Agente
2 Act2: Visit to Stay
Notas iniciais
Lass olhava para a empresária, realmente irritado. Ela o olhava por trás das lentes com uma expressão de “nada”.
_Para de me olhar, diga logo. –Lass.
_A Rey falou que a reunião será adiada. E por esse motivo, eu resolvi ir atrás da garota. –Aoki falava entre um sorriso mexendo no aro dos óculos.
Lass rangeu os dentes. Como se ele entendesse do que ela estava falando! Ele se lembrava de quando tinha entrado naquele ramo, era calmo, inexpressivo, frio... Mas ao conhecer aquelas pessoas, ele ficou doido, doido mesmo, se irritava facilmente, seu irmão tinha contribuído para essa mudança de personalidade.
_Então, quem é essa garota? –Lass coçando os olhos.
_Vai ser sua babá, mas ainda não achei nenhuma. –Aoki.
Lass sentiu seu corpo desabar outra vez no sofá. Ainda estava nas vistas daquelas pessoas, que não prestavam muito a atenção, mas trocavam ideias sobre o projeto que tinham em mente.
_Por que não pode ser um deles? –Lass apontava para os amigos.
_Você realmente quer um deles? Pelo que eu saiba, Ryan se esquece de tudo, Jin tem a Arme, Ronan...o Ronan até que daria, mas ele trabalha na sorveteria da família dele, Sieghart...ele tentaria te matar mesmo. E Elesis, ela confundiria os remédios. –Aoki falava olhando para o pessoal ali.
_E a Arme? –Lass olhava esperançoso para morena.
_Fala sério, seu besta! Ela é uma criança. E não faça cara de cachorro abandonado seu imprestável, porque não vai se safar. Eu não tenho culpa se você é antissocial. –Aoki se levantando irritada e jogando os papéis na mesa.
Lass bufou baixinho, mas a morena se virou para ele com um sorriso super suspeito.
_A não ser... –dizia com voz irônica e um ar maligno.
Lass arqueou as sobrancelhas.
_... Que deixe tudo com seu precioso irmão! –falou com um sorriso diabólico.
Lass sentiu um arrepio e a imagem de um Lupus envolto por fogo e um sorriso macabro segurando injeções e cápsulas de remédio em mãos apareceu em sua cabeça. “Venha Lassie, meu irmãozinho...hora do remedinho ahahahaha”
Aoki teve que correr para segurar o albino, já que ele tinha ficado roxo e desmaiado outra vez.
_Aoki! Pegou pesado. –falava o alaranjado.
_Cala a boca, Ryan. Acorda logo, Lass. –Aoki batendo na cabeça do cantor deitado.
O rapaz voltou a si, ainda que com medo de ter como “babá” seu próprio irmão. Negou a si mesmo essa possibilidade e encarou seus amigos, que novamente estavam em volta de si.
_Droga, imagina se você desmaia em pleno show? –bufava Ronan.
O moreno de cabelos negros sorriu malignamente.
_Daria um ibope e tanto! *esfrega as mãos*. –Sieghart.
Lass sentiu a aura negra da decepção se formar em sua cabeça e logo foi tirado dos pensamentos de assassinato que planejava para Sieghart por um corpo pequeno que o envolveu pelo pescoço.
_Lass-nii, Lass-nii! Você prometeu que ia cantar pra mim hoje à noite! –sorria a pequena Arme.
Jin soltou uma reclamação no mesmo momento.
_Irmã! O Lass está mal, não tá vendo? –repreendeu o ruivo de aparência infantil também.
Arme soltou Lass, e ficou frente a frente com o irmão com cara de choro, amolecendo o coração do irmão.
Na hora em que ele foi abraça-la, Arme mostrou a língua e saiu correndo.
_Seu boboca! –Arme rindo.
Todos em volta começaram a rir e o ruivo sentiu sua paciência se perder em algum lugar. Aoki cortou a felicidade, lembrando-os de irem para casa devido à aula do dia seguinte.
O glorioso domingo terminava e todos precisavam descansar, especialmente um certo cantor.
A casa de Lass era na verdade um apartamento num condomínio de classe A, de bom gosto e tonalidades claras misturadas ao madeirado. Não gostava de gastar, mesmo sendo rico após todo o sucesso e mantinha mais eletrônicos do que móveis e enfeites, típico da vida fácil e tecnológica.
Lass se jogou no sofá preto assim que chegou, de uma extensão que corria do lado da porta e dobrava na parede e chegava do outro lado, podia abrigar 10 pessoas e na parede se encontrava uma televisão grande, e um rack com vários consoles de videogame guardados, quantos pudesse imaginar.
Ficou ali, pensando no banho, ligou a tevê para ver qualquer coisa, mas nada interessava, mesmo com tantos canais. Arrastou-se lentamente para a cozinha, uma bagunça completa, louça suja, chão pingado de óleo, de restos de comida que caíam, enfim...a área mais assustadora da casa nada grande para um cantor internacionalmente famoso.
Saiu de lá, fechando a porta e ignorando completamente aquele lugar e foi ao quarto. Não estava tão diferente da cozinha, exceto pelo fato de em vez de comida, ser roupa suja.
Ignorou o quarto também, se levando ao banheiro e sem cerimônia arrancou as roupas e entrou no chuveiro sem trancar a porta e nem fechar o box, com pressa de sair daquela casa.
Enquanto passava muito shampoo na cabeça até cair sabão pelo rosto, não percebeu até que ouviu uma voz detestável na porta do banheiro.
_Irmãozinho, você não tá nada mal...diferente da casa né? –Lupus ria enquanto o corpo de Lass virava para ele, mas não o vendo devido ao sabão.
_SAI DAQUI LUPUS! –berrou o albino tentando tirar o sabão desesperadamente e agarrar a porta do box para fechar.
Mas na tentativa, escorregou no sabonete e bateu as costas na parede, caindo no chão. Lupus deu um risinho e entrou totalmente no banheiro com duas toalhas grandes na mão. O moreno, acompanhado de um sorriso sarcástico no rosto, arregaçou as mangas e agarrou o braço do garoto pálido, levantando-o e enfiando-o de novo embaixo d’água enquanto o apoiava com as mãos.
Lass sentiu que a água limpou seu rosto, mas tinha certeza que seus olhos estavam vermelhos pela irritação. Assim que os abriu, Lupus já tinha fechado o chuveiro e enrolado seu corpo com a toalha, e o enxugava superficialmente.
_S-Seu maldito, é culpa sua! –Lass com a irritação ao máximo.
Lupus sorriu mais sincero e puxou Lass para fora do box, levando-o até o quarto, sentando-o na cama, agora sem bagunça, com as roupas sujas dentro de um cesto.
O moreno pegou a outra toalha e bruscamente esfregou-a na cabeça do irmão, bagunçando todos os fios brancos e os embaraçando.
Lass tentou chutar Lupus, mas o mais velho apenas riu e jogou uma blusa branca de manga comprida de botões, que pareceu grande demais para Lass. O albino a olhou e foi surpreendido com uma cueca branca também que levou na cara.
_Se vista, temos companhia. –Lupus acenando e saindo do quarto.
_E a calça, idiota? –Lass tremendo de raiva de o irmão estar na casa e ainda levar pessoas.
_Você tem mão, irmãozinho. –Lupus riu saindo dali.
Lass amassou a blusa entre os dedos, mas mesmo assim vestiu. Assim que se levantou, viu que o quarto de repente pareceu estar mais limpo e as únicas coisas bagunçadas eram seus CDs e DVDs amontoados. Lembrou de que não gostava de quando alguém mexia neles e por esse motivo Lupus não os arrumou.
Abriu seu guarda roupa e procurou uma calça, achando apenas uma, que também era branca.
_Mas que sofrimento! Porque só tenho roupa branca?! –xingou alto, vestindo a peça.
Assim que se olhou no espelho se surpreendeu, seu cabelo estava desarrumado, mas incrivelmente bonito e era estranho isso acontecer todas às vezes.
_Não entendo mais nada. –Lass saindo do quarto e batendo a porta. Foi na sala e Lupus estava sentado assistindo tevê.
_Você disse que tínhamos visita. –Lass estreitando os olhos pronto para matar o irmão.
_Está na cozinha, a Aoki está lá também. –Lupus nem olhando na cara do albino.
Lass novamente voltou pelo caminho que fizera e deu-se com Aoki e uma moça atrás dela.
_YO! –Aoki com um sorriso enorme.
Lass não respondeu, com um olhar mortal. Aoki não se deixou abalar, virando-se para a moça, ligeiramente mais alta que Lass.
_Sou da*...Onette, esse é o cara. –Aoki apontando para Lass (Sou da=Isso mesmo).
A moça se aproximou, Lass desfez a expressão brava para se transformar em uma de completa estranheza.
Ela tinha cabelos longos, usava óculos simples e o olho direito era azul enquanto o esquerdo era vermelho. Usava uma roupa parecida com a de enfermeiras, vestido simples de botões, na cor azul clara, nos pés uma sapatilha azul-escura e no rosto uma expressão sem emoção.
_Hajimemashite*, Isolet-sama. –falou com voz em um tom único, assentindo a cabeça com respeito.
_Hajimemashite... –Lass olhando da moça para Aoki que fazia um sinal para ele parar de olhar nos olhos dela. (Hajimemashite- Prazer em conhecer/conhecê-lo).
_O nome dela é Mari Ming Onette, Lass. Ela vai cuidar de você, será sua guarda-costas, sua médica de plantão, sua secretária pessoal, motorista, enfim, seu tudo. Temos contrato e exigências, mas te garanto que ela é profissional e dará conta. –Aoki esfregando as mãos e agradecendo a moça.
Lass sentiu sua vida esvair. Não queria nem saber os termos do contrato, sua vida estava destruída a partir daquele momento, pois se a garota ia passar o tempo todo com ele, ele nunca iria poder fazer o que bem entendesse em sua vida adulta, ou seja, voltou à infância, com uma mãe de olhos bicolores e cara de “nada”.
_Se ferrou. –Lupus apareceu na cozinha gargalhando.
_Ora seu... –Lass pronto para pegar uma faca e matá-lo.
Aoki segurou a orelha do albino e o alertou sobre mais um fato: ela iria morar com ele e estudar no colégio dele.
Lass segurou toda a sua tensão e sorriu amargamente para as duas, dizendo que tudo bem e que a esperava no dia seguinte, mas ao por o pé para fora, sentiu uma mão fria segurá-lo pela gola da blusa.
_O trabalho começa hoje. Então, são sete horas, hora da vitamina, Isolet-sama. –falou no mesmo tom a moça piscando uma única vez.
Lass sentiu um calafrio percorrer sua espinha, seu choro imaginário era uma cachoeira e balbuciou que poderia chamá-lo de Lass.
Continua
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