Agora mais Rápido, Ser Desprezível
6 "Quando tudo poderia dar certo..." poderia
Notas iniciais
A aula de educação física era uma merda e, ainda por cima, minha cabeça girava por causa de Frank.
Todos os garotos do segundo ano faziam exercícios juntos. Minha sorte era a de Mikey sempre estar no mesmo time que eu e jogar por nós dois.
_Separando os times, mocinhas. – o treinador.
Num canto, Ray, Miks e eu formamos um dos times, como sempre.
_Não joguem a bola pra mim sob nenhuma hipótese. – falei me alongando.
_Relaxa, Gerard. – Ray sorriu pra mim.
Sem ser convidado, o treinador parou do nosso lado e começou:
_É sempre o mesmo Clube do Bolinha, não? – sorriu sarcástico, segurando uma prancheta.
_Clube do Bolinha não significa que é um grupinho só de garotos? – levantei.
_É, por que? – ele tirou uma caneta do bolso, parecendo desinteressado.
_São todos garotos nessa aula. Qualquer grupo é o Clube do Bolinha. – pareci óbvio demais, só faltou o “Dã!” no final. O professor me fuzilou com os olhos, e os garotos emitiram sons estranhos, o que eles faziam quando precisavam desesperadamente rir.
_Preste atenção – ele deu um passo pra frente, se aproximando de mim – Não queira parecer o palhaço da turma. Não na MINHA AULA! Seja lá qual for o seu nome. Estamos entendidos?
_Sim, senhor. – bati continência.
Ele semicerrou os olhos, mas me deixou em paz.
_Falta um no grupo.
_O Tom foi suspenso. – Mikey disse espiando o que o professor escrevia na prancheta. Olhou pra mim e passou um dos dedos pelo pescoço, simulando uma decapitação.
_Não podem jogar com três.
_Sem problemas. – Moiks se afastou um pouco de nós e berrou pra um garoto sentado na arquibancada. – FRANK?
Ah, não! Se eu acreditasse nas forças do universo, estaria as culpando agora. Me senti corar.
O garoto veio correndo. Apertando suas entranhas numa camiseta colada.
_Oi.
_As quatro, então? Ok – ele correu mais um pouco a caneta pelo papel preso na prancheta, depois o passou pra mim.
Agora eu entendia o sinal que Mikey fizera pra mim. Era uma condenação.
_30 minutos extras, treinador? – indaguei incrédulo.
Frank riu baixo e sussurrou “Merecia mais.”
Escutando o que o garoto sussurrara, o professor voltou a falar
_Tem razão. – puxou o papel de minhas mãos, fez algumas mudanças e me devolveu. – 60 minutos extras! — Rapidamente preencheu outro papel e entregou-o para Frank – Idem pra você, baixinho. Na minha aula, só EU dou opinião. E se as bichinhas souberem contar, 60 minutos formam uma hora. Quero vocês na quadra depois da aula.
O treinador saiu de perto, e foi gritar com outros garotos. Olhei pra Ray, que já estava roxo por segurar as gargalhadas. Foi voltando ao normal depois de cinco minutos rindo.
_Muito obrigado, Gerard. – Frank falou, dando importância demais pra detenção. Era só uma hora a mais. O que me fez pensar: talvez o problema dele fosse eu. – Satisfeito?
_Foi você quem começou, Iero!
Ele deu as costas e se pos na posição do nosso lado da quadra. Ele era tão lindo e tão... incoerente.
Há alguns minutos atrás, passar qualquer tempo com Frank era meu sonho. Mas agora, eu não tenho certeza se nós podíamos ficar uma hora juntos sem nos matarmos.
O sino tocou e pouco a pouco a quadra se esvaziava.
_Gee, você tá legal? – Mikey disse, parado diante de mim.
_É só uma detenção idiota. Eu não sou nenhum lesado, Moiks.
_Eu sei, eu sei. Nossa você está estranho!
_Desculpa. – diminuí o tom de voz. Fui estúpido com meu irmão por causa daquele Iero-da-puta.
_Sem problema. – ele pegou a bolsa. – Eu te espero pra gente ir ver a vovó.
_Não! A mamãe está te esperando. Ela vai ficar muito feliz em ver você. Vai sem mim. Daqui uma hora eu chego lá.
_Valeu. – ele sorriu – Mas se eu falar que você tá na escola depois do almoço por causa de detenção, ela vai me colocar uma camisa de força.
_Fale que estou estudando, então.
_É mais a sua cara, mesmo. – Mikey deu um tapinha no meu braço e saiu – Feel the moment, Gerard.
“Uhul!”
O lugar já estava vazio.
De um lado da arquibancada, eu, e do outro, Frank.
_NÃO VOU FICAR AQUI VIJIANDO VOCÊS! DEEM UMAS VOLTAS NA QUADRA, SEI LÁ. DAQUI UMA HORA EU VOLTO. – o treinador berrou do meio da quadra e, se aquilo não era a saliva dele respingando a metros de distancia, era chuva.
Pingos começavam a desenhar na quadra.
O professor correu pra fora dali. Peguei minha mochila pendurada na trave e percebi outra bolsa perto da minha. Um chaveiro estampado com a caveira-logo dos Misfits, dizia que ela pertencia a Frank. A chuva apertou e eu corri pro vestiário carregando as duas mochilas pra dentro. Lá, Frank encharcado tirava as roupas.
_Essa bolsa é sua? – disse desviando o olhar de seu corpo desenhado.
_Obrigado. Joga aí em qualquer canto.
Coloquei as bolsas em cima de um dos bancos. Entrei em uma das repartições reservadas com os chuveiros, tirando minha roupa lá dentro.
Frank desfilou seu corpo seminu, exibindo uma boxer verde e suas tatuagens pelo corpo perfeito. Senti alguma coisa levitar em mim de leve.
_Quer um sabonete, Way? – ele perguntou corriqueiramente, voltando com duas pedrinhas brancas na mão.
_Por favor.
_Toma. – Frank praticamente entrou em meu chuveiro, percebendo minha vergonha e rindo alto. – Animadinho você, hein?
Senti vontade de morrer, mas o que fiz, foi colocar a ducha mais gelada possível. E se não fosse a água fria, a cena – Frank de olhos fechados, com água correndo por seu rosto – me deixaria excitado mais uma vez.
Ele saiu sem se demorar do chuveiro, enrolando uma toalha na cintura.
Toalha... Cadê minha toalha? “Ah, não, não, não, não!” Esqueci. O que eu faço? O. Que. Eu. Faço?
_Frank?
_Sim. – ele já estava vestido, inacreditavelmente lindo de uniforme e com os cabelos molhados, o moicano penteado pra trás. E tudo isso, parado na minha frente, em apenas 1,65 de altura.
_Pode pegar uma toalha pra mim, por favor? – fechei o registro d’água.
_Estou muito ocupado.
_É sério.
_Eu sei.
_Pode pegar a toalha, então?
_Sai pelado, oras.
_Não.
_Então apodrece aí.
_Não vai pegar?
Ele cruzou os braços, se divertindo com a cena.
_Frank, eu estou congelando.
O menor pegou uma toalha no próprio armário e atirou pra mim.
_Só retribuindo. Você pegou minha mochila, eu peguei uma toalha, isto é, estamos quites.
Ele saiu.
Vesti-me rápido, pra espiar o garoto sem que ele me visse. Frank estava debruçado sobre um caderno, o lendo atentamente. Às vezes, sua expressão vacilava, como se lesse as páginas mais interessantes de um livro.
De repente, ele girou a cabeça negativamente e fechou o caderno. Respirou fundo e abriu minha mochila sem tirá-la do lugar. Saí de onde estava, fazendo Frank pular de susto, enquanto depositava aquilo na bolsa.
_O que você está fazendo? – perguntei e ele puxou o caderno de volta e o colocou atrás de si.
_... Nada.
Bufei. Ele tirou o objeto devagar e esticou-o pra mim, com as sobrancelhas baixas.
Na capa azul, pude ler “Gerard. IV”. Aquele era meu antigo diário. Frank nunca poderia ter lido nada escrito ali. Ninguém poderia. Se alguma coisa ainda não havia dado errado entre nós dois, ia dar-se agora.
_Isso é meu. – não peguei o caderno. Apenas olhei pra Frank, num misto de raiva e constrangimento.
_Me desculpe. – ele colocou o diário dentro de minha mochila e fechou. Sentando-se no banco e dando batidinhas do seu lado. – Vem cá.
Não fui.
_Você escreveu aquilo? – Frank lançou um olhar triste pra mim.
_Provavelmente. – permaneci rígido.
_Gee, — ele encostou a cabeça na parede, sem tirar os olhos de mim – eu não queria parecer invasivo...
_Gee? — Revirei os olhos. – Meu nome é Gerard, G-E-R-A-R-D.
Mikey tinha razão, eu estava estranho. Frank me tirava dos eixos.
_Desculpa. – acrescentou, me dando razão – Quer conversar?
_Leu meu diário e ficou com dó, Frank? – ri amargamente, vendo-o se levantar. – Não precisa. Aquilo é velho.
_Velho quanto?
_Velho tipo antes dos remédios. Não escrevo mais.
_Não escreve, mas sente. – Frank se aproximou e eu derreti, pra variar. – Me empresta o seu celular?
Passei o telefone pra Frank e o observei gravar seu número ali. “Eu odeio ser tão fácil, tão bobo, tão burro.”
_Atendimento 24 horas. – ele devolveu direto pro meu bolso. – Jura que vai ligar sempre que precisar conversar?
_Como assim?
Ele pegou meu pescoço e me prendeu contra a parede. O baixinho era forte e, se ele continuasse tão perto, o “Litlle Gerd” daria o prazer de sua presença e ereção.
_É PRA LIGAR PRO FRANK IERO PELO MENOS UMA VEZ POR DIA. ENTENDEU?
_Entendi.
_ENTÃO REPETE! – aquela mini versão do treinador estava me deixando surdo.
_Vou ligar pro Frank todo dia. – senti o ar me deixar completamente.
Ele me soltou, juntou os braços, fez biquinho e disse:
_Promete?
Bizarro e perfeito.
_Pr...
_Mostra a língua e os dedos!
Recuperei a respiração e fiz o que ele pediu. O meu “Prometo” saiu bem enrolado. Mas eu não sei se tenho realmente coragem de ligar pra Frank.
_Mudando de assunto... Sobre o banheiro... hoje.
Meu coração queimou.
_Sim. – tentei parecer maduro e desinteressado.
_O que você achou? – ele olhava pra cima, esperando resposta.
_Legal – a voz vacilou – Quero dizer, foi confuso.
_Você é confuso.
“Eu?” Seu filho da puta, foi você quem me deixou lá com cara de merda sem entender porra nenhuma.
_Você é confuso.
_O que me torna confuso? – Frank abraçou-me pela cintura.
Ele não perguntou isso...
_Nada. Deve ser só impressão minha. – abracei de volta.
_Gee... – pigarreou — Gerard?
_Pode falar. – Apertei meus braços ao redor de Frank o máximo que pude.
_Que cor são meus olhos? – o baixinho abaixou as pálpebras para evitar que eu colasse.
_Verdes. – “Os olhos mais lindos do mundo”, diga-se de passagem.
Ele abriu os olhos sorrindo com todos os dentes e me deu mordidas no queixo.
_E os meus? – perguntei olhando pra cima, onde ele não alcançava.
_Não sei o nome dessa cor. Mas parece lodo.
Rimos juntos, até quando Frank se interrompeu e disse “São lindos demais.”
Nos beijamos com tanta força, que senti minha língua formigar quando paramos. Mas Frank não me deu descanso: Puxava meus cabelos molhados e lambia meu rosto, até quando encontrava meu lábios e os sugava com vontade.
Frank desceu suas mão e acertou em cheio minha bunda, rindo do outro lado do beijo.
_Não... Frank... Pa... – ele não me deixara falar, me beijou mais intenso quando tentei.
_Deixa eu cuidar do Gerard, G-E-R-A-R-D. – Frank desgrudou um pouco, mas ainda estava com o rosto completamente colado no meu.
_Aqui não. – penteei seu cabelo com os dedos, ele fechava os olhos com o carinho.
A chuva já passara e a hora de detenção também.
_Vai fazer alguma coisa hoje à noite? – disse ele com a voz estava embaçada
_Vou.
_Ah, que merda! – se soltou de mim, pegou a mochila e dava pequenos passos em direção à porta. – Vai fazer o que?
_Ligar pro Frank. — sorri, mas o garoto arregalou os olhos e fez uma careta.
_Depois eu que sou confuso.
Como em todas as nossas vezes, ou quase vezes, Frank me deixara sozinho. Certo, na cozinha tinha os meninos e tal, mas, porra, como alguém podia ser tão lindo?
Sentei no cão, avaliando cada beijo que aquele baixinho havia me dado.
“Eu o amo?”
“Amor não existe, Gerard”
_Filho, sai daí que você vai pegar um resfriado! – Frank reapareceu na minha frente. – Sua mãe me deve essa.
Levantei-me quando ele puxou minha mochila, a colocou nas costas e saiu.
_Aonde vai, Iero? – Saí também, arrumando as roupas amassadas pelo garoto.
_Vou te levar pra casa, oras. – eu tentava alcançá-lo, mas Frank praticamente corria.
_Por quê?
_Porque você é o melhor aluno da sala. – desse abrindo a porta do carona pra mim.
Entrei.
Frank deu a volta pela frente e entrou também, entregando minha bolsa. Arrancou, mas andava muito devagar. Talvez ele quisesse conversar, porque eu queria muito passar mais tempo com ele.
_Aonde o rapaz mora?
_Vira à direita daqui dois quarteirões. – Frank sorriu.
O telefone dele tocou dentro do bolso. Ele me olhou medindo desculpas e eu fiz que “tudo bem”. Frank alcançou o celular dentro do bolso e passou a dirigir com apenas uma das mãos.
_Fala, arrombado! – ele olhou pra mim e moveu os lábios. Acho que entendi “é o Mikey”. – Como assim fugindo da sua avó? POR QUÊ? – Confirmado – Não acredito. – Frank ria tão alto, tão alto.
Mikey era visivelmente melhor pra Frank, em todos os aspectos. Eu estava sendo egoísta em o querer pra mim, sendo que ele poderia dar risadas com meu irmão todo o tempo, e eu só poderia arrancar um sorrisinho dele. E é uma gargalhada tão boa de ouvir, que eu deveria só ouvir mesmo.
Notas finais
Gerard vai se afastar de frank ou vai ligar pra ele "todos os dias"? Façam suas apostas.
Respostas no próximo capítulo, nesse mesmo canaal, nesta mesma hora MASOQ kkkkkkkk
Pra quem tiver twitter e quiser me mandar toma no rabo por lá também > @jeisyelaine
Obrigada por lerem, fiquem com DEUS. ♥
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