Agente
6 Act6: Mansion Hellmont
Seu corpo estava dolorido, mas quem disse que não valeu a pena? Ele conseguiu completar o treinamento em três dias e Aoki tinha aprovado razoavelmente todo seu esforço.
_Você é uma negação mesmo... –Aoki balançando a cabeça.
Ela não levava fé nenhuma no albino. Por quê?!
_Você é cruel, quase tão cruel como a Mari. –Lass.
A azulada o olhou, e ele acreditou que ela estava o repreendendo. Lass suspirou, seus dias estavam chegando ao fim, mas a azulada o tinha salvado, o mínimo a se fazer era dar um crédito.
_Certo, ela não é tão cruel assim.
_Se ser cruel faz parte do meu trabalho, então não há problema.
_AHHH! –Lass batendo a cabeça na mesa.
XXX
Os olhos se arregalaram de dentro da limusine. Alguém muito pouco promissor tentava a todo custo ajeitar a maldita grava preta que apertava seu pescoço terrivelmente.
_Algum problema, Lass? –perguntou a empresária com um sorriso de ponta a ponta.
_É, se tiver algum problema diga agora, não queremos pagar mico. –Elesis apontando para Sieghart.
_Porque está apontando pra mim, eu estou bem. –Sieghart *calo*.
_Você normalmente é quem envergonha todo mundo. –retrucou a ruiva.
_Que pena, mas desta vez eu acho que já vamos pagar com você nesse vestido de prostituta. –riu Sieghart.
Ronan segurou a ruiva para que não matasse o moreno ali e agora, mas ela ainda não reteve seus inúmeros xingos e maldições.
_Ele combina com meus olhos!... –Elesis com fumaça saindo pela cabeça de tanta raiva.
Até esse ponto, ela já estava falando consigo mesma numa tentativa de se acalmar.
_Não diga... –Sieghart *gota*.
Aoki calou-os e se dirigiu à Mari, que até então estava mexendo em algo no vestido. Parecia empaçocado em um ponto da cintura.
_A costura, parece que desfiou. –Mari.
_Que droga! E como isso foi acontecer? –Aoki.
Os olhares se dirigiram para um ser de doze anos de cabelo roxo num vestido azul claro de lacinhos. Parecia um anjo.
_Não fui eu! Jin! –olhou para o irmão apertando-lhe a mão.
Lupus grunhiu, chamando a atenção de todos ali. Ele odiava Arme com todas as forças.
_Não precisa ser grosso, Lupus. –Jin.
O moreno desviou o olhar e fitou Aoki.
_Porque é que todos eles vieram?! –Lupus.
A morena deu de ombros e ajudou Mari a arrumar o vestido. Pensando bem, o vestido era branco e o cabelo dela estava preso em coque, e estava sem os óculos.
_Mari, porque você está usando lente e colorida? –Ryan.
_Por causa dos meus olhos chamarem a atenção, eu posso ser facilmente reconhecida. –Mari.
_Os dois olhos azuis ficaram muito bonitos. –Lass falou sem pensar muito.
_Eu estou disfarçada como sua prima, então cuidado. –Mari.
_P-Prima?... –Lass *gota*.
Os planos de beija-la estavam cortados da lista. É mesmo, ela era bonita e esquisita, mas nada o impediria de tentar beijá-la mesmo assim.
_Estamos quase no portão principal. Não esqueçam cães, vocês são divos! Ajam como tais! –Aoki batendo um leque na mão estalando.
_S-Sim. –todos *gota*.
A limusine parou, as portas sendo abertas por guardas na frente de um gigantesco tapete vermelho e fitas douradas, que separavam os fotógrafos e paparazzis dos famosos.
Os flashes cegavam quem fosse desprevenido. Nesse caso, Lass abordou um óculos de lente azul estiloso que tinha adquirido em um leilão idiota, foi o único item útil que havia achado.
_Lass, se Mari está como sua prima, é melhor você entrar com ela. –Aoki empurrando a azulada mais para perto do albino.
_E você? Você é minha empresária.
_Nossa empresária. Já esqueceu que somos da sua banda, idiota?! –Sieghart.
_Pare de por detalhes, entre logo com a Elesis. –Ronan empurrando a ruiva para o moreno.
Os dois rangeram os dentes como cães raivosos, mas ao por os pés para fora, os sorrisos se abriram como de princesas.
Era muita falta de vergonha...
_Lass, por favor, não arranje briga e não beba. Se você beber é o fim. Isso serve para você também, Ryan! –Aoki.
O alaranjado riu sem graça, mas saiu da limusine acenando. Atravessou o tapete e subiu a escadaria que dava entrada ao salão.
Foram um a um até Lass poder sair. Sua visão foi agraciada com a enorme frente da mansão Hellmont.
Era um arquitetura meio sombria e negativa, mas até que fazia jus ao nome. Havia gárgulas no topo de cada pilastra, as luzes eram reguladas e as janelas deviam ranger ao serem abertas.
Bem ao estilo “Castelo do Conde Drácula”.
Lass sentiu o braço de Mari envolver o seu, o que o fez se sentir meio orgulhoso. Não era todo dia que uma moça tão linda vinha trabalhar pra você e segurava em seu braço, ou dançava.
_ “O que me lembra do Luka Andreani. Que parece bem interessado nela.” –Lass sorrindo para uma foto.
Os dois subiam as escadas, o que parecia levar uma eternidade, até que estivessem em frente as portas de cedro.
Elas se abriram e a visão de um enorme salão iluminado e clássico se abriu diante de seus olhos. Mesas colocadas estrategicamente faziam com que o tapete se estendesse até o palco, que se tratava de uma pequena elevação de acesso por uma escada redonda digna de Teatro.
Em cima, havia um piano e aparelhos de iluminação desligados no teto. Atrás do piano, uma cortina de seda aberta, na cor vinho, revelando uma enorme vidraça de estilo clássico que dava vista à belas roseiras e ao céu iluminado pela Lua Cheia.
_Esse cara até escolheu o dia e a hora apenas para poder “causar” com um piano e uma “lua”. –Lass *gota*.
_Isso é estratégia. Agora vamos à nossa mesa Isolet-sama. –Mari sussurrando ao albino.
Lass até ficou em dúvida do porque dela simplesmente não tê-lo puxado, mas se lembrou das regras, “o homem que conduz a mulher”.
_ “Que bosta, quero ir pra casa e jogar videogame.” –Lass.
O rapaz olhou em volta, um mordomo apareceu, parecia meio velho, e se reverenciou.
_Seja bem vindo, senhor Isolet. Meu nome é Alfred, mordomo particular do príncipe Dio. Vim em seu nome para leva-los a sua mesa, reservada. –indicou a mesa ao albino e lhe deu espaço.
_Obrigado. –Lass avançando.
Os olhares iam direto ao albino, que se destacava. Ali, ele tinha surpreendido, pois a ocasião levaram todos a se vestirem de forma inusitada, com vestidos e ternos berrantes. Mas a opção do grande Idol foi um conjunto inteiro social preto e cinza, que o fazia parecer mais com um dos mordomos.
Seu cabelo branco estava penteado para trás, sua testa à mostra. Estava belo, e esse contraste com seus olhos naturalmente azuis e brilhantes deixavam as damas suspirando.
Uma flor azul repousava em seu bolso do terno enfeitando. Nem parecia um jovem de 16 anos.
Além de tudo, sua companhia causou dúvidas também. As especulações eram de que se tratava de uma colega de colégio.
_Sinta-se à vontade, senhor. O que deseja para beber? –Alfred ajeitando o óculos.
_Só uma água com limão. –Lass.
_E a senhorita?
_Vinho. Bon Flier*. –Mari passando os dedos por alguns fios de cabelo e levando-os atrás da orelha sustentando brincos de diamante (*sei lá o que significa, mas o nome veio na cabeça).
O mordomo fez uma reverência e saiu.
De longe, a empresária sentada com Lupus observava as interações de cada grupo.
_Lupus, a Rey vai vir? –Aoki.
_Ela já está aqui. Mas está no andar de cima. –Lupus segredou com um sorrisinho.
Aoki arregalou os olhos e deu um pequeno beliscão na perna do moreno com uma face de repreensão.
_Não ouse falar disso novamente.
_Certo. Mas então... Onde está o tal “Luka” que marcou o nome de todos? –Lupus.
_Ele... Sei lá. –Aoki.
As luzes apagaram, causando o silêncio total. Então a luz em direção ao piano se acendeu, revelando um rapaz sentado.
Seus dedos percorreram algumas teclas, enfatizando uma música suave e lenta. De acordo que a música começava a ressoar pelo salão, sons de violinos tomaram o local, as luzes se acenderam sobre um rapaz e uma moça tocando os instrumentos de cores amarronzadas.
Uns mais entendidos do assunto, diriam que a bela canção se tratava de um cântico famoso na Itália que rendeu bilhões e uma mulher linda ao compositor.
_Luka toca bem. –Lass admitiu ao ver a azulada totalmente focada no rapaz no piano.
Ela assentiu com a cabeça, mas para sua surpresa, a mão dela apertou a sua. Isso devia deixa-lo triste ou feliz?
Aos poucos tinha aprendido a gostar daquela garota.
A música acabou e os músicos reverenciaram-se à plateia que batia palmas polidamente. As luzes voltaram gradualmente e o público foi agraciado com seu anfitrião.
_O XXIII Príncipe de Hellmont, Dio Burns. –o anunciador (Vigésimo Terceiro).
Os aplausos tomaram conta novamente, e Lass imaginou que talvez nem ele pudesse superar Dio Burns.
Ele era supremo. Vestido com um terno branco e um tecido vinho no pescoço, seus cabelos penteados de forma semelhante a sua, mas com uma franja em cima do olho esquerdo bem ondulada, um sorriso branco estampando o rosto reluzente e maduro.
Ele era um deus feito de talento puro, descendo uma escadaria de ouro, em forma de um humano belíssimo e cheio de carisma. Ele tinha ares de arrogante e perverso, ainda por ser príncipe de Hellmont, conhecida por ser uma cidade riquíssima mas com governantes malignos.
_Aproveitem a festa.
Essas foram as palavras que Lass captou na voz rouca do dono da gravadora da Amy. Não era nada à toa que ela podia se manter por tanto tempo.
_Estão gostando da festa? –perguntou a frente de sua mesa seguido de Alfred.
_Muito, senhor Burns. –Mari.
_Verdade. Adorei o concerto. –Lass.
O homem deu um sorriso leve. Da escadaria descia uma moça de cabelos rosa ondulados.
_Bem, qualquer coisa que quiserem, basta pedirem ao Alfred. –Dio.
_Sim senhor.
_Jovem Lass, eu admito que sou um fã seu, então espero que perdoe o egocentrismo da senhorita Star. Eu realmente não tenho nenhuma ligação com ela em relação ao procedimento dela no Colégio. Bem, de qualquer forma, ela não pôde fazer o concerto hoje então concedi permissão ao jovem Andreani. –Dio.
Lass lutou para entender o que ele quis dizer, mas a azulada colocou a mão em seu ombro. Dio sorriu e se despediu, indo visitar as outras centenas de mesas.
Antes que Mari pudesse explicar o que Dio quis dizer, outra figura parou em frente a mesa. O jovem de terno bege e branco com uma gravata marrom e um belo sorriso.
_Boa noite!
_Boa noite, Luka. –Mari.
_Boa noite. Ótimo concerto, você toca muito bem. –Lass.
_É... Eu me dou melhor com um piano do que com uma guitarra ou um microfone. Não poderia competir com você. –Luka sorrindo.
Lass sorriu, mas sentiu que foi falso. Porque estava tratando tão mal um rapaz que não fizera nada pra ele?
_ “Acho que é só minha impressão, mas acredito que ele gosta mesmo da Mari e eu estou sendo um empecilho. Eu devia era deixá-los sozinhos... mas eu também gosto um pouco dela. Será que eu ‘quero’ ser um empecilho?...”.
Continua
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