Agente

19 Act19: Unknown Place


Notas iniciais
Yup! Novamente, perdoem-me a demora. Eu queria agradecer, gente. Toda a espera, essa troca de servidor que nossa, me deixou quase doente por não poder entrar, a recomendação que tipo, me deixou muito feliz e eu me emocionei tanto! Obrigada mesmo. É mais um capítulo de enrolação no mínimo, mas sabem, eu sempre gosto de escrevê-los, dizer mais sobre os personagens e o que eles estão sentindo. Espero que gostem. AVISOS NO FIM DO CAPÍTULO. Boa leitura!

Depois de um dia, quando Lass voltou do hospital no primeiro dia em que viu Mari, havia uma estranha aura de felicidade misturada com tristeza.

Lupus havia chegado em casa e viu Lin no sofá, conversou sobre o dia e conversaram sobre o jantar. Foi só depois de quase quinze minutos que ele se permitiu espreguiçar, se trocando e respirando alto. Ia ver como Lass estava... E lá estava ele.

O Wild arregalou um pouco os olhos, surpreso ao ver o albino sentado em um puff com um violão nas mãos, uma caneta pousada na orelha e os fios brancos presos desajeitadamente em um rabo curto e a franja presa para trás numa presilha. Ele lembrava muito hoje o garotinho que vivia no Japão escrevendo letras com os amigos e explorando o instrumento sem nenhuma experiência.

Lass aprendeu a tocar alguns instrumentos depois que entrou no mercado da música, mas sempre preferiu o vocal, onde se sobressaía incrivelmente.

–Lass? -Lupus entrou silenciosamente, vendo que seu irmão estava concentrado. Ele não parecia muito contente por sua expressão, parecendo perturbado com algo.

Os olhos azuis muito sérios fitaram o mais velho e cumprimentou com voz baixa. Deu mais um toque em nota grave na corda e sua respiração pesou.

–O que houve? A Mari não está bem? Pensei que o Luka tivesse dito que-,

Antes de terminar, o albino virou-se para o moreno de corpo inteiro e deixou o violão de lado.

–Ela está bem. Mas eu não devo estar. -Lass abaixou os olhos. -Ela disse que eu vou desaparecer.

No jantar daquela noite, foi possível ver o ar pesado.

Na verdade “pesado” não é a palavra certa, mas sim distraídos, distraídos com os próprios pensamentos. Se Lupus estava preocupado, era mais do que normal Lass ficar apreensivo, pois desde o momento que explicou o que Mari disse, o moreno sentou-se na cama com um baque e respirou fundo.

Lin continuava falando como tinha sido o teatro na escola de Arme, mas bem, pelo olhar dela, o motivo que a fazia continuar a história era que queria descontrair. No mínimo ela sabia o que estava acontecendo, mais do que óbvio na verdade... E ela não estava disposta a falar sobre isso uma vez que ela mesma sabia em primeira mão o que era “desaparecer”.

–O Jin então precisa de uma babá, o que acham? -ela sorriu levemente. -A Arme-chan é uma criança muito legal e nós nos damos tão bem.

Lupus sorriu para ela, sentindo-se melhor pela irmã mais velha estar se preocupando tanto em se manter nos Estados Unidos sem a ajuda do dinheiro da família. Ela sempre mostrava ser mais evasiva com as situações difíceis, mas no fim esse era seu modo de pensar melhor e fazer a melhor escolha, além de pensar nos dois como uma mãe quase.

–Isso seria muito legal. Eu ficaria mais preocupado se fosse um desconhecido, mas é o Jin. -Lupus comentou, espetando o nhoque e saboreando. Ele adorava massas, isso era inegável.

–Também acho... Se você ficar com a Arme nesse período também não vão ter muitas chances daquele Andreani vir pra cima de você quando estivermos longe. -Lass falou com uma voz sombria e uma sombra sobre seu rosto. Ahh, tanto ciúmes que chega a ser fofo.

Lin não mostrou no rosto o que achou disso, mas de qualquer jeito ela se interrompeu para falar sobre outra coisa.

–Vocês já viram como está o agendamento do show? -ela realmente estava curiosa com isso, mesmo porque ela supostamente ia se apresentar também.

–Já, eu mostro pra você assim que terminarmos aqui. Mas ele pode mudar, sabe? Então não confie totalmente nele.

–Huhum. Lupi-chan-,

–Já disse, Lin, por favor... -o moreno resmungou com uma cara cansada. Ele não podia continuar vivendo e sendo chamado desse jeito. HEI HEI, ele tinha o que? 22 anos.

A albina ignorou-o completamente, mais interessada em comer agora. De qualquer forma ela saberia o que ele estava pensando e não necessitava dizer mais nada, pois sentiu que havia atingido seu objetivo: acalma-lo.

–E então, Lass. Você estava com seu violão... -o moreno falou como quem não quer nada, mas sério, estava muito curioso. Ele se lembrava de todas as vezes que foi limpar o quarto de Lass e lá estava o pobre instrumento empoeirado, cordas gastas e a madeira quase a ponto de ser atacada por cupins (ahahaha, eu nem sei se isso é possível, mas vá lá).

–Hm. A gente sempre volta pro violão quando sente que precisa criar algo novo. -Lass deu de ombros como se não fosse nada especial. Mas era. Era algo muito especial, o violão, a música que pretendia criar, era para ser uma novidade -dramática, mas ainda sim impactante- e ele tinha que fazer dar certo. -Só que eu não planejo tocar no Musical Awards.

–Mas você não parece querer fazer uma serenata de amor... -Lin sibilou com voz baixa.

“Ah, ela sabe.”

–Você tem feito contatos de teste* com o Luka? -Lass cruzou os braços.

–Não. -ela levantou os olhos, parecendo quase insultada. -Eu nunca vou fazer um contato de teste com ele. Bem, nosso treinamento é diferente e eu fiquei muito feliz do Doutor Andreani mudar as consultas para os finais de semana.

Ela pareceu mesmo mais contente com isso, mas mostrava uma expressão ainda insatisfeita quanto à situação de Lass. Pode-se dizer que ela sentia-se inútil como irmã por não poder ajudar tanto.

–Ah? -Lass continuou, empurrando uns fios que se soltaram do rabo mal preso. -Então você está se sentindo melhor? Eu fico contente. Mas no meu caso não há nada que você possa fazer. Tanto porque você nem deve ter boas lembranças... Eu não posso te obrigar a me dizer como é que é essa “mudança” e acredito que não seja boa. O jeito é deixar vir, então eu queria deixar uma lembrança no caso de algo ruim acontecer comigo.

Lin moveu as sobrancelhas enquanto Lupus ficava terceirizado na cena. Por incrível que pareça não havia tensão, só um ar pesado de compreensão e talvez... Medo.

–Eu vou te ajudar. -Lin apertou os dedos no garfo o qual era mal acostumada a comer. Ela respirou fundo. -Eu vou te ajudar caso você precise. Eu posso fazer isso.

Lass e Lupus a fitaram com atenção.

–Lin. -Lass deixou o garfo e segurou a mão em punho da moça, esboçando uma expressão tranquila com o olhar azul tranquilizante. -Não se preocupe com isso agora e descanse. Você vem primeiro, nós te amamos, você é nossa irmã e não um objeto que deve dar a vida por nós.

–Ei, não fique parecendo legal sozinho, tampinha. Eu sou o segundo mais velho aqui. -Lupus reclamou, segurando a mão dos dois e olhando para a albina. -Nós só queremos o seu bem. Se algo acontecer com o Lass, eu também vou estar aqui, estamos juntos.

Lin piscou uma vez e depois riu baixinho, parecendo com uma criança. Uma bem fofa.

–Eu estou bem. Mas não importa, se tiver a oportunidade de fazer alguma coisa por vocês eu farei. Foi por isso que vim para Nova York.

Lass coçou a nuca. Ele tinha vivido tão pouco tempo e visto tanto... Mas agora isso era o que mais valia a pena, sua família de volta.

–Então, né? A comida vai esfriar.

–Ah, desculpa. Vamos logo, eu quero ver a agenda, Lass. -Lin.

–Ok, eu já estou terminando. Lupus, no dia você vai chegar que horas?

–Eu vou estar lá, não se preocupe. -Lupus juntou as sobrancelhas. -Sei que se eu não estiver lá você vai ser despedaçado pelas fangirls.

O jantar terminou após minutos e Lass decidiu explicar como ocorreria o show e como Lin ia se apresentar.

XXX

Já eram altas horas quando Sieghart ligou. Fazia um tempo desde que haviam conversado direito como antigamente.

–Você está mesmo legal para ir ao Musical? Sei que você está tentando manter a aparência frente a todo mundo, mas você não me parece bem, Lass.

–Eu estou bem. Só preciso descansar, Sieg. -Lass se encostou à janela, olhando para fora. Sentia-se mal por fazer isso, mas ele não estava a fim de discutir.

–Ah, fala sério... Você descansa por todos nós, Lass. Agora presta atenção.

–Hm? -Lass apertou a mão no braço, apreensivo. Internamente ele desejava encontrar uma saída nesse lugar desconhecido.

–Você disse que vai arriscar. Tudo bem por mim... Mas estou preocupado mesmo é com você. Digo, você não está confuso? Você não quer conversar? Nós somos amigos... Nós não conversamos direito desde que viemos para os EUA. Estou pensando que talvez a Elesis tenha razão e nós ficamos muito desunidos. Ah, droga... Acho que to parecendo uma garota agora.

–Sieg? -Lass apertou os olhos, tentando se concentrar na conversa. -Você quer conversar?

–Deve ser. Posso dormir na sua casa hoje?

–Pode. Eu vou-,

DING DONG

Lass olhou pelo corredor, vendo Lupus abrir a porta e Sieghart dizer que veio pra dormir com sua permissão, sorrindo com uma grande cara de pau e ir entrando.

Lupus olhou para trás, vendo Lass ainda com o celular no ouvido.

–Qual é o seu problema, cara? -Lass indagou incrédulo e com um tom de riso, fechando a porta assim que o moreno deixou a mochila no chão e foi para o guarda roupa pegar um dos futons que Lass tinha.

–Ah, vai dizer que você não me conhece. -Sieghart se virou apenas para piscar e depois foi arrumando onde iria deitar.

–Claro... Você já fez coisas piores. Mas já que está aqui, pode me explicar qual é o problema e porque justo eu?

–Eu disse que você era meu amigo. E hoje não tem saída, porque se eu fosse pra casa dos outros eles iriam me matar pelo horário.

–E porque “não tem saída”? -Lass sentou-se de volta na cama e pegou de volta o violão.

–Pff, a Elesis, óbvio. -Sieghart balançou os braços. -Agora deu nela uma tara de me fotografar sem permissão enquanto durmo para comerciais de cuecas... Sinto muito, eu não vou aceitar isso.

–Hm. -Lass assentiu com a cabeça. -E pode me dizer que drama foi esse no celular?

–Ah. Aquilo não era mentira.

–Ah, jura? -Lass arqueou a sobrancelha. -Eu não sei, talvez tenhamos falado menos por causa desses últimos problemas e por causa da minha relação com a Mari, o Lupus e a Lin. Acho que acabei esquecendo de vocês... Me desculpe.

–Maa, isso é coisa de família. Mas vem cá, o que está fazendo com o violão? Uma serenata de amor?

–Não. -Lass soltou gravemente. Isso estava ficando chato e o deixava sem graça. -Mas é algo que tem a ver, e é pessoal.

–Não posso te ajudar?

Lass sorriu. Ele lembrava de como foi que se conheceram e porque começaram a andar juntos.

Ninguém sabia que os dois ficavam no anfiteatro tocando e escrevendo musiquinhas rebeldes ou até mesmo de amor na época da sexta série. Seus treinos de canto juntos iam melhorando e eles se tornaram uma dupla.

O problema inicial foi quando Sieghart queria ser a primeira voz. Lass sorriu ainda mais ao lembrar-se disso.

–Qual é a graça? Eu não sou um inútil, acho que você sabe. -Sieghart fez um bico magoado enquanto sentava-se ao lado do albino pra ver o que ele já tinha escrito. -AHH? Você está fazendo uma lentinha? E que marcas para piano são essas? Piano? Você, Lass?

–Calado. É uma ideia nova, e eu disse que era pessoal, Sieg. Agora, se quer me ajudar, porque não me ajuda a elaborar a melodia?

–E a letra? -a sobrancelha negra se arqueou. Sieghart de certa forma sentia-se empolgado. Suas melhores músicas sempre foram as que faziam juntos, e ninguém negava que eles eram belos talentos individuais, mas juntos eram ainda melhores.

–Fiz uma parte, mas não ria.

As notas começaram a soar a partir do violão e a voz tão suave de Lass começou a reverberar pelo quarto, encantando mais uma vez o moreno.

Não importava quantas vezes ele presenciasse Lass produzir um som com tanta devoção, ele sempre ficava sentindo-se cheio de algo como admiração, orgulho, não sabia... Era algo que até mesmo era possível respirar, e fluía por seu corpo e sua vontade de cantar subia até o mais alto nível. Por isso, por estar com Lass, ele gostava de soltar sua voz normalmente, como sua natureza calma exigia, liberando as notas graves.

Por isso Sieghart decidiu ser o back vocal. Após vários olhares, ele decidiu que cantar lindamente não é ter a melhor voz, mas cantar com seu coração, com sua voz interior e deixar os outros apreciarem sua verdadeira voz.

Lass era tão maravilhoso e seu tom era tão mais profundo que Sieghart nunca poderia ser a primeira voz, tanto porque ser o primeiro em tudo não significa nada. Pois eles eram uma banda, um grupo, e não um cantor apenas.

–O que achou? -Lass perguntou com uma respiração meio forte. Ele estava tão nervoso e envergonhado.

Sieghart só sorriu. Ele respeitava muito Lass, ele era tão bom e mesmo assim tão inseguro. Podia ver todas as vezes que o albino mostrava algo novo ou improvisado, ele ficava vermelho e perguntava quase gaguejando como estava. Ele certamente queria ficar numa banda, nunca desejando o primeiro lugar, mas sim que todos estivessem com ele para dar o melhor de si.

O moreno nunca mais desejou estar no lugar dele depois que percebeu. E era feliz com isso, muito feliz.

–Lass, só está muito demais! -o moreno apertou o punho e pegou o violão. -Ah, ah, você pode aumentar um tom aqui, veja só... Dá um ar ainda mais triste. Eu quase chorei, Lass!

O albino abaixou o rosto, coçando a nuca.

–Ficaria melhor mesmo, obrigado hein? -Lass marcou algumas mudanças e olhou para uma caixa enorme onde estava seu teclado. Depois olhou para o moreno, que mantinha os brilhantes olhos prateados no instrumento ao que os dedos brincavam nas cordas. -Ei... Você não veio por causa da Elesis, não é? Ou você só ficou com vergonha dela?

O moreno parou de tocar na hora, ruborizando.

–Veja bem... -Sieghart sorriu amarelo para o lado.

Lass riu, batendo em seu ombro como faziam muito antes.

–Mulheres.

–É... -Sieghart empurrou-o. -Vamos continuar, ok?

–Nada disso. -a voz veio da porta, onde o homem de olhos vinhos com olheiras fortes segurava uma xícara de café. -É quase duas da manhã e até agora você não dormiu, Lass. Amanhã eu preciso trabalhar, e vocês precisam ir pra aula.

–Opa... Foi mal aí, Lupus. -Sieghart acenou. -Você não vai dormir?

–Só quando acabar os formulários. -Lupus foi dando as costas, mas parou. -Mas vocês estavam muito bem. Deviam fazer algo assim no Musical Awards para nunca esquecer, seria lindo... De verdade.

Depois disso os dois adolescentes se entreolharam e sorriram secretamente um para o outro.

As luzes foram apagadas não muito depois e só a partir do dia seguinte eles teriam que encarar os treinos intensos e confiar em suas inspirações.

Ainda havia tempo para se preparar.

Continua

Notas finais
OBS.01> Eu provavelmente terminarei a fic no próximo capítulo (não joguem pedras e deixem-me explicar). Não é que eu cansei e resolvi parar, mas simplesmente que esse era o final realmente, e não há muito mais que deva acontecer, tanto porque essa não era pra ser uma história futurística de como os Isolet se tornaram uma raça evoluída -ainda que a ideia me agrade demais- mas sim da dificuldade de Lass e sua família de seguir seu caminho, frente à sociedade com seus status atual e seus relacionamentos complicados. Resumindo, era só um romance LassxMari de presente pro Lu-kun (Wolfe) kkk. OBS.02> Pode ser que venha a ter mais um capítulo porque eu planejo detalhar bem, então por isso o provavelmente ali em cima está em negrito e itálico como podem ver. É isso >.< muito obrigada minna-san o/! Jaa na.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.