Agente
17 Act17: His Friends
Notas iniciais
Bem. Continuando, a fic a partir daqui está com os capítulos contados para o final.
Acredito que o cronograma envolva>> o Music Awards, o romance de Lass, a nova perspectiva da doença e como fica Luka no fim. Aproximadamente 25 capítulos, menos ou mais, quem sabe. Depende da minha inspiração.
Obrigada e boa leitura nekotachins (uehehehe)!
-Estou mesmo preocupado com essa situação. -Ronan coçou o queixo, mostrando-se impaciente.
Estavam ainda na casa do albino, que estava tomando banho no momento, e ali na sala dispersados se encontravam o ruivo, Jin, Ryan, comendo uma barra de cereal, Sieghart e Elesis sentados num sofá se cutucando irritantemente e Arme, que olhava para os móveis e para os quadros, andando pela casa sem freio.
O azulado chamou a atenção no mesmo segundo em que falou e não era para menos, essa “situação” de que falava era algo que todos os presentes remoíam sem realmente dizer.
-Não quero arriscar tudo assim. -Jin comentou baixinho e ficando sério, cruzando os braços. -Para mim a saúde do Lass é mais importante, não quero por ele num palco onde ele pode desmaiar e se machucar.
-Ele aceitou o convite. E agora? Não podemos simplesmente cancelar. -avisou o moreno no sofá, empurrando Elesis com mais força a qual resmungou.
-Esse tipo de coisa se resolve fácil, Sieg. -interferiu Ryan, tomando o controle remoto e ligando a televisão.
-Não ligue a tv, baka! Estamos falando sobre algo sério aqui. -Elesis pegou o aparelho, apontando e indo para desliga-lo, mas foi interrompida por Ronan, que segurou sua mão.
-Espera!
A notícia que passava no momento era exatamente a que fez todo o grupo arregalar os olhos. Oz estava ali, com seus jurados dos lados explicando os critérios do Music Awards e dos participantes.
-“Sim, Lass Isolet e Albinism estarão presentes!” e depois do repórter começar a dizer um monólogo sobre a personalidade de cada um dos integrantes da banda, a matéria acabou com Oz falando que seria mais um ótimo ano cheio de novos talentos.
Ronan caiu sentado no chão.
-Droga. Tudo em vão... -coçou a cabeça.
-Não tem mais como cancelar uma coisa dessas. Teremos que garantir que o Lass esteja bem, é o único jeito. -Jin deu de ombros, desistindo também.
Elesis e Sieghart voltaram a se entreolhar e voltaram para a discussão. Ronan até podia não gostar disso, mas sabia que eles faziam isso para não ficar mais tensos ainda. A ruiva, ele sabia, ficava extremamente silenciosa quando dava as costas para o resto do pessoal e, em seguida, ela demonstrava todo seu medo com aquele assunto com seu silêncio inabitual. Ronan sabia muito bem disso, pois ele era seu melhor amigo, de infância, tinha conhecimento dos sentimentos da tsundere (sim, ela é tsundere*).
Sieghart em si, era mais complexo ainda. O moreno era do tipo que você pode ter medo.
--Ercnard Sieghart. Sinônimo de pessoa que vive no limite. Criatura sombria. Ele era o tipo que seu sorriso enganava todos. Sua falta de silêncio, ao contrário da prima, era algo que o rotulava como popular, bonito, galanteador. Mas se ele um dia ficasse em silêncio na sua frente... Corra. Assim também funciona com sua raiva. Sempre se contendo, ele conseguia ser superior à quase todos à sua volta apenas num bate boca. Porém, se algo o irritasse, podia ser algo até ínfimo para nós, mas para ele era o cume. Ninguém iria gostar de o ver espancando alguém com a guitarra que tanto preza. Se ele a usasse para bater em alguém, não duvide, essa pessoa mereceu.
Acima de tudo, Sieghart era estranho. Ninguém sabia por que, mas o moreno adorava Lass.
Ronan, até mesmo Jin e Ryan, estranharam isso nele. Quando o conheceram, ele já era amigo de Lass e eles eram uma dupla esquisita. Mas sabe, esquisita MESMO?!
Daquelas que um é o mais irritante possível e andava com o antissocial caladão que ouvia rock enquanto mandava o outro calar a boca, pois falava alto demais?
E que no horário do almoço um se tornava um selvagem e o outro tinha modos de uma princesa?
E que enquanto os dois estavam juntos, ninguém se aproximava, mas mesmo assim gostava deles?
Ninguém entendia. Nem vocês devem entender. Mas a verdade é que... Coisas assim são chamadas de amizade verdadeira.
Vocês podem até ter uma ideia vaga, mas apenas aqueles dois sabiam o que era ser amigo de verdade.
Também, o resto da Albinism não sabia por que Sieghart insistiu para ficar num dos back vocals, sabendo de toda sua ambição pela fama, toda sua competitividade e seu sonho de ser o melhor vocalista do mundo. Por que então era o Lass e não ele?
Ronan afastou uma mecha do cabelo, voltando seu olhar para trás. O som da porta atraiu a todos. Lupus apareceu, com um círculo negro sob os olhos, mostrando estar tão cansado que poderia dormir ali na entrada.
-Boa tarde, garotos.
O azulado acenou com a cabeça enquanto o resto continuava distraído em seus pensamentos e em suas ações involuntárias. A de Ryan era comer qualquer alimento à sua frente, Jin fechava os olhos e sentava-se no chão e Elesis e Sieghart brigavam mais intensamente.
-Onde o Lass tá? -Lupus perguntou em sua voz morta, como um típico adulto atarefado que está quebrado depois de um longo dia. Era o primeiro dia que Lass tinha ficado em casa depois do hospital, estava preocupado.
Jin, que finalmente abriu os olhos, fitou os lados e indagou.
-Cadê a Arme? Arme. -chamou o ruivo, se levantando e indo atrás da roxinha que desapareceu apartamento adentro. Abriu a porta do primeiro quarto e a encontrou subindo numa estante. -Sua espertinha. O que tem aí que você quer tanto?
-Idiota. Eu só tava subindo na estante, eu gosto de ficar lá no alto. -ela inflou as bochechas, apontando a altura da estante, que em comparação a ela, era gigante.
Ele riu de canto, pegando a garotinha pela cintura e a pondo em seu ombro como ela gostava.
--Jin Striker. Ele era o rapaz destaque do grupo, com um olhar dourado e brilhante, juntamente com seu físico forte e seus cabelos revoltos cor de sangue. Ele era definitivamente o máximo, e só por fazer parte de uma banda de rock, parecia que sua aparência fugia um pouco do original: pele branca, tatuagens, corpo magro e olhos frios.
Jin puxava mais a lutador do que cantor. Ele era o back vocal principal, Sieghart fazia como secundário (para quando Jin cansasse), e como todos esperavam, ele dava a base à música tão bem que sem ele não existiria banda. Ele era o baterista secundário, e fazia bem o serviço.
Jin deu a ideia ao grupo de montarem um estilo instrumental bilateral. Que eles tentassem agrupar dois baixos, duas guitarras, duas vozes, duas baterias e assim por diante. A ideia nunca iria dar muito certo, mas eles usavam-se disso em certas partes.
Numa música, por exemplo, usavam duas guitarras e dois baixos. Ficava pesado, mas eles usavam tipos diferentes e davam um que de orquestra.
No caso da bateria, foi algo que foi um estrondo entre os fãs masculinos. A Batalha das Baterias era algo que somente a Albinism oferecia em todo o mundo. Num intervalo de uma música, eles, ao invés de irem para os solos de guitarra, como era o comum, e em vez dos solos de baixo, que eram simplesmente inusitados e incríveis, eles faziam a Batalha das Baterias e quase se tornava um show de Heavy Metal, mas sem o vocal exagerado e ensurdecedor.
Todos começaram a apreciar os shows mais do que os CD’s, porque algo assim você só quer ver ao vivo.
Enfim, Jin era o terceiro membro mais importante. Ele praticamente impulsionou-os ao sucesso.
Lupus passou por este quarto, em que Jin estava, ignorando Arme completamente. Era história que eles não se davam, mesmo ele sendo adulto e ela uma menininha de 12 anos de idade.
--Arme Glenstid. A irmã adotiva mais nova de Jin. Ela apenas acompanhava para tudo quanto é canto, mas por incrível que pareça, ela ajudava com as músicas, indicava tons. Jin a criava bem, ensinava os truques e praticava canto com ela. A roxinha era curiosa e inteligente, além de ter futuro como DJ, sempre fazendo sons interessantes na mesa de som do Estúdio.
A pequena pregava peças constantemente em Lupus quando ficava na Empresa, sempre causando problemas e atrapalhando reuniões. O moreno se cansou disso e declarou que nunca mais iria fazer as pazes com a roxinha. Bem, Arme não ligou para isso, e continuam assim até os dias atuais.
-Lass? -Lupus chamou, tocando duas vezes na porta do banheiro. Bem, ele tinha dois motivos: queria tomar um banho e queria saber como Lass estava.
A voz do albino saiu pela porta que abriu uma fresta deixando vapor sair, tocando as narinas do moreno, que inspirou o cheiro adocicado. Lass parecia uma garota com toda essa demora no banho, mas era uma de suas felicidades, o banho para ele era sagrado.
-Hum? Já chegou, Lupus? -o rosto do albino apareceu de todo quando Lass abriu a porta toda, vestindo uma folgada blusa de listras verde-água escuro e verde-água mais claro. Usava uma calça de sarja bege e os pés descalços, com uma toalha sobre a cabeça.
Os olhos azuis mais escuros estavam meio cerrados, devia ser graças ao relaxamento do banho, e o pescoço estava todo molhado, seu rosto um tanto vermelho.
Lupus pôs a mão em sua testa, desconfiado.
-Não está com febre, né? -Lupus retirou a mão, não sentindo nada. Claro, após o banho não tinha como saber.
-Hm, não. -Lass respondeu arqueando a sobrancelha. -Só estava... Relaxado. Como foi no serviço?
O albino perguntou, não tão interessado como soava, mas dentro de sua mente algo o mandava demonstrar interesse. O Isolet notou como os olhos de Lupus estavam fundos e sua cor estava mais pálida, mesmo sobre a pele morena do irmão. Lupus poderia dizer que não estava a fim de falar, então o assunto se encerraria.
-Aoki me meteu trabalho como nunca... Aquela desgraça. Ela é uma monstra em forma de gente, credo. Só porque eu demorei um pouco pra chegar ela já veio me rasgando. -Lupus coçou a testa, empurrando a franja de mechas loiras.
Lass o fitou de lado, assentindo.
-Dá pra ver. Não está com fome? Parece muito cansado, nem deve ter comido nada. Senta lá na sala... Ou no quarto se preferir. O pessoal ainda está aí, não é? -Lass perguntava, dirigindo-se para a cozinha.
Lupus segurou seu braço.
-Vai calçar uns tênis antes, seu cabeça oca. O chão está frio. -Lupus juntou as sobrancelhas, vendo o albino suspirar e ir para o quarto, voltando mais rápido do que foi.
Os dois pararam na cozinha, o maior já levando a mão ao refrigerador.
-E a Mari? -Lass indagou, agachando-se e abrindo um armário embaixo da pia. -A Aoki sabe algo dela, não sabe?
Lupus deixou que sua mão na geladeira deslizasse e ele se encostasse à parede ao lado, bufando.
-Aoki me ameaçou dizendo que se eu perguntasse de novo algo sobre isso, que ela ia te sequestrar e me mandar pra Rey onde quer que ela esteja. -Lupus deu de ombros com um sorriso divertido.
Lass não pareceu feliz com isso. Nem por causa do nome da Rey em si na frase, mas na verdade, o fato de que a empresária não era capaz de pelo menos passar informações sobre o estado de saúde da azulada.
-O médico disse para você não ficar se preocupando com ela. É perigoso pra você. -Lupus avisou, voltando para a geladeira e tirando um saco com peito de frango.
-Não interessa. Aoki sabe que eu só ficarei pior se não souber dela. -Lass abaixou as sobrancelhas, com os olhos inexpressivos.
O maior sorriu, arregaçando as mangas.
-Você gosta mesmo dela. Tanto assim até para você mesmo se sentir doente? -o mais velho dirigia sua atenção para uma gaveta e retirava uma faca, vendo como estava seu corte.
O albino tirou umas laranjas de um saco de arame verde, colocando-as dentro da pia vazia. Abriu a água e pegou o amolador, entregando para o moreno.
-Sim, me sinto doente sem ela. Percebi ontem. Assim que eu soube que o Andreani ia ver ela... -Lass comentou com um toque ácido no nome do rapaz. -Aquele italianinho... Não gosto dele ficar perto da Mari. Ela parece tão íntima que me dá muita raiva.
-Eles são íntimos, Lass. Que besteira. -Lupus afiava a faca, fazendo um barulho irritante, mas logo parava e começava a cortar a carne em tiras.
-Hm, molho vermelho ou rosé? Íntimos? Só porque são amigos de infância? -Lass tirava uma faca para si do escorredor e começava a cortar as laranjas.
-Molho vermelho, acho... Arme não gosta de creme de leite. -Lupus pegou um pirex e colocou ao seu lado, jogando as tiras cortadas na medida certa ali. -Eles se conhecem a tanto tempo, você não pode rotular a relação dos dois. Se gosta mesmo dela, e nessa situação anormal em que se encontram, você vai ter que aprender a suportar pelo menos o Luka. E ele parece estar interessado em outra pessoa.
Lass olhou para o moreno com a testa franzida e ar sombrio. Ele definitivamente não tinha se esquecido sobre Luka ter se tornado o Agente de Lin.
-Está insinuando o que? -Lass lhe apontou a faca pequena.
-Que ele talvez goste de outra pessoa enquanto está aqui em Nova York, que é tão grande. -riu o moreno, afastando a faca com a ponta do dedo indicador. -Além disso, você esteve fazendo o que até agora? Não me diga que ficou na cama, eu sei que você adora dormir, mas sei também que não consegue fazer isso tão bem durante o dia.
-Tch. Eu estava conversando com o Zero por mensagens.
-Você conversa com o Zero dessa forma? -Lupus riu baixo, dando a entender outra coisa em seu tom de voz.
-Calado. E você tem que cuidar do seu nariz, eu gosto mais de molho rosé e você mesmo assim prefere fazer o vermelho só porque a Arme não gosta. -Lass juntou as sobrancelhas.
-Ouch, doeu maninho. E que momento mais propício pra você falar isso!! Vamos fazer os dois então ninguém reclama. -Lupus terminou com a carne e lavou as mãos, pegando o molho de tomate e o creme de leite, azeitona, entre outros.
-Eu acho que se fizermos um macarrão também caía bem. -Lass inflou as bochechas, seu estômago roncando.
-Você... -Lupus o fitou seriamente, segurando sua bochecha. -... Você não comeu nada enquanto estive fora, não é? Responda.
-Y-YE!
-Suspeitava. Vai lá com seus amigos que eu cuido do resto. -disse já empurrando o mais novo para fora.
-Não, deixa que eu faço isso, você acabou de chegar. -mas tudo o que recebeu foi um olhar tão sério que Lass encolheu-se por um instante.
-Você vai queimar tudo. Vai para a sala e resolva o que fazer quanto ao Musical Awards. A Aoki me confirmou que não tem jeito, vocês vão ter que ir. -Lupus terminou de afastar o albino e voltou para a pia, dando atenção ao fogo e às laranjas.
-Hm. -Lass deixou uma expressão arrependida em seu rosto e foi para a sala chutando latas. -Olá...
-Lass!! Que demora hein? -Elesis se aproximou de si e parou um segundo. -Que shampoo você usa?
Lass avermelhou dos pés à cabeça. Garotas...
-Não sei. O Lupus que compra essas coisas e deixa no banheiro, eu só uso.
Elesis fez um bico indignado.
--Elesis Sieghart. Prima de Sieg. Sua participação no Albinism era quase completamente simbólica. Ela acompanhava os rapazes, cuidando das roupas, fazendo pesquisas de vendas, moda, etc. Ela em si só ajudava demais. Se eles estivessem, assim, na rua, ela conseguia, sem instrumentos nem nada, revirar todas as suas roupas e te transformar no que quisesse, desde um rapper até uma gueixa.
Ela cuidava da imagem e isso a deixva muito orgulhosa, sempre buscando a opinião das pessoas e as melhorando.
Ela tinha um ótimo ponto forte também, ela sempre consultava os rapazes antecipadamente para decidir um visual que agradasse tanto o público como deixar eles confortáveis.
Com os visuais que criou, variando algumas vezes, ela conseguiu montar uma moda urbana. Os rapazes lucravam mais com isso do que com a venda de ingressos, já que era limitado até certo milhar por causa de Lass (olha, milhar hein? XD).
Elesis passou a ser a estilista oficial. E mesmo brigando tanto com Sieghart, ela sempre o deixava nos trinques no último segundo.
Ela era uma pessoa preocupada com a saúde dos rapazes, cuidava das agendas quando Aoki não podia e sempre dava suporte com os instrumentos com sua força brutal, sua característica mais forte. Elesis era tão forte que ela conseguia levar três bumbos nos braços (O.O que medo).
Ela era uma pessoa educada -menos com Sieghart- e tratava os membros quase como filhos, mas também os usava como manequins, sempre tentando puxá-los para o shopping para brincar de vesti-los de tudo quanto é roupa.
Mas era com certeza divertida.
-Então, Lass. O Musical Awards é na próxima semana, você está mesmo bem pra isso? -Sieghart perguntou já indo ao ponto.
O albino suspirou, aproximando-se do grupo e sentando-se no chão carpetado, encostando-se ao sofá.
-Hm, eu só queria poder ver a Mari. Acho que me sentiria melhor. -Lass deitou a cabeça no sofá e olhou para Ronan, que parecia incomodado. -Ron, posso te pedir um favor?
O azulado corou um pouco com o apelido esquecido há bastante tempo e assentiu.
-O Lupus não me deixa ajudar ele com a comida... Você poderia?
Ronan riu um pouco, mostrando um sorriso branco e uma risada educada, mas que mostrava sua diversão.
-Sim. Ele está bem acabado hoje. Se resolvam, qualquer que seja a escolha de vocês eu apoiarei, vocês sabem. -ele piscou, se retirando para ajudar o empresário.
Lass sorriu pequeno. Gostava de ter amigos bons assim. Sieghart afagou seus cabelos, bagunçando-os irritantemente, como óbvio.
-Você tem que descansar mais, Lass. A Mari está também muito cansada ainda, então em breve, eu prometo, eu te levo pra ver ela. Antes de qualquer coisa, coma direito porque a comida de hospital que você comeu semana passada te deixou mais esquelético do que já é.
-Oh, você feriu meus sentimentos, agora. Mas valeu, eu aceito essa oferta. -Olhando para Arme, viu-a tentar abrir a janela da sacada. -Arme-chan, não faça isso, não queremos que você caía de lá.
-Não vou cair. O meu irmão vai me segurar. -ela fez um bico fofo, contrariando Lass completamente. Jin balançou a mão, pedindo para que a ignorasse.
-Ah, Lass... Onde tem açúcar? Você parece que o colocou no lugar errado. -Ronan apareceu na entrada da sala outra vez com um avental.
-RONANNN, QUE GRACINHA!
-Segura sua onda, ruivinha. -Sieghart segurou seu rabo de cavalo, fazendo a menina andar pra trás novamente.
-Não quebre o clima. Não vê como ele fica ótimo de avental?
-Eu fico ótimo também.
-Cale-se, você fica bem afogado numa máquina de lavar roupa.
-Cruela.
-Convencido.
Lass riu com isso, se levantando e mostrando para Ronan onde estava na cozinha. As costas de Lupus continuava a vista, trabalhando no fogão todo concentrado.
-Seu irmão cozinha muito bem. -Ronan comentou. Era visível a coloração avermelhada nas bochechas de Ronan. Lass via-o e já sorria, o azulado era desse tipo agradável e confiável.
--Ronan Erudon. Era o baterista da Albinism. Ele, como Jin, tinha cara de ser qualquer coisa, tudo menos rockeiro. Só que com Ronan ainda dava para enganar bem por seu físico básico e pele clara. Mas seus olhos pouco agressivos e seu cabelo azul, que dava uma sensação de calmaria, não o identificava como o fodão da bateria! Era insano.
Ronan dava entrada à maioria das vezes nas músicas, sabia desde a mais simples combinação até o nível DIE. Céus, quem olha para a cara de anjo dele não sabe o demônio das baquetas que ele é! Ronan usava cabelo comprido, era tímido, adorava cozinhar, tanto que queria ter um restaurante famoso no futuro, e era tão inteligente que você só o chamaria de nerd bonitinho.
Assim que ele pegava naquelas baquetas e sentava-se, ele se transformava. Os membros da Albinism uma vez, numa entrevista, receberam uma pergunta do gênero. Perguntavam os fãs como Ronan, o baterista, em sua aparência comum (baseada em uma foto que tiraram dele nas ruas, normal, voltando da escola) conseguia ser um dos preferidos e tão maravilhosamente ótimo, tipo o Deus da Bateria?
Sieghart respondeu por eles dizendo que: “Ele é tão certinho e calmo, não se irrita com nada. Acho que tudo o que ele acumula de raiva e estresse acaba sendo liberado quando ele toca. Graças a isso ele é o nosso insubstituível baterista.” Bem, Ronan só faltou sair correndo do palco para esconder seu rosto absurdamente vermelho.
-Ei, a comida não tá pronta? -Ryan levantou-se do canto do sofá e foi para a cozinha.de lá, viu Ronan e Lupus conversando sobre como ficaria melhor aquele strogonoff e Lass espremendo as laranjas para fazer um suco.
-Lass, deixa eu te ajudar! Prefiro ajudar do que ficar esperando. -o alaranjado sorriu amigavelmente, ajudando com a tarefa que parecia ser uma tortura para Lass completar.
Lass sorriu, parecendo agradecido.
-Certo. Ryan, você conseguiu consertar seu baixo? -Lass arqueou a sobrancelha.
-Hm, eu não. Mas o conserto sim, Lass. -Ryan respondeu começando a rir, com o albino o acompanhando. Só que mais baixo.
-Idiota, você entendeu.
O alaranjado continuou com suas piadinhas, animando Lass mais do que esperava. Ronan e Lupus pareceram notar o clima de simpatia que tinha entre os dois e comentaram.
-Hm, que estranho. Eu mesmo não consigo ficar assim tão à vontade com ele. -Lupus baixou o olhar para Ryan, que dizia algo sobre laranjas e tomates terem ligações, fazendo Lass rir mais do que o comum — ou seja, fazê-lo rir baixo ao menos-.
-Ryan é o único que não tem nenhum arrependimento em relação ao Lass. Por isso para ele é tão fácil ter tanta intimidade com ele.
O moreno arqueou a sobrancelha escura, mexendo o molho que já cheirava. Ronan sorriu levemente e continuou.
-Ele é tão otimista e simpático que acaba sufocando as pessoas. Lass também não resiste a isso nele. Ryan nunca fez nada para o Lass desgostar dele, então sei lá, ele nunca o deixou desconfortável, nunca perguntou nada sobre a família, nunca se meteu onde não era chamado. Todos nós fizemos isso, menos ele. Acho que o Lass não se segura com Ryan justamente por ele não se preocupar com ele contar para alguém. -Ronan sorriu. No fundo, ele também se sentia em relação ao alaranjado. Todos se sentiam assim.
--Ryan River. O baixista da banda. Se fossem o classificar, ele não era o que mais se destacava nas músicas, mas certamente, quando seus solos chegavam, ele se tornava todo o alvo de atenção.
Não havia alguém melhor que ele nesse trabalho. O rapaz de cabelo selvagem e olhos tão verdes que te fazem vibrar. Ele exala simpatia e traz o ar familiar para o grupo, dando proximidade a cada um deles de forma particular. Sua relação com a banda parece ser mais figurativa e ali existe com certeza um laço mais forte intimamente, dando uma ideia aos fãs de que ele é o elo entre eles. Pelo menos essa é a impressão.
Sempre bem humorado, com solos incríveis, a base perfeita e todo seu talento com as notas bem tocadas, sem tempo a mais ou a menos, ele era ótimo para improvisos e os outros o acompanhavam. Era um contador de tempos, e o resto da banda eram os ponteiros. Ele praticamente comandava a música toda e os vocais a completava.
Ryan sabia tocar violão e usava ele inicialmente para criar as músicas com os companheiros, mas era incrível como ele se adaptou com o baixo e mudou completamente a visão. Junto com Ronan e Jin, os dois nas baterias, ele podia fazer um tipo de trilha sonora para a Batalha das Baterias que o deixava ainda mais empolgante.
A forma que os dedos deslizavam dava a impressão de estar acariciando o baixo ao invés de simplesmente tocar. Até mesmo seus amigos ficaram impressionados, como ele conseguia ficar tão sério no palco, se tornando o alvo de um segundo para o outro.
Ryan era o típico essencial, mas que era tão essencial que era o incrível por si só.
Por isso a Albinism vencia constantemente do Pop naqueles poucos anos. Sua perspectiva de música, as letras bem trabalhadas e o carisma que dedicavam ao público, era completamente superior.
Eles eram dos fãs. Eles não eram famosos, super stars, nem nada. Eles diziam que eram iguais a todos os outros, apenas tinham uma forte amizade e que isso que mudava tudo.
E quanto a Ryan. Era como Ronan disse. Ryan era tão simples, divertido, comilão. Parecia uma criança e de tão inocente, ele conseguia ser o mais acessível mais sincero e simplesmente não dava opinião a não ser que o pedissem. Ele levava a sério quando alguém o pedia. Se preocupava tanto com os outros que poderia se matar para salvar um desconhecido. Ryan era assim.
Lass sentiu que o gosto estava bom e a temperatura estava perfeita. Olhou pela janela, o dia estava claro e o sol alto, bem alto e agradável.
Sabe aquele dia de brisa morna? Com o sol não queimando, mas aquecendo?
Lass não sabia se era seu coração quente, ou se o dia estava tão especialmente agradável. Ele pensou uns segundos, olhou para as pessoas que se reuniam e começavam o almoço, discutindo sobre molhos, laranjas e tomates, qual era o açúcar e qual que era o sal, que um falava alto demais e o outro estava faminto demais...
Lass arregalou um pouco os olhos. Uma mão tocou seu ombro, fazendo-o olhar para cima, onde seu irmão sorria simpaticamente.
-Sente-se. Estão todos te esperando.
-O-O que? -Lass indagou, sem entender, voltando a olhar para o grupo que fitou-o.
-Que está esperando, cara pálida? Estou com fome. -Sieghart rugiu, empurrando levemente Elesis, que tentava pegar algo a sua frente.
-Seu idiota! Ande, Lass, me ajuda aqui, você gosta mais de molho branco ou de shoyu? -Elesis perguntou chutando Sieghart e estendendo um pote para Arme.
O albino sentiu o olhar de Ryan e Jin.
-É verdade que ele me chamou de tomate, Lass?! -Jin bateu as mãos na mesa.
-Cala a boca todos vocês e vamos comer logo!! Lass, pegue aqui, seu prato. -Ronan interviu, estendendo seu prato, que o menor pegou sem assimilar bem.
Quando foi que sua casa ficou tão cheia de vida? Foi tão de repente...
-Vamos. Logo a Mari estará aqui com a gente. -Lupus empurrou-o em direção a mesa, tomando também um lugar.
Desde quando ali tinha tantas cadeiras? O apartamento não era pequeno demais?
-Desde que estejamos juntos, o espaço não importa. -comentou o moreno afagando sua cabeça e se servindo.
-ITADAKIMASU! -gritaram todos empolgados com a refeição bem trabalhada e suculenta espalhada na mesa.
Lass sorriu levemente, sentindo seu rosto corar. Foi ótimo ter vindo para Nova York com seus amigos.
Continua
Notas finais
Vocês captaram o que quis dizer? Sobre a importância deles para o Lass?
Bem, não é nada surpreendente, mas eu senti que para uma banda de rock tão incrível, eu precisava dizer algo incrível sobre eles.
Minha visão de incrível era exatamente essa. Essa ideia de instrumental bilateral é minha, eu sempre tive esse sonho. Falei com uns amigos que entendem do assunto e eles me disseram que os ensaios teriam que ser em dobro, a coordenação teria que melhorar, você teria que basicamente ser perfeito.
Basicamente, em shows, esse tipo de estilo demoraria muito realmente, mas eu pensei como uma oportunidade de descansar a voz e trabalhar mais com o instrumental, que eu amo.
Eu vi uma vez uma banda, não de rock, tocar com duas baterias, e me peguei pensando como seria isso no rock. Mas sabem, trabalhando realmente, usando ao mesmo tempo, com batidas rápidas e sincronizadas, mas cada uma tocando diferente. A quantidade de combinações que existiriam dessa forma seria tão demais! Sério, mesmo que seja algo da minha cabeça, não sei, eu se soubesse tocar alguma coisa, eu pelo menos tentaria.
Quem tem oportunidade, tente.
Bjos, minna! Até o próximo.
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