Agente

18 Act18: Cold Tear


Notas iniciais
Yosu, pessoas! Estou aí com o capítulo novamente, espero que aproveitem. Ainda não é o Musical, vou deixa-lo para o final.
Por enquanto vou cuidar do romance entre a Mari e o Lass e a situação de Lupus.
Contato de teste* >> é chamada assim a ação de um agente e um Isolet quando fazem testes para suportar o contato de mentes.
Boa Leitura!

Para Lass aqueles dias foram muito diferentes. Sentia-se estranhamente bem, como se todas suas emoções negativas tivessem esvaído para algum lugar distante. Isso depois de seu acidente com Mari.

Só que tudo correndo bem mesmo sem tê-la ao seu lado era extremamente aborrecedor. Sentia falta dela.

O colégio hoje estava bem movimentado, as vozes altas e os assuntos de projetos e shows sendo programados constantemente. As provas aproximavam-se também.

-Ciao, Lass! -o dono da voz se aproximou com um sorriso.

Luka vinha vindo para o colégio para inteirar Lass do estado de saúde de Mari. Mesmo que o albino não o curtisse muito e sentisse raiva por não poder vê-la enquanto o italiano podia, os dois conversavam bem mais do que antes. Só que o assunto sobre Lin entre os dois era tabu, bastava Luka começar a falar sobre a garota, Lass já o fuzilava e ameaçava bater nele (como se ele tivesse força suficiente para isso).

-Yo. -Lass fez um aceno ao que seus olhos azuis pegavam seus amigos ao fundo falando sobre algo do Musical Awards. “Hunf. Eu queria poder esquecer esse compromisso, mas pelos meus amigos...”.

O moreno sorriu largamente, parecendo trazer boas notícias.

-Você poderá ver ela hoje à tarde! -disse entregando uma carta. -Ela voltou ao normal como eu disse e depois de uns testes do meu pai ele chegou ao resultado de que seu contato de teste* com a Mari a fez ficar ainda mais resistente.

Ao ouvir isso o cantor piscou. Isso era ótimo não era? Apesar do fato de que deixava as pessoas fora de si por tempo indeterminado e que variava de pessoa para pessoa o estado mental após o teste.

Sorrindo abertamente, o rapaz se empolgou. Estava indo hoje mesmo ver ela, queria dizer como se sentia e queria saber como ela estava.

-Posso mesmo?! Ahhh, eu estou tão preocupado, e... O que é essa carta? -olhou para o envelope que segurou, mas nem deu atenção.

-Da Mari. -o moreno sorriu pequeno. -Normalmente ela não poderia mandar cartas para você para não mover suas emoções do equilíbrio, mas como você vai vê-la, não achei problema em deixar.

-Quer dizer então que... Supostamente, é você quem a impede de mandar cartas e que bloqueia as minhas? -Lass *olhar pesado*.

O italiano deu uma risada de disfarce.

-Claro que não! Agora, abra logo! -riu esperando o mais baixo voltar a atenção para a carta e se concentrar no trabalho de rasgar a borda.

As primeiras palavras chegaram aos olhos de Lass e ele não pôde deixar de rir baixo, sendo observado pelo rapaz de cabelos castanhos.

-É esperado isso dela. -riu, mostrando. -“Olá, Lass, está tomando os remédios e fazendo seus deveres do colégio?”

Enquanto ia lendo, seus companheiros aproveitando a ausência do professor que demorava a vir para sala pararam na carteira, indagando a Luka sobre essa expressão feliz em Lass.

-Mari está melhor. Vocês vão querer ir vê-la hoje? -questionava, sabendo que todos provavelmente gostariam de ir.

-WAH! É ótimo que ela esteja bem! -Elesis sorriu, juntando as mãos. -Mas acho muito cedo para todos irmos. Acho que somente Lass deveria ir... Tanto que eles têm assuntos para tratar, não é?

O sorriso esperto da ruiva já dizia o que estava pensando, isso deixava Lass com vergonha. Acima disso, Sieghart já foi cruzando os braços com “Tsc, tsc, Lass está se convertendo em um apaixonado.”

-Cale a boca, Sieg!! -o albino corava um pouco, praticamente jogando um livro da cabeça do moreno, que só ria acompanhado de Jin e Ryan.

-Ei, vocês dois. -repreendia-os o azulado, que chegou perto só agora. -Não o perturbem tanto. É mesmo, Lass? Vai pedir ela em namoro?

Lass escondeu o rosto, frustrado até mesmo com Ronan. Que pressão! Ele adoraria pedi-la em namoro, mas não é como se eles tivessem se beijado ao menos. Isso era um tanto frustrante.

Assim que sentiu uma mão tentando consolá-lo, Lass levantou os olhos azuis brilhantes para ver o sorriso de graça de Luka.

-Falso. -sibilou, virando o rosto do italiano. -Você só está de boa comigo por causa da Lin.

Luka coçou a nuca, ficando vermelho enquanto todos em volta faziam “Ahhhh Luka!”.

-Que isso, gente. Parem. -envergonhado, o moreno continuou. -Eu sei que se você pedir ela vai aceitar, Lass. No fim vocês dois meio que são compatíveis.

O albino riu.

-Só vou precisar aprender como sobreviver aos métodos dela para me acordar. Como ela é cruel. -Lass levou a franja para trás, lembrando-se dos primeiros dias, que foram uma tortura.

XXX

O sol brilhava forte do lado de fora, como sempre em uma grande cidade. A vidraça deixava passar a luz e deixar um bronzeado em seu corpo mesmo estando sob um teto.

Hoje Lupus estava em um treinamento intensivo de muai-thai. Estava fora de forma depois dessas semanas longas vigiando Lass para cima e para baixo, sem tempo para praticar.

A academia que frequentava havia fechado e ele, de tão ocupado, não pôde buscar uma nova. Seu problema foi resolvido um dia antes, quando estava trocando de blusa e Aoki entrou em seu escritório olhando uns papéis.

Flash Back (On)

Ao levantar os olhos ela piscou e arrumou os óculos, deixando Lupus um pouco sem jeito.

-Você parou com os treinos, né? -indagou sem mudança na voz.

-Hm. -assentiu, ficando surpreso com a falta de expressão dela diante um homem como ele sem camisa. Não que Lupus se gabasse ou coisa assim, mas ele achava que mulheres eram sempre assim. Antes de trabalhar com Rey sempre tinha sido assim, era só ir à academia e a clientela feminina aumentava.

Ela riu um pouco.

-É porque você não quer fazer outra coisa além de muai-thai? -ela disse, quase afirmando. Ela no mínimo sabia de tudo como sempre, era estranha, agia na surdina e muito “de boa” para uma mulher. Por isso Aoki tinha grande capacidade para fazer amizades mais com homens do que mulheres. Ela os entedia (Fatos verídicos ;D!).

Lupus sorriu de canto.

-Isso. Conhece alguma academia por aí que se foca nele? -Lupus terminou de vestir a camisa, arrumando-a e pondo uma blusa social por cima.

A morena sorriu.

-Tenho uma proposta.

Flash Back (off)

“Ela está atrasada.” O moreno apertou as sobrancelhas, atingindo o boneco três vezes seguidas e finalizando com um chute. Treinou por duas horas com o saco de areia e passou para os bonecos de plástico, onde poderia ter uma ideia melhor de corpo.

Agora estava mesmo cansado, mas já fazia três dias desde o começo do treino. Seu corpo sofreu muitas dores com a volta intensa, mas agora via a diferença clara e estava contente, mais satisfeito.

Afinal, além de Mari estar se recuperando, Lass estava aparentemente bem e Lin estava agindo normalmente, hoje estava com Arme em um teatro do fundamental, as duas realmente se deram bem. Estava tudo bem, e esperava que continuasse assim.

-Ei.

Ao ouvir o chamado, Lupus virou o rosto, vendo uma toalha vindo na direção de seu rosto. Com um sorriso largo, não entendendo o porquê, tirou o tecido fofo e passou no rosto, vendo a moça um pouco mais baixa se aproximar com uma garrafa d’água.

-E aí? Já se aqueceu? -ela riu estendendo a água.

O moreno fechou a expressão sorridente, lembrando-se do atraso absurdo da empresária.

-Você vai perder, só isso. -Lupus sibilou, bebendo um pouco.

-Não vamos disputar hoje, você está cansado demais. -Aoki deu uma batida em seu ombro. -E você não ganhou até hoje.

O sorriso felino da morena o fez ficar retraído. Quando descobriu a paixão dela por artes marciais depois da proposta dela, quase imediatamente começaram a conversar e marcar treinos, foi então que eles preferiram pegar aulas em uma academia especializada e se filiarem a um clube de bairro. Estavam agora num espaço público dedicado à pratica da luta sozinhos.

-Certo. O que aconteceu para você se atrasar? -perguntou, voltando a beber e fechar os olhos para descansar sua mente.

Ela piscou os olhos castanhos, lembrando-se. Normalmente ela brincaria dizendo que dormiu até tarde, mas não era verdade, Aoki era pontual em tudo o que fazia e Lupus sabia bem.

-Rey voltou para assistir o Musical Awards e eu estava recebendo ela. Ela estava querendo vender uns produtos que conseguiu por lá e estava me mostrando. Só consegui vir pra cá quando ela lembrou-se de que precisa ir para Hellmont daqui uma hora. -Aoki pegou a toalha e a garrafa, deixando-os em uma cadeira longa de madeira.

Lupus esticou os braços e fitou-a da cabeça aos pés enquanto ela se aquecia também. Usava uma regata vermelha e uma bermuda preta colada, as luvas pretas também e os cabelos ondulados presos seguramente em um rabo de cavalo. Seus óculos foram deixados junto à bolsa.

-A Rey só consegue superar o Dio porque somos nós que movemos tudo na gravadora. Se ela fosse responsável por tudo, acredite, já teria falido. -disse acidamente o moreno.

-Bem, mesmo assim eu acho que meu salário vale a minha boca calada para a imprensa. -riu a outra, armando-se em uma posição ofensiva. O braço direito fechado ao bíceps e a mão em punho, enquanto o esquerdo estava dobrado em frente ao peito e a mão aberta para um agarre. Ela era definitivamente assustadora quando lutava, mesmo com esse sorriso, Lupus sabia que ela não baixava a guarda assim.

-É... Acho que vale a pena. -sussurrou o moreno abaixando os olhos vinho com um sorriso leve, estava pensando em outra coisa. Ficou apenas vendo a expressão confusa da morena.

-Hãn? -ela indagou, sem entender essa cara tão contente do parceiro.

-Não, Aoki. Não é nada.

XXX

Quando a porta deslizou, a azulada já sabia que em seguida entraria seu amigo de infância e depois esse garoto albino a quem tinha se afeiçoado. O sorriso se alargou e para ela foi tão bonito que quase deixou seu rosto ruborizar. Lass depois daqueles dias ficou tão animado e visível, Mari estava contente por poder ajudar tanto.

-Mari! -Lass se aproximou com empolgação, tentado a abraçar a agente. Sentia-se ainda muito inseguro para qualquer coisa e por isso Luka o acompanhou para avisá-lo de qualquer coisa exagerada. -Como você está?

-Como vê, melhor. -a fala foi rápida e automática, como esperado de uma menina tão apática, mas para Lass foi como defrontar sua amada mais uma vez. Ela normalmente era assim, como Ronan mesmo havia dito, então não havia nada para se preocupar uma vez que em seu coração a azulada agradecia.

Os olhos azuis do albino semicerraram, aliviado por estar tudo bem. Em seguida suas mãos apertaram-se, combatendo a vontade de tocá-la apenas um pouco.

Percebendo isso, Luka deu um sorrisinho e empurrou o rapaz levemente na direção da enferma. Com uma piscadela cúmplice, Luka avisou que iria ver seu pai.

-Tudo bem mesmo, Luka? -Lass indagou baixo, preocupado por ser um problema novamente.

O moreno balançou as mãos com tranquilidade, deixando-o seguro. Talvez esse fosse o talento do italiano, essa habilidade de acalmar pessoas, por isso ele conseguiu conquistar até mesmo sua irmã. Bem, pensar nisso agora era muito inconveniente, então o Isolet dedicou sua atenção à garota.

Mari se pôs sentada na beira da cama, levantando-se depois. Vestia uma camisola branca e seus cabelos tinham crescido absurdamente.

-Nossa, o que aconteceu com você? Foi de repente que seu cabelo ficou enorme assim? -Lass sorriu, se aproximando um pouco mais, tocando com cuidado os fios longos e azuis. Ela não se afastou para sua felicidade, ainda sorriu um pouco, incomum de sua parte.

-Deve ter sido algum efeito colateral. Minhas células devem ter tido uma sobrecarga e morrido mais depressa, deve ter ser por isso que cresceu tanto. Ainda assim estou feliz, eles estão bem sedosos. -a azulada subiu os dedos da mão pálida até onde o rapaz tocava, sobrepondo seus dedos.

Como uma descarga elétrica, Lass abriu os lábios. Emocionado por poder sentir a textura dessa pele macia, o rosto dela tão passivo como sempre foi. Uma pulsação mais forte o fez levantar a outra mão, acariciando com o nó do dedo indicador a bochecha cheia da azulada, gostando de como suas respirações eram ouvidos.

Amava-a.

-Senti muito sua falta. -revelou, com os canais lacrimais cheios. O albino nunca conseguia suportar bem seus ímpetos nervosos, mas quando sua visão embaçou com o líquido salgado, sentiu os polegares de Mari passando sobre seus olhos, tentando trazer forças para ele. Depois, sentiu que os braços passavam por seu pescoço, obrigando-o a se abaixar um pouco na altura dela, e os lábios dela que nunca perdiam a maciez depositavam um beijo na pálpebra fechada de seu olho direito.

A cabeça dela pousou em seu ombro e Lass com insegurança envolveu a cintura dela com os braços. Então ele se lembrou do que Luka disse mais cedo.

Ele devia arriscar uma relação assim, sem nada para concretizar uma possível paixão por parte dela? Se ele tentasse beijá-la...

-Lass. -sussurrou ela. Apertando sua nuca, causando um calafrio em sua espinha.

Foi somente o chamado e depois os lábios rosados deixaram um beijo m sua bochecha.

-Você vai desaparecer.

Os olhos do albino se arregalaram. No rosto dela um sorriso entristecido e as mãos firmes em sua blusa, como se tentasse impedi-lo. Antes que pudesse entender qualquer coisa ela continuou.

-Se fosse qualquer outro nesses anos de trabalho eu não teria ligado, mas eu sei que estou provando do meu próprio remédio. Mesmo quando eu descobri que eu e você estamos mais ligados do que qualquer outro agora, eu não consigo deixar de pensar que tudo sobre mim se tornará irrelevante quando você se esquecer.

Lass crispou os lábios, sem entender as palavras confusas. O que queria dizer algo como isso?

-Não entendo. -suas mãos deixaram o corpo e ficaram ao lado, apara garantir que não causaria nenhum dano se saísse do controle.

No segundo instante sua boca foi calada. Esses macios lábios estava frios e úmidos, as mãos desesperadas em mantê-lo consigo. Mari fechou os olhos, sem chorar nenhum segundo. Ela forte, muito forte mesmo.

Lass tentou não fugir do contato, retribuindo levemente, os lábios roçando e sua língua delineando os dela. A mão direita subindo até a face rosada que Mari apresentava. O Isolet não podia ver, mas sentia que ela estava quebrada por dentro.

Suas bocas moveram-se mais intensamente, fazendo-o desejar mais e nunca mais deixa-la. Tão doce e apaixonante.

Uns segundos depois, ela cortou o contato devagar, respirando um pouco mais pesado e os olhos heterocromáticos brilhando.

-O que aconteceu, Mari? -sussurrou, se referindo às palavras anteriores. Estava um pouco assustado.

Como em resposta, ela o abraçou, esquecendo-se de tudo o que aconteceu uns dias atrás.

-Eu estarei ao seu lado, mesmo que você não se importe mais comigo. Você permite? Eu prometo acompanha-lo do começo ao fim, e te proteger. -ela apertou os olhos, desejando que tudo permanecesse nas lembranças dele depois da mudança completa.

O albino não soube bem o que responder com essa conversa confusa. Só pôde assentir e prendê-la ao seu abraço.

Ele não esqueceria tão facilmente disso.

Continua

Notas finais
Yup! Não vou dar minhas costumeiras desculpas, vocês já devem ter se cansado no mínimo.
Também não é como seu eu estivesse enrolando, então eu mesmo assim gostaria de uns reviews *-* onegai.
Lu-kun, espero que a questão de romance, mesmo leve, tenha o satisfeito. Eu não estava com tanto pique para ecchi e coisas assim sendo que essa fic é meio humor meio drama.
Luka aceitando o Lass! Isso é bom, não é? Agora que eles já se beijaram, eu posso fazer esse show logo! Tenho ainda que pesquisar umas músicas legais para pôr aqui.
Lu-kun, você quer me indicar alguma banda legal? (de rock bom e internacional) Sua opinião é suprema aqui.
Enfim, minna, espero que tenha ficado bom e até +!