Agente

15 Act15: Blue Abysm


Notas iniciais
Yoooooosu!! Eu voltei novamente e nesse... ROMANCE!
É algo que está faltando na fic, mas o capítulo inteiro é sobre o Luka. Viram como Lin é esperta? Relembrando ela está meio que numa fuga para não deixar Luka saber das coisas. Digamos que é uma criança brincando de pega-pega. (Desculpem a demora).

O seu nome era Luka Andreani.

Suas sobrancelhas franziram um pouco, um calo formando-se na testa. Sons de risadas em volta, provindas de uma única boca, uma pequena, rosada e úmida boca.

Seus dentes rangeram um pouquinho, sentindo os toques em sua cintura, apertando-as com os dedos, fazendo-o rir.

Olhos azuis cristalinos e redondos o olhavam sem uma única luz de compreensão da situação. Divertida e despreocupada, ela sorria maldosamente, continuando a apertar, puxando-o e o balançando-o.

-AHHHHH!!!! JÁ-CHEGA!

Sua função atual era ser o Agente de Lin Isolet.

XXX

-Você vai tomar conta dela então. -foi o que seu chefe, seu próprio pai, mandou-o fazer.

Luka abriu os lábios, completamente pasmado. Não havia chances dele conseguir algo com a Lin. Mesmo porque ela já havia decidido que a ele, somente a ele, não contaria nada.

-M-Mas...

-Exatamente pelo motivo de você ser a pessoa que ela não quer se abrir, é perfeito. A Isolet mais velha é a única que tem conseguido fazer nossas pesquisas promoverem, por estranhamente não causar nenhum tipo de dano aos Agentes.

Luka franziu a sobrancelha. Era verdade. Lin, no Japão, não ia muito para casa, eram dias e noites no Laboratório, pois suas batidas de exames e testes eram diários e constantes.

-Ela não aparenta nenhum ferimento psicológico e físico. Tem um pequeno problema de personalidade, por isso aparenta ser tão infantil. Mas apesar de ser o motivo principal de nossas pesquisas terem melhoras consideráveis, porque é que os Agentes não conseguem descobrir o ponto x?

O homem de cabelos castanhos coçou a barba bem feita, óculos de descanso sobre o nariz. Os olhos castanhos claro fixos e sérios, exalando uma aura de cansaço. O Sr. Andreani era um homem geralmente preocupado com o filho único, não era muito compreensivo com Luka, mas sim, era um bom pai e o amava.

Suas pesquisas eram as mais avançadas da década! Como organizou há muitos anos atrás o Sistema de Laboratórios da Pesquisa Isos (Organização SLPI), dando início ao projeto governamental, ele tem se empenhado ano após o outro apenas para que pudesse encontrar uma resposta àquilo na Ciência.

-Ponto x? -Luka sibilou sem preocupar muito com o comentário, mais assustado com o fato dele ter que ser o responsável por Lin enquanto ela estivesse nos Estados Unidos.

-Não importa. Você tem que melhorar suas habilidades de persuasão. Então usar essa menina que vai com certeza te evitar e muito, pode ser um ótimo treino não é? -o homem sorriu zombeteiro passando as mãos pelos fios mais claros da franja do rapaz, envergonhado e incrédulo ainda.

-Seu velho... Eu não vou usar ela, eu vou com certeza ganhar a confiança dela. -Luka lhe apontou, todo arrepiado por seu pai de múmia virar um anjo sorridente. Era um maldito.

-Sim, sim. Vá então, eu tenho mais uns exames para fazer com o mais novo hoje. Espero que aquele Wild não fique interrompendo. -falou voltando à seriedade.

Luka deu de ombros, imaginando que Lupus realmente iria ficar atrapalhando, já que virou um corvo em cima do cantor depois que ele causou aquele tumulto todo.

O rapaz pegou-se saindo do Laboratório de NY, com o braço cobrindo o rosto do calor de meio dia em plena quarta-feira, meio de semana e dia que as pessoas não podiam relaxar nos trabalhos.

As grandes avenidas havia carros buzinando em meio aos cruzamentos lotados, tênis e saltos, cabelos em coques e bonés, vestidos e ternos, ou jeans, todos se misturando embaixo de um dia sem nuvens e com temperatura entre 27 e 30°C.

O céu bem azul claro, no alto, pardais empoleiravam-se nos beirais dos compridos prédios de empresas no mais movimentado centro da cidade.

Luka olhou tudo aquilo, dando uma breve volta em si mesmo para sorrir, encantado com a cidade. Não era algo clássico como em Roma, a arquitetura era mais tecnológica e ele adorava olhar para os vidros dos prédios e ver as imagens refletidas, assim como também adorava ver os telões e propagandas, e o metrô apressado.

O lugar que estava indo estava praticamente à sua frente, mas muitas pessoas passavam rápidas e olhando os celulares ou tablets sem prestar atenção direito à frente, como se os seus corpos automaticamente um caminho marcado e tivessem um sensor de aproximação ao Homem Aranha, desviando-se dos outros. Mas alguns esbarravam feio... Luka olhava tudo curioso, sentindo-se um estranho. Estava encostado em uma parede onde ninguém o alcançava, observando o cruzamento de quatro ruas diferentes à frente. Luzes de freios e luzes de semáforos, o metal das sinalizações brilhava com os raios de sol.

Luka se desencostou para seguir então para o lugar que apresentava um logo no topo do prédio “Crimson”.

A porta giratória não lhe deu muito trabalho, só era pesada, mas passou diretamente pelo saguão até o atendimento, onde uma loira de olhos verdes, completamente sexy levantou-se e olhou-o dos pés à cabeça.

-Em que posso ajudar?

-Sou Luka. Andreani. A Aoki me pediu para vir aqui. -disse com um sorriso, as bochechas avermelhadas, imaginando a versão Atendente Sexy com Lire protagonizando. Não tinha dúvidas, estava vendo atriz pornô bem na sua frente, com aquele conjunto social curto, apertado e... Lire saiu de trás do balcão. Meia arrastão. Daquelas dançarinas lindas que se via nas Night House do país. E uma cinta liga de duas presilhas.

Luka olhou para as escadas tentando se distrair, suando frio. Ele não conseguia olhar mais. Aqueles peitos estavam quase voando para fora do sutiã claramente vermelho e visível pela camisa branca de 3 tamanhos menor que o devido.

-A sala dela é-...

Antes que a atendente de batom claro pudesse dizer mais alguma coisa, a porta do elevador abriu com um sino não muito desagradável e apresentou uma jovem que Luka arregalou os olhos.

Sem saber para que lado olhar, seu rosto começou a esquentar muito e seus olhos começava a rodar já. Lin havia saído ao lado de Aoki, estava num vestido preto, colado no busto e mostrando os lados da cintura devido ao estilo. Estava normal, mas o vestido e um salto alto médio preto combinando, com as amarras subindo por sua canela em quatro voltas, estava divinamente divina. Sua expressão suave e parecendo uma verdadeira mulher.

No mesmo momento Lire chiou, mas não transpareceu nada para Aoki, que já veio fuzilando Luka e a loira.

-Bom dia!! Luka, você veio mesmo, que pontual! -a morena arrumou os óculos olhando o relógio esportivo no pulso. -Te chamei para levar a Lin num passeio.

-O QUE?! -Luka abriu a boca apavorado.

-Lupus está trabalhando e Lass foi fazer uns exames com a Mari. Ela ligou ontem finalmente. E você vai levar ela para algum lugar. Lupus acreditou piamente que ela ia ficar comigo o dia inteiro, mas eu não posso, então você vai sair com ela.

-Aoki, não fale assim. -Lin falou em japonês abraçando Aoki, ainda que em seu rosto estivesse um sorrisinho muito maligno.

-Tudo bem, tudo bem. Se ele te fazer algo eu o mordo até a morte. -Aoki rosnou para o moreno, fazendo sinal para que ele ficasse de olho. (“Eu vou te morder até morte por me copiar” -Hibari Kyouya me ameaçando.) (“Que medo... Você sempre será o uke do Dino, baka! *sai correndo das tonfas mortais que vieram com o dobro da força*)

Luka foi só associar a situação quando aquele braço macio e totalmente nu envolveu o seu próprio e foi o arrastando para fora do prédio. Luka olhou para trás pedindo socorro, mas Aoki só acenava com uma cara inocente (Avᬬ).

Ao chegar fora, novamente, Luka prendeu a respiração antes de olhar para a garota, meio estranho por ela estar em contato diretamente com ele. “Isso é perigoso.”

-Onde quer ir?

Ela fez um bico, estreitando os olhos.

-Luka, seu bobo. Eu não vou dizer nada. VAMOS À PRAIA!

Luka bateu em seu próprio rosto, esquentando de vergonha quando as pessoas olharam para eles, estranhando a menina completamente. “Louca.”

-Eu não posso te levar à praia. Não pode ser outro lugar? -seus olhos castanhos apertaram, entediado e vendo que tudo não ia passar de uma grande inutilidade.

-Parque. Não, não, naquele Clube que o Otouto sempre vai! Não, no cinema!

Luka pressionou o braço e a fez andar, obrigando-a acompanha-lo, totalmente confuso. Não via nenhuma racionalidade naquela pessoa linda ao seu lado.

“Linda... Mas inteligente? Não, talvez fingida de burra. Ela é um perigo e está me fazendo de idiota.” Luka pensava sem parar, cansado já de ouvir tanta falação. Por isso gostava de Mari, era quieta e calculista, mas era adorável e muito sincera, era a pessoa por quem ele realmente tinha se apaixonado, era linda e tinha peculiaridades que não poderiam ser superados nenhum par de peitos grandes, apesar de ter uns legais.

No mesmo momento Lin travou ao seu lado. Olhou para ela, a expressão no rosto era indefinível.

-O que? Parou por quê? -perguntou sem ao menos se tocar, mas ela apontou para o lado, os lábios nada sorridentes.

-Quero ir para a piscina do Clube.

Luka deu de ombros. Tudo bem, ele teria que sofrer de qualquer jeito, então que fosse num lugar onde ele poderia se divertir também.

Misteriosamente, Lin ficou silenciosa e desgrudou dele, caminhando com as mãos na alça de uma bolsinha marrom que carregava no ombro direito. Pareceu de novo uma moça madura.

“Bipolar.” Ele manteve-se olhando para frente e não percebeu, mas o rosto de Lin ficou sem nenhuma expressão por todo o caminho.

-Vamos pegar o metrô. Normalmente as pessoas se perdem, por isso fique junto comigo. -Luka avisou.

A menina automaticamente se manteve perto e foram pegar os bilhetes. O local tinha muito barulho e era perigoso, onde se passava muitas gangues de pichadores e dançarinos meio pirados, além de batedores de carteiras e outros espertinhos.

Ao clicar no último botão da operação, Luka estendeu o bilhete de Lin e avançou para a estação, onde se juntava muita gente. Hora do Rush.

-M-Melhor irmos de táxi...

Lin o olhou de canto, tocando seu braço.

-Você já pagou. Vamos de metrô. -ela o puxou rapidamente, assim que a porta abriu uma onda de pessoas saiu, mas agilmente, Lin passou por um buraco como túnel, puxando Luka que bateu a cabeça em vários lugares e ao parar, batendo com o corpo nas costas de Lin, a menina rapidamente sentou-se em um banco, o lado vazio, puxando Luka nele.

-SORTE! -ela sorriu contente.

Luka até então estava descabelado. Não acreditava nisso. O milagre do século! Ele não conseguiu dar uma risadinha.

-Você é doida, menina. -e se encostou, sentindo-se aliviado por poder sentar, vendo as outras pessoas irem se amontoando.

Ela ficou quieta. Quando suas vozes ecoaram de novo foi quando o aviso da estação em que queriam descer foi anunciado.

-Vamos ficar perto da porta. -ele se levantou, segurando-se nos metais de apoio, seguido pela albina de salto.

Luka avançou, entre duas pessoas, muito apertado, mas quando olhou para trás, não viu Lin. “DROGA!” voltou e olhou no banco, avançou entre as pessoas, olhando o que podia, sentindo-se desesperado.

-L-Lin? Lin! -sua voz chamou, mas ela não estava visível. Seu coração acelerou como um rápido coice e suas mãos tremeram.

Olhou atentamente dos lados e avançou até o fundo do vagão. Olhou as pessoas, algumas o olhavam estranho, como se estivessem com medo. Outros com pena. Por que?

Uma menininha baixinha acompanhada da mãe puxou a barra de sua calça.

-A moça de cabelo branco foi levada lá para trás... -a pequenina de cabelos castanhos escuros e olhos gordos rosas parecia com medo também.

Luka acariciou sua cabeça e agradeceu, seguindo rapidamente para o próximo vagão. De longe, viu a cabeleira branca ir se afastando, uma pessoa a prensando, parecia armado. Ao fundo, ele encostou Lin no canto do vagão.

Luka se desesperou totalmente ao ouvir que chegaram na estação, então correu. Sem pensar, correu, atropelando todos. Quando avistou, viu Lin se debatendo, com a boca tampada com um pano, a pessoa pressionando a arma em seu peito. Depois o pano caiu e Lin não gritou.

“Por que você não grita?!” Luka tentava passar entre as pessoas, com dificuldade, as pessoas saindo e outras entrando, todas ignorando aquilo que acontecia. O homem, era com certeza um homem, agarrou o seio esquerdo da albina, que fechou os olhos, os dentes rangendo.

Luka empurrou umas pessoas, farto de ter que ver isso.

“DROGA! MERDA!” Por que pessoas existiam? Por que essas coisas tinham que acontecer?

Luka conseguiu chegar perto e desferiu um soco bem na lateral do rosto da pessoa, jogando-o contra outras pessoas que gritaram. Sem tempo, e sabendo que ele estava armado, Luka chutou-o na barriga e inclinou-se para pegar a arma e jogar para fora ao mesmo tempo em que o homem tentava prendê-lo em uma chave de braço e o socava no estômago.

Lin arregalou os olhos e sem pensar muito depois de se recuperar, agarrou a cabeça do homem e fez uma expressão assustadora.

Luka viu com horror também, assistindo ao vivo como Lin absorvia o homem até o sangue começar a sair de seu nariz e boca. As pessoas apavoradas começaram a gritar e se empurrar para sair em disparada dos vagões.

Luka deve ter sido pisoteado por no mínimo dez pessoas, enquanto o tarado caía no chão com os olhos opacos e sem fala, fios de saliva escorrendo para o chão, Lin respirando fortemente, e seus olhos cheio de luxúria.

Luka tomou sua mão e saiu correndo com ela também para fora dali, em seus olhos lágrimas de medo e preocupação e olhar para ela e ver outra pessoa, como normalmente acontecia com todos os Isolet ao absorverem uma pessoa quase até a morte.

Luka conseguiu fazer com que Lin e ele escapassem, rapidamente atravessando a estação, mesmo com os sons de paradas de emergências dos metrôs, ambulâncias invadindo o local, polícia e os seguranças avançando. Luka não percebeu que correu mais do quem em toda sua vida, com um medo que nunca achou que teria um dia, com uma reação tão rápida como a que teve.

Eles se encontraram de novo entre ruas movimentadas, mas em outra parte da cidade, mais afastada do centro e próxima de onde Lin queria ir. Para lá também era a área onde Luka estava se hospedando. Mas pelo visto, eles não iriam mais ao Clube.

Luka virou-se, vendo uma Lin diferente. Com olhos azuis finos e cílios longos, uma estranha mudança de infantil para... Sensual.

-V-Você...

-Eu estou bem, Luka. -ela falou com uma voz arrastada que o fez se arrepiar. -Eu decidi que iríamos de metrô, me desculpe por isso.

E seguindo adiante sem ao menos agradecer, ela passou o braço por sua cintura, aproximando-o de uma forma que fizeram seu braço encostar ao seio direito. Luka travou, seu rosto endurecido sentindo a pressão fofa, seu baixo ventre deu uma pontada um pouco.

-L-Lin, você está mesmo bem? M-Me solte...

-Você não gosta? -ela o olhou firmemente, parecendo também um pouco brava.

-N-Não, s-sim... AH! Vamos logo! -e continuou daquele jeito, puxando-a.

Luka olhou para o chão, nem se importando mais em apreciar a visão daquela cidade que tanto gostava. Estava confuso e totalmente vulnerável. Ele deveria voltar (de táxi) e manter-se longe de Lin o melhor possível.

“Ela quase matou o cara! Quase... Matou ele... A qualquer momento... Pode ser eu...” Luka engoliu em seco, sentindo o suor se acumular. A cada passo era mais difícil manter-se impassível.

Ele era covarde? Não. Ele não era covarde, mas suas suspeitas sobre Lin eram tão fortes que nem mesmo seu pai poderia não dar-lhe razão.

Luka e Lin passaram o caminho todo em silêncio, apenas ouvindo respirações. Foi que o Clube apareceu que ela disse com um sorriso infantil, mesmo com aqueles olhos: “Chegamos! EHH!”.

Não foi suficiente para Luka se acalmar depois do que viu e fez.

“Ela nem treme. Ela nem ao menos está com nojo de ser tocada por um tarado violentador.” Luka falou automaticamente com os responsáveis do Clube e adentrou, passando a carteira que Lin estendeu.

Era impossível manter contato visual com ela. Sem esboçar nenhum sorriso ele foi até a área onde vendiam roupas de banho.

-Luka? Luka? -ela tocou seu braço.

-Hm? -olhou forçadamente, vendo os olhos engordando aos poucos. Ela estava voltando ao normal bem devagar, mas tinham se passado no mínimo meia hora, eles andaram até que bastante.

-Eu não trouxe nada também. -ela sorriu sem jeito, fazendo uma pose fofa-sexy que fez alguns rapazes que passavam revirarem os rostos em facetas sorridentes.

Luka instintivamente rosnou, olhando sério para Lin. Não gostava disso. Não gostava de sentir ciúmes das garotas que andavam com ele. Isso acontecia pouco com Mari, mas quando aquele Lass virou praticamente um adorador da Agente, ele ficou no fundo com muitos, muitos ciúmes.

-FINE. -Luka falou rude como um ogro (Fine* do inglês: Tá. -Adoro essa palavra porque ela tem uma ênfase legal de pessoa sem educação-).

Lin bateu palmas, adentrando a pequena loja, ir chamando uma moça para ajudar e ir experimentar um monte de biquínis diferentes. Luka esfregou a testa, indo na parte masculina e escolhendo o primeiro que o agradou, uma bermuda de natação até o joelho, preta com listras verdes marca-texto, bem chamativo, mas eram listras finas.

Ficou esperando pacientemente até que a albina aparecesse com um coque de lado com alguns fios caindo e um maiô trançado no busto que abria na barriga e terminava em um tipo de shortinho muito curto, muito curto mesmo! Nas cores azul e branca com detalhes em amarelo. Na mão uma saída-de-praia branca com estampa de coqueiros em verde-águe.

-Por que uma saída-de-praia? Pegue uma toalha, não uma coisa inútil. -Luka resmungou.

-Tá. Essa tá boa. -ela pegou uma toalha branca que tinha o mesmo desenho da saída-de-praia e juntou os dois na mão, quase os abraçando.

-Como? Você quer os dois? -Luka arqueou uma sobrancelha, não suportando ter que aguentar aquele rosto inocente, que assentiu com a cabeça.

Luka não deu atenção ao atendente que olhava Lin sem parar e à moça que a ajudou, que se perguntava por que o garoto estava tratando assim a namorada. Luka se ouvisse isso com certeza iria sair dali sem pensar duas vezes.

O moreno então pagou e acompanhou Lin até chegarem na piscina, que como esperava, estava cheia. Um dia de calor, quarta-feira, clube de ricos... Não que ele não fosse, mas Luka tinha responsabilidades e não frequentava lugares divertidos como os outros filhos de pessoas famosas e ricas.

-Fique aí. Vou me trocar. -Luka falou de má vontade, se afastando para o vestiário masculino.

Ao entrar, nem se deu o trabalho de olhar para frente, apenas tirou a roupa e trocou-se, ajeitando a bermuda, que lhe caiu como uma luva além de ficar extremamente bonito. Dobrou a roupa e olhou para o lado finalmente apenas por curiosidade, encontrando um par de olhos vinho.

-D-DIO!!

-Yo. Você nem me notou aqui, hein? Tudo bem, tudo bem. -o homem riu coçando a cabeça, depois pegando uma bolsa de esportes. Estava vestido com o terno meio aberto e sem gravat, os cabelos arroxeados um pouco úmidos.

-Ah, me desculpe. Você já vai?

-Já? Estou aqui há um bom tempo, agora preciso voltar pro trabalho. -ele sorriu simpaticamente, batendo no ombro de Luka.

-Ah...

-Hm? -Dio o olhou por cima do ombro.

-A festa, foi ótima. Obrigado por me convidar. -Luka agradeceu sinceramente, lembrando-se que fora chamado especialmente pelo dono da festa.

-Tudo bem. O meu objetivo foi cumprido de qualquer forma. O que achou do Lass? -Dio sorriu de um jeito diferente.

Luka riu.

-No momento o que mais me preocupa é a irmã dele... -falou casualmente, mas o empresário demonstrou um interesse estranho naquilo.

-Irmã? A Isolet mais velha? Ela está aqui?

-Ah, sim. Está aqui e está lá na piscina agora. -Luka coçou a testa. -Ela dá trabalho.

Dio riu mais alto, colocando a mão na boca.

-Boa sorte então. Mande lembranças ao Wild e ao Isolet. Mande um beijo para a irmã. -Dio piscou e saiu, fechando a porta.

-Ha? -Luka sorriu bobo. -HA?! “Beijo?”

O rapaz riu em sua mente. Dio nem conhecia Lin. Ah, não...

Ao finalmente chegar na piscina, com uma aura negra, Luka se sentia exausto. Mentalmente e fisicamente, ele já tinha tido demais em uma manhã só.

“Nunca uma manhã de quarta-feira pareceu tão destrutiva.” Luka sentou-se na beira, procurando Lin com os olhos. Ela não era mesmo muito diferente de uma criança sem freio. Seus olhos captaram a figura brincando de tubarão com umas crianças menores que gostaram da adulta divertida.

Luka ficou olhando de longe, depois analisou tudo em volta, vendo os grupos de rapazes que se deitavam nas cadeiras estendidos, outros paquerando, meninas tomando sol, já que estavam na piscina ao ar livre.

O moreno finalmente tirou uns óculos de sol para si e colocou, se estendendo também, mesmo com vontade de nadar. Dali ficou olhando até passar as vendedoras, oferecendo serviços do Clube.

-Uma Coca com limão e gelo. -Luka falou o mais educadamente possível que conseguia no momento. A moça sorriu e deu as costas.

Assim que a moça saiu de sua visão, apareceu outra bem em sua frente, molhada dos pés à cabeça.

-Ei, já pediu para comer sem mim? -Lin colocou as mãos na cintura, fazendo uma cara falsa de repreensão.

Luka suspirou.

-Você disse que queria ir na piscina. Então volte para ela e canse bastante. Eu só pedi algo pra beber por causa do esforço de hoje. -Luka disse sem olhar diretamente para os olhos da moça, que pensando melhor agora, era pelo menos seis anos mais velha.

Luka pensou melhor sobre o assunto uns segundos. Ele faria dezessete no mesmo ano e Lupus lhe contou que Lin tinha completado 23.

Bem, após sua fala nada educada, já que não acumulava paciência e não lidava bem com situações tão perigosas que exigiam de seu esforço mental, Lin ficou séria de novo.

“Bipolar! Bipolar demais!”

-Lin, você poderia parar de ficar séria de repente? É assustador.

Ela apertou as sobrancelhas, mostrando que não gostou do que ouviu. Ela deu as costas e deu um mergulho, nadando para o outro lado novamente.

Luka coçou a cabeça. Estava confuso. Como entender uma pessoa que tinha uma infinidade de personalidades diferentes que brigavam em suas ações e rosto constantemente?

Como ela, justo ela, era a única que conseguia praticamente “controlar seu poder”? Como ele conseguiria conquista-la sendo que ela tinha deixado claro que nada a faria mudar de ideia?

Luka bufou irritado e se levantou, tirando os óculos e dando seu primeiro mergulho com maestria. Foi com um som leve de ondas que ele atravessou a piscina embaixo d’água morna, o cloro e o H₂O acariciando sua pele de uma forma agradável.

Luka emergiu ao lado da albina, que o olhou lhe fazendo um bico.

-Quero comer Takoyaki. -ela resmungou para ele, balançando as pernas na flutuação da piscina.

-T-Takoyaki? O quê que é Takoyaki? Isso não deve ter aqui... -Luka arriscava. Por um segundo ele piscou, lembrando-se algo que Aoki e Lass disseram. -Por que está conseguindo falar inglês, Lin?

A menina sorriu e deu um mergulho. Apareceu numa pequena distância, mas mostrou a língua pra ele.

-Não vou te dizer a não ser que me pegue!

Luka sentiu aquela onde maligna exalar de seu próprio corpo novamente. Ele inicialmente tinha vindo para pedir desculpas, o que não era de seu feitio, mas não... Ela já estava sorridente de novo.

-Qual o seu problema, garota?... -Luka disse a si mesmo enquanto mergulhava gritando “Espere só quando eu te pegar!”

XXX

Eles estavam almoçando já quando Luka falhou miseravelmente em tirar informações da albina Isolet. Ela era invencível. Era um problema.

Ela riu mordendo um grande lanche extra grande com todos os tipos de coisas que se encontra em lanches dentro. Ela melecou todo o rosto. No-jen-to.

-Eca. Como você teve coragem de pedir isso?... -Luka colocou o copo na boca, numa tentativa de esconder seu nojo.

Um pedaço de ovo começava a escorrer de um lado e do outro o bacon e os picles, enquanto ela mordia o hambúrguer desajeitadamente e o tomate pulava metade para fora na direção de Luka.

Ela mastigou e deixou o lanche na mesa, limpando as mãos em um guardanapo de pano enorme que a deram. Luka riu baixo.

Enquanto estava ali, percebia que ficava constantemente irritado e ao mesmo tempo ria. Isso era meio idiota.

-Vamos, limpa a boca, Lin. E me diga de uma vez como começou do nada a falar inglês. -Luka pegou o pano numa boa parte limpa e a ajudou, já que estava bem do seu lado.

Ela balançou a cabeça negativamente. Voltando a comer e sujar o que ele tinha limpado.

-Fala sério. Nunca vi uma menina fazer isso. -Luka sorriu de canto dando uma garfada em seu almoço constituído por strogonoff de carne ao molho rosé, muito arroz banhado em molho inglês e uma porção pequena de salada mista de almeirão e mostarda com cebolas descansadas ao sal (Quem não gosta se ferre, eu amo cebola, molho shoyo/inglês/rosé, strogonoff e todo tipo de vegetal).

Lin ao ouvir isso, parou de lambuzar, comendo devagar e com um cuidado extremo. Luka arqueou a sobrancelha.

-Você não ficou chateada por eu dizer isso, não é? -ele aproximou o rosto, inclinado e curioso.

-Não. Você não vai conseguir tirar nenhuma resposta de mim. Desista. -ela terminou o lanche gigantesco e limpou a boca, dando um gole em sua limonada suíça.

Luka respirou pesado.

-Eu já sei que você não dizer, já desisti faz tempo. Agora, eu só fiquei curioso porque uma pessoa como você está fazendo isso comigo. Eu não te fiz nada. -ele relaxou as sobrancelhas, sentindo que nem mesmo na Itália tinha prolongado uma saída com uma garota.

Lin cruzou os braços em cima da mesa, piscando levemente. Até então, ela já tinha voltado ao seu normal. Ela brincou com os dedos e abriu os lábios macios e rosados.

-Ah, eu queria ver como era sair com um garoto. -ela sorriu engraçada, continuando a brincar com os dedos.

-Hã?... Sair com um garoto?

-É a primeira vez que eu saio com um garoto que não sejam meus irmãos. -ela olhou de leve para ele, tendo as bochechas rosadas.

Luka pensou duas vezes para rir. Lin provavelmente era o tipo de menina que poderia se machucar num segundo e depois fingir que estava tudo bem.

“Então esse é o tipo de pessoa que você é.” Ele sorriu mais sinceramente do que todas as vezes anteriores. Sem tirar os olhos dela, ele viu-a sorrir diferente também, ficando ainda mais vermelha e rir, pondo a mão na boca.

-Por favor, pare com isso... Eu não consigo controlar direito. -Lin manteve-se sorridente e vermelha, completamente envergonhada e sem poder olhar para Luka.

-Então você sabe tudo o que estou pensando desde que cheguei na empresa. Sua mala... Dava para me avisar ao invés de só fazer cara feia. -Luka levantou a mão, permitindo-se apenas essa vez.

Não percebeu que o motivo dessas mudanças de comportamento não eram pelas trocas de personalidades, mas pelos pensamentos que ela lia constantemente de todas as pessoas à sua vista. Como um canal de frequência, ela ouvia vozes e interpretava todas, e como disse, não conseguia parar.

-Então a todo momento você fica ouvindo os pensamentos dos outros. Se eu soubesse que você ficava estranha por causa disso, teria te levado para um lugar vazio e mais silencioso.

Lin tinha os olhos gordos movimentando-se com brilhos. Era tudo embaraçoso até para ela.

-Eu nunca contei isso pra ninguém. Não é que eu quisesse brincar com você, mas é que você...

Luka manteve-se fixo nela, apenas para ouvir. Aquela luz que batia na água da piscina rebatia nos azulejos e voltavam para seus corpos, o rosto iluminado da menina tinha uma sombra de que era uma pessoa com uma personalidade só, apenas distorcida, e solitária.

Luka tocou o queixo da albina entre o polegar e o indicador. Formato fino, pele tão alva e macia... Luka sentiu um aperto no coração. Se eles, os Isolet, não tivessem uma cura, queria dizer então que nem mesmo as mais inocentes crianças poderiam viver sem machucar e sem serem machucadas?

Sua mão livre acariciou os cabelos grisalhos para trás, sentindo os olhos azuis cristalinos vibrarem e, automaticamente, lembrou-se do Lass em colapso que viu naquela sala branca que frequentava quase todos os dias. Sua boca entreabriu e Lin tentou dizer algo, mas em um segundo, Luka já estava um milímetro dos lábios úmidos e seu nariz recostado no dela.

Luka fechou os olhos, sendo acompanhado por ela.

“Agora eu não tenho mais medo. Apenas fique focada em mim, só em mim.” Luka encobriu os lábios com os seus. A sensação quente passou por sua pele em um arrepio e foi como ele precisasse arrebatar tudo imediatamente.

O italiano mal respirou pelo nariz e movimentou, sentindo que começaria a ofegar por todo o choque. Lin tocou sua mão em seu rosto e abriu mais os lábios, dando-lhe o espaço necessário, e ele não o desperdiçou, continuando com um beijo calmo, apenas com os lábios. Leves sugadas e troca de posições das bocas, sua mão deslizou pela face e tocou a nuca por entre os cabelos que escapavam do coque.

Como nunca antes, com um calor tão acolhedor e a mente tão abastada de sentimentos maravilhosos, Lin permitiu-se esquecer tudo à sua volta, um feito que nunca havia conseguido sozinha.

Quando pararam, ela tinha os olhos menos brilhantes, uma cor azul... Normal.

Luka sorriu, meio envergonhado e mal acreditando que realmente. Realmente tinha beijado uma mulher como ela e sentia também aquele incômodo no coração acelerado. Seu rosto fervia.

Para muitos era estranho ver uma moça daquela idade aos beijos com um adolescente. Mas eles não ligaram. Lin apenas riu baixinho, diferente de antes, sentindo sua mente tão clara como era impossível antigamente.

Ela riu mais, achando tudo loucura. Ela colocou as mãos delicadas sobre o coração num claro movimento. Luka abaixou os olhos ao vê-la dizer sem palavras que ela estava alterada.

-S-Se isso foi uma troca de personalidade... Saiba que foi m-muito bom. -ela falou ainda envergonhada.

Ele riu também.

-Vamos indo. Está quase na hora de eu te deixar com a Aoki. -ele afagou a franja da moça e se levantou, chamando o garçom.

A volta foi melhor do que antes, apesar de ser ainda mais silenciosa, Lin conseguia saber o que Luka pensava e o mesmo não se importava de ficar em silêncio, apenas imaginando o que ela poderia estar pensando de si.

Com um desejo secreto ela segurou-lhe a mão. O efeito daquele momento passaria, Luka sabia, mas Lin por bons minutos ficou imersa apenas em si.

Isso de certa forma era um avanço. Não precisou pedir a ela. Não precisou força-la a dizer nada. Mas esse descobrimento era algo que podia salvar a família Isolet, mesmo que fosse uma ideia louca.

-Então, como foi? -Aoki perguntou, encostada ao balcão de atendimento enquanto Lire fazia as unhas.

Lin e Luka deram um sorriso satisfeito. A morena arrumou tipicamente os óculos, um brilho de entendimento e vasculhando com os olhos os dois dos pés a cabeça. Aquelas mãozinhas entrelaçadas não eram esperadas, mas porque será... Que Aoki tinha um pressentimento que Lupus iria ficar sossegado por uns tempos?

Ela sorriu.

-Seu irmão está lá em cima e terminando o trabalho. Vá lá ver ele.

Lin assentiu, virando-se para Luka e o abraçando forte. Ela agradeceu com uma reverência de seu país e saiu correndo para o elevador, mesmo nos saltos e sem dizer nada, apenas acenando.

Aoki o olhou meio acusadora assim que ela saiu.

-Quero ver como isso vai ficar se isso chegar ao Lass. Fique de olho, Italian Guy!

Ele assentiu também, recuperando seu rosto normal com certa dificuldade. Estava muito feliz...

“Mari, será que eu devo cair nesse Abismo Azul?”

Continua

Notas finais
Yo... Eu morri. Morri demais escrevendo isso. Lukkun, o que achou??? Eu só fiz beijo. Não dava para fazer mais. AH, foi um capítulo tão especial! Eu gostei de fazer mesmo tendo morrido e revivido.
Romancinho e ao mesmo tempo uma coisa nova sobre a doença. AÍ! Se tiverem dúvidas, perguntem. Eu quero reviews!!!!! Não sei quem está acompanhando e não sei se está do gosto. Então deem suas opiniões, faz bem para a história :3.
Bem, espero que tenha sido proveitoso. Até o próx. E desculpem a demora nas postagens. Jaa