Agente
7 Act7: Dance of Prince
Notas iniciais
Bem, espero que gostem. Boa Leitura!
Lass sorriu, ainda que tentasse soar mais convincente o possível, ele sentia antipatia por uma pessoa simpática.
Isso mostrava o quanto ele era egoísta e só tinha percebido agora.
_Bem, Luka, eu acho que você poderia competir, claro. Mas sempre depende da situação não é?
Luka assentiu com a cabeça minimamente. Ele também estava ocupado durante a noite, então teria que se retirar até o momento do jantar.
_Mas eu posso te buscar para uma dança, Lady? –Luka corando um pouco com um sorrio tímido.
Lass mentalmente se chutou. Ele estava fingindo? Ele não parecia um típico garoto tímido. Mas agora, as expressões no rosto de Luka só diziam: “Estou apaixonado loucamente pela Mari desde a infância!”.
Lass grunhiu mentalmente também. Ele estava realmente competindo, e sabia dos sentimentos de Luka por Mari. No entanto, pensando mais claramente, não importava, ele não desejava apenas brincar com a azulada, quem sabe aquilo que senti por ela não era mais forte do que tudo?
Se fosse verdade, ele poderia conquistar sua “babá” e ter certeza, de certa forma, que ela era humana. Mas não era por esse motivo besta, ele apenas se negava em acreditar que Mari era a primeira garota que se preocupava com ele, além da Aoki.
_ “Talvez eu nunca devesse ter saído do Japão.” –suspirou em sua mente confusa.
Lass era novo demais para estar se preocupando dessa forma. Acreditava que sua doença era mais estresse do que outra coisa.
_ “Pensando melhor agora, meu número de desmaios diminuiu pra caramba!” –Lass.
O albino sentiu uma beliscada em seu braço bem discreta que o fez acordar da divagação incômoda.
_Isolet-sama, sente-se logo, ou vai chamar muita atenção. –Mari puxando-o da forma menos visível.
Lass sentou-se envergonhado. Ele tinha ficado por quanto tempo em pé olhando Luka? O moreno passou a mão na frente de seu rosto e ele ainda não tinha se tocado.
_Desculpe. –disse alto o suficiente para que o rapaz em pé escutasse.
O moreno só fez acenar, dizendo que precisava ir. Lass e Mari acompanharam-no com os olhos, e foi nessa linha de visão que pegaram a mesa de Aoki sendo ocupada por ela, Lupus e a tão famosa Rey Von Crimson.
_O-o-o que! Maldita Rey, ela só aparece nas festas para se gabar do trabalho que ela não faz, assistindo relatórios e apresentações em vídeo em uma praia de Miami! –Lass resmungando entre um sorriso falso para Mari.
_Rey Von Crimson é uma figura influente aqui em Hellmont. Ela também nasceu aqui e parece conhecer o Príncipe Dio desde sempre. Mas os dois são terríveis rivais donos de gravadoras. –comentou resumindo todas as informações que possuía.
_É. Mas isso já nem é novidade. –Lass bebendo sua água de limão que pareceu arranhar sua garganta.
Ótimo, se chamassem ele pra cantar, já estaria com a garganta limpa. Sorriu com isso, SE o chamassem pra cantar.
Afinal, aquele evento era para comemorar o aniversário da Mansão Hellmont, que era o mesmo dia de posse de Dio.
Sendo bem sincero, Dio sempre tratou todos da banda Albinism muito bem. Então porque Rey o odiava? Devia ser algo pessoal.
_Isolet-sama, você parece desconcentrado. O que eu te disse antes de cada treino? –Mari o olhando com a mesma expressão, mas o albino entendeu que ela o estava repreendendo.
_Ficar com os cinco sentidos ativos. Mas nesse momento eu queria ficar cego pra não olhar pra Rey.
_O que ela te fez? –Mari adquirindo curiosidade no assunto.
_Simples, me submeteu à mais rígida agenda de todas. Além de uma turnê que custou minha voz por dois meses e meu corpo acabado. Eu desmaiava diariamente. –Lass tremendo ao se lembrar.
Mari apertou os olhos nem que fosse um pouco, Lass teve certeza. Mas durou assim como um piscar de olhos a ação imperceptível.
_Bem, de qualquer forma, eles vão dar entrada ao jantar. Sabia que eles apresentam uma dança formal do príncipe com alguma moça influente todos os anos?
Lass não sabia disso. Era a primeira vez sua dentro de uma mansão e na presença de um príncipe que por um acaso é dono da gravadora rival à sua.
SOAVA COMO UMA AFRONTA! E A UM PRÍNCIPE, QUE VERGONHA!
Lass se sentiu mal com isso de repente e apertou o punho esquerdo em sua perna. Mari notou essa reação, como boa profissional.
_Isolet-sama. Relaxe, o Dio Burns é uma pessoa pacífica e considera todos. Quem realmente é muito orgulhosa é a Rey Von Crimson, por isso não se preocupe. –Mari tocando seu braço levemente.
O albino sentiu uma sensação subindo por sua pele. Nunca fora tão bom ser tocado por uma pessoa, especialmente quanto o toque era inocente.
Ele olhou para Mari já completamente tranquilo. Ela soava a tranquilidade, apesar de ser malvada em certas coisas.
Ela estava preocupada, só isso. Mas não foi o que os olhos dela disseram.
Lass ficou impressionado com a profundidade daqueles olhos grandes e sérios. Sabia que por trás da lente colorida azul havia um olho vermelho que brilhava forte e que aquele rosto que o acordava todas as manhãs e andava atrás de si como sombra estava o conquistando.
_Lass. –uma voz interrompendo o momento do rapaz.
_Hm? –virou-se dando-se com Ronan e Arme ao lado de si.
A menina estava agitada, com tantas pessoas e comidas chiques.
_Achei que poderia vir fazer companhia. Parece que o ensino de Lupus rendeu bastante, mas Arme ficou com vergonha de comer com eles. –Ronan.
A roxinha avermelhou apertando o tecido do casaco de Ronan. Ele olhou-a e afagou sua cabeça gentilmente para não bagunçar os fios.
_Tudo bem. Mas porque é que o Jin não ficou com ela? –Lass.
Ronan e Arme se sentaram nos assentos vazios da mesa arredondada e a roxinha se pronunciou com convicção mandando a vergonha pra longe.
_Elesis parece homem. E eu quero sentar onde tenha mulher. Mas o Lupi não quer que eu sente com ele e a Aoki. Eles devem estar conversando algo importante, como sempre. –Arme fazendo um bico.
Mari a olhou meio curiosa. Ela realmente gostava de crianças, mas não sabia como lidar com uma pela sua falta de emoção.
_Tudo bem, mas eu não falo muito. –Mari já avisando sobre o que a roxinha enfrentaria.
Arme assentiu e se concentrou em Alfred, para pedir algum prato mais leve. A noite estava em altas horas, e a fome abatia os convidados.
_Que horas vai começar essa dança? O Dio tem que ser o primeiro? –Lass.
_Sim. E deve ser à meia-noite. –Mari.
Automaticamente todos olhos azuis da mesa bateram na roxinha. Ela bocejava o menos possível, mas estava quase desmaiando.
Jin da outra mesa já esperava por essa situação, teria que resolver isso logo, ou a festa de Dio teria uma garota babando em uma de suas mesas.
_Arme, fique acordada mais um pouco. –Lass balançando a pequena.
Nesse momento, uma pessoa parou em frente a eles, em meio há muitas outras que passeavam e conversavam sem parar naquele gigantesco salão.
Lass olhou a pessoa e sentiu seu coração pular da boca. Nunca esperaria logo “ele” ali...
_A-Azin...
_Olá, Lass. –Azin sorrindo largamente.
O albino pensou que morreria. Aquele era Azin Aoko... o ex-namorado de Amy.
_Estava passando e vi a Arme! –Azin tocando o rosto de Arme tentando chamar a atenção.
A roxinha levantou o olhar e a felicidade passou por ali, o sono pareceu ter evaporado.
_Azin!
a pequena se levantou e abraçou o rapaz. Este, um rapaz meio baixo, de cabelos brancos e olhos vermelhos charmosos, vestido em um conjunto social sem casaco, apenas com um colete, todo em azul-celeste.
_Senti sua falta. O Jin esteve tão ocupado e não tem dado bola pra mim. –Arme sorrindo para o mais velho.
O rapaz sorriu. Ele não gostava de Lass, e esse sentimento era recíproco, mas eles NUNCA brigaram. Porque?
Jin era o motivo. Jin cuidava sozinho de Arme e ele tinha um amigo: Azin, o namorado de Amy, sua amiga de infância.
Amy passava a maior parte do tempo na casa de Jin e Azin ia junto. Mas com o passar do tempo, ele começou a dar mais atenção pra roxinha do que para a namorada.
Tudo isso resultou o fim do namoro. Porém, Azin nunca aceitou isso, ele amava muito a rosada.
_Bem, eu não tenho nada pra falar com vocês. Querem que eu cuide da Arme? –Azin notando o quanto ela estava sonolenta.
_T-Tudo bem, mas vá falar com o Jin.
_O Jin. Bem, acho que eu vou mesmo, até. –Azin saindo com a mãozinha da roxa entre a sua.
Lass rangeu os dentes por um segundo.
_Melhor não perguntar. –Mari arrumando a franja.
_É. E...ah, finalmente essa coisa vai começar. –Lass vendo as luzes diminuírem novamente e Dio surgir no centro da pista. E sem dizer nada, olhou na direção de uma mesa, e lá uma luz se acendeu, assustando tal pessoa e os presentes.
Na mesa de Aoki, Lupus dava um sorriso malicioso e sua companheira tinha vontade de rir, estava quase impossível.
A luz apontava para sua nova companheira de mesa, Rey.
_Porque eu? –resmungou a moça.
Dio se dirigiu até lá e estendeu a mão para ela. Veria o quão bem Rey podia dançar.
_Conceda-me a honra, Von Crimson. –Dio sorriu entre os lábios.
Rey sentiu seu corpo ferver. Seus cabelos rosados estavam presos gentilmente com um enfeite em forma de flor perto da nuca. Os cachos escorriam por seu ombro esquerdo e caiam sobre um seio, escondendo parte do vestido.
Enquanto Dio era elegante, Rey era a elegância em pessoa. O vestido era totalmente brilhoso, de uma forma não-espalhafatosa, na cor verde clara, que escorria por suas pernas, numa abertura, mostrando uma delas.
Os olhos estavam ressaltados por um rímel fraco e seus lábios carregavam um batom macio em cor alaranjada.
Seus pés sustentavam um salto alto negro de amarras que subiam um pouco além dos tornozelos.
Estava divina também. Não haveria melhor escolha para a dança, especialmente uma de famíilia nobre e para surpresa de todos, uma que competia quase que de igual para igual com os Burns.
_Concedo vagabundo. –sussurrou a última palavra apenas para ele.
Sua mão apertou a mão de Dio com força. Aquela dança seria mais uma batalha do que uma apresentação.
Dio tocou a cintura da morena com as duas mãos e Rey colocou os braços em volta do pescoço de Dio.
A música já soava lenta e aumentava o ritmo, em uma valsa menos formal. Para a surpresa geral, Dio moveu seu corpo para trás, puxando a moça, o que era totalmente incorreto.
No passo que deu, soltou a cintura de Rey e segurou-lhe a mão, fazendo-a dar um giro e permanecer de costas com o braço esquerdo estendido no ar em posição horizontal.
Ele lentamente passou os dedos pela extensão do braço estendido e tocou os dedos, movendo-se um passo para frente, outro para o lado.
Numa mudança de tom da música, Dio girou Rey duas vezes e a colocou perto do chão, cara a cara com ela. A perna direita se encontrava estendida pelo piso, descoberta pelo vestido.
Nesse momento Rey amaldiçoou ter vindo com aquele vestido.
Assim que se levantou, os dois continuaram, passos normais e giros juntos, leves. Em um momento, Dio se separou e pegou a flor de seu terno.
Rey continuou seus passos, girando e movimentando seus braços. Ela estava preocupada. A flor significava tango, mas Dio não poderia dançar duas vezes.
Mas em seu favor, quando suas mãos se entrelaçaram, Dio colocou a flor em se cabelo e segurou sua mão esquerda, fazendo uma reverência e beijando as costas da mão macia com gentileza.
_Agradeço por me acompanhar nessa performance.
E a música terminou com sons de violino. Todos aplaudiram.
_Na história de Hellmont, o objetivo dos príncipes era sempre inovar em suas danças, mas dessa vez, Dio se concentrou na suavidade e carinho com a parceira, algo inusitado.
Eles escolhiam sempre danças extravagantes onde pudessem mostrar os mais incríveis passos, mas Dio mostrou que não precisava disso. –Mari comentou.
_Aproveitem o resto da noite, queridos convidados. –anunciou com um sorriso e acompanhando Rey de volta até a mesa.
_Eu nunca que dançaria assim. –Lass murchando.
_Não diga isso. O que te ensinei vale muito, considere. -Mari
Lass sorriu. Desde que dançasse com Mari estava tudo bem... ou não.
Continua
Notas finais
Até o próximo!
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