Ai Ai No Mi

9 O plano de Nami


— Psiu, Robin! – A menina chamava pela arqueóloga que passava pela cidade. Estava a seguindo já a algum tempo, esperando a hora em que os outros nakamas saíssem de perto para poder falar sozinha com ela. Robin parou de andar e olhou ao seu redor. Viu a menina lhe chamar de um dos becos sem saida escuros que haviam na cidade. Não havia mais niguém na rua. Luffy e os outros se separaram para tentarem achar a navegadora mais rápido, não que Robin quisesse vê-la, só queria ter certeza de que ela não iria atrás de Sanji antes que ela mesma o fizesse.

— O que você está fazendo aqui? Procuramos por você o dia inteiro! – Robin falava irritada e cansada.

— Mas eu sei que você não me procurou pelo mesmo motivo que os outros – A afirmação da ruiva fez Robin ficar mais irritada ainda mas não soube como rebater o comentário.

— O que você quer comigo afinal?

— Quero que me faça um favor – Robin revirou os olhos. Até parece que ajudaria a navegadora depois de tudo que ela havia feito. Mas a outra completou antes que a arqueóloga falasse alguma coisa. – Não é por mim, é pelo Sanji-kun – Robin ficou com uma expressão desconfiada, curiosa com o pedido da navegadora.

Nami falou tudo que sabia e tudo que havia descoberto da conversa entre Sanji e Zoro na casa de Haruki. Talvez os dois tivessem começado a sair depois daquela noite que haviam passado na floresta. Enquanto todos procuravam por ela durante o dia, ela havia decidido ir para a lá. E ela encontrou a tal caverna da qual Sanji e Zoro conversavam a respeito. E era verdade, lá havia uma árvore. Parecia morta para ela, mas se era o que Zoro queria para tomar Sanji dela, ela faria algo a respeito. É aí que Robin entra. Nami não é capaz de vencer Zoro sozinha, mas se Robin a ajudasse seria outra história. Quando a ruiva terminou de contar seus planos perguntou a Robin.

— E então? Você vai me ajudar? – Nami olhava para a arqueóloga em busca de respostas, mas com um olhar convencido. Robin não teria como recusar seu convite. A morena olhou para Nami, depois para o céu escuro da noite, pensando e pensando sozinha e silenciosamente.

— Quando já tivermos acabado com tudo isso, quem ficará com Sanji-kun? – Robin finalmente abriu a boca para perguntar algo. Nami já esperava uma pergunta como essa. A navegadora abriu um grande sorriso convencido e malicioso antes mesmo de responder.

— A melhor.

~*~*~

Sanji e Zoro resolveram catar alguns frutos pela floresta no caminho pra caverna, para matar um pouco a fome. Havia uma mistura estranha de árvores na floresta, desde árvores altas e com troncos grossos até arbustos e plantas rasteiras, e com alguns cipós caindo do alto das maiores. Era possível ouvir vários sons que combinavam com a hora do dia. Não havia mais canto de pássaros, apenas o som de corujas e alguns animais selvagens que não conseguiam identificar, fora o som de folhas e galhos balançando quando os dois nakamas passavam por eles. Sanji mantinha sempre um cigarro na boca e um fósforo na mão para ajudar na visão. De vez enquando parava, olhava ao redor, olhava para as estrelas e continuava, tentando seguir pelo caminho correto. Zoro apenas o seguia, curioso e impressionado. Seu loiro sabia mesmo como se guiar no meio do nada. Ver ele descobrindo o caminho sozinho fazia com que Zoro sentisse até um pouco de orgulho por ele, deixando-o mais derretido e apaixonado pelo talentoso cozinheiro. Num breve momento, Zoro ouviu um arbusto próximo a eles se mexer e retirou parte de sua katana da bainha rapidamente, esperando algum ataque de animal selvagem, mas nada foi em sua direção, talvez fosse apenas impressão e paranóia por não querer que nada atrapalhasse a concentração do cozinheiro. Guardou a espada na bainha novamente e virou-se para seguir o cozinheiro, mas... Onde ele estava? Olhou ao redor desesperado, não podia se perder, não agora! Estavam tão perto de resolver tudo aquilo.

— Ei! Cook! – Zoro chamou pelo cozinheiro e esperou por uma resposta, que não chegou. Zoro correu para uma direção aleatória da floresta, balançando irritado uma de suas katanas pelas plantas do caminho para abrir caminho. O espadachim parou para retomar o fôlego. Droga. Isso não podia ter acontecido! Maldita floresta cheia de árvores, maldito péssimo senso de direção, maldita escuridão que dificultava sua visão. E maldito cook que nem percebeu que ele havia ficado pra trás e continuou andando. Merda! O que fazer agora? Zoro olhou pro céu olhando as estrelas como Sanji fazia e olhou pra um lado e pro outro entre as árvores, mas estava escuro demais sem o fósforo de seu nakama iluminando parte do caminho. Como ele conseguia fazer aquilo? Parecia ser tão difícil escolher uma direção para onde ir.

“Se eu andar sempre em linha reta vou acabar chegando a algum lugar.” O espadachim tomou então uma direção qualquer e começou a correr, balançando sua katana irritado. Não podia ficar simplesmente parado esperando pela aparição do menor. Daria um jeito de achar a maldita árvore rosa, e pegaria a cura pro cook de qualquer jeito.

~*~*~

— ROOOBIN!

— Ei, Luffy! Pare de gritar! – Usopp tentava acalmar o capitão que berrava desesperadamente o nome da arqueóloga. — Se ela estivesse mesmo aqui, já teria respondido.

— ROBIN! – Luffy não desistiria só com o comentário do atirador. Já bastava ter perdido Nami de vista.

— Luffy você precisa se acalmar! Vamos pensar pra onde ela pode ter ido – Franky tentava acalmar o capitão como Usopp.

— T-talvez ela tenha sido pega pelos caçadores de recompensas como a Nami – Chopper falava devagar e preocupado, deixando ele mesmo e Brook mais assustados do que já estavam.

— Então eu vou chutar a bunda desses caçadores de recompensas! – Luffy falava correndo para uma direção qualquer da cidade, sendo impedido por Usopp que segurou seu braço.

— Nós já fomos por aí, Luffy! Na verdade já rodamos a cidade inteira! Temos que pensar em algum outro lugar pra procurar – O capitão parou de correr e olhou para seus nakamas que olhavam uns para os outros em busca de uma solução. Ele tinha que parar de correr e pensar em algo, como o atirador dissera. Até que se lembrou.

— A floresta! Ainda não fomos lá! – O capitão dizia animado e um pouco chateado por não ter percebido isso antes.

— Luffy-san tem razão! Talvez os caçadores de recompensas tenham esconderijos por lá – Brook começou a fazer uma cara assustadora que deixou Chopper e Usopp nervosos. – Ou talvez os mostros da floresta tenham pegado Nami-san e Robin-san – Chopper e Usopp deram pequenos gritinhos e gemidos de medo, enquanto várias gotinhas escorriam por seus rostos.

— Tudo bem, parece ser uma SUPER ideia – Franky falava sério até pronunciar animado o ‘super’ da frase. – Vamos atrás das meninas!

— E-e-eu estou com a doença não-posso-entrar-nessa-floresta-escura – Usopp tremia enquanto falava.

— Ei, Chopper. Melhor pegar algum remédio para essa doença estranha dele – Franky dizia enquanto a rena ria.

— Essa doença não tem cura não – E voltava a rir do atirador.

— Então, vamos lá! – O capitão estava animado e com a cara determinada, enquanto levantava os braços e corria em direção à floresta.

— Certo! – Todos disseram ao mesmo tempo sorrindo e seguindo o capitão.

~*~*~

— Marimo de merda! Como ele consegue se perder estando bem atrás de mim?! – O cozinheiro caminhava irritado. Teria que passar mais uma noite naquela maldita floresta à procura do espadachim. Iria para a caverna, tomaria logo o pó e iria para a costa, onde o encontrou da última vez. A maioria das direções das quais eram possíveis tomar daria na cidade ou na praia, afinal estava numa pequena ilha. Sanji puxava sua caixa de cigarros do bolso e acendia mais um, aproveitando o fósforo que usara para acendê-lo usando-o também para iluminar parcialmente as pequenas trilhas da floresta. Sua intuição dizia que já não estava tão longe da entrada da caverna. Iria seguir até lá sem seu nakama. Zoro sabia se cuidar, ele sabia disso, mas ainda sentia uma pequena preocupação com ele. Sentia-se também sozinho naquela enorme floresta sem o espadachim o seguindo. Mas por que estava pensando nisso? Precisava se concentrar em pra onde deveria ir.

O cozinheiro após mais alguns minutos caminhando, finalmente encontrou a entrada da caverna. Lá dentro estava bem mais escuro do que entre as árvores. Deu uma olhava rápida no fósforo em sua mão. Ele ficaria acesso por mais um tempo. Olhou a escuridão na sua frente, deu um longo suspiro, soltando uma nuvem de fumaça, e seguiu em frente.

Sanji lembrava vagamente dos caminhos que tomara na última vez que estivera lá. Ia iluminando o chão e as paredes em busca de alguma pista. Espera aí... Haviam pegadas na terra misturada às pedrinhas do chão da caverna. Suas pegadas da outra noite ainda estavam ali? Ou será que alguém... O cozinheiro balançou a cabeça para mandar a possibilidade fora de sua cabeça. Não tinha como alguém ter ido para aquela caverna de merda, e Zoro nunca chegaria lá antes dele, certo? Ninguém tinha motivos mais fortes que o dele para estar ali. O loiro ainda curioso continuou seguindo pelos túneis da caverna. Se houvesse alguém lá ou não, mais cedo ou mais tarde acabaria descobrindo.

Chegou na parte da caverna onde os túneis se reencontravam em um só, maior. Seguiu por ele. Estava quase lá! No final desse túnel encontraria a cura que tanto desejava. Não conseguiu conter um pequeno sorriso ansioso. Começou a correr em direção ao final desse último túnel.

— Deixa que eu uso isso, você vai ficar toda mole perto da kairouseki – Uma voz feminina falava com um tom mandão e nervoso. Parecia uma voz familiar.

Sanji parou de correr bem depois de ouvir a voz. Abrindo os olhos e a boca, assustado, deixando cair o cigarro no chão. Então tinha mesmo alguém ali?! Com a parada súbita do loiro, algumas pedras começaram a rolar pelo chão fazendo barulho.

— Espere – Outra voz feminina familiar. Sanji estava parado encostado na parede da caverna, nervoso. – Acho que tem mais alguém aqui — Tudo ficou em silêncio depois. Aquelas vozes pareciam ser de... O que era aquilo na parede...? Isso é uma... MÃO! O loiro soltou um pequeno gritinho e caiu no chão assustado. Na palma da mão havia um olho, que ia virando de um lado para o outro, espionando a caverna, até parar na direção em que o cozinheiro estava. Mas, espera aí... A única pessoa que podia fazer isso era... A mão logo depois desapareceu, levando junto o estranho olho. Em seu lugar apareceram algumas pétalas rosas, que foram caindo ao chão onde Sanji estava, misturando-se com a terra e as pedras da caverna. Só ela podia fazer algo assim, mas, por quê? O que ela estaria fazendo ali? E a outra voz deveria ser então de...

— Ah, aí está você Sanji-kun – O som da voz da menina foi ecoando pelo túnel da caverna. O cozinheiro se levantou e correu na direção da voz. Quando chegou no final do túnel, viu a estranha árvore cinza, com alguns galhos quebrados. Bem embaixo dela, havia duas meninas, uma ruiva de cabelos curtos e uma morena com o olhar sério.

— Nami-san, Robin-chan! O que estão fazendo aqui?! – As duas estavam com uma expressão de dúvida, como se algo não tivesse acontecido como ela imaginavam.

— Mas... e o Zoro? Só você veio? – A navegadora olhava confusa para a entrada do túnel pelo qual Sanji havia chegado até ali, esperando que o espadachim entrasse também.

— Como vocês sabem que nós viríamos aqui? – O cozinheiro tinha suas dúvidas, mas não era burro. Ele lembrou do arbusto, do vulto e da pulseira que achara ao lado da casa de Haruki. – V-você estava lá? – Vendo a cara confusa da navegadora com a pergunta mal formulada, ele continuou. – Naquele arbusto, do lado da casa do ossan. Era mesmo você que estava lá, não é? – Isso era um problema. Se ela esteve mesmo lá significa que ela pode ter visto ele e Zoro... O cozinheiro corou com o pensamento. Nami ficou ainda mais irritada e morria de ciúmes por dentro. – Olha... Eu e Zoro...

— Você não precisa dizer nada. É por isso que está aqui, não é? Você quer isso aqui, certo? – Nami levantou um de seus braços que tinha alguns galhos quebrados da árvore. – M-mas... Por que o Zoro...?! – Sanji desviou o olhar. Sentia-se mal por deixar Nami desse jeito, mesmo sendo apenas efeito da fruta. Mas não sabia como esplicar. O que sentia por Zoro era algo mais forte, um sentimento que nem ele mesmo sabia que podia sentir. O que sentia por Nami e Robin era algo mais como admiração, por seus talentos, suas personalidades e seus corpos. Quando a navegadora percebeu que não ganharia uma resposta, não resistiu. Jogou os galhos no chão ao seu lado, irritada e magoada, deixando uma lágrima escapar pelo canto do olho. Robin apoiou uma das mãos no ombro da navegadora, fazendo a ruiva olhar confusa para a morena.

— Nami-san, talvez Zoro-kun não ter vindo aqui possa ter sido uma vantagem nossa – Robin falava séria, até terminar a frase com um sorrisinho malicioso no canto da boca. A navegadora arregalou os olhos com a ideia da morena, mas talvez ela tivesse razão. O loiro olhou as duas com uma cara confusa e assustada, já desconfiando o que elas queriam dizer. Robin foi se aproximando do nakama cada vez mais. – Vamos nos divertir um pouco...