Ai Ai No Mi
10 Par errado
Notas iniciais
– Nami-san, Robin-chan, esperem! – A cada passo que as duas nakamas davam a frente, o cozinheiro dava um para trás, com medo do que as duas pretendiam fazer. Sanji tentou dar mais um passo, quando percebeu que algo o impedia. Olhou para baixo e viu duas mãos saindo do chão e apertando com força suficiente seus pés para não deixá-los escaparem – Eu não vejo vocês dessa forma...
– Por quê?! O que o espadachim-san tem que nós não temos?! Você sempre quis isso, certo? Você sempre olhou para nós desse jeito, então começou a gostar do Zoro-kun somente agora, desde que chegamos na ilha. Como alguém pode mudar assim tão rápido de opinião e gosto? – Sanji parou para pensar um pouco. Até que o que ela dizia não era totalmente mentira, ele sempre as viu e admirou. E só passou a sentir algo especial por Zoro em uma noite... isso fazia alguma lógica? – Zoro-kun está apenas se aproveitando de você, querendo roubá-lo de quem você realmente pertence — A arqueóloga aproximou seu rosto do cozinheiro para cochichar em seu ouvido. – Eu.
– Robin! Já chega! – Nami puxou o ombro da morena impedindo que ela se aproximasse mais do loiro. A arqueóloga lançou um olhar ameaçador à ruiva que apenas a ignorou. Robin parou desconfiada. Ouvia algo... um som baixo e abafado, semelhante a pedrinhas caindo no chão. Virou-se para olhar a entrada da caverna quando sentiu algo em sua costas. O que era aquilo?! Estava a deixando cada vez mais fraca, até fazê-la cair no chão. Pôde apenas ver a imagem embaçada da navegadora próxima a ela, com alguns dos galhos da árvore cinza em seus braços.
– Robin-chan! – Sanji gritava enquanto via a morena fechar os olhos. Um dos galhos que Nami havia pego, estava preso entre suas costas e sua blusa. Funcionava como um pedaço de kairouseki. As mãos que seguravam seus pés agora haviam sumido e pétalas rosas haviam ficado em seu lugar. – Nami-san! Por que fez isso?! – Olhou para a navegadora assustado. Nami-san nunca faria isso! Isso só podia ser influência da fruta. Tinha que pegar logo o pó e acabar com isso. A ruiva apenas encarava Robin sem nenhuma pena, com seu olhar frio e ciumento.
– Ela deveria me ajudar caso você não estivesse sozinho. Mas se só você veio até aqui não preciso mais dela agora. Robin já brincou demais com você – A menina virou-se para agora encarar o olhar assustado e triste do nakama. – Agora é a minha vez.
– Nami-san, espere. Eu preciso te explicar... – A navegadora se aproximava cada vez mais do loiro com o olhar cheio de desejo, o que o deixava mais nervoso e preocupado. Nunca machucaria uma dama. Precisava apenas correr até a árvore e engolir um pouco do pó. – Essa não é a sua real você – O cozinheiro tentava organizar as palavras em sua mente. – Você... Você está sob efeito de uma Akuma no Mi, Nami-san... Quero dizer, eu comi uma Akuma no Mi e ela faz com que vocês fiquem desse jeito... Apaixonadas, sem motivo algum.
– Não é verdade...
– É sim, você precisa entender...
– Não é verdade! Foi o Zoro quem te disse isso?!
– Isso não tem nada a ver com o Zoro! Eu comi a merda da Akuma no Mi por conta própria! Eu entrei na floresta, eu encontrei essa árvore e agora tenho essa porra de poder! Mas eu não queria isso! – Sanji explodiu. Tudo soava mais como um desabafo do que uma explicação. Mas estava sendo sincero, tudo o que dizia era verdade, era exatamente como ele se sentia desde que comera a fruta. A atitude do loiro fez Nami mudar de expressão. – Eu não queria que isso tivesse acontecido! Eu estraguei tudo! Eu, não o Zoro...! – O cozinheiro abaixou a cabeça. – Zoro não tem nada a ver com isso... – E desabou no chão enquanto algumas lágrimas caíam de seus olhos. Droga! Por que estava falando isso para Nami-san? E chorar na frente dela parecia tão vergonhoso, mas por mais que quisesse parar e levantar a cabeça novamente, não conseguia controlar todos os sentimentos que passavam por ele agora. Preocupação, tristeza, vergonha e principalmente culpa. Sanji levou as mãos aos olhos para tentar controlar as lágrimas que não paravam de cair. Sentiu a mão da navegadora entre seus dedos molhados. O loiro levantou a cabeça contra sua vontade para olhá-la, confuso. Nami passou os braços por seu pescoço, dando-lhe um abraço. Sanji ficou surpreso, não esperava por isso. Foi um abraço inocente e confortável. Ficaram por um bom tempo na mesma posição.
A ruiva recuou para poder olhar novamente para o cozinheiro. Nami se ajeitou, sentando em cima do loiro com uma perna de cada lado de seu abdômen. Puxou sua gravata delicadamente levando seus lábios aos do nakama. Deu um beijo curto e delicado no menor, que nem mexeu a boca.
– Viu? – Nami falava com a voz suave em seu ouvido. – Fiz você parar de chorar – A ruiva deu um pequeno sorrisinho antes de avançar com seus lábios novamente fazendo Sanji recuar, virando o rosto, deixando-a com um olhar desapontado.
– Nami-san, não... – A navegadora puxou o queixo do nakama insistindo novamente. Sanji forçou sua cabeça para que continuasse no lugar. Nami então decide avançar de outro jeito, aproximando os lábios do pescoço do loiro. Deu pequenos selinhos até começar a usar a língua.
– Nami-san, já chega! – O nakama tentou se levantar mas foi impedido pelo corpo da navegadora em cima dele. Nami foi subindo com os lábios pelo pescoço até chegar novamente na boca do cozinheiro, enquanto puxava sua gravata com força para mantê-lo perto de si. Sanji estava nervoso e começava a entrar em desespero. Não podia fazer aquilo e muito menos queria fazê-lo. Tinha que sair logo daquela posição antes que Nami tentasse algo mais... Todos esses pensamentos passavam rapidamente pela mente do loiro enquanto os lábios suaves e delicados da navegadora tocavam com violência os seus, que tentavam não se entregar à língua da menor. A ruiva começou a tatear pela blusa do nakama, procurando por algo pequeno e redondo. Quando encontrou o que procurava, foi abrindo os botões em sequência para logo após avançar com a mesma mão por debaixo do pano, tocando o peito musculoso do nakama. O toque quente da navegadora sobre sua pele causou calafrios por todo seu corpo. Sanji arregalou os olhos. Começou a empurrá-la com certa força que nunca pensou que usaria contra ela, até se conter novamente. Queria sair dali, mas não podia machucá-la. Os galhos de kairouseki estavam caídos no chão próximos aos pés da ruiva. Se ele conseguisse chegar até eles... Ambos pararam por um instante. Um som alto e estranho ecoou pela caverna. O som era semelhante ao de pedras rolando. Sanji aproveitou que a navegadora ficou distraída e esticou o braço até os galhos de kairouseki, mas antes que seu braço conseguisse alcançá-los a mão de Nami que antes estava em seu peito segurou sua mão num movimento ágil, lançando logo após um olhar ameaçador ao loiro.
– Não pense que me esqueci disso – Nami chutou os galhos próximos a eles, que não foram parar tão longe, mas a uma distância suficiente para que nenhum dos dois os alcançassem mais. Sanji reprimiu um “Merda!” furioso em sua mente. A navegadora voltou sua atenção novamente ao nakama, ignorando o que acabara de acontecer. Sanji ainda tinha suas dúvidas com relação ao ocorrido, mas tentou pensar em um novo jeito de sair dali, ou alcançar os galhos ou seja lá qual fosse a solução que ele daria, quando um novo barulho interrompeu seus pensamentos. O mesmo som de antes se repetia, mas numa intensidade muito maior dessa vez, como se algo tivesse se aproximado mais de onde estavam. Nami dessa vez não parou. Embora isso a irritasse, não deixaria ser distraída e deixar Sanji fugir. A violência de seus beijos demonstravam claramente sua raiva naquele momento.
Tudo em volta deles pareceu ficar totalmente em silênsio por um instante, ouvia-se apenas as respirações dos dois. Um barulho enorme seguido de pedras se quebrando fez os dois pararem e olharem em direção ao som. Havia um buraco na parede da caverna de onde saia uma enorme quantidade de poeira. Ambos esperaram a poeira abaixar até que uma silhueta preta se formava no meio da poeira. Quando tudo já havia ficado claramente visível ambos puderam perceber o que havia feito aquilo.
– Assim é bem mais fácil de chegar até aqui – Um homem musculoso de cabelos verdes falava enquanto guardava suas espadas na cintura. Estava usando uma camisa branca rasgada em algumas partes, deixando visível parte de seu peito musculoso. – Não sei como você consegue saber pra que lado ir... – O espadachim deu leve batidinhas nas calças para tirar a poeira até levantar a cabeça e olhar na direção dos dois, ficando totalmente imóvel, até sua expressão virar uma mistura de surpresa, dúvida e raiva.
– Zoro! – Sanji berrava enquanto tentava se levantar. Nami empurrou o cozinheiro para que ele ficasse deitado no chão, enquanto se ajeitava para sentar sobre seu abdômen. Cruzou as pernas e deu um olhar convencido ao espadachim.
– Parece que você perdeu seu brinquedinho – O sorrisinho que surgiu no canto da boca da ruiva irritou ainda mais o moreno. Sanji abriu a boca para falar alguma coisa mas a navegadora a cobriu com uma das mãos, saindo apenas gemidos irritados. Zoro tentou controlar sua irritação antes de falar.
– É só eu tirar os olhos de você que isso acontece – Zoro passou a mão pela cabeça tentando se acalmar. Ainda não era a hora de libertar sua raiva. – É melhor você sair de cima do meu loiro.
– Ou o que? – Nami falava em tom irônico. Zoro tirava uma das espadas da bainha antes de responder. Sanji olhou assustado a cena já temendo o que faria.
– Ou você vai se arrepender por isso.
Notas finais
Deixei o Sanji meio vulnerável e fraco demais? Ou é só impressão minha? D:
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