Agente
1 Act1: Idol Rock
Notas iniciais
As luzes piscavam intensamente, o rapaz por trás dos óculos escuros já conseguia se sentir cansado apenas de olhar. O vidro fosco também não ajudava em muita coisa com a quantidade de flashes.
O que mais o impressionou foi a brusca parada de seu motorista, que fez o rapaz de cabelos brancos batidos na orelha, em forma repicada, impulsionasse o corpo e desse de cara com a poltrona à frente.
_Não vou sobreviver assim. –sussurrou com a voz um pouco carregada de decepção.
O motorista se desculpou, mas explicou que uma fã escapuliu por entre os seguranças e pulou em cima do carro.
_Hm. –resmungou se recostando novamente no sofá do carro.
O albino mandou parar o carro, e mesmo com o aviso do motorista, ele abriu a porta, pondo a perna pra fora, chamando toda a atenção da rua, todos observando a calça com brilhos prateados e o tênis allstar azul escuro.
Ele se apoiou e colocou todo o corpo pra fora. Os gritos o ensurdeceriam se não fossem os fones de ouvido potentes que usava. Sua blusa era uma regata de um tecido que ganhava brilho com o movimento e em seu pescoço exageradamente branco jazia uma gargantilha parecida com um cinto, fechado com uma fivela dourada. No pulso uma munhequeira de couro parecida com a gargantilha.
Seus cabelos balançaram forte com o vento que fazia mesmo naquele verão insuportável. O suor que caía de seu rosto faziam as milhares de fã ali suspirarem e fazerem confissões que mal podiam ser ouvidas.
Os cartazes carregavam vários nomes, mas o seu era o que causava destaque.
“Lass, eu te amo”, “Lass, o rei do Rock”, e muitos outros que não conseguia ler. Nem se deu trabalho de acenar, apenas fechou a porta, e tirando os óculos escuros, fazendo os gritos multiplicarem, ele foi andando, sendo protegido por inúmeros guardas, até o seu objetivo.
A gravadora ficava há mais ou menos duas quadras dali, e até lá pareciam quilômetros, mas isso não mudou a decisão do cantor.
_Que calor infernal... odeio calor. –reclamou baixo para si mesmo.
_Lass Isolet. –uma pessoa passando pelos guardas, o chefe da segurança.
_Cale a boca, porque falar meu nome inteiro, idiota? –perguntou rispidamente.
O mais alto tirou o capacete, mostrando outro belíssimo rosto, moreno, de cabelos castanhos e rebeldes, ondulados, olhos profundos e na cor vinho e um ar sexy.
_Seu pirralho. Tá atrapalhando o trânsito sabia? –reclamava o maior com uma expressão nada agradável.
_Pelo que eu saiba, eu tenho todo o direito de andar pela rua, assim como todo mundo. –respondeu com raiva, voltando a por os óculos.
O moreno que andava aos seus lados suspirou. Sabia que quando o branquelo resolvia fazer algo, ninguém mais podia contrariar, a não ser ele. E em seguida, agarrou o pulso de Lass e no mesmo momento uma limusine parava ao seu lado, afastando os guardas e numa exclamação, Lass se sentiu sendo jogado pra dentro do automóvel entre berros e palavrões reclamando da agressividade que lhe foi imposta e a falta de liberdade que tinha.
O moreno mandou o motorista leva-lo logo e acompanhou os seguranças de volta ao posto.
Lass se remexia no carro, com uma extrema raiva, talvez ódio daquele ser. Ele odiava quando aquele animal fazia aquilo.
E logo estavam no local desejado. Lass bateu forte a porta e entrou com cara de poucos amigos, sem os óculos, no grande prédio. Sua cara até assustou os que estavam em volta, afinal, todos ali já o conheciam e sabiam como era o temperamento do cantor Lass.
_Aí, Lire! –berrou chamando a atenção da loira que fazia as unhas e ouvia música em um tom absurdamente alto numa música pop, cantada por uma voz fina e enjoativa.
_Quié, branquelo horroroso?! –berrou de volta abaixando o som.
Lass sentiu um calo crescer em sua testa. Aquela garota era a mais odiável possível, uma galinha, uma bonita e sexy, mas totalmente inútil.
_O quê mais?! Quero saber onde que a Rey tá! –Lass batendo no balcão.
_Sei lá, vai procurar. Não sabe que ela nunca tá aqui? –respondeu mostrando a língua.
Lass bateu a mão na própria cara. O que era aquilo afinal? Não imaginava que ia virar um bilionário só por fazer uma música e distribuída por aquela gravadora super desorganizada e cheia de gente esquisita.
_Então cadê a... –foi interrompido antes de terminar.
_Eu tô aqui, como vai Lass? –falou em um tom mais calmo uma moça que chegava logo atrás dele.
_Ah, você tá aí, que bom. Aoki, eu preciso que você me contate com a Rey... o pessoal está querendo apresentar um novo trabalho, mas sinceramente eu não quero fazê-lo. Mas quem diz que aqueles cabeças de jiló escutam o que a gente fala? –Lass com o olhar estreito e incrédulo com algo.
_Hm. –falou olhando pra tela do celular e escrevendo algo.
Aoki era nada mais que a empresária de Lass, uma moça morena, mais alta que ele, olhos castanho-avermelhados e cabelos ondulados castanho-escuros, usava um óculos de grau de armação retangular preta. Estava vestindo uma calça jeans de boca larga azul, um tênis allstar de quadrinhos de desenho, e uma blusa social preta de botões que iam até as mangas.
_Olha Lass... a Rey está agora discutindo com o Dio Burns, lá do outro lado da cidade. E você precisa ir ao médico. Tá quase anêmico, não consegue nem ficar em pé direito... você tentou andar naquele sol lá fora e preocupou o Lupus, sabe? –Aoki arrumando o óculos repreendendo o cantor.
Lass engasgou um pouco e se recuperou, falando qualquer xingamento para o moreno que o jogou no carro.
_Por que você odeia o Lupus? –Aoki se sentando na poltrona preta de sua sala.
Lass bufou, se sentando no sofá enorme e branco. Olhou em volta, não se cansando de admirar a sala em que todos os dias entrava.
_Ora, ele é um idiota. –Lass se deitando e tirando os tênis.
Aoki ligou a tv e começou a assistir as notícias sobre o acontecido daquela manhã. Mas manchetes “Lass, o astro do rock, da banda Albinism causa impacto nas ruas de Tóquio, parando o trânsito e levando consigo uma legião de fangirls!”.
Aoki sentia sua sobrancelha tremer. Era estranho, pensava Lass, mas Aoki sempre ficava revoltada com as fangirls.
_Essas garotas cegas e idiotas! –batia os papéis na mesa com uma raiva infindável.
_C-Calma. –Lass tentava acalmá-la.
A morena já estava mordendo o fio do fone de ouvido tentando arrancá-lo. Nisso duas figuras entraram a primeira era o moreno e a segunda era uma garotinha de cabelos violeta.
_Achei ela nos aparelhos eletrônicos da sala 2. Estava abrindo um mixer com uma chave de fenda que pegou não sei onde. –falou o moreno empurrando a menor com um pouco de irritação no olhar.
_Lupus, não precisa machuca-la. –Aoki se levantando e indo até a menina de cabelos curtos e olhos grandes.
_Aoki, o Lupi é um chato. Eu não sou criança, sei no que mexo. –disse a mais baixa cruzando os braços com um rosto fofo.
Lupus sentiu uma veia saltar. Aoki sorriu sarcástica, começando a zuar o moreno.
_ “Lupi”. –Aoki rindo até a barriga doer.
Lass não demonstrou satisfação com aquela cena, apenas virou a cara para o moreno e ficou olhando a paisagem da grande vidraça atrás da mesa da empresária.
_Ei, Lassie! –Lupus o chamou rudemente.
Lass ficou vermelho e se levantou rapidamente para xingar muito o moreno, mas num instante, sentiu tudo girar e sua cabeça doer muito forte, fazendo tudo escurecer em volta.
_Lass... Lass... –chamava uma voz, não sabia de quem.
Lass ainda estava atordoado, nem conseguia abrir os olhos e a consciência voltava lenta demais até pra perceber quem era.
_Não tem jeito mais, Aoki. Vamos ter que contratar alguém. –falava uma voz grave.
_Eu gostaria de cuidar dele, mas ele me odeia. –falava outra.
_Esse tosco. Quem mandou ir lá no sol sem a gente? Foi lá mostrar todo o brilho e acabou assim. –falava uma voz com um tom de divertimento na voz.
_IDIOTA! NÃO FALE ISSO! –falava uma voz meio feminina, mas um pouco mais grave.
_Doeu... –choramingava.
Lass sentiu o tempo voltar devagar e tentou se levantar, sentindo mãos o ajudarem, puxando-o. assim que se deu conta, a luz machucou os olhos azuis e grandes que possuía e estava encostado a um corpo, grande e suspeito.
_Ahn... que horas são? –perguntou quase automaticamente.
_Faz duas horas que você desmaiou. Vê se acorda logo, a Rey tá pra chegar. –dizia a voz sarcástica.
_Ai droga! –Lass acordando totalmente.
Sua cabeça ainda deu umas pontadas e ele percebeu estar deitado no colo do moreno.
_AHHHHH!!!! SAI DAQUI CAPETA! –Lass chutando Lupus pra bem longe.
_Credo irmãozinho... você sempre é violento quando acorda... –Lupus massageando a cabeça.
Lass rangeu os dentes. Com certeza não merecia aquele ser como irmão.
O moreno dava um sorrisinho esperto, enquanto Lass olhava os integrantes de sua banda, a empresária, a estilista e a irmã mais nova do seu back vocal.
Continua
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