Akai Ito
1 A promessa que fizemos em silêncio
“–Nós finalmente conseguimos... – sua voz não passava de um sussurro.
–Sim... e tudo graças a você. – o outro disse no mesmo tom, apenas apreciando o pequeno sorriso nos lábios do amado.
–Eu... Estou cansado, Yuu, acho que vou dormir um pouco. – ele fechou os olhos, se aconchegando melhor no abraço do moreno.
Engolindo em seco, ele respondeu: -Tudo bem, pode dormir... — respirou fundo, mordendo os lábios, impedindo as lágrimas de caírem; ele sabia que seu pequeno albino estava para deixar este mundo.
–Nee... – chamou a atenção do moreno, levando uma de suas mãos trêmulas ao seu rosto, fazendo uma leve caricia. –
–Eu também te amo... Allen. – as lágrimas caíram sem sua permissão, mas ainda sorria para o albino, apertando-o mais forte em seus braços, selando seus lábios pela última vez.
Então os olhos se fecharam e sua ultima imagem vista antes de partir foi o rosto de seu amado Kanda Yuu...”
Seus olhos se abriram de repente, as lágrimas corriam livremente, molhando aquele rosto. A pergunta que prevalecia em sua mente, naquele momento, era: “Que sonho era aquele?”. Tal acontecimento estava se repetindo pela 7° vez! Allen se virou em sua cama, abraçando seu travesseiro com força, soluçando.
Porque aquela tristeza lhe consumia? Aquela estranha sensação de arrependimento apertava seu coração.
–Allen, filho, está na hora de acordar, desça para tomar o café. – era seu pai, Mana, lhe chamando na porta.
–Ok, pai, só vou lavar o rosto. – respirou fundo, tentando desfarçar a voz fanha pelo choro.
Ele apenas saiu do quarto quando ouviu os passos de seu pai descendo a escada; lavou o rosto, depois o secando com a toalha felpuda, olhou seu reflexo no espelho, pelo menos a vermelhidão havia diminuído.
Suspirando, Allen saiu do banheiro indo para a cozinha em seguida.
–Bom dia, pai.
–Bom dia, filho! Como dormiu?
–Ah, nem tão bem. – disse se sentando a mesa. –Tive aquele sonho de novo.
–Eu ainda acho que isso é algum tipo de sinal. –Mana cogitou, acariciava os cabelos bagunçados de Allen.
–Que tipo de sinal te faz sonhar que está morrendo, nos braços de um homem, que supostamente você ama? –questionou exasperado.
–Não sei o que tanto te aflinge. – sentou-se após servir café para si e Allen.
–Você não liga para o fato de que seu filho pode se envolver com um homem?
–Nem um pouco. Nós não escolhemos a quem iremos amar, filho. Simplesmente acontece.
A conversa havia acabado ali, tomando seus respectivos cafés da manhã, em silêncio, para depois irem se arrumar e enfim sair.
Allen fechou a porta de seu quarto e encostou-se nesta, suspirando. “Eu tenho suspirado muito ultimamente”. Olhou para a janela ainda fechada, perdido em pensamentos, se lembrando do sonho… E do nome que fazia questão de persistir em sua mente.
–Kanda Yuu… – sussurrou para si mesmo, sentindo o corpo se arrepiar ao pronuncia-lo.
Oh Deus, por que seu coração batia tão acelerado? Que sensação de euforia era aquela? Desperado, ele tirou seu pijama, trocando por uma calça jeans preta e uma t-shirt vermelha, calçou seus sapatos, evitando pensar no homem de seus sonhos.
Foi ao banheiro; escovando seus dentes, sua mente vagava sobre o homem novamente. Ao terminar, pegou sua bolça, descendo as escadas correndo ouvindo o chamado de seu pai. Sentou no banco carona respirando fundo. O coração havia acelerado ainda mais.
O caminho para a escola foi rápido, ao ver de Allen; se despediu de Mana com um beijo estalado na bochecha, saiu do carro e rumou à escola.
–Allen-kun!
–Allen-chan!!
Quando menos ele esperava, alguém pulou em suas costas, se apoiando em seus ombros.
–Você nunca vai perder essa mania de pular em cima de mim né? – olhou para o ruivo que tinha um enorme sorriso no rosto.
–Ahh, não mesmo! – disse rindo. –Bem, eu e a Lena acabamos de olhar o painel, vocês cairam na mesma sala! Sortudinhos, hein?
–Sério? – Allen perguntou descrente, olhando para a chinesa ao seu lado.
–Sim!! – afirmou animada.
–Já eu... Fiquei na sala em frente à de vocês, então, sempre que sentirem saudades e pensarem: “Caramba, que saudades do Lavi, aquele ruivo gostoso!” é só ir lá e me chamar. – piscou para os dois, que riram.
–Ahh, deixa de enrolação e vamos logo, temos coisas a contar. – Lenalee comandou.
Cada um segurou uma mão de Allen, o puxando escola adentro em direção à nova sala. Rindo da animação de seus amigos, o albino nem se importou, deixando ser arrastado. Sentou-se ao fundo, com Lavi invadindo o local como um total inquilino enquanto o professor não chegava.
O assunto entre eles não acabava, Lavi contou que havia viajado com seu avô e Lena foi à China com o irmão visitar seus pais. Allen também comentou do que fez nas férias, ocultando somente sobre o sonho que teve na ultima semana. Logo ouviram o sinal bater, o mais velho se despediu, dizendo para se encontrarem no intervalo.
Lembrando-se de que tinha de pegar os livros no armario, Allen avisou ao professor, saindo apressado.
–Estou, realmente, com a cabeça nas nuvens hoje. – sussurrou para si mesmo, trazendo o material.
Andando distraído pelos corredores, olhando alguns papeis que havia em seus livros, Allen não notou outro garoto vindo em sua direção, que, como ele, estava observando um folheto. A colisão entre eles foi inevitável.
Os livros e papeis estavam espalhados pelo chão, Allen havia caído em cima do aluno estranho; um pouco tonto pela caida, ele apenas levantou o rosto, acariciando sua testa. Nada mais existiu à sua volta no momento em que seus olhos prateados se fixaram na imensidão negra provinda daquele olhar à sua frente, não sabia exatamente quanto tempo ficaram apenas se encarando.
Em estado de torpor, Allen admirou a face de aparência macia, porém esta continha uma expressão um tanto rude; o nariz pequeno encaixava-se perfeitamente naquele rosto, os longos e belos fios negros presos em um rabo de cavalo alto e a franja bagunçada na testa... Os cabelos emolduravam tal rosto que, na humilde opinião do pequeno, era lindo.
“O moreno sob mim é o moreno dos meus sonhos.”
E mesmo que não fosse, era extremamente parecido. Logo Allen reparou na situação em que estava; ele praticamente montado sobre o quadril do maior, as mãos espalmadas em seu peitoral, suas faces completamente próximas.
Erguendo-se em um pulo, recolheu os livros espalhados pelo chão; Allen pedia desculpas. –Realmente, me desculpe… Eu estava distraido e não o vi. – gaguejou curvando-se. O moreno permaneceu no chão, estático. –Er… Está tudo bem? –sentia sua face quente, mesmo tendo certeza de que estava corado tornou o olhar a ele.
Piscando algumas vezes, o aluno acordou de seu transe, sua expressão se tornando ainda mais irritada. –Tch, não olha por onde anda não, moyashi? –pegou os papeis que o menor estendia para si, com arrogância.
–Moya…? Ei, eu já pedi desculpas! –Allen xingava-se mentalmente. De fato não tinha como ser o moreno de seus sonhos, o qual era completamente gentil consigo.
Ignorando completamente o albino, ele saiu andando.
–Ei! Pelo menos diga seu nome! –não fazia ideia por que insistia em falar com aquele garoto, porém havia de saber seu nome, precisava saber.
–E por que eu deveria dizer, moyashi? –tornou ao menor, lhe encarando.
–Tá bom, né, Sr. Arrogante. Não precisa falar. –resmungou fazendo um bico, voltando à sala.
–Tch. Kanda. Kanda Yuu. –Allen travou, parando ali mesmo, assim que ouviu o nome dele. Realmente, não podia ser… Seria apenas coincidência.
Respirando fundo, respondeu. –Allen… Allen Walker.
–Moyashi está de bom tamanho. –murmurou. –Oe, sabe onde fica a sala do 3° A?
–É em frente à minha. Venha, me siga.
Enfim seguiram em silêncio pelos corredores, foi quando Allen chegou à sua sala, virando-se para Kanda.
–Bem, minha turma é esta. Obviamente, esta aí é a sua. – apontou para a porta em frente.
–Tch. – sem ao menos agradecer, Kanda entrou dando as costas.
–Mal educado. – sussurrou em desagrado, entrando também. –Desculpe a demora, professor. Um aluno novo havia se pedido, fui ajudá-lo a achar sua sala.
–Tudo bem, agora vá se sentar.
Allen chegou à sua carteira soltando um suspiro; olhou para fora da janela lembrando o recente acontecimento e, justamente quando pensava que na escola teria sua devida paz, achando que o maldito sonho não o atormentaria, vem e aparece um moreno idêntico ao do seu sonho, para fazer-lhe relembrar, a cada instante, o leve aperto em seu peito.
Colocando a mão sobre o peito esquerdo, sentia seu coração acelerado. Lembrou-se do calor dele, de quando havia esbarrado; Allen se sentia ainda mais ansioso em tocá-lo novamente.
Notando o que seus pensamentos acabaram de projetar, abaixou sua cabeça, agarrando seus cabelos, respirando fundo para não imaginar aquilo novamente.
–Allen-kun? Está tudo bem? – Lenalee fitou preocupada.
–Hã? Ahh, não. Relaxa, está tudo bem, hehe. – riu sem jeito. –Tenho uma coisa pra contar, mas só direi quando o Lavi estiver conosco.
–Hm.. – permaneceu fitando, desconfiada. –Está bem.
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–Calma, Lena, eu já falo… Deixa o Lavi chegar!
–Mas... Allen-kun, me conte logo, sou curiosa.
–E você acha que não sei disso, além do mais- AAAHH!! O maldito arrogante de antes! – levantou-se da mesa apontando para Kanda, que chegava junto de Lavi.
–O que? Tch. Fique quieto, moyashi, sua voz me irrita. – Kanda virou o rosto, enfiando as mãos nos bolsos.
–Vejo que já se conhecem… – comentou Lavi, rolando o olhar neles.
–Olha só quem fala, eu mal te conheço e sua presença já me aborrece. – disse Allen encarando o moreno com desdém.
–Como é que é, moyashi? – irritado, Kanda aproximou-se e agarrou o menor pela gola da camisa.
–É isso aí que você ouviu, baKanda. – devolveu o olhar brabo; suas faces, novamente, estavam extremamente próximas.
–Eu vou quebrar essa sua cara!
–Calma aí, gente! – Lavi puxou Kanda pelo braço para longe de Allen. – Só faltou se beijarem de tão próximos que estavam!
–CALA A BOCA, LAVI! – berraram juntos em direção ao ruivo.
“–Você é um maldito, BaKanda! Argh! Só você mesmo pra me irritar desse jeito!
–E do que é que você está falando? Vou te encher de porrada e quero ver só!
–Pode apostar que essa é a minha vontade também!
Kanda e Allen se olhavam irritados, seus narizes quase colados, cada um segurando o outro pela gola da camisa. Era possível ver até fogo em volta daqueles dois.
–Ei, ei, relaxem aí… Briga de casal é mais verbal, sabiam? Nunca vi um casal que brigasse na base da porrada.
–CALA A BOCA, LAVI!”
Era como se tal cena estivesse se repetindo...
Ambos, Allen e Kanda, colocaram a mão na testa, desnorteados. Como Lavi ainda segurava Kanda pela mão, ele usou o ombro do ruivo como apoio, já Allen, usou a mesa ao seu lado, respirando um pouco ofegantes.
–Tá tudo bem…? – perguntou Lenalee, preocupada.
–Ahh, sim, relaxa, foi só uma tontura. – Allen deu uma desculpa.
–Com os dois…? – Estranhou Lavi, desentendido com aquele momento.
–Tch. – Kanda puxou o braço, bruscamente, saindo do refeitório, irritado.
–Oe! Yuu!
Allen olhava fixamente para onde Kanda havia ido, a confusão estampada em seu rosto. O que foi aquilo?
–Quem é ele? – a garota questionou, avistando o mesmo ponto que Allen, curiosa.
–Verdade, você não o conhece. Ele é Kanda Yuu! Um aluno novo da minha sala. – o ruivo comentou animado.
–Ahn… Cortando esse clima tenso, né… O que você queria nos contar Allen-kun?
–O Allen queria contar algo?
–Sim, ele me disse na sala.
–Ah é! Mana vai me dar um piano! – no entanto, não era isso que ele pretendia contar, porém não deixava de ser verdade. Em algum outro momento, quem sabe, ele iria revelar aquele sonho para os dois.
–Woah! Sério? Você sempre quis um piano, né? – Lavi e Lena se mostravam animados, como se nada tivesse acontecido anteriormente.
Melhor assim. Pensou Allen.
O resto do intervalo se passou em assuntos banais, Allen comprava guloseimas diversas nesse meio tempo. Minutos depois, o sinal bateu, cada um indo para sua respectiva sala.
O albino ainda pensava no moreno da sala em frente à sua. Mesmo se esforçando para prestar atenção na disciplina, não obteve sucesso. As malditas lembranças persistiam em seus pensamentos.
E assim se passou o resto da aula. Allen não viu Kanda novamente, e agradecia por isso, tinha muito no que pensar.
O caminho até sua casa fora regado em silêncio. Os dois amigos moravam na direção oposta a ele, sendo assim, não iam embora juntos. Voltando em seu sonho e na vaga lembrança que lhe veio à mente no intervalo, Allen acreditava convicto que aquilo tudo não era mera coincidência; estava passando a acreditar nas palavras de seu pai. Tinha a impressão de que havia algo por trás disso e que era preciso desvendar. Aquele sonho era real demais pra ser contrariado, ainda mais pelo fato de que ele viu Kanda fora daquele universo.
Suspirou, seu olhar era vago. Distraidamente, abriu o portão de casa; logo notou algo cair ao chão, o que chamou sua atenção, retirando-o de seus devaneios. Allen tornou o rosto, curioso… Deparando-se com Kanda parado na casa frontal à sua.
–Ah, não… Só pode ser brincadeira. – disseram de imediato; os olhares colados, incrédulos.
Notas finais
Espero que tenham gostado.
Não tenho dias previsto para postar; é simplesmente quando eu terminar de escrever o capitulo, passar para a useless betar e ai posto.
Foi um grande milagre eu ter escrito tudo isso em menos de uma semana; vai para os meus recordes. SQN
Reviews serão muito bem aceitos, obrigado.
Criticas e opiniões são bem vindas.
Até o próximo, que eu espero que não demore a sair.
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