Akai Ito

4 Muros que começam a ruir


Notas iniciais
Todo aquele blá blá blá. Betado e revisado.
Vão ler.

“Allen dormia serenamente, aquecido e confortável. Não sonhava com nada, apenas um sono tranquilo. Sempre que dormia com Kanda sentia-se… Protegido. Os braços do japonês lhe davam essa sensação de segurança e conforto. Murmurou algo sem sentido, mexendo-se, despertando ao sentir mordidas suaves em seu pescoço, causando arrepidos. Gemeu em desagrado, enterrando o rosto no travesseiro; não queria acordar.


– Anda moyashi, vamos levantar… — Kanda sussurrou em seu ouvido, os braços apertavam sua cintura, puxando-o de encontro ao corpo quente atrás de si.


– Não quero. – Respondeu com a voz manhosa, escondendo mais o rosto.


– Se não levantar… Eu tenho métodos para faze-lo. – O tom de sua voz era malicioso, enquanto passava a mão pela coxa branca e macia do albino, que encolhia-se em seu braços.


– Ta bom, ta bom. – Sentou-se na cama querendo fugir das caricias maliciosas.


– Sabe, a meu ver você dormindo na minha cama usando apenas minha blusa foi uma grande recepção. – Sorria, adorando ver Allen corado, tentando cobrir-se para fugir de seu olhar faminto.


– Eu nunca mais faço isso.. – Disse em um sussuro, desviando o olhar.


– Oh, não… Continue. – Sentou-se também, puxando Allen para seus braços novamente. – Estou pensando em te devorar todinho… Você está tentando minha sanidade vestido assim. – Sussurrou em sua orelha, mordendo seu lóbulo.


– Falando assim parece que só me quer para sexo. – Cruzou os braços, um bico charmoso se formou em seus lábios.


– Você sabe que não é só isso, mas o que posso fazer se seu corpo é viciante e irresistível? – Deu de ombros.


– Você não fala que me ama. – Isso era um desafio oculto, Allen realmente duvidava que Kanda dissesse algo; porém, foi surpreendido com a voz sussurrada do japonês em sua orelha:


– Eu te amo, Allen.”



Em seu sono Allen sorriu, contudo, acordou com uma sutil caricia em seu cabelo. Bocejou e gemeu aconchegando melhor a cabeça no travesseiro macio, querendo mais do carinho gostoso.


Continuou de olhos fechados, o sonho ainda fresco em sua mente sonolenta. Suspirou quando a mão que lhe acariciava escorria pelos fios de sua nuca; estava quase pegando no sono novamente quando ouviu uma voz familiar.


– O Aren é muito fofinho dormindo, né Yuu-nii-san? – Yuko falava baixinho para não acordar o albino.


– Sim.. – Yuu respondeu no mesmo tom, e foi nessa hora que reconheceu que era ele que acariciava seu cabelo.


Permaneceu quieto. Sabia que o moreno tiraria sarro de sua cara por ter “dormido demais”, mas tinha que aproveitar esse momento em que ele estava calmo, até mesmo gentil. Não sabia quando isso tornaria a acontecer, e… Espera. Espera um minuto. Ele estava deitado na coxa de Kanda, percebendo isso quando passou a mão pelo local, sentindo o tecido da calça da escola.


A ficha havia caído para o albino. Estava eufórico novamente. Era culpa do maldito sonho e do moreno que lhe acariciava. Bocejou brevemente, se levantando devagar enquando coçava os olhos com uma mão, Yuu achando aquilo bonitinho. Allen piscou os olhos por alguns instantes, vendo que Yuko não estava mais no quarto, este estava escuro, mas podia se ver muito bem Yuu sorrindo. Um sorriso completamente sexy. Isso fez Allen corar e virar o rosto para o lado.


Ficaram em silêncio por um tempo, o menor ainda tinha o rosto vermelho, brincando com suas mãos para se distrair, olhando para um ponto qualquer no quarto, enquanto Yuu analisava cada detalhe do seu rosto, pensando no quão belo estava o albino e suas bochechas coradas.


– Allen-kun, seu pai está aqui. – Ouvia-se a voz de Yukiko do outro lado da porta.


– Ah! Estou indo! – Respirou fundo, aproveitando a subta coragem que lhe veio, beijou delicadamente o rosto do moreno. – Tchau Kanda. – Despediu-se em um sussurro, saindo correndo do quarto em seguida.


Yuu entrou em transe, seus olhos levemente arregalados, surpreso com a ação do mais novo. De forma inconsciente levou a mão no local beijado. Ainda podia sentir os suaves lábios lhe tocando.



–*-


Yukiko acenou para as duas figuras que saiam de sua casa, um sorriso gentil lhe enfeitava o rosto. Pensava nos momentos que havia presenciado. Como quando chegou em sua casa e foi procurar seus filhos e Allen, e os viu dormindo serenamente no quarto de sua caçula. Todavia, o que mais chamou sua atenção foi a mão de Yuu sobre os cabelos de Allen, mostrando que antes de adormecer acariciava-o; e o albino, que tinha a cabeça repousada na coxa do maior.


E também… Viu a hora que Allen beijou a bochecha de Yuu. Estava satisfeita em ver que um garoto completamente gentil e doce estava quebrando o muro que seu filho construiu em torno de si. Desejava com todas suas forças que tudo desse certo entre eles.


Fechou a porta, Yuko lhe encarava com seus grandes olhos curiosos, sorriu para ela, pegando-a no colo indo para a cozinha, onde seu marido estava jantando depois de ter tomado banho. Deu-lhe um suave selinho, deixando Yuko na sua cadeirinha, ia chamar Yuu para jantar, desistindo ao ouvir o barulho do chuveiro do quarto dele.


–*-


Depois do jantar, Yuu foi para seu quarto, escovou os dentes e estava pronto para se deitar, até que Yuko apareceu em sua porta. Olhou para ela interrogativo, a pequena não saia do lugar.


– Yuu-nii-san… A Yuko pode dormir com você? – Olhou para o que era visível de seus pés, a calça do pijama era grande demais nela; segurando firme a Kaori-san, a gata negra de estimação.


– Está com medo? – Sua voz era carinhosa, saiu da cama indo em direção da pequena, agachando-se em frente a ela.


– Não… A Yuko só quer dormir com o nii-san. – Yuu sorriu ao ver o rosto corado da menina, que queria olha-lo, mas tinha vergonha.


– Tudo bem. A Kaori-san vai dormir conosco? – Pegou-a no colo, a levando para sua cama.


– Uhum, a Kaori-san pode ficar triste sozinha. – Riu da afirmação da pequena. Deitou-se na cama; aconchegando bem a garotinha em seus braços. Depois de arrumar as cobertas, Kaori-san se deitou ao pé da cama.


Yukiko apareceu para dar boa noite, ajeitando melhor o cobertor sobre seus filhos, beijando a testa de cada um. Desligou a luz, equanto pensava que aquele realmente tinha sido um bom dia.


– Seria legal se o Aren dormisse com a gente né?


Yuu não podia descordar dela… Seria bom.


–*-


Finalmente era final de semana, Allen espreguiçou-se em sua cama, o cobertor indo parar no chão, olhou para o relógio no criado-mudo, 11h50; levantou-se indo para a cozinha. Estava com fome. Mana estava na sala, o notebook no colo, escrevendo; bagunçou os cabelos soltos do seu pai, rindo ao ver que este se assustou, ele não havia visto o filho chegar na sala. A boca de Allen salivava com o tanto de coisa que seu pai fez, comendo de tudo.


Da cozinha mesmo ouviu o toque do seu celular, subiu as escadas pulando alguns degrais, pegou o aparelho vendo uma mensagem de Lenalee.


Lena


Allen-kun! Pode vir aqui em casa hoje?

Tenho umas coisas que quero te mostrar.


Oi Lena.

Vou falar com meu pai.

Que horas quer que eu vá?


Às 15hrs

Tudo bem?



– Pai! Posso ir na casa da Lena hoje? — Gritou para Mana do início da escada.


– Pode sim. – Respondeu. – Ah, amanhã não marque nada.


– Por que?


– Surpresa… — Mana riu, uma risadinha de quem ia aprontar alguma coisa.


Allen semicerrou os olhos. Aquilo era suspeito.



Lena


Vou poder ir sim.


Ok! Descobri uma coisinha que pode ajudar

em referencia ao seus sonhos~


Sério?

E o que é?


Não direi aqui, né! x3


Você e meu pai estão fazendo complô, só pode

u_u


Hã? Por que?


Te falo quando eu for aí.

Ele ta suspeito, só digo isso.


Haha

Ok então.



Deixou o celular na cama e foi trocar de roupa. Feito isso voltou para a cozinha, guardando as coisas que sobrou e indo lavar a louça suja. Depois de ter terminado, foi para a sala, se jogando no mesmo sofá que Mana estava, querendo bisbilhotar o que ele escrevia, o que fez seu pai rir, tirou o notebook do colo e o colocou no mesa-de-centro da sala, bateu em suas pernas para Allen deitar ali.


Mana iniciou um carinho nos cabelos brancos do filho, que quase ronronava em seu colo. Sorriu e bagunçou seus cabelos, rindo da cara de indignado do Allen.


– É minha vingança. — Disse entre risos.


– Pelo menos meu cabelo é mais fácil para pentiar. Há!


Começou a ter um ataque de risos quando Mana começou a lhe fazer cócegas. Ficaram por um tempo assim, entre brincadeiras e conversas aleatórias; um clima completamente agradável. Fizeram o almoço e depois voltaram as brincadeiras até que Allen foi para a casa da Lenalee.



–*-


– Porque disse que eu e seu pai fazia uma complô? – Perguntou enquanto sentava na cadeira do computador.


– Ele disse pra mim não marcar nada amanhã, porque terei uma surpresa. Isso é muito suspeito… Meu pai não consegue guardar segredos. – Sentou-se numa cadeira do lado da chinesa.


– É aguardar até amanha pra saber né. – A garota riu da indignação de Allen. – Bem, veja isso aqui. – Clicou em um link que tinha salvo, a página carregando em seguida.



“Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se. Independentemente do tempo, lugar ou circunstância. O fio pode se esticar ou emaranhar-se, mas nunca irá partir.”


Histórias dizem que se um casal que se ama demais, jurarem se amar até depois da morte, suas almas estão conectadas, e, em sua próxima vida eles irão se encontrar. Entrevistamos vários casais que alegaram estar conectados por esse fio, dizendo também, que já tinham até o visto.*”



Allen dirigiu seu olhar para sua amiga, que sorriu e disse:


– Ainda tem mais. – clicou em outro link. – E isso fala de um mito típico do meu país. Estava pesquisando algumas coisas quando achei.


– Hm..



“Em toda noite eu tinha sonhos estranhos. Nele, eu sempre sonhava com um homem, um único homem. As coisas que aconteciam nunca eram as mesmas, pareciam até mesmo lembranças. Chegou uma hora que esses “sonhos” vinham do nada, não importa o que eu estivesse fazendo. Até que, um ano depois eu estava andando na rua, tinha acabado de sair do psicologo, trombei com um homem, ambos pedimos desculpas, até a hora em que nos olhamos. Eu fiquei travada e até… Assustada. Esse homem era simplesmente idêntico ao do meu sonho.

Hoje estamos juntos. Somos casados a 5 anos. Descobrimos que estávamos destinados a nos conhecer, e eventualmente, nos juntar. Os sonhos não vieram mais com tanta frequência, é apenas uma noite ou outra, desde que tínhamos começado a namorar. E posso dizer que sou totalmente feliz hoje.”



Uma forte dor de cabeça se abateu em Allen, que caiu do banquinho que estava sentado, se contorcendo no chão. Apertava a mão em sua têmpora, desejando que a dor diminuisse, até que tudo parou, sua visão se escurecia, e ele só ouvia a voz de Lenalee afastando-se.


– Allen-kun! Alle-


–*-


“- Yuu, você acredita que duas pessoas podem ter seus destinos ligados por um fio?


Allen perguntou para seu namorado, eles estavam deitados na cama do moreno, que tinha as costas apoiadas na cabeceira da cama, com o albino entre suas pernas, apoiando o queixo em seu peito, olhando-o.


– Tch. Isso é ridículo. – Respondeu, acariciando sutilmente a cintura do albino.


– Eu não acho… — Franziu o senho, emburrado. — Será que estamos ligados? – Sua expressão estava iluminada novamente.


– Você está fantasiando demais moyashi. – Arqueu uma sobrancelha enquando olhava nos olhos pratedaos.


– Não estou – Emburrou-se novamente, seus lábios formaram um bico “irresistível” ao ver de Kanda. — Nee, quero que nossas almas estejam ligadas pra sempre!!


– Apesar de isso me fazer aturar um moyashi sem descanço… — Sorriu maldoso.


– Ei! – Deu um leve soco no peito do maior.


–… Eu também quero. – Continuou sua frase, agora, sorrindo com ternura.


Um dos raros momentos em que Kanda era sincero e carinhoso… Momento esse o preferido de Allen, que beijava o moreno apaixonadamente, seus braços puxando-o para mais perto ainda.”



Seus olhos se abriram devagar, uma luz alaranjada iluminava o local. Levou a mão esqueda a cabeça, um leve dor de cabeça ainda permanecia; sentou-se, percebendo que ainda estava na casa de Lenalee, deitado em sua cama. Lembrava-se bem do que havia acontecido antes de desmaiar… Lembrava principalmente do seu sonho.


Suspirou querendo esquecer aquilo por hora. Saiu da cama a procura dos donos da casa, abriu a porta dando de cara com Lenalee que também tinha a mão na maçaneta.


– Allen-kun! Você está bem? – A morena levou uma das mão a sua testa, vendo se estava com febre.


– Estou sim, Lena. Desculpe por preocupa-la. – Sorriu para a garota.


– Está certo. Liguei para o seu pai, ele está vindo aqui te buscar. Enquanto isso, vamos lá comer alguma coisa.



Foram para a cozinha, onde Komui estava terminando de fazer o café, dramatizando e exagerando o fato de Lenalee estar preocupada com Allen, fazendo os dois mais novos darem risadas. Comeram e conversaram por um tempo até Mana chegar. Agradecendo aos irmãos Lee por terem cuidado de seu filho.


–*-


– Pronto? – Perguntou Mana ao seu filho, que descia as escadas.


– Uhum. E onde vamos tão cedo? – Olhou para seu pai curioso, saindo de casa, entrando no carro em seguida.


– Surpresa. – Respondeu, ao colocar seu cinto, dando a partida no carro.


Allen ligou o rádio, uma música calma rolava, deixou num volume mediano. Olhou para fora da janela, o vento soprava pela janela bagunçando os fios brancos. Pensava sobre o acontecido do dia anterior, principalmente o que leu no blog que Lenalee mostrou. “Eu sempre sonhava com um homem, um único homem.”. Essa era a frase que não saia de sua cabeça.


Sua mente divagava pelo sonho. Era tudo real demais para ele. “Será que Kanda sonha com isso também?”, era o que se perguntava. Mas duvidava disso, o moreno nunca havia dado sinais disso. E se permitia dizer que desejava vê-lo agora. Bocejou por um breve momento. Eram 8h27, questionava para onde seu pai o levava. O caminho era longo. Olhou para o homem ao seu lado, que tinha a vista cravada na estrada, mas um sorriso permanecia em seus lábios.


Suspeito”, pensou. Mais alguns quilometros e chegaram em seu destino. Era o aeroporto. Arqueou a sobrancelha, saiu do carro fechando a porta depois. Mana acionou o alarme, pegando em sua mão arrastando-o para dentro. Não importa quantas vezes perguntasse, seu pai nunca o respondia o que estavam fazendo ali. Ele apenas continuava sorrindo. Pouco tempo depois, Allen ouviu uma voz familiar, virando-se de encontro a essa.


– Mana! – Os olhos do albino se arregalaram quando viu duas figuras reconheciveis para si, um sorriso largo apareceu em seu rosto.


– Tio Neah! Tyki!!

Notas finais
* O primeiro paragrafo é o que você acha por aí na net. Agora o resto é invenção minha para a fic.

Como eu havia dito, aqui está o 4° cap!!
Espero que tenham gostado.

Já estou com uns planinhos em mente. Huhuhu
Só digo que o Lavi não vai escapar!

Tentarei não demorar com o 5° cap. Meu prof. de história passou um seminário pra fazer nas férias -.- lá vai eu dar meu tempo livre pra isso G_G

Enfim~
Review é bom e todo autor gosta!
Até o próximo.