Agora mais Rápido, Ser Desprezível
7 Agora, e pelo resto de nossas miseráveis vidas
Notas iniciais
*le tambores*
Esse é o ultimo capítulo de um 'ciclo', depois vai vir o fire mesmo.
Três da manhã.
Sábado – não tem aula, não vou vê-lo.
Lá fora da janela o frio pedia pra entrar.
O telefone rodava em minhas mãos, mas eu achava mil desculpas pra não ligar.
E se eu não ligasse, o frio entraria sem permissão.
Procurei manter a mente vazia enquanto buscava “Frank” na agenda.
“Por favor, não atenda...” Pensava.
_Alô? – a voz doce fez meu coração bater mais rápido que o vento na janela.
_F-Frank? – gaguejei.
_É o Gerard. – suspirou alto — Pensei que não fosse ligar.
_Eu prometi, lembra?... Te acordei?
_Não, eu estava acordado... Pensando. – a voz ficou triste no final.
_Estou incomodando?
_NÃO! Quero dizer... Não desliga. – Frank começou com um grito, depois foi diminuindo o volume gradativamente.
_Tudo bem.
Escutei uma música do outro lado, tocada num violão.
_Frank, é você tocando?
_Sim. Gostou?
_É lindo.
_A música? – ele continuou tocando.
_É.
_Ah! Pensei que fosse eu. – riu.
No fundo, uma voz feminina apareceu: ”Frank, essa porra de violão de novo? De madrugada? Tá apelando. Quando eu pegar ele e enfiar no seu cu, vamos ver que música sai.“
_Gabrielle. – afirmei.
_Menina inconveniente.
_Não sabia que você tocava. – comecei, mas a música já havia parado.
_Só um pouquinho... Mas agora que já sabe, tem que me contar alguma coisa sobre você. –propôs ele.
_Pra que? Você já leu o meu diário.
_Já pedi desculpa, mas que merda! Eu não sabia que era um diário, até porque meninos não escrevem diários. Mas se não quiser desculpar, tanto faz, não preciso do seu perdão.
_Calma. – ri, ouvindo o garoto atropelar as palavras.
_Você é todo aboiolado! Aposto que organiza os livros em ordem alfabética na prateleira.
_... Aposta quanto?
_Ah, não, Gerard, eu tava brincando. Você faz isso, mesmo?
_Sim, qual o problema?
_Ai, ai... – suspirou ele – Meu próprio nerd.
_Eu não sou nerd.
_Quem disse que eu estou falando de você?
_Mimadinho.
_Quer saber? Você tem razão! Tenho sido um garoto malvado.
_Que bom que reconhece.
_Mereço uma surra. – Frank fez uma voz sexy – Me bate?
Senti-me idiota por corar.
_Sete horas, na Praça dos Rouxinóis, ok? Beijo, thau. – ele disse determinado, mas não desligou o telefone.
_Tá. – também não desliguei.
_Então tá.
_Combinado.
_Agente não está fazendo isso, né?
_Não mesmo!
_Então thau, Gerard.
_Thau, Frank.
_Dá pra desligar esta merda?
_Olha, desligamos no “três”, certo?
_Ok.
_1...
_Eu... – sussurrou ele.
_2...
_te... – continuou.
_3...
Ele desligou sem terminar a frase.
O lugar estava cheio, apesar de ser uma manhã de sábado.
Pessoas se beijando tomavam a maioria dos bancos, circundados por árvores tortas que atiravam suas folhas por todos os lados. O céu tomava uma cor azul insuportavelmente claro, e a falta de nuvens me deixava enjoado. Estaria eu preso em um clipe romântico dos anos 80?
Sentei-me sobre monte de folhas secas encostados num canto qualquer da Praça.
_Posso me sentar aqui? – um homem alto se pôs ao meu lado, sorrindo e apontando para o chão.
_Claro.
_Muito prazer, sou Paulo. – ele estendeu a mão e eu a apertei cordialmente.
_Gerard.
_Belo nome. – “Cadê o Frank?” Percorri o lugar com os olhos, mas não encontrei o baixinho – Quantos anos você tem, Gerard?
_Dezesseis. – respondi, tentando entender o que ele pretendia com tudo aquilo.
_Que novinho! – Paulo sorriu sozinho. – Esperando alguém?
_Sim.
_Quantas chances tem desse alguém não aparecer?
_Não sei. – suspirei pesadamente. Considerando quem eu esperava, haviam largas chances de ficar no vácuo – Talvez ele venha.
_Ele? – Paulo levantou uma das sobrancelhas.
Ouvi um murmúrio, mas não pude decifrá-lo.
_Oi, moço, obrigado por tomar conta do meu namorado. – ouvi aquela voz linda vinda de trás de mim.
_Bom, foi um prazer, Gerard. – o homem se levantou e mandou-me um beijo indo embora.
_Que insolência! – Frank disse alto suficiente para que Paulo o escutasse.
_Olá, estou aqui! – cantei.
Ele atirou uma cesta de palha do meu lado, e sentou-se em meu colo de modo que seus lábios ficassem de frente pros meus, e suas pernas ao redor de minha cintura.
_Oi, Gerard Way. Como vai? – seus braços contornaram meu pescoço.
Se eu não estivesse tão tenso, tiraria a roupa ali mesmo.
_Bem, e você?
Frank usava boina e jaqueta pretas. Ele estava mais lindo que nunca. Os olhos brilhando como o sorriso...
_Estou ótimo. – encostou seus lábios nos meus delicadamente. Depois deslizou o corpo pelas folhas até se desprender de mim. – Olha o que eu trouxe! – Frank puxou a cesta para si e tirou uma torta vermelha de dentro.
Retirou um pedaço grande da bandeja.
_Abre. – ele imitou o barulho de um avião e colocou a torta na minha boca. Mordi metade. – O que achou?
_É delicioso. – falei de boca cheia.
_Eu que fiz. – lindo, abocanhou a outra metade.
Observei cada detalhe de Frank. O rosto, o corpo miúdo, o jeito. Era a cena mais linda que havia passado por minha mente. Poderia vivê-la pra sempre.
_Gerard?
_Frank. – saí do transe, o que não fez muita diferença, já que ele estava na minha frente, e não apenas em meus delírios.
_Olha ali. – ele apontou para um casal de velhinhos de mãos dadas, entrando na Igreja.
_O que é que tem?
_Não é lindo? – senti seus dedos se agarrarem aos meus.
_Não curto velhos. – disse sério.
_Por quê? – Frank olhou-me arregalado.
_Eu prometi a mim mesmo que cometeria suicídio antes dos 20, porque eu não quero ser velho.
Frank se levantou e estendeu a mão pra mim. Quando me pus de pé, ele começou a correr, me puxando.
_Pra onde está me levando? – mal conseguia falar. “Quem mandou fumar dois maços por dia, Gerard?”
_Calma, a gente tá chagando.
_Você deixou a cesta lá.
_Sem problemas, alguém acha.
Entramos num bosque, andamos mais um pouco e, de repente, Frank parou.
_Esse é meu lugar preferido de todos os tempos. – suspirou feliz – É a primeira pessoa que trago aqui, Gerd.
Olhei ao redor e só vi arvores, terra e mato. Foda-se. Frank estava ali.
_É lindo. – menti.
_Eu sei. – nos sentamos em um tronco esticado no chão. – Sabe o que te falei pelo telefone hoje, mais cedo? Sobre querer saber tudo sobre você? Eu quero mesmo, e muito, que me conte... Eu não vou achar bizarro ou doentio.
_Sério?
_Prometo que não saio correndo. – Frank esticou as mãos e botou a língua pra fora o máximo que pode.
_Bom... – suspirei escolhendo por onde começar, e decidi começar pelo começo mesmo. – Eu não conheci meus pais biológicos. O primeiro grande acontecimento da minha vida foi ser adotado, aos cinco anos. Os caras eram religiosos, eu não me lembro direito, mas me disseram que eu aparecia com manchas pelo corpo de uma hora pra outra e sem motivos, aí me devolveram alegando que eu era uma aberração ou, sei lá!
Frank riu.
_A partir daí, as pessoas começaram a me ignorar.
_Ignorar como? – disse ele interessado.
_Fingir que eu não existia. Literalmente. Ninguém falava nada além do extremamente necessário comigo. Eu tinha sete anos quando comecei a pensar nas estratégias pra ser adotado de vez. Um belo dia estava desenhando no meu canto e um garoto quatro-olhos chegou perto de mim e simplesmente perguntou “Quer ser meu irmão?” – imitei uma voz infantil e animada.
_Mikey...
_É. Eu falei que sim, claro. O garoto era tão legal e queria mesmo ter um irmão, e... É impossível encontrar uma pessoa no mundo que não goste da Donna. Família perfeita!
_Mas e seu pai?
_Pra ele tanto faz.
_E o que acontece depois?
_Nada.
_Então ter um fã clube na escola veio de graça?
_Eu não ligo pra elas, Frank. Aquelas meninas são loucas.
_Minha irmã se inclui perfeitamente no perfil. – ele balançou a cabeça.
_Até alguns meses atrás, eu provocava minha dor pra sentir prazer. Mas depois que certo alguém se matriculou na escola...
Olhei-o.
_Eu?
_Exatamente. Eu comecei a me mutilar não só por prazer, também pra não pensar tanto em você, Frank.
_Você pensava muito em mim? – Frank parecia triste. – Eu também, mas tentava disfarçar, porque você parecia tão distante e frio... Como se não houvesse ninguém aí dentro.
Ele estava certo, eu me sentia assim, oco.
_Mas ao mesmo tempo era perfeito demais, bom demais pra mim. – Frank riu amargamente.
_Agora me fala sobre você. – me virei para o garoto o máximo que pude.
_Eu, Frank Iero, estava muito bem até a Gabrielle nascer pra fuder com minha vida.
_Fala sério. – resmunguei.
_Eu já quis ser padre...
_PADRE? – comecei a rir e Frank me acompanhou.
Eu só tentava entender como ele podia ficar mais lindo ainda quando sorria.
_Essa é a parte engraçada... Eu já fiz muita coisa errada, Gerd. – ele parou de rir e enrijeceu a expressão.
_Errado...?
Frank apenas suspirou pesadamente olhando pra mim.
_Pode falar, se quiser. – sorri.
_Eu, sinceramente, acho que você deveria saber, mas se eu contar Moik me mata.
_O que meu irmão tem com isso?
Frank riu e tirou um frasco do bolso de trás.
_Esqueça ele agora, Ger. – Frank colocou minhas mãos em sua jaqueta – Tira.
Desabotoei, e ele se apressou pra jogá-la longe e tirar a camiseta que usava por baixo. Tirei as minhas também.
_Quantas cicatrizes... – disse examinando-me — Posso chupar? – Frank não esperou resposta, me jogou numa moita alta e pulou por cima, fazendo-me gritar.
Ele apertou o frasco e uma espuma branca saiu de lá. Frank espalhou aquilo por todo meu rosto e começou a lamber. A sensação de tê-lo pra mim era indescritível.
_Fronk! – gemi quando ele pressionou meu... órgão genital.
_O que é, meu amor?
“Meu amor”
_Meu o quê? – indaguei entre risadas.
_AMOR. – abri espaço entre meus lábios pra beijá-lo, mas o garoto que se encontrava sobre mim encheu minha boca com a coisa branca.
_Chantilly?
Quando percebi, Frank já tirara minhas calças e observava minha boxer vermelha molhada.
_O que vai fazer?
_Nem queira saber.
O baixinho mordeu meu queixo, meu peito, minha barriga, o elástico de minha cueca... A cada mordida, ele olhava pra cima.
_Isso não é certo.
Ele se levantou, catando as nossas roupas do chão. Me jogou as minhas e vestiu as dele.
_Frank, desculpa.
_Tudo bem, tudo bem. Agora veste isso aí, sim? – lançou-me um olhar brilhante.
“Porra, o que eu fiz?”
Ele me esperou que eu me vestisse, me ajudando a tirar as folhas grudadas nas roupas.
_Você está lindo. – Frank me abraçou.
_Você é lindo.
O menor saiu correndo, me guiando dentre as árvores, do mesmo jeito que fizera quando entramos ali.
A Praça dos Rouxinóis estava mais cheia ainda. Nós tivemos que desviar dos casais que se punham em pé, aos beijos, espalhados pelo lugar.
Paramos em um canto menos lotado do lugar. Era um túnel escuro, feito de pedras. Lá, apenas duas garotas.
Frank sussurrou para meus ouvidos:
_Eu te amo muito. Passa a sua vida toda comigo?
_A vida toda. – ri, mas ele parecia falar sério.
Frank pediu pra as garotas que nos observavam.
_Casa a gente? – animou-se.
_Claro! — Elas se olharam de uma forma fraternal e se beijaram logo depois. – Prontos? – uma delas se dirigiu a nós.
_Sim. – disse.
_Sim.
_Estamos aqui reunidos, para presenciar a união entre duas pessoas que se amam. – ela era boa nisso, admito.
Olhei pra frente: Frank ria de canto a canto, a ponto de fechar os olhos verdes pela altura que as maças do rosto subiram.
_Você... – ela olhou-me.
_Gerard. – sussurrei.
_Gerard, aceita...
_Franklin.
_Gerard, aceita Franklin de todo seu coração, para amá-lo e respeitá-lo por todos os dias de sua vida?
_Eu aceito. – disse com convicção, mas vacilando no tom.
_Frank – abreviou –, aceita Gerard de todo seu coração, para amá-lo e respeitá-lo por todos os dias da sua vida?
_Sim. – um olhar tímido surgiu em seu rosto.
_Podem se beijar.
A boca de Frank tomara o gosto do chantilly. Acariciei seu rosto, secando suas lágrimas que pararam no meio do caminho. Aquele dia podia ficar melhor?
Senti alguém colocar alguma coisa no bolso de minha calça.
_Felicidades!
Elas nos deram camisinhas. Olhei pra Frank que sussurrou “Agora continua sendo errado pra ti, meu bem?”
_Obrigado. – me dirigi às garotas.
Saímos em direção ao bosque, para, usando as palavras de Fronkey, “fazer sacanagem”.
Peguei o garoto no colo, levando-o ao lugar onde estivemos mais cedo.
Quando tudo corria perfeito, fomos interrompidos por sons de palmas. Levei um susto, desci e segurei meu menino num abraço.
_Que cena linda! – a voz demonstrou ironia – As duas bibas estão casadas agora. QUE COMOVENTE!
Reconheci a voz, mas não pude acreditar. Frank apertou-me.
_Do nanico eu já esperava, mas de você, Gerard, nunca! O papai vai ficar sabendo...
_E o que você ganharia com isso? – falei, pegando Iero de uma forma protetora.
_Ganharia o que é meu de volta.
O garoto loiro saiu detrás das árvores.
_Sai daqui! SAI DA MINHA VIDA!!! – Frank gritou.
_Cala a boca que meu assunto é com sua noivinha.
_Não estou o reconhecendo, Tom... – disse eu, ainda sem entender o que estava acontecendo.
_Não vou deixar você fazer nada com ele, seu verme asqueroso. – o baixinho disse ao garoto loiro, cuspindo no chão ao terminar.
_Eu não vou fazer nada além de uma ligação.
Tom saiu.
“O ‘por todos os dias de nossas vidas’ para Frank e eu terminaria ali.”
_Frank... – beijei-o como se aquele fosse nosso último beijo.
_Gee, eu te amo muito. – abraçou-me.
_Eu sei, nos casamos. – tentei parecer animado.
_É mais do que isso... Me promete uma coisa?
_Qualquer coisa.
_Que nada que te contarem sobre mim, vai te fazer me deixar?
Puxei sua cabeça pra mim, a fim de lhe dar um beijo, mas ele segurou meus lábios.
_Só promete.
_Eu nunca o deixarei, Frank Iero. – ele fechou os olhos, aliviado, e uma lágrima desceu pelo seu rosto.
_Desculpa. – o menor saiu correndo, me deixando sozinho, como ele costumava fazer. Mas dessa vez, parecia não fazer por vontade própria.
Notas finais
Gente, pq frank deixou o Gee lá?
Bom, a história vai mudar completamnete (c.o.m.p.l.e.t.a.m.e.n.t.e ~completamente~ c/o/p/e/t/a/m/e/n/t/e) a partir do próximo capítulo.
Gostaram, tô merecendo um review?
Fale com o autor