Agente
16 Act16: Gray News
Notas iniciais
Lass olhou os papéis, sem ao menos entendê-los. Lupus ao seu lado grunhiu, lendo todas as linhas rapidamente e tomando-os da mão do caçula.
-Seja mais educado...
-Calado, eu já estou nervoso o suficiente.
O menor só pode bufar sobre a maca. Sua situação estava fora de perigo já fazia dois dias quando o doutor avisou. Mas além de tudo, seu humor não, ao contrário do que imaginava, ficou furioso a cada dia mais que se passava ali naquele tédio todo pintado de branco.
Lupus vinha todas as tardes, trazia alguns alimentos mais “comestíveis” e às vezes atendia os caprichos do irmão menor. Ele estava atencioso e por uns momentos Lass sentiu total afeição por ele. Só que Lupus tinha vindo nesse dia especial muito irritado. O albino podia até se lembrar do terrível momento em que acordou de seu sono da tarde em plenas 2 horas quando ouviu algo se estilhaçando, e o causador era seu adorável irmão.
-Lupus, o que aconteceu? Algo na empresa?
Lass guardava cada pingo de paciência cuidadosamente, pois sabia que discutirem os dois quando ambos estavam zangados era a mesma que declarar guerra. O moreno coçou a testa, desviando os olhos e se sentando na cama. Não parecia à vontade para falar, apesar de parecer que era algo sério e que talvez envolvesse o próprio Lass.
-Não. A empresa está bem... A Aoki está lá esqueceu? O problema maior é a Lin.
Lass ficou um pouco em silêncio. Se era algo a ver com Lin, com certeza era algo que ele gostaria de saber. Os dois tinham se tornado muito super protetores, ainda que eles fossem mais novos, e certamente que estavam soltando fumaça pelos poros apenas para não explodirem.
-E o que seria? -Lass cruzou os braços já com a sobrancelha tremendo e um calo, imaginando milhares de coisas. -Cuidado ao usar as palavras.
O moreno não conteve um riso discreto ao ver essa expressão de superioridade do cantor sendo que ele estava hospitalizado. Pensando nisso, Lupus pode notar o quanto a cor da pele dele estava mais corada, e estava menos magro. Lass estava aparentemente um lixo, vendo pelo lado em que ele estava com um macacão médico horrível e parecia incomodado em ainda ter que ficar naquela cama dura, além de começar a ficar meio pirado com a cor do lugar e o tamanho.
-Você está bem mesmo? O Doutor disse que você pode sair em um dia, espere mais um pouco. daí você fica tranquilo e pode lidar bem com o assunto. -Lupus se sentou mais próximo do menor, arrumando os cabelos desarrumados.
-Não é algo preocupante? Você deu a entender que era, seu bastardo!
-Não nego as duas afirmações, hehehe, mas acho que você deve descansar. Não é algo que eu não possa resolver. Sua opinião pode vir depois.
-HAA? Eu sabia!! O que vai fazer com a Lin?! Vai mandar ela de volta pro Japão não é, seu maldito?! Como assim minha opinião vem depois?! Eu não valho nada nessa família, é isso!? -o albino praticamente saltou da cama, um pouco menos ativo do que normalmente seria.
-Relaxa, tampinha. -o moreno segurou sua cabeça e o fez se sentar novamente. -Deixe para depois. Mas e a Mari? Até agora você não me contou o que aconteceu.
Lass entreabriu os lábios e baixou os lábios no mesmo instante. Seus olhos estavam mais azuis escuros do que claros ao que parecia. Lupus sentiu a diferença no ato, agora ainda mais, notava como Lass estava aberto e agia como uma pessoa menos antissocial. Conversava comentando sobre as coisas e sobre seus companheiros. Ele sabia de coisas que nem o próprio Lupus sabia ou se lembrava, mas parecida que aquele incidente tinha feito o irmão liberar uma personalidade mais extrovertida, como Lin.
Contudo, o menor não pareceu contente neste segundo. Passando os dedos pelos fios brancos, levando-os para trás, ele suspirou fracamente. Em seguida, se ajustou na cama, cobrindo-se até o colo.
-Está difícil conversar com ela. O Doutor me disse que ela ainda estava meio inacessível e precisava de um tempo, mas eu podia tentar. Quando eu fui até ela, ela estava tão estranha. -o rapaz massageou o próprio braço, meio que mordendo os lábios. Lupus atentou-se mais, percebendo que o irmão estava mais do que preocupado com a azulada.
O mais velho estendeu a mão até o ombro do irmão confortando-o com um sorriso leve e um olhar determinado.
-Lass, é a Mari. Assim como você está mal agora, ela também está e nem tanto quanto, então espere que ela vai ficar boa rápido e vai esclarecer as coisas com você.
Lass assentiu com a cabeça, apertando a coberta.
-Hm, ela estava meio apática. Bem séria, e me respondia monossilábicamente.
Lupus arregalou os olhos. “Como se isso fosse novidade.”
-E o que tanto conversaram?
Lass sorriu pequeno, mas tristemente.
-Perguntei sobre o que tinha acontecido, se ela estava bem. Ela me disse “Sim, estou bem. É apenas o meu trabalho.”. Só isso.
Lupus coçou a testa. Não é como se a Mari fosse diferente disso, na verdade era exatamente assim que ela era.
-Você está bem, Lass? Você está mesmo bem? -Lupus colocou a mão sobre a do menor.
-Eu? Me sinto bem. Só estranhei um pouco... Não consigo mais reconhecer a Mari. Ela era tão sorridente. -Lass coçou o queixo, dobrando os joelhos.
Lupus abriu os lábios, desacreditado. Não seria possível que Lass continuasse dizendo “absurdos” sobre como a Mari era sorridente (?). Tocou a testa do menor, verificando a temperatura.
-Ela não é “sorridente” se você nunca notou, maninho. -Lupus *gota*.
O menor balançou a cabeça, não parecendo espantado.
-Não... Digo... Sorridente não com os lábios. Eu quero dizer que enquanto falávamos, ela me parecia menos à vontade comigo. Os olhos dela pareciam muito frios. Ela não parecia mesmo se importar com o que aconteceu ou como se sentia. Ela falou “apenas trabalho”, mas me pareceu que ela estava tentando esconder de novo o que sentia quando estava comigo. -Lass desviava os olhos do irmão enquanto pronunciava as palavras, um tanto ruborizado com o que revelava, além de dar a parecer um garotinho apaixonado (o que ele era).
Lupus deu de ombros.
-Como o Luka disse, provavelmente você pode “ler o ar” das pessoas agora. E a Lin é mais misteriosa do que eu mesmo imaginava, então pode ser que você veja coisas que nós não vemos. Se por um acaso a Mari voltou ao normal e mesmo assim você diz que ela está retraída, por assim dizer, é porque talvez ela esteja com medo de se machucar, ou... Machucar você. Pensa nisso, tá?
O albino ficou ainda mais vermelho e se deitou de lado, sentindo o peso da cama diminuir e os passos do irmão até o outro lado da cama, mexendo nos seus cabelos brancos novamente e avisando que sairia novamente.
-Tudo bem. Até mais...
-Até mais.
-E me traga onigiris depois. Faça onigiris, Lupus.
O moreno lhe lançou um olhar fulminante e desejou um bom sono antes de arrastar a porta deslizante e sair com um leve barulho de trinco.
XXX
No dia seguinte Lass acordou com uma sensação relaxante pelo corpo. Teve uma noite de sono pesado, mas boa, não sentia dores pelo corpo e não teve sonhos, apenas um bom descanso em meio ao quentinho da coberta fofa, e seu travesseiro estava mais do que confortável.
-Hmm... -resmungou gostosamente, sentindo-se ótimo e com fome. Coçou os olhos, limpando-os dos resquícios de sujeira que se acumularam de tão forte que os fechou.
-Bom dia!
A voz o fez olhar rapidamente para o dono dela, aquela voz meio mole e ao mesmo tempo séria, grave e tranquilizante. Lass se sentiu envergonhado por estar sendo observado enquanto acordava e o pior de tudo era que não tinha o percebido, afinal, Zero sempre passava sempre despercebido pelas outras pessoas.
-UWAA! Zero! -o albino jogou as cobertas de lado se levantando. Estava com uma regata azul desbotada com listras verticais azuis escuras (vide roupa do personagem Elsword- blusa vermelha, só que azul e regata) e uma cueca samba canção cinza até o meio das coxas.
-Fiquei sabendo do seu estado de saúde e vim te avisar. Mas esse é meu único horário disponível. -sorriu o grisalho arrumando os óculos escuros.
-Você faz parecer tão importante. -comentou o albino rindo e vestindo uma calça branca e folgada por cima. -Eu estou bem, hoje mesmo vou sair. Como está indo? Suas irmãs tão legais ou continuam brigando?
O rapaz coçou a nuca, estranhando a interação do albino, que em outros tempos diria “Hn. Não precisa se preocupar comigo. O que veio fazer aqui? Eu te devo dinheiro?”. Ao mesmo tempo em que se espantava, sorriu achando que esse Lass era melhor no momento de qualquer jeito.
-Bem. Elas continuam do mesmo jeito, mas a Granny tem melhorado muito. Acho que foi graças à sua irmã, então agradeça ela por mim, por favor. Eu vim também porque queria alertar sobre o programa. O meu pai mandou um convite e um aviso: que se você desmaiar é claro que vai ter um ótimo ibope, mas mesmo assim ele não quer você morrendo no palco dele, senão ele vai se sentir mal.
Lass olhou o amigo incrédulo. Que tipo de pai era esse? “Que tipo de filho é o Zero?! Tão direto...” *gota*.
-Ahh... Eu vou aceitar o convite, pelos meus amigos. E vou fazer o possível para me manter bem até lá e durante. Diga ao seu pai que eu não vou desmaiar... Talvez hehehe. -Lass balançou a mão, brincalhão.
Zero assentiu com a cabeça, sorrindo pequeno, feliz pelo amigo estar se recuperando melhor do que tinha pensado. Se levantou estendendo algo embrulhado.
-Trouxe para você. Eu e minhas irmãs fizemos para você, para melhorar. É um doce de misturas de ervas naturais e serve como geleia. Espero que goste. -deu de ombros.
Lass segurou o recipiente pequeno e embrulhado cuidadosamente num paninho xadrez branco e verde.
-O-Obrigado. -abaixou os olhos, imaginando o quanto tinha preocupado todos. Se pensasse melhor sobre o assunto, aos outros que não sabiam de nada tinha apenas chegado a informação de que Lass Isolet estava hospitalizado por uma semana inteira por desmaios constantes. É meio preocupante para o vocalista de uma banda famosa, não é?
-Não tem de que. Além disso... Foi difícil chegar aqui, Lass! Sabia que tem uma horda de fãs por todos os lados tentando invadir o prédio?! -disse o grisalho desesperado.
-P-Por isso você veio de manhã? -Lass perguntou assustado em saber disso (que aconteceria mais cedo ou mais tarde).
-Não. Eu vim de noite... Você estava dormindo esse tempo tão bem, resolvi esperar, já que a Granny e meu pai me olharam e disseram: “Se você voltar com esse doce para casa e sem ter mandado o recado, pode esperar seus jogos todos destruídos numa fogueira em praça pública!”. Bem foi isso, então eu tive que esperar. -Zero deu de ombros.
Lass riu corado.
-Desculpe pelos problemas. Quer tomar um café comigo então? O Lupus vai chegar daqui a pouco mesmo e vamos lá em casa. -Lass tocou o braço do rapaz.
O grisalho assentiu com a cabeça, parecendo pouco disposto em se levantar, ainda que precisasse fazê-lo. Zero deu ao albino um sorriso de lado, envergonhado, mas esperou que o cantor se trocasse e juntos arrumaram o local por não ter nada para fazer enquanto Lupus ou o Doutor não aparecessem.
Levou poucos minutos de espera quando a porta deslizou com barulho, chamando a atenção dos dois que estavam sentados lado a lado conversando sobre as etapas da premiação, revelando a figura de um homem alto de barba rala e uma prancheta, com uma roupa formal folgada. Este arrumou os óculos sobre o nariz e sorriu levemente para o albino.
-Bom dia, me parece bem melhor, Lass.
O menor sorriu de leve e balançou a mão.
-Tudo bem. Eu me sinto ótimo depois desse descanso. Pode ser que minha agenda realmente tenha me deixado estressado.
Zero e Lass viram o homem suspirar e lhe fazer um aceno para que o seguisse. Os dois jovens o acompanharam até o corredor, atravessando-o até uma sala separada. Nela estava Lupus e Luka esperando.
-Ah, bom dia! -Lupus levantou afagando sua cabeça. Ele estava fazendo muito isso ultimamente... Será que ele estava tentando acalmá-lo ou mimá-lo? De qualquer jeito, Lass não era mais criança.
-Bom dia. Oi, Luka. -Lass lhe estendeu a mão, que foi recebida com certo receio. -Não precisa ter medo, não.
-Não é isso... -Luka franziu a testa, lembrando-se do dia anterior (aquele em que saiu com a Lin). -Eu fico muito feliz por você estar bem.
-Obrigado.
-Doutor Andreani, o que o senhor queria resolver com a gente? -Lupus perguntou se acomodando novamente e dando espaço para os recém-chegados se sentarem no sofá verde claro que enfeitava o que parecia ser o escritório do pai de Luka.
-Bem. Lass, você não deve saber, mas a Senhorita Lin Agnecia Isolet agora está sob a supervisão do Luka.
O menor pareceu ter paralisado, ou congelado, não se sabe, mas o que pode ser notado foi a forma como Lupus desviou os olhos com um sorriso amarelo e temeroso de que o garoto explodisse para cima dele. Zero e Luka ficaram esperando a reação do albino, até que ele começou a arranhar o braço do sofá.
-“Assustador...” -todos *gota*.
-E por quê? -o albino evitou levar os olhos até o Andreani filho, para se impedir de cometer um assassínio e do hospital ser levado para a cadeia.
-Parece que ela não quer contar coisas essenciais para o Luka, em especial. É uma oportunidade ótima para descobrir mais sobre a Isos. -o doutor o olhou firmemente.
Lass fez um “Hn” de assentimento e suspirou profundamente, para acalmar os nervos.
-Você vai ficar sobre a vigília do Senhor Lupus. A sua agente está em tempo de recuperação, e acredite, isso não é novidade para nós, então não se preocupe. Ela vai ficar bem. -o Andreani pai deu um sorriso leve, reforçando sua afirmativa.
Lass assentiu novamente, olhando para o irmão, que ainda não o olhava, e bufou.
-Tem uma receita programada para mim esses dias? Acredito que eu não vá ter liberdade para comer o que eu quiser e com certeza tenho um coquetel de remédios para tomar, talvez.
-Não. Seus costumes diários não são influenciados pela Isos. Pode ficar tranquilo, apenas se alimente bem, para que não fique fraco, já que sua imunidade é baixa. Contato com as outras pessoas é permitido, mas tente estar com a mente limpa, não pense demais e tente não ficar muito estressado. Muitas vezes é isso que o faz ficar descontrolado. Sustos parece que te afetam também... -o Doutor arrumou o óculos, dando a parecer que aquele ponto era algo novo em suas descobertas.
-Por favor, tente ficar à vista e esperar todo o tipo de coisa. Esse seu problema com sustos é novo em novas pesquisas, então, Senhor Lupus, cuide para que ninguém o surpreenda. -o homem fitou o moreno, que assentiu. -Isso é tudo, acredito. A Senhorita Lin parece ter controle sobre si mesma, ao invés do que pensávamos. Foi ótimo terem tirado ela do Japão. Agradeço a compreensão, rapazes.
Os garotos acenaram, se levantando e agradecendo, saindo em seguida.
XXX
A azulada respirou fundo novamente, ainda se olhando no espelho.
-Continuar fingindo que não possuo mais emoções é perigoso.
-Relaxe, Mari. Seu treinamento não foi em vão, então apenas refaça os exercícios, não importa quanto tempo demore. -Luka acariciou seu ombro, buscando confortar a moça.
Mari aparentemente estava normal, mas logo que Luka chegava para visita-la, desandava a dizer tudo o que estava sentindo.
-Desde o incidente, me lembro de ver as memórias dele. Com certeza ele viu as minhas também. Me senti normal depois, mas é óbvio que não sou mais a mesma.
Assim que eu criei um contato, posso sentir que as lembranças se misturam e parecem uma só.
As emoções que demonstramos são momentâneas, então não sabíamos como a Isos funcionava. Claro, o seu pai disse que por seu algo tão desconhecido era perigoso se envolver tanto, pelas mortes. Também criaram teses que diziam que a Isos era a Troca de Personalidade, ou o Roubo de Faces.
Os Isolet têm diminuído gradualmente em número, então disse ao seu pai: “E se simplesmente impedíssemos que eles tivessem filhos?” Claro que isso é desumano e apenas os estaríamos tratando como ratos de laboratório, mas é verdade que se eles apenas morressem naturalmente, a Isos não mais existiria.
O Senhor Andreani considerou a ideia, mesmo sendo uma loucura. Ele levou aos superiores, mas é claro, não temos direito de retirar os direitos daquelas pessoas. Então resolvemos mantê-los nos laboratórios constantemente. Era uma forma de afastá-los do mundo exterior.
Com o Lass foi um pouco diferente, já que os sintomas apareceram mais recentemente, na adolescência. E agora, com o primeiro contato de teste, ficou claro que eles realmente trocam emoções, mas é algo temporário.
Quando ele me pegou de surpresa, acabou invadindo sem querer minha mente e distorceu as minhas memórias, misturando com as dele. Então digamos que eles podem não só trocar as emoções que demonstramos naquele segundo como também podem entrar na mente das pessoas e até mesmo controla-las. Lass não consegue controlar, pois foi seu primeiro contato de teste*. Então, se supormos que a Lin Isolet, pode controlar isso, e por isso mantém-se viva e mantém seus agentes de teste vivo, e também como você disse... Ela lê mentes... É como se eles tivessem acesso a toda informação do mundo e somente precisam desenvolver sua habilidade. Se eles forem fracos, morrem e matam quem estão “invadindo”.
Se isso é verdade, a Isos não passa de um evento sobrenatural que abate aquela família. O porquê disso provavelmente não existe, apenas seria uma evolução da raça. Os humanos podem evoluir, mas não havia possibilidades de essa evolução chegar nessa proporção. O primeiro dessa raça teria que ser uma pessoa com uma mente realmente espetacular, sobre humana ou até mesmo um alien.
E como entender cada passo que os Isolet dão? Sua vida como humanos é diferente. Os relatos constam retardos mentais, mas realmente não é isso. A Família Isolet alega que a Lin mudou completamente de mentalidade. Talvez seja isso? A forma com que os Isolet “evoluem” é se tornando mais inteligentes?
Seus ideais seriam diferentes e seus objetivos de futuro seriam outros. Não seria uma raça humana pura. Seria algo maior e com a sabedoria que os humanos tanto almejam.
Mari tomou fôlego. Ela respirou uns segundos se recuperando de todas as informações e todas suas ideias sobre aquela doença curiosa. Luka permaneceu em silêncio refletindo sobre cada palavra.
-Basicamente... Eles de humanos evoluem e tem... “Poderes místicos”?
-Não Poderes místicos. Poderes psíquicos. O controle sobre o cérebro. O controle sobre a potencialidade do universo. O saber, o querer e o fazer. Eles são uma ameaça e também uma salvação. Lin é a prova disso... Suas ações são boas ainda que ela tenha conhecimento do mal. Isso é ser sábio e precioso. É ser criança e ser adulto.
Luka deu um sorriso de canto.
-Isso é péssimo então...
A azulada piscou, seus olhos bicolores brilhantes e até mesmo cansados. Pensava demais nos últimos dias.
-Estou preocupada com o Lass. No fim, ele não tem escolha e nem nós. Não é que a Isos possa ser curada. Eu venho pensando nisso seriamente e vou dizer ao seu pai... A Isos não é uma doença. É uma modificação natural do ramo da Família Isolet e que vai se expandir para o mundo todo. Por seleção natural, eles sobreviverão ou o DNA vai se perder para sempre se eles morrerem e não deixarem herdeiros. Nós estamos presenciando uma nova fase da humanidade, e somos os primeiros a entendê-la. O medo nisso é... Eles vão sobreviver? Toda a modificação de DNA depende da adaptação de ambiente e de um corpo que possa resistir. Se a Lin conseguiu, os outros precisam conseguir também.
Luka, com os olhos arregalados, coçou a cabeça. Ele não tinha como contrariar Mari e nem aceitar aquela hipótese repentina. Era como viver um filme, então não sabia no que acreditar. Por enquanto...
-Vamos levar isso aos superiores e ao meu pai. Essa tese vai ser estudada a fundo com certeza, e a partir daí, a estrutura dos laboratórios podem mudar os métodos de testes. Não seriam mais testes para suprimir o avanço da Isos, mas reforçar. Se o ambiente natural não os permite, nossa interferência pode. Só que... Antes de tudo, você tem que descansar mais.
A azulada estava suando, apontando-lhe o dedo. Meio corcunda e parecendo lutar contra o cansaço e o sono.
-E-Eu estou totalmente bem... Ugh...
-Seus olhos estão girando! MARI MARI! -Luka amparou a azulada, rindo e a colocou na cama. -Cuide-se para não morrer nas mãos daquele ciumento.
A moça já tinha desmaiado de novo. O moreno ficou observando a face exausta da amiga de infância. Incrivelmente, ele só sentia afeto por ela agora.
-Espero que o Lass sobreviva para te oferecer o que eu não posso.
Continua
Notas finais
Vocês devem ter visto em Biologia (quem está no Ensino Médio ou passou) como acontece a evolução das espécies.
A Isos não é uma doença. É uma modificação no DNA dos humanos da Família Isolet.
Vocês sabem para que aconteça uma evolução a espécie precisa ser dividida por uma BARREIRA NATURAL? Funciona assim:
Um grupo de macacos se dividiu em dois por causa de um deslize de pedras. Cada um seguiu seu caminho e começaram a se adaptar em ambientes diferentes: o primeiro grupo foi para uma área de árvores grandes e o outro para uma área de arbustos. (FINJAM QUE É ISSO)
O primeiro grupo teve que se adaptar ao ambiente para conseguir alimentos e por isso desenvolveram -por milhares de anos ou mais- caudas grandes e dedos maiores para escalarem.
O segundo grupo que não necessita de subir em árvores, e sim de escapar de predadores das regiões sem árvores, desenvolveram patas compridas e mais musculatura nas pernas para poderem correr.
Os dois grupos se encontrarem no futuro de alguma forma não é impossível, mas eles se desenvolveram totalmente diferentes e por isso já não se reconhecem como da mesma espécie, ainda que sejam macacos. Eles vem do mesmo gênero, da mesma família, filo, classe e reino, mas sua espécie se desenvolveu em duas novas.
SACARAM? Gente... Isso deve ser a única coisa que me lembro de todas as matérias de todos os anos escolares na ponta da língua.
Até que foi útil *-*.
Portanto: Humanos- Família Isolet
A Família Isolet por algum motivo desconhecido teve um descendente que era sobre humano e seus genes passaram para os herdeiros.
Logo em seguida, os herdeiros precisam se adaptar com esses poderes e aprender a controla-los.
Num mundo pouco evoluído para tanto conhecimento, não é possível que eles evoluam. As expectativas do mundo e da humanidade atual não correspondem às necessidades dos Isolet para que a Isos se desenvolva perfeitamente.
Por isso, o próximo objetivo a ser alcançado é não curar a Isos e sim fazer com que eles a desenvolvam perfeitamente.
Como ajuda-los? Eles precisam sobreviver primeiro não é? Então, isso vocês podem conferir nos próximos capítulos.
Isso é tudo. Obrigada por ler!!! Reviews?
Ficou complicado de entender será? Maa, digam se tiverem dúvidas. Jaa!
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