Akai Ito
14 Doces e prazeres
Notas iniciais
Lavi não sabia dizer como tudo aquilo havia começado.
Depois de conversarem, permaneceram por algum tempo abraçados no sofá, até mesmo achou que Tyki havia cochilado quando mal se movera além de respirar, até que este levantou o rosto de rompante, o assustando. Ele riu antes de lhe beijar os lábios carinhosamente.
Depois disso havia se levantado, estendendo a mão em sua direção, oferecendo-lhe uma barra de chocolate que tinha guardada, alegando ser um presente, afinal, graças à conversa que tiveram, Lavi deixou todas suas guloseimas em sua casa.
Eles foram para a cozinha, onde o ruivo se sentou à mesa e Tyki serviu-se um café, lhe entregando o prometido chocolate. E então começaram a conversar. Lavi não se lembrava bem do assunto. Eram coisas completamente aleatórias, talvez fossem os hobbies, hábitos e etc., ele realmente não sabia dizer o que era.
Enquanto lambia os dedos melados pelo doce, não notara o longo olhar que Tyki lhe dava, para logo em seguida este dizer estar cansado. Lavi pensou que fosse uma dica para que fosse embora, contudo o outro apenas o puxou pela mão, caminhando pelo curto corredor da sala até uma das portas, ao que deu a entender ser o quarto do moreno.
Quando Tyki se jogou na cama e o chamou com um aceno, desajeitadamente deitou-se ao lado dele, não sabendo exatamente o que fazer. Rindo levemente, Tyki o abraçou, suspirando cansadamente depois.
Lavi realmente acreditava que ele estava exausto. Talvez houvesse muito trabalho na escola ultimamente, então, sem se importar, ajeitou-se o abraço, relaxando ali.
Fechou os olhos, apreciando a carícia que começou a receber em seus cabelos, apertando sutilmente a camisa do moreno. No segundo seguinte, foi um beijo em sua testa, que desceu para seu rosto e depois o pescoço. Achava até então que era carícias inocentes, até que uma leve mordida foi dada na curva de seu ombro e pescoço, o que lhe fizera gemer baixinho.
E então se encontrava naquela situação.
Tyki de alguma forma estava sobre si, entre suas pernas, sua camisa não estava mais em seu corpo e carícias eram direcionadas aos seus mamilos. Mordia uma das mãos, com os olhos firmemente fechados, tentando segurar os vergonhosos barulhos que queriam sair. Não é como se fosse virgem, bem, se levar em consideração apenas mulheres. Nunca havia dormido com um homem e, claramente – não que reclamasse -, seria o passivo.
Céus, sentia seu estomago embrulhar em ansiedade. Eu vou transar com meu professor, meus deuses. Seu rosto se aqueceu. Além disso, por que ele tem que ser tão gostoso?! Deveria ser um pecado isso!
Não conseguiu segurar um gemido particularmente alto quando teve sua semi-ereção pressionada pela mão do moreno. Arriscou olhar para baixo e um arrepio alastrou-se por seu corpo ao encontrar os orbes dourados fitando-o ferozmente. Sentiu-se um coelho sendo a caça do lobo.
Ajudou Tyki a retirar sua bermuda, levantando os quadris para facilitar a remoção, assim como de sua roupa íntima. Não pôde evitar corar levemente ao ver-se completamente nu enquanto o outro ainda estava todo vestido. Todavia, nem ao menos teve tempo de sentir mais vergonha quando Tyki beijou-se intensamente.
As mãos morenas desciam por seu corpo, fazendo questão de tocá-lo em todos os pontos, parecendo descobrir onde era mais sensível. Teve as coxas afastadas, onde Tyki se posicionou, parando por poucos instantes para retirar sua camisa social, tendo por fim o auxílio de Lavi, que não queria ficar sem fazer nada.
O ruivo passou a admirar a pele amorenada quando enfim a camisa estava fora, passou as mãos espalmadas pelo corpo forte, não notando o olhar e o sorriso de Tyki para sua pessoa. Tyki apertou suas coxas quando sem querer passou as unhas em sua nuca, não podendo deixar de se sentir vitorioso ao conseguir arrancar uma reação do outro além daquele puro charme.
Querendo mostrar que não seria um passivo nada submisso, Lavi prendeu as pernas ao redor da cintura do outro, jogando seu corpo para o lado, assim conseguindo que Tyki ficasse por baixo. Sorriu marotamente para o olhar surpreso dele. Sentou-se propositalmente sobre a ereção confinada na calça, como se não tivesse notado, movia o quadril sutilmente, as mãos ainda passeando pelo torço alheio.
Mordeu o lábio e... maldição, mesmo sob a calça Lavi conseguia sentir que o amiguinho de Tyki era grande. Seria isso coisa de português?
As mãos morenas apertaram sua cintura, forte, com certeza deixariam marcas ali. Tyki tinha o cenho franzido, como se tentasse focar em outra coisa senão o rebolado sobre seu pênis. Lavi tentava impedir o sorriso que queria aparecer em seu rosto, se Tyki o visse sorrindo com certeza acabaria com toda sua diversão.
Abaixou-se, segurando-lhe o rosto e beijando seus lábios a princípio sutilmente, para então aprofundar aos poucos. Compenetrado no beijo, não notou quando as mãos de Tyki subiram por seu corpo, chegando ao peito, onde então beliscou-lhe os mamilos. Remexeu-se ao prazer súbito, gemendo em meio ao ósculo.
Decido que não seria somente ele a sofrer, o movimento até então leve ganhou um pouco mais de força, sentindo a ereção do moreno entre suas nádegas. Ah, e como isso o instigava a querer arrancar logo o resto da roupa do outro e ir logo para a ação. Mas Lavi não era um idiota inconsequente – apesar do que Kanda vivia dizendo -, ele sabia que tinha que ser devidamente preparado. Além de ser sua primeira vez, Tyki é enorme!
E também... havia algo que ele queria muito fazer. Mordendo o lábio inferior, arrastou-se no corpo de Tyki, indo para baixo. Postou-se entre as pernas do moreno, sentado sobre sua panturrilha. Suas mãos logo estavam na braguilha da calça a desfazendo. Tyki apenas o olhava, parecendo um pouco admirado que Lavi estava tomando um passo por si mesmo.
O ruivo apenas deu um sorrisinho que transbordava malícia antes de puxar a calça e a roupa de baixo junto. Tyki apenas riu baixo, passando a mão nos cabelos. Lavi parecia que o surpreenderia sempre. E inocente era ele que acharia que o ruivo apenas faria isso e o deixaria tomar o restante da atitude... aah, realmente inocente. Tyki nunca esperou ter seu pênis segurado pela mão do outro, e muito menos ainda sentir o hálito quente bater naquela parte tão sensível... ou então tê-lo tomado na boca.
O gemido baixo que saiu foi inesperado assim como a maravilhosa sensação de ter a glande sugada. Uma de suas mãos avançou para os cabelos ruivos, segurando com força moderada, enquanto o outro braço serviu para apoiá-lo, assim podia observar com certa... fascinação o movimento abaixo.
Lavi parecia não ter muito pudor, pois assim que notou que tinha toda a atenção do moreno para si, abriu o olho, deixando que Tyki pudesse ver a orbe esmeralda brilhar. No ponto de vista de Tyki, Lavi não sabia o quão lascivo estava sendo, e claro, ele apenas aproveitava isso.
E Lavi, bom, ele tinha uma missão. Fazer Tyki ficar pelo menos minimamente decomposto. Não era justo esse homem estar 100% controlado e dono de si mesmo, não é? Sendo assim, com uma mão fazendo a ereção permanecer firme, lambeu-lhe a extensão, abocanhando-o novamente o máximo que podia. Ouviu e viu Tyki ofegar, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos.
— Droga, coelhinho. Eu não sabia que podia ser garganta profunda.
Bom, nem eu mesmo, foi o que Lavi pensou, mas ele estava concentrado demais em não engasgar para dar qualquer sinal de que ouviu Tyki. Pôs-se então a fazer movimentos de vaivém, escutando com satisfação os pequenos gemidos do professor.
Em dado momento lambeu os lábios, voltando para a sucção em seguida. Era um sabor agridoce o do pré-semen de Tyki e incrivelmente isso apenas servia para excitá-lo ainda mais. Um gemido ressoou abafado quando teve os cabelos puxados, fechou os olhos, sentindo fisgadas em seu pênis. Quem diria que ele sentia prazer com puxões de cabelo. Parecendo notar o efeito que teve, Tyki puxou novamente, e mais uma vez Lavi gemeu.
— Assim não dá, lovely. – Tyki levantou seu rosto, parando a felação. – Mesmo que estivesse muito divertido para nós dois... não acho que aguentarei muito disso. – Então levou a mão até o criado-mudo, pegando a camisinha e lubrificante. – De quatro.
Sem protestar, postou-se como o outro pediu, contudo, ao invés de ficar sobre as mãos, preferiu os cotovelos, assim pôde pegar um dos travesseiros sobre a cama e abraça-lo. Aquela posição era um pouco constrangedora.
Sentiu Tyki se mover na cama, depois o barulho do lubrificante sendo aberto. Tinha que confessar, estava um pouco nervoso e ansioso. Fechou os olhos, ofegando ao sentir o lubrificante gelado e um dedo alheio rodear sua entrada antes de adentrar com certo cuidado. À primeira vista parecia apenas algo estranho, então apenas tentou relaxar. Tyki moveu o dedo algumas vezes e ao não notar resistência acrescentou o segundo.
Lavi teve que confessar, era desconfortável, não de doer, mas de ainda parecer estranho. Decidido a mudar isso, Tyki então retirou os dedos, passou mais lubrificante e retornou-os a entrada de Lavi, penetrando-o rapidamente. Isso arrancou um suspiro que virou gemido quando curvou os dedos, acertando sua próstata. O ruivo teve os olhos arregalados, suas costas arquearam, empurrando para trás na direção dos dedos o outro automaticamente.
Tyki sorriu triunfante, voltando a acertar aquele ponto. Lavi havia relaxado muito mais com isso, desta forma pode colocar o terceiro dedo sem resistência. O moreno observou com atenção e fascínio o corpo do ruivo arrepiar-se e arquear, por vezes sua cintura acompanhava o ritmo que impôs, mas o melhor de tudo eram os sonhos. Tyki estava se viciando em seu nome sendo chamado daquela forma.
Passou a dar beijos e mordiscadas nas costas do ruivo, decidido a deixa-lo completamente marcado, subindo para o pescoço, onde deixou um chupão. Lavi não o veria de toda a forma, mas as outras pessoas sim.
— Tyki... Chega disso... Aah. – A voz trêmula de Lavi soou novamente, uma de suas mãos indo para trás e segurando sem qualquer força o braço de Tyki.
Rindo baixo, deu-se por vencido. Pegou a camisinha, rasgando o pacote e o colocando em sua ereção, depois acrescentando mais lubrificante. Todo cuidado era pouco.
— Me avise se for demais – pediu, segurando a ereção próxima a entrada do outro, apenas começando a penetrá-lo quando Lavi acenou positivamente.
Teve que morder o lábio para se concentrar. Lavi era deliciosamente apertado ao seu redor.
Começou então com movimentos curtos; as mãos firmes na cintura branca do outro, marcada já pela força pregada anteriormente. Sorriu de lado com isso, certamente o ruivo se irritaria quando visse. Quando sentiu Lavi relaxar, passou a arremeter com mais força.
Ouviu os lábios de Lavi cantarem conforme movia-se rápido e certeiro. Não demorou a localizar sua próstata, mirando naquele local frequentemente apenas para Lavi quase gritar seu nome em meio ao prazer. O ruivo agarrava o lençol com força, as costas arqueadas, nem notando quando ajudava na penetração ao mover a cintura para trás.
Sentia-se cheio e extremamente estimulado. Realmente Tyki não era nada pequeno, fazendo-o senti-lo até mesmo quando estava quase saindo por completo. Lavi sabia que ser o passivo numa relação sexual era um pouco complicado, era necessário um parceiro experiente ou que ao menos se importasse com seu prazer para aquilo ser bom e... céus, Tyki era os dois. Experiente, muito bom no que fazia, e mostrava que se importava ao arremeter a todo instante em sua próstata.
Sua mente estava em branco, não conseguia manter os olhos abertos, então estes estavam cerrados firmemente, a boca aberta e que verbalizava seu prazer sem se importar. Os vizinhos de Tyki certamente ouviriam a diversão deles, mas não era como se ele ou o moreno se importasse.
O professor em um dado momento mordeu os lábios, seus olhos dourados em nenhum momento deixou a figura abaixo de si. Observava desde os cabelos ruivos desgrenhados à nuca vermelha por suas mordidas, as costas também marcadas de beijos e chupões, e então havia as nádegas... cujas quais deferiu um tapa, no mesmo momento ouvindo um grito de Lavi, preocupou-se por um momento se aquilo não foi demais, mas o ruivo apenas choramingou, impulsionando novamente o quadril para trás.
Sorriu de lado, lascivo, dando-lhe um tapa na outra nádega. Mais um gemido foi ouvido. Lavi sabia que definitivamente no dia seguinte não conseguiria sentar, mas não é como se reclamasse.
— Vire-se. – Sentiu Tyki sair de dentro de si, o que lhe arrancou um leve gemido em desagrado. Com a ajuda do moreno virou-se, esparramado pela cama. Viu Tyki levar a mão para seu rosto, surpreendendo-se ao ver que estava retirando seu tapa-olho. – Bem melhor assim. – E sorriu. Lavi corou.
Tyki debruçou-se sobre seu corpo, roubando-lhe os lábios em um beijo afoito e necessitado. Lavi o abraçou pelos ombros, mantendo-o perto enquanto enlaçava sua cintura com as pernas. Gemeu entre o ósculo ao sentir-se novamente penetrado.
Os movimentos daquela vez começaram devagar, como se quisesse enlouquecer Lavi aos poucos. Seus rostos mantinham-se perto, trocando mais beijos e selinhos, que eram por vezes interrompidos por um gemido ou ofego de ambas as partes.
Tyki subiu as mãos pelas coxas do outro, acelerando aos poucos o vaivém. Fechou os olhos, o rosto indo então para o pescoço do ruivo onde decidiu deixar mais marcas. Ele podia chegar ao ápice naquele momento só com os gemidinhos ao pé seu ouvido. Lavi realmente não tinha noção do quão sensual era.
O ruivo suspirou, fechando os olhos e virando o rosto para o lado, deixando seu pescoço acessível para o outro. Mordia o lábio por vezes, ofegando em outras. Devido à falta de espaço entre seus corpos seu pênis era estimulado pelo abdômen do moreno, e esse duplo prazer apenas o fazia querer revirar os olhos.
Suas mãos foram paras nas costas amorenadas, as unhas cravando nelas e igualmente deixando-o marcado com arranhões.
— Aah, Tyki! – Mesmo no pouco espaço suas costas se arquearam ao ter a próstata novamente acertada.
— He, você é realmente uma perdição, coelhinho. – As mãos fortes se firmaram nos quadris imaculados.
Seu orgasmo estava próximo e, pela forma como Lavi gemia e o acompanhava, o dele também estava. Com isso seus movimentos se tornaram mais rápidos. Fechou os olhos, a testa encostada no ombro do ruivo, ofegante. Suas costas ardiam devido as arranhadas do ruivo, mas não é como se importasse.
Lavi choramingava, uma de suas mãos indo para entre os corpos, masturbando-se. Estava tão perto...
Tyki então se afastou, quase sentado em suas pernas, mantendo um agarre em seus quadris e mantendo um ritmo forte. Os orbes esmeraldas se abriram e não teve como conter seu orgasmo com a visão do corpo moreno e forte suado, os cabelos negros sendo segurados para trás com uma das mãos, os olhos dourados brilhando em luxúria e os lábios entreabertos.
Seu sêmen espirrou em seu abdômen, arqueando as costas e gemendo arrastado. Algumas estocadas depois foi a vez de Tyki, que apenas grunhiu, franzindo o cenho. Ele apenas moveu-se mais algumas vezes superficialmente antes de parar. Saindo de dentro dele e deixando-se cair sobre o ruivo.
Por alguns instantes Tyki permaneceu ali, os olhos fechados aproveitando o afago que era direcionada aos seus cabelos. Sua mão fazia uma leve carícia em uma das coxas relaxadas, mas ainda firmes, em sua cintura. O silêncio entre os dois era tranquilo, nem um pouco desconfortável.
Por fim, Tyki se moveu, saindo de cima do menor e deitando-se ao lado dele, abraçando-o, depositando um beijo sobre sua cabeça.
— Vamos tomar um banho? – Com um aceno, Lavi aceitou.
Ao contrário do que Lavi podia pensar, o banho foi apenas... um banho. Tyki foi a todo instante cuidadoso consigo. Lavou-lhe o cabelo, ensaboou-o e até mesmo deu um leve beijo sobre a cicatriz que carregava no olho. Céus, ele se apaixonaria ainda mais assim.
Acabou que por fim apenas vestiu uma das camisas do moreno e sua cueca box. E Tyki usava somente uma calça de moletom. Eles voltaram para o quarto, Tyki trocou o lençol e eles voltaram a se deitar, dessa vez dormindo.
Quando acordaram, já havia anoitecido. Ouviram barulhos na cozinha e seguiram para lá encontrando Neah cozinhando.
— Ah, olá, Lavi. – E o ruivo, que não sabia o que era vergonha, não se importava com a pouca roupa que vestia, cumprimentando o Walker.
— Oi, Neah-san! ‘Tá fazendo o que? Cheira bem! – E se aproximou do mais velho.
Tyki apenas olhou para aquela cena, não sabendo bem o porquê de estar surpreendido. Lavi era Lavi, afinal. Apenas cruzou os braços e observou seu agora namorado começando a cozinhar com seu pai.
O português apenas pôde sorrir. Ele sentia-se em paz tendo conversado com Lavi e enfim ter aquela situação resolvida. E parecia que seu pai estava muito bem com seu relacionamento, pois em nenhum momento o olhou questionador, apenas conversava animadamente com o ruivo.
Era somente mais alguns meses até poder expor seu namoro para as pessoas de fora, mas, por enquanto... seria um segredo.
Aproximou-se do ruivo, abraçando-o por trás e depositando um beijo no topo de sua cabeça, ele então virou o rosto e sorriu-lhe largamente.
Um segredo com um sorriso muito lindo.
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