?
— E se as coisas mudarem? E se a gente se afastar? – Yuu passou a mão no cabelo, jogando a franja para trás. – Me sinto um idiota com essas inseguranças.
— Isso não é idiotice, Yuu. Isso só mostra que você é humano. – Yukiko segurou a mão de seu filho, olhando-o nos olhos. – Eu fico muito feliz em te ver gostando de outra pessoa assim. Te ver com o Allen-kun me dá uma sensação de alivio. Filho, eu sei como você é com outras pessoas, e eu sempre temi que você as afastasse sem se dar uma chance de ser feliz! – Ela soltou sua mão, colocando-as no rosto do moreno. – E se as coisas mudarem para melhor? E se vocês se aproximarem ainda mais? Pense positivo.
— Está bem.
— Eu acredito que vocês dois tem um futuro longo juntos. Nesta e nas próximas vidas. – E sorriu. – Você realmente não sabe como me aquece o peito ver os dois juntos. Porque eu sei que Allen-kun vai cuidar de você quando eu não estiver por perto. Ele vai zelar por você, em meu lugar, mas como seu namorado. Até quem sabe num futuro, seu marido. – Acariciou a face do outro. – Se permita ser feliz, Yuu! E se você acredita que Allen pode te fazer assim, vá atrás dele! – Yuu olhou para sua mãe, sorrindo levemente para esta. Mesmo não sendo dado a carinhos, abraçou-a longamente.
— Obrigado, mãe.
— Estou aqui para isso. – Ela lhe devolveu o abraço. Mas Yuu logo se afastou quando a ouviu fungar.
— Mãe...?
— Oh céus, — Ela passou a mão no rosto, sem esconder o leve choro. – meu bebê está crescendo!
— Mãe! – E Yukiko riu.
— Desculpe, mas é que... – Ela fungou mais uma vez. – Eu realmente... realmente estava preocupada. – E parou de sorrir, seu choro se tornando mais intenso. – Eu sei que você só tem 18 anos, mas... Você sempre foi tão isolado dos outros. Nunca deixava nenhuma criança se aproximar. Nunca namorou. Nunca quis ninguém além de nós aqui de casa. – Escondeu o rosto em suas mãos. – Te ver sorrir e ficar tão relaxado ao lado de Allen-kun me fez tão feliz! Te ver interagir com Lavi-kun também! Eu sei que tem mais uma menina no seu grupo, Allen-kun me falou dela também, a Lenalee-chan. Te ver sair dessa casca auto imposta.... Me deixou tão aliviada. – Yukiko limpou as lágrimas. – Deuses, eu tenho que agradecer a Allen-kun. – E riu. – Vou fazer um monte de dango para ele!
Ver aquelas lagrimas em sua mãe o fez realmente notar como havia preocupado seus pais. E isso o ajudou a se decidir.
Falaria com Allen. Falaria apropriadamente sobre seus sentimentos e seus sonhos.
Agarraria aquela felicidade com todas as suas forças.
.:.:.:.:.
— Aah~ Allen me abandonou... E a Lena também. – Lavi fez bico, mexendo em um jogo qualquer em seu celular. – O Yuu nunca me responde também. Que tipo de amigos são esses!?
— Se tem tempo para ficar à toa, vai estudar. – Um livro caiu em seu rosto.
— Ai! Velho!! – gritou com seu avô, que passava atrás do sofá, a caminho da cozinha. – Isso é maldade!
— Para de choramingar e vai ler. – Massageou seu nariz dolorido, pegando o livro que agora estava em seu colo. Era algo de história. Bufou. Seu avô era realmente apaixonado por história.
Sem realmente ligar, deixou o celular de lado e abriu o livro. Mas logo na primeira página desistiu. Sua mente não estava focando no que estava escrito.
Desde a volta da viagem estava evitando Tyki. Certo, havia sim gostado de sair com ele, mas... se era algo passageiro, apenas uma brincadeirinha perigosa entre professor e aluno, não tinha o menor interesse. Não arriscaria a carreira do moreno e justamente seu último ano na escola com isso.
Porque os caras bonitões e gostosos tinham que ser tão imbecis? E Lavi contava com Kanda também. Ele podia muito bem estar um cara decente agora, mas ele já fez Allen chorar, e isso era imperdoável! Ele teria que batalhar muito para conseguir seu perdão!
Céus, e pensando em Tyki, realmente desistiria. Não ia se deixar ser enganado. Aah~, Lavi gostava de homens, sim. Mas era um bissexual com uma preferência maior por mulheres, e deveria ficar no foco só delas. Só encontrava homem que não presta, era incrível.
Em seu primeiro ano namorou um sênior na escola. Achava que o cara gostava de si e namorariam por tempos... Até descobrir que ele fez por aposta. E que saia com outras duas garotas ao mesmo tempo que ele. Foi de arrasar seu coração. É claro que ele ficou irritado. As pessoas eram horríveis quando queriam ferir alguém. Por isso não se deixaria ser abatido por Tyki!
— Ei, Lavi!
— Que é?!
— Vá ao mercado, precisamos de algumas coisas para fazer o jantar!
— Que saco, velho. Vai você! – E teve uma carteira jogada em sua testa.
— Para de reclamar e vai logo. Coloquei uma lista e o dinheiro aí dentro.
— Velho louco.
Saiu de casa, com as mãos no bolso e andando desleixadamente. Murmurava para si mesmo, reclamando da agressividade de seu avô. O mercado também não era longe, assim não demorou para chegar lá, mesmo andando devagar.
Pegou uma cesta, sacando também a carteira para ver a lista que seu avô lhe fez. Andou pelos corredores, pegando tudo o que precisava. Até que parou no setor dos doces. Contou o dinheiro que havia recebido, e riu maliciosamente. Teria suficiente para comprar algumas besteiras.
Um sorriso adornou seu rosto, sem dó selecionando o que queria. Parou em frente aos chocolates, pensativo sobre qual levaria. Pôs a mão no queixo, os olhos em pequenas frestas. Essa era uma dúvida cruel.
— Isso tudo é uma dúvida sobre qual levar? – Mesmo com aquele sussurro ao lado de sua orelha, o que lhe arrepiou mesmo fora a risadinha. Engoliu em seco, colocando a mão sobre a orelha, virando-se alarmado.
Era Tyki.
— O-o que faz aqui?
— Bom, isso é um mercado. As pessoas vêm comprar coisas aqui. – Ah, essa resposta o havia irritado.
— Eu digo o que faz neste mercado. A casa de Allen fica do outro lado.
— O shounen não te disse? Eu me mudei. Faz uma semana e meia...? Acho. – E deu de ombros. – O mercado mais perto é esse.
— Hm... – Lavi respirou fundo, limpando sua expressão, pegou qualquer um dos chocolates, passando por Tyki sem dizer nada.
Seguiu direto para o caixa, passando as compras e pagando. Ajeitou as compras em ambas as mãos, saindo de lá. Só não contava que Tyki fosse o seguir.
Mordeu o lábio, franzindo o cenho. Isso estava lhe deixando de mau humor. E prosseguiu assim por mais alguns passos, até não aguentar mais, virando-se para o maior.
— O que você quer?
— Por que está me evitando? – Tyki foi direto.
— Não estou.
— Está sim. – Lavi acabou por suspirar. Se não fosse as compras pesadas, colocaria uma mão na testa. Sentia uma dor de cabeça vindo.
— Olha, Tyki. Chega, ok? Chega. Isso não é brincadeira e eu realmente cansei. Não temos nada, eu não quero nada. Foi legal aquele encontro, foi, mas não vou ferrar nossas vidas apenas por uma aventura. – O ruivo encarou Tyki seriamente. Ele viu Tyki passar a mão no cabelo bagunçado, suspirando profundamente. O moreno acendeu um cigarro, parecia irritado.
— Eu quero sentar e conversar direito com você. Podemos? — Lavi o olhou por alguns instantes, antes de acenar hesitante.
— Vou deixar isso em casa.
— O acompanho.
E então passaram a caminhar em direção a casa de Lavi. Durante o curto percurso não disseram nada, o clima pesado e tenso entre os dois. Ao chegar, Tyki esperou do lado de fora enquanto o ruivo rapidamente entrou, avisando ao avô que sairia com um amigo. Aproveitou e pegou seu celular, nunca se sabe quando precisaria dele.
Novamente eles não trocaram nenhuma palavra. Num aceno o ruivo sinalizou que poderiam ir, sendo assim Tyki liderou o caminho até seu apartamento. Lavi evitou ficar tão perto dele e também olhá-lo. Ele não tinha culpa alguma se Tyki era um homem tão bonito e charmoso.
Era ainda mais notável pelas mulheres – e alguns homens – que não escondiam o rubor, sorrisos, ou gestos na direção do moreno. Isso apenas deixava claro para o mais novo como o outo jamais seria para seu bico. Ora, não é que Lavi tivesse uma baixa autoestima ou qualquer coisa assim, mas como negar que Tyki, sendo lindo como era, poderia arranjar quem bem quisesse? Por que justamente se envolver com seu próprio aluno, o que lhe acarretaria problemas se descoberto?
Além, é claro, do fato de que Tyki poderia traí-lo com todas essas pessoas tão bonitas quanto ele à sua volta.
Quase perdeu Tyki de vista quando este adentrou o prédio bem no momento em que estava perdido em pensamentos. Meio sem jeito, seguiu-o, com ele partindo para a escada.
— Moro no segundo andar. É perda de tempo usar elevador. – Lavi concordou.
E aquela pequena subida o fizera ficar ofegante. Certo, preciso fazer mais exercícios. Pensou. Ele estava muito sedentário. Pedindo licença ao adentrar a porta após esta ser aperta pelo moreno, deixou os sapatos no genkan, admirou a decoração da sala.
Tyki seguiu para o sofá, largando-se nele.
— Quer algo para beber?
— Hm... eu aceito uma água. – Sem dizer nada, ele se levantou foi para a cozinha, trazendo uma garrafa gelada para o ruivo. – Obrigado.
E novamente o silêncio quando Tyki voltou a se sentar. Sem conseguir olhá-lo, Lavi tomou a água, observando o arredor. Qualquer coisa para distraí-lo da presença marcante do outro sentado ao seu lado.
Foi um longo e audível suspiro de Tyki que quebrou o silêncio.
— Certo, Lavi, eu não sou uma pessoa de ficar enrolando. – Mordendo o lábio inferior, o ruivo virou-se, corando levemente com os olhos dourados tão fixos em sua pessoa. – Eu sei que Allen te alertou sobre mim, e não tiro nem um pouco a razão dele, de verdade, mas devo dizer também que estou sério sobre você. – Foi a vez de Lavi suspirar.
— Sejamos sinceros, você só quer me levar para cama. – O moreno o olhou horrorizado, deixando até mesmo cair o cigarro que ia acender.
— O que? Não! Lavi, céus, eu posso muito bem ter transas casuais, mas nunca pensei isso sobre você! – Ele estava realmente exasperado. Passando a mão nos cabelos já bagunçados. – Caramba, não. – Essa reação havia deixado o ruivo surpreso, que apenas o olhava. – Olha, ‘tá bom que inicialmente te achei uma delicinha, – Aquilo o fez corar – mas depois de te conhecer melhor, daquele encontro e das outras vezes que conversamos, até mesmo as noites naquele feriado, me fizeram te ver com outros olhos!
— Eu não entendo... Me ver com que olhos? Tyki, eu não sou ninguém perto do tanto de gente bonita e muito mais legal do que eu por aí. – Acabou por recuar com o olhar penetrante e irritadiço do outro o mirou.
— Lavi, não se rebaixe desta forma, por favor. Você é incrível, ainda mais por ter superado tanta coisa. – Apontou para seu próprio olho direito, fazendo Lavi levar a mão para seu tapa-olho. – E seguir a vida tão bem e feliz. Eu te admiro, realmente. A pessoa que lhe tiver ao lado será muito sortuda.
— E...?
— E eu quero ser essa pessoa. – Lavi enrubesceu novamente.
— Eu... eu não sei.. – Desviou o olhar, mordendo os lábios em um leve nervosismo. – Nós ainda somos professor e aluno e, bem, isso é errado. E... eu tenho medo também. – Apertou o tecido de sua bermuda – De ser deixado para trás.
Fora puxado para os braços de Tyki, arregalando o olho e caído sem jeito sobre este, sentindo-o pôr o rosto em seus cabelos. O moreno então exalou o perfume dos fios ruivos do outro, fechando os olhos em apreciação.
— Eu realmente não planejo te deixar para trás. Além do mais, este é seu último ano escolar, – Suas mãos vaguearam pelas costas do menor, parando em sua cintura – isso significa que são só alguns meses mais em manter tudo em silêncio.
Lavi ficou quieto, fechando os olhos e apreciando o perfume do moreno, com seu rosto enterrado em seu peito. Agarrou firmemente a camisa, nem se importando se a amarrotaria. Oh céus, por que tinha que ter esse fraco por homens como Tyki? Por que ele tinha que ser tão malditamente lindo, gostoso e cheiroso? Além daquele agarre firme e essa voz aveludada.
O Bookman sabia que se arrependeria, sabia que sim, mas... o que fazer quando queria aquilo tanto quanto o moreno? Tyki, acima de ser um homem muito bonito, ele era um perfeito cavalheiro quando queria.
Céus, aquele homem o teria na mão.
Mal o ruivo sabia que era extremamente ao contrário. Tyki sabia com toda a certeza do mundo que faria o que Lavi quisesse. O sorriso e expressões de felicidade fariam Tyki mover céus e terras para que ele tivesse o que quisesse.
Apertando um pouco mais o corpo do ruivo contra o seu, Tyki sussurrou em sua orelha após um sutil beijo em seu pescoço.
— Eu lhe peço com sinceridade uma chance de mostrar que eu realmente gosto de você. – Foi com certa satisfação que viu a orelha de Lavi vermelha, adivinhando que seu rosto estava também do mesmo jeito.
— Eu... – Olhou para baixo, fazendo bico e murmurando. – Não me faça me arrepender disso. – E respirou profundamente, levantando a face corada e olhando Tyki fixamente nos olhos, sério. – Tudo bem. Eu te dou essa chance.
Fora surpreendido pelo sorriso largo do maior, que não tardou em lhe dar um beijo. Apesar disso, fechou os olhos, dando um leve gemido em apreciação, segurando com mais força a camisa de Tyki. O mesmo o puxou para mais perto com sua cintura.
Talvez... aquilo fosse uma ideia maravilhosamente ruim.
.:.:.:.:.
Olhando ansiosamente para o celular, Allen tinha aberto seu chat com Kanda, nervoso e sem saber como enviar aquela mensagem. Seu pai havia saído há poucos minutos, o que lhe deixou margem para poder chamar o moreno.
Todavia, seu maior problema era a maldita mensagem. Não queria soar bravo, ou como se fossem terminar – o que poderia ainda ser uma ideia se Kanda não aceitar as coisas muito bem.
— Ughhh! – Jogou-se na cama, choramingando no travesseiro. – Seja menos covarde, Allen!! – Voltou a pegar o celular, logo fazendo uma expressão melancólica.
Ele tinha todo o direito de se sentir assim. Podia ser se eu namoro acabasse ali. Tivesse fim a sua tão feliz relação. O que faria se isso acontecesse? Como seriam suas tardes, idas e voltas da escola... Como conseguiria manter seu coração firme toda vez que olhasse para a casa da frente?
Claro, ele não deveria ser tão pessimista, mas era difícil imaginar como o moreno reagiria depois de tantas atitudes ruins.
Suspirou, decidido a ajeitar essa tensão entre eles de uma vez por todas.
Kanda ♥
Pode vir aqui em casa?
Queria conversar com você.
Enviou a mensagem de uma vez, sentindo o coração acelerado em uma maior ansiosidade, o que o fazia até mesmo ficar enjoado.
A resposta não tardou a chegar.
Kanda ♥
Estou indo.
A porta está aberta, só entrar.
Estou no meu quarto.
Era hora de enfim pôr todas as cartas na mesa.
Fale com o autor