Afterlife
12 Michael – Aquilo
O plano já estava em ação. Claire chamaria o homem de cabelos grisalhos, que se chamava Jerry, para seu quarto. Enquanto isso, Ryan já teria nocauteado um dos guardas que ficavam na porta de lá para tomar seu lugar, transformando-se nele. Quando o homem chegasse, eles o atacariam para pegar as chaves das demais portas. Parecia fácil demais, mas obviamente o inimigo não estaria esperando alguém capaz de usar seus poderes ali.
Além disso, Ryan disse que iria, já com a chave, até o lugar onde pudesse desativar os dispositivos que nos mantinham sem nossas habilidades. Depois disso, um dos conhecidos de Ryan viria até mim e alguns outros para nos avisar que podíamos começar o ataque para fugir dali.
A minha parte do plano era ficar no refeitório, perto da cozinha, no horário da refeição. Quando fosse avisado que possuía meus poderes de volta, lançaria minhas chamas para cima. Isso chamaria a atenção de todos, alertando-os para o retorno de nossas habilidades. Os prisioneiros que foram avisados previamente começariam a lutar, e os outros com certeza seguiriam.
Eu estava ansioso. Nervoso. Inteiramente inquieto. Mas tentava parecer o mais normal possível para que nada ficasse óbvio demais.
Um homem vinha ao longe. Ele olhava para mim. Engoli em seco. "Chegou a hora" — pensei. Quando notou que eu o olhava, ele balançou a cabeça positivamente, e se retirou. Eu me levantei, e andei calmamente até um local mais centralizado. Cerrei meus punhos. Os guardas perceberam que algo estava errado, e começaram a chamar minha atenção e a vir em direção a mim. Ergui minha mão e me concentrei. Eu podia sentir meu corpo inteiro começar a acender por dentro. Eu me sentia queimar. Eu sentia a temperatura do meu braço se elevando extremamente, desde o ombro até a palma da mão, que foi quando expeli uma enorme quantidade de fogo para o teto daquele lugar.
Os guardas obviamente ficaram perplexos, parando antes de chegar até mim. Depois de alguns segundos, pegaram suas armas. Mas não adiantaria. Os outros prisioneiros não perderam muito tempo, e já começaram a atacar. A maioria estava frenética por estarem usando seus poderes novamente.
Repentinamente, fui compelido para longe. O barulho da explosão fez-me ficar sem ouvir direito por um bom período. Depois de um tempo, levantei-me e observei a destruição. Vários guardas morreram, e alguns prisioneiros que estavam mais próximos também. O homem que causara a explosão demonstrava frenesi em sua face. Ele correu para fora dali, em busca de outros inimigos para detonar.
Eu podia ter me sentido mal por aquilo, mas não me senti. Fora necessário. Aqueles guardas não tinham nenhum resquício de bondade, e, já que não havia outro jeito, aquele teria de ser suficiente — embora tivesse consciência de que aquele homem da explosão nunca poderia ser um aliado. Eu tinha que sair dali. Não... Eu tinha que tirar Claire dali, e Ryan também. "Não posso perdê-lo novamente" — pensei.
O som das lutas que se travavam era nítido. Todos lutavam. Todos queriam sair. Não só isso, muitos queriam vingança. E estavam conseguindo.
Enquanto vários lutavam, comecei a correr para fora dali. Iria em direção ao quarto de Claire, pois combinamos de nos encontrar lá e sairmos todos juntos, já que ela poderia estar em perigo não só em relação aos guardas, mas também aos prisioneiros que a detestavam por suas habilidades.
Quando eu ia passar por uma das portas, um guarda surgiu e apontou sua arma para mim. Eu desviei, enconstando-me na parede do lado de dentro do local. O tiro estridente, entretanto, acertou outro prisioneiro, o qual fora imulsionado para trás alguns metros como se tivesse sofrido um enorme impacto. Ele não levantou mais. Nem se mexeu.
Fiquei aterrorizado, mas não tive tempo a perder com aquilo. O guarda logo entrou apontando a arma para mim, mas eu a agarrei e apontei para cima velozmente, podendo não ser atingido pelo próximo tiro. Com a outra mão, em seguida, incendiei o rosto do homem. Dessa vez, senti-me bem mais afetado. Bem em frente a mim, a imagem de sua face se derretendo me deu calafrios e náusea. Fiquei assombrado, também. Mas continuei em frente.
Para todo lado que olhava via alguém sendo morto. Havia sangue por toda parte, banhando aquele lugar infernal. Eu tentava ao máximo não enfrentar ninguém para não perder tempo. Porém tive que parar no meio do caminho ao me deparar com aquilo.
Eu nunca havia me sentido tão apavorado. Sua altura era maior que o normal. Devia ter mais de dois metros. Um de seus olhos era fechado, e o outro era demoníaco. Não tinha cabelo, e seus dentes, assim como suas gengivas, estavam completamente explícitas, pois não havia pele. Seu corpo nu, embora não tivesse algum órgão que o delimitasse como de algum sexo, tinha o porte físico de um homem muito forte, e também possuía várias partes sem pele.
Aquilo era... Eu não sabia o que pensar. Meu corpo paralisou. Era como se eu estivesse diante da morte, no seu sentido mais sombrio. Aquilo ficou imóvel por algum tempo. Eu pensei em voltar para trás e pegar outro caminho, pois não havia chance nenhuma de que eu iria passar perto dele.
Decidi que andaria para trás. Pisquei meus olhos enquanto dei um passo. Aquilo, em questão de milésimos, andou toda a enorme distância até mim. Meu coração quase pulou para fora e calafrios percorreram meu corpo inteiro naqueles míseros milésimos. Mas, logo em seguida, ele já saíra do meu campo de visão. Não porque fora embora. Porque já estava atrás de mim. Aquilo não era somente veloz. Era extremamente forte.
Senti uma dor excruciante na lateral de meu abdômen. Olhei para baixo, e o que não vi me deixou desesperado. Quase metade da minha barriga havia sido arrancada, além de um pedaço do peitoral. Eu caí no chão, no mesmo momento. Não conseguia respirar. Eu sentia a chama de dentro de mim se apagando. Eu estava... morrendo.
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